‘O líder político mais influente da América Latina freia avanço da direita’: imprensa mundial repercute reeleição de Lula
Presidente Lula (PT) derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e se tornou o primeiro presidente da história do Brasil a ser eleito quatro vezes pelo voto popular.
Alcolumbre e Motta ligam para Lula, oferecem apoio e pedem que ele atue para unir o Brasil
| Foto: Divulgação |
Os dois telefonaram para o petista para prometer espaço para que as promessas feitas na campanha sejam efetivadas e afirmaram que o ele ganhou uma nova oportunidade de tentar unir o Brasil.
Acompanhe na Folha em tempo real a apuração do 2º turno "Temos Brasil dividido, que passou infelizmente os quatro anos radicalizdao, e com essa vitória de hoje, penso que o presidente tem uma nova oportunidade de poder conciliar o país, de poder olhar para frente e conciliar todos os brasileiros", afirmou Motta, que cumprimentou também Flávio Bolsonaro (PL) pela disputa.
Alcolumbre destacou que parte dos estados brasileiros votou no candidato adversário, que teve quase 60 milhões de votos. "Precisamos todos nós ter a compreensão de que o nosso país dividido não é bom para o povo brasileiro, não é bom para as instituições republicanas, não é bom para o futuro do Brasil", disse. "Passou a eleição. O presidente do Brasil eleito tem que governar para os 215 milhões de brasileiros que precisam das respostas do Estado", disse.
Motta pediu que Lula faça uma avaliação dos acertos da campanha, "mas também dos erros cometidos". "Somos humanos e precisamos neste momento fazer uma auto avaliacao daquilo que precisa er melhorado", disse.
Os dois exaltaram o sistema eleitoral brasileiro e a democracia, e afirmaram que o Congresso estará à disposição para votar os projetos que tragam desenvolvimento econômico e melhore a segurança pública.
"O Congresso brasileiro não se furtará a debater todos os temas, não se furtará em fazer os enfrentamentos necessários para buscar na agenda do Parlamento brasileiro uma agenda de resposta a que a sociedade espera do Poder Legislativo", disse Alcolumbre.
O presidente do Senado disse que cabe ao presidente reeleito unir o Brasil e que o clima de agressões dos apoiadores de ambos os lados não é positivo. Ele e Motta citaram que o Legislativo atuará de forma independente, mas harmônica com o Executivo.
Motta fez campanha pela reeleição de Lula, mas seu partido declarou voto em Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno e ele ficou mais ausente na segunda etapa.
Também pesou nesse afastamento o fato do petista ter pedido votos para um adversário do pai de Motta, Nabor Wanderley (Republicanos), que acabou derrotado para Veneziano Vital do Rêgo (MDB) na disputa pelo Senado na Paraíba.
O presidente da Câmara, no entanto, auxilou o petista ao colocar em votação rapidamente um pacote de medidas para o MEI (Microempreendedor Individual). O texto aumentará o teto de faturamento anual de cerca de R$ 80 mil por ano para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028 e perdoou cerca de R$ 15 bilhões em dívidas tributárias desse grupo.
Já Alcolumbre não fez campanha abertamente por nenhum dos candidatos à Presidência, mas ajudou Lula ao colocar em votação às vésperas do segundo turno a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acabou com a jornada de trabalho 6x1. No Amapá, o governador Clécio Luís (União Brasil), aliado do presidente do Senado, pediu votos para o petista.
Alcolumbre e Motta buscarão a reeleição para o comando das duas Casas do Congresso, e devem contar com apoio do governo Lula nessa empreitada, para evitar que a direita vença a disputa. A eleição ocorrerá em 1º de fevereiro de 2027.
No Senado, Alcolumbre deve enfrentar a concorrência de Rogério Marinho (PL-RN) e de Tereza Cristina (PP-MS). O PL elegeu a maior bancada da Casa, com 29 senadores, que se somam aos três do partido Novo em oposição ao atual presidente. Alcolumbre já conta com adesão de PSD e MDB à sua candidatura.
Na Câmara, Motta reuniu em torno de si o apoio de dez partidos do centrão, do PDT e do PSB. O PT também deve votar nele, mas aguardava o fim do segundo turno da eleição presidencial antes de decidir.
Por Raphael Di Cunto / Folhapress
Kassio diz que decisão de Zanin de prorrogar votação não provocou 'nenhuma alteração' na eleição
Presidente do TSE fez pronunciamento após proclamar resultado do segundo turno neste domingo
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| Foto: Leobark Rodrigues/TSE |
"Mesmo diante de todas essas circunstâncias, adotamos todas as providências que se fizeram necessárias e fomos absolutamente exitosos. Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial", disse.
Mais cedo, em uma decisão inédita, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin e Kassio Nunes Marques determinaram que a votação fosse estendida até as 19h (em Brasília) em seções em que a votação ainda não havia sido concluída e em que as urnas permanecem abertas.
Segundo o magistrado, a decisão liminar proferida após o horário de encerramento da votação gerou dificuldades no processo eleitoral. Kassio disse ter recebido o pedido por volta das 15h30, quando buscou informações técnicas com o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, as prefeituras e as equipes do próprio TSE, por não haver normativo que autorizasse qualquer prorrogação.
"Nunca na história do TSE houve qualquer prorrogação. Não seria possível, em poucas horas, construir um juízo de certeza de que nenhum efeito colateral, especialmente no aspecto tecnológico, advino de uma decisão judicial, viesse a impactar significativamente a apuração. Registo que essas palavras não se interessam a absolutamente nenhuma crítica a uma decisão judicial, mas as indagações que circulam na rede social do porquê que eu teria demorado para proferir uma decisão", disse.
O ministro voltou a dizer não se tratar de uma decisão convencional. O TSE ainda não divulgou formalmente quantas seções eleitorais foram fechadas às 17h e quantas seguiram abertas recebendo eleitores.
"Não é uma decisão que apenas se abre o contraditório. Prorrogar uma eleição é possível, mas ela tem que ser pensada, calculada e estruturada. Hoje, estamos felizes e orgulhosos da nossa equipe técnica que evitou eventuais problemas. Tivemos que fazer um bloqueio para não receber boletins de urna para que nenhum servidor da Justiça Eleitoral, nenhum membro desse tribunal tivesse acesso a nenhum conteúdo de boletim", disse.
Dentre as dificuldades, o ministro citou a incerteza sobre a capacidade de armazenamento de todos os dados. Milhares de urnas no Brasil já estavam encerradas, o que impede a reabertura, mas os boletins de urnas tiveram de ser bloqueados até o novo horário final.
O presidente do TSE também relatou ter telefonado aos dois candidatos à Presidência da República para confirmar o resultado definitivo. No pronunciamento, também direcionou uma palavra a ambos.
"Ao candidato Flávio Bolsonaro, que pela primeira vez disputou a eleição presidencial e conquistou votação expressiva, parabenizo pela campanha", disse.
"Ao Presidente Lula, registro o reconhecimento da Justiça Eleitoral por sua participação em mais este processo democrático e pela vitória nas urnas. Sua trajetória política atravessa diferentes períodos da história democrática brasileira. Participou como candidato de 8 eleições, tendo vencido 4 delas", afirmou.
Kassio também ressaltou a queda na abstenção de presenças nas urnas. De acordo com ele, os mais de 158 milhões de brasileiros aptos a votar neste segundo turno, com 99,9% das urnas apuradas, compareceram mais de 128 milhões. "O percentual de abstenção foi de 19,21%, menor do que no primeiro turno, que registrou cerca de 21,08% de abstenção".
Por Isadora Albernaz/Ana Pompeu/Luísa Martins/Folhapress
Do ajuste fiscal à desaceleração da atividade, Lula enfrentará desafios na economia
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| Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil |
Resolvê-los, segundo eles, passa por desatar o nó das contas públicas, em um momento em que a dívida bruta do Brasil já chega a quase 83% do PIB (Produto Interno Bruto), o maior nível em cinco anos.
Apenas estabilizá-la requer um ajuste de ao menos R$ 250 bilhões nos próximos quatro anos, como mostrou a Folha, forma de garantir que a taxa básica de juros (Selic), hoje em 13,75% ao ano, continue caindo.
Economistas ouvidos semanalmente pelo Boletim Focus, do Banco Central, esperam que a taxa seja reduzida a 12% ao ano no final de 2027, mas essa conta embute a expectativa de que algum ajuste fiscal acontecerá.
"O quadro fiscal é frágil, com o déficit primário [receitas menos despesas antes do pagamento de juros] estacionado em torno de 0,4% do PIB [considerando projeção para 2026], mas com gastos elevados de juros e dívida alta e crescente", diz o economista-chefe e sócio da Warren Investimentos, Felipe Salto.
Chegar ao ajuste necessário, de acordo com ele, envolve conter a alta dos pisos da saúde e da educação, a correção da previdência separada do salário mínimo e uma redução do percentual de contribuição do governo federal ao Fundeb (Fundo da Educação Básica).
Salto aponta ainda a necessidade do fim em etapas do abono salarial, a redução de 50% das emendas parlamentares e um corte de 25% nos gastos tributários.
"Tudo isso precisa ser distribuído em quatro anos, mas com um plano aprovado desde logo. O efeito da aprovação célere se verificará na curva de juros futuros e na própria Selic, além de evitar aprofundar a desaceleração econômica que já está contratada para o ano que vem", afirma Salto.
O Boletim Focus mostra que economistas do mercado financeiro esperam que o PIB cresça 1,83% neste ano e 1,32% no ano que vem. O consumo, que aumentou em média 3,3% nos últimos cinco anos, deve perder ritmo para em torno de 1% neste ano e abaixo disso no ano que vem, cenário decorrente dos juros altos e do endividamento da população.
Em setembro, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda revisou de 2,3% para 2% a projeção de crescimento do PIB em 2026. Para 2027, a estimativa baixou de 2,5% para 2,3%. Apesar da redução, as previsões continuam acima das expectativas do mercado.
"Para a economia crescer de forma sustentável, é necessário uma redução da taxa de juros reais. Mas isso passa, evidentemente, pela necessidade de um ajuste fiscal gradual, com mudanças nas regras de concessão de benefícios, na indexação e por desvincular os gastos em saúde e educação da receita corrente líquida", afirma Silvia Matos, pesquisadora e coordenadora do Boletim Macro do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).
O boletim do FGV Ibre espera avanço de somente 0,9% da economia no ano que vem, cenário influenciado pela perda de fôlego do consumo das famílias e do governo, além da menor contribuição para o crescimento de setores como agropecuária e indústria extrativa.
"O consumo das famílias, que já está em processo de desaceleração, deve crescer ainda menos em 2027. As famílias, principalmente as de níveis de renda mais baixa, vão precisar honrar suas dívidas, e não haverá mais espaço fiscal para novas rodadas de medidas de estímulo ao consumo."
Há 83,9 milhões de inadimplentes no Brasil, segundo os últimos dados da Serasa, e a inadimplência das famílias no crédito livre, em que as condições são livremente pactuadas entre bancos e clientes, atingiu novo recorde, chegando a 8% em agosto, conforme o BC.
As empresas também enfrentam um cenário cada vez mais desafiador e vêm recorrendo a recuperações judiciais e extrajudiciais.
"A causa do endividamento alto das empresas e pessoas físicas são os juros altos, que incomodam principalmente as empresas. O que vai fazer a taxa de juros baixar? Uma expectativa de inflação menor, a sinalização de um crescimento menor e um ajuste fiscal mais sério", aponta Rafael Schiozer, professor titular de finanças da FGV.
A expectativa é que os preços continuem incomodando no ano que vem, em meio ao cenário externo adverso, com conflitos geopolíticos, e ao fenômeno climático El Niño. O Focus prevê que o IPCA, índice oficial de preços, subirá 4,32% em 2027, acima do centro da meta de inflação, de 3%, e abaixo do teto, de 4,5%.
"O mercado fica na expectativa que tenha algum tipo de ajuste fiscal, mas se isso não acontecer, as expectativas de inflação não cedem e retroalimentam uma inflação mais alta. E, nesse cenário, o Banco Central não pode cortar juros", aponta Ivo Chermont, economista-chefe e sócio da gestora Quantitas. "O dólar está forte no mundo todo e pode atrapalhar."
Alex Agostini, economista-chefe da agência de classificação de risco Austin Rating, também chama a atenção para o quadro das contas públicas e cita a falta de um plano de ajuste crível e consistente. "Temos alguns problemas na economia brasileira, e o principal hoje é a questão fiscal."
COMÉRCIO EXTERIOR
O novo governo Lula terá outro desafio no comércio exterior, com o aumento do protecionismo no mundo e o clima de embate entre China e Estados Unidos, aponta Welber Barral, sócio do escritório Barral Parente Pinheiro Advogados.
"Serão anos desafiadores. O Brasil vai continuar exportando bastante commodities, que continuarão valorizadas e ajudarão a balança comercial, mas há o grande desafio de exportar bens manufaturados", afirma.
Barral diz que a diversificação de destinos comerciais amorteceu o impacto das tarifas americanas. "O desafio será não voltar à dependência dos Estados Unidos, já que a política unilateralista americana vai se manter pelos próximos anos", afirma. "A pressão americana com relação a minerais críticos e ao comércio digital vai aumentar, é importante que o governo saiba identificar o interesse nacional para reduzir essas pressões."
Na visão de Agostini, o Brasil pode ser protagonista em terras raras e minerais críticos, desde que essa agenda seja bem conduzida. Para 2027, ele também vê incertezas no cenário econômico internacional e riscos climáticos.
O El Niño altera a distribuição das chuvas, o que desafia a produção da agropecuária. Em caso de perdas no campo, há risco de repasses para os preços finais dos alimentos —ponto considerado sensível para a popularidade dos governos.
REFORMA TRIBUTÁRIA
Lula também terá de administrar o primeiro ano de implementação da reforma tributária.
A principal mudança está marcada para 1º de janeiro, quatro dias antes da cerimônia de posse, quando haverá a substituição de PIS, Cofins, IOF sobre seguros e parte do IPI (imposto sobre industrializados) pela CBS, a nova contribuição federal sobre bens e serviços.
Antes disso, durante a transição, está prevista a definição da alíquota desse tributo e também a edição de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) e de uma medida provisória, que vão tratar do Imposto Seletivo sobre bens e serviços classificados como prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.
Há ainda uma série de pendências que devem ser administradas ao longo do próximo ano, o que inclui adaptações na legislação que serão discutidas em conjunto com estados e municípios e o auxílio às empresas na alteração de documentos fiscais.
Outra pendência é a implementação do split payment, sistema de arrecadação previsto para funcionar no segundo semestre, que será opcional e utilizado apenas em operações entre empresas (B2B).
Os tributos envolvidos na reforma respondem por cerca de um terço da arrecadação administrada pela Receita Federal.
Por Maeli Prado, Leonardo Vieceli e Eduardo Cucolo/Folhapress
https://t.co/26W54UwZ5n
— patricia cezak (@paticezakslo) October 26, 2026
Apoio de ACM Neto não impede Lula de ampliar vantagem sobre Flávio em 654 mil votos na Bahia - Por Política Livre
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| Foto: Divulgação/Arquivo |
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 2.442.585 votos na Bahia, o equivalente a 28,53% dos válidos. Lula, por sua vez, conquistou 5.664.771 votos (66,17%), estabelecendo uma vantagem de 3.222.186 votos sobre o adversário.
Três semanas depois, com ACM Neto engajado na campanha do candidato do PL, Flávio chegou a 2.608.761 votos (28,69%), enquanto Lula alcançou 6.485.258 (71,31%). Isso significa que o bolsonarista ganhou 166.176 votos entre os dois turnos, enquanto o petista ampliou sua votação em 820.487 votos. A diferença entre os dois candidatos saltou para 3.876.497 votos, um crescimento de 654.311 votos favorável ao presidente reeleito.
Os números mostram que o crescimento de Flávio foi modesto diante da mobilização realizada por ACM Neto e seus aliados. Embora não seja possível determinar quantos votos o ex-prefeito efetivamente transferiu ao candidato do PL, o resultado demonstra que sua participação não conseguiu alterar a correlação de forças no estado.
Aposta em Brasília - ACM Neto anunciou apoio a Flávio Bolsonaro logo após sofrer sua segunda derrota consecutiva na disputa pelo governo da Bahia. No primeiro turno, o ex-prefeito recebeu 3.625.227 votos (43,72%), contra 4.626.509 (55,80%) do governador Jerônimo Rodrigues (PT), reeleito com uma vantagem superior a um milhão de votos.
A adesão à candidatura presidencial do PL foi oficializada em Brasília, no dia 7 de outubro. Além de tentar fortalecer o campo oposicionista na Bahia, a decisão também alimentou especulações sobre uma eventual participação de ACM Neto no primeiro escalão de um governo Flávio Bolsonaro. Sem ocupar cargo público desde que deixou a Prefeitura de Salvador, em dezembro de 2020, o ex-prefeito era apontado por aliados como possível ministro, caso o senador vencesse a disputa presidencial.
ACM Neto, entretanto, negou ter negociado cargos. Neste domingo (25), ao votar em Salvador, afirmou que não havia tratado da possibilidade de assumir um ministério e que caberia exclusivamente a Flávio definir a composição de um eventual governo.
A postura adotada no segundo turno contrastou com a campanha do primeiro. Na ocasião, ACM Neto declarou apoio ao ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), mas não realizou uma mobilização ostensiva em favor do presidenciável na Bahia. Não houve, por exemplo, um grande ato de campanha com Caiado em Salvador.
Durante a disputa pelo governo estadual, ACM Neto também evitou confrontos diretos com Lula, enquanto parte de seus apoiadores estimulava o chamado voto cruzado, combinando o apoio ao petista para presidente e ao candidato do União Brasil para governador. No segundo turno, o ex-prefeito mudou radicalmente, participando, inclusive, de atos de campanha ao lado de Flávio.
Campanha nas ruas - ACM Neto não se limitou a declarar apoio ao candidato do PL. Participou de atos de campanha em Salvador e em municípios do interior, mobilizando prefeitos, deputados e lideranças políticas que integraram sua campanha ao governo estadual.
Em Salvador, esteve ao lado de Flávio Bolsonaro no ato realizado no Farol da Barra, no dia 17 de outubro. O evento reuniu o prefeito Bruno Reis (União), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), além de parlamentares e outras lideranças da oposição baiana.
Na véspera, ACM Neto havia participado de uma caminhada em Campo Formoso, no norte do estado, ao lado do candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar (PL), do deputado federal Elmar Nascimento (União), do deputado estadual Júnior Nascimento (União) e de prefeitos da região. O ex-prefeito liderou ainda atos bolsonaristas em Feira de Santana, Porto Seguro e Itapetinga. Flávio não ganhou em nenhuma dessas cidades.
Mais eleitores - Outro dado que chama a atenção é a redução da abstenção no segundo turno. Enquanto aproximadamente 2,26 milhões de baianos deixaram de votar no primeiro turno, o número caiu para cerca de 1,89 milhão na votação deste domingo.
A diferença representa aproximadamente 368 mil eleitores a menos ausentes das urnas. Também houve redução dos votos brancos e nulos, que passaram de cerca de 493 mil para 328 mil. O aumento da participação eleitoral ampliou o universo de votos válidos, mas beneficiou principalmente Lula, que conquistou quase cinco vezes mais votos adicionais do que Flávio Bolsonaro.
O desempenho representa também uma vitória política para o governador Jerônimo Rodrigues, que mobilizou prefeitos, deputados e lideranças de sua base com o objetivo declarado de ampliar a vantagem do presidente na Bahia.
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