Polícia Civil recupera carga de cacau após furto no sul da Bahia

Ação no sul da Bahia resultou na apreensão de 2,8 toneladas de pó de cacau avaliadas em mais de R$ 

280 mil.A Polícia Civil da Bahia recuperou, nesta sexta (3) e sábado (4), uma carga de 2,8 toneladas de pó de cacau que havia sido subtraída após um acidente de trânsito ocorrido no dia 30 de junho, na BR-415, no sul do estado. Um homem, de 49 anos, foi conduzido para prestar esclarecimentos.

A ação foi realizada pela 6ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (6ª Coorpin/Itabuna), com apoio do Grupo de Apoio Tático e Técnico à Investigação (GATTI Sul), nos municípios de Barro Preto e Itabuna.

De acordo com a Polícia Civil, a localização da carga foi possível após o recebimento de informações repassadas por colaboradores. O material, avaliado em mais de R$ 280 mil, foi integralmente recuperado.

Todo o produto apreendido será restituído ao proprietário. O homem localizado durante a operação foi encaminhado ao Plantão Central de Itabuna, onde prestou depoimento e foi liberado em seguida.

As investigações continuam para esclarecer as circunstâncias da subtração da carga e identificar outros possíveis envolvidos no caso.

A Polícia Civil apura se houve participação de mais pessoas na retirada irregular do material após o acidente na rodoviaRedação/Bahia.ba

Medida que derruba ‘taxa das blusinhas’ está parada há 2 meses no Congresso e pode caducar

Tema está parado em Brasília e proximidade do recesso parlamentar preocupa empresas de varejo, que temem não haver tempo hábil para apreciar Medida Provisória, que vence no dia 8 de setembro

Presidente Lula durante assinatura da MP para zerar imposto federal da Taxa das Blusinhas

A Medida Provisória (MP) que acaba com a “taxa das blusinhas”, tributo federal sobre mercadorias importadas de até US$ 50, completa dois meses parada no Congresso Nacional no próximo dia 12 de julho e corre o risco de caducar.

Ainda não foram indicados relator nem os integrantes da comissão mista - composta por deputados e senadores -, para tratar do assunto. A demora em apreciar o tema preocupa integrantes do varejo e de sites de e-commerce no Brasil.

O temor do setor é de que, em meio à Copa do Mundo e às vésperas do início do recesso parlamentar, entre 18 e 31 de julho, não haja tempo hábil para apreciar a proposta. Uma MP tem validade de 120 dias e se não for aprovada na Câmara e no Senado a medida perde a validade. O período de férias não conta prazo

André Porto, diretor-executivo da Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia), representante de sites de e-commerce como Amazo, Alibaba e Shein, cobra prioridade ao tema.

“Esperamos que o Congresso priorize o tema e avance em um debate técnico, equilibrado e aprove o fim definitivo da taxa das blusinhas antes do prazo limite”, afirmou à Coluna do Estadão.

“Dados comprovam que a taxa das blusinhas prejudicou especialmente o brasileiro das classes C, D e E, sem gerar qualquer efeito positivo na economia”, completou.

Fim da ‘taxa das blusinhas’ é apoiado pela população

A proposta que zerou o imposto de importação cobrado sobre remessas internacionais tem amplo apoio popular. Pesquisa realizada em maio mostrou que 56% dos entrevistados afirmou que votaria em um candidato que defendesse o fim da chamada “taxa das blusinhas”.

Entenda o vaivém da ‘taxa das blusinhas’

A cobrança da “taxa das blusinhas” começou em agosto de 2024, após a aprovação de uma lei pelo Congresso. O governo vinha se mostrando dividido em relação ao tributo, com alguns ministros defendendo o seu fim, e com medo de que a medida impactasse negativamente a popularidade do presidente Lula.

O tema vinha gerando um racha dentro do governo nos últimos meses. Ministros do Palácio do Planalto, como José Guimarães (Relações Institucionais), defendiam o fim da taxa, enquanto o vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) Geraldo Alckmin, por exemplo, defendia a manutenção do imposto.

Segundo dados da Receita Federal, no acumulado do ano até abril, a taxa rendeu R$ 1,78 bilhão aos cofres públicos - uma alta de 25% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em 2025, a arrecadação foi de R$ 5 bilhões.
Por Leticia Fernandes/Estadão

Tarcísio lidera disputa pelo Governo de SP com 46%, ante 30% de Haddad, mostra Datafolha

Na primeira pesquisa com cenário consolidado, governador chega a 52% dos votos válidos
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ex-ministro Fernando Haddad (PT)


O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), lidera a corrida pelo Palácio dos Bandeirantes com 46% das intenções totais de votos, segundo o Datafolha. O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) está na segunda posição, com 30%.

Outros três candidatos de esquerda radical, Vera Lúcia (PSTU, 5%), Vivian Mendes (UP, 4%) e Carlos Machado (PCB, 4%), surpreendem empatados no terceiro posto, ainda que distante. Em teoria, eles tomam para si 13% que poderiam ser disputados por Haddad. Dizem votar em branco, nulo ou em ninguém 8%, enquanto 3% estão indecisos.

Tarcísio amealha 52% dos votos válidos, que excluem os brancos e nulos e são usados pela Justiça Eleitoral para contabilizar o resultado do pleito, ante 34% de Haddad. Para vencer em qualquer rodada, o candidato deve ter 50% dos votos válidos mais um.

A margem de erro de dois pontos para mais ou menos e a distância da eleição, quando a declaração de voto branco e nulo é historicamente maior, não permitem afirmar que ele ganharia a disputa no primeiro turno se ela fosse hoje.

Essa pesquisa, realizada de quarta-feira (1º) a sexta (3) e registrada na Justiça Eleitoral sob os códigos SP-01703/2026 e BR-06481/2026, é a primeira com o cenário das pré-candidaturas consolidado no estado. Foram ouvidos 1.608 eleitores em 71 cidades.

Em relação à rodada anterior, de março, diversos nomes do campo de Haddad deixaram a disputa. Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB) concorrerão ao Senado, Márcio França (PSB) será seu vice e Geraldo Alckmin (PSB) seguirá na chapa presidencial de Lula (PT).

Já no espectro político próximo de Tarcísio, Paulo Serra (PSDB) e Kim Kataguiri (Missão) desistiram de enfrentar a campanha.

De lá para cá, Haddad deixou o ministério e se lançou pré-candidato. Com isso, as citações espontâneas a seu nome como candidato preferido subiram de 2% em março para 8% agora, e 1% diz preferir um candidato do PT. Tarcísio oscilou de 22% para 21%, enquanto dizem votar "no atual governador" sem nomeá-lo 3%.

Em um eventual segundo turno, Tarcísio segue à frente de Haddad. O governador tem 53% ante 37% do petista, cenário estável em relação à pesquisa anterior.

O petista também é mais rejeitado pelos paulistas, com 47% afirmando que nunca votariam nele. Dizem isso sobre o governador 29% dos entrevistados.

Os números mostram o tamanho do desafio de Haddad, que mais uma vez recebeu uma missão vista por muitos como quase impossível em nome do presidente Lula, que precisa de um palanque forte em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país.

Em 2022, Haddad enfrentou Tarcísio, recebendo 36% dos votos no primeiro turno e 45% no segundo, números insuficientes para ganhar, mas que ajudaram Lula a derrotar nacionalmente Jair Bolsonaro, o padrinho do então desconhecido ex-ministro da Infraestrutura.

Como é costumeiro e revelador do perfil mais conservador do eleitorado paulista, o PT tem mais dificuldade no interior do que na capital, onde já emplacou três prefeitos desde a redemocratização.

No interior, que soma 53% do eleitorado do estado, Tarcísio tem 49% dos votos totais, ante 26% do ex-ministro da Fazenda. Já na capital e região metropolitana, responsáveis pelos restantes 47% de eleitores, a vantagem cai, com o governador marcando 43% a 35%.

Em um esforço para tentar popularizar seu nome no interior, Haddad terá o nome confirmado como candidato em convenção no próximo dia 25 a ser realizada em Ribeirão Preto, cidade que já foi reduto do PT.

Usando a lógica inversa, o Republicanos lançará Tarcísio à reeleição em 1º de agosto em um evento no ginásio do Ibirapuera, na capital. A cidade antes deverá sediar a convenção do principal rival de Lula, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aliado do governador paulista.

O perfil do eleitorado dos principais concorrentes segue inalterado. Tarcísio tem desempenho acima de sua média entre homens (52%), com mais de 60 anos (51%), os mais instruídos (49%), evangélicos (56%) e os mais ricos (de 50% a 63% entre as faixas acima de dois salários mínimos).

O governador é preferido pela imensa maioria de quem votou em Bolsonaro no segundo turno de 2022 e entre quem escolhe nesta eleição o filho do ex-presidente Flávio, 79% e 77% respectivamente.

Já Haddad registra uma intenção de voto mais homogênea entre os grandes grupos. Ele fideliza menos o eleitorado lulista do que o rival faz com o bolsonarista: 62% dos que votaram em Lula no pleito passado e 66% dos que pretendem repetir a dose neste ano o apoiam.

O ex-presidente em prisão, condenado por tentativa de golpe de Estado, é um cabo eleitoral mais eficaz do que Lula no estado. Dizem que votariam com certeza num candidato de Bolsonaro 27% dos ouvidos, enquanto 22% dizem que talvez o fizessem e 49% rejeitam a ideia. Em relação ao atual mandatário, os índices são de 19%, 23% e 54%, respectivamente.

No pelotão de baixo, os três nomes de partidos de esquerda chamam especial atenção no segmento dos jovens de 16 a 24 anos, onde têm 29% das intenções de votos, ainda que o grupo só represente 13% da amostra total.
Por Igor Gielow/Folhapress

Defeso eleitoral impõe limites a agentes públicos a três meses das Eleições 2026

Regras proíbem publicidade institucional, atos de pessoal e repasses. O objetivo é garantir a igualdade de oportunidades entre candidaturas

A partir deste sábado (4) — data que marca o período de três meses antes do turno das Eleições Gerais de 2026 —, entram em vigor as principais restrições destinadas a agentes. O período se estende até 25 de outubro.  

O chamado “defeso eleitoral” estabelece um conjunto de proibições e regras sobre a administração pública, previstas na Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) e disciplinadas pela Resolução nº 23.735/2024 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O objetivo é assegurar a igualdade de oportunidades entre as candidaturas. 

As restrições estendem-se a servidoras e servidores públicos, estatutários ou não, bem como a órgãos e entidades da Administração Pública direta e indireta, nas esferas federal e estadual.  

Confira, a seguir, as regras e as condutas que passam a ser vedadas a partir deste sábado (4): 

Cessão de funcionários para a JE 

Até o dia 4 de janeiro de 2027 (para as unidades da Federação que realizarem apenas o turno) e até 25 de janeiro de 2027 (para as que tiverem turno), os órgãos e as entidades da Administração Pública direta e indireta poderão ceder funcionárias e funcionários à Justiça Eleitoral (JE). A cessão deve ocorrer em casos específicos, de forma motivada e mediante solicitação dos tribunais eleitorais (artigo 94-A, inciso II, da Lei nº 9.504/1997). 

Atos de pessoal  

Fica proibido às agentes e aos agentes públicos, na circunscrição do pleito e até a posse das eleitas e dos eleitos, nomear, contratar, admitir, dispensar sem justa causa, suprimir ou readaptar vantagens de pessoal. Também estão vedadas a remoção, transferência ou exoneração de ofício de pessoa servidora pública, sob pena de nulidade de pleno direito (artigo 73, inciso V, da Lei nº 9.504/1997). 

Sobre esse ponto, a legislação estabelece as seguintes exceções: 

  • nomeação ou exoneração de cargos em comissão e designação ou dispensa de funções de confiança; 

  • nomeação para cargos do Poder Judiciário, do Ministério Público, dos tribunais ou conselhos de contas e dos órgãos da Presidência da República; 

  • nomeação das aprovadas e dos aprovados em concursos públicos homologados até 3 de julho de 2026; 

  • nomeação ou contratação necessária à instalação ou ao funcionamento inadiável de serviços públicos essenciais, por meio de prévia e expressa autorização do chefe do Poder Executivo; e 

  • transferência ou remoção de ofício de militares, de policiais civis e de agentes penitenciários. 

Verbas, publicidade e pronunciamentos 

Até a realização das eleições, ficam vedadas as seguintes condutas (artigo 73, inciso VI, da Lei nº 9.504/1997): 

  • Transferência voluntária de recursos: é proibido o repasse de verbas da União aos estados e dos estados aos municípios, sob pena de nulidade absoluta. Excluem-se da proibição os recursos destinados a cumprir obrigação formal preexistente para execução de obra ou serviço em andamento (com cronograma prefixado) e os destinados a atender situações de emergência e de calamidade pública, objetiva e formalmente justificadas. 

  • Publicidade institucional: fica proibida a autorização de publicidade institucional de atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos ou das respectivas entidades da Administração indireta. A regra não se aplica à propaganda de produtos e serviços que possuam concorrência no mercado, nem em caso de grave e urgente necessidade pública, desde que reconhecida pela Justiça Eleitoral. 

  • Pronunciamentos em rede de rádio e TV: é vedado fazer pronunciamentos fora do horário eleitoral gratuito, salvo quando, a critério da Justiça Eleitoral, a matéria for urgente, relevante e relativa às funções de governo. 

Adequação de canais oficiais 

As agentes e os agentes públicos devem adotar as providências necessárias para que o conteúdo dos sites, dos canais digitais e de outros meios de informação oficial exclua nomes, símbolos, expressões, imagens, slogans ou outros elementos que permitam identificar autoridades, governos ou administrações cujos cargos estejam em disputa na campanha eleitoral. 

Fica assegurada, no entanto, a manutenção das informações necessárias para o estrito cumprimento da transparência fiscal e do acesso à informação, conforme o artigo 15, parágrafo 3º, da Resolução TSE nº 23.735/2024. Na prática, o que diferencia o que fica do que sai é a neutralidade. 

Inaugurações e contratação de shows 

Também ficam proibidos, até a realização das eleições, os seguintes atos: 

  • Shows artísticos: é vedada a contratação de shows artísticos pagos com recursos públicos na realização de inaugurações de obras públicas ou na divulgação de prestação de serviços públicos (artigo 75 da Lei nº 9.504/1997). 

  • Comparecimento de candidatas e candidatos: é proibido a qualquer candidata ou candidato comparecer a inaugurações de obras públicas (artigo 77 da Lei nº 9.504/1997). 

Sanções 

O desrespeito às regras de condutas vedadas pode acarretar a aplicação de multas pecuniárias aos agentes infratores, bem como a cassação do registro ou do diploma da candidatura beneficiada, sem prejuízo de eventuais sanções por abuso de poder político, a fim de garantir que o equilíbrio do pleito seja mantido. 

OA/LC/DB 

Celebração dos 250 anos dos EUA começa com calor e forte segurança em ares de comício de Trump

Protetores solares em aerossol foram proibidos na festa em Washington, e cada pessoa pode levar apenas uma garrafa de água

Em janeiro de 2025, o frio extremo atrapalhou a cerimônia de posse de Donald Trump. O evento teve de ser transferido às pressas para um espaço fechado, e o tradicional desfile foi cancelado.

Neste sábado (4), o mau tempo pode voltar a dificultar os planos do presidente. A celebração dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, que Trump trata como uma espécie de comício, coincide com uma previsão de calor de 38°C, que impactou o horário de abertura do evento.

Antes, autoridades recomendaram que o público chegasse às 13h (14h pelo horário de Brasília) para a abertura dos portões. Com a forte onda de calor, o horário foi mudado para às 17h (18h no Brasil).

As temperaturas tórridas não são os únicos desafios para quem quer assistir ao evento, que culmina, no fim do dia, com uma apresentação de fogos de artifício que promete bater o recorde mundial.

Para chegar à área do evento, será preciso passar por uma estrutura de segurança que a imprensa local compara à dos aeroportos do país.

O governo classificou as festas da independência como um "evento nacional de segurança especial", a mesma categoria usada para as cerimônias de posse e para a competição esportiva Super Bowl.

Isso significa que haverá mais medidas de segurança do que o comum, incluindo o bloqueio de vias por veículos policiais, cercas e barreiras de concreto. O público terá de passar por detectores magnéticos.

As autoridades também proibiram a entrada de itens como geladeiras térmicas e cadeiras. São coisas que os americanos estão habituados a levar ao National Mall —um enorme gramado que vai do Capitólio ao Lincoln Memorial— durante as celebrações da independência.

Os americanos costumam celebrar o famoso 4 de Julho com churrascos e piqueniques, no que é tido como uma festa típica dos espaços públicos. Todas essas medidas, no entanto, transformaram o cenário na capital.

Gerou ainda mais críticas o fato de que os agentes federais proibiram a entrada de protetores solares em aerossol e só deixaram que cada pessoa trouxesse uma garrafa de água.

Além disso, o cerco de segurança também reduziu a área útil do parque.

Como o discurso do presidente está previsto para as 21h45 (22h45 no Brasil) e os fogos só serão disparados por volta das 22h30 (23h30 no Brasil), quem quiser garantir um lugar na grama terá de encarar horas de confinamento sob o sol escaldante. Os serviços de emergência já se preparam para atender às vítimas de desidratação.

As celebrações da independência vêm sendo planejadas há uma década. Ao voltar ao governo, porém, Trump criou uma comissão paralela e alterou a narrativa dos eventos.

Seus críticos o acusam de ter se apropriado da data para fins políticos e partidários. Ele próprio se referiu às comemorações como um "comício" em uma postagem na rede Truth Social.

A politização afastou governadores da oposição e esvaziou os pavilhões. Diversos estados governados por democratas decidiram não enviar representantes oficiais à Great American Fair (grande feira estadual americana). A exposição, montada ao longo do Mall, tem atraído um público menor do que o esperado, segundo a imprensa.

Com todo esse cenário em mente, os moradores de Washington têm ido às redes sociais reclamar —ou simplesmente dizer que não iriam comparecer à festa. Há outros pontos ao redor da cidade para ver os fogos sem precisar entrar no espaço oficial, como bares com vista para o parque.

O espectro de um evento despovoado preocupa Trump, cuja obsessão por recordes de público é conhecida. O presidente chegou a pedir aos seus seguidores que viessem e, assim, evitassem que a imprensa dissesse que estava vazio.

Por Diogo Bercito/Isabella Menon/Folhapress

Corpo é encontrado próximo ao local onde carro de mecânico desaparecido foi localizado na BR-330

Um corpo foi encontrado na tarde deste sábado, 04 de julho, às margens da BR-330, nas proximidades do trevo que dá acesso à BA-120. O local fica a poucos metros de onde foi encontrado o veículo do mecânico ubatense Alexssandro Oliveira Santos, de 44 anos, mais conhecido como Gazinho, desaparecido desde o último dia 27 de junho.
Segundo familiares, no local foram encontrados um par de sandálias e um relógio no braço do corpo, objetos que teriam sido reconhecidos como pertencentes ao mecânico. Apesar disso, a confirmação oficial da identidade dependerá de perícia. Ainda conforme relato de familiares, Gazinho, que atualmente residia e trabalhava numa oficina em Ipiaú, estaria na companhia de uma mulher no momento do desaparecimento. Ela teria informado que o mecânico apresentou um surto, parou o carro e saiu correndo. Desde então, ele vinha sendo procurado por parentes e também pelo Corpo de Bombeiros, que realizou buscas na região.
A Polícia Militar de Ubatã esteve no local e acionou o Departamento de Polícia Técnica, responsável pela remoção do corpo. Um laudo deverá confirmar oficialmente a identidade da vítima e apontar a causa da morte. *Com informações do Ubatã Notícias

De Cachorro Crente a sex shop gospel, marcas evangélicas disputam mercado bilionário

Impulsionado pela Geração Z, comércio cristão deixa a informalidade dos fundos dos templos

Loja Cachorro Crente, na zona norte do Rio, funde fé e negócios
Leandro Lima trabalhava com produção de shows, gente como Jorge Vercillo e Péricles, mas confessa que "já estava desanimado com o ego e a vaidade desse mercado". Foi aí que ele se voltou à sua fé. "Pedi a Deus que me desse um projeto fora da área".

Em 2019, saía de um culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, na zona norte do Rio, quando viu uma barraca de cachorro-quente do outro lado da rua. "Na hora pensei: cachorro crente." O trocadilho lhe pareceu inevitável: "A palavra ‘crente’ é muito falada na igreja, acaba sendo algo marcante".

Começou a Cachorro Crente com carrocinhas na rua. Em abril deste ano, inaugurou a 50 metros da igreja a primeira loja do que chama de "fast food cristão". Sob o lema "gostoso e abençoado", vende pão com salsicha e variações como cupim e costela, com preços a partir de R$ 17.

A receita em si não é diferente daquela de um cachorro-quente qualquer. O que muda é a atmosfera, como uma fachada que faz referência ao versículo 1 Coríntios 10:31: "Assim, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus".

A marca faz parte de uma onda de empreendimentos que incorporam referências do universo evangélico para disputar um mercado em expansão. Nos últimos anos, proliferaram negócios como a hamburgueria Gospel Burger, a marca de roupas Senhorita Moda Modesta e o transporte por aplicativo Com Deus (o bordão é "vá Com Deus").

A aposta é na identificação imediata com um público que cresce em número e relevância econômica: os evangélicos representavam, no Censo 2022, 26,9% dos brasileiros de dez anos ou mais e, segundo estimativas do setor, movimentam mais de R$ 20 bilhões anuais.

O que antes se concentrava em livrarias, gravadoras e editoras gospel passou a incluir todo tipo de investimento. Em comum, a promessa de um ambiente familiar para consumidores cristãos.

São frentes que filtram interesses seculares para o paladar evangélico. Caso da brasiliense Gospel Drinks, que se diz "o primeiro open bar gospel do Brasil", uma "diversão zero álcool" com releituras de drinques clássicos —sai a cachaça, por exemplo, e entra refrigerante de limão.

Vale até sex shop. A Bem Amada, de São Paulo, se propõe a ser um "lugar seguro onde ajudamos a acender o fogo no parquinho sem apagar os valores". Adriana Araujo abriu a partir das dúvidas que surgiram após se converter.

"Eu queria viver minha fé de forma íntegra, mas também entender como Deus enxergava a intimidade no casamento", afirma. "Estudei bastante e percebi que muitas mulheres cristãs tinham exatamente as mesmas inseguranças que eu havia vivido".

Ela diz que primeiro só aconselhava as fiéis. Depois, decidiu empreender. O propósito, segundo Adriana, é o mesmo: "Fortalecer casamentos e ajudar mulheres a viver sua sexualidade sem culpa, mas com responsabilidade, amor e respeito aos seus valores, sem vulgaridade e também sem vergonha".

Lubrificante e gel excitante, os itens mais populares, saem sobretudo nos sabores morango e menta.

Só não pode, diz a dona da Bem Amada, comercializar produtos "que entendemos não estarem alinhados com os princípios que defendemos para o casamento". Ficam de fora aqueles "voltados ao prazer individual ou que substituam o cônjuge na relação".

Presidente do Instituto Locomotiva, que pesquisa tendências de mercado e consumo, Renato Meirelles afirma que a multiplicação de grifes evangélicas traduz para a linguagem do varejo contemporâneo um fluxo econômico que já existia informalmente dentro das igrejas.

"Estão dando rótulo de marca a uma coisa que sempre rolou nos fundos do templo: o irmão que vendia churrasco depois do culto, a irmã que fazia bolo para a quermesse, o casal que tinha pizzaria e contratava só gente da congregação. Isso é antigo. O que mudou foi a escala, o canal e a geração que opera".

A transformação maior, para Meirelles, é estética e geracional. A geração Z crente não tem vergonha de sua identidade, ao contrário dos seus pais, que muitas vezes "escondiam o crachá evangélico no ambiente de trabalho para não sofrer estigma".

Hoje tem bem menos disso. "O jovem cristão posta o look pro culto, e o pai dele, 20 anos atrás, escondia a bíblia na mochila para não virar piada no escritório. É essa virada de pertencimento sem constrangimento que abre espaço comercial para a marca explícita."

Levantamento feito pelo instituto em março revela que 47% dos evangélicos transformam afinidade religiosa em consumo, isto é, compram mais de fornecedores que compartilham a mesma crença, enquanto 38% dos católicos fazem o mesmo.

Embute-se aí, também, a ideia de que empresários evangélicos não querem apenas lucrar, mas usar seu negócio como instrumento de evangelização.

Tom Dias encara seu Coletivo de Emaús como uma "ferramenta missionária". Na Bíblia, Emaús é um povoado próximo a Jerusalém, conhecido por ser o cenário de uma das aparições mais importantes de Jesus após sua ressurreição. No Brasil, dá o nome de uma marca de camisetas com estética moderna.

Um dos modelos, batizado Vila Nazaré Futebol Clube, custa R$ 188 e emula a seleção brasileira, mas é "um time com gente comum, gente simples, gente que talvez ninguém escolheria primeiro, mas que Ele chamaria pelo nome". O time "que Jesus montaria".

A antropóloga Livia Reis, do Iser (Instituto de Estudos da Religião), destaca que a segmentação religiosa do mercado não é um fenômeno isolado. Ela compara o movimento a outros direcionados a grupos sociais específicos, como o "black money" (voltado à comunidade negra) e o "pink money" (LGBTQIA+).

Daí a importância de não analisar essa circulação de bens e serviços apenas do ponto de vista moral. "A gente não pode esquecer que, no neoliberalismo, tudo vira produto, e o mercado gospel é muito bem estabelecido".

Esse nicho hoje abrange do turismo religioso ao condomínio temático —caso do Residencial Clube Manancial da Fé, previsto para Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Meirelles, do Locomotiva, traça o perfil médio desse consumidor: tem carteira assinada na maior parte do tempo da vida adulta, ensino médio completo, às vezes técnico, raramente superior, mas o filho está fazendo faculdade. Renda entre dois e cinco salários mínimos. Casa própria comprada com Minha Casa, Minha Vida ou financiada pelo banco. Moto na garagem, carro às vezes.

O consumo é regrado. "Aqui está um ponto que a Faria Lima e a esquerda acadêmica não enxergam: ele é regrado porque a igreja regulou. Não gasta com cerveja, cigarro, balada, jogo, prostituta, festa de empresa. Esse dinheiro que em outras casas evapora em consumo de impulso, na casa dele fica".

Sobra renda, portanto, e esse, segundo Meirelles, é "o segredo da força do consumo evangélico".
Por Anna Virginia Balloussier/Folhapress

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