Ibirataia: SEDESC realiza blitz de conscientização contra o abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes

Ação promovida pela Secretaria de Desenvolvimento Social mobilizou autoridades, equipes municipais e comunidade em defesa da proteção infantil


A Prefeitura Municipal de Ibirataia, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Cidadania, realizou nesta segunda-feira, 18 de maio, uma blitz educativa em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A mobilização aconteceu na sede do município e no Distrito de Algodão, reunindo servidores, autoridades municipais e representantes do Conselho Tutelar em uma importante ação de conscientização e prevenção.
A iniciativa contou com a presença da secretária de Desenvolvimento Social e Cidadania, Luanna Figueiredo, da equipe da SEDESC, do prefeito Sandro Futuca, além de secretários municipais, vereadores e membros da rede de proteção à criança e ao adolescente. Durante a ação, foram distribuídos materiais informativos e realizadas orientações à população sobre a importância da denúncia e do enfrentamento à violência infantil. O objetivo foi fortalecer a conscientização social e incentivar a proteção dos direitos das crianças e adolescentes.
A secretária Luanna Figueiredo destacou a importância da mobilização para fortalecer a rede de proteção no município. “Precisamos unir forças para combater qualquer tipo de violência contra nossas crianças e adolescentes. A informação e a conscientização são fundamentais nesse processo”, afirmou.
O prefeito Sandro Futuca também ressaltou o compromisso da gestão municipal com a causa. “Nossa administração continuará apoiando ações que promovam segurança, dignidade e proteção às nossas crianças e adolescentes”, declarou. Fonte: Ascom/Prefeitura de Ibirataia

 


Ibirataia: Agricultores conquistam investimentos na agricultura familiar com aprovação de novos projetos do PAA


A prefeitura de Ibirataia avança no fortalecimento da agricultura familiar e no combate à insegurança alimentar no município. Por meio de uma ação integrada entre a Secretaria de Agricultura e a Secretaria de Desenvolvimento Social, o município foi aprovado em um projeto do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), executado pelo Governo Federal através da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A proposta contempla a associações da comunidade de Cachoeirinha (Algodão), com investimentos destinados diretamente ao fortalecimento da produção rural local. Os recursos poderão passar por reajustes, ampliando ainda mais os impactos positivos do programa nas comunidades rurais.

A Secretaria de Agricultura atua diretamente no acompanhamento dos produtores, no suporte técnico e na articulação das associações rurais, garantindo que os agricultores familiares tenham acesso às políticas públicas de incentivo à produção e geração de renda.

Já a Secretaria de Desenvolvimento Social é responsável pela distribuição dos alimentos adquiridos através do programa, assegurando que os produtos cheguem às famílias em situação de vulnerabilidade social atendidas pela rede socioassistencial do município.

Executado pela Conab em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Programa de Aquisição de Alimentos foi reinstituído pela Lei nº 14.628/2023 e regulamentado pelo Decreto nº 11.802/2023, tendo como principal objetivo fortalecer a agricultura familiar e promover o acesso à alimentação saudável.

Através da modalidade Compra com Doação Simultânea (CDS), o programa garante a compra de alimentos produzidos pela agricultura familiar e a distribuição às unidades recebedoras e famílias em situação de insegurança alimentar e nutricional. A iniciativa promove inclusão econômica e social, incentiva a produção sustentável, fortalece o desenvolvimento rural e contribui diretamente para a redução do êxodo rural.

O resultado alcançado por Ibirataia é fruto da parceria entre a prefeitura e o governo federal, além do empenho técnico na elaboração dos projetos. O município também destacou a dedicação do consultor técnico e projetista Maurício Pereira, que teve papel fundamental na construção e aprovação das propostas junto à Conab.
Fonte: Ascom/Prefeitura de Ibirataia.

Agronegócio negocia linha de crédito para renegociar R$ 180 bi em dívidas


A bancada do agronegócio negocia com o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma linha especial para renegociar R$ 180 bilhões em dívidas dos produtores rurais. A fonte de recursos pode incluir sobras do Plano Safra, dinheiro do Fundo Social do pré-sal, superávit de outros fundos administrados e operações protegidas pelo FGI (Fundo Garantidor para Investimentos).

O martelo será batido nesta semana, com a possibilidade de votação do pacote no Senado. O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator de um projeto de lei na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos), definiu em seu relatório uma série de fontes que poderão abastecer essa linha de financiamento.

Nas últimas semanas, ele e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) estiveram duas vezes com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e técnicos da pasta para fechar um pacote.

A expectativa do agronegócio é que a renegociação de dívidas saia antes do lançamento do novo Plano Safra, previsto para junho. O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, disse em abril que os recursos previstos no plano deverão ser recorde e com taxas de juros que viabilizem o acesso dos produtores. O atual, lançado em 2025, foi de R$ 516,2 bilhões.

O governo vinha tentando evitar o uso de R$ 30 bilhões do fundo do pré-sal e colocou à mesa R$ 82 bilhões que sobraram do atual Plano Safra. Calheiros manteve a previsão de uso do Fundo Social em seu relatório, tirou o limite de R$ 30 bilhões, e incluiu a possibilidade de a linha de financiamento para o agro acessar os superávits de outros fundos administrados pela Fazenda, além de fundos constitucionais como do Norte (FNO) e do Centro-Oeste (FGO).

A principal solução defendida pelo agronegócio é a que inclui o FGI como lastro para as renegociações. A viabilidade da proposta depende de o governo aceitar aumentar sua participação no FGI em R$ 20 bilhões.

"A gente conhece a dificuldade do governo, que é o [resultado] primário, ele tem um teto [de gastos], mas o governo tem que fazer alguma coisa", disse a senadora Tereza Cristina, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária.

"Se ele coloca R$ 20 bilhões nesse fundo para atender renegociação de dívidas, esse valor a gente alavanca de sete até dez vezes", afirmou. Nas contas da senadora, se o governo aumentar sua participação no fundo, o volume de recursos negociados pelos bancos privados poderia chegar a até R$ 200 bilhões.

O valor é superior ao que o agro calcula precisar de imediato e, por isso, é visto como uma resposta ideal pelo setor, pois serviria como solução de longo prazo, mirando também problemas futuros.

Pelos cálculos apresentados pela senadora, de uma carteira de empréstimos total ao redor de R$ 880 bilhões, R$ 170 bilhões são de créditos "estressados", que já venceram ou estão prestes a vencer. O pacote teria como alvo justamente essas dívidas de difícil pagamento.

Os R$ 82 bilhões que a Fazenda propôs são "um valor interessante", na avaliação de Tereza Cristina. O problema, segundo ela, é que a maioria dos produtores rurais hoje não teria condições de acessar esse valor. Inadimplentes, eles ficariam fora das linhas de crédito rural.

Estimativa do setor é que apenas um terço dos produtores rurais endividados estão devendo para bancos. Segundo a vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, dois terços das dívidas estão fora do sistema bancário, como contas atrasadas com revendas e com fundos.

O governo ainda não sinalizou se aceita o arranjo.

Renan Calheiros vinha indicando que, se não houvesse acordo com a Fazenda, fecharia uma proposta com diversas possibilidades de financiamento para a renegociação e que, depois, o governo poderia avaliar até a possibilidade de veto.

O relatório apresentado na CAE partiu de um projeto de lei aprovado na Câmara em 2025, que liberava R$ 30 bilhões das receitas do Fundo Social do Pré-Sal. Hoje, o setor já vê essa cifra como muito baixa, além de estar limitada às perdas com questões climáticas.

A proposta de Calheiros também estende a participação na linha de financiamento às operações contratadas até 31 de dezembro de 2025, que já estejam vencidas ou em vias de vencer.

Outros pontos, como o prazo de pagamento em dez anos com três anos de carência e as taxas de juros de 3,5% a 7,5% foram mantidos como aprovados na Câmara. Se o projeto for aprovado na CAE do Senado, deve seguir para o plenário no dia seguinte e, depois, volta à Câmara para nova votação.
Por Fernanda Brigatti/Folhapress

Consignados: INSS passa a exigir biometria facial a partir desta terça

Novas exigências de segurança para empréstimos consignados de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começam a valer a partir desta terça-feira (19). Aposentados e pensionistas que solicitarem esse tipo de crédito terão que validar a operação por biometria facial, pelo aplicativo ou site Meu INSS.

Os empréstimos consignados são valores descontados diretamente do benefício. A "anuência biométrica" está prevista na Lei nº 15.327/2026, que teve o objetivo de aumentar a segurança dos cidadãos. A nova lei proíbe a contratação de consignado por telefone ou por procuração de terceiros.

Veja o que muda

1) A partir de agora, o beneficiário, quando solicitar o consignado, receberá a proposta no aplicativo Meu INSS com o status "pendente de confirmação".

2) A pessoa terá até cinco dias corridos para confirmar a operação por reconhecimento facial. Se o procedimento não for realizado dentro do prazo, o contrato é automaticamente cancelado.

3) Os beneficiários poderão ter mais tempo para pagar os empréstimos. O prazo aumentou de 96 meses para o limite de 108 parcelas (9 anos).

4) Depois de acertado o crédito, a pessoa pode começar a pagar depois de até três meses.

Por Luiz Claudio Ferreira/Agência Brasil

PF desmonta núcleo do tráfico internacional de drogas que atuava nos portos de Santa Catarina

Operação resulta em 18 prisões preventivas, 31 buscas, além do pedido de sequestro de bens e bloqueios bancários no valor de até R$ 646 milhões.

Florianópolis/SC. A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (19/5), a Operação Tirocinium, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa dedicada ao tráfico transnacional de drogas, especialmente cloridrato de cocaína, e à lavagem de capitais.

Estão sendo realizadas 18 prisões preventivas, 31 buscas e apreensões, além de quatro medidas cautelares de monitoramento eletrônico.

A operação também atinge o núcleo financeiro da organização criminosa, com o pedido de sequestro de 36 imóveis, apreensão de dezenas de veículos e bloqueio de contas bancárias de 35 investigados, até o valor total de R$ 646 milhões.

Deflagração simultânea

A deflagração acontece simultaneamente em dez municípios catarinenses: Joinville, São Francisco do Sul, Araquari, Balneário Camboriú, Itajaí, Tijucas, Barra Velha, Garuva, Jaraguá do Sul e Imbituba, além das cidades de São José dos Pinhais/PR e Uberaba/MG.

A operação é resultado de investigações iniciadas em 2023, a partir de sucessivos flagrantes realizados em áreas portuárias de Santa Catarina, que permitiram identificar uma estrutura criminosa altamente organizada e com atuação internacional.

Ao longo das apurações, a Polícia Federal apreendeu cerca de 4,6 toneladas de cocaína, além de efetuar sete prisões em flagrante. Também foram apreendidos fuzis, pistolas, granadas, grande quantidade de munições e até uma metralhadora calibre .50.

Tráfico internacional

As investigações revelaram que o grupo criminoso utilizava a logística dos portos de Navegantes, Itapoá e Imbituba para exportar grandes carregamentos de drogas com destino à Europa e à África.

Entre os métodos identificados, destacam-se o emprego de mergulhadores profissionais, responsáveis por ocultar o entorpecente nos cascos dos navios, e a inserção de drogas escondidas em meio a cargas lícitas, como paletes de madeira e sacos de alimentos.

Lavagem de dinheiro

Foi identificado ainda um esquema de lavagem de dinheiro, utilizando empresas de fachada, interpostas pessoas e operações comerciais fictícias para reinserir no sistema financeiro valores provenientes do tráfico. Só nos últimos quatro anos, foram movimentados mais de meio bilhão de reais.

As medidas patrimoniais adotadas buscam interromper a capacidade operacional do grupo criminoso e impedir o financiamento de novas atividades ilícitas.

Os presos desta manhã estão sendo encaminhados ao sistema prisional, onde permanecem à disposição da Justiça Federal em Itajaí/SC.

As investigações continuam com a análise do material apreendido, a fim de identificar outros envolvidos, aprofundar a extensão das atividades criminosas e consolidar as provas para a devida responsabilização penal dos investigados.

Comunicação Social da Polícia Federal em Santa Catarina  

PF combate tráfico internacional de armas

São cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária no Triângulo Mineiro
Uberlândia/MG - A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (19/5), a Operação Scutum 3, com o objetivo de reprimir a ação de grupo criminoso especializado no tráfico internacional e comércio de arma de fogo e munições de alta capacidade lesiva.

Após análises dos materiais da 1ª e 2ª fases da operação, identificou-se um núcleo criminoso instalado em Uberlândia/MG, que contava com um indivíduo responsável pela guarda do armamento e das munições, e outro indivíduo, ex-militar, incumbido de testar as armas de fogo da organização em um clube de tiro onde é funcionário.

No decorrer das investigações, apurou-se que o grupo criminoso era responsável por trazer armas de fogo do Paraguai para a região do Triângulo Mineiro e Goiás. Os armamentos eram revendidos posteriormente para indivíduos de outros estados, como Rio de Janeiro e Bahia.

A Justiça deferiu ordem de bloqueio de bens e valores da ordem de até R$ 66 milhões. O grupo criminoso promovia a lavagem dos valores ilícitos adquiridos ao longo dos anos.

Os investigados poderão responder pelos crimes formação de organização criminosa, comércio de ilegal de arma de fogo, tráfico internacional de arma de fogo de uso restrito ou proibido, bem como lavagem de capitais.

Comunicação Social da Polícia Federal em Uberlândia

Adolescente é apreendida por agressões e ameaças contra avó em Euclides da Cunha


Uma adolescente, de 16 anos, foi apreendida em flagrante por atos infracionais análogos aos crimes de lesão corporal, ameaça e dano, no contexto de violência doméstica contra a avó, de 62 anos, na noite de domingo (17), no distrito de Caimbé, zona rural de Euclides da Cunha.

Segundo informações da 1ª Delegacia Territorial (DT/Euclides da Cunha), a idosa procurou a unidade policial para relatar que vinha sendo reiteradamente agredida pela neta. De acordo com o relato, ela sofria agressões físicas, psicológicas e ameaças com o uso de uma faca. A suspeita também teria quebrado o aparelho celular da vítima e a impedido de sair da residência durante parte do dia.

A vítima apresentava diversas lesões aparentes pelo corpo e foi encaminhada ao Departamento de Polícia Técnica (DPT) para realização de exame pericial, que constatou hematomas compatíveis com agressões contundentes.

Diante dos fatos, policiais civis realizaram diligências e localizaram a adolescente em um evento festivo no povoado de Jurema, na zona rural do município. Ela foi conduzida à unidade policial, onde confessou ter praticado as agressões contra a avó. Um auto de apreensão em flagrante de ato infracional foi lavrado contra a adolescente, que segue apreendida à disposição do Poder Judiciário.

A autoridade policial representou pela concessão de medidas protetivas de urgência em favor da vítima, incluindo o afastamento da agressora do lar e a proibição de aproximação e contato.
Fonte
Guilherme Santos / Ascom-PCBA

Investigadores querem que Vorcaro devolva R$ 60 bi desviados sob risco de delação ser rejeitada

Investigadores que apuram o caso do Banco Master afirmam que Daniel Vorcaro terá que devolver, em um curto período, cerca de R$ 60 bilhões que causou em prejuízos, sob o risco de o ex-banqueiro ter sua proposta de delação premiada recusada.

Vorcaro propôs às autoridades, segundo pessoas que acompanham as apurações, a devolução de cerca de R$ 40 bilhões em dez anos. Tanto o valor como o prazo desagradaram os integrantes da Polícia Federal, da PGR (Procuradoria-Geral da República) e do STF (Supremo Tribunal Federal).

Uma parte das autoridades aponta que o valor do dano é irredutível porque a legislação não permite que o prejuízo seja negociável, ao contrário dos Estados Unidos, por exemplo, onde há essa possibilidade.

Além disso, a entrega dos valores em um prazo alongado é vista de forma negativa diante do precedente de acordos com empreiteiras da Operação Lava Jato e com a J&F, dos irmãos Batista.

Depois desses acordos terem sido fechados, as empresas passaram a questionar as quantias negociadas ou trabalharam para reduzir ou suspender os pagamentos na Justiça. Alguns delatores também tiveram as provas decorrentes de suas colaborações anuladas, inclusive pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

O ministro André Mendonça chegou a afirmar a advogados de Vorcaro que era contra o prazo de 10 anos proposto pelo banqueiro e indicou que, nesse cenário, prefere até que haja a devolução de um valor inferior aos R$ 60 bilhões, desde que seja num prazo mais curto.

Outro problema que preocupa autoridades é que, ao contrário das outras empresas que fizeram grandes acordos, o Master foi liquidado. Ou seja, Vorcaro não tem mais uma fonte de entrada de recursos que banque esses pagamentos nos próximos anos.

Para demonstrar boa-fé, ele teria que indicar exatamente onde tem dinheiro —em paraísos fiscais, fundos, bens como imóveis e aviões, ou obras de arte, por exemplo— e como pretende devolvê-lo.

Vorcaro é considerado o líder do esquema investigado, e por isso as autoridades consideram que os termos aplicados a ele na negociação devem ser rígidos. Os custos da quebra do Master superam os R$ 57 bilhões até o momento, segundo dados divulgados.

Somente os recursos que terão de ser ressarcidos aos clientes pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), mantido com recursos dos bancos, são estimados em R$ 51,8 bilhões.

O valor exato da perda total ainda é desconhecido.

A delação de Daniel Vorcaro é negociada com a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a Polícia Federal. Os anexos da delação foram entregues pela defesa aos dois órgãos no último dia 6 e ainda serão analisados.

A entrega desse conteúdo, que detalha episódios diferentes de irregularidades cometidas pelo ex-banqueiro e por outras pessoas, precede a discussão sobre os benefícios da colaboração e a devolução de recursos.

Procurada pela reportagem sobre o posicionamento dos investigadores a respeito da devolução dos recursos, a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou.

A restituição dos valores dos danos é apenas um dos entraves que podem afetar a negociação para a assinatura da colaboração premiada.

Outro problema é a visão de autoridades de que, até agora, os fatos listados nos anexos da delação são fracos e não apontam irregularidades que vão além do material que a PF tem em mãos para conduzir suas próprias investigações.

Como a Folha mostrou, a sequência de novas fases da operação Compliance Zero, que mira o Master, é vista por autoridades como uma pressão extra para que a delação apresente novos e robustos fatos para ser validada pelo Supremo.

Na visão dessas pessoas, as novas fases mostram que a PF tem conseguido avançar bem nas apurações sem depender de acordos de colaboração. Além disso, há mais envolvidos no caso dispostos a negociar e colaborar com as investigações, como Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também preso —ele trocou sua equipe de defesa e mira conseguir fechar um acordo.

Um dos empecilhos que Vorcaro irá encontrar para emplacar a sua delação é a de uma restrição maior, especialmente da PGR, para fazer esses acordos.

O entendimento interno é de que os fatos que têm que ser relatados devem ser mais precisos e com mais provas do que as delações feitas na Lava Jato.

Além disso, descartam fechar uma delação como a de Mauro Cid, que foi ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e colaborou nas ações da trama golpista.

Os investigadores consideram que Cid trouxe pouca informação nova ao material que já existia nas provas obtidas anteriormente, por meio de buscas e apreensões.

De acordo com esses investigadores, se Vorcaro apresentar apenas contexto sobre episódios já conhecidos pelas autoridades ou informações que já estão no material apreendido, ele correrá o risco de ter a sua delação rejeitada.

Caberá ao ministro André Mendonça, do STF, validar os termos acordados entre Vorcaro e os investigadores.

Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro do ano passado, quando tentava embarcar para o exterior, no aeroporto de Guarulhos (SP). A PF aponta que ele tentava fugir do país, mas ele argumenta que viajaria para encontrar investidores interessados em comprar o Master.

Ele foi solto dez dias depois e voltou a ser preso em 4 de março, em fase da operação policial Compliance Zero que também atingiu servidores do Banco Central. Atualmente, Vorcaro está detido na Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal.

Até então, a equipe de defesa que atuava no caso recusava a possibilidade de uma delação. Nos bastidores, a informação era a de que Vorcaro insistia que poderia explicar todas as acusações contra ele no mérito do processo, ou seja, sobre as fraudes e os crimes financeiros.

Com a mudança de estratégia, ele terá de confessar condutas criminosas, explicá-las e indicar provas para embasar a narrativa feita aos investigadores.
Por Ana Pompeu e José Marques/Folhapress

Vorcaro é transferido para cela comum da PF enquanto aguarda análise de delação

Banqueiro antes estava em uma sala de Estado-Maior na PF para preparar os anexos de sua proposta de colaboração e agora fica submetido ao regime comum da carceragem
                       Daniel Vorcaro no dia que foi transferido de São Paulo para Brasília

A Polícia Federal transferiu internamente o banqueiro Daniel Vorcaro para uma cela comum na carceragem da Superintendência do Distrito Federal.

Com isso, ele passa a ser submetido às regras do normativo interno da PF para a visita de advogados. Essas regras permitem duas visitas por dia por um período de meia hora.

Antes, ele estava alocado em uma sala de Estado-Maior que havia sido reformada para abrigar o ex-presidente Jair Bolsonaro no cumprimento de sua prisão. Vorcaro ficou no local para trabalhar na sua proposta de delação premiada com seus advogados e passava quase o dia inteiro reunido com eles.

A PF já havia solicitado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que Vorcaro fosse transferido de volta para um presídio, sob o argumento de que as condições dele na prisão na Superintendência alteravam e afetavam a rotina da administração.

O ministro ainda não proferiu uma decisão sobre essa mudança de endereço, mas autorizou a mudança de celas dentro da PF. A transferência nesta segunda-feira foi noticiada pelo site Metrópoles e confirmada pelo jornal O Estado de São Paulo. Vorcaro está na Superintendência desde o dia 19 de março, quando começou a negociar sua delação premiada.

Como a defesa de Vorcaro já entregou sua proposta de colaboração, a PF decidiu aplicar a ele as regras usadas para todos os demais presos e colocá-lo em uma carceragem comum.

A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda analisam a proposta apresentada. A tendência é que essa proposta seja devolvida aos advogados com um pedido para complemento dos temas abordados.
Por Aguirre Talento/Estadão

Incêndio de grandes proporções atinge supermercado no centro de Itagibá

Um supermercado localizado na Praça Tote Lomanto, no centro de Itagibá, foi atingido por um incêndio registrado por volta de 1h da madrugada desta terça-feira (19). De acordo com as informações apuradas pela reportagem do GIRO, as chamas se espalharam rapidamente e consumiram parte da estrutura do Supermercado São Paulo, destruindo mercadorias, equipamentos e que estavam no interior do imóvel. O fogo foi controlado por uma equipe do Corpo de Bombeiros evitando que o incêndio atingisse outras partes do estabelecimento e imóveis vizinhos. Apesar dos prejuízos materiais, ninguém ficou ferido. As causas do incêndio ainda são desconhecidas e deverão ser investigadas. Por: Giro Ipiaú

Lula defende explorar petróleo na margem equatorial antes que Donald Trump 'ache que é dele'

                      Presidente cita ameaças do americano a Canadá e Groenlândia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a exploração de petróleo na margem equatorial do Brasil, afirmando que o país deve explorar a região antes que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decida ocupá-la.

"A gente vai fazer com a maior responsabilidade do mundo, mas a gente não pode deixar [de usar] uma riqueza que está a quase 500 metros de distância da nossa margem. Daqui a pouco o Trump vem, acha que é dele e vai lá", afirmou Lula nesta segunda-feira (18) em Paulínia (SP).

Na sequência, o presidente lembrou declarações recentes do presidente norte-americano, que insinuou que poderia ocupar o Canadá, a Groenlândia, o Golfo do México e o Canal do Panamá: "Quem é que [garante que] ele não vai dizer que a Margem Equatorial é dele também? Então, nós vamos ocupar".

Lula afirmou ainda que "ninguém tem mais responsabilidade com a amazônia" do que o Brasil, afirmando que os recursos da eventual produção de petróleo seriam revertidos para o país.

A margem equatorial vai do Rio Grande do Norte ao Amapá e é onde fica a bacia da Foz do Amazonas —considerada a mais promissora para o setor de combustíveis fósseis, após descobertas gigantes de petróleo na Guiana.

A exploração de petróleo na Foz do Amazonas é um dos pontos de maior tensão neste mandato de Lula, opondo os ministérios do Meio Ambiente e Minas e Energia.

A região é vista como etapa crucial pela Petrobras para ampliar suas reservas, mas especialistas apontam que a gestão de um possível acidente na região, de grande sensibilidade ambiental, seria difícil.

A área abriga os maiores manguezais do Brasil, na costa do Amapá, e imensos sistemas de recifes de corais, que foram descobertos recentemente e sobre os quais ainda se sabe pouco.

Ao lado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, Lula visitou a Replan (Refinaria de Paulínia) para anunciar investimentos da estatal em São Paulo. O montante chega a R$ 37 bilhões até 2030.

Os recursos serão voltados ao biorrefino, logística, exploração e produção, descarbonização e geração de energia sustentável, com estimativa de criação de 38 mil postos de trabalho diretos e indiretos.

Cerca de R$ 6 bilhões serão aplicados na Replan, a maior refinaria da Petrobras, responsável pelo abastecimento de mais de 30% do território brasileiro.
Por João Pedro Pitombo/Folhapress

INSS passa a notificar, por meio do WhatsApp, beneficiários que precisam atualizar prova de vida

Mensagem tem selo de verificação e é enviada só para quem não passou pela prova de vida automático

Mensagem oficial enviada pelo governo tem um selo azul verificado no WhatsApp

O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) começou a notificar, pelo WhatsApp, beneficiários que precisam fazer a prova de vida para evitar que o pagamento de aposentadorias, pensões e auxílios seja suspenso. Os segurados têm 30 dias, a partir do recebimento do aviso, para regularizar a situação.

Desde 2022, a comprovação de vida mudou e passou a ser feita de forma automática por meio do cruzamento de dados do governo, sem o aposentado precisar validar seus dados no banco que paga o benefício. O governo usa informações como votação em eleições, renovação de CNH, vacinação e emissão de documentos.

No entanto, nos casos em que não foi possível encontrar nenhuma movimentação recente do cidadão nos sistemas oficiais, o próprio beneficiário precisa fazer o procedimento. Além da notificação por WhatsApp, o aviso de pendência também aparece no extrato bancário do pagamento. Em outubro, o INSS enviou notificações a 4 milhões de segurados que precisavam fazer a prova de vida.

QUEM DEVE FAZER A PROVA DE VIDA?

Devem fazer o procedimento apenas os aposentados, pensionistas e beneficiários de auxílios de longa duração, superior a um ano, convocados pelo INSS. Se você não recebeu nenhum aviso de pendência no extrato do banco, no WhatsApp ou pela caixa postal do aplicativo gov.br, a prova de vida já foi feita automaticamente pelo sistema e não é preciso atualizar os dados.

COMO SABER SE A MENSAGEM DO WHATSAPP É VERDADEIRA?

Para garantir a segurança e evitar fraudes, o segurado deve ficar atento a três detalhes que sempre estarão na mensagem oficial:
  1. A conta do "Governo do Brasil" no WhatsApp é verificada, ou seja, possui um selo azul ao lado do nome, mostrando que é oficial.
  2. O governo nunca envia links para o aposentado clicar. Se a mensagem pedir para clicar em um link para "atualizar dados" ou "verificar saldo", é golpe.
  3. A mesma notificação enviada pelo WhatsApp também aparece dentro da caixa postal do aplicativo gov.br.
O INSS não solicita dados pessoais, como CPF e endereço, e nunca faz cobranças ou pedidos de pagamento por mensagem.

ONDE E COMO CONSULTAR A SITUAÇÃO DO BENEFÍCIO?

Se você não recebeu nenhuma mensagem oficial do governo pelo WhatsApp, o primeiro passo para saber se está entre os convocados do INSS para a prova de vida é conferir o extrato bancário quando for receber o benefício. Nele, aparecerá a informação de que a comprovação está pendente, se for o caso.

O segurado também pode consultar o aplicativo ou site Meu INSS, onde aparecerá a seguinte mensagem: "Comprovação de vida não realizada". Se estiver regularizado, a tela mostrará a data da última atualização.

É possível fazer essa consulta pelo telefone 135, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h.

QUAIS SÃO AS FORMAS DE FAZER A COMPROVAÇÃO?

O segurado deve acessar o aplicativo ou site Meu INSS, fazer login informando o CPF e a senha do portal Gov.br, e seguir as instruções para o reconhecimento facial, se for solicitado.

Em alguns bancos, é possível realizar a prova de vida online, utilizando o aplicativo oficial da instituição financeira, também com o uso da biometria facial.

Também há a opção de ir até a agência bancária da instituição na qual recebe o benefício para fazer o procedimento.

Pessoas que estão sem condições de saúde para ir pessoalmente podem nomear um procurador. Há ainda a opção de receber um servidor do INSS para fazer a comprovação de vida.

COMO IDENTIFICAR GOLPES?
  • O INSS não liga pedindo a realização da prova de vida;
  • O INSS não envia mensagens por WhatsApp, SMS ou aplicativos, ameaçando bloqueio imediato do benefício;
  • O INSS não manda servidores a sua casa para recolher documentos ou realizar o procedimento;
  • Desconfie de qualquer contato fora dos canais oficiais;
  • Nunca informe dados pessoais, senhas ou documentos por telefone, mensagem ou para desconhecidos.
Por Mariana Grasso/Folhapress

Ipiaú: Seis homens são conduzidos à delegacia por extração irregular de areia


Uma ação determinada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), com apoio da Polícia Militar e acompanhamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Ipiaú, resultou na condução de seis homens à Delegacia Territorial de Ipiaú e na apreensão de um caminhão durante uma ação realizada na manhã desta segunda-feira (18), na região conhecida como Areão dos Cometas, no centro da cidade.

De acordo com as informações apuradas pela reportagem do GIRO, a operação foi desencadeada por volta das 8h30 após denúncias de suposta extração irregular de areia no leito do Rio de Contas. Conforme o Ministério Público, a atividade estaria sendo realizada sem autorização dos órgãos ambientais competentes, causando possíveis impactos ambientais na área.

Segundo o documento do MP-BA, a denúncia foi formalizada inicialmente em setembro de 2025 por um cidadão que solicitou anonimato. A informação relatava que a extração de areia ocorria há cerca de dois anos às margens do Rio de Contas, em um trecho localizado ao fundo do Pelotão da Polícia Militar, na Rua do Curral, próximo ao Bar do Índio, no centro de Ipiaú. Ainda conforme a denúncia, cerca de seis indivíduos atuariam no local de segunda a sábado, no horário entre 6h30 e 11h.

O Ministério Público destacou ainda que a atividade irregular poderia provocar danos ambientais, como alteração da paisagem, aprofundamento do leito do rio, redução da fauna aquática e supressão de vegetação em área de preservação permanente.

Durante a fiscalização desta segunda-feira (18), as equipes flagraram os suspeitos supostamente praticando crime ambiental relacionado à extração de recursos minerais sem licença, permissão ou concessão legal. Além disso, também foi constatada, em tese, a prática de crime contra o patrimônio da União, na modalidade de usurpação, por exploração de matéria-prima pertencente à União.

O procedimento instaurado pelo Ministério Público também determinou o envio de ofícios à Polícia Militar Ambiental, à Delegacia Territorial de Ipiaú, ao Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, solicitando informações sobre diligências realizadas, existência de licenciamento ambiental e medidas fiscalizatórias adotadas.

Os seis conduzidos, juntamente com o caminhão e demais materiais relacionados à atividade, foram apresentados na Delegacia Territorial de Ipiaú, onde a ocorrência foi registrada e as medidas cabíveis adotadas pelas autoridades competentes.
Informações/ Giro Ipiaú

Regimento do Senado proíbe que indicação de Messias seja votada de novo neste ano

Um ato de 2010 veda a apreciação, na mesma sessão legislativa, de indicação de autoridade rejeitada pela Casa

O regimento interno do Senado Federal proíbe a apreciação da indicação de uma autoridade já rejeitada pela Casa naquele mesmo ano. A vedação pode ser um obstáculo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve reenviar o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Um ato de 2010, publicado pela Secretaria de Gestão de Informação e Documentação, regulamentou a apreciação pelo plenário e a comunicação do resultado sobre a escolha de uma autoridade.

O quinto artigo diz que “É vedada a apreciação, na mesma sessão legislativa, de indicação de autoridade rejeitada pelo Senado Federal”. Sessão legislativa é o período anual em que o parlamento se reúne para trabalhar.

Lula disse a aliados que vai reenviar ao Senado a indicação de Messias ao STF antes das eleições, mas o ministro ainda adota cautela sobre a possibilidade.

No dia 29 de abril, o Senado impôs uma derrota histórica ao governo, rejeitando Messias por 42 votos a 34. Com o resultado, o presidente Lula rompeu uma aliança que tinha com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), apontado como artífice do episódio.

Nos últimos dias, Lula disse a aliados que está disposto a mandar a indicação de Messias novamente ao Senado e fará a indicação antes das eleições de outubro.

O presidente deu a sinalização mesmo sem a certeza de como seria uma segunda votação de Messias e antes mesmo de se acertar com Alcolumbre. Aliados de Lula ponderam que o envio da indicação ainda dependeria de concretização e conversas com o Senado.
Por Estadão

Efeito 'código de ética' de Fachin e escândalo do Master esvaziam participação no 'Gilmarpalooza'

Fórum não deve ter presidentes do Congresso nem ministros da Esplanada; caem também confirmações do STJ

O Fórum de Lisboa, evento capitaneado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes e que ficou conhecido como "Gilmarpalooza", deve receber menos autoridades neste ano em relação às edições anteriores, quando políticos e empresários faziam questão de comparecer ao encontro.

O clima político causado pelo escândalo do Banco Master, a data do evento e a defesa de um código de ética pelo presidente da corte, Edson Fachin, são apontados como fatores que podem ter contribuído para a confirmação de um número menor de participantes.

Diante do esvaziamento, Gilmar entrou em contato com autoridades e figuras de destaque para reforçar o convite, especialmente a integrantes do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Mesmo assim, caiu pela metade o número de magistrados da corte confirmados de 2025 para 2026.

Auxiliares de Gilmar no IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa) e na FGV (Fundação Getúlio Vargas) também intensificaram os chamamentos para fechar a lista de palestrantes.

Para este ano, não há também previsão da presença dos presidentes do Congresso Nacional e de ministros do governo Lula (PT). No Supremo, apenas Flávio Dino confirmou presença, além do próprio Gilmar. No ano passado, Alexandre de Moraes e André Mendonça também foram ao evento, assim como Luís Roberto Barroso, que era presidente da corte.

Hoje aposentado, Barroso deve ir a esta edição do "Gilmarpalooza".

O 14° Fórum de Lisboa ocorrerá entre 1° e 3 de junho. A programação completa ainda não está disponível no site do evento. O tema central será tecnologia e soberania, desafios democráticos, econômicos e sociais.

A data também foi um complicador citado à reportagem por autoridades convidadas. Sob reserva, um ministro do STJ afirmou que ela coincide com sessões de julgamentos. Portanto, para participar, integrantes da corte precisariam faltar, participar de forma remota ou tentar alterar as datas das sessões com os colegas. O fórum era geralmente marcado para os dias finais de junho ou início de julho.

A programação também coincide com a proximidade das eleições, num momento em que políticos tendem a ficar mais próximo.

Outro magistrado do STJ afirmou que o clima não está bom para encontros do tipo, declaração semelhante à de mais dois ministros ouvidos sob reserva pela reportagem.

Um deles afirmou que há preocupação entre colegas de, em Lisboa, eles acabarem confraternizando com pessoas que sejam futuramente envolvidas no caso Master.

Um advogado confirmado afirmou que não tinha intenção de participar desta edição depois de já ter frequentado as últimas quatro. Mas ele e o sócio receberam e-mails e ligações de dois dos organizadores do evento insistindo na presença. Ele também relata ter ouvido que colegas receiam a exposição na mídia neste momento.

O "Gilmarpalooza", seus palestrantes e convidados, especialmente agentes públicos, já receberam questionamentos sobre o custeio das viagens, hospedagem e permanência na Europa.

Outra crítica recorrente é sobre a reunião, no mesmo ambiente, de autoridades do Judiciário, empresários, ministros do governo e políticos. São três dias de possibilidade de convivência entre pessoas eventualmente interessadas ou mesmo implicadas em processos.

Questionamentos do tipo estão entre os motivos por trás da proposta do código de conduta por Fachin, alvo de resistência interna no STF. Entre os temas que seriam detalhados, estaria a transparência na participação de ministros em eventos.

Nomes confirmados

Neste ano, a lista de confirmados inclui, além de Dino, nove ministros do STJ (que tem 33 integrantes), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, dois secretários do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Floriano de Azevedo Marques, o do TCU (Tribunal de Contas da União) Antonio Anastasia e o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Beto Simonetti.

Há, ainda, o conselheiro do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fazendários) Yendis Costa, o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), desembargadores, advogados, assessores de ministros e empresários.

A previsão até agora aponta uma redução no quórum em relação às listas passadas. Em 2025, foram cinco ministros do STF, 18 do STJ, cinco do TCU e de 20 a 50 parlamentares, incluindo o então presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL).

A última edição atraiu cerca de 150 autoridades do governo Lula (PT), do Judiciário, do Congresso, de gestões estaduais e de outros órgãos públicos. Teve também 2.500 inscritos. Até o momento, a edição deste ano tem 1.500 inscrições —faltam ainda duas semanas para o fórum.

Em 2024, ao menos 160 autoridades da Justiça, dos governos estaduais, da gestão Lula e de outros órgãos públicos participaram do 12º Fórum de Lisboa. Os ministros Anielle Franco (Igualdade Racial), Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação), Jorge Messias (Advocacia-Geral da União), Vinicius Marques (Controladoria-Geral da União) e Alexandre Silveira (Minas e Energia) estavam na lista dos confirmados. O diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, também participou.

A Câmara dos Deputados previu enviar 18 integrantes naquele ano, incluindo Lira, deputados e servidores. Havia ainda o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e os então governadores Cláudio Castro (Rio de Janeiro), Tarcísio de Freitas (São Paulo) e Ronaldo Caiado (Goiás).

A edição de 2023, que reuniu uma série de políticos, advogados, empresários e candidatos a cargos no Executivo e no Judiciário, deu origem ao apelido do fórum, hoje já assumido pelo próprio ministro. Na ocasião, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), foi um dos palestrantes de peso.

Em declarações públicas, Gilmar afirma achar graça do apelido do fórum. Ele defende que o encontro se consolidou como um momento de diálogo entre o Brasil e a Europa e um espaço para se pensar questões prementes do país.

O ministro é sócio do IDP, centro de ensino que é um dos organizadores do evento e que tem o filho do magistrado, Francisco Mendes, como dirigente. A FGV e a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa também são organizadoras do encontro.
Por Ana Pompeu/Luísa Martins/Folhapress

Banco de Edir Macedo passa carteira podre a fundos e esconde prejuízo multimilionário


O banco Digimais, do bispo Edir Macedo, que está em crise e à venda há mais de um ano, lançou mão de uma manobra com uso de fundos de investimentos para limpar seu balanço de perdas multimilionárias. Documentos obtidos pelo Estadão e analisados por especialistas mostram que o banco fez com que carteiras de financiamentos com inadimplência de centenas de milhões de reais saíssem de suas demonstrações financeiras. Também vendeu precatórios que estão longe de serem pagos à própria holding de Macedo, em uma transação que pôs auditores em estado de alerta.

O Digimais não é um banco conhecido do grande público. Não tem agências, sequer tem, hoje, a possibilidade de transações em Pix. Até 2020, chamava-se Banco Renner, em referência à família gaúcha que fundou as Lojas Renner. Macedo era acionista desde 2009 e, naquele ano, comprou o banco, que foi rebatizado. Sua maior carteira é a de financiamento de veículos. Também tem crescido no ramo dos créditos consignados.

Nas últimas três semanas, a reportagem obteve auditorias sobre balanços do banco nos últimos anos, processos judiciais, contratos e outros documentos que reconstituem a criação e o uso desses fundos de investimentos que têm o próprio Digimais como seu cotista. Também conversou com fontes ligadas à própria Igreja Universal, que relatam, sob condição de reserva, que o banco tem usado esses fundos para maquiar graves problemas financeiros.

Peritos e agentes do mercado financeiro ouvidos pelo Estadão descreveram alguns negócios como de “alto risco regulatório” e de “sinal vermelho forte”. O Estadão apurou que a PF investiga o banco por supostas fraudes. Procurado pela reportagem, o Digimais não quis se manifestar. A Igreja Universal também não se manifestou.

Com as operações envolvendo esses fundos, o banco declarou ter lucros de R$ 31 milhões no fim de 2025. A manobra fez com que o banco deixasse de declarar pelo menos R$ 480 milhões em créditos vencidos, que deveriam diminuir o resultado declarado do banco.

A conta pode ser maior. Há, no total, um saldo de investimentos de R$ 3 bilhões em fundos que sequer puderam ser auditados pela falta de acesso de auditores oficiais a documentos que comprovam suas demonstrações financeiras. O valor é equivalente a cerca de 75% do valor investido pelo banco em fundos.

Operações ‘Zé com Zé’

Os fundos absorveram carteiras de crédito com altos números de calote do Digimais. Esses valores, se estivessem lançados integralmente no balanço do banco, impactariam diretamente nos resultados da instituição financeira e diminuiriam os lucros.

O que chama mais a atenção é que os fundos têm o próprio Digimais como cotista. Parte desses negócios têm, portanto, o banco dos dois lados do balcão - operação conhecida como “Zé com Zé” no mercado financeiro. Pela legislação, não é preciso tornar público quem é o dono do fundo. Assim, o Digimais consegue abrir um fundo e comprar seus próprios créditos a receber. Mas, aos olhos do mercado, fica parecendo que o banco apenas vendeu a carteira a terceiros interessados em investir nela.

Do ponto de vista das contas do banco, essa operação tem uma grande vantagem. Ela não muda a situação financeira real do Digimais. Mas seu balanço financeiro, em que mostra para o mercado sua saúde financeira, melhora bastante. Ou seja, é uma operação que ajuda a melhorar a imagem, mas deixa oculta a verdadeira situação do banco. Também dificulta o trabalho de auditores independentes que escrutinam semestralmente o caixa do banco.

Carros velhos

O principal negócio do Digimais desde antes de sua aquisição pela holding controlada por Edir Macedo é o financiamento de veículos. Em 2021, essa carteira de crédito chegou a representar 94% das operações do banco. Ao longo dos anos, o negócio tem representado uma fatia cada vez menor do Digimais. Com a venda das carteiras aos fundos, o financiamento veicular passou a representar 52% da carteira de crédito da instituição financeira, segundo seus balanços entregues ao Banco Central.

Vendedores de carros credenciados a operar com o Digimais ouvidos pelo Estadão afirmam que o banco topa financiar carros velhos, baratos, a gente atolada em dívidas. Tudo isso com juros altos. Em dezembro de 2025, o Digimais chegou a aparecer como quarta taxa mais alta de juros, de 2,97% ao mês, e 41,07% ao ano, segundo dados do Banco Central. Os dados mudam semanalmente nas tabelas do BC.

Bancões costumam correr de financiamentos nesses moldes. Os riscos de inadimplência e de problemas nos carros que levam a conflitos judiciais são altos. E é exatamente o que acontece com o Digimais.

60% de inadimplência

Um dos fundos que compraram essa carteira de créditos veiculares do Digimais é o Tabor. O Estadão apurou que o próprio banco é investidor do fundo. Em abril de 2026, o Tabor tinha R$ 960 milhões em carteiras de crédito, das quais R$ 575 milhões estavam em inadimplência. Mais de R$ 200 milhões são referentes a parcelas inadimplentes há até 720 dias. No mercado financeiro, um cenário que é considerado como estado crítico.

Para efeito de comparação com o último balanço semestral, em dezembro de 2025, o Digimais declarou R$ 366 milhões em créditos vencidos na modalidade de financiamento de veículos. Contudo, naquela época, somente o fundo Tabor já registrava R$ 479 milhões em inadimplência. Essas perdas não estão discriminadas nas demonstrações financeiras do banco.

“Quando um fundo de investimentos em direitos creditórios (FIDC) fica desse jeito (com 60% de inadimplência), o caminho natural é encerrar o fundo. Dificilmente esse dinheiro será recuperado”, afirma Alexandre Ripamonti, especialista em perícia contábil.

Gabriel Uarian, analista de investimentos, aponta que utilizar Fundos em Investimentos de Direitos Creditórios (FIDC) dessa forma não é algo usual no mercado financeiro. “(O banco) suspendeu originações novas e passou a fazer cessões de direitos creditórios agressivas para fundos e outras estruturas. Isso não é normal em bancos bem geridos. Os FIDCs, em geral, devem servir como uma ferramenta de gestão de capital e de diversificação de captação, com uma transparência mais verdadeira do risco.”

Citados pelos especialistas, os FIDCs são fundos que investem em direitos recebíveis. É o caso da compra de carteiras de crédito de bancos.

Em outra história envolvendo negócios com fundos de investimentos, o Digimais também repassou uma carteira que tinha inclusive reclamação por venda de carro roubado à empresa de um pastor de uma outra igreja. Trata-se de um negócio complexo, envolvendo, também, um fundo de investimento, e que expulsou do balanço do Digimais uma carteira cheia de perdas.

Dinheiro do bispo

Uma dessas operações foi apontada pela própria auditoria independente que o banco é obrigado a contratar para entregar suas demonstrações financeiras ao Banco Central. A holding de Edir Macedo, que controla o banco, comprou R$ 741 milhões das cotas que o Digimais tinha em participação de um Fundo de Direitos Creditórios chamado Hermon.

“Embora, suportada por Pareceres Legais atestando sua lisura e conformidade regulatória, com base na análise do contrato celebrado entre as partes, identificamos que a operação pode não refletir condições usuais de mercado, uma vez que não prevê remuneração compatível com sua natureza econômica e que sua realização está condicionada ao recebimento por parte da adquirente ou por meio de aporte dos controladores finais”, disse a auditoria.

O Hermon não é dono de um ativo rentável a curto prazo. O fundo comprou o direito a receber uma indenização judicial obtida por herdeiros da antiga Companhia de Mineração e Siderurgia foi encampada - ou seja, teve o seu controle acionário assumido - pela ditadura de Getúlio Vergas, em 1940, no processo de criação da Vale do Rio Doce. A Justiça Federal do Rio condenou a União a indenizar acionistas - e seus herdeiros legais - em valores atualizados equivalentes a 7 mil ações da Vale. O fundo estima ter R$ 2,2 bilhões a receber. A ação judicial é dos anos 1990 e o cálculo do pagamento gera controvérsia na Justiça, o que pode levar anos a ser resolvido.

Troca de diretores e proposta do BTG

Após a aquisição do Digimais, em 2020, Edir Macedo indicou um bispo da Universal que trouxe outras pessoas ligadas à igreja para os quadros do Digimais. Essa diretoria foi trocada no ano passado. Quem assumiu sua presidência foi Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil. Ele chegou a ser condenado por receber R$ 3 milhões em propinas da Odebrecht, mas o processo foi anulado.

Nos últimos meses, o banco tem sido negociado com o BTG Pactual, que diz ao Estadão ter interesse em sua “carteira de clientes”. “O BTG Pactual informa que assinou documentos vinculantes para uma potencial aquisição do Banco Digimais, ainda sujeita ao cumprimento de condições precedentes e à realização de um processo competitivo”, afirma.

“A operação não foi concluída e deverá ocorrer por meio de leilão. A eventual transação também depende de mecanismos de suporte financeiro, incluindo a participação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)”, diz o banco.

Por Luiz Vassallo, Jenne Andrade, Marcelo Godoy e Fausto Macedo/Estadão Conteúdo

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