Sidney Oliveira, da Ultrafarma, e ex-auditor são acusados de organização criminosa pelo MP-SP
O MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) denunciou, nesta sexta-feira (15), 11 pessoas sob acusação de integrar uma organização criminosa para um esquema bilionário de manipulação de créditos de ICMS na Sefaz-SP (Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo). São empresários, executivos, doleiros e fiscais implicados na fraude.
Entre os denunciados estão Sidney Oliveira, fundador da Ultrafarma, e o ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, apontado pelos promotores como o principal articulador da estrutura que teria movimentado cerca de R$ 1 bilhão em propinas para liberar créditos tributários fraudulentos de ICMS a grandes empresas do varejo.
O Ministério Público pede a adoção de medidas cautelares contra o empresário, como uso de tornozeleira eletrônica, apreensão do passaporte, comparecimento mensal à Justiça e proibição de deixar a comarca onde reside. Se a acusação for aceita pela Justiça, os empresários viram réus no caso da fraude do ICMS.
As defesas do empresário e do ex-auditor fiscal foram procuradas às 6h30 por email.
Esta é a segunda denúncia criminal apresentada neste ano contra Oliveira no âmbito da Ícaro. Desde fevereiro, ele responde por crime de corrupção. Procurada à época, a defesa do empresário não se manifestou sobre essa acusação.
A denúncia foi apresentada no âmbito da Operação Ícaro, conduzida pelo Gedec (Grupo de Atuação Especial de Combate aos Delitos Econômicos).
Segundo os promotores, Sidney Oliveira integrava o núcleo empresarial da organização criminosa. Para os promotores, a atuação do empresário não foi pontual, mas uma adesão "estável e permanente" ao esquema entre 2021 e 2025, período em que, segundo a investigação, a Ultrafarma teria pago propinas para obter vantagens na liberação de créditos tributários de ICMS.
De acordo com o MP-SP, o dono da Ultrafarma era responsável por autorizar os pagamentos destinados aos auditores fiscais envolvidos no esquema e mantinha contato direto com Silva Neto. Em mensagens interceptadas pela investigação, o ex-auditor aparece identificado como "amigo" ou "king".
A Promotoria afirma ainda que o empresário coordenava a logística das entregas de dinheiro vivo por meio de uma assistente pessoal. Conversas extraídas de celulares mostram, segundo os investigadores, ordens diretas para separação e entrega de valores aos fiscais.
Nas mensagens, a propina era tratada pelo codinome "vinho". Em um dos diálogos citados na denúncia, de maio de 2024, após ser avisado de que o "amigo" precisava de recursos, Sidney teria autorizado a entrega de "50" —valor interpretado pelo MP-SP como referência a R$ 50 mil em espécie.
Segundo a investigação, os pagamentos costumavam ocorrer na própria sede administrativa da Ultrafarma, em Santa Isabel, na Grande São Paulo. Dados de geolocalização do celular de Silva Neto, analisados pelos investigadores, indicariam a presença frequente do ex-auditor no local nas datas mencionadas nas conversas.
Em um dos episódios citados na denúncia, Silva Neto teria recebido R$ 250 mil em espécie dentro da sede da Ultrafarma.
Preso temporariamente em agosto de 2025 na deflagração da Operação Ícaro, Oliveira foi solto dias depois e teve todas as medidas cautelares revogadas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, porque ainda não havia acusação formal apresentada contra ele naquele momento.
A nova denúncia amplia o alcance da investigação. Segundo os promotores, o grupo atuava dentro e fora da máquina pública, conectando auditores fiscais, consultorias tributárias, empresários e operadores financeiros especializados em lavagem de dinheiro.
De acordo com a investigação do Gedec, o articulador central do esquema de corrupção e da organização criminosa era Silva Neto, enquanto ocupava o cargo de supervisor fiscal da Diretoria de Fiscalização (Difis) na Sefaz-SP, que permitia que ele supervisionasse o deferimento de créditos tributários e a cessão desses créditos a terceiros. Ele foi exonerado em agosto do ano passado e segue preso preventivamente no interior de São Paulo. O MP-SP pede a manutenção da prisão preventiva.
A nova defesa do ex-fiscal nunca se manifestou sobre o tema à reportagem.
Silva Neto era o responsável por manter contato direto com as varejistas, apresentar as ofertas de serviços ilícitos e ajustar os valores das propinas. Além disso, ele gerenciava a alocação de demandas entre os demais auditores fiscais do grupo criminoso.
Segundo a denúncia, Silva Neto mantinha planilhas com a relação completa das empresas atendidas, identificando inspetores e agentes fiscais vinculados a cada caso. Ele próprio se referia aos demais denunciados como a "sua equipe", de acordo com documentos obtidos pela Ícaro.
Silva Neto utilizaria a empresa Smart Tax Consultoria e Auditoria Tributária Ltda., registrada em nome de sua mãe, Kimio Mizukami da Silva, como base operacional e financeira para recebimento e circulação das propinas.
A evolução patrimonial de Kimio é tratada pela Promotoria como um dos principais indícios de lavagem de dinheiro. Professora aposentada e sem atuação conhecida na área tributária, ela declarou patrimônio de R$ 411 mil em 2021. Dois anos depois, os bens vinculados a ela ultrapassavam R$ 2 bilhões.
O MP-SP sustenta que Kimio não era apenas uma "laranja" passiva, mas participava ativamente das movimentações financeiras e operações de lavagem de dinheiro sob orientação do filho. Os promotores pedem a adoção de medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e retenção de passaporte. A reportagem não localizou a defesa de Kimio.
Uma funcionária de Silva Neto, apontada como responsável por receber o material das varejistas e pagar parte das propinas, também foi denunciada.
Também foi denunciado o casal Celso Eder Gonzaga de Araújo e sua mulher, Tatiane da Conceição Lopes de Araújo, integravam o núcleo financeiro e de lavagem de dinheiro da organização criminosa. Os promotores descrevem o casal como "lavadores profissionais" a serviço do grupo liderado pelo ex-auditor
Diante do risco de fuga e da existência de ativos de fácil ocultação e transporte, como joias e criptomoedas, o MP-SP pediu a prisão preventiva do casal. No momento da denúncia, ambos já estavam em prisão domiciliar em razão de outras frentes da investigação. .
Segundo a denúncia, a organização era dividida em quatro núcleos: agentes públicos, técnico-operacional, empresarial e financeiro. Entre os denunciados estão também os auditores fiscais Marcelo de Almeida Gouveia, solto na última quarta-feira (13), e Alberto Toshio Murakami —considerado foragido nos Estados Unidos, vivendo em uma casa no Tennessee avaliada em R$ 7 milhões, segundo os investigadores. Sua prisão foi decretada e ele está na Difusão Vermelha da Interpol. O Ministério Público pede a decretação de nova prisão preventiva.
Segundo o MP-SP, ambos usavam cargos estratégicos na Sefaz-SP nos postos fiscais de Osasco e Butantã para facilitar a tramitação dos créditos tributários suspeitos. Há registro documental apresentado na denúncia de que Murakami acompanhou Silva Neto pessoalmente à sede da Ultrafarma para o recebimento de propina em dinheiro vivo.
Segundo a Promotoria, parte da estrutura continuou operando mesmo após a primeira fase da Operação Ícaro, em 2025. Em março deste ano, segundo os investigadores, a contadora Maria Hermínia de Jesus Santa Clara foi encontrada com computadores da Sefaz-SP e certificados digitais vinculados a auditores fiscais.
Ela está presa. A reportagem não localizou a defesa de Maria Hermínia.
A crise provocada pela Operação Ícaro também atingiu a estrutura interna da Secretaria da Fazenda paulista. Segundo a Sefaz-SP, estão em aberto 61 procedimentos administrativos para investigar envolvimento nas irregularidades citadas na Ícaro, entre eles 11 disciplinares em andamento, 37 apurações preliminares para investigar desvios de conduta e cinco processos estão em fase avançada e podem resultar em demissões.
No dia 29 do mês passado, a Sefaz-SP anunciou a demissão de cinco auditores fiscais envolvidos em irregularidades. A secretaria diz ainda que novas apurações podem ser instaladas conforme o avanço das investigações.
Além da Ultrafarma, aparecem na investigação empresas como a Fast Shop e a Rede 28, rede de postos de combustíveis. Apenas no caso da Fast Shop, o prejuízo estimado aos cofres paulistas chega a R$ 1,04 bilhão, segundo a Promotoria.
EMPRESAS CONFESSARAM PARTICIPAÇÃO NA FRAUDE
Em acordos firmados com o MP-SP para evitar ações penais, sócios-proprietários e um diretor da Fast Shop admitiram participação no esquema e se comprometeram a devolver R$ 100 milhões aos cofres públicos.
Em paralelo, na última segunda-feira (11), a varejista de eletrônicos foi condenada pelo governo de São Paulo a pagar R$ 1,04 bilhão por corrupção, fraude tributária do ICMS, a maior penalidade já aplicada no país com base na Lei Anticorrupção.
A Fast Shop está recorrendo da multa e, por meio de nota, diz que "o processo administrativo mencionado está em curso e que não há decisão definitiva sobre o caso".
A Rede 28 Postos de Combustíveis, que atua em São Paulo e no Paraná, também confessou ter participado do esquema, pagando mais de R$ 6,6 milhões em propinas para obter vantagens em créditos indevidos do ICMS. A rede firmou um acordo de não persecução penal com o MP, em 2025, no valor de R$ 5 milhões, para livrar os executivos da denúncia criminal.
Por Ana Paula Branco/Folhapress
Quem é Ricardo Magro, alvo de operação da Polícia Federal
O empresário Ricardo Magro, dono da refinaria Refit, no Rio, voltou a ser alvo de operação sobre fraudes no setor de combustíveis nesta sexta-feira (15). Magro vive em Miami e foi determinada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a inclusão de seu nome na lista vermelha da Interpol.
Na ação desta sexta, a PF (Polícia Federal) apura suspeitas de fraudes fiscais, ocultação patrimonial e inconsistências relacionadas à operação de refinaria. Em novembro de 2025, o Grupo Refit já havia entrado na mira de uma das maiores operações de combate à sonegação realizadas contra uma única empresa no setor, com a investigação de uma teia de pessoas físicas e empresas direta ou indiretamente ligadas aos negócios de Magro.
Em entrevista à Folha no início de setembro, logo após a megaoperação Carbono Oculto intensificar o combate ao crime organizado no setor de combustíveis, Magro declarou que trabalhava na legalidade e que é perseguido. Magro disse que não era sonegador contumaz, apenas tinha discussões sobre o pagamento de impostos com o Fisco.
O empresário conduz seus negócios a partir de Miami, nos Estados Unidos, onde fixou residência em 2016.
Na vida privada, Magro segue tradições africanas. É adepto da umbanda, jogou capoeira e, na cena musical, atua como o DJ de afro house Orgam —um anagrama de seu nome. Admira esportes e a cultura, por causa disso, a Refit já fez doação para escola de samba, parceria com o UFC e patrocínio oficial para a NFL no Brasil.
Na cidade praiana americana, Magro vive com conforto. A Folha teve acesso ao seu processo de separação. A discussão ocorreu entre 2019, quando ele saiu de casa, e 2021, com a assinatura de um acordo, mas dá uma ideia do padrão de vida no exterior.
A residência do casal era um imóvel com mais de 9.000 metros quadrados e o valor tributável, então, superava US$ 3,5 milhões (R$ 18,7 milhões em valores de hoje). Na época, a então esposa dirigia um Range Rover, e Magro, um Maserati.
Eles ainda precisaram discutir a partilha de um barco Azimut de 60 pés, marca de luxo italiana. O processo destacava que vários outros imóveis tinham sido adquiridos durante o casamento, em áreas nobres da Flórida, como Sunny Isles, Park Grove, Coconut Grove e Key Biscayne, uma linda ilha na região.
Quando saiu de casa, Magro se mudou para uma propriedade alugada. Pelo que a esposa contou no processo, antes de vencer o contrato de locação, ele alugou uma casa, também em Miami, que pertencia ao jogador americano de basquete LeBron James —uma mansão luxuosa com cozinha de chef, adega de sommelier, cinema personalizado e muitos outros recursos, que custava entre US$ 35 mil e US$ 40 mil (R$ 187 mil e R$ 213 mil) por mês.
Apesar de conhecido na cena carioca, Magro é nascido e criado em São Paulo. Ele conta que o pai foi dono da antiga rede de postos Tigrão, então da bandeira Esso, e que usava aquele macacão da marca. Diz que o negócio praticamente quebrou depois de a petroleira mudar o modelo e apostar em revendas menores. Entre 1997 e 2004, a família, então, passou a atuar na distribuição, quando sofreu novo revés, e decidiu se mudar para o Rio de Janeiro.
Não muito tempo depois, Magro inicia uma relação comercial com Manguinhos. Em 2008, adquiriu a refinaria, por R$ 7 milhões na época, quando estava à beira da falência. Dali para frente foi só controvérsia, com Magro imerso em discussões judiciais, tributárias e policiais.
Em 2012, por exemplo, o governo de Sergio Cabral chegou a decretar a desapropriação devido a denúncias de sonegação e inadimplência de impostos, forçando a interrupção das atividades.
Na política, é conhecido por transitar bem seja qual for a ideologia. No passado, era lembrado como alguém à esquerda. No final da década de 2000, o ex-secretário de Comunicação do PT e assessor da Casa Civil durante a gestão do ex-ministro José Dirceu, Marcelo Sereno, teve cargos em Manguinhos.
Agora, é associado à direita, por causa da proximidade com o senador Ciro Nogueira (Progressistas) e políticos do PL —especialmente no Rio de Janeiro—, mas nega conhecer a família Bolsonaro.
Em nota enviada em novembro, a Refit afirma que os débitos tributários apontados pela Secretaria da Fazenda de São Paulo são alvo de questionamento judicial, "exatamente como fazem inúmeras empresas brasileiras". Por isso, a empresa nega tentativa de ocultar receitas ou fraudar o recolhimento de tributos.
Por Alexa Salomão e Nicola Pamplona/Folhapress
Bicentenário da PMBA é celebrado com homenagens, medalhas e monumento histórico em Salvador
Com a participação do governador Jerônimo Rodrigues, solenidade homenageou civis e militares e destacou o legado da corporação
Em celebração ao bicentenário da Polícia Militar da Bahia (PMBA), o governador Jerônimo Rodrigues participou, na noite desta quinta-feira (14), da inauguração de um monumento histórico em homenagem à corporação. A obra, assinada pelo artista plástico baiano André Moreno, foi instalada em frente ao Quartel do Comando-Geral da PMBA, no Largo dos Aflitos, em Salvador.
A cerimônia também foi marcada pela entrega da Medalha Comemorativa pelos 200 anos de criação da PMBA. A honraria foi concedida a 132 personalidades civis e militares que contribuíram para a construção, fortalecimento e valorização da trajetória da instituição ao longo de dois séculos.
“Fiz questão de ir até cada uma e cada um dos homenageados, apertar as mãos, agradecer e reconhecer aqueles que estão na ativa e os que já passaram por essa missão, que não é fácil. A sociedade muitas vezes imagina que o policial não enfrenta problemas financeiros, familiares, emocionais ou de saúde. Mas vivem tudo isso e, ainda assim, permanecem prontos para servir e proteger”, destacou Jerônimo Rodrigues.
O secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner, ressaltou a relevância da homenagem para a segurança pública baiana. “A Polícia Militar é um patrimônio do povo baiano, presente de forma permanente nos 417 municípios. Além disso, desenvolve ações operacionais e preventivas, com policiamento ostensivo cada vez mais orientado pela inteligência e pela proximidade com a comunidade”, afirmou.
Já o comandante-geral da PMBA, coronel Antônio Magalhães, destacou o significado histórico da celebração e o compromisso da corporação com a modernização da atuação policial. “Nossa preocupação é estar cada vez mais preparados para prestar um serviço melhor à sociedade. Estamos investindo em tecnologia, qualificação e fortalecimento das operações, sempre buscando mais eficiência na segurança pública e melhores condições de atuação para a tropa”, ressaltou.
Repórter: Vagner Ferreira/GOVBA
Empresa que repassou dinheiro a filme de Bolsonaro é dona de fundos da rede do Master
A Entre Investimentos, empresa que teria sido utilizada por Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é cotista de sete fundos na rede do Banco Master. Ao todo, esses fundos têm R$ 2,9 bilhões em ativos.
Dois desses fundos são cotistas diretos do Hans II, central na teia fraudulenta do Master. As informações estão em documentos da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Conforme investigação da Polícia Federal, a Entre Investimentos e Participações funcionava como um braço operacional de Vorcaro, ajudando no repasse de recursos definidos pelo banqueiro.
Relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), referentes a transações feitas de 2022 a 2025, listam movimentações de recursos pela Entre com suspeitas de irregularidades.
Em nota, o grupo Entre afirmou que realiza suas operações em conformidade com as normas do setor financeiro. "A empresa reforça seu compromisso com a integridade, a transparência e o cumprimento da legislação vigente, permanecendo à disposição das autoridades competentes sempre que necessário."
A defesa de Vorcaro disse que não se manifestaria a respeito.
Os documentos do Coaf contêm comunicações feitas por bancos e outras instituições financeiras, obrigatórias por lei quando há montantes elevados ou indícios de irregularidades. O Coaf é um órgão federal responsável por prevenção e detecção de lavagem de dinheiro.
Um desses comunicados, descrito em relatório da Coaf, informa que a Entre tinha um capital social de R$ 17,4 milhões e faturamento de R$ 345,5 milhões. O comunicado aponta, então, "pontos de atenção".
Um desses pontos são "recebimentos expressivos" provenientes de fundos. Outro, a destinação de valores elevados a instituição financeira e distribuidora de combustíveis suspeitas de operações relacionadas à facção criminosa PCC, investigadas na Operação Carbono Oculto.
Houve ainda um envio "relevante" de recursos para casas lotéricas, no total de R$ 2,8 milhões, conforme o relatório do Coaf. A maneira como isso foi feito indica o uso de conta como um canal de passagem, segundo o documento.
As transações incluem a Super Empreendimentos e Participações, outro braço operacional de Vorcaro.
Já as operações com um fundo chamado Gold Style, gerido pela Reag, buscaram ocultar beneficiários e partes envolvidas, conforme comunicado ao Coaf. O fundo "concentrou transações de valores envolvidos" a empresas como a Entre Investimentos, segundo o relatório, que cita débitos de R$ 20 milhões.
A Reag foi decisiva na ciranda financeira organizada pelo Master para fraudes em carteiras de crédito, segundo a PF, e é investigada na Carbono Oculto. A unidade de administração foi liquidada pelo Banco Central em 15 de janeiro, menos de dois meses depois da liquidação do Master.
Entre e Master aparecem como titulares em um comunicado ao Coaf sobre transferências (de imóveis, cotas ou participações societárias) no valor de R$ 203,8 milhões, em agosto de 2024, mais um indicativo da relação entre as duas empresas.
O grupo Entre pertence a Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Próximo de Vorcaro, Mineiro foi alvo de busca e apreensão em janeiro na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes no Master.
A Entrepay Instituição de Pagamento teve sua liquidação decretada em 27 de março após um efeito dominó iniciado com a liquidação do Master, em novembro passado.
A empresa também mantinha um contrato de exclusividade com o Banco do Nordeste para o fornecimento de máquinas de cartão para os beneficiários do microcrédito produtivo da instituição financeira.
O contrato, iniciado em 2021, foi encerrado em março, depois que a Entre começou a atrasar o pagamento aos empresários.
Procurado, o Banco do Nordeste disse que acompanha, com prioridade e senso de responsabilidade institucional, os desdobramentos relacionados à Entrepay e os impactos reportados por clientes que realizaram transações com a empresa.
O banco disse que intensificou o contato com as bandeiras de cartão de crédito "com o objetivo de viabilizar soluções que assegurem a correta identificação dos valores devidos e a sua restituição integral aos clientes impactados". O banco acrescentou estar atuando de forma diligente, proativa e contínua na defesa dos clientes, levantando os casos reportados e adotando todas as medidas cabíveis.
A Entre tem ligações também com o Credcesta, um cartão de crédito consignado que surgiu a partir da privatização da Ebal, a estatal baiana responsável pela rede de supermercados Cesta do Povo, que operava com um cartão de compras.
A Entrepay foi sócia da Consiglog, umas das empresas que formam a rede do Credcesta. Além disso, um dos fundos dos quais a Entre é cotista, o Gardenia, é sócio via outro fundo, o Diamond, da PKL One. Ela é a detentora do Credcesta.
Por Lucas Marchesini, Vinicius Sassine e Thaísa Oliveira/Folhapress
PEC do fim da escala 6x1 vai alterar 3 pontos da Constituição e deve prever transição e punição a empresas
Jefferson Rudy/Arquivo/Agência Senado
O relatório da PEC (proposta de emenda à Constituição) pelo fim da escala 6x1 —seis dias de trabalho e um de descanso— vai alterar três pontos da Constituição Federal e deve prever um prazo de transição para alguns setores da economia, com punição para quem não cumprir o que for determinado.
As informações são do deputado Leo Prates (Republicanos-BA), relator da PEC na comissão especial da Câmara dos Deputados. A previsão é apresentar o relatório no dia 20 de maio. A votação na comissão está prevista para 26 de maio e, no plenário da casa, no dia 27.
Ainda não há a definição de quais segmentos teriam período de adaptação para implantação da nova escala nem qual seria o prazo, mas a ideia, segundo ele, é punir com o fim dessa transição a empresa que reduzir salários na implantação da escala 5x2 —cinco dias de trabalho e dois de descanso.
A PEC deverá propor redução da carga horária semanal de 44 horas para 40 horas sem diminuição de salário. A ideia é aprovar também um projeto de lei —o governo Lula já enviou uma proposta ao Congresso— com os detalhamentos para algumas categorias e para outras possibilidades de jornada.
"A ideia é ter uma PEC o mais enxuta possível, remetendo ao um PL para discussões, e o fortalecimento da convenção coletiva", disse Prates durante audiência pública em São Paulo nesta quinta-feira (14) para debater o fim da escala 6x1. O evento faz parte das audiências itinerantes para cumprir calendário obrigatório de aprovação de emenda constitucional.
O primeiro da Constituição a ser alterado pela PEC é o parágrafo 13 do artigo 7º. Onde se lê que a jornada é de 44 horas, será alterado para 40 horas.
A redação deve ficar da seguinte forma: "duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho".
"Lembrando que eu quero dizer que nós estamos tratando de diminuição do teto máximo e não de compressão de jornada. Quem tá abaixo de 40 continua com a sua jornada de trabalho", afirmou.
O outro ponto a ser mudado está no parágrafo 15 do mesmo artigo, que trata sobre o repouso semanal remunerado. Como o acordo é para aprovação da escala 5X2, onde se lê na Constituição que há o direito ao repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos, deverá haver a expressão "direito a dois repousos semanais remunerados, um deles preferencialmente aos domingos".
O terceiro ponto deve ser incluir um veto à redução de salário, com punição a quem descumprir. Segundo ele, caso seja estabelecida uma regra de transição para adaptação das empresas, aquelas que reduzirem salários em descumprimento da norma perderão o direito a qualquer benefício ou flexibilização previsto nesse período.
Embora afirme ser apenas um taquígrafo do presidente da comissão, deputado Alencar Santana (PT-SP), do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), Prates deixou claro que as ideias básicas já estão sendo delimitadas por ele. "Essas seriam as ideias básicas", disse.
Entenda o fim da escala 6x1
As mudanças na Constituição estavam sendo debatidas no Congresso por meio de duas PECs, a 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), e a 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que foram apensadas. Elas alteram parágrafo 13 do artigo 7º e focam em diretrizes gerais para todos os trabalhadores urbanos e rurais.
As duas reduzem a carga horária de 44 horas semanais para 36 horas semanais. A de Erika, redigida com o Movimento VAT (Vida Além do Trabalho), que trouxe o debate da escala para as redes sociais, institui a escala 4x3. Com acordo entre o governo e a Câmara, a jornada deve ser reduzida para 40 horas.
Já o projeto de lei ordinária do governo muda diretamente a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e diversas leis específicas (como as leis dos aeronautas, atletas, radialistas e empregados domésticos). Ele detalha regras para regimes especiais, como a jornada 12x36 (12 horas de trabalho e 36 de descanso), exigindo que a média das horas respeite as 40 semanais.
No ano passado, uma PEC do senador Paulo Paim (PT-RS) chegou a ser aprovada na CCJ do Senado, mas tende a ser engavetada.
Veja as principais diferenças entre as propostas pelo fim da escala 6x1
Jornada de trabalho e escala semanal
- PEC Erika Hilton: propõe redução de 44 para 36 horas semanais, com limite de oito horas de trabalho por dia. A jornada deverá ser de quatro dias por semana
- PEC Reginaldo Lopes: propõe jornada de trabalho de 36 horas semanais, com limite de oito horas por dia, mas sem determinar que deverão ser apenas quatro dias de trabalho e três de descanso
- Projeto do governo: limita a jornada de trabalho a 40 horas semanais, com escala 5x2 —cinco dias de trabalho e dois descanso—; o descanso remunerado deve ser aos sábados e domingos de preferência
- PEC Erika Hilton: não há redução de salário
- PEC Reginaldo Lopes: não há redução de salário
- Projeto do governo: não há redução nominal nem proporcional de salário, nem alteração dos pisos vigentes, mesmo em regime especial, avulso ou trabalho de tempo parcial
Salário
Escala 12x36
- PEC Erika Hilton: não trata diretamente
- PEC Reginaldo Lopes: não trata diretamente
- Projeto do governo: fica mantida a escala 12x36 (12 horas de trabalho por 36 horas de descanso), limitada da 40 horas semanais, com dois dias de descanso na semana, por meio de negociação coletiva
Compensação da jornada
- PEC Erika Hilton: não trata diretamente, mas diz que pode haver negociação coletiva tratando da compensação
- PEC Reginaldo Lopes: não trata diretamente, mas diz que pode haver negociação coletiva tratando da compensação
- Projeto do governo: deixa claro que os dois dias descanso preferenciais aos sábados e domingos são remunerados; com isso, conforme diz a CLT, deve haver folga compensatória ao trabalhador ou pagamento da hora extra em dobro; também diz que pode haver negociação coletiva tratando da compensação
Negociação coletiva
- PEC Erika Hilton: prevê que a negociação coletiva pode prever compensação de horários e determinar como será a redução da jornada
- PEC Reginaldo Lopes: prevê que acordo ou convenção coletiva de trabalho podem determinar a compensação de horários e como será a redução da jornada
- Projeto do governo: prevê que as negociações coletivas com regras diferentes para jornada, folgas e compensações seguem valendo. Trecho da lei diz que as escolhas dos dias de folga, por exemplo, respeitarão "as peculiaridades de cada atividade ou negociação coletiva de trabalho"
Categorias abrangidas
- PEC Erika Hilton: não aborda especificamente, mas vale para todos os trabalhadores
- PEC Reginaldo Lopes: não aborda especificamente, mas vale para todos os trabalhadores
- Projeto do governo: diz que a regra vale para todos os trabalhadores, incluindo comércio, domésticos, profissionais da área da saúde, aeronautas, atletas profissionais, radialistas e outros
Quando começará a valer
- PEC Erika Hilton: entra em vigor 360 dias após a data da publicação
- PEC Reginaldo Lopes: começaria a valer dez anos após a data de publicação
- Projeto do governo: entra em vigor na data de publicação
Tramitação
- PEC Erika Hilton: precisa ser aprovada em dois turnos, com 308 deputados e 49 senadores favoráveis em cada uma das votações; é promulgada pelo Congresso
- PEC Reginaldo Lopes: precisa ser aprovada em dois turnos, com 308 deputados e 49 senadores favoráveis em cada uma das votações; é promulgada pelo Congresso
- Projeto do governo: precisa ser aprovado em votação normal na Câmara e no Senado, por maioria simples (50% + um voto); é sancionado pelo presidente da República
Justificativas
- PEC Erika Hilton: enfatiza a saúde mental, o combate ao burnout e diz que pode haver criação de 6 milhões de empregos
- PEC Reginaldo Lopes: justifica a mudança como um motor para o consumo e produtividade, citando exemplos de países europeus com jornadas reduzidas
- Projeto do governo: foca na modernização da legislação trabalhista e na garantia de descanso ampliado para categorias específicas, como os comerciários, hoje os que têm a escala de trabalho com menos dias de descanso
Por Cristiane Gercina/Folhapress
Polícia Civil prende suspeito de tráfico de drogas ligado a organização criminosa em Itororó
Durante a ação, além de drogas, também foram apreendidos dois aparelhos celulares e uma motocicleta utilizada na distribuição dos ilícitos
Na quarta-feira (13), a Polícia Civil da Bahia, em uma operação conjunta envolvendo equipes das Delegacias Territoriais (DT/Itapetinga) e (DT/Itororó), realizou, em Itororó, a prisão em flagrante de um homem, de 22 anos, pelo crime de tráfico de drogas.
As equipes policiais iniciaram um trabalho de inteligência e monitoramento após denúncias anônimas indicarem que um suspeito, integrante de uma organização criminosa atuante no município, realizava a comercialização de entorpecentes na mesma rua da unidade policial.
Durante a vigilância estratégica, os policiais flagraram o momento em que o suspeito saía da residência para realizar uma entrega. Ao ser abordado, foram encontradas porções de cocaína e maconha.
Em continuidade às diligências, os policiais entraram na residência, com autorização da proprietária do imóvel, onde localizaram um prato com cocaína sendo fracionada, além de uma colher utilizada como medida padrão para as porções. Durante a ação, também foram apreendidos dois aparelhos celulares e uma motocicleta utilizada para a distribuição dos ilícitos.
Também estava no local a namorada do investigado, uma adolescente de 17 anos, que, ao perceber a chegada das equipes policiais, tentou descartar parte do material entorpecente no vaso sanitário. Ela chegou a confirmar a existência da droga no imóvel, foi encaminhada à unidade policial e liberada posteriormente. O homem foi conduzido à DT/Itororó, onde foi lavrado o auto de prisão em flagrante e adotadas as medidas legais cabíveis, permanecendo custodiado à disposição da Justiça.
Fonte: Thanize Borges / Ascom-PCBA
Suspeito de criar perfis falsos para aplicar golpes é preso em flagrante
Polícia Civil identificou esquema de extorsão envolvendo loja de joias em Riachão do Jacuípe
Um homem, de 23 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Civil, na quarta-feira (13), no bairro Caixa D’Água, em Riachão do Jacuípe. Conforme as apurações, ele é investigado por clonar perfis de redes sociais de uma loja de joias para aplicar golpes. A prisão ocorreu após denúncia registrada por um dos responsáveis pelo estabelecimento comercial.
De acordo com as investigações, o suspeito exigia pagamento para excluir os perfis falsos, configurando prática de extorsão. Após a denúncia, diligências foram realizadas para localizar o investigado, encontrado em uma residência no município.
No momento da abordagem, os policiais ligaram para o número utilizado na prática criminosa, e o celular do suspeito tocou. Em seguida, foi dada voz de prisão em flagrante.
A ação foi realizada pela Polícia Civil da Bahia, por meio da Delegacia Territorial (DT/Riachão do Jacuípe). O homem foi encaminhado à unidade policial, onde foram adotadas as medidas cabíveis, permanecendo à disposição da Justiça.
Fonte: Rose Amorim / Ascom-PCBA
Nova regra de Fachin sobre distribuição de processos no STF acirra atrito no tribunal
Presidente do Supremo restringiu petições feitas em casos já arquivados, em recado a Gilmar
O presidente do STF, ministro Edson Fachin
As novas regras do STF (Supremo Tribunal Federal) para distribuição de processos judiciais determinadas nesta semana pelo presidente da corte, ministro Edson Fachin, acirraram o atrito entre magistrados e são o capítulo mais recente da divisão interna do tribunal.
Em despacho assinado nesta segunda-feira (11), Fachin estabeleceu que petições feitas em casos já arquivados devem ser validadas pela presidência do STF antes de serem enviadas ao gabinete do ministro relator. A decisão foi entendida como um recado a Gilmar Mendes, que reagiu e cobrou de Fachin menos interrupções de julgamentos de grande impacto.
Em fevereiro, Gilmar deu decisão a favor da Maridt, empresa da família do ministro Dias Toffoli, no âmbito de um procedimento da CPI da Covid que estava engavetado havia três anos. O presidente do STF quis evitar que essa situação se repita, pois entende que esse tipo de polêmica desgasta ainda mais o tribunal em meio às repercussões do caso Master.
As novas diretrizes, assim como o código de conduta, fazem parte de um pacote de medidas adotado por ele para enfrentar a crise de imagem da corte. Para o grupo de Gilmar, porém, essa é mais uma atitude do presidente do STF para demonstrar à sociedade que defende uma agenda ética, mas ao custo de expor colegas e desunir o tribunal.
A avaliação é a de que, em um momento sensível, vulnerável e envolto por tensões, Fachin poderia ter submetido esse tema a um debate colegiado. Auxiliares do presidente do Supremo afirmam, por outro lado, que ele conversou com colegas antes de publicar a decisão.
Como reação imediata, Fachin foi cobrado por Gilmar sobre o número de vezes em que paralisou, por meio de pedidos de destaque do plenário virtual, julgamentos de relevância para a sociedade, como o da revisão da vida toda e o da exploração mineral em terras indígenas.
O magistrado disse ao presidente do STF, por meio de uma mensagem de WhatsApp, que esses entraves têm sido a marca da sua gestão, chegando a compará-los à tática de obstrução praticada pelo Senado norte-americano e conhecida como "filibuster". Fachin não respondeu.
Quando Gilmar suspendeu a quebra de sigilo da Maridt pela CPI do Crime Organizado, uma ala de ministros alinhada a Fachin o criticou em conversas de bastidores.
Esse grupo avaliou que houve violação ao princípio do juiz natural. É como se a empresa familiar de Toffoli tivesse burlado o sistema de sorteio do STF e escolhido o magistrado que analisaria seu pedido, para ter mais chances de um resultado favorável.
Na ocasião, o decano explicou que as temáticas eram semelhantes: comissões parlamentares de inquérito aprovando requerimentos desconectados do objeto da apuração, prática que o ministro já repudiou publicamente.
No caso da CPI da Covid, que investigava o impacto da desinformação nas mortes causadas pelo coronavírus, Gilmar restringiu o alcance das quebras de sigilo da produtora Brasil Paralelo. As providências haviam sido aprovadas sem um limite temporal.
Já em relação à CPI do Crime, o decano disse que a quebra de sigilo da Maridt se deu "em manifesto e incontornável descumprimento dos limites" da apuração parlamentar, que tinha como objetivo apurar o avanço das facções criminosas no Brasil.
Gilmar também disse a interlocutores que, se o pedido chegou ao seu gabinete nos autos de um processo arquivado, foi por ato da secretaria judiciária do Supremo, e que ele não poderia se furtar a examiná-lo —é o chamado "princípio da indeclinabilidade da jurisdição".
Nesta semana, porém, Fachin disse ser necessário prevenir "eventuais novos questionamentos concernentes à distribuição". Na sua decisão, ele cita resolução da corte destinada a "aprimorar a segurança, a transparência e a aleatoriedade do sistema".
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime, disse nas redes sociais que Fachin "reconheceu (com muito jeito) que a atuação de Gilmar Mendes no caso Maridt (o fundo da família Toffoli) não seguiu as regras processuais", ordenando a proibição de "novos malabarismos similares".
Vieira propôs o indiciamento de Gilmar, Toffoli e do ministro Alexandre de Moraes no relatório final da CPI, mas o documento acabou reprovado pela comissão. Ministros do STF viram um viés eleitoreiro na medida e um desvirtuamento do propósito da investigação parlamentar.
Por Luísa Martins/Folhapress
Museu Geológico da Bahia realiza exposição de minerais e rochas e 1º Encontro de Colecionadores da Bahia
Em celebração ao Dia do Geólogo, o Museu Geológico da Bahia (MGB) promoverá a Exposição de Minerais e Rochas com o tema "Cristais, Rochas e Tempo Geológico: a arte natural da Terra", com abertura programada para 30 de maio, às 13h, e encerramento dia 19 de setembro. Como parte da programação, será realizado o 1º Encontro de Colecionadores de Minerais da Bahia, no domingo (31), a partir das 10h.
O evento realizado pelo MGB, administrado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), em parceria com a Associação Baiana de Geologia (ABG), busca aproximar o público de amostras do patrimônio geológico estadual, além de fortalecer o diálogo entre pesquisadores, estudantes, colecionadores e entusiastas.
Ao longo do período expositivo, os visitantes terão acesso a atividades técnicas e educativas, como palestras, visitas guiadas, recursos visuais didáticos e ações de difusão científica. No sábado (30), a programação será aberta com palestra da economista da SDE, Ana Cristina Magalhães, às 14h, sobre o papel da Bahia no desenvolvimento da Mineração e o Setor em 2026. Em seguida, a palestrante Maísa Bastos, doutora em Geologia pela UFBA, destacará o papel do Serviço Geológico do Brasil na pesquisa de Recursos Minerais. A última palestra será sobre Geologia e Mercado de Pedras Coradas no Brasil, com André Klumb, professor do Departamento de Geologia da UFBA. Por fim, às 16h, haverá uma mesa redonda com a participação dos colecionadores Leonardo Mascarenhas, Rafael Daltro e Renato Andrade.
O evento visa ampliar a popularização do conhecimento geocientífico e valorização do patrimônio geológico da Bahia, reconhecido, nacional e internacionalmente, por sua diversidade mineralógica e relevância na mineração brasileira.
Venha expor sua coleção no MGB!
Durante o encontro, colecionadores de minerais e rochas de toda a Bahia poderão expor a sua coleção. Os interessados devem realizar a inscrição, entre 15 e 22 de maio, via formulário online disponível no link da BIO do Instagram @museugeologicodabahia. A participação é gratuita e a confirmação será enviada via e-mail pela organização do evento.
Na inscrição os colecionadores baianos devem anexar fotos, relatar uma breve história e as peças que compõem a sua coleção. Para inscrever-se, acesse o
Ascom/SDE
Ibirataia: Secretaria de Agricultura oferece análise de solo gratuita para produtores de cacau
Parceria com a CIMURC e o Governo do Estado fortalece a agricultura familiar e impulsiona a cadeia produtiva do cacau no município.
A Secretaria Municipal de Agricultura de Ibirataia iniciou uma importante parceria com a CIMURC, por meio do projeto estadual “Parceria Mais Forte”, com o objetivo de fortalecer a produção agrícola no município. A ação conta contou com a visita técnica da agrônoma Patrícia da CIMURC. A iniciativa busca ampliar a qualidade da produção e incentivar o desenvolvimento sustentável no campo.
De acordo com a secretária municipal de Agricultura, Lais Nascimento, a parceria representa um avanço significativo para os produtores locais, especialmente os que atuam na cadeia produtiva do cacau. “Esse trabalho é fundamental para orientar os agricultores sobre a qualidade do solo e melhorar a produtividade das lavouras. É uma oportunidade importante para fortalecer a agricultura familiar e valorizar o cacau produzido em nosso município”, destacou a gestora.
Os produtores interessados devem procurar a Secretaria de Agricultura para realizar a solicitação do serviço, que será disponibilizado de forma gratuita. A gestão municipal reforça que as vagas são limitadas e o atendimento será realizado conforme a demanda e cronograma técnico da equipe responsável. A ação reafirma o compromisso da administração municipal com o fortalecimento da agricultura e o apoio ao homem do campo.
PRF apreende 8,3 toneladas de maconha em Naviraí (MS)
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 8.310 quilos de maconha, nesta quinta-feira (14), em Naviraí (MS).
Os policiais fiscalizavam na BR-163, quando abordaram um caminhão. Durante a entrevista, os policiais notaram que o motorista apresentava nervosismo quando questionado sobre a viagem.
Foi realizada uma vistoria no compartimento de carga do veículo e encontrada grande quantidade de maconha, totalizando 8.268 quilos de maconha e 41 quilos de haxixe. O motorista disse ter pego a droga em Amambai (MS) mas não sabia o destino do ilícito.
A ocorrência foi encaminhada à Polícia Civil em Naviraí (MS).
Justiça e Segurança
Xi ofereceu auxílio para reabrir Hormuz e negou ajuda militar para o Irã, diz Trump após encontro
Falas do americano, não confirmadas por Pequim, vão além do comunicado oficial da Casa Branca sobre o encontro
Os presidentes Donald Trump (EUA) e Xi Jinping (China)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (14) que o presidente Xi Jinping ofereceu ajuda da China para abrir o estreito de Hormuz e prometeu não enviar equipamentos militares para auxiliar o Irã em sua guerra contra os EUA e Israel.
"Ele gostaria de ver o estreito de Hormuz aberto e disse: 'Se eu puder ajudar de alguma forma, gostaria de ajudar'", acrescentou. "Ele disse que não vai fornecer equipamentos militares... ele disse isso enfaticamente", declarou Trump ao programa "Hannity" da Fox News, após o encontro entre os dois líderes em Pequim.
As falas de Trump —não confirmadas por Pequim— vão além do comunicado oficial da Casa Branca, que afirmou que o americano e Xi concordaram que o estreito de Hormuz, uma das principais rotas de petróleo do mundo, deve permanecer aberto e que o Irã não deve ter posse de armas nucleares.
Ainda durante o encontro desta quinta, o chinês fez questão de reiterar que a relação entre os países deve ser baseada em ganhos mútuos e que, se a questão Taiwan for lidada por Washington de forma inadequada, haverá conflitos.
Os mandatários se encontraram em Pequim para reunião bilateral e outros compromissos oficiais da visita de Estado do americano à capital chinesa.
Em seguida, visitaram o Templo do Céu, um cartão-postal da cidade, que tem simbolismo especial em visitas de Estado por ser conhecido como o local onde imperadores pediam a bênção dos deuses para boas colheitas. Os líderes também jantaram juntos em um banquete de Estado, momento em que Trump convidou Xi para visitar Washington em setembro.
O dia começou uma recepção amigável, marcada por risos e pequenos cochichos entre os líderes. Em pronunciamento na abertura da reunião bilateral, Trump afirmou que os países terão um futuro fantástico juntos.
"Nós construímos uma relação fantástica. Nós nos demos bem. Quando houve dificuldades, nós as resolvemos. Eu ligava para você, e você ligava para mim, e sempre que tínhamos um problema —as pessoas não sabem disso—, nós o resolvíamos muito rapidamente", disse o americano.
Uma das principais falas de Xi veio depois, durante a reunião de portas fechadas, que durou cerca de duas horas e 15 minutos. Segundo a imprensa estatal Xinhua, o líder teria repetido a Trump que a questão Taiwan é a mais importante nas relações entre as nações.
O chinês teria dito que "se mal administrada, os dois países entrarão em conflito, levando toda a relação China-EUA a uma situação muito perigosa". "A independência de Taiwan e a paz no estreito de Taiwan são incompatíveis. Manter a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan é o maior denominador comum entre a China e os EUA", afirmou, segundo a Xinhua.
A fórmula é a mesma que sua diplomacia usou nos dias que antecederam a visita. O chanceler chinês, Wang Yi, por exemplo, afirmou ao secretário de Estado, Marco Rubio, que o ponto é o mais sensível das trocas bilaterais.
Por Folhapress
Liminar suspende pagamento a artistas pela Prefeitura de Formosa do Rio Preto
O conselheiro Nelson Pellegrino, vice-presidente do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia, expediu medida cautelar determinando à Prefeitura de Formosa do Rio Preto que se abstenha de realizar quaisquer pagamentos aos artistas contratados para se apresentar na 40ª Vaquejada, programa para os 28 a 31 de maio, que superem o valor médio pagos aos mesmos artistas nos festejos juninos de 2025 – corrigidos pela variação inflacionária. A decisão foi publicada na edição desta quinta-feira (14/05) do Diário Oficial do TCM.
A representação contra a Prefeitura de Formosa do Rio Preto foi apresentada ao TCM pelo Ministério Público da Bahia, por supostas irregularidades, com pedido de liminar para sustar os pagamentos. O prefeito Manoel Afonso de Araújo pretendia gastar mais de R$4 milhões em atrações artísticas, e para isso celebrou sete contratos com o mesmo número de empresas, todos resultados de processos fruto de inexigibilidades de licitação.
As empresas contratadas foram a “Nil Music” (R$800 mil); a “Rey Vaqueiro Produções Artísticas” (R$450 mil); a “Zade Shows Gravações e Edições Musicais” (R$300 mil); a “Felipe Amorim & Cia Produções Artísticas” (R$500 mil); a “Túlio Duarte Shows” (R$75 mil); a “Sustenido Produções” (R$150 mil); e a “AM Produções Artísticas” (R$260 mil).
Segundo o MP, adotando-se como parâmetro a média dos valores cobrados pelos mesmos artistas em 2025 em shows no estado durante o São João, os pagamentos previstos dos cachês foram majorados em percentuais bem superiores à média da inflação acumulada no período. Em alguns casos em mais de 60%. Além disso, os gastos previstos para o evento este ano são 51% superiores ao dispêndio com a festa no passado.
Os promotores de justiça destacam ainda, na representação que, o expressivo valor envolvido na promoção da vaquejada, prejudica a adequada prestação de serviço à população pela prefeitura, e não garante retorno aos cofres municipais. Lembrou que o MP, o TCM, o TCE e outros órgãos de controle emitiram uma nota técnica recomendando aos prefeitos que observassem alguns parâmetros para tais contratações, para evitar gastos excessivos com atrações musicais.
O conselheiro Nelson Pellegrino, em sua decisão monocrática, determinou à prefeitura, a suspensão dos pagamentos a maior, em relação aos valores devidamente corrigidos, pagos aos artistas pelas apresentações no ano passado – até o julgamento do mérito da denúncia apresentada pelo MP. E mandou notificar o prefeito Manoel Afonso de Araújo e as empresas envolvidas para que tomem conhecimento da decisão e apresentem defesa que entenderem cabíveis, no prazo de 20 dias.
Formosa do Rio Preto fica no Oeste da Bahia, no coração do Matopiba, região que mais produz grãos no Nordeste, e é o maior município do estado em área territorial (15.634 km²). Localizada a cerca de 1.000 km de Salvador, a cidade de aproximadamente 25 mil habitantes destaca-se pelo agronegócio, com foco em soja, milho e algodão, além de forte pecuária.
Novo diz que vídeo de Zema contra Flávio mostra que ele não é linha auxiliar do bolsonarismo
Avaliação da equipe do pré-candidato é que ele seria acusado de hipocrisia se silenciasse sobre mensagens do senador com Vorcaro
O vídeo de Romeu Zema (Novo-MG) com ataques a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a divulgação do áudio com Daniel Vorcaro passou pela cúpula do partido Novo.
O entendimento da equipe de Zema é que ele não poderia ignorar o fato uma semana depois de ter criticado o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo de nova fase da operação Compliance Zero. Ou seria taxado de hipócrita.
Segundo um membro da campanha, "a candidatura teria acabado ontem se ele não tivesse gravado o vídeo".
A postura de Zema irritou alguns integrantes do partido, que agora está rachado. Os diretórios do Paraná e Santa Catarina divulgaram notas chamando a fala de precipitada e desnecessária.
Mas aliados do pré-candidato à Presidência afirmam que os que repudiaram a atitude dele são mais ligados ao bolsonarismo e nunca quiseram Zema como candidato.
A avaliação da equipe do presidenciável é que ele precisava se posicionar para deixar claro que não é uma linha auxiliar do bolsonarismo.
Auxiliares de Zema dizem que o vídeo vai na mesma linha de discursos duros que ele tem feito contra o que chama de "intocáveis". Zema não tem poupado ataques também a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) com algum envolvimento no caso Master.
Aliados de Zema dizem que o recado foi dado: a candidatura à Presidência não tem mais volta e o vídeo confirmou que ele não cogitava ser eventual vice de Flávio Bolsonaro (PL).
O presidenciável diz que sabia dos riscos que corria e já contava com ataques de bolsonaristas nas redes, mas entendeu que era preciso bancar a posição se quisesse mesmo sair candidato.
Por Gabriela Echenique/Fábio Zanini/Folhapress
'Nas eleições, as pessoas têm que votar em alguma coisa de verdade, de carne e osso', diz Lula em Camaçari
O presidente Lula (PT) esteve na manhã desta quinta-feira (14) em Camaçari
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira (14), em Camaçari, que a inteligência artificial deveria ficar de fora da política nas eleições deste ano. Ele apontou as maravilhas da tecnologia para áreas como a ciência, mas condenou o uso na campanha eleitoral.
"O que é a inteligência artificial? É a maior evolução desse mundo digital. Posso colocar a cara de (Jaques) Wagner (PT), a voz dele, e não ser ele. Mas será? Inteligência artificial ajuda muito na saúde, na educação, na ciência e na tecnologia. Ela tem uma importância muito grande. Mas na eleição, será que é necessária? Na eleição as pessoas têm que votar numa coisa verdadeira, de carne e osso. Não pode votar numa mentira", discursou o presidente.
Lula foi a Camaçari para entregar, nesta manhã, unidades do programa Minha Casa, Minha Vida. Ele estava ao lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT), dos senadores Jaques Wagner e Otto Alencar (PSD), do ex-ministro Rui Costa (PT) e do prefeito da cidade, Luiz Caetano (PT), entre outras autoridades federais e do governo baiano.
"Você escolheria um padrinho para seu filho pela inteligência artificial? Ou vai dar a pessoa inteligente a honesta. Isso vai servir aos mentirosos. E a política é o templo da verdade", acrescentou. O presidente disse que, se quisesse, poderia fazer 27 "Lulas" para fazer eventos simultaneamente nos 27 estados da federação.
Durante sua fala, Lula falou também sobre a defesa das mulheres e da educação.
Por Política Livre
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