Receita acusa Polícia Federal de adulterar inquérito de servidor, e crise entre os órgãos se agrava

Corporação nega manipulação, aponta erro em sistema que emitiu documento

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

A Receita Federal acusou dois delegados da Polícia Federal de adulterarem um inquérito contra um servidor do Fisco. A acusação ocorre em meio a uma disputa entre os dois órgãos sobre as atribuições de combate ao contrabando e ao tráfico internacional de drogas no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Um relatório da Receita obtido pelo jornal Folha de São Paulo afirma que integrantes da PF teriam alterado a credencial de um servidor para apontar que ele participou de uma operação na área restrita do aeroporto sem autorização. O órgão acusa os policiais de violação de prerrogativas e manipulação para sustentar uma investigação.

A corporação nega as acusações de manipulação e afirma que a divergência mencionada pelo Fisco ocorreu por uma falha no sistema usado para consultar as credenciais aeroportuárias. Por isso, os dados errados foram usados na investigação. A polícia tem três inquéritos abertos contra servidores da Receita por suspeita de irregularidades em Guarulhos.

O episódio agravou a crise entre a Receita e a PF em torno da atuação dos órgãos no Aeroporto de Guarulhos. A Polícia Federal chegou a pedir, em fevereiro, a prisão temporária de três analistas tributários da Receita, sob suspeita de usurpação de função pública. O pedido foi negado pela Justiça.

A Receita enviou o relatório ao Ministério Público Federal e ao TCU (Tribunal de Contas da União), pedindo a investigação dos fatos e a adoção de medidas nas esferas civil, penal e administrativa. Também comunicou às corregedorias da Receita e da Polícia Federal, além da Superintendência da PF em São Paulo.

A investigação da PF afirmava que servidores da Receita acessaram clandestinamente uma área de mata no entorno do aeroporto, naquele mês, sem identificação nem comunicação prévia.

A Receita contesta o inquérito, e afirma que ele contém informações "propositalmente errôneas, ou até mesmo manipuladas", que teriam sido inseridos com "a finalidade específica de prejudicar os servidores" do órgão e a imagem da instituição "por mero capricho ou satisfação pessoal".

O Fisco aponta que a PF usou na investigação imagens de duas credenciais com prazos de validade diferentes —uma até janeiro de 2026 e outra até janeiro de 2028—, mas ambas trazem a mesma data de expedição registrada no verso: fevereiro de 2026. A inconsistência indicaria possível manipulação da prova, o que seria crime.

A PF afirma que o inquérito corre "em estrita observância aos procedimentos legais aplicáveis". Segundo integrantes da corporação, a falha foi comprovada e não houve adulteração de dados. Eles dizem ainda que o servidor não tinha autorização para participar de operação em área restrita.

A PF ainda afirmou que a Corregedoria-Geral analisou o caso e "não identificou elementos aptos a caracterizar infração funcional".

Procurada no dia 8 de julho, a Receita informou que não vai se manifestar publicamente sobre o assunto. "O assunto está sendo tratado com os órgãos através das vias adequadas", disse o Fisco federal.

O relatório da Receita com acusações à PF reúne emails, registros de deslocamento, passagens aéreas, comprovantes de estacionamento, depoimentos de funcionários e conversas de WhatsApp entre servidores da Receita e diversas instituições do aeroporto, inclusive a PF. Segundo o órgão, esses elementos demonstram cooperação permanente em operações realizadas no aeroporto.

Em uma das mensagens, a Receita aponta que a operação de fevereiro era do conhecimento do chefe da Delegacia do Aeroporto Internacional de São Paulo, Julio Cesar Baida Filho, que disse ter repassado a informação à Polícia Federal durante uma reunião informal.

No entanto, não há nenhum registro anexado mostrando comunicações com a Polícia Federal sobre aquela operação específica.

A Receita afirma no documento ter sido surpreendida pela abertura do inquérito da PF e pelo pedido de prisão dos servidores do órgão. Segundo a instituição, a equipe integrava o Núcleo de Operações Especializadas, criado para atuar em ações de repressão a ilícitos aduaneiros.

Integrantes da Polícia Federal afirmaram à reportagem que a corporação não foi comunicada previamente sobre a operação da Receita, nem mesmo pelos canais de integração entre os órgãos, como grupos de WhatsApp.

Segundo essas fontes, depoimentos colhidos na investigação indicam que servidores da Receita orientaram funcionários do aeroporto a não informar a PF sobre a ação realizada no terminal. A reportagem não teve acesso a esse documento específico.

Estes mesmos policiais sustentam que a Receita não tem competência legal para monitorar organizações criminosas nem investigar o tráfico internacional de drogas, atribuições que, segundo elas, cabem às forças de segurança. Na avaliação desses investigadores, a atuação dos servidores pode configurar usurpação de função.

No relatório sobre o caso, a Receita rebate a acusação de usurpação de função, sob o argumento de que a Constituição e a legislação federal atribuem ao órgão competência para fiscalizar o comércio exterior e atuar na repressão ao contrabando, ao descaminho e ao tráfico internacional de drogas.

A relação da Receita com a PF em Guarulhos entrou em crise em janeiro, quando a corporação proibiu as gravações do programa de televisão "Aeroporto: Área Restrita", que mostra o cotidiano de autoridades na inspeção de passageiros. Conforme a produtora responsável, foram indeferidas as credenciais da equipe em Guarulhos (SP) e cassadas as permissões de trabalho nos terminais de outras cidades.

Os atritos cresceram ao longo dos meses. Em maio, o Ministério Público Federal apontou desvios na atuação de integrantes da Receita em Guarulhos, e disse que há invasão de atribuições da polícia em operações que causam o risco de comprometer, inclusive, a segurança do tráfego aéreo.

O caso levantou desconfiança da Receita sobre a atuação do MPF em Guarulhos. Por isso, a comunicação do órgão foi enviada ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, em Brasília, alertando para a gravidade do caso de violação às competências institucionais dos servidores da Receita.

Desde então, a crise chegou a unidades dos dois órgãos em outros estados, segundo apurou a reportagem.

O TCU (Tribunal de Contas da União) já determinou a elaboração de um protocolo para evitar sobreposição de atribuições entre a PF e a Receita. Um grupo de trabalho foi formado e deve ser apresentado nos próximos dias, de acordo com pessoas a par do tema.

Os chefes da PF, Andrei Rodrigues, e da Receita, Robinson Barreirinhas, já se reuniram na tentativa de aprimorar a relação entre os órgãos, mas a crise não diminuiu e se alastra para outros locais do país colocando dois dos mais importantes e maiores órgãos de Estado do Brasil em confronto, segundo pessoas a par do tema ouvidas pela reportagem na condição de anonimato.

Por Adriana Fernandes/Raquel Lopes/Folhapress


De virada, Argentina vence a Inglaterra e enfrenta a Espanha na final da Copa do Mundo

Foto: Reprodução/Instagram/@afaseleccion
Lautaro Martínez saiu do banco de reservas para selar a grande virada da Argentina sobre a Inglaterra por 2 a 1 na semifinal da Copa do Mundo de 2026, nesta quarta-feira (15), no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, nos Estados Unidos. Todos os gols saíram no segundo tempo: Gordon abriu o placar para os ingleses, mas a seleção sul-americana buscou uma reação espetacular na reta final do confronto.

O futebol bem jogado foi um detalhe na primeira etapa do aguardado duelo desta tarde. A primeira finalização, sem grande perigo, saiu apenas aos 32 minutos, em um cabeceio para fora do zagueiro Stones, da Inglaterra, após cobrança de falta na área.

Aliás, se faltou emoção com a bola rolando, e até acréscimos, com apenas três minutos concedidos , sobrou rispidez nas divididas. Foram sete faltas cometidas pelos ingleses e 12 pelos argentinos. O árbitro Ismail Elfath, contudo, segurou os cartões, aplicando apenas dois amarelos: um para Elliot Anderson, por falta em Messi, e outro para Lisandro Martínez, por parar Morgan Rogers com falta. O primeiro tempo terminou sem nenhum chute no alvo e com apenas três tentativas de finalização no total (duas da Argentina e uma da Inglaterra).

Toda a emoção reservada para os 45 minutos finais da partida acabou definindo os rumos das duas seleções no Mundial de forma dramática.

Ibirataia: Secretaria de Educação recebe Menção Honrosa do MEC por avanços na Educação de Jovens e Adultos

Reconhecimento destaca ações desenvolvidas no município para ampliar o acesso à EJA e fortalecer o combate ao analfabetismo

A Secretaria Municipal de Educação de Ibirataia foi homenageada pelo Ministério da Educação (MEC) com o Certificado de Menção Honrosa, em reconhecimento às ações voltadas à ampliação do acesso à Educação de Jovens e Adultos (EJA), à qualificação da modalidade e à promoção do direito à educação. A certificação integra as iniciativas do Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da Educação de Jovens e Adultos.
A homenagem reconhece o compromisso do município com a inclusão educacional e o fortalecimento de políticas públicas que garantem oportunidades de aprendizagem para jovens, adultos e idosos que desejam concluir seus estudos. O certificado reforça o papel da educação como instrumento de transformação social e desenvolvimento da cidadania.

O secretário municipal de Educação, Caio Pina, destacou a importância da conquista. "Essa Menção Honrosa é resultado do empenho de toda a nossa equipe e reafirma o compromisso da gestão municipal com uma educação inclusiva, de qualidade e acessível para todos os ibirataienses", afirmou.

Ibirataia: Prefeitura amplia acesso à saúde com marcação de 25 exames de ultrassonografia

Ação da Secretaria Municipal de Saúde reforça o compromisso com o diagnóstico precoce e a humanização do atendimento à população
A Prefeitura de Ibirataia, por meio da Secretaria Municipal de Saúde e do setor de Regulação Municipal, realizou a marcação de 25 exames de ultrassonografia para moradores do município. Foram agendadas 20 ultrassonografias diversas e cinco ultrassonografias com Doppler, ampliando o acesso da população a exames essenciais para o diagnóstico e acompanhamento de diversas condições de saúde.
Cada agendamento representa um importante avanço no cuidado com a população, garantindo mais agilidade no atendimento e fortalecendo a prevenção de doenças por meio do diagnóstico precoce. A iniciativa reafirma o compromisso da gestão municipal em oferecer um serviço de saúde organizado, eficiente e cada vez mais humanizado.
O secretário municipal de Saúde, Elmar Lopes, destacou que a Regulação Municipal desempenha papel fundamental na garantia do acesso aos serviços. "Nosso compromisso é trabalhar diariamente para que cada cidadão tenha acesso aos exames e atendimentos de forma ágil, organizada e humanizada, assegurando mais qualidade de vida para a população de Ibirataia", afirmou.

Aliado de Jerônimo, prefeito constrange servidores por apoio eleitoral: “ou joga nesse time, ou pede pra sair”

                    O recado foi dado em um vídeo publicado em seu perfil do Instagram
Apoiador do governador Jerônimo Rodrigues (PT), o prefeito de Érico Cardoso, cidade da Bacia do Paramirim chamada antigamente de Água Quente, Eraldo Félix, declarou que pretende exonerar servidores que não o acompanharem na campanha para reeleição do petista ao Governo da Bahia. O recado foi dado em um vídeo publicado em seu perfil do Instagram, onde ele aparece ao lado do vice-prefeito Deivison Mendonça, ameaçando “mandar embora” não não jogar no mesmo time.

“Não será só Eraldo e Deivison que irá às urnas, a população de Água Quente é quem vai à urna […] Para defender essa cidade aqui, as regras precisam ficar claras. Ou você joga contra o gol do adversário, ou eu não vou, não irei jamais admitir que você queira fazer gol contra”.

“Nós queremos deixar bem claro para a população de Água Quente [antigo nome de Érico Cardoso], aquele que não tiver a fim de fazer parte desse time, pede pra sair logo agora. Porque a hora é agora, para não me dar sequer a decepção de ter que mandá-los embora. Porque aqui, só tem um técnico, Eraldo e Deivison. Ou joga de acordo o time que a gente escala, ou não faz parte do time”, iniciou o gestor, emenda.

No vídeo, o prefeito faz menção à presença de políticos na Romaria e Festa de Nossa Senhora do Carmo, nesta quarta (15). “Sejam todos bem-vindos à romaria de Nossa Senhora, agora eu vou dizer, não venham para aqui fazer política mentirosa porque não vai rolar”.

Ele ainda exibe um quadro com supostas promessas de obras do governador Jerônimo para o município, como a pavimentação asfáltica entre a sede e a comunidade do Morro do Fogo. “Já estive com Jerônimo, já tratamos do assunto e, com a permissão de Deus, haverá de chegar também esse novo sonho”.

“Portanto, eu quero deixar bem claro pra população de Água Quente, ou joga nesse time, ou pede pra sair. Porque senão, eu não quero ter a tristeza de mandar embora, mas se necessário for, pode ter certeza, farei com a maior serenidade e tranquilidade possível”, reforçou o prefeito Eraldo Félix.

Veja abaixo:

Por Política Livre

Operação investiga suposta ligação entre facções brasileiras e rede financeira ligada à Al-Qaeda

Batizada de Operação Hawala, a ação investiga uma organização suspeita de movimentar mais de R$ 100 milhões
Uma operação deflagrada nesta quarta-feira (15) pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e pela Polícia Civil apura uma possível conexão entre as facções criminosas Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando da Capital (PCC) e Terceiro Comando Puro (TCP) com uma estrutura financeira associada ao grupo terrorista Al-Qaeda. Batizada de Operação Hawala, a ação investiga uma organização suspeita de movimentar mais de R$ 100 milhões provenientes do tráfico de drogas por meio de um esquema de lavagem de dinheiro. Foram cumpridos dez mandados de prisão e 37 de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, além de Foz do Iguaçu (PR). Ao todo, 22 pessoas foram denunciadas, e dez já foram presas. A informação é da CNN.

Segundo as investigações, uma das principais suspeitas é Bárbara Luzia Souza de Carvalho, apontada como operadora financeira do grupo e responsável por movimentar valores incompatíveis com sua renda declarada. O Ministério Público também identificou um núcleo de empresários de origem libanesa, entre eles os irmãos Reda, Yasser e Kassem Zayoun, que atuariam na região da Tríplice Fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina.

De acordo com os investigadores, a suspeita de ligação com a Al-Qaeda surgiu após a identificação de relações comerciais entre uma empresa vinculada aos investigados e um indivíduo sancionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por integrar uma estrutura financeira do grupo terrorista. As autoridades afirmam que a possível conexão internacional será aprofundada nas próximas etapas da investigação, com a análise do material apreendido durante a operação.
Por Redação

Quem é Nelson Wilians, advogado alvo de operação sobre fraude bilionária de ICMS

Enquanto boa parte dos grandes advogados prefere atuar longe dos holofotes, Nelson Wilians escolheu o caminho oposto. Transformou a própria rotina em conteúdo para milhões de seguidores nas redes sociais, exibe viagens em jatos e helicópteros, promove festas para milhares de convidados e construiu uma marca que leva seu nome em todas as unidades do escritório espalhadas pelo país.

Nesta quarta-feira (15), porém, a exposição ganhou um novo foco. O fundador do NWADV (Nelson Wilians Advogados), uma das maiores bancas empresariais do Brasil, tornou-se alvo da Operação Distrato, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo, pela Sefaz-SP (Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo) e pela Procuradoria-Geral do Estado para investigar um suposto esquema de comercialização de créditos irregulares de ICMS cujo montante de sonegação chega a R$ 3,8 bilhões.

Segundo a investigação, escritórios de advocacia e consultorias ofereciam a empresas um atalho para reduzir o ICMS a pagar.

Os créditos tributários, sem autorização do Fisco e sem lastro econômico, eram apresentados como parte de um planejamento tributário legítimo e lançados na escrituração fiscal das empresas. Em troca, os intermediários recebiam honorários que chegavam a 70% do valor do crédito utilizado. A Fazenda paulista afirma ter autuado 752 empresas envolvidas no esquema.

Wilians não foi denunciado nem condenado. A operação está na fase de cumprimento de mandados de busca e apreensão, e todos os investigados têm direito ao contraditório e à ampla defesa.

Procurado por telefone e WhatsApp, Nelson Wilians ainda não se manifestou sobre as acusações.

É a segunda investigação de grande repercussão a atingir o advogado em menos de um ano. Em setembro de 2025, ele também foi alvo de uma operação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de fraudes contra o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Na época, na casa dele foram apreendidas esculturas e obras de arte. Entre as obras, estava um quadro de Di Cavalcanti, datado de 1971. Ele negou participação no esquema.

A trajetória de Wilians contrasta com a imagem que hoje projeta. Filho de agricultores de Jaguapitã, cidade de cerca de 13 mil habitantes no norte do Paraná, ele conta que ouviu do pai, ainda jovem, uma frase que nunca esqueceu: "De você, só espero o pior". Em entrevista à Folha em fevereiro do ano passado, disse que a declaração se transformou em combustível para provar que seria bem-sucedido.

Formado em direito pela ITE (Instituição Toledo de Ensino), em Bauru, fundou o escritório em 1999 e apostou em um modelo pouco comum na advocacia brasileira: crescer por escala. Hoje, segundo o próprio NWADV, a banca está presente em todos os estados e reúne mais de mil advogados.

À Folha Wilians afirmou administrar cerca de 450 mil processos e participar de cerca de 3.000 audiências por mês.

Mas foi fora dos tribunais que ele se tornou um personagem conhecido. Em vídeos produzidos com qualidade cinematográfica, mostra a rotina na mansão onde vive, os deslocamentos em aeronaves particulares, encontros com clientes e eventos promovidos pelo escritório. Seu nome aparece dos brindes distribuídos aos visitantes a um personagem inspirado nele, o "Dr. Nelsinho", criado pela cartunista Laerte.

No escritório que ocupa um dos sete andares que possui em prédio no Brooklin, zona sul de São Paulo, a televisão da recepção exibe vídeos sobre sua própria rotina.

Casado com Anne Wilians e pai de quatro filhos, o advogado costuma incluir a família em vídeos publicados nas redes sociais, gravados na casa onde vive, no Jardim Europa, na capital paulista. As postagens mostram comemorações, viagens e a rotina doméstica, sempre com produção profissional. Anne é sócia do marido e também alvo da Operação Distrato.

A estratégia de transformar a própria imagem em uma marca também rendeu ao advogado projeção fora do universo jurídico. Em 2024, Wilians foi o primeiro advogado a estampar a capa da edição brasileira da revista Forbes, em uma edição da lista "50 Over 50", que destacou empresários e executivos com mais de 50 anos de destaque em suas áreas. Na reportagem, a revista apresentou sua trajetória como a de um empreendedor que revolucionou o modelo de expansão da advocacia empresarial no país.

A exposição, no entanto, divide opiniões. Enquanto Wilians afirma que decidiu transformar sua vida em um "reality show" e costuma repetir que "não basta ser bom, tem de parecer bom", parte da advocacia vê na exposição uma ruptura com a tradição de discrição da profissão.

Entre colegas, ganhou o apelido de ostentador. Quando seus vídeos de autopromoção vão longe demais na opinião da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), ele recebe notificações.

Ao longo da carreira, o advogado participou de disputas de grande repercussão, como a representação de Rose Miriam di Matteo na disputa pela herança de Gugu Liberato e de herdeiras da família Aguiar, controladora do Bradesco.

Por Folhapress

Maioria dos brasileiros acredita que Jaques Wagner agiu de forma errada no caso Master, diz Quaest .

Foto: Alessandro Dantas / Divulgação PT
A maior parte dos brasileiros não sabia sobre as investigações envolvendo o senador baiano Jaques Wagner (PT) no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, mas acredita que o petista agiu de forma errada. Isso é o que apontam os dados da pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15).

A pesquisa questiona inicialmente aos entrevistados sobre o domínio deles sobre o assunto. Na ocasião, 31% disseram que sabiam da investigação envolvendo o ex-governador e estavam bem informados, outros 15% responderam que sabiam mas não estavam bem informados sobre o tema. Por outro lado, a maioria dos entrevistados, 54%, disseram que não sabiam sobre o ocorrido.

A 9ª fase da Operação Compliance Zero, ocorreu no dia 18 de junho, no cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, no âmbito do esquema de irregularidades do Banco Master no sistema financeiro nacional. Entre os alvos estavam o senador Jaques Wagner e o empresário Augusto Lima, no Congresso Nacional.

Quando questionados sobre a avaliação das ações de Jaques Wagner, a maioria dos brasileiros, cerca de 61%, disseram acreditar que Jaques Wagner agiu de forma errada na relação com o Master. Apenas 11% acreditam que ele não agiu de forma errada e outros 28% disseram não saber ou não responderam.

A pesquisa Quaest falou com 2.004 pessoas por meio de entrevistas face a face, possui uma margem de erro de dois pontos percentuais e uma confiança de 95%. A coleta ocorreu entre os dias 10 a 13 de julho. O público alvo foram brasileiros em idade eleitoral, ou seja, com 16 anos ou mais. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-071181/2026.

Entidades protocolam mais de 100 ofícios num só dia e cobram votação do PL da misoginia

Entidades e movimentos em defesa dos direitos das mulheres se articularam numa ofensiva e protocolaram mais de 100 ofícios nesta terça-feira (14) para cobrar do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a votação do PL da Misoginia.

O projeto inclui a misoginia entre os crimes de preconceito ou discriminação, e equipara ao crime de racismo.

A proposta é prioridade do governo Lula, mas ainda enfrenta muita resistência entre os parlamentares da direita.

A coordenadora do grupo de trabalho que discutiu o projeto, deputada Tábata Amaral (PSB-SP), tenta um consenso em torno do tema.

O movimento feito nesta terça busca pressionar o presidente da Casa a votar o tema ainda nesta semana, antes do recesso.

O protocolo dos mais de 100 ofícios foi feito remotamente e também de forma presencial no Salão Verde da Câmara.

A urgência do PL da Misoginia foi aprovada no dia 1° de julho e o texto está pronto para ser votado no plenário.

Nos documentos, os grupos afirmam que a aprovação do regime de urgência reconheceu a necessidade de uma resposta legislativa ao tema. "Fizemos esse apelo para que Hugo Motta ouça as mulheres mobilizadas em todo o país e coloque o PL em pauta", disse Rachel Ripani, cofundadora do Levante Mulheres Vivas.

Como o projeto já passou pelo Senado, basta que ele seja aprovado na Câmara para ir à sanção presidencial.

Por Gabriela Echenique/Folhapress

Farmacêutica obtém financiamento de R$ 115 milhões para ampliar produção

A Blanver Farmoquímica e Farmacêutica conseguiu financiamento de R$ 115 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para modernizar e ampliar a produção de medicamentos sólidos em sua indústria em Taboão da Serra, na Grande São Paulo.

O dinheiro foi liberado no plano Brasil Soberano, política do governo federal para incentivar as indústrias do país. A empresa se enquadra no grupo 2, destinado a setores industriais relevantes ao comércio exterior brasileiro.

A Blanver pretende comprar equipamentos para aumentar a capacidade de produção e adaptar áreas fabris, separando as etapas produtivas em espaços isolados. Essa mudança permitirá operar diversos equipamentos simultaneamente, inclusive na fabricação de medicamentos distintos.

A capacidade de produção de medicamentos sólidos deve chegar a 712,8 milhões de unidades por ano, aumento de 89,5% em relação ao volume atual.

O acréscimo de 336,7 milhões de unidades anuais está distribuído entre os diversos medicamentos sólidos já fabricados pela empresa, com maior participação de antirretrovirais destinados ao SUS (Sistema Único de Saúde).

"A operação aprovada pelo BNDES, ao aumentar a produção nacional de medicamentos, contribuirá com a redução do déficit da balança comercial no setor farmacêutico, que alcançou US$ 14,5 bilhões em 2025. Por meio do Plano Brasil Soberano, já foram protocolados projetos que somam R$ 17,3 bilhões e o Banco já aprovou R$ 7,3 bilhões", explica o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Por Alex Sabino/Folhapress

Munique dos Santos Medeiros é a segunda vítima fatal de acidente entre carretas na BR-101 em Caravelas

Teixeira de Freitas: O grave acidente que aconteceu na madrugada desta terça-feira, 14 de julho, por volta das 4h, no km 897 da BR-101, entre Teixeira de Freitas e Posto da Mata, próximo ao distrito de Rancho Alegre, área territorial do município de Caravelas, fez mais uma vítima fatal.

O acidente

A colisão envolveu uma carreta tipo prancha (placa RDF-5H00) e outra tipo baú fechado (placa ODC-3F98). O motorista do caminhão baú evadiu-se do local antes da chegada do socorro.

Primeira vítima

Após os exames de papiloscopia (impressões digitais), a perita Margareth Lima identificou a primeira vítima fatal como o motorista Igor Bomfim da Silva, de 32 anos, morador do Assentamento Primeiro de Abril, zona rural de Prado-BA. Ele era o motorista do caminhão prancha e foi encontrado em óbito, preso nas ferragens.

Segunda vítima

A passageira do caminhão prancha, companheira de Igor, foi socorrida com vida por equipes de resgate e encaminhada ao Hospital Estadual Costa das Baleias (HECB). Apesar dos esforços da equipe médica, ela não resistiu aos ferimentos e morreu pouco tempo após dar entrada no hospital.

Ela foi identificada como Munique dos Santos Medeiros, de 31 anos.

Procedimentos legais

O caso foi registrado na Delegacia Territorial de Teixeira de Freitas. O delegado plantonista autorizou a remoção, e o corpo de Munique foi encaminhado ao IML de Teixeira de Freitas pelo servidor Milton Cândido. O corpo passará por necropsia e, posteriormente, será liberado aos familiares para velório e sepultamento.

Investigação

Foi instaurado um inquérito policial para investigar e apurar as circunstâncias do acidente. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) também investiga as circunstâncias do acidente e busca identificar e localizar o motorista foragido.

Nossa equipe segue acompanhando o caso.

Por: Rafael Vedra/LiberdadeNews

Matéria relacionada

RONDESP prende jovem com 146 porções de cocaína durante ação contra o tráfico em Teixeira de Freitas

Teixeira de Freitas: Uma ação da RONDESP Extremo Sul (ES) resultou na prisão de um jovem de 20 anos por tráfico de drogas na tarde desta terça-feira, 14 de julho, em Teixeira de Freitas. A ocorrência foi registrada na Rua Quintino de Lima, no bairro Jardim Caraípe, após denúncias apontarem que um homem estaria utilizando uma motocicleta para realizar a distribuição de entorpecentes na cidade.

A abordagem

De acordo com informações policiais, uma guarnição da RONDESP ES realizava ronda tática quando recebeu a denúncia. Os militares iniciaram diligências e localizaram um indivíduo com as características informadas.
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Ao perceber a aproximação da equipe, o suspeito tentou fugir, mas foi rapidamente alcançado e abordado. O homem foi identificado como Gabriel dos Anjos Amorim, de 20 anos.

Materiais apreendidos

Durante a abordagem, os policiais constataram que ele não portava Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Na revista pessoal, foram apreendidas:

· 146 porções de cocaína
· 1 porção de maconha
Também foi apreendida a motocicleta Honda/CG 160 Fan, de cor cinza, placa QPX-5516, que, segundo a investigação inicial, estaria sendo utilizada para a distribuição dos entorpecentes.

Procedimentos legais

Gabriel recebeu voz de prisão e foi encaminhado à Delegacia Territorial de Teixeira de Freitas, onde a ocorrência foi apresentada ao delegado plantonista, Dr. Adriano Mascarenhas Filho.

Após ouvir os policiais e o suspeito, o delegado flagranteou Gabriel pelos crimes de:

· Tráfico de drogas (artigo 33 da Lei nº 11.343/2006)
· Dirigir veículo automotor sem habilitação, gerando perigo de dano (artigo 309 do Código de Trânsito Brasileiro)

Situação atual

O acusado foi encaminhado para a carceragem da Delegacia Territorial, onde permanece preso à disposição da Justiça.

Destino do material apreendido

As drogas apreendidas foram enviadas ao Departamento de Polícia Técnica (DPT) para perícia e exames de constatação.

Investigação

A Polícia Civil informou que as investigações terão continuidade para apurar a possível participação de Gabriel em uma rede de distribuição de drogas, bem como identificar eventuais comparsas e a origem dos entorpecentes apreendidos.

Por: Rafael Vedra/Liberdadenews

FGC tem R$ 1,83 bilhão a ser resgatado por investidores do grupo Master

                                    Credores podem requisitar o reembolso no app do fundo

O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) ainda tem R$ 1,83 bilhão parado, sem correção monetária, esperando pelo resgate de investidores e correntistas do conglomerado Master e do banco Pleno, segundo dados divulgados pelo fundo nesta terça-feira (14).

O processo de resgate para pessoas físicas é feito pelo aplicativo do FGC. "É importante que os beneficiários mantenham as notificações do aplicativo ativas para serem informados caso seja necessária alguma ação para a continuidade do processo", diz a entidade.

Já foram pagos R$ 40,03 bilhões em garantias a credores dos bancos Master, Master de Investimento e Letsbank, os primeiros a serem liquidados. O valor corresponde a 98,54% do montante total estimado para pagamento. Ou seja, faltam R$ 590 milhões.

Em número de beneficiários, ao menos 718,1 mil credores já receberam os recursos, o equivalente a 93,72% do total previsto.

Em relação ao Will Bank, já foram pagos R$ 5,75 bilhões, o que representa 94,69% do montante estimado em garantias. Assim, restam R$ 950 milhões em potenciais reembolsos.

Em número de beneficiários, cerca de 276,8 mil credores do Will já receberam os valores, correspondente a 88,73% do total previsto.

Além da antecipação dos pagamentos de garantias pelo FGC, clientes do Will Bank continuam recebendo valores referentes aos depósitos em sua conta de pagamento, feita por meio de moeda eletrônica pela instituição.

Com relação ao banco Pleno (ex-Voiter), que se separou do conglomerado Master antes de ser liquidado, o FGC já efetuou pagamentos de R$ 4,5 bilhões, o equivalente a 93,93% do montante estimado, restando R$ 290 milhões.

Em número de beneficiários, aproximadamente 135,2 mil credores já receberam os valores, correspondente a 88,97% do total previsto.

O montante que ainda não foi depositado aos clientes e investidores está reservado desde a liquidação da instituição, sem correção pela inflação. Ou seja, quanto mais demoram a requisitar o reembolso, maior o prejuízo.

CENSO DO FGC

Também nesta terça, o FGC publicou um balanço com dados de abril sobre todos valores elegíveis e cobertos pela garantia do sistema bancário nacional, como depósitos à vista e a prazo (RDB, CDB, poupança, Letras de Câmbio, entre outros). Ao todo, são R$ 5,58 trilhões elegíveis a garantias, crescimento de 1% (R$ 55,4 bilhões) em relação a março.

Para elaboração deste censo, cada instituição associada ao FGC consolida os dados de seus clientes por meio do CPF e do CNPJ e os envia ao fundo sem a identificação do cliente. O FGC, então, agrupa as informações de todas as instituições.

Dessa forma, se uma pessoa possuir mais de uma conta corrente ou investimentos em mais de uma instituição financeira, ela pode ser contada mais de uma vez, o que tende a inflar o resultado final.

Quando considerados os limites regulamentares, como o valor de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, e por instituição financeira ou conglomerado, o saldo dos depósitos cobertos pela garantia do FGC cai para R$ 2,684 trilhões.

Ao fim de 2025, o patrimônio líquido do fundo era de R$ 123,2 bilhões, uma queda de 12,25% em relação aos R$ 140,4 bilhões de 2024, antes da onda de liquidações envolvendo o Banco Master.

O QUE É O FGC

O FGC protege investidores contra a falência de instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central a funcionar no Brasil.

O fundo foi criado em 1995, após autorização do CMN (Conselho Monetário Nacional), em meio a crise bancária que levou diversos bancos à falência. Seu objetivo final, além de garantir depósitos e investimentos até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, é conferir estabilidade ao sistema financeiro.

SÃO GARANTIDOS PELO FGC:

  • depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio;

  • poupança;

  • depósitos a prazo, com ou sem emissão de certificado, como CDB e RDB

  • depósitos mantidos em contas não movimentáveis por cheques destinadas ao registro e controle do fluxo de recursos referentes a prestação de serviços de pagamento de salários, vencimentos, aposentadorias, pensões e similares;
  • LC (letra de câmbio)
  • LH (letra hipotecárias)
  • LCI (letras de crédito imobiliário)
  • LCA (letras de crédito do agronegócio)
  • LCD (letras de crédito do desenvolvimento)
  • operações compromissadas que têm como objeto títulos emitidos, após 8 de março de 2012, por empresa ligada.
Por Júlia Moura/Folhapress

Preso, Lula recebeu Haddad semanalmente e orientou campanha em 2018 via cartas e recados

Quando esteve preso alvo da Lava Jato, o presidente Lula (PT) recebeu Fernando Haddad (PT) semanalmente até o início da campanha de segundo turno de 2018 e orientou a estratégia eleitoral por meio de cartas e recados políticos via aliados.

Foi da cadeia no Paraná que Lula oficializou o ex-prefeito da cidade de São Paulo como candidato do partido ao Planalto, oito anos atrás. "Quero pedir, de coração, a todos os que votariam em mim, que votem no companheiro Fernando Haddad para presidente da República", escreveu ele em mensagem lida em frente à sede da Polícia Federal em Curitiba, faltando menos de um mês para a votação.

Nos últimos dias, bolsonaristas têm citado as condições da prisão de Lula em Curitiba para criticar as medidas impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. O magistrado expediu medidas cautelares proibindo Bolsonaro, na prisão domiciliar, de se manifestar, inclusive por meio de terceiros, e determinou na segunda-feira (13) a proibição de visitas do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), após a leitura de uma carta do pai no último final de semana.

Pesa contra o ex-presidente também um histórico de inobservâncias a medidas determinadas por Moraes mesmo antes do cumprimento definitivo da pena. Em episódio recente, Bolsonaro teve 11 armas apreendidas. Antes, no ano passado, houve tentativa de violação da tornozeleira eletrônica e divulgação de vídeos em uma manifestação.

Aliados de Lula rejeitam as comparações e ressaltam que Bolsonaro está sob medidas cautelares em prisão domiciliar.

O petista passou 580 dias preso em Curitiba em decorrência de condenação na Lava Jato. Em 2018, ele registrou candidatura à Presidência, mesmo detido, e acabou abrindo mão da disputa após decisão da Justiça Eleitoral o impedindo de concorrer.

A execução penal ficou sob responsabilidade da juíza federal Carolina Lebbos, de Curitiba.

Durante sua prisão, ele foi impedido de dar entrevistas. A comunicação escrita, entretanto, foi expressamente permitida ao petista. A 12ª Vara Federal de Curitiba negou os pedidos de sabatinas de veículos de imprensa e jornalistas, mas definiu que Lula poderia se comunicar por cartas.

"O direito do preso de contato com o mundo exterior e sua liberdade de expressão estão sendo devidamente assegurados, mediante correspondência escrita e visitação, nos termos legais", diz trecho mencionado em ao menos cinco decisões dadas durante o período em que Lula esteve detido.

As condenações de Lula, por corrupção e lavagem de dinheiro, foram anuladas pelo STF em 2021, quando a corte concluiu em julgamentos que os processos não tramitaram na devida jurisdição e que o então juiz Sergio Moro foi parcial ao conduzir os casos.

Em 2019, o PT chegou a publicar um compilado de excertos redigidos em meio à prisão denominado "Mensagens de Lula do Cárcere: 1 ano de prisão em 22 bilhetes emocionantes".

A Lei de Execuções Penais, que disciplina o cumprimento de penas, especifica que o "contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, da leitura e de outros meios de informação" é um direito dos presos.

Em 2018, Lula manteve contato frequente com seus advogados, entre eles o próprio Haddad, que recebeu uma procuração para atuar como seu defensor. Da cela na sede da Polícia Federal em Curitiba, o hoje presidente foi para a linha de frente da articulação da campanha petista naquele ano.

Haddad assumiu a candidatura presidencial e foi ao segundo turno contra Bolsonaro (na época no PSL). Após a primeira votação, deixou de visitar Lula com frequência. Eles se reuniram após o primeiro turno e ouviu do líder do PT que era preciso "ir para a rua fazer campanha" e tentar conter o avanço do adversário.

Após o término das eleições, a Justiça restringiu as visitas de Haddad e decidiu que elas deveriam se limitar ao regime das sociais, não mais aquelas na condição de advogado.

Outros aliados do petista recorreram à qualidade de advogado para acessar o presidente enquanto estava preso. Assim como no caso de Flávio Bolsonaro, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) saiu em defesa de um deles, o então deputado federal Wadih Damous (PT-RJ).

A procuração que o estabelecia como defensor de Lula foi questionada com base no Estatuto da OAB, que proíbe membros do Legislativo de exercer algumas atividades na advocacia. A seccional do Paraná conseguiu reverter a decisão e manteve Damous, que já presidiu a divisão fluminense da Ordem, como representante.

Gleisi Hoffmann (PT-PR), à época senadora e presidente do PT, não teve a mesma sorte. Seu pedido para ser reconhecida como defensora de Lula foi indeferido pela Justiça Federal. O precedente de Damous foi considerado de caráter individual e não teve alcance automático para a petista.

No caso de Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe, a proibição de declarações públicas, como manifestações em redes sociais e entrevistas, foi estabelecida antes do julgamento, há quase um ano. Na época, Moraes argumentou que o então presidente instigava seguidores contra o Judiciário e tentava coagir autoridades durante a tramitação da ação penal da trama golpista.

Nesta segunda, Moraes considerou que Flávio violou uma restrição imposta a Bolsonaro de não usar redes sociais, diretamente ou por terceiros, ao divulgar a carta escrita pelo ex-presidente.

Após a decisão do ministro, a OAB pediu, nesta terça-feira (14), que autorize o senador a manter contato com o ex-presidente. Flávio é advogado e está inscrito na defesa do pai.

Na decisão de março, que concedeu a Bolsonaro a prisão domiciliar humanitária, Moraes determinou que os defensores do ex-presidente pudessem visitá-lo diariamente por 30 minutos, entre 8h20 e 18h. A visitação de familiares está autorizada às quartas-feiras e sábados.

Por Arthur Guimarães de Oliveira e João Pedro Abdo/Folhapress

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