Explosão de restaurante deixa seis feridos em Uruçuca; vítima precisam ser transferidas para o HGE
Seis pessoas foram feridas durante um incêndio no restaurante 'Tempero Baiano', localizado no distrito de Serra Grande, em Uruçuca, no sul da Bahia. O incidente ocorreu na noite de sexta-feira (2). Segundo informações da Secretaria de Saúde do município, as vítimas sofreram queimaduras sendo encaminhadas para Salvador.
Após o incidente, as seis vítimas receberam atendimento inicial no Hospital Regional Costa do Cacau (HRCC), em Ilhéus, para estabilização do quadro clínico. No sábado (3), o grupo foi transferido para o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Geral do Estado (HGE), na capital baiana.
Uma das vítimas foi transportada pelo helicóptero Fênix 01, do Grupamento de Operações Aéreas (GOA) do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia. A aeronave pousou na sede do Departamento de Polícia Técnica (DPT), de onde o paciente seguiu em ambulância do Samu até o HGE. As demais transferências foram realizadas por via terrestre.
Informações preliminares confirmadas pelo Correio* indicam que o fogo foi provocado pela explosão de um botijão de gás de cozinha. O socorro imediato foi prestado por moradores da região antes da chegada das equipes de emergência.
O 4º Batalhão de Bombeiros Militar (Itabuna) atuou na ocorrência, realizando o rescaldo da estrutura para impedir o surgimento de novos focos de incêndio. A Secretaria de Saúde informou que o estado das seis vítimas é considerado grave.
Homem é espancado e morto a tiros em posto de gasolina em Eunápolis
Um caso com crueldade aconteceu no bairro Juca Rosa, em Eunápolis, na madrugada deste domingo (4). Um corpo, identificado como Cláudio de Moraes Rocha, de 40 anos, foi brutalmente espancado e, em seguida, executado a tiros por um grupo de criminosos no pátio de um posto de combustíveis.
De acordo com informações colhidas no local pelo Radar News, parceiro do Bahia Notícias, a ação ocorreu em duas etapas. Primeiramente, dois homens abordaram a vítima e iniciaram uma sessão de espancamento utilizando uma barra de ferro
Ainda após as agressões, os suspeitos teriam tirado uma fotografia de Cláudio caído no chão antes de fugirem do local. Momentos após a primeira agressão, outros dois criminosos encapuzados chegaram ao posto. Eles efetuaram diversos disparos de arma de fogo contra a vítima, que não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Durante a perícia, a polícia encontrou com a vítima um alvará de soltura relacionado ao crime de homicídio. Cláudio havia deixado o sistema prisional recentemente.
A principal linha de investigação da Polícia Civil é que a vítima tenha sido submetida a um "tribunal do crime", procedimento comum em facções criminosas para punir desafetos ou indivíduos que descumprem regras internas da organização.
Até o momento, ninguém foi preso. A Delegacia Territorial de Eunápolis solicita que qualquer informação que ajude na identificação dos autores seja repassada anonimamente através dos canais de denúncia da Polícia Civil.
EUA vão trabalhar com atuais líderes da Venezuela se tomarem a 'decisão correta', diz Rubio
Os Estados Unidos trabalharão com as atuais lideranças da Venezuela se tomarem "as decisões certas", segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. As declarações foram dadas em entrevista à emissora americana CBS News neste domingo, 4, um dia após a operação americana que capturou o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro.
"Vamos julgar tudo pelo que fizerem, e vamos ver o que fazem", disse Rubio no programa Face the Nation. "Eu sei o seguinte: se não tomarem as decisões certas, os Estados Unidos manterão diversas ferramentas de pressão para garantir a proteção dos nossos interesses", acrescentou.
Ao ser questionado sobre a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, o chefe da diplomacia americana lembrou "os objetivos" dos Estados Unidos e assegurou que Washington irá "ver o que vai acontecer". O Tribunal Supremo da Venezuela determinou que Rodríguez assuma a presidência, após a captura de Maduro.
"Queremos que o narcotráfico cesse. Não queremos ver mais gangues chegando ao nosso território. Queremos que a indústria do petróleo não beneficie piratas e adversários dos Estados Unidos, e sim o povo", insistiu Rubio.
Para o secretário de Estado dos EUA, não era possível trabalhar com Nicolás Maduro. "Trata-se de alguém que nunca respeitou nenhum dos acordos que firmou" e a quem "oferecemos, em várias ocasiões, a possibilidade de deixar o poder", prosseguiu.
Tropas americanas na região
Questionado sobre o envio de tropas americanas em solo venezuelano, o secretário de Estado descreveu isto como uma "obsessão da opinião pública", mas, ao mesmo tempo, disse que o governo Trump não descarta a opção.
O republicano apontou que o governo americano manteria uma "quarentena" militar em torno da Venezuela para impedir que petroleiros sujeitos a sanções dos EUA entrassem e saíssem do país, para exercer pressão sobre a nova liderança local.
"Essa medida permanece em vigor e representa uma enorme pressão que continuará existindo até que vejamos mudanças, não apenas para promover o interesse nacional dos Estados Unidos, que é a prioridade número um, mas também para levar a um futuro melhor para o povo da Venezuela", disse ele durante a entrevista.
O secretário de Estado apontou também que é preciso melhorar a capacidade de extração de petróleo da Venezuela.
"É óbvio que eles não têm capacidade para reativar essa indústria", disse ele. "Eles precisam de investimento de empresas privadas que só investirão sob certas garantias e condições."
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez. que se tornou presidente interina no sábado, 3, impressionou o governo Trump por conta de sua gestão das reservas de petróleo da Venezuela, segundo informações do The New York Times. As pessoas envolvidas nas discussões disseram que intermediários convenceram Washington de que ela protegeria e promoveria futuros investimentos energéticos americanos no país.
Após a economia da Venezuela suportar um terrível colapso de 2013 a 2021, Delcy liderou uma reforma favorável ao mercado que havia proporcionado uma aparência de estabilidade econômica antes da campanha militar dos EUA que resultou na captura de Maduro.
Sua privatização de ativos estatais e a política fiscal relativamente conservadora deixaram a Venezuela melhor preparada para resistir ao bloqueio do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de petroleiros sancionados carregando petróleo, o sustento econômico do país.
Durante a entrevista, Rubio também apontou que as discussões sobre a realização de eleições na Venezuela eram "prematuras", com Washington focado em garantir que a liderança remanescente em Caracas implemente mudanças políticas.
"Tudo isso, eu acho, é prematuro neste momento", destacou Rubio. "O que nos interessa agora são todos os problemas que tínhamos quando Maduro estava no poder. Ainda temos esses problemas que precisam ser resolvidos. Vamos dar às pessoas a oportunidade de lidar com esses desafios e esses problemas", disse ele.
Por Estadão
Ao menos 33 senadores devem tentar reeleição, e 4 sinalizam aposentadoria
Ao menos 33 senadores devem tentar reeleição em outubro de 2026, quando 54 cadeiras do Senado, dois terços do total de 81, estarão em disputa.
Entre os demais senadores em fim de mandato, 12 afirmam estar com o futuro indefinido, 6 dizem que não disputarão as próximas eleições, uma tentará ser deputada estadual, um busca ser governador e um, presidente da República o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A disputa por vagas no Senado, e, consequentemente, pelo controle da Casa, ganhou importância nos últimos anos por causa do plano bolsonarista de aumentar a pressão sobre o STF (Supremo Tribunal Federal).
A corte impôs derrotas importantes para esse grupo político nos últimos anos, como a condenação e prisão de Jair Bolsonaro (PL) e de diversos aliados do ex-presidente nos processos sobre a trama golpista.
O bolsonarismo, porém, poderá promover processos de impeachment contra ministros do Supremo caso eleja senadores em número suficiente no ano que vem o Senado é a Casa que tem o poder de destituir integrantes do STF. O principal alvo do grupo na corte é Alexandre de Moraes, responsável pelo processo que levou à condenação de Bolsonaro.
A Casa também tem dez pré-candidatos a governador, e ao menos quatro integrantes que sinalizam estar próximos de se aposentar das disputas eleitorais. Os números são de levantamento feito pela Folha.
Além disso, foram detectados movimentos de integrantes do Senado para concorrer a cargos menores.
Dos 81 senadores, 22 dizem que não serão candidatos em 2026, 13 dizem que ainda estão indefinidos e Flávio lançou pré-candidatura a presidente da República.
Um dos que não pretende se candidatar na próxima eleição é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Ele tem mandato como senador até 2031.
A maioria, 9 dos 10 que pretendem disputar governos estaduais, está no meio de mandato. Os mandatos no Senado têm 8 anos, o que estimula candidaturas mais arriscadas: o senador que perde uma eleição para o Executivo nessa situação tem mais quatro anos na Casa independentemente do resultado.
O único desses pré-candidatos a governador que está no fim do mandato como senador é Eduardo Girão (Novo-CE).
Além desses 10 que se assumem pré-candidatos a governos estaduais, outros três afirmaram que poderão ser candidatos a governador, mas que ainda não descartaram a hipótese de concorrer a uma reeleição no Legislativo. Deram essa resposta Izalci Lucas (PL-DF), Jayme Campos (União Brasil-MT) e Marcos Rogério (PL-RO).
Dos 16 senadores que disseram que não serão candidatos, 6 estão em final de mandato. Se mantiveram esses planos, ficarão sem cargo a partir de 2027.
A senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), por exemplo, decidiu não tentar reeleição para apoiar a provável candidatura de seu filho, o vice-governador Lucas Ribeiro (PP), ao governo da Paraíba.
José Lacerda (PSD-MT) exerce mandato no Senado como suplente do ministro Carlos Fávaro. Lacerda não disputará a eleição para apoiar Fávaro, que busca se eleger como senador novamente.
Os outros quatro em fim de mandato e que dizem não pretender disputar a próxima eleição indicaram que deverão se aposentar das corridas eleitorais. O grupo é composto por:
- Cid Gomes (PSB-CE), de 62 anos, eleito senador uma vez;
- Jader Barbalho (MDB-PA), de 81 anos, eleito senador três vezes;
- Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), de 80 anos, eleito senador uma vez;
- Paulo Paim (PT-RS), de 75 anos, eleito senador três vezes.
A lista de aposentadorias pode aumentar. Confúcio Moura (MDB-RO) ainda não decidiu seu futuro, e um dos cenários cogitados por ele é se retirar da vida pública. Jorge Kajuru (PSB-GO) avalia voltar a trabalhar em programas de televisão.
Duas das atuais integrantes do Senado planejam concorrer a cargos menores do que o que ocupam atualmente. Mara Gabrilli (PSD-SP) é pré-candidata a deputada estadual. Augusta Brito (PT-CE), suplente do ministro Camilo Santana, quer disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
O levantamento que deu origem a essa reportagem foi feito pela Folha com base em informações oficiais de cada senador. As fontes são as assessorias de imprensa de cada gabinete, os próprios senadores ou declarações públicas proferidas por eles. Os dados coletados se referem a quem estava no exercício do mandato até 12 de dezembro.
Por Caio Spechoto / Folhapress
Como Donald Trump escolheu nome leal a Maduro para liderar a Venezuela
Americanos enxergam em Delcy Rodríguez, vice do ditador, flexibilidade e capacidade para estabilizar a economia do país Ela consolidou controle sobre política econômica e construiu pontes com elites, investidores estrangeiros e diplomatas.
The New York Times: Foi mais um passo de dança também para o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro.
No final de dezembro, Maduro rejeitou um ultimato do presidente Donald Trump para deixar seu cargo e ir para um exílio na Turquia, de acordo com informações reveladas por americanos e venezuelanos envolvidos em negociações de transição.
Na semana passada, Maduro estava de volta ao palco, ignorando a mais recente escalada dos EUA —um ataque a um cais que Washington afirma ser usado para o tráfico de drogas— dançando ao som de uma batida eletrônica na televisão estatal, enquanto sua voz gravada repetia em inglês: "Sem guerra louca."
A dança protagonizada por Maduro e outras demonstrações de falta de preocupação nas últimas semanas ajudaram a convencer alguns membros da equipe de Trump de que o ditador venezuelano estava zombando dos americanos e tentando delinear o que ele chamava de uma mentira, de acordo com pessoas que falaram sob condição de anonimato.
Então, a Casa Branca decidiu seguir com as ameaças militares.
No sábado (3), uma equipe de elite das forças armadas dos EUA entrou em Caracas, a capital venezuelana, em um ataque que, antes do dia amanhecer, levou Maduro e sua esposa, Cilia Flores, para Nova York, onde vão ser julgados por acusações de tráfico de drogas.
Semanas antes, autoridades dos EUA já haviam escolhido um candidato aceitável para substituir Maduro, pelo menos por enquanto: a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, que havia impressionado os oficiais de Trump com sua gestão da crucial indústria petrolífera da Venezuela.
As pessoas envolvidas nas discussões disseram que intermediários convenceram o governo de que ela protegeria e defenderia os investimentos energéticos americanos no país. "Eu venho acompanhando a carreira dela há muito tempo, então tenho uma ideia de quem ela é e do que ela representa," disse um alto funcionário dos EUA, referindo-se a Delcy.
"Não estou dizendo que ela seja a solução permanente para os problemas do país, mas é certamente alguém com quem achamos que podemos trabalhar de maneira muito mais profissional do que conseguimos com ele", disse o alto funcionário, referindo-se a Maduro.
Não foi uma escolha difícil, segundo os envolvidos. Trump nunca simpatizou com a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, que organizou uma campanha presidencial vitoriosa em 2024, o que lhe valeu o Prêmio Nobel da Paz no ano passado.
Desde a reeleição de Trump, Corina tem se esforçado para agradá-lo, chamando-o de "campeão da liberdade", imitando seus pontos de vista sobre fraude eleitoral nos EUA e até dedicando seu prêmio a ele
Foi em vão. No sábado, Trump disse que aceitaria Delcy, afirmando que Corina não é respeitada o suficiente para governar a Venezuela.
Autoridades dos EUA dizem que a relação com o governo interino de Delcy será baseada na sua capacidade de seguir as suas regras, acrescentando que reservam o direito de tomar ações militares adicionais se ela não respeitar seus interesses. Apesar da condenação pública de Delcy ao ataque, um alto oficial dos EUA disse que era muito cedo para tirar conclusões sobre qual seria sua abordagem e que o governo americano permanecia otimista de que poderia trabalhar com ela.
Trump declarou no sábado que os Estados Unidos pretendiam "governar" a Venezuela por um período indeterminado e recuperar os interesses petrolíferos dos EUA, uma afirmação de poder unilateral e expansionista, após argumentos também contestados sobre a interrupção do fluxo de drogas.
Com Delcy, a gestão Trump estaria se envolvendo com a líder de um governo que havia com frequência rotulado como ilegítimo, enquanto abandonaria María Corina, cujo movimento venceu uma eleição presidencial em 2024, em uma vitória amplamente reconhecida como roubada por Maduro.
E não estava claro imediatamente se Delcy colaboraria. Em um pronunciamento televisivo, ela acusou os EUA de fazer uma invasão ilegal e afirmou que Maduro continuava sendo o líder legítimo da Venezuela.
Para manter a pressão, altos oficiais dos EUA disseram que as restrições sobre as exportações de petróleo venezuelano permaneceriam em vigor por enquanto.
Mas outros envolvidos nas conversas expressaram a esperança de que o governo parasse de deter petroleiros venezuelanos e emitisse mais permissões para que empresas dos EUA trabalhassem na Venezuela, a fim de reviver a economia e dar à vice de Maduro uma chance de sucesso político.
Delcy, 56, assume o cargo de líder interina da Venezuela com credenciais de solucionadora de problemas econômicos, que orquestrou a transição do país do socialismo com problemas de corrupção para o capitalismo laissez-faire igualmente corrupto.
Ela é filha de um guerrilheiro marxista que ficou famoso por sequestrar um empresário americano. Estudou, em parte, na França, onde se especializou em direito trabalhista.
Ela ocupou cargos intermediários no governo do predecessor de Maduro, Hugo Chávez, antes de ser promovida a papéis maiores com a ajuda de seu irmão mais velho, Jorge Rodríguez, que se tornou o principal estrategista político de Maduro.
Delcy conseguiu estabilizar a economia venezuelana após anos de crise e, lenta mas constantemente, aumentar a produção de petróleo do país, mesmo sob sanções apertadas dos EUA, uma façanha que lhe garantiu até o respeito relutante de alguns oficiais dos EUA.
À medida que Delcy consolidava o controle sobre a política econômica e eliminava rivais, ela construiu pontes com as elites econômicas da Venezuela, investidores estrangeiros e diplomatas, aos quais se apresentou como uma tecnocrata de discurso ameno e um contraste com os robustos oficiais de segurança que formavam a maior parte do círculo íntimo de Maduro.
Essas alianças deram frutos nos últimos meses, conquistando defensores poderosos que ajudaram a cimentar sua ascensão ao poder. No sábado, sua assunção ao poder foi recebida com otimismo cauteloso por alguns dos capitães da indústria da Venezuela, que disseram em particular que ela tinha as habilidades para criar crescimento, se conseguisse convencer os EUA a relaxar seu aperto sobre a economia do país.
Apesar de suas inclinações tecnocráticas, Delcy nunca denunciou a repressão brutal e a corrupção que sustentam o regime de Maduro. Ela já chamou, por exemplo, sua decisão de entrar na gestão de um ato de "vingança pessoal" pela morte de seu pai na prisão em 1976, após ser interrogado por agentes de inteligência de governos pró-EUA.
A capacidade de Delcy para negociar através do abismo ideológico da Venezuela pode ser útil para aliviar tensões. Juan Francisco García, um ex-deputado do partido governante que desde então se separou do regime, disse que tinha algumas apreensões sobre sua capacidade de governar, mas lhe deu o benefício da dúvida.
"A história está cheia de setores e figuras ligados a ditadores que, em algum momento, serviram como ponte para estabilizar o país e fazer a transição para um cenário democrático", disse García.
Anatoly Kurmanaev , Tyler Pager , Simon Romero e Julie Turkewitz
China insta EUA a garantir segurança pessoal e libertar 'imediatamente' Maduro e esposa
A China pediu aos Estados Unidos que libertem "imediatamente" o ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, capturados em um ataque americano contra o país sul-americano neste sábado (2).
"A China apela aos EUA para garantir a segurança pessoal do presidente Maduro e de sua esposa, libertá-los imediatamente, cessar a subversão do governo venezuelano e resolver as divergências por meio do diálogo e da negociação", declarou o Ministério das Relações Exteriores, em nota.
Antes, a pasta já havia afirmado que condena a ação militar americana e que está "profundamente chocada" com o ataque.
"A China se opõe firmemente ao comportamento hegemônico dos EUA, que viola gravemente o direito internacional e a soberania da Venezuela e ameaça a paz e a segurança na América Latina e no Caribe. Instamos os EUA a respeitar o direito internacional e os princípios da Carta da ONU e a parar de violar a soberania e a segurança de outros países", declarou.
Maduro e a esposa desembarcaram na noite de sábado no Aeroporto Internacional Stewart, nos arredores da cidade de Nova York, sob forte escolta de policiais, militares e agentes de segurança.
Em pronunciamento horas após a captura, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país governará a Venezuela até a transição e que o petróleo da nação sul-americana será explorado por americanos.
A Venezuela tem a maior reserva de petróleo do mundo e tem a China como um dos principais compradores. Questionado por jornalistas sobre como a ação afeta a relação com o país asiático e outros interessados na nação invadida, Trump afirmou que aqueles que querem petróleo, terão.
"Vamos vendê-lo. Provavelmente venderemos em volumes muito maiores, porque eles produziam muito pouco devido à infraestrutura precária. Vamos vender grandes quantidades de petróleo a outros países, muitos dos quais já o utilizam, e muitos outros virão."
Trump disse ainda que, se necessário, enviará militares a solo venezuelano para garantir o controle dos EUA e que está negociando com Delcy Rodríguez, a vice de Maduro, sobre os próximos passos. O Brasil a reconheceu como interina na ausência do ditador.
Há o temor de que a invasão da Venezuela e a captura de Maduro abram brecha para que outros países utilizem a mesma estratégia para agredir vizinhos, como, por exemplo, no caso da China em relação a Taiwan.
Pequim afirma que a ilha, que tem um presidente democraticamente eleito, é parte "inalienável" de seu território e não descarta o uso da força para a reunificação.
Editorial publicado no veículo estatal China Daily, o principal jornal do país, neste domingo (4) afirmou que as ações do governo Trump estabelecem "um precedente perigoso para as relações internacionais".
Sem fazer menção ao próprio país ou a outras nações, o texto afirma que o raciocínio de Washington, se aceito, concederia a "países poderosos uma licença universal para intervenção militar, contrariando diretamente os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas".
"A agressão injustificável dos EUA destrói qualquer autoridade moral que possam ter reivindicado. As regras internacionais aplicam-se a todos, não apenas a alguns. Quando os mais fortes optam por ignorar a lei, a proteção das normas se enfraquece para todos", diz o editorial.
Por Victoria Damasceno / Folhapress
Cenas de terror: Fortes chuvas destroem estrutura de hotel, árvores e provocam pânico em cidade baiana
As fortes chuvas que assolam a cidade de Jacobina, cidade na região Norte da Bahia, ao longo deste sábado (03), destruíram partes da estrutura do Fiesta Park Hotel, bastante conhecido na região. Além disso, a tempestade também derrubou árvores nas ruas do município e provocou pânico por parte dos moradores.
Em vídeos obtidos pela reportagem do BNews, é possível ver uma espécie de muro do hotel dentro da área da piscina completamente destruído, com resquícios atingindo até carros que estavam no entorno do local.
"O mundo está caindo aqui, as cadeiras estão caindo, meu irmão!", diz um homem que filmava a tempestade de dentro do hotel.
Já em outras imagens, populares que dirigiam pela cidade enquanto a chuva caía, filmavam várias árvores derrubadas no chão, além de outdoors e bastante ventania.
ASSISTA:
https://www.bnews.com.br/
Integrante do núcleo financeiro de organização criminosa é preso na Colômbia no contexto de investigação da FICCO/AM
Manaus/AM. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Amazonas (FICCO/AM) informa a prisão, em 2/1, de um nacional colombiano identificado como integrante do núcleo financeiro de organização criminosa com atuação no Amazonas, em território colombiano.
O investigado foi alvo da Operação Xeque-Mate, deflagrada pela FICCO/AM em outubro de 2024, cujo principal objetivo foi desarticular a estrutura de liderança da organização criminosa. As investigações indicam que um dos principais líderes do grupo permaneceu por mais de um ano na Colômbia utilizando identidades falsas, período em que teria se submetido a procedimentos estéticos para dificultar sua identificação e escapar da atuação das autoridades.
A captura ocorreu com apoio do Adido da Polícia Federal na Colômbia, a partir de cooperação internacional viabilizada por meio da Interpol, com base em Difusão Vermelha. Após a formalização da prisão, será solicitado o pedido de extradição do investigado para o Brasil, onde deverá responder pelos crimes apurados.
As apurações apontam que o colombiano atuava na lavagem de dinheiro da organização criminosa, utilizando empresas de fachada no setor de marketing, sem atividade econômica efetiva, além do uso de criptomoedas e fintechs para ocultar e dissimular a origem ilícita dos valores.
A ação reforça a eficácia da cooperação internacional e do compartilhamento qualificado de informações no enfrentamento às estruturas financeiras de organizações criminosas com atuação transnacional, evidenciando o compromisso da FICCO/AM no combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado.
Comunicação Social da Polícia Federal no Amazonas
Ação de Trump acirra retórica eleitoral com munição a bolsonaristas e cautela de Lula
O ataque dos Estados Unidos à Venezuela neste sábado (3) acirrou o embate político-eleitoral com representantes do bolsonarismo e da direita usando o episódio para criticar o presidente Lula (PT), enquanto o petista busca um discurso cauteloso diante do tema que já vinha gerando desgaste para a esquerda em disputas passadas.
Políticos ouvidos pela reportagem afirmam que a ação militar de Donald Trump para derrubar o regime do ditador Nicolás Maduro deve ser um assunto explorado na disputa presidencial de outubro, em que Lula buscará se reeleger e que tem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho de Jair Bolsonaro (PL), como pré-candidato.
Nomes da esquerda e da direita, porém, ponderam que os reflexos eleitorais dependem do desenrolar da situação incerta no comando do país vizinho, com Maduro capturado e Trump anunciando que os EUA governarão a Venezuela até uma transição.
A família Bolsonaro usou o ataque como gancho para ativar a retórica contra o comunismo e o Foro de São Paulo.
Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e outros governadores da direita, como Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Ratinho Jr. (PSD-PR), comemoraram a libertação da Venezuela de uma ditadura.
Todos esses são fiéis apoiadores de Bolsonaro, ex-presidente condenado e preso por ter liderado uma tentativa de golpe após a derrota nas eleições de 2022.
Já a esquerda investe em reforçar o discurso em defesa da soberania e da democracia, estratégia utilizada pelo governo Lula contra o tarifaço imposto por Trump. Deputados do campo apontam o interesse do americano pelo petróleo da Venezuela e veem risco de interferência dos EUA na eleição de outubro.
Ao comentar a queda de Maduro, Lula evitou mencionar o nome do ditador, a quem chama de presidente, e tampouco citou os EUA ou Trump diretamente. Deputados da direita afirmam que o petista tenta se desvencilhar de Maduro, mas não terá sucesso.
"Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional", disse o petista no X.
"Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo", completou.
Lula tem mantido boa relação com Maduro e o recebeu no Palácio do Planalto em maio de 2023. Em 2024, porém, o presidente não reconheceu a vitória do ditador venezuelano, que foi proclamado reeleito apesar das acusações de fraude.
Por outro lado, o petista também tem buscado uma boa posição junto a Trump, com quem se encontrou em outubro depois disso, o americano voltou atrás em tarifas e sanções ao Brasil.
A proximidade de Lula com Maduro e a interpretação de que a queda do ditador na Venezuela pode ser um prenúncio do resultado da eleição de 2026 foram explorados por possíveis candidatos da oposição, como Tarcísio e Michelle Bolsonaro (PL).
"A Venezuela agora está vencendo a esquerda e que, no final do ano, o Brasil também vença", publicou o governador em vídeo.
Ao falar sobre os efeitos da ditadura, o post exibe imagens da reunião entre Lula e Maduro. "Tudo isso só foi possível ao longo do tempo porque houve conivência, omissão e até apoio explícito de quem insistiu em chamar um ditador de companheiro", diz.
Em nota, Michelle diz que Lula é amigo de Maduro e que seus governos se parecem ao defenderem
"A operação americana [...] é, também, um aviso para todos os poderosos de outros países da América do Sul que, fazendo parte do mesmo grupo e alinhados ao narcoditador venezuelano, tentam copiar em seus países o modus operandi de Maduro. O recado foi bastante claro: Ditadores disfarçados de democratas e defensores de traficantes, coloquem a Barba de molho", diz.
"A América Latina se cansou da esquerda", afirma o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL), apontando que a tendência é vista na Bolívia, Chile e Argentina. "A esquerda não teve a capacidade de rever conceitos ultrapassados de socialismo e comunismo."
Sóstenes afirma ainda que apontar o flerte da esquerda com a ditadura será uma das prioridades de Flávio na campanha e que, apesar da recente afinidade entre Lula e Trump, o americano "terá um posicionamento claro a favor do candidato da direita" em outubro.
Flávio e os irmãos Carlos e Eduardo reforçaram a munição contra Lula a partir do episódio. O senador afirmou que o comunismo não traz prosperidade e que as ditaduras caem "quando os povos escolhem a liberdade".
Também atacou indiretamente o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), alvo dos bolsonaristas após a derrota de 2022. "Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas..."
Na opinião do deputado Jilmar Tatto (SP), vice-presidente nacional do PT, a direita não vai conseguir desgastar Lula porque a ação americana vai fortalecer a defesa da soberania e da democracia.
"Só o Lula consegue liderar essa frente democrática na América Latina. Então, se os bolsonaristas quiserem fazer esse debate, vão perder mais uma", diz.
Pressionado entre Trump e Maduro, o caminho de Lula será o de pregar soberania. "O presidente Lula, como o PT, tem uma posição histórica pela autodeterminação dos povos e soberania de cada país", afirma Tatto.
Para a presidente do PSOL, Paula Coradi, a soberania será uma questão da eleição de 2026, dado que Trump deixou claro seu plano de intervenção na América Latina. "Devemos nos preparar para a interferência direta de Trump nas eleições do Brasil. A direita não defende a soberania, é subserviente, como foi no tarifaço."
"Não importa o que pensamos do governo Maduro, não tem a ver com o tipo de democracia que existe ou não na Venezuela. O que aconteceu foi um ataque a um país pacífico e soberano", diz Coradi.
Na mesma linha de Lula, o posicionamento do PT não cita Trump e tampouco critica o regime de Maduro.
"O bombardeio em Caracas e o sequestro do presidente configuram a mais grave agressão internacional registrada na América do Sul no século 21", diz.
"A soberania dos povos, a solução pacífica das controvérsias e o respeito ao direito internacional constituem princípios centrais da política externa do PT", completa.
Em resposta à estratégia da esquerda, Flávio ironizou o fato de haver "gente no Brasil preocupada com a soberania da Venezuela".
"Não se trata de soberania. Trata-se de opressão, medo e assassinato de adversários políticos. Quem relativiza isso não está defendendo povos. Está defendendo ditaduras", publicou.
Entre quem se manifestou criticando igualmente a ditadura de Maduro e o ataque de Trump, estão o governador Eduardo Leite (PSD-RS) e os partidos PSB e PSDB.
Por Carolina Linhares / Folhapress
Moradores de Caracas relatam ruas vazias e destruição após ataque dos EUA
Moradores de Caracas, capital da Venezuela, relatam barulho, instalações destruídas, ruas vazias, comércio fechado e a expectativa de que manifestações --sobretudo chavistas-- ganhem tamanho após o governo de Donald Trump, dos Estados Unidos, atacar o país e capturar Nicolás Maduro.
No final da tarde deste sábado (3), mesmo dia da ofensiva militar, a Folha conversou com uma brasileira e um jornalista venezuelano, ambos residentes da cidade e que pediram para não serem identificados.
Essa foi a primeira ofensiva dos EUA na América do Sul em décadas, e mirou a Venezuela, país com a maior reserva de petróleo do mundo e berço do chavismo, movimento político que se opõe à influência estadunidense na região.
"Vamos governar a Venezuela até que haja uma transição adequada e justa", disse o presidente dos EUA, Donald Trump, após a operação. Segundo ele, a partir de agora serão as empresas dos Estados Unidos que vão controlar o petróleo da Venezuela.
"Vamos ficar pelo tempo que for adequado para uma transição. Vamos governar neste tempo, vamos ter empresas americanas que vão entrar, vão injetar bilhões de dólares, vão consertar a péssima infraestrutura", completou.
Segundo o governo Trump, o ataque foi autorizado pelo presidente no final da noite de sexta-feira (2). Maduro foi levado por Forças Espeicais americanas e, ao final deste sábado (3), desembarcou em Nova York, onde será julgado por crimes como narcoterrorismo e tráfico de cocaína.
A brasileira ouvida pela reportagem relata que não houve caos durante a madrugada, mas que a cidade inteira ouviu os estrondos dos ataques dos Estados Unidos.
Ela diz ainda que as ruas ficaram muito mais vazias do que de costume para um sábado, e que as pessoas saíam de casa apenas para fazer compras nos poucos supermercados ou farmácias que abriram, mas que preferem ficar em segurança.
As forças de segurança venezuelana passaram o dia em rondas nas ruas da capital.
Ainda não foi divulgado um número oficial de vítimas da ofensiva militar (seja de civis ou de militares), mas nas redes sociais circulam imagens de sangues entre escombros e de corpos cobertos por cobertor, além de caminhões e prédios, inclusive residenciais, destruídos. Segundo a imprensa americana, pelo menos 40 venezuelanos morreram nos bombardeios.
O jornalista venezuelano ouvido pela Folha ressalta que, dado o histórico recente de muitos conflitos no país, os moradores de Caracas estão minimamente habituados a situações onde precisam ficar reclusos em casa, apenas realizando saídas rápidas para compra de itens essenciais.
Ele conversou com a reportagem após passar o dia transitando pela capital e relata que os bombardeios atingiram principalmente três pontos da cidade. Um deles é a base aérea de Carlota, ao leste. Ele viu carros, ônibus e um hangar queimado, mas não pôde se aproximar, porque o local foi evacuado pelos militares.
A maior parte dos danos, segundo ele, se concentrou na região do Forte Tiuna, uma enorme base militar venezuelana. No extremo leste de Caracas, a ofensiva dos Estados Unidos atingiu antenas de transmissão que ficam em um morro, relata o jornalista.
Ele conta ainda que se presume que a maior quantidade de vítimas esteja concentrada na área do aeroporto internacional da cidade, na região de Miranda. No entorno de todos esses locais, há vidros quebrados e outros destroços decorrentes dos bombardeios, afirma.
Ele diz ainda que o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), de Maduro, vem convocando uma vigília permanente na cidade, e que já há concentração de pessoas na avenida Urdaneta, uma das principais de Caracas.
A vice-líder do regime venezuelano, Delcy Rodríguez, exigiu a libertação de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, também capturada. Ela reiterou que Maduro é "o único presidente" da Venezuela, e disse que o país jamais será colônia de qualquer outro.
Por João Gabriel / Folhapress
Maduro desembarca em NY sob forte escolta policial e é levado para centro de detenção
O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, desembarcou neste sábado (3) no Aeroporto Internacional Stewart, nos arredores da cidade de Nova York, sob forte escolta de policiais, militares e agentes de segurança após ser capturado durante ataque dos Estados Unidos contra Caracas horas antes.
Mais tarde, um dos perfis oficiais da Casa Branca publicou no X um vídeo em que Maduro caminha, algemado, na sede da agência antidrogas do país, em Nova York. Na filmagem, ele carrega uma garrafa de água, veste roupas de inverno e é escolado por três agentes. Segundo o jornal The New York Times, ele foi levado para um centro de detenção no bairro do Brooklyn.
Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram levados para um navio militar americano no Caribe e, então, transportados até Nova York, onde responderão a acusações feitas pelo Departamento de Justiça do governo Donald Trump de crimes como narcoterrorismo, tráfico de drogas e porte ilegal de armas.
Nas imagens captadas por emissoras dos EUA, Maduro aparece caminhando de forma lenta, aparentemente algemado nas mãos e nos pés, rodeado de dezenas de policiais fortemente armados. Não é possível identificar Flores no vídeo. Mais tarde, Maduro foi levado à ilha de Manhattan de helicóptero.
Os bombardeios contra Caracas que fizeram parte da operação para capturar Maduro deixaram pelo menos 40 venezuelanos mortos, entre civis e militares, disse neste sábado o jornal americano The New York Times, que ouviu uma autoridade da Venezuela sob condição de anonimato.
Trump disse mais cedo que vai governar a Venezuela "até que haja uma transição adequada e justa".
Segundo ele, o petróleo venezuelano será explorado por empresas americanas e "voltará a fluir" com petroleiras dos EUA à frente das operações e da infraestrutura do país.
A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo.
Maduro e Flores serão julgados em Nova York, onde o Departamento de Justiça abriu um novo indiciamento contra os dois que inclui também o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e Nicolás Ernesto, filho de Maduro. A acusação diz que os réus conspiraram em conjunto com organizações como as Farc, na Colômbia, e o cartel de Sinaloa, no México, para traficar cocaína.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, uma das principais vozes na Casa Branca por trás da intervenção na Venezuela, disse neste sábado que Maduro era um "fugitivo da Justiça americana". Embora Washington acuse o ditador de comandar o chamado cartel dos sóis, especialistas negam a existência do grupo.
De acordo com a acusação, enquanto esteve no poder, Maduro buscou "enriquecer a si mesmo e aos membros [do cartel], ampliar seu próprio poder e inundar os Estados Unidos com cocaína com o objetivo de aplicar os efeitos danosos e viciantes da droga contra americanos". A Venezuela não é uma grande produtora de cocaína, e as rotas de tráfico que saem do país costumam ter como destino portos europeus, não os EUA.
Na acusação, o governo Trump diz ainda que Maduro utilizou a cocaína como "arma contra a América", retórica que se assemelha a outras ações recentes do republicano como quando classificou o fentanil, principal responsável pela crise de opioides nos EUA, de uma arma de destruição em massa.
O vice-presidente, J. D. Vance, disse que o ditador venezuelano "não pode esperar que iria fugir da Justiça americana só porque vive em um palácio em Caracas". Vance afirmou ainda que Washington ofereceu "uma série de alternativas" a Maduro, sem entrar em detalhes, e que a Venezuela precisa "devolver o petróleo roubado" dos EUA, afirmação já feita por Trump no passado.
Não está claro a que roubo o governo Trump se refere.
O governo americano indiciou Maduro por tráfico de drogas pela primeira vez em 2020, no primeiro governo Trump, acusando o ditador de "conspiração narcoterrorista" e colaboração com as Farc, da Colômbia.
Os EUA, principal mercado consumidor de cocaína nas Américas, têm longo histórico de buscar a extradição de líderes de facções criminosas latino-americanas para julgamento e prisão em solo americano.
Washington já julgou inclusive líderes de países da América Central por acusações de tráfico, como o panamenho Manuel Noriega, alvo da última intervenção armada americana na América Latina, e o hondurenho Juan Orlando Hernández este último, perdoado por Trump em dezembro de 2025 sob a justificativa de que foi alvo de "perseguição política".
Por Victor Lacombe / Folhapress
EUA estão trabalhando com vice do regime da Venezuela, diz Trump
Presidente americano disse que secretário de Estado conversou com Delcy Rodríguez e que ela está disposta a fazer o que consideram necessário
O presidente Donald Trump afirmou neste sábado (3) que os Estados Unidos estão trabalhando com a vice do regime venezuelano, Delcy Rodríguez, após a captura de Nicolás Maduro.
Questionado por repórteres sobre sua disposição em trabalhar com Rodríguez, Trump disse que ela tomou posse, mas que foi “escolhida por Maduro”
O americano destacou que o secretário de Estado Marco Rubio “acabou de conversar com ela, e ela está essencialmente disposta a fazer o que consideramos necessário para tornar a Venezuela grande novamente”.
Ele acrescentou mais tarde que Rodríguez “teve uma longa conversa com Marco, e ela disse: ‘Faremos o que for preciso’. … Acho que ela foi bastante gentil, mas na verdade não tem escolha”.
Nicolás Maduro foi capturado por forças especiais dos Estados Unidos neste sábado (3). Ele deve realizar uma breve escala na base militar de Guantánamo, em Cuba, antes de ser transferido para Nova York.
Trump afirmou que os EUA governarão o país sul-americano até que possam "fazer uma transição segura, adequada e sensata".
Ele também publicou uma foto de Maduro a bordo do navio de guerra que está levando o ditador para Nova York.
Alejandra Jaramillo, da CNN
Captura de Maduro durou 47 segundos, diz Donald Trump
As forças dos Estados Unidos demoraram 47 segundos para capturar o ditador Nicolás Maduro e sua mulher em um complexo na capital da Venezuela, Caracas, segundo disse o presidente Donald Trump.
Chamada de Operação Determinação Absoluta, a ação foi o ponto culminante de uma operação de guerra sem precedentes que vinha sendo montada havia meses no Caribe. Os poucos detalhes disponíveis foram dados por Trump e pelo chefe do Estado-Maior Conjunto americano, general Dan Caine.
Segundo o militar, há semanas as forças americanas esperavam uma janela no tempo caribenho para empreender o ataque. Ela veio na sexta (2), quando Trump deu a ordem para a ação. Eram 22h46 no horário da Flórida, onde o presidente estava —23h46 em Caracas e 0h46 em Brasília.
Um contingente de 150 aeronaves foi mobilizado a partir de 20 pontos, incluindo o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, e o navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima, um dos pontos centrais da operação.
Segundo Caine, caças F/A-18 do Ford e F-22 vindos dos EUA participaram da primeira onda de ataque, ao lado de bombardeiros estratégicos B-1B, também saídos de bases americanas. Sua função era formar um corredor de ataque direto do Caribe até Caracas.
A reação venezuelana foi mínima, elevando as suspeitas de que possa ter havido algum acordo entre os militares do país e o governo Trump para entregar Maduro. Ainda assim, houve ataques coordenados a pelo menos cinco pontos em três estados do país caribenho.
"O objetivo era abrir caminho e proteger os helicópteros", disse, em referência aos modelos MH-60 Seahawk e CH-47 Chinook que foram filmados por moradores voando impunemente enquanto as bombas caíam sobre a capital venezuelana.
Aberto o corredor, o que segundo Caine ocorreu com a supressão de defesas aéreas com o uso de drones e de caças de guerra eletrônica EA-18G Growler, uma fila de helicópteros com os soldados da Delta Force, unidade de elite do Exército, entrou em Caracas. Eles voaram a 30 metros de altura sobre o mar e o solo.
Às 2h01 no horário local (3h01 em Brasília), os soldados que haviam formado um perímetro em torno do bunker de Maduro entraram no local. Trump disse ter assistido tudo em tempo real. "Parecia um programa de TV, inacreditável", afirmou.
Maduro tentou alcançar um quarto seguro com portas de aço, mas em 47 segundos foi rendido. Caine disse que "houve muito tiroteio", mas que nenhum americano foi ferido. Venezuelanos, não se sabe ainda.
Logo o ditador e sua esposa estavam em um dos helicópteros rumo ao Iwo Jima. Ele vestia um abrigo esportivo e, em foto divulgada por Trump, estava algemado, com um óculos escuro e abafador de sons nos ouvidos.
Segundo Caine, ele pousou no Iwo Jima às 3h29 já no horário americano, ou 5h29 em Brasília. "Nós achávamos que seria necessária uma segunda onda [de ataques], mas não foi. Estamos prontos se for preciso", disse o presidente.
A ação foi o que se chama em jargão militar de exfiltração de alvos, no caso o casal Maduro. Ela foi combinada com uma ação de supressão de defesa antiaérea e não configurou uma invasão, como temiam alguns analistas dado o risco de perdas maiores.
"Poderia ter dado errado", disse Trump. Segundo Caine, apenas um helicóptero americano foi atingido por tiros quando se aproximou do esconderijo de Maduro, mas permaneceu em condições de voar. Não se sabe ainda quantos militares e civis venezuelanos morreram ou foram ferido
A mobilização militar, iniciada em agosto, foi a maior da história americana na América Latina. Houve outras ações grandes, como a captura do líder panamenho Manoel Noriega para julgamento nos EUA em 1989, mas nunca com tanto poder de fogo envolvido.
O centro logístico da ação foi Porto Rico. No território americano fica a antiga base de Roosevelt Roads, que estava desativada havia duas décadas. Ela rapidamente se transformou em ponto de encontro de caças, helicópteros, aviões de transporte, espionagem e reabastecimento.
Os bombardeios B1-B, voando a partir dos EUA, treinaram diversas incursões nos meses que precederam o ataque deste sábado. Segundo o relato de Caine, não foram empregados mísseis Tomahawk, armas de primeiro ataque presentes em pelo menos nove embarcações na região.
Houve pouca ou nenhuma resistência local. Em Higuerote (norte), uma enorme explosão seguida por estouros secundários no aeroporto local sugere que foi atingido um sistema de mísseis antiaéreos da Venezuela, provavelmente os mais capazes deles, S-300 de fabricação russa.
Em Caracas, uma das imagens mais impressionantes era a do que parecia ser um helicóptero de ataque AH-64 Apache disparando mísseis Hellfire contra o Forte Tiuna, o comando central das Forças Armadas do país.
O aparelho tem um alcance de menos de 500 km, o que sugere que ele chegou lá a partir de algum dos navios e não da vizinha Trinidad e Tobago, que sediou exercícios de forças especiais americanas em novembro mas fica a 650 km da capital venezuelana.
Helicópteros são a marca registrada de assaltos de forças especiais, que segundo Trump já operavam infiltradas na Venezuela havia meses.
Sua base de operações é o navio M/V Ocean Trader, na prática um porta-helicópteros e centro de comando. Mas no ataque deste sábado, o papel central foi do USS Iwo Jima, bem mais capaz de coordenar ações.
O transporte dos soldados é feito pelo 160º Regimento de Aviação de Operações Especiais, unidade do Exército que dá apoio a missões de fuzileiros navais e outros pelo mundo.
As forças venezuelanas prometeram resistir, mas sem soldados americanos em solo após a captura de Maduro, seus recursos para causar danos são bastante limitados. Pode haver tentativas de atacar navios americanos com mísseis russos ou chineses à disposição do regime.
Isso parece remoto agora, dada a decapitação da ditadura e a demonstração de força contra suas unidades militares. Há também um fator vital: os gritos de celebração ouvidos em Caracas quando Trump anunciou a captura de Maduro.
Por Igor Gielow | Folhapress
Duas mulheres morrem carbonizadas em imóvel no norte da Bahia; ex de uma das vítimas é principal suspeito
Duas mulheres foram encontradas mortas após um incêndio atingir uma residência na madrugada desta sexta-feira (2), no município de Remanso, no norte da Bahia. Um homem, identificado como Igor Galvão de Sousa, de 31 anos, também foi encontrado morto no interior do imóvel e é considerado o principal suspeito.
As vítimas, identificadas inicialmente como Micaela e Kacymyra, morreram carbonizadas, segundo informações da Polícia Civil (PC) ao g1. Conforme a PC, as mulheres ainda não foram identificadas formalmente. Informações preliminares indicam que Micaela e Kacymyra mantinham um relacionamento e, na ocasião, foram surpreendidas por Igor, ex-companheiro de uma delas, que teria provocado o incêndio no quarto onde as vítimas estavam.
Segundo a Polícia Militar, equipes da 25ª Companhia Independente (CIPM) foram acionadas após a informação de um incêndio em um imóvel localizado na Avenida José Dias Ribeiro. No local, os militares debelaram, com o apoio de moradores, as chamas.
Os agentes acessaram o imóvel e localizaram as três pessoas sem vida. Os órgãos competentes foram acionados para a adoção das medidas cabíveis. Guias para perícia e remoção dos corpos foram expedidas, e o caso segue sob investigação pela Delegacia Territorial de Remanso.
A Polícia Civil informou que oitivas e diligências estão em andamento para identificar oficialmente as vítimas e esclarecer as circunstâncias do crime. A principal suspeita é Igor tenha tirado a própria vida após atentar contra o casal. As informações são do g1.
María Corina diz que EUA fizeram justiça contra Maduro e fala em tomar o poder; leia íntegra
Líder da oposição na Venezuela e vencedora do Nobel da Paz, María Corina Machado afirmou em uma carta publicada neste sábado (3) que o ditador Nicolás Maduro enfrentará justiça "pelos crimes atrozes cometidos contra os venezuelanos" e defendeu que Edmundo González assuma o poder imediatamente.
González foi o candidato de oposição que, segundo organizações internacionais, foi o verdadeiro vencedor das eleições presidenciais de 2024. "Estamos preparados para fazer valer nosso mandato e tomar o poder", escreveu ela horas após a captura de Maduro e o ataque de Donald Trump contra o país latino-americano.
María Corina afirmou que os Estados Unidos "cumpriu a sua promessa" e que "chegou a hora da liberdade". Ela também instou os venezuelanos que permaneçam "vigilantes, ativos e organizados até que se concretize a transição democrática".
"Nestas horas decisivas, recebam toda a minha força, minha confiança e meu carinho. Seguimos todos atentos e em contato. A Venezuela será livre."
Trump disse que Maduro e a esposa, a poderosa Cilia Flores, estão em um navio militar americano no Caribe, de onde partirão para Nova York para serem julgados por narcoterrorismo e crimes relacionados a tráfico de drogas.
O país sul-americano havia afirmado mais cedo que sofrera uma "agressão militar" dos Estados Unidos após múltiplas explosões atingirem a capital, Caracas, e outras regiões do país durante a madrugada.
Diante da situação, o país declarou estado de emergência.
Segundo comunicado do regime venezuelano, ataques também ocorreram nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. As Forças Armadas do país foram mobilizadas.
Leia, abaixo, a íntegra da carta publicada por María Corina :
"Nicolás Maduro, a partir de hoje, enfrenta a justiça internacional pelos crimes atrozes cometidos contra os venezuelanos e contra cidadãos de muitas outras nações. Diante de sua negativa em aceitar uma saída negociada, o governo dos Estados Unidos cumpriu sua promessa de fazer valer a lei.
Chegou a hora de a Soberania Popular e a Soberania Nacional prevalecerem em nosso país. Vamos colocar ordem, libertar os presos políticos, construir um país excepcional e trazer nossos filhos de volta para casa.
Lutamos por anos, entregamos tudo, e valeu a pena. O que tinha que acontecer está acontecendo.
Esta é a hora dos cidadãos. Dos que arriscamos tudo pela democracia em 28 de julho. Dos que elegemos Edmundo González Urrutia como legítimo presidente da Venezuela, que deve assumir imediatamente como Comandante em Chefe da nação. Estamos preparados para fazer valer nosso mandato e tomar o poder. Permaneçamos vigilantes, ativos e organizados até que se concretize a transição democrática. Uma transição que precisa de todos nós.
Aos venezuelanos que estão dentro do nosso país, estejam prontos para colocar em marcha o que, no momento oportuno, comunicaremos por meio de nossos canais oficiais.
Aos venezuelanos que estão no exterior, precisamos que estejam mobilizados, acionando os governos e os cidadãos do mundo e comprometendo-os desde já com a grande operação de construção da nova Venezuela.
Nestas horas decisivas, recebam toda a minha força, minha confiança e meu carinho. Seguimos todos atentos e em contato.
A Venezuela será livre!
Vamos de mãos dadas com Deus, até o final."
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