Tarcísio diz que Jair Bolsonaro conversou com ele algumas vezes sobre concorrer à Presidência

O governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos)
O governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta segunda-feira, 1º, que o ex-presidente Jair Bolsonaro discutiu com ele, em algumas ocasiões, a possibilidade de lançá-lo como candidato do bolsonarismo à Presidência da República neste ano. Segundo Tarcísio, porém, a resposta foi de que preferia permanecer à frente da gestão estadual.

As declarações foram feitas em entrevista ao programa Pânico, da rádio Jovem Pan FM. O chefe do Executivo paulista foi questionado sobre se aceitaria a missão caso tivesse sido indicado pelo capitão reformado.

"Olha, ele não indicou. E, desde o início, ele conversou comigo algumas vezes sobre isso. Eu falei: 'Presidente, a minha intenção é ficar em São Paulo, porque é o maior colégio eleitoral do Brasil'", disse Tarcísio. "Imagina hoje se eu saísse de São Paulo, quem seria o candidato? Olha o risco que a gente ia ter de, inclusive, perder São Paulo."

O governador afirmou ainda que, dentro de uma lógica de grupo político, era preciso compreender qual papel cabia a cada integrante. Ele afirmou que tinha uma função de "contenção" a cumprir em no território paulista e avaliou que deixar esse posto poderia prejudicar até mesmo a eleição nacional.

Tarcísio também disse estar "muito feliz" no governo paulista e afirmou ter recebido um "grande voto de confiança" da população de São Paulo, que pretende honrar. Segundo ele, há satisfação com o trabalho realizado pela gestão estadual.

"Meu candidato [à presidência] é o Flávio"

Durante a entrevista ao programa Pânico, Tarcísio de Freitas reiterou que seu candidato à Presidência da República é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Sem comentar a possível relação entre Flávio e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o governador ressaltou sua lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem atribuiu sua entrada no cenário nacional e a oportunidade de ter sido ministro.

Segundo o chefe do Executivo paulista, desde o início ele deixou claro que apoiaria Bolsonaro ou o nome indicado pelo ex-presidente. Como Bolsonaro indicou Flávio, afirmou o governador, seu candidato é o senador, cuja campanha em São Paulo deverá coordenar.

Tarcísio fez elogios aos demais pré-candidatos de direita Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, mas salientou não acreditar que espaço para tais lideranças, que classificou como "regionais".

"Eu entendo que também há pouco espaço para a terceira via, há pouco espaço para outras candidaturas", afirmou. "Está muito polarizado, então não tem espaço para essas lideranças regionais emergirem como uma liderança nacional. Então a disputa vai ser entre (o presidente) Lula e o Flávio, não há dúvida disso."

"Jair Bolsonaro fora do jogo político"

Tarcísio de Freitas voltou a criticar a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, durante a entrevista na rádio Jovem Pan FM. Segundo o governador, houve "grande maldade" ao tirar Bolsonaro do jogo político e impedir que ele se pronunciasse, diante do "peso" que o ex-presidente tem, de sua capacidade de "mover o ponteiro" e de mobilizar apoiadores.

Segundo Tarcísio, Bolsonaro é uma "liderança incontestável". O governador afirmou que não tem falado recentemente com o ex-presidente por causa da agenda extensa, mas disse que pretende procurá-lo. Ele ressaltou ter com Bolsonaro uma relação de amizade, consideração e proximidade.

"Extremamente injustiçado. Se a gente pegar o processo dele, a gente vai ver uma série de fragilidades", continuou. "A gente não pode concordar com tudo que aconteceu. E eu imagino que, num futuro próximo, a gente vai ver a Justiça também prevalecendo."

Uma das principais promessas do pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, para o caso de vitória nas eleições presidenciais deste ano é levar Jair Bolsonaro para subir a rampa do Palácio do Planalto na cerimônia de posse, em janeiro de 2027.
Por Geovani Bucci, Estadão Conteúdo

Dona de produtora do 'Dark Horse' expandiu negócios depois de conhecer Mario Frias

          Karina Gama, dona da produtora de 'Dark Horse', filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)
Moradora da Brasilândia, na periferia norte de São Paulo, Karina Gama, 47, dona da produtora de "Dark Horse", costuma sair cedo de casa e enfrentar o trânsito até a rua Haddock Lobo, na região nobre dos Jardins, onde administra suas empresas.

Ela está na direção de ao menos seis empreendimentos, que não se restringem mais à esfera cultural nem à cidade onde vive. Neste ano, começou uma holding de instituições não-financeiras, a Gama Participações Ltda, em Aracaju (SE), e virou sócia da Upcon Serviços Especializados Ltda, voltada à construção de edifícios, com sede em Salvador (BA).

Sua ascensão profissional coincide com o momento em que conheceu o deputado federal Mario Frias (PL-SP). Os dois foram apresentados quando o ex-ator-global assumiu a secretaria de Cultura no governo Bolsonaro, em 2020, e se conectaram por afinidade ideológica, segundo fontes ouvidas pela reportagem.

A amizade abriu as portas para que Karina ganhasse projetos do campo político conservador. A partir de 2020, suas empresas passaram a receber dinheiro para trabalhar em campanhas do PL, inclusive a de deputado federal de Mario Frias, e verbas de emendas, como mostrou a Folha.

Um dos maiores contratos veio do chamamento público de R$ 108 milhões, da Prefeitura de São Paulo, para fornecer wi-fi a comunidades carentes. O acordo está sob investigação do Ministério Público e da Polícia Civil, que realizou operação em endereços ligados a Karina nesta segunda-feira (1º).

Nem Frias nem a empresária responderam à Folha sobre a ascensão dos negócios de Karina desde que ela conheceu o parlamentar.

Apesar de administrar valores milionários, Karina não tem imóveis registrados em seu nome, segundo pesquisa em cartórios do estado de São Paulo. Ela requereu a concessão de uso da casa da família na Brasilândia, por meio de um programa para pessoas de baixa renda, mas o pedido foi indeferido por não preencher os requisitos previstos em lei.

Com Wemerson Marinho, de quem está se divorciando, firmou contrato em 2023 para comprar uma casa de mais de R$ 2 milhões em Santana de Parnaíba (SP), mas deixou de pagar as parcelas no ano passado. O caso está na Justiça.

Mãe de dois filhos, Karina é evangélica desde os 16 anos e frequentadora do Templo de Salomão na Igreja Universal. É descrita como de trato cordial, mas com "rolos nos negócios" que afastaram antigos parceiros.

Ela diz que o seu interesse por projetos sociais veio da religião, o que a levou a atuar, a partir de 2014, no Instituto Conhecer Brasil, do qual é presidente. O instituto é uma associação privada, sem fins lucrativos, que recebeu dinheiro de emendas de Frias para projetos envolvendo letramento digital e esportes, além do contrato com a prefeitura de São Paulo.

Karina tinha, antes de 2020, a K F da Gama Produções, empresa individual aberta em 2005, com capital de R$ 1 mil, voltada a atividades culturais e de marketing.

Formada em jornalismo pela Unip (Universidade Paulista), ela lista nas redes sociais sua experiência na presidência de associações privadas, atuação no Conselho Municipal do Direito da Criança e do Adolescente na cidade de São Paulo e trabalhos como secretária-executiva. Segundo fontes, Karina vivia, até 2019, uma vida de assalariada cuja remuneração não ultrapassava R$ 25 mil.

A partir de 2020, já sob o governo Bolsonaro, ela mudou o tipo jurídico da K F da Gama Produções, que viraria a Conhecer Brasil Assessoria Produção e MKT Cultural, com indícios de aumento da capacidade econômica operacional da empresa.

No mesmo ano, fundou a Academia Nacional de Cultura, associação privada que também recebeu emendas de parlamentares bolsonaristas para uma série sobre heróis nacionais, valor ainda não pago em razão de pendências no projeto, segundo o governo do Estado de São Paulo.

Um ano depois, fundou a Go Up, produtora de "Dark Horse" que não tem filmes registrados na Ancine (Agência Nacional do Cinema). É sócia-administradora da empresa nos Estados Unidos, ao lado de Michael Brian Davis.

As quatro empresas e associações —o ICB, a ANC, a Conhecer Brasil e a Go Up— têm na Receita Federal o endereço de um escritório virtual, na avenida Paulista, onde há serviço de recebimento de correspondência simples.

Já o endereço no qual Karina trabalha, na Haddock Lobo, tem placa do Instituto Conhecer Brasil no prédio e recebeu a visita, segundo fontes ouvidas pela reportagem, de Mario Frias e de Eduardo Bolsonaro. Frias, que fez a ponte entre Karina e a família Bolsonaro, incluindo o senador Flávio (PL-RJ), nega qualquer irregularidade com dinheiro público nas transações feitas para as empresas de Karina.

No ano passado, Karina deu um novo passo nos empreendimentos. Pela ANC (Academia Nacional de Cultura), lançou a Connect Faith, uma feira de fé e tecnologia adiada duas vezes antes de estrear com os corredores vazios, registrados em vídeos acessados pela reportagem.

Inicialmente programada para ocorrer em outubro de 2024, ela foi adiada para novembro e depois remarcada para junho do ano seguinte, sob justificativas de "acontecimentos ocasionados por força maior" e em "virtude da proximidade das eleições".

O evento aconteceu na Expo Center Norte, em São Paulo, e teve como apresentação principal show do cantor gospel estadunidense Kirk Franklin, com ingressos de R$ 300 a R$ 500.

A prefeitura de São Paulo cobriu R$ 3,5 milhões de despesas da feira, via Secretaria Municipal de Turismo. Os gastos envolvem itens e serviços como agentes de limpeza, bombeiro, água mineral, café, produtor executivo e recepcionista. À Folha a pasta informou que o apoio foi destinado à infraestrutura do evento, que tinha público estimado em 60 mil pessoas.

Em fevereiro de 2026, a empresária expandiu o território de atuação e área de negócio, até então restrita à cultura, abrindo a Gama Participações Ltda, em Aracaju (SE), com atividades de holding de instituições não-financeiras, compra, venda e aluguel de imóveis próprios. O capital social é de R$ 100 mil, e Karina é a única sócia.

No mesmo mês, ela entrou como sócia da Upcon Serviços Especializados Ltda, quando Ademar de Sena Sampaio, naquele momento o único sócio, transferiu gratuitamente quase metade das cotas para Karina, e ela passou a exercer de maneira isolada a administração da sociedade, voltada à construção de edifícios. A empresa foi criada em 2016 e teve sede inicial em Brasília, mas agora está em Salvador (BA). A Folha tentou falar com Sampaio, que não respondeu.

Karina Gama não respondeu os contatos da reportagem. Em entrevista anterior, por escrito, ela elogiou o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. Segundo Karina, "Dark Horse" merece seis Oscars.

"Posso dizer que o Mario Frias é um homem da cultura e das artes cênicas, um gênio do audiovisual e que, efetivamente, trabalhou muito para o sucesso do nosso filme, que ficou magnífico, formidável mesmo. Quando ganharmos o Oscar, ele estará comigo em Hollywood levantando a estatueta de melhor filme", afirmou.

Evolução das empresas e associações de Karina Gama

2005 - Abre a K F da Gama Produções, empreendimento na área de eventos com capital social de R$ 1 mil, em São Paulo

2014 - Entra no Instituto Conhecer Brasil, associação privada sem fins lucrativos da qual é presidente, em São Paulo

2020 - K F da Gama, que vira a Conhecer Brasil Assessoria Produção e MKT Cultural, muda tipo jurídico e apresenta indício de aumento da capacidade econômica operacional

2020 - Funda, em São Paulo, a ANC (Academia Nacional de Cultura), associação privada ligada a atividades culturais

2021 - Abre em São Paulo a Go Up, produtora do filme "Dark Horse", que também opera nos Estados Unidos

2026 - Abre a Gama Participações Ltda, com atividades de holding de instituições não-financeiras, compra, venda e aluguel de imóveis próprios e sede em Aracaju (SE)

2026 - Entra como sócia da Upcon Serviços Especializados Ltda, voltada à construção de edifício e com sede em Salvador (BA).
Por Ana Gabriela Oliveira Lima, Folhapress

Prefeitura de Ipiaú lança REFIS 2026 com até 100% de desconto em juros e multas

Objetivando promover a regularização de dívidas tributárias e não tributárias de pessoas físicas e jurídicas, a Prefeitura Municipal de Ipiaú lançou oficialmente o Programa de Recuperação Fiscal- REFIS 2026-. A iniciativa oferece condições especiais que vão desde descontos de 100%, sobre juros e multas, para os contribuintes que optarem pelo pagamento à vista.

O pagamento à prazo não tem excedente de grandes multas, podendo ser feito com os descontos chegando a 90% no caso o contribuinte optar pelo parcelamento em até 12 meses. Aqueles que preferirem parcelar o pagamento entre 13 a 20 meses terão 80% de desconto , enquanto os que optarem pelo parcelamento de 21 a 24 vezes terão 70% de desconto.

Confira:
Pagamento à vista: 100% de desconto em juros, multas e honorários advocatícios;
Parcelamento em até 12 vezes: 90% de desconto;
Parcelamento de 13 a 20 vezes: 80% de desconto;
Parcelamento de 21 a 24 vezes: 70% de desconto.

O programa contempla débitos municipais de diferentes naturezas, incluindo aqueles já inscritos em dívida ativa ou que estejam em processo judicial até 2025. A adesão ao REFIS 2026 estende-se até o dia 30 de novembro.

FORTALECIMENTO DA ARRECADAÇÃO

Além de facilitar a negociação das dívidas, proporcionando aos cidadãos e empresas a oportunidade de ficarem em dia com o município, o REFIS permitirá o fortalecimento da arrecadação e ampliação dos investimentos públicos. A arrecadação do REFIS é reinvestida em áreas prioritárias determinadas pela administração municipal , a exemplo de serviços essenciais , saúde, educação , infraestrutura e melhorias urbanas, conforme as metas estabelecidas na Lei Orçamentária Anual(LOA) e aprovadas pela Câmara Municipal.

“Nosso objetivo é proporcionar aos cidadãos a oportunidade de quitar seus débitos de forma acessível, promovendo justiça fiscal e fortalecendo a capacidade de investimento do município em áreas essenciais para a população”, destacou um representante da gestão municipal. A Prefeitura orienta os contribuintes a não deixarem para a última hora e aproveitarem os benefícios oferecidos pelo programa.

ONDE ADERIR
A adesão ao REFIS 2026 poderá ser feita diretamente no Departamento Municipal de Arrecadação e Execução Tributária, localizado na Praça Ruy Barbosa, prédio do SAC, no período das 8 às 12 e das 14 às 17 horas. Mais informações poderão ser obtidas pelo WhatsApp do Departamento de Tributos, com o número (73) 3531-4185.

Vítimas de acidente com 16 mortos na Bahia eram da mesma família e retornavam de festa de aniversário

Batida aconteceu no domingo (31), na BR-116, em trecho de Santa Terezinha. Elas moravam em Salvador e retornavam à capital baiana depois de passar o fim de semana em Amargosa, no interior baiano.
As dezesseis pessoas que morreram após uma batida frontal entre um caminhão e uma van, na tarde de domingo (31), na BR-116, em um trecho de Santa Terezinha, a 109 km de Feira de Santana, eram da mesma família. Elas moravam em Salvador e retornavam à capital baiana após participarem de uma festa de aniversário na cidade de Amargosa, no interior do estado.
Segundo informações apuradas pela TV Bahia, as vítimas moravam no bairro de Fazenda Coutos, no subúrbio ferroviário de Salvador. Os nomes delas não foram divulgados.

Outras quatro pessoas ficaram gravemente feridas e estão internadas. Uma delas precisou passar por cirurgia.

O motorista do caminhão foi socorrido para o Hospital Municipal de Itatim e, posteriormente, transferido para o Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus, onde permanece custodiado. Ele foi autuado por homicídio doloso na condução do veículo.

Ainda não há informações sobre a causa do acidente. Segundo a polícia, há indícios de que a colisão aconteceu depois que o caminhão invadiu a contramão.
1 de 3 Colisão entre van e caminhão deixa mortos na BR-116, na Bahia — Foto: Blog do Valente

Sete corpos foram encaminhados para o Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Santo Antônio de Jesus, enquanto outros nove foram levados para a unidade de Feira de Santana.

Por causa do acidente, o trecho da BR-116 ficou interditado nos dois sentidos por cerca de 12 horas. O tráfego foi totalmente liberado por volta das 4h desta segunda-feira (1º).

2 de 3 Batida entre van e caminhão ocorreu em trecho de Santa Terezinha, na Bahia — Foto: Blog do Valente

Após a tragédia, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), decretou luto oficial de três dias no estado.

"Recebi com tristeza a notícia do acidente ocorrido na BR-116. Estamos acompanhando a situação e prestando todo o apoio necessário às vítimas e suas famílias neste momento. Que Deus conforte o coração de todos", escreveu nas redes sociais.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a colisão foi registrada por volta das 16h40, no km 506 da rodovia. A TV Subaé, afiliada da TV Bahia na região, apurou que o trecho onde ocorreu a batida é de pista simples.
Por g1 Feira de Santana e região e TV Subaé

01/06/2026 06h51 Atualizado 01/06/2026

Ipiaú: Carro com grupo armado capota na BR-330 e deixa ao menos 04 feridos

Um grave acidente foi registrado por volta das 10h20 deste domingo (31), em um trecho da BR-330, nas proximidades da Fábrica de Polpas de Frutas Doce Mel, em Ipiaú. De acordo com informações apuradas pela reportagem do GIRO no local, um veículo modelo Ford Ecosport, que seguia no sentido Ipiaú, saiu da pista após o motorista perder o controle da direção. O automóvel desceu um barranco, capotou diversas vezes e parou sobre uma cerca às margens do Rio de Contas.
O carro era ocupado por seis homens. Conforme as informações preliminares, dois dos ocupantes são moradores de Ipiaú. Pelo menos quatro pessoas sofreram escoriações em decorrência do acidente e foram socorridos pelo Samu. Outros dois ocupantes não foram encontrados no local após a ocorrência. Um dos feridos, residente no município de Wenceslau Guimarães, foi detido pela Polícia Militar após ser constatado que estava armado. Guarnições da PM foram acionadas e iniciaram os procedimentos de averiguação. Agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que estavam em uma área próxima ao local do acidente, também foram mobilizados para prestar apoio à ocorrência.
Ainda segundo as informações obtidas pela reportagem, os ocupantes do veículo com placa de Ipiaú serão conduzidos para averiguação. As forças de segurança apuram as circunstâncias da presença do grupo armado na região e buscam esclarecer qual seria o objetivo da viagem. O caso segue em investigação e a polícia deverá divulgar mais detalhes da ocorrência nas próximas horas. *Informações do site Giro Ipiaú

Crime custa ao menos R$ 107 bi à indústria brasileira, mostra CNI

O crime custa ao menos R$ 107 bilhões por ano para a indústria brasileira, entre prejuízos diretamente causados pelo mercado ilícito e gastos associados à prevenção e segurança.

É o que mostra uma sondagem da CNI (Confederação Nacional da Indústria). O levantamento ouviu 1.398 empresas de 32 setores industriais de pequeno, médio e grande porte de todo o país, entre os dias 3 e 12 de novembro do ano passado.

Dos R$ 107 bilhões, R$ 68,8 bilhões são só em gastos com prevenção contra crimes. Nesse pacote, entram, por exemplo, despesas com vigilância patrimonial, monitoramento eletrônico, segurança cibernética e proteção pessoal.

Os outros R$ 39,1 bilhões são resultado direto de atos criminosos na receita líquida das empresas. Aqui, entram desde roubo de carga e furto de matéria-prima até pirataria, contrabando e "gatos" de energia elétrica.

"São recursos que poderiam ser revertidos em novos investimentos, emprego e melhoria na produção", afirma o superintendente de política industrial da CNI, Fabrício Silveira, responsável pela sondagem.

A CNI afirma que parte dos prejuízos pode estar associada à atuação do crime organizado, embora a sondagem não permita mensurar esse impacto. Segundo Silveira, setores como combustíveis e bebidas já registraram casos com indícios relevantes de participação de organizações criminosas.

"Tanto no caso do metanol [contaminação de bebidas no ano passado] quanto nas operações no setor de combustíveis havia vínculos bastante fortes com esse tipo de atuação criminosa", afirma.

Silveira ressalta, contudo, que é difícil quantificar quanto do custo total estimado pela pesquisa está relacionado às facções. Segundo ele, as empresas consultadas não identificam quem está por trás dos crimes, mas apenas os prejuízos sofridos. "Elas conseguem mensurar as perdas, mas não necessariamente apontar quem está por trás delas", diz.

Segundo o levantamento, as perdas pelo crime afetam mais de um terço das empresas industriais do país, e os efeitos são mais acentuados nas de pequeno e médio porte. Em números, o impacto negativo médio nas companhias menores é de 0,6% da receita líquida anual. Em médias e grandes, é de 0,8% e 0,4%, respectivamente.

Essa análise segmentada por porte das companhias é, segundo o estudo, especialmente relevante por considerar o papel que desempenham na economia.

As micro e pequenas empresas são quase a metade (44%) de toda a indústria brasileira, segundo dados de 2024 do Sebrae. "Quando pressionadas por ilícitos, elas reduzem investimentos, postergam projetos e tornam-se mais avessas ao risco, o que pode comprometer a renovação produtiva e o crescimento de longo prazo da economia", diz Silveira.

Entre os tipos de crimes que mais afetam a indústria, a CNI aponta que o roubo de carga é líder em ocorrências (32%).

Para Silveira, o perfil dos crimes varia conforme o porte da empresa. "As menores, por exemplo, enfrentam mais problemas com crimes patrimoniais dentro das próprias instalações, como roubos e furtos. Já o roubo de cargas é mais comum entre médias e grandes empresas."

Somente no estado do Rio de Janeiro, segundo a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), essa categoria de ilícito impõe um ônus pesado à economia logística: em 2025, foram registrados mais de 3.000 casos –o equivalente médio a oito caminhões atacados por dia apenas no estado. Em valores, o prejuízo estimado ficou em cerca de R$ 314 milhões para as empresas da região.

A não conformidade de produtos com regulamentações técnicas ficou em segundo lugar entre os ilícitos mais reportados.Isto é, quando empresas são afetadas pelo comércio ilegal de produtos que não atendem normas técnicas, regulatórias ou de segurança exigidas pela lei. Como exemplo, o estudo cita a ausência de certificações obrigatórias, rótulos inadequados ou qualidade aquém dos padrões predeterminados.

Nesse ponto, a pirataria e a falsificação também são discriminadas pelas empresas, em quinto lugar entre os ilícitos mais citados.

Além de riscos à saúde do consumidor, diz a CNI, essas práticas geram concorrência desleal, já que custa menos produzir e o produto, em si, costuma ser mais barato do que o feito em total conformidade com as normas.

A perda de participação de mercado –decorrente tanto da concorrência desleal quanto do roubo de cargas– é apontada como um dos principais efeitos negativos do crime na indústria por 30% das empresas impactadas, atrás apenas de perda de receita bruta (50%)

"Enquanto o roubo de cargas compromete a receita ao impedir a entrega e venda dos produtos, a falta de conformidade na produção ou venda implica perda de receitas por meio desleal, que reduz o mercado das empresas que operam dentro da legalidade", diz o levantamento.

O aumento de custos com segurança (28%) e custos jurídicos adicionais (10%) são os outros efeitos mais citados.

As empresas também foram questionadas sobre como enfrentam essas ilegalidades. Medidas de fiscalização e controle lideram com 77%, seguidas por ações de inteligência (46%). Um terço das companhias (36%) também citam o endurecimento da legislação como uma das formas de combater o crime na indústria.

Segundo a CNI, a ênfase à fiscalização e ao controle reflete a percepção de que, para reduzir a incidência desses crimes, o poder público deve atuar de forma mais contundente em pontos de comercialização e circulação de produtos irregulares.
Por Tamara Nassif e Matheus dos Santos/Folhapress

Pacotão pró-partidos atinge fiscalização da Justiça Eleitoral e pode não valer para 2026

                                                              Plenário do Senado
Um pacote com mudanças que beneficiam partidos políticos meses antes do início da campanha eleitoral foi aprovado pela Câmara dos Deputados no último dia 19 e pode afetar a capacidade de fiscalização da Justiça Eleitoral.

O projeto de lei teve uma tramitação relâmpago e foi votado menos de três horas após a primeira leitura do texto, que terminou com um placar de 367 votos favoráveis contra 86. A proposta segue agora para o Senado.

As benesses incluem afrouxamento das regras para pagamento de multas e diminuição do prazo de prescrição de processos administrativos. Também preveem proibição de bloqueios no fundo partidário e no fundo eleitoral no semestre das eleições e autorização para disparo de mensagens.

Especialistas ouvidos pela Folha apontam que as reformas podem atingir a atuação da Justiça Eleitoral e criticam a suavização das punições. Alguns ponderam que parte da norma consolida entendimento sobre a individualização das punições a diretórios municipais, estaduais e nacionais já pacificado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

O projeto prevê também que as mudanças passem a valer desde agora nos processos em curso e, retroativamente, em processos já arquivados. Segundo os especialistas, essa vigência pode ser considerada inconstitucional.

Vigência e aplicação

Do jeito que está, o PL prevê que as novas regras vigorariam imediatamente, o que pode violar o princípio da anualidade. A regra geral é que as mudanças que atingem diretamente o processo eleitoral valem apenas para eleições que ocorram um ano após o início da vigência da norma.

Embora o projeto não altere a Lei das Eleições, mas apenas a Lei dos Partidos Políticos, algumas regras podem não valer para 2026, afirma Luiz Eduardo Peccinin, advogado eleitoral e doutor pela UFPR (Universidade Federal do Paraná).

Além disso, as alterações que amenizam as multas, diminuem os prazos prescricionais e extinguem sanções de partidos que tenham se fundido valeriam para processos em curso ou transitados em julgado.

Segundo Ricardo Vita Porto, advogado e presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-SP, esse ponto merece atenção. Aplicação retroativa de prazos a processos já transitados em julgado pode "tensionar a garantia constitucional da coisa julgada".

Multas e parcelas

As novas regras incluem também uma limitação ao valor da multa e flexibilização nas condições de pagamentos. Antes restritas a 20% do valor questionado, as sanções terão limite absoluto de R$ 30 mil. Além disso, o prazo de pagamento foi estendido para 180 meses, ou seja, 15 anos.

Segundo a advogada Carla Nicolini, também membro da comissão da OAB-SP, as mudanças ajudam a não comprometer as atividades de diretórios partidários regionais em municípios menores. Entretanto, ela pondera sobre a possibilidade de enfraquecimento de mecanismos de controle e fiscalização de recursos que vêm dos cofres públicos.

Fusão e incorporação

Se a norma passar a valer, a fusão de partidos geraria suspensão de processos judiciais e administrativos das legendas anteriores até a nomeação do novo representante. Além disso, o partido criado não estará sujeito a punições aplicadas por irregularidades da prestação de contas.

Segundo Ricardo Vita Porto, como houve incentivo à redução do número de partidos nos últimos anos, muitas das legendas que se fundiram carregaram passivos das siglas anteriores. O projeto permitiria que obrigações financeiras sejam assumidas sem paralisar os partidos por sanções herdadas, diz.

Prescrição

O exame das contas passa a ter um prazo máximo de três anos. Após esse período, os processos serão extintos. As penalidades que incluem bloqueio no fundo partidário ou suspensão do órgão partidário terão prazo máximo de cinco anos. Com o fim desse prazo, essas sanções são prescritas automaticamente.

Há, também, a aprovação tácita de contas não questionadas pela Justiça Eleitoral. O parecer técnico é considerado automaticamente favorável, caso erros ou inconsistências não sejam apontadas no prazo de um ano após o protocolo.

Esse é um dos pontos que merecem atenção, pois "pode transformar a morosidade em benefício", diz Ricardo Vita Porto.

Bloqueio de fundos

A nova regra veda o bloqueio de repasses dos fundos no semestre das eleições. A medida proíbe suspensões por dívidas antigas ou falta de contas, garantindo recursos às siglas durante o pleito.

Como explica Luiz Eduardo Peccinin, a norma já valia desde 2015. O projeto apenas explicita que a vedação também se aplica ao fundo eleitoral e que órgãos partidários não podem ser suspensos nesse período.

Porto afirma que tais bloqueios acontecem, por exemplo, por penhoras em condenações judiciais. Segundo ele, há uma incompreensão sobre a natureza dos partidos, que são tratados como "uma empresa com filiais, quando na verdade cada órgão partidário possui personalidade jurídica, CNPJ e gestão próprios".

Disparo em massa de mensagens

Com a regra, partidos podem registrar números de telefone oficiais para o envio de mensagens a eleitores. O uso de bots para contatos cadastrados não configuraria disparo em massa, desde que haja opção de descadastramento e a finalidade seja eleitoral.

Carla Nicolini afirma que o projeto busca diferenciar comunicação partidária institucional de práticas ilícitas de disparo em massa associadas à desinformação eleitoral. "A controvérsia jurídica deverá se concentrar na delimitação entre comunicação partidária legítima e eventual utilização abusiva dessas ferramentas em contexto eleitoral", diz.

Porto afirma que a expressão "disparo em massa" não corresponde ao que o projeto propõe. "O que se cria é um canal oficial, registrado perante a Justiça Eleitoral, para comunicação com eleitores que previamente consentiram em receber mensagens e que podem se descadastrar", diz.

Segundo Peccinin, esse é um exemplo das regras que dizem respeito diretamente ao processo eleitoral e, com base no princípio da anuidade, não devem valer em 2026.

Além disso, o presidente Lula (PT) já afirmou que vai vetar o trecho que permite os disparos em massa de mensagens, caso aprovado pelo Senado.
Por João Pedro Abdo e Evelyn Aires/Folhapress

Combate a facções como PCC e CV avançou com 'asfixia financeira' e integração

Policiais cumprem mandados em endereços da região da Faria Lima durantesegunda fase da operação Carbono Oculto
As estratégias de investigação e combate às facções criminosas avançaram no Brasil nos últimos anos, principalmente com o foco na chamada "asfixia financeira", que concentrou esforços em desbaratar esquemas de lavagem de dinheiro com auxílio de empresas de fachada e do mercado de capitais.

Por outro lado, o poder e o controle territorial exercido por grupos como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) também cresceu em meio à negligência e cumplicidade de autoridades e agentes públicos.

Essa é a avaliação de pesquisadores da segurança pública ouvidos pela Folha após o governo dos Estados Unidos anunciar, nesta quinta-feira (28), a nova classificação do PCC e CV como grupos terroristas. A medida começa a valer a partir de 5 de junho.

"Houve avanços indiscutíveis no combate ao crime organizado, especialmente por meio de ações voltadas às movimentações financeiras, que nunca foram objeto de apuração e hoje estão sob cerco das investigações", diz o procurador Márcio Christino, do Ministério Público de São Paulo.

Ele e outros especialistas citam como exemplo bem-sucedido a operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto do ano passado. Ela expôs vínculos entre o PCC e a cadeia de combustíveis por meio da atuação de postos de gasolina, fornecedores de combustíveis e distribuidoras. Autoridades também investigam empresas do sistema financeiro por suposta movimentação ilícita dos recursos.

A segunda fase da operação, apelidada de Fluxo Oculto, ocorreu nesta semana e teve como foco instituições de pagamento suspeitas de operar como "bancos paralelos" de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, com mandados cumpridos na região da Faria Lima, principal centro financeiro do país, além do interior paulista e do Rio de Janeiro.

Para Bruno Langeani, consultor-sênior do Instituto Sou Paz, a Carbono Oculto foi um "divisor de águas" no combate ao crime organizado. "Ela atacou diretamente o lado financeiro da facção, realizando um bloqueio vultoso de recursos e o descredenciamento de diversas fintechs que atuavam em conjunto com esses grupos", diz.

Para o pesquisador, a integração entre diversos órgãos do poder público também melhorou nos últimos anos. Ele cita a criação da Ficco (Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado), responsáveis por coordenar as ações de enfrentamento.

"Embora a integração ainda tenha muito a melhorar, a estrutura permite conectar investigações federais e estaduais, possibilitando que as instituições realizem trabalhos conjuntos de forma mais eficiente", explica Langeani.

A própria Carbono Oculto é um exemplo dessa integração. A operação reuniu Receita Federal, Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público paulista), Secretaria da Fazenda de São Paulo, ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), Procuradoria-Geral de São Paulo e as polícias Militar e Civil.

No combate ao tráfico de drogas, um dos principais setores econômicos controlados pelas facções, Langeani também vê um "interesse maior em estratégias mais inteligentes, focando nas rotas de abastecimento, como a 'rota caipira', além de maior fiscalização em portos do Norte e Nordeste, em vez do combate ao 'microtráfico'".

"Focar as ações policiais no varejo da droga, prendendo microtraficantes nas ruas, é uma armadilha. Serve apenas para superlotar as prisões, mas não afeta o poder das facções nem altera o mercado de drogas", diz o pesquisador.

Por outro lado, a antropóloga e cientista política Jacqueline Muniz airma que houve "avanços apenas pontuais, modestos e desconectados entre si, sendo muitas vezes ofuscados por uma política de marketing institucional em vez de efetividade real."

Ela critica o que chama "mito" da classificação das facções como "organizações mafiosas" ou "Estado paralelo", e diz que os grupos criminosos, na verdade, são "parasitárias do Estado, e não seu antagonista."

"Elas operam simultaneamente em circuitos legais e ilegais. E consolidam uma economia política criminal em rede que depende da permanência da estrutura e da soberania estatal. O crime se organiza dentro do Estado e a partir de suas relações com ele. O Estado não está ausente dos territórios dominados por governos criminais. Ele está presente de forma seletiva, negociada e frequentemente conivente", diz Muniz, professora na UFF (Universidade Federal Fluminense).

Nas últimas semanas, a Folha mostrou que o PCC passou a exercer um domínio territorial mais rígido em Paraisópolis, maior favela da capital paulista, aplicando práticas semelhantes às do Comando Vermelho em favelas no Rio, como cobrança e taxas e controle do acesso a vias.

Já em comunidades pobres da Baixada Santista, os criminosos ostentam armas de fogo nas ruas e repelem rotineiramente as patrulhas da PM com tiros e barricadas. O resultado é um acúmulo de civis e policiais mortos nos últimos anos.

Pesquisa Datafolha mostrou que as facções e milícias aumentaram sua presença no Brasil e alcançaram a vizinhança de 19% da população brasileira. Isso indica que no mínimo 28,5 milhões de pessoas vivem sob o jugo diário desses grupos. O crescimento foi de cinco pontos percentuais em 12 meses —na pesquisa do ano passado, 14% dos entrevistados afirmavam ter contato com grupos criminosos.

Outra medida citada como avanço é a Lei Antifacção, aprovada neste ano, e que aumentou penas para membros das quadrilhas. A legislação tipificou as facções como grupos criminosos ultraviolentos. Agora, são classificados como agrupamentos três ou mais pessoas que empregam violência, grave ameaça ou coação para impor controle territorial ou social, intimidar populações ou autoridades, ou atacar serviços e infraestrutura essenciais."

Na tarde desta sexta-feira (29), a Folha também conversou com um membro do Ministério da Justiça que participou de reuniões com representantes do governo americano.

Sob condição de anonimato, ele disse que a medida não prevê avanços reais no combate aos grupos criminosos no Brasil e que ela foi tomada por razões políticas. Ainda segundo esse servidor, o Brasil sugeriu a criação de forças-tarefa de cooperação, mas a negociação não andou.

Também na sexta-feira, o presidente Lula reagiu à decisão do governo Trump, sob o argumento de que ela é uma interferência na soberania nacional. Ao discursar, Lula afirmou que as facções "são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira, para o povo da periferia desse país."

Por Leandro Machado, Folhapress

Caiado afasta desvinculação de aposentadoria: 'Não vou tirar essa prerrogativa do aposentado

         O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD)
O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que não vai tirar a prerrogativa dos aposentados de ter o benefício previdenciário vinculado ao reajuste do salário mínimo. Ele foi questionado sobre propostas de austeridade durante entrevista ao programa Canal Livre, da Band TV.

"Não vou tirar essa prerrogativa do aposentado", disse Caiado.

Ele citou também a escala 5x2, em discussão no Congresso Nacional, mas ponderando que há necessidade de modernização. Como exemplo, citou projeto do senador Rogério Marinho que trata de pagamento por hora trabalhada.

Caiado é favorável à proposta de Marinho porque entende que os jovens não querem apenas a 'CLT tradicional'. Segundo o presidenciável, eles prezam por flexibilidade e valorização de produtividade.

O ex-governador de Goiás criticou, na entrevista, o modelo de gestão com foco em programas de transferência de renda. Para ele, o País corre o risco de comprometer seu potencial ao tornar o povo dependente do Estado. "Vou desenvolver as potencialidades do Brasil. Você só eleva o padrão do país se distribuir riqueza. E como se distribui riqueza? Pelo conhecimento", afirmou.

Caiado defendeu que o Brasil não seja um mero "exportador de commodities e importador de tecnologia de ponta". Defendeu investimento em educação, argumentando que o país tem território e potencial para desenvolver toda a cadeia produtiva internamente.

Ele disse que é preciso aproveitar as "riquezas críticas" como as terras raras e disse que a nação não pode ser tão dependente de insumos de fora, como no caso dos fertilizantes.

Por Mateus Maiam, Estadão Conteúdo

“Robinson deveria perguntar a Wagner sobre consultoria de floricultura que faturou milhões”, rebate deputado

O deputado estadual Robinho (União Brasil)
O deputado estadual Robinho (União Brasil) reagiu às declarações do deputado estadual Robinson Almeida (PT), que voltou a atacar o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). Em resposta, Robinho afirmou que Robinson deveria direcionar seus questionamentos ao seu chefe, o senador Jaques Wagner (PT), e aos recentes episódios envolvendo contratos ligados à família do cacique petista.

“Robinson deveria perguntar a Wagner sobre a famosa consultoria de floricultura, que faturou milhões com Banco Master. É um case de sucesso. Ele está muito preocupado com contratos dos outros, mas faz um silêncio constrangedor quando surgem notícias envolvendo pessoas ligadas ao grupo político dele”, disparou o parlamentar.

A declaração faz referência a reportagens que revelaram pagamentos de pelo menos R$ 11 milhões do Banco Master a uma empresa ligada à nora de Jaques Wagner. Segundo as publicações, a empresa teria atuado na prospecção de operações de crédito consignado.

“Deputado Robinson, já que o senhor está tão preocupado, deveria cobrar explicações ao seu chefe para esclarecer este caso da floricultura milionária. Todos queremos saber como uma floricultura faturou tanto”, ironizou.

O deputado também criticou a tentativa de Robinson Almeida de defender o governo estadual na área da segurança pública, classificando a postura do petista como uma tentativa de “defender o indefensável”. Disse ainda que, com esse tipo de postura, o PT parece estar querendo acobertar o crime organizado.

“Mais grave ainda é ver Robinson tentando relativizar a situação da segurança pública na Bahia. Estamos falando de um estado que lidera os índices de violência, que convive com expansão das facções criminosas e com moradores abandonando suas próprias casas por medo do tráfico. Defender esse cenário é tentar defender o indefensável”, declarou.

Por Redação

Decisão de Trump sobre PCC e CV 'põe Lula em situação desconfortável na segurança, mas impacto eleitoral deve ser limitado', diz analista


A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas representou uma derrota diplomática para o governo Lula (PT), que vinha atuando desde o ano passado para tentar evitar a medida.

No entanto, para Christopher Garman, diretor para as Américas da consultoria Eurasia Group, o principal problema para o presidente brasileiro não está no fracasso das negociações com Washington, mas no desconforto político que a decisão cria em um dos temas mais sensíveis para o governo: a segurança pública.

"Lula fica pressionado e numa posição incômoda de ter que criticar uma medida dura contra o crime organizado que tem apoio da opinião pública", afirma Garman, ponderando, contudo, que o impacto eleitoral tende a ser limitado.

"Eu diria que é um complicador a mais, mas também não é o tipo de coisa que realmente impacta a probabilidade de ele ganhar a eleição."

Em entrevista à BBC News Brasil, o especialista analisou os impactos políticos e econômicos da inclusão das facções brasileiras na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos, que reúne atualmente 94 grupos, entre eles Hamas, Hezbollah e Al-Qaeda.

O anúncio foi feito dois dias depois de uma visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Washington, onde ele se reuniu com o presidente Donald Trump, para quem afirmou ter solicitado a classificação das facções.

Apesar de reconhecer a influência da família Bolsonaro, Garman minimiza seu peso na decisão da Casa Branca, que há meses vinha discutindo o tema internamente. "Foi quase como se a decisão já estivesse na boca do gol e o Flávio Bolsonaro tivesse dado um empurrãozinho final."

Segundo o analista, a medida faz parte de uma estratégia mais ampla do governo Trump para endurecer o combate ao crime organizado na América Latina. Isso não significa, porém, que o Brasil tenha se tornado prioridade para Washington.

O fato de a designação das facções brasileiras ter levado mais tempo para ser anunciada do que em outros países da região reforça essa avaliação, segundo Garman.

Seus efeitos práticos no Brasil também tendem a ser limitados no curto prazo. A principal consequência, ele defende, será a criação de uma "nuvem de incerteza de compliance" para o setor privado, que terá de adotar controles mais rigorosos para garantir que seus negócios não envolvam interesses ou recursos ligados ao crime organizado.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

BBC News Brasil - Na prática, o que a decisão dos Estados Unidos muda para o Brasil?

Garman - Deixando o impacto eleitoral de lado, porque existe um impacto político nas eleições, no lado econômico o que isso cria é uma nuvem de incerteza de compliance sobre o setor privado. Porque quando você faz a classificação como Organização Terrorista Estrangeira, qualquer entidade privada que transita ou faz negócios com o crime organizado pode ser considerada pelo governo americano como ajudando ou dando suporte a uma organização terrorista.

Qualquer um que seja considerado dessa forma é passível a todas as sanções que você pode aplicar a qualquer grupo terrorista. Na prática, entidades privadas vão precisar de um rigor maior para garantir que os negócios não representem interesses ou dinheiro do crime organizado. Talvez seja o ponto mais importante.

Em relação à ação militar americana no Brasil, pode esquecer. Eesse risco pode ser desconsiderado porque não está no radar. Claro, você pode pensar na condição da Venezuela, mas ali já existia um desejo de fazer uma ação militar para tirar o Maduro, e a designação servia também como justificativa jurídica para algo que já era discutido. Então, no lado militar, as mesmas razões pelas quais isso era muito improvável de acontecer continuam válidas. É uma decisão que vai mudar esse cálculo do governo americano contra um país democrático, grande e estratégico como o Brasil? Não. Não existe interesse nisso.


A pergunta é mais: qual é o potencial de investigações do lado americano sobre o crime organizado no Brasil que possa implicar o setor privado? A gente tem que lembrar que essa designação já foi feita para cartéis no México, Equador, El Salvador, Honduras, Colômbia e na Venezuela. Não é algo que necessariamente afugenta investidores ou que vá transformar o Brasil em um pária em termos de investimentos diretos. Isso não aconteceu no México, não aconteceu na Colômbia.

Então por que aconteceria no Brasil? Até porque, o critério para fazer essas investigações e demonstrar conexão com cartéis não é simples. Teve três bancos pequenos no México que foram acusados de lavagem de dinheiro para cartéis. Eles sofreram sanções do OFAC [Office of Foreign Assets Control - órgão americano responsável por sanções econômicas e financeiras] e acabaram fechando. Mas eram bancos que já tinham um histórico de lavagem de dinheiro e estavam sendo investigados há muito tempo.

BBC News Brasil - Ao colocar facções brasileiras nessa lista ao lado de cartéis latino-americanos e organizações como o Hamas e o Hezbollah, os EUA elevam o Brasil a uma nova prioridade na agenda de segurança da Casa Branca?

Garman - Você tem hoje uma Casa Branca que vai focar mais a América Latina, com Trump saindo do Oriente Médio e olhando mais para o hemisfério, que já é prioridade estratégica. Existe uma prioridade crescente dos EUA em relação ao combate ao crime organizado transnacional na região, inclusive por razões de política doméstica americana. O combate aos cartéis e às organizações criminosas é uma agenda real do governo Trump. A designação das organizações terroristas faz parte dessa estratégia mais ampla.

Agora, isso significa que o Brasil virou prioridade máxima dos Estados Unidos? Eu diria que não. As prioridades da Casa Branca continuam muito mais concentradas no México e em países da América Central e do Caribe, onde essas organizações têm impacto mais direto sobre o território e a segurança americanos.


O PCC, claro, já se transformou numa organização criminosa transnacional, com conexões inclusive na Europa, então existe uma preocupação crescente. Mas o fato de essa designação ter demorado mais para sair também mostra que o Brasil não ocupa o centro dessa estratégia. Por isso eu não vejo, no curto prazo, medidas concretas mais agressivas voltadas especificamente ao Brasil.

Então você pode ter investigações, mas o Brasil não está no topo da lista. E mesmo os países que estão no topo da lista levam tempo para gerar casos concretos, não é algo imediato. O mais provável é que nada aconteça no próximo ano.

BBC News Brasil - A decisão saiu dias após a visita do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Qual o peso real que a família Bolsonaro teve nessa decisão?

Garman - Existe um contexto de simpatia e afinidade ideológica com a família Bolsonaro, e claro que esse elemento ajuda. Flávio ter feito essa visita teve influência política. Mas isso já estava sendo debatido dentro do governo americano há meses.

Esse movimento já vinha sendo discutido desde o ano passado, e precisaria de uma ação diplomática muito forte para evitar algo que já vinha por inércia - e isso não aconteceu.


Quando Flávio vai lá e faz essa solicitação, acho que a Casa Branca já queria assumir uma postura mais dura contra o crime organizado na região. E aí os Brazil Hawks [grupo de linha dura em Washington em relação ao Brasil] ao redor do presidente acabaram empurrando isso. Então foi quase como se a decisão já estivesse "na boca do gol" e o Flávio Bolsonaro tivesse dado um empurrãozinho final.

Mas não foi uma medida feita apenas a pedido da família Bolsonaro. Eles tiveram influência, sem dúvida, mas isso também faz parte de uma estratégia mais ampla da Casa Branca de endurecimento contra o crime organizado na América Latina.

BBC News Brasil - Isso sinaliza um apoio de Trump à candidatura de Flávio Bolsonaro? E pode levantar preocupações sobre interferência nas eleições?

Garman - Representa, sim, uma simpatia da Casa Branca pela oposição e pela direita no Brasil. O governo Trump já adota uma estratégia mais ampla de aproximação e apoio a movimentos de direita ao redor do mundo, e o Brasil não foge dessa lógica. Trump ter recebido Flávio, e Marco Rubio também ter participado dessas conversas, são sinais disso.

Trump tem uma certa identificação com o drama do ex-presidente. Ele se vê muito como Jair Bolsonaro: "Eu também fui censurado no meu país. Eu também fui perseguido pelos tribunais. Eu também estou sofrendo por forças progressistas que inibem a liberdade de expressão". Tem essa sinergia.


Isso acontece em um contexto em que Trump também tenta normalizar a relação com o Brasil. Ele recuou de uma estratégia mais agressiva de sanções e tarifas, embora a investigação 301 [referência à Seção 301 da legislação comercial dos EUA, usada para investigar práticas comerciais consideradas desleais] continue em andamento. Então acho que vêm tarifas mais altas, sim. Mas eu diria que isso acontece no contexto do Trump recuar da estratégia anterior.

Trump vai dizer numa campanha que prefere Flávio? Tenho dúvidas de que possa fazer alegações como essas. E aí entra a discussão sobre interferência. Eu não sei se um ou outro chefe de Estado dizendo que tem simpatia com uma corrente política é exatamente interferência. Até porque o impacto eleitoral é quase nulo. O fato de o Trump dizer que apoia o Flávio, vamos ser sinceros, acho que não impacta tanto a disposição do eleitor brasileiro. A decisão vai ser muito mais pelas ações domésticas.

Onde realmente existe impacto é quando o governo americano entra com algum tipo de ajuda e muda a dinâmica eleitoral. Por exemplo: dar US$ 20 bilhões de crédito para o governo Milei às vésperas da eleição do ano passado teve impacto, porque evitou uma crise cambial.

Esse tipo de coisa eu diria que são ações que têm impacto na eleição. Mas não vejo a Casa Branca tomando medidas a ponto de impactar as eleições mais diretamente. Claro que tem todo um campo em que você pode ter ajuda de empresas de tecnologia e algoritmos, ajudas não transparentes, não comprováveis nem visíveis. Não sei como avaliar isso.

Mas ações como as que a gente viu na Venezuela ou na Argentina, de interferência maior, eu acho improvável. Agora, declarações de apoio, isso sim.

BBC News Brasil - Politicamente, qual é o saldo dessa decisão para Flávio Bolsonaro? Ajuda a reduzir o desgaste da crise do Banco Master?

Garman - No curto prazo, ele se beneficia um pouco, porque tem a cobertura da imprensa sobre o evento, o que dá um pouco de respiro para o ciclo noticiário do momento do Banco Master.

Isso muda a eleição? Não muda. Porque eu também tenho um diagnóstico de que o vazamento dos áudios e do encontro de Flávio com Daniel Vorcaro são um tipo de evento negativo para a campanha dele, mas que tende a se dissipar ao longo do tempo, porque temos cinco meses até a eleição.

O risco para a campanha são novas denúncias que possam vir. Eu diria que, assim como o efeito do vazamento dos áudios, que não matou a candidatura dele e ainda existe tempo para recuperar, o impacto dessa decisão dos EUA tende a se dissipar ao longo do tempo. Eu não vejo isso como algo que muda o jogo eleitoral, mas dá um pouco de alívio para a campanha do Flávio.

BBC News Brasil - E para Lula, muda alguma coisa? A segurança é um dos temas sensíveis para ele nessa eleição.


Garman - Lula fica pressionado. Essa decisão dos EUA tem mais impacto para Lula do que para Flávio, porque coloca o presidente em uma posição difícil de ter que criticar uma decisão dura contra o crime organizado.

Algumas pesquisas que saíram mostram que grande parte da população concorda com a denominação das facções como organizações terroristas. Ele vai ter que criticar uma postura que a população apoia. É claro que se você pode colocar isso como interferência, tem maneiras de apresentar sem que tenha uma reação negativa tão forte, mas não é uma posição confortável. Por isso que o Itamaraty estava tentando tanto evitar a denominação, porque exacerba um pouco o 'calcanhar de Aquiles' do Lula, que nessa campanha é segurança.

Por isso que eu acho que o problema para o presidente Lula não é o fracasso da negociação diplomática com os EUA, mas a posição em que ele foi colocado, de criticar uma medida dura contra o crime organizado, que tem amplo apoio na opinião pública. Esse é o problema.

Mas tem muito chão pela frente. É um complicador a mais, mas também vamos colocar no devido lugar. Não acho que é o tipo de coisa que realmente impacta a probabilidade de ele [Lula] ganhar. É um tema que traz um desconforto e vai ser usado na campanha. O Flávio vai dizer: "Por que você não apoia declarar as facções?". Lula vai ter que ter habilidade para reagir. No período pré-campanha não tem tanta relevância. Mas é uma flechinha que Flávio pode usar na campanha que ele não tinha antes.

BBC News Brasil - O senhor defende a possibilidade de surgir um outro nome da direita para o segundo turno. Após esse episódio, continua existindo espaço para outro candidato competitivo?


Garman - Continua. Há um certo cansaço com o bolsonarismo. Ao mesmo tempo, há outros candidatos que são muito críveis no tema da segurança: Ronaldo Caiado (PSD), por exemplo, tem um histórico fenomenal no estado de Goiás.

Existem outros nomes que também têm credibilidade nesse tema. E não é porque você conseguiu dar um empurrãozinho para o governo americano designar as facções brasileiras como terroristas que isso automaticamente lhe dá mais credibilidade em segurança pública do que um nome como Caiado.

BBC News Brasil - Lula e Trump devem se encontrar nas próximas semanas na França, durante a cúpula do G7. Qual é a expectativa para esse encontro, que provavelmente será o primeiro entre os dois depois dessa decisão envolvendo PCC e Comando Vermelho?

Garman - A gente já estava cético que sairia um acordo comercial após a reunião entre eles, porque a gente não está vendo o lado brasileiro dando tanto, não estamos vendo as negociações avançarem. Isso reforça essa visão. Talvez haja uma reunião cordial e só.

BBC News Brasil - Mas a relação entre Lula e Trump dá uma esfriada nesse próximo encontro...

Garman - Ah, sim, com certeza. É um agravante essa decisão. Vamos ver se antes desse encontro vai sair a determinação da investigação 301 e aí podem sair novas tarifas para o Brasil.

Se saírem novas tarifas, que é provável, aí o governo brasileiro vai tentar aumentar a lista de exceções e diminuir ainda mais o nível das tarifas. Então as negociações vão continuar. Mas eu não vejo grandes coisas saindo desse encontro do G7.

Acho que não vai ser aquela tarifa de 50% que acabou sendo derrubada pela Suprema Corte americana, mas também não deve ficar nos 10% ou 15% que outros países estão recebendo. Deve ser algo no meio.

BBC News Brasil - O que pode ser um complicador para o Lula...

Garman - Sim, mas diria que pode virar até um problema maior para o Flávio. Se vier uma tarifa de 20% ou 25%, que já é mais proibitiva, Lula vai dizer: "Olha, Flávio entregou o país. Foi por causa da família Bolsonaro que vieram tarifas proibitivas contra o Brasil e isso tirou empregos do Brasil". Então eu diria que, se a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas deixa Lula pressionado, a decisão do 301, que pode levar a novas tarifas, deixa Flávio pressionado também.
Por Iara Diniz, Folhapress

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