A apreensão que a queda de Lula causa nos petistas baianos, por Raul Monteiro*
Faltando menos de dois anos para as eleições (presidencial e estaduais) de 2026, os números não sorriem mais para o presidente Lula (PT), desencadeando uma grande preocupação entre todos aqueles que apostam no seu perfil de grande puxador de votos para o próximo pleito, notadamente governadores e candidatos petistas a governos. A pesquisa Genial/Quaest de ontem só confirma uma tendência que já vinha se delineando há um bom tempo, ao deixar claro que não é obra da oposição a insatisfação crescente com os rumos de um país sem motivação, abalado por uma economia que fraqueja devido à carestia, apesar de um surpreendente quadro de pleno emprego.
Segundo o levantamento, 56% dizem desaprovar a gestão petista, ante 49% em janeiro, e 41% afirmam aprovar, contra 47% há dois meses. Outros 3% não sabem ou não quiseram responder. Além de uma preocupante queda entre as mulheres, segmento em que pela primeira vez a desaprovação ao governo (53%) superou a aprovação (43%), foram registradas oscilações e baixas na avaliação do petista em todas as regiões, incluindo o Nordeste, onde o PT venceu com folga todas as últimas eleições presidenciais, inclusive na Bahia, elegendo um quadro então desconhecido, Jerônimo Rodrigues, para governador do Estado.
Não é por outro motivo que os percentuais ruins, mas sobretudo a consolidação de uma tendência negativa, portanto, muito mais difícil de reverter, estão sendo recebidos com apreensão pela turma do governo – a despeito do até aqui elevado grau de aprovação do petista baiano – e, na outra ponta, com animação pelo time do ex-prefeito ACM Neto (União Brasil), cuja resiliência como liderança inconteste da oposição não parece ter sido abalada pela derrota de 2022 nem pelo movimento recente de ataques deflagrado por ex-aliados. Mais do que isso, entre os governistas tende a recrudescer os apelos para que o governador se dedique mais à gestão.
As recomendações, dadas a Jerônimo há pelo menos um ano pelo senador Jaques Wagner e o ministro Rui Costa (Casa Civil), para, como se diz no popular, sentar mais na cadeira, ao invés de se deslocar tanto pelo interior, demonstrando à população que detém, de fato, o controle sobre a administração e que sua gestão produz bem-estar, se mostram atuais, sobretudo porque, diferentemente do que ocorreu no pleito passado, sua reeleição dependerá de uma combinação ativa entre a avaliação sobre Lula e o julgamento do seu próprio governo. É um cenário que impulsiona pressões pela continuidade da reforma administrativa, hoje em banho maria.
De fato, o governador acaba de tomar uma medida enérgica ao mudar o comando das polícias, empoderando seu competente secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner, de forma a enfrentar um dos eixos mais frágeis da administração, e nomear a Comunicação, mas precisa dar prosseguimento aos ajustes na máquina se quiser sobrepor-se ao desgaste a que Lula pode sucumbir. Desta vez, no entanto, mirando menos a base do que o seu próprio sucesso. Para ficar em dois pontos, a avaliação geral, por exemplo, sobre a Casa Civil, o elo gerencial, continua horrorosa, assim como sobre a performance da Cultura, que vem causando um fosso desnecessário e intransponível entre o setor e o governo.
* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.
Raul Monteiro*
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