Jurista brasileiro propõe à ONU sistema judicial global para cenário de colapso diplomático
O jurista e ativista de direitos humanos Charles Ruiz Abel de Oliveira Bulhões Trevisan encaminhou à ONU neste fim de semana proposta de criação da "Suprema Corte Internacional (SCI)". Conforme o documento remetido ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, o órgão serviria para enfrentar um cenário de eventual colapso da ordem diplomática internacional.
O anteprojeto prevê a criação da Suprema Corte Internacional como órgão máximo do Judiciário global, com jurisdição "única, indivisível e obrigatória".
A SCI atuaria como sucessora legal do Tribunal Penal Internacional (TPI) e da Corte Internacional de Justiça (CIJ), reunindo competências criminais e cíveis para reduzir a fragmentação da justiça internacional.
A atuação do órgão se dividiria em turmas especializadas para países do Oriente e do Ocidente, tendo direito atuar tanto na esfera criminal quanto na cível. A divisão em turmas, conforme o documento, busca ampliar a legitimidade cultural das decisões e responder a eventuais críticas de "imperialismo judicial".
Estrutura
Um dos pontos centrais do projeto é a criação da "Guarda Pretoriana Internacional", com jurisdição extraterritorial para executar ordens da Corte, sem reconhecimento de imunidades diplomáticas. "Persistindo a ineficácia de medidas, a Corte acionará sua Guarda, esquadrão de Elite, de Inteligência e comando Civil e Militar superior e formação especializada, que dará prioridade e atenção absoluta à execução dos dispostos."
O esboço de estatuto prevê a possibilidade de destituição de chefes de Estado que obstruam a justiça. Nesses casos, a SCI poderia nomear um "Curador Judicial de Estado", com poderes provisórios sobre o Executivo e as Forças Armadas nacionais, até a restauração da ordem institucional.
Para garantir independência financeira, o documento propõe um modelo de custeio obrigatório, pelo qual cada Estado-membro contribuiria anualmente com 1% de seu Produto Nacional Bruto (PNB). Os recursos seriam protegidos como cláusula pétrea nos orçamentos nacionais.
Por Luiz Araújo, Estadão Conteúdo
Trump diz que "Irã ligou para negociar"
Afirmação acontece dias após o presidente americano afirmar que os EUA "interviriam" em caso de violência contra manifestantes em Teerã
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste domingo (11) que o Irã, que atualmente enfrenta protestos violentos e tensões com os EUA, ligou para ele no sábado (10) para negociar.
"Eles ligaram ontem [...] O Irã ligou para negociar", disse Trump.
"Os líderes do Irã querem negociar [...] Acho que eles estão cansados de apanhar dos Estados Unidos. O Irã quer negociar conosco.", acrescentou o presidente americano.
Os comentários de Trump vêm dias depois dele ter dito a repórteres que, se Teerã se envolvesse em violência contra manifestantes, os EUA "interviriam".
A CNN noticiou no domingo que Trump está considerando várias opções de intervenção, desde ataques militares a novas sanções contra figuras do regime ou setores da economia iraniana, como energia ou o setor bancário.
Piper Hudspeth Blackburn, da CNN
PRF resgata casal sequestrado na BR-135 em São Luís
Criminosos armados renderam as vítimas e as levaram para um matagal; ação rápida da PRF evitou que transferências bancárias fossem concretizadas
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) resgatou, na tarde deste sábado (10), um casal que havia sido sequestrado por três indivíduos armados nas imediações do km 12 da BR-135, em São Luís (MA). As vítimas — um rapaz e uma jovem, ambos de 23 anos — tinham acabado de sair de um restaurante às margens da rodovia quando foram abordadas pelos criminosos, dois deles portando revólveres calibre .38.
Após render o casal, o trio obrigou as vítimas a seguirem até um matagal próximo. No local, sob a mira de armas de fogo, os criminosos exigiram que desbloqueassem os celulares, acessassem aplicativos bancários e realizassem transferências como condição para a libertação. Graças à ação rápida da PRF, nenhuma transferência chegou a ser realizada pelas vítimas.
Ação rápida da PRF após denúncia e rastreamento
Por volta das 13h30, um primo do rapaz sequestrado, que acompanhava a movimentação do veículo pelo GPS, acionou a PRF informando que o casal havia acabado de ser levado para uma área de mata por indivíduos armados.
Com a localização repassada pela testemunha, equipes da PRF deslocaram-se imediatamente para o ponto indicado, uma região de matagal de difícil acesso, próximo ao local onde foram abordados.
Ao se aproximarem do local, os policiais visualizaram a caminhonete das vítimas com três indivíduos nos bancos dianteiros. No momento em que receberam voz de prisão, dois dos envolvidos fugiram em direção à mata fechada. Um deles foi capturado: ele completou 18 anos em novembro de 2025, e foi detido.
Relatos das vítimas e fuga dos demais suspeitos
O casal confirmou aos policiais toda a dinâmica do sequestro e as ameaças sofridas. Relataram que os criminosos exigiram acesso aos aplicativos bancários para tentar realizar transferências, mas a intervenção imediata da PRF impediu que qualquer valor fosse movimentado.
As armas utilizadas no crime não foram encontradas no local, possivelmente levadas pelos suspeitos que fugiram.
O autor detido afirmou à equipe que não conhece os outros envolvidos. Disse ainda que havia sido chamado por dois conhecidos para “sair”, sem saber o destino, e que apenas acompanhou os comparsas no roubo que realizariam.
As vítimas, a testemunha que acionou a PRF, e o autor preso foram conduzidos à Delegacia de Polícia Civil, no bairro Cidade Operária, para a adoção dos procedimentos cabíveis.
Categoria
Justiça e Segurança
Trump manda alerta para Cuba: ‘Melhor fazer um acordo antes que seja tarde’
Mensagem do republicano vem uma semana depois das forças norte-americanas terem invadido a Venezuela e capturado o ditador Nicolás Maduro, que está detido nos Estados Unidos acusado de narcotráfico
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mandou um alerta, neste domingo (11), para Cuba, e solicitou que eles façam um acordo antes que seja tarde demais. A Venezuela agora tem os Estados Unidos, o maior poder militar do mundo (de longe), para protegê-los. Não vai ter mais petróleo e dinheiro indo para Cuba – zero! Eu sugiro fortemente que eles façam um acordo, antes que seja tarde demais”, escreveu Trump em sua conta no Truth Social.
Segundo o republicano, Cuba viveu, por muito anos, com grandes quantidades de petróleo e dinheiro da Venezuela, em retorno, Havana promoveu serviço de segurança para os últimos dois ditadores venezuelanos. “Muitos desses cubanos foram mortos na última semana do ataque dos EUA, e Venezuela não precisa mais de proteção de bandidos e extorsionários que os mantiveram reféns por tantos anos”, disse Trump.
O alerta de Trump vem uma semana depois das forças norte-americanas terem invadido a Venezuela e capturado o ditador Nicolás Maduro, que está detido nos Estados Unidos acusado de narcotráfico, acusação da qual se declarou inocente em sua primeira audiência, realizada na segunda-feira (5). A próxima está marcada para o dia 17 de março.
Pouco depois de realizar a publicação, Trump compartilho uma publicação de um usuário dizendo que o secretário de Estados nos Estados Unidos, Marco Rubio, deveria ser o presidente de Cuba. Em resposta, o republicado escreveu: “Parece bom”. Desentende de cubanos, Rubio tem sido peça central do governo Trump nos ataques aos países latino-americanos.
Primeiro secretário de Estado hispânico dos Estados Unidos, ele vive um momento crucial em sua carreira política desde a prisão do líder venezuelano deposto Nicolás Maduro: administrar os assuntos de um dos países mais complexos da região à distância. O político de 54 anos que, além de chefiar a diplomacia americana, também é conselheiro de Segurança Nacional na Casa Branca. Uma das coisas que ele não cede é a exigência de uma transição política em Cuba, país que seus pais deixaram antes da Revolução de 1959, justamente para fugir da ausência de democracia.
Por Sarah Américo/Jovem Pan
Tornado atinge região metropolitana de Curitiba e causa destruição
Um tornado atingiu neste sábado (10) um bairro de São José dos Pinhais (PR), cidade da região metropolitana de Curitiba. O fenômeno causou danos a telhas, arvores e muros da localidade.
Dois meteorologistas do Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) visitam neste domingo (11) o bairro Guatupê para definir a classificação do tornado. Houve danos a telhados, árvores, muros e à rede de distribuição de energia do local.
Segundo balanço divulgado pela Defesa Civil estadual, 350 residências foram atingidas, impactando 1.200 pessoas. Moradores de duas casas ficaram desalojados. Duas pessaos tiveram ferimentos leves e foram atendidas em unidades de saúde da cidade.
De acordo com o órgão, os ventos alcançaram 68,5 km/h às 17h35 no aeroporto internacional Afonso Pena, localizado na cidade. Em Curitiba, o registro atingiu 70,2 km/h no bairro Jaridim das Américas.
Imagens nas redes sociais mostram a ventania formando um cone e destalhando casas.
"A equipe de meteorologistas vai avaliar uma série de informações para enquadrar o fenômeno dentro da escala Fujita, que vai até o nível 5 (F5). A escala é a mesma aplicada em Rio Bonito do Iguaçu em novembro, quando um tornado F4, penúltimo nível da avaliação, foi confirmado pelo Simepar no município do Sudoeste", afirmou o governo estadual.
A Defesa Civil do estado afirma que a área de baixa pressão se afasta em direção ao oceano, mas a instabilidade permanece, causando risco de temporais em todo Paraná.
Destruição recente
Em novembro, o Paraná registrou mortes após passagem de um tornado. O tempo instável foi provocado por um ciclone extratropical que atingiu especialmente a região Sul do país na sexta. No Paraná, os tornados foram registrados nas cidades de Rio Bonito do Iguaçu, Turvo e Guarapuava.
Em Rio Bonito do Iguaçu, onde cinco pessoas morreram, os ventos chegaram a 330 km/h, em uma estimativa divulgada pelo Simepar. Outra vítima morreu na zona rural de Guarapuava.
O que é um tornado?
É uma nuvem em formato de funil ou tromba, que se conecta com uma nuvem de tempestade maior. Eles são menores em tamanho —têm diâmetros de algumas dezenas de metros, normalmente— e duram por alguns minutos.
O tornado pode se formar numa circunstância de ciclone extratropical, mas não se restringe a esse tipo de situação. Outros tipos de tempestade também podem levar à formação de tornados.
O tornado também se forma quando há choque de massas de ar quente e frio. Quando há grande variação de temperatura em mais de uma direção.
Por FolhapressAfastamentos por burnout disparam e gastos com auxílios pressionam Previdência
Benefício por esgotamento no trabalho cresce 493% entre 2021 e 2024; governo monitora situação
A empresária e hoje criadora de conteúdo Carla Ramalho, 34, passou meses ignorando sinais de que algo não ia bem. Olho tremendo, insônia, lapsos e perda de memória, irritabilidade e queda de desempenho viraram parte da rotina enquanto trabalhava como gerente de marketing em uma multinacional. "Eu acordava mais cansada do que quando ia dormir."
O diagnóstico de burnout veio depois de um longo período de esgotamento tratado como normal. Afastada por 15 dias, tentou voltar ao trabalho, mas teve uma crise de pânico e se demitiu.
Os afastamentos por burnout —síndrome do esgotamento profissional— se multiplicaram por 6 em quatro anos e passaram a pressionar os gastos da Previdência Social.
Dados do MPS (Ministério da Previdência Social) apontam alta de 493% nos auxílios-doença por esgotamento no trabalho e falta de lazer, saltando de 823 casos em 2021 para 4.880 em 2024. Nos seis primeiros meses de 2025, os registros chegaram a 3.494, representando 71,6% dos afastamentos do ano anterior.
Os números podem estar subnotificados. O esgotamento no trabalho não é fácil de ser identificado e pode levar o profissional a ser afastado por outras doenças. Além disso, trabalhadores informais não contribuem com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e ficam fora das estatísticas.
"A irritabilidade foi o sintoma mais latente para mim. Entreguei por meses [o trabalho] na força do ódio, ignorando totalmente os sintomas", diz Carla.
Em 2024, o INSS concedeu 472,3 mil auxílios-doença relacionados à saúde mental —o que inclui depressão, ansiedade e outras síndromes— de um total de 3,6 milhões de afastamentos. No ano anterior, foram 283,5 mil.
Em 2025, os transtornos por saúde mental geraram 271.076 afastamentos de janeiro a junho, de um total de mais de 2 milhões de auxílios e já representam 1 em cada 7 afastamentos, aproximando-se das concessões por problemas ósseos e musculares, que lideram as doenças no INSS.
Carla não recebeu auxílio-doença, pago depois de 15 dias de afastamento —nesse período, para quem tem carteira assinada, o valor é pago pela empresa—, e reconhece que só melhorou por ter rede de apoio e vida financeira estável.
Ela destaca o preconceito e o medo de ser visto como fraco como fatores que fazem o trabalhador não buscar ajuda e fugir do afastamento. Em vídeo na internet, explica as diferenças entre ter síndrome de burnout —adoecimento crônico— e um burnout pontual. A trabalhadora viveu os dois casos.
As despesas com auxílio têm crescido mais do que as com outros benefícios e passaram de R$ 18,9 bilhões em 2022 para R$ 31,8 bilhões em 2024, alta de 68%. Já os gastos totais da Previdência subiram de R$ 734,3 bilhões, em 2022, para R$ 802,2 bilhões em 2023 —alta de 9,2%— e chegaram a R$ 876,9 bilhões em 2024, crescimento de 19,4% ante 2022.
"Não é questão de não aguentar o tranco. É questão de adoecer. Se fosse um relacionamento amoroso que te levasse a esse estado, todo mundo diria para terminar. Burnout não é frescura, não é desculpa. É um problema de saúde reconhecido pela OMS [Organização Mundial da Saúde]", diz Carla.
O avanço acelerado dos afastamentos por transtornos mentais acendeu um alerta no governo. Estudos de impacto começaram ainda na gestão de transição, em 2022, quando já se observavam efeitos prolongados do pós-pandemia.
A ampliação do home office, o aumento do tempo conectado e o crescimento da informalidade e da chamada uberização passaram a ser considerados pontos-chave do novo cenário de adoecimento.
MULTA POR FALTA DE MAPEAMENTO DE RISCO COMEÇA EM MAIO
Em 2023, normativa do Ministério da Saúde reforçou o burnout como doença ocupacional, consolidando o direito ao auxílio-doença que dá estabilidade na volta ao trabalho. No ano seguinte, o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) passou a exigir o mapeamento de riscos psicossociais nas empresas. Mas a pressão de empregadores fez o governo adiar para maio de 2026 o início das multas a quem descumprir a norma.
A historiadora e jornalista Ana Carolina Rangel, 44, viveu por anos em estado de exaustão permanente, sem perceber que estava doente. Dormia com dois celulares e ficava disponível para a empresa quase 24 horas por dia. Teve uma hérnia de disco, infecções de ouvido e garganta, e sofreu dois abortos.
Foi na pandemia de Covid-19 que a exaustão chegou ao limite e veio o diagnóstico: síndrome de burnout. "Em nenhum momento consegui identificar o que realmente era. Não cheguei a verbalizar na empresa, porque esse tipo de vulnerabilidade era ainda menos aceita do que hoje. Era como se eu estivesse em um deserto interno", diz.
Ana Carolina, hoje especialista em felicidade corporativa, atribui o aumento do cansaço entre os trabalhadores à intensificação de fatores já existentes, como longas jornadas e dificuldades de transporte, somados ao crescimento da ansiedade, impulsionado pela internet e pela sensação de disponibilidade permanente.
Outro fator, segundo ela, é a precarização do trabalho. "Eu vejo muitas pessoas da base da pirâmide [social] tendo que complementar a renda com trabalhos informais, como trabalho com aplicativos."
A especialista diz que é difícil para o trabalhador identificar sozinho o burnout ou sair dele. Em meio a isso, outras doenças relacionadas ao esgotamento começam a surgir, confundindo ainda mais os sintomas. "Com cansaço e falta de sono, a imunidade cai."
Segundo o MTE, estudos mostram que o impacto do adoecimento mental no trabalho não se limita ao período de afastamento. Benefícios por doenças ocupacionais não exigem carência no INSS —não é preciso ter um mínimo de contribuições para ter direito, como nos auxílios comuns—, o que amplia a base de trabalhadores. Além disso, as contribuições deixam de ser pagas.
O profissional continua com depósitos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) pela empresa e tem estabilidade de 12 meses após voltar ao trabalho. Caso seja considerado auxílio previdenciário —por doença comum—, esses direitos não estão previstos.
Para Leonardo Rolim, ex-ministro da Previdência e ex-presidente do INSS, o crescimento dos afastamentos por transtornos mentais é um fenômeno estrutural e de longa duração, que se intensificou no início dos anos 2000 e ganhou força após a pandemia com mudanças no mercado de trabalho.
Rolim diz que setores como o bancário já apresentavam altos índices de adoecimento psíquico há mais de uma década, com pressão por metas e outros fatores.
Outro ponto que ele destaca é o fato de que auxílios comuns duram três ou quatro meses, mas os relacionados à saúde mental podem se estender por seis meses ou mais. "O impacto maior não é apenas na despesa previdenciária, mas na produtividade do país e na vida das pessoas", diz.
IMPACTO NA JUSTIÇA DO TRABALHO
A advogada Priscila Arraes Reino, especializada em Previdência, afirma ser perceptível o crescimento de processos na Justiça envolvendo síndrome de burnout, tanto em volume quanto em gravidade. Segundo ela, o que chega ao Judiciário é resultado de exposições prolongadas a ambientes de trabalho que estão adoecendo as pessoas.
Levantamento do escritório Trench Rossi Watanabe mostra que o número de ações trabalhistas pela síndrome segue em trajetória de alta. O termo aparece em 17,2 mil processos distribuídos em 2024 em petições iniciais, sentenças, acórdãos e decisões do TST (Tribunal Superior do Trabalho).
Em 2025, foram 20,1 mil menções, segundo a advogada Priscila Kirchhoff, sócia do escritório. O total representa alta de 16,9%. "Em 2025, as ações trabalhistas que mencionam burnout somaram um passivo de R$ 3,63 bilhões para as empresas. O valor médio das causas por processo foi de R$ 286 mil."
Para Arraes, o burnout, reconhecido como doença do trabalho no Brasil desde 1999, deve ser compreendido como problema estrutural do trabalho contemporâneo, e não como fragilidade individual.
A advogada diz que os gastos para a Previdência são altos, mas o impacto para o trabalhador pode ser irreparável. "O benefício por incapacidade, em regra, é inferior à remuneração habitual, gerando perda de renda, instabilidade financeira e dificuldades para custear tratamento e medicação, muitas vezes de uso contínuo e alto custo", diz.
Para conseguir o auxílio no INSS, o trabalhador deve apresentar atestado médico com a CID (Classificação Internacional de Doenças) e ter laudos que comprovem que o adoecimento está ligado ao trabalho. O pedido é feito pela Central 135 ou pelo aplicativo ou site Meu INSS.
Por Cristiane Gercina e Júlia Galvão, Folhapress
Defesa de Vorcaro tem exército de cinco escritórios e apoio de ex-procurador do BC
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, montou um exército de advogados para defendê-lo na guerra jurídica que trava desde que foi preso, na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Ele foi solto após 12 dias, em novembro, depois que sua defesa conseguiu um habeas corpus na Justiça.
A ofensiva jurídica conta com cinco escritórios que trabalham em quatro frentes: STF (Supremo Tribunal Federal), Banco Central, TCU (Tribunal de Contas da União) e exterior.
A equipe atua com um padrão que costuma ser classificado no mundo jurídico como agressivo, tanto nos autos como nos bastidores do TCU e do STF, e conta com apoio técnico de um ex-procurador do Banco Central, especialista em regimes especiais —como o da liquidação extrajudicial aplicada pelo órgão regulador ao Master.
De acordo com pessoas envolvidas no caso ouvidas pela Folha na condição de anonimato, os advogados trabalham para trocar o liquidante do Master, Eduardo Félix Bianchini, nomeado pelo BC e representado pela empresa EFB Regimes Especiais.
Além de se livrar das acusações criminais, um dos objetivos do dono do Banco Master é reduzir as resistências da opinião pública sobre as suspeitas que pesam sobre ele.
As controvérsias em torno do caso aumentaram após movimentações recentes dos ministros Dias Toffoli (STF) e Jhonatan de Jesus (TCU), que foram vistas por setores financeiros como uma tentativa de blindagem de Vorcaro e enfraquecimento da atuação do BC. Nos últimos anos, o dono do Master construiu uma rede de amizades no mundo político de Brasília em busca de influência.
Vorcaro é investigado pela prática de fraude contra o Sistema Financeiro Nacional. Ele foi preso na noite do dia 17 de dezembro e solto por decisão da desembargadora Solange Salgado, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região).
No Brasil, a ofensiva jurídica do ex-banqueiro é encabeçada pelos advogados Pierpaolo Bottini, Roberto Podval, Walfrido Warde e Sérgio Leonardo.
Nos Estados Unidos, Vorcaro é representado pelo escritório King & Ruiz, que pediu ao Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida (EUA) que não fosse aceito um pedido de reconhecimento do processo de insolvência do Master no Brasil, feito pelo liquidante do banco no fim do ano.
Numa derrota para Vorcaro, o juiz Scott M. Grossman reconheceu na quinta-feira (8) o processo de liquidação.
Dos 4 escritórios de advocacia que representam Vorcaro nas ações do STF e no processo do TCU, 3 atuam na área criminal (Podval Advogados, Marcelo e Sérgio Leonardo Advogados Associados e Bottini & Tamasauskas) e um na área regulatória (Warde Advogados).
Pierpaolo Bottini é apontado como um dos maiores criminalistas da atualidade no Brasil. Entrou no caso na época em que Vorcaro teve conhecimento, por uma reportagem da Folha, de que a PF tinha aberto um inquérito para investigá-lo, que estava sob sigilo.
As peças que tentam suspender a liquidação no TCU são assinadas pelos escritórios de Podval e Sérgio Leonardo, mas a Warde Advogados, comandada por Walfrido Warde, também trabalhou junto à Corte de Contas para tentar paralisar ou desfazer a medida do Banco Central, segundo pessoas que acompanham e conhecem o processo.
Um dos sócios do Warde Advogados que, segundo essas pessoas, atua nas demandas é Marcel Mascarenhas, ex-procurador-geral-adjunto do BC. Ele saiu do órgão em 2022 para ingressar na banca.
Mascarenhas é o maior conhecedor do assunto no escritório e tem contribuído para a defesa que Vorcaro faz no TCU sobre a liquidação do banco, com o próprio Walfrido.
Procurado, o Warde Advogados disse que "não representa Daniel Vorcaro perante o Tribunal de Contas da União". Acrescentou que o único responsável "pela interação com esse cliente em Warde Advogados, para os vários assuntos em que o escritório é demandado, é Walfrido Warde".
Três ex-colegas de Mascarenhas no BC, ouvidos pela Folha, dizem enxergar a marca dele nos textos apresentados em defesa de Vorcaro.
A defesa de Vorcaro tem dito que o principal objetivo de atuação no TCU não é reverter a liquidação do Banco Master, mas sim a suspensão da medida, seguida pela substituição do atual liquidante por um que tenha a anuência de sua instituição financeira.
Essa posição da defesa contrasta, porém, com os termos da ação apresentada à Justiça dos Estados Unidos, na qual argumentou que o processo de liquidação ainda pode ser revertido no TCU (Tribunal de Contas da União) e pede que a Justiça americana adie o reconhecimento do processo.
Até o momento, a maior vitória dos advogados no inquérito criminal é ter retirado o inquérito da Justiça Federal do Distrito Federal e enviado para a supervisão de Toffoli, que tem levantado questionamentos sobre a atuação do Banco Central, não apenas do Master e do BRB (Banco de Brasília), que pretendia comprar a instituição de Vorcaro.
Embora a defesa tenha pedido inicialmente para que o processo fosse enviado ao ministro Kassio Nunes Marques, o sorteio de Toffoli para a relatoria também foi considerado positivo para a defesa. No Supremo, atuam apenas os escritórios especializados em direito criminal.
Quando o processo foi enviado para o STF, os advogados enviaram notificações a todas as superintendências da Polícia Federal e também a varas da Justiça para informar que eventuais autos que mencionassem Vorcaro fossem enviados ao ministro, com o objetivo de evitar decisões em instâncias inferiores determinando a prisão do ex-banqueiro.
Eles também chegaram a pedir a Toffoli uma mesa de conciliação para chegar a um acordo sobre os termos da liquidação extrajudicial da instituição financeira e da venda de seus ativos.
A interlocutores Warde tem repetido que sua atuação se resume a questões regulatórias, sem envolver a defesa criminal nem atuação no TCU. Warde é conhecido por expertise em disputa societária e mercado de capitais, além de presidir o IREE (Instituto para a Reforma das Relações entre Estado e Empresa).
Na área criminal, o grupo mapeia todos os aspectos das acusações que estão sendo feitas para levantar dados para esclarecer os fatos. Os advogados dizem que eles podem ser esclarecidos com facilidade.
O exército de advogados de Vorcaro
Pierpaolo Bottini: Sócio-fundador do Bottini & Tamasauskas, apontado como um dos maiores criminalistas em atividade no país. Foi secretário de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça (2005-2007), no governo Lula.
Walfrido Warde: Sócio-fundador do Warde Advogados, especializado em disputas societárias e mercado de capitais. Preside o IREE (Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa).
Roberto Podval: Fundador do Podval Advogados, atua como criminalista desde 1988. Tem uma carreira marcada por casos complexos e de repercussão na mídia, incluindo processos da Lava Jato. É membro do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais.
Sérgio Leonardo: Atua no escritório Marcelo e Sérgio Leonardo, fundado em 1949. É um escritório com três gerações de criminalistas com 75 anos de atuação.
King & Ruiz: Especializado em litígios e disputas de alto risco. Tem escritórios em Miami, São Francisco e Nova York. A defesa é feita por Gabriela Ruiz, sócia-gerente do escritório em Miami.
Por Adriana Fernandes e José Marques, Folhapress
Profissão multimídia prejudica jornalista e radialista, diz sindicato
Associação de emissoras de TV e rádio vê medida como avanço
A profissão de multimídia foi reconhecida oficialmente na quarta-feira (7) com a publicação da Lei nº 15.325/2026 no Diário Oficial da União. Ela prevê que um mesmo profissional acumule atividades de produção, edição e distribuição de conteúdos audiovisuais e digitais.
Para os sindicatos, a legislação traz prejuízos para jornalistas e radialistas. Já a associação de emissoras de TV e rádio defende que ela permite “atuação transversal dos profissionais”. O projeto de origem é da deputada Simone Marquetto (MDB-SP) e teve aprovação da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), seus 31 sindicatos filiados e o Movimento Nacional dos Radialistas (MNR) criticaram duramente a sanção da lei. Para as entidades, a nova norma “ataca diretamente jornalistas e radialistas”, cria insegurança jurídica e beneficia empresários do setor de comunicação.
Faltou diálogo
A nota conjunta diz que não houve diálogo com as entidades representativas das categorias. Também destacou que as funções atribuídas ao profissional multimídia já são exclusivas, por legislação específica, das profissões de jornalista e radialista. A crítica aponta ainda que o texto não prevê carga horária, registro e formação específica para a nova profissão.
“As entidades representativas vão tomar as medidas legais necessárias para preservar as profissões frente a mais essa aberração legislativa”, diz o comunicado.
Elas também criticaram o que chamam de tentativa de “desregulamentar, à força, o trabalho de jornalistas e radialistas”, ao criar um “sombreamento legal que só beneficia os empresários”. A Fenaj afirma ter estranhado que “o governo Lula, de origem no movimento dos trabalhadores”, tenha sancionado a proposta sem vetos.
Abert
Em sentido oposto, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) avaliou positivamente a lei. Para a entidade, é “um avanço relevante ao conferir clareza e reconhecimento profissional às atividades exercidas em um ambiente cada vez mais marcado pela convergência de mídias” e “múltiplas plataformas”.
“A nova lei está plenamente alinhada à convergência tecnológica do setor de comunicação, que exige atuação transversal dos profissionais, adaptação constante às inovações tecnológicas e atualização permanente para atender às demandas de um mercado de trabalho em contínua transformação”, disse o presidente-executivo da Abert, Cristiano Lobato Flôres.
Lei nº 15.325/2026
A nova legislação define como multimídia o profissional multifuncional, de nível superior ou técnico, apto a atuar na criação, produção, captação, edição, planejamento, gestão, programação, publicação e distribuição de conteúdos de sons, imagens, animações, vídeos e textos em mídias eletrônicas e digitais.
Entre as atribuições listadas estão a criação de portais, sites, redes sociais, animações, jogos eletrônicos, aplicativos, além da produção, edição, direção e gestão de conteúdos audiovisuais e digitais.
A lei estabelece que o profissional multimídia atue em empresas e instituições públicas ou privadas, incluindo emissoras de radiodifusão, produtoras de conteúdo, provedores de aplicações de internet e agências de publicidade. A norma também assegura que profissionais de outras categorias possam, com concordância do empregador, celebrar aditivo contratual para exercer atividades de multimídia.
Por Agência Brasil
Entidade aciona conselho da OAB para pedir fim do sigilo do caso Master
O Instituto Movad de Respeito à Advocacia protocolou na quarta-feira (7) um requerimento ao conselho federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para que o órgão peça a retirada do sigilo decretado pelo ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), ao caso Master.
Em dezembro, Toffoli determinou que diligências e medidas relacionadas à investigação contra Daniel Vorcaro e o Banco Master sejam avaliadas pelo STF. Também impôs sigilo elevado ao caso, atendendo a um pedido da defesa para ocultar do público parte das informações sobre o andamento processual.
A petição, assinada pelo presidente do instituto, Sérgio Antunes Lima Júnior, e pela vice-presidente, Daniella Martins Carvalho, argumenta que o segredo de justiça deve ser exceção e que, em casos que envolvem o sistema financeiro e possíveis conflitos de interesse de agentes públicos, a regra deve ser a publicidade.
"A OAB, como guardiã da Constituição e dos princípios democráticos, possui legitimidade e dever institucional de zelar pela transparência dos atos processuais que impactam a credibilidade da justiça e o exercício da advocacia", escrevem os advogados.
"Vale destacar que, eventualmente, e diante das apurações, milhares de cidadãos, consumidores e investidores poderão pleitear direitos, através de seus respectivos advogados, dos mais diversos, o que, por ora, diante da imposição de sigilo afeta, eventual atuação da advocacia", continuam.
Eles ressaltam ainda que há indícios de que as investigações não estão restritas à esfera criminal, "impactando outras áreas, especialmente a do consumidor".
Por Danielle Brant, Folhapress
Ipiaú: Policiais Militares faz apreensão de entorpecentes e condução por ato infracional análogo ao tráfico de drogas.
As 17h34 deste sábado (10), durante rondas ostensivas e preventivas, a guarnição da ROTAM recebeu denúncia sobre a prática de tráfico de drogas no bairro Aloísio Conrado. Ao intensificar o patrulhamento na localidade, um indivíduo tentou evadir para o interior de uma residência, sendo alcançado e contido.
Após diligência, foram localizados entorpecentes e materiais utilizados para acondicionamento de drogas. O adolescente envolvido e todo o material apreendido foram apresentados à autoridade policial para adoção das medidas legais cabíveis.
- 12 buchas de substância análoga à maconha;
- Embalagens para acondicionamento de drogas;
- 01 aparelho celular.
ENVOLVIDO
O adolescente, 16 anos, conduzido na condição de autor de ato infracional e todo material apreendido foram apresentados na Delegacia Territorial de Jequié
FONTE: ASCOM / 55ª CIPM/PMBA, uma Força a serviço do cidadão!
PT tenta usar crise na Venezuela contra a direita e reaviva divisões internas
Catalisador de emoções, discurso sobre a Venezuela marca radicalidade em debates internos do PT
Há pelo menos duas décadas, o Brasil corre o risco de virar uma Venezuela. É o que a direita repete a cada eleição, em contraponto à relação amistosa entre o PT e o regime chavista. Pois o fantasma está novamente à solta. Com a invasão dos Estados Unidos à Venezuela, e a decorrente deposição do ditador Nicolás Maduro, a direita quer amedrontar os petistas. Mas eles dizem que já não acreditam em assombrações,
Integrantes do PT tentam usar a crise venezuelana contra o bolsonarismo, com o discurso da soberania nacional. A estratégia, dizem parlamentares da base do governo, é mostrar que a oposição tem pretensões entreguistas para o Brasil. Contudo, a Venezuela ainda é um assunto incômodo para o partido, porque ressuscita divisões internas sobre o conceito de democracia e, sobretudo, o reconhecimento de uma ditadura no país vizinho.
"Essa coisa de Brasil virar Venezuela nunca pegou. O que vai pegar nas eleições é a bandeira da paz na América do Sul. A direita está atacando a democracia e defendendo uma intervenção aqui", diz o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do partido na Câmara.
Lindbergh refere-se à montagem compartilhada pela internet pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), no mesmo dia da captura do ditador venezuelano. Nela, o presidente Lula (PT) aparece sendo preso pelo Exército americano.
Em seguida, parlamentares de esquerda acionaram a PGR (Procuradoria-Geral da República) contra Nikolas. Em outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que hoje é o candidato da direita ao Planalto, havia feito outra postagem, dando margem para acusações de entreguismo. Em sua conta no X, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sugeriu, em uma publicação do secretário de Defesa do governo Donald Trump, que os Estados Unidos fizessem uma operação, no Rio de Janeiro, contra o narcotráfico.
Com o avanço das investigações da trama golpista, os apelos do bolsonarismo à política externa tornaram-se constantes. Segundo a Polícia Federal, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), à época ainda exercendo mandato como deputado, pressionou o governo Trump a aplicar sanções contra o Brasil. De acordo com a denúncia da PF, o objetivo era coagir o Judiciário brasileiro durante o processo que acabou por condenar seu pai a 27 anos de prisão. Ao reverter o tarifaço de Trump, o Planalto incorporou o discurso pela soberania.
"A direita vai se enrolar novamente, assim como ocorreu com as tarifas. Eles se iludem achando que têm protagonismo com Trump, mas o presidente americano só está interessado numa política imperialista", afirma Lindbergh.
Em meio às incertezas sobre o futuro da Venezuela, PT, PSOL e MST fundaram uma frente em solidariedade à população vizinha. Lula e a bancada do partido escreveram notas criticando a intervenção dos EUA.
Em contraste, os governadores de direita, entre os quais o de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), comemoraram a ação. Em um vídeo, Tarcísio usou a imagem de Lula abraçado a Maduro para relacionar o episódio com a chance de uma derrota da esquerda nas eleições de outubro. O governador reavivou, assim, as comparações entre o PT e o chavismo, antiga tática resumida numa famosa sentença: o Brasil vai virar uma Venezuela. A frase se apoia na recusa do PT em reconhecer a ditadura daquele país.
Um relatório da ONG Human Rights Watch, de 2017, já denunciava a concentração de poder no Executivo, as violações dos direitos humanos e a censura à mídia. Em 2024, a vitória de Maduro não foi reconhecida por observadores, como o Carter Center, nem pela OEA (Organização dos Estados Americanos). Lula não reconheceu a lisura daquele pleito, mas, naquele ano, disse que a Venezuela não era uma ditadura, mas apenas um "regime desagradável". Já o PT afirmou que a eleição de Maduro havia sido democrática. O hoje líder do governo Lula no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), divergiu e chamou à época o regime de ditadura.
A postura hesitante espelha as divisões internas do PT e suas respectivas visões sobre autoritarismo. Tais diferenças foram expostas com a crise dos últimos dias. Presidente da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial, o deputado Reimont (PT-RJ) diz que o regime venezuelano é uma ditadura e, assim como Israel e Honduras, viola os direitos humanos.
Reimont afirma que a frente de esquerda não é a favor de Maduro, mas em solidariedade à população local. "Compreendemos que a Venezuela deve resolver os problemas por conta própria", conta ele, integrante da CNB (Construindo Um Novo Brasil), corrente majoritária da sigla, liderada pelo próprio Lula.
Reimont reconhece que a direita deve despertar, nas eleições, o fantasma da Venezuela, sugerindo que o PT apoia criminosos. Contudo ele diz ter agora elementos de contra-ataque. "A nossa estratégia na eleição precisa estar ligada à comparação, porque a direita tem nada a apresentar. Então, eles usam esse terrorismo. Mas temos frases de efeito agora, do tipo 'como Deus está acima de tudo e Trump está acima da América Latina?'".
A visão de Reimont sobre a Venezuela, no entanto, não é unânime no partido. Alinhado à corrente Articulação de Esquerda, o historiador Valter Pomar diz que a direita, comparando Brasil à Venezuela, mostra desejo por uma intervenção externa. Ele nega a caracterização de Maduro como ditador.
"Se a Venezuela fosse uma ditadura, Trump não teria sequestrado Maduro. Ademais, nosso problema real hoje não é a caracterização do chavismo. O problema real é saber se a América Latina será dos Estados Unidos ou será dos latino-americanos", diz Pomar, diretor de cooperação internacional da Fundação Perseu Abramo e professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC.
Pomar defende ainda a aproximação do Brasil com a Venezuela, porque o futuro, afirma ele, por um fortalecimento regional. "Contra Trump, seguiremos fazendo as alianças que forem necessárias."
Ainda no início dos anos 2000, Lula e Chávez integraram a chamada onda rosa de governos de esquerda. A afinidade entre os dois líderes ficou evidente com a criação de diferentes grupos de cooperação e instituições políticas. O petista gravou depoimentos para as campanhas de TV do aliado e, posteriormente, de Maduro. Professora de ciência política da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Mayra Goulart diz que Lula e Chávez compartilharam um projeto de desenvolvimento social e econômico da América Latina.
Com o tempo, o sonho ficou distante, porque as crises na Venezuela e a redução do preço das commodities tornaram os recursos financeiros mais escassos. Em paralelo, conta a professora, o regime chavista se fechou cada vez em seu próprio militarismo, o que gerou desconfiança das esquerdas. Em termos de política brasileira, a Venezuela, diz Goulart, preenche o lugar que Cuba, durante a Guerra Fria, ocupou no imaginário social. O chavismo representa, ao mesmo tempo, o socialismo e o antissocialismo nas Américas.
"A Venezuela é um marcador de radicalidade. É menos o PT precisar dela do que esse país ser um catalisador de emoções a partir da ideia de comunismo", afirma.
Por Gustavo Zeitel, Folhapress
EUA realizam ataques em grande escala contra o Estado Islâmico na Síria
O Exército dos EUA informou neste sábado (10) ter realizado múltiplos ataques na Síria contra o Estado Islâmico, como parte de uma operação lançada em dezembro após um ataque a militares americanos.
Uma coalizão liderada pelos EUA tem realizado ataques aéreos e operações terrestres na Síria visando suspeitos do Estado Islâmico nos últimos meses, frequentemente com o envolvimento das forças de segurança da Síria.
"Os ataques de hoje visaram o ISIS [sigla para Estado Islâmico, em inglês] em toda a Síria", disse o Comando Central dos EUA em um comunicado, que não informou se houve mortos ou feridos.
O Pentágono não comentou, e o Departamento de Estado também não respondeu.
Os ataques deste sábado são parte de uma operação lançada no mês passado após militantes do Estado Islâmico terem matado militares dos EUA na Síria, segundo informações do Comando Central dos EUA. O Exército americano disse que dois soldados e um intérprete civil foram mortos nesse incidente de 13 de dezembro. Cerca de 1.000 soldados americanos permanecem na Síria.
O governo da Síria é liderado por ex-rebeldes que derrubaram o ditador Bashar al-Assad em 2024, após uma guerra civil de 13 anos, e inclui membros da antiga filial da Al Qaeda na Síria que romperam com o grupo e entraram em conflito com o Estado Islâmico.
A Síria tem cooperado com a coalizão liderada pelos EUA, chegando a um acordo no final do ano passado quando o presidente Ahmed al-Sharaa visitou a Casa Branca. Ligado à Al Qaeda no passado, o atual líder sírio tentava encerrar o isolamento internacional de seu país.
Por Kanishka Singh, Folhapress
Lula grava vídeo na praia e fala em 'acabar com preconceito entre esquerda e direita'
A primeira-dama Janja da Silva divulgou neste sábado (10) um vídeo gravado durante dias de folga do presidente Lula (PT) no litoral do Rio de Janeiro.
Na gravação que foi ao ar em rede social, Lula aparece de sunga e boné com o brasão da República, ao lado da esposa.
O presidente ensaia uma metáfora política ao falar sobre a movimentação das águas em um extremo da Restinga de Marambaia, onde passou o Ano-Novo.
Diz que, nesse ponto da localidade, as ondas vêm dos dois lados, em um "milagre da natureza".
"Essa é uma demonstração extraordinária, sabe? Até para acabar com o preconceito entre esquerda e direita. Aqui, a onda que vem da direita se junta com a onda que vem da esquerda e constrói o mar."
Ele complementa afirmando que a natureza "faz aquilo que a gente não imagina que seja possível ser feito".
Na eleição de 2022, Lula se elegeu fazendo diversos acenos ao eleitorado de centro, na disputa vencida contra Jair Bolsonaro (PL). Ao longo do mandato, foi criticado por deixar de lado o discurso chamado à época de "frente ampla".
Lula permaneceu na base militar da Restinga de Marambaia por cerca de dez dias. Na postagem, a primeira-dama disse que os dois recarregaram energias no local e voltam com "com disposição, diálogo e Brasil no coração".
Ex-secretária Andrea Suzart faz agradecimentos e esclarece que seu desligamento foi a pedido
A ex-secretária municipal de Desenvolvimento Urbano e Serviços Públicos de Ipiaú, Andrea Suzart, divulgou na manhã deste sábado (10) uma nota de esclarecimento e agradecimento após a publicação de sua exoneração, ocorrida dentro da reforma administrativa anunciada pela Prefeitura no fim da tarde de sexta-feira (9).
No texto, Andrea esclarece que seu desligamento ocorreu a pedido próprio e que a solicitação foi formalizada ainda no mês de dezembro, diretamente à prefeita Laryssa Dias. Segundo ela, permaneceu no cargo até que fosse definido um novo nome para a pasta, com o objetivo de garantir a continuidade dos trabalhos e a responsabilidade com a gestão pública.
A ex-secretária afirmou encerrar esse ciclo com novos projetos em andamento, tanto na vida profissional quanto pessoal, destacando que todo recomeço exige coragem, planejamento e fé. Em sua mensagem, ela agradeceu primeiramente a Deus, pelo equilíbrio e sabedoria durante os anos de atuação na administração pública.
Andrea também fez um agradecimento especial a Dona Maria Mendonça e Flávia Mendonça, que lhe deram a primeira oportunidade de trabalho e confiaram em seu potencial desde o início da trajetória, ressaltando que, além da experiência profissional, construiu uma amizade que pretende levar para a vida.
Ela relembrou ainda sua trajetória na gestão municipal, iniciada como assessora administrativa, passando pela diretoria e, posteriormente, pelo cargo de secretária de Infraestrutura na gestão da ex-prefeita Maria das Graças, período que, segundo destacou, foi marcado por trabalho sério, comprometimento e resultados importantes para o município.
A ex-secretária também agradeceu à prefeita Laryssa Dias pela confiança e pela oportunidade de atuar como secretária de Desenvolvimento Urbano e Serviços Públicos no último ano, destacando os desafios, o diálogo e os avanços alcançados. Estendeu ainda sua gratidão ao povo de Ipiaú, à equipe de trabalho e aos colegas de gestão, que estiveram ao seu lado nos momentos mais difíceis e nos de conquistas.
Por fim, Andrea Suzart desejou sucesso ao novo titular da pasta, Nasser Barros, a quem definiu como amigo e profissional competente, afirmando deixar o cargo com a consciência tranquila, sentimento de gratidão e respeito por todos que fizeram parte de sua trajetória na gestão pública municipal.
Confira nota
“Com a publicação da minha exoneração, esclareço que o pedido de desligamento foi formalizado por mim ainda no mês de dezembro, diretamente à prefeita, permanecendo no cargo até o momento oportuno para a escolha e definição de um novo nome, garantindo a continuidade dos trabalhos e a responsabilidade com a gestão pública.
Encerro esse ciclo com novos projetos em andamento, tanto na vida profissional quanto pessoal, certa de que todo recomeço exige coragem, planejamento e fé.
Agradeço primeiramente a Deus, pelo discernimento, equilíbrio e sabedoria concedidos durante esses anos de atuação na gestão pública.
Minha gratidão especial à Dona Maria Mendonça e à Flávia Mendonça, que me deram a primeira oportunidade de trabalho, acreditaram no meu potencial e confiaram em mim desde o início. Levo dessa caminhada não apenas a experiência profissional, mas uma amizade que quero carregar para a vida.
Ingressei na gestão como assessora administrativa, passei pela diretoria e tive a honra de me tornar secretária de Infraestrutura durante a gestão Maria, período em que realizamos um trabalho sério, comprometido e com resultados importantes para o município.
Agradeço também à prefeita Laryssa Dias, pela oportunidade de estar como secretária de desenvolvimento urbano e serviços públicos e por este último ano de trabalho, marcado por desafios, diálogo e avanços. Estendo meu agradecimento ao povo de Ipiaú, que acreditou no meu trabalho e confiou na nossa atuação à frente das pastas.
Minha gratidão ainda a toda a equipe e aos colegas de gestão, que estiveram ao meu lado tanto nos momentos mais desafiadores quanto nos de alegria, fortalecendo o trabalho coletivo e o espírito de união.
Desejo sucesso ao novo secretário, Nasser Barros, amigo e profissional competente, a quem desejo boa sorte na condução da pasta.
Saio com a consciência tranquila, sentimento de gratidão e respeito por todos que fizeram parte dessa trajetória.”
PRF prende homem com mandados de prisão em carro roubado e apreende aparato bélico na Via Dutra
Na noite de sexta-feira (9), policiais rodoviários federais prenderam um homem que possuía dois mandados de prisão em aberto e transportava equipamentos de uso restrito em um veículo roubado. A ação ocorreu na rodovia Presidente Dutra (BR-116), na altura do km 176, no município de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
Durante patrulhamento pela rodovia, a equipe da Polícia Rodoviária Federal realizou consulta aos sistemas móveis e constatou que a placa de um automóvel em circulação possuía registro de roubo. A ocorrência criminal havia sido registrada em dezembro do ano passado na 59ª Delegacia de Polícia Civil, em Duque de Caxias.
Diante da constatação, os agentes tentaram realizar a abordagem, mas a ordem de parada não foi obedecida. O condutor fugiu pelo acostamento por cerca de três quilômetros, até colidir com outro veículo.
Após o acidente, o motorista foi interceptado. Durante a revista pessoal e a vistoria no interior do automóvel, os policiais encontraram um fuzil AK-47, oito carregadores, 616 munições de calibre 7,62, cinco porta-carregadores, dois bipés, duas granadas, uma mira telescópica, um rádio comunicador com base e duas baterias, além de um cinto tático.
Também foram apreendidos um telefone celular, uma mochila contendo R$ 40 em espécie, bem como uma corrente com pingente dourados e um relógio.
Após consulta aos sistemas informatizados, foi verificado que havia dois mandados de prisão em desfavor do homem, pelos crimes de associação para o tráfico e tráfico de drogas.
A ocorrência foi encaminhada à 64ª Delegacia de Polícia Civil.
Categoria
Crimes
Candidatura de Flávio Bolsonaro embaralha união de governadores da direita para 2026
Os governadores Romeu Zema (Novo-MG), Ratinho Jr. (PSD-PR), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) durante manifestação bolsonarista em São Paulo, em abril de 2025
A indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de que seu representante na eleição de 2026 seria seu filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ) embaralhou as possibilidades de alianças que se desenhavam entre os governadores da direita cotados para o Palácio do Planalto –Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG), Ratinho Jr. (PSD-PR) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO).
Até agora, a candidatura do senador aponta para um cenário de fragmentação em vez de unificação da oposição a Lula (PT) no primeiro turno. Embora Tarcísio indique que não vá concorrer para apoiar Flávio, o nome de Ratinho voltou a ganhar força como alternativa ao senador, enquanto Zema e Caiado afirmam que também vão disputar a Presidência da República.
Segundo interlocutores de Tarcísio, o governador havia sinalizado que Zema e Ratinho eram seus preferidos, nesta ordem, para ocuparem sua vice, caso concorresse ao Planalto —ele tem repetido que vai disputar a reeleição em São Paulo. Agora, o governador de Minas, segundo maior colégio eleitoral do país, é tido como um vice que poderia agregar às campanhas de Ratinho ou Flávio.
Antes de Flávio se lançar ao Planalto, no início de dezembro, os governadores da direita haviam consolidado um grupo que mantinha contato frequente e partilhava as mesmas opiniões em temas como segurança pública e anistia aos acusados de golpismo. A invasão da Venezuela pelos Estados Unidos foi outro episódio em que os mandatários mostraram um discurso unificado.
O alinhamento levou a especulações sobre possíveis alianças eleitorais, que partiam da premissa de que Tarcísio seria o candidato principal e prioritário, pela ligação com Bolsonaro e por governar o estado de maior importância.
Zema, por exemplo, já disse no passado que Tarcísio era o nome mais forte da direita e que poderia abrir mão de concorrer em nome do objetivo maior de derrotar o PT. O Novo lançou a pré-candidatura do governador em agosto, ocasião em que ele admitiu que poderia compor com outros partidos se Bolsonaro pedisse.
Mais recentemente, em outubro, o mineiro disse descartar a possibilidade de ser vice e que manterá sua candidatura ao Palácio do Planalto independentemente do aval do ex-presidente.
Se Tarcísio e Zema tinham sintonia, uma chapa formada por Flávio e pelo mineiro é uma hipótese considerada mais difícil, dada a falta de convivência entre o senador e o governador e a oposição de parte do Novo em se aliar com o bolsonarismo já no primeiro turno.
Ao mesmo tempo em que murchou a candidatura de Tarcísio, a decisão de Flávio voltou a impulsionar a de Ratinho. O nome do governador do Paraná é mencionado como opção de partidos da direita e da centro-direita que resistem a apoiar o filho de Bolsonaro.
Secretário de Tarcísio e presidente do PSD, Gilberto Kassab já declarou que não lançaria uma candidatura presidencial do seu partido caso o governador de São Paulo fosse candidato –mas o compromisso não se mantém com a candidatura de Flávio.
Em dezembro, ele indicou que não deve haver uma aliança do partido com o senador bolsonarista. "O PSD tem como uma decisão apoiar o Tarcísio caso ele seja candidato. E, se ele não for candidato, nós temos dois pré-candidatos dentro do partido", disse em referência a Ratinho e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul.
Em um cenário com Flávio candidato, a possibilidade de união eleitoral dos governadores se resumiria basicamente a uma chapa Ratinho-Zema, que é cogitada por aliados ainda que o governador de Minas diga estar decidido a manter seu nome no pleito.
Caiado, por sua vez, é visto como alguém que corre por fora, já que dificilmente iria retirar sua candidatura em prol de outro nome, mas provavelmente apoiaria qualquer candidatura de oposição no segundo turno.
Quando Flávio entrou em pré-campanha, o governador de Goiás afirmou que era direito de Bolsonaro tentar viabilizar a candidatura do filho, mas reforçou sua decisão de concorrer. Em dezembro, Caiado recebeu o senador para tratar da eleição, especialmente da disputa estadual.
Caiado, porém, tem questões partidárias a resolver. A federação União Brasil-PP não decidiu endossar o governador e tinha preferência pelo nome de Tarcísio inicialmente. Na última semana, contudo, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), afirmou à Folha que descartava a candidatura do governador de São Paulo e que apostava em Flávio.
Por Carolina Linhares, Folhapress
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