Atendimento rápido ao infarto pode salvar vidas e evitar sequelas

Do primeiro sintoma à reabilitação, a integração entre equipes e a adoção de protocolos de emergência são decisivas para reduzir danos ao coração
O infarto agudo do miocárdio atinge, anualmente, entre 300 mil e 400 mil pessoas no Brasil, segundo estimativas do Ministério da Saúde. A cada cinco a sete casos, um resulta em morte. Diante dessa realidade, especialistas destacam a importância das chamadas linhas de cuidado, protocolos que conectam o atendimento de emergência ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento do paciente. O objetivo é reduzir o tempo de resposta, preservar o músculo cardíaco e aumentar as chances de sobrevivência.

Para o cardiologista intervencionista baiano Sérgio Câmara, o principal desafio é garantir que cada etapa aconteça sem atrasos. “Quando uma artéria coronária é obstruída, parte do coração deixa de receber oxigênio. Quanto mais tempo essa circulação permanece interrompida, maior o risco de lesões irreversíveis. Uma linha de cuidado eficiente permite que as equipes atuem de forma coordenada, desde a suspeita do infarto até a intervenção”, explica.

A assistência começa antes mesmo da chegada ao hospital. Dor ou pressão no peito, que pode irradiar para braços, costas ou mandíbula, falta de ar, suor frio e náuseas são sinais de alerta. Diante da suspeita, a orientação é acionar imediatamente o Samu (192), evitando deslocamentos por conta própria. Mulheres, idosos e pessoas com diabetes também podem apresentar sintomas menos característicos.

Diagnóstico em minutos

No atendimento de emergência, o eletrocardiograma deve ser realizado e interpretado, preferencialmente, em até dez minutos após o primeiro contato médico. O exame, associado à avaliação clínica e, quando indicado, à dosagem de troponina no sangue, auxilia na identificação do infarto e na definição da estratégia terapêutica.

Nos casos de infarto com supradesnivelamento do segmento ST, geralmente associados à obstrução aguda de uma artéria coronária, a prioridade é restabelecer rapidamente o fluxo sanguíneo. A angioplastia primária, realizada por cateterismo, é o tratamento preferencial quando disponível no prazo recomendado. Em determinadas situações, medicamentos trombolíticos podem ser utilizados para dissolver o coágulo.

Na sala de hemodinâmica, o cardiologista intervencionista atua diretamente para restabelecer a circulação sanguínea no coração. Por meio do cateterismo cardíaco, realizado com a introdução de um cateter geralmente por uma artéria do punho ou da virilha, o especialista identifica o local da obstrução nas artérias coronárias. Confirmada a necessidade de intervenção, pode realizar a angioplastia, utilizando um pequeno balão para ampliar a passagem do sangue e, frequentemente, implantando um stent, estrutura metálica que ajuda a manter a artéria aberta.

“A hemodinâmica tem um papel decisivo no tratamento do infarto porque permite identificar e tratar a obstrução no mesmo procedimento. Quanto mais rapidamente conseguimos restabelecer o fluxo sanguíneo, maiores são as chances de preservar a função cardíaca e evitar complicações graves”, destaca Sérgio Câmara.

Ainda segundo o especialista, não basta contar com tecnologia de ponta se o paciente enfrenta demora para ser diagnosticado ou encaminhado. “O resultado depende também da comunicação entre emergência, cardiologia e hemodinâmica. O tempo perdido antes do procedimento pode comprometer a recuperação”, ressalta o cardiologista intervencionista.

Cuidado continua após a alta

A linha de cuidado não termina com a desobstrução da artéria. Após a estabilização, o paciente precisa de acompanhamento cardiológico, medicamentos, controle dos fatores de risco e, quando indicado, reabilitação cardiovascular. Essa continuidade é fundamental para reduzir a possibilidade de novos eventos.

“O infarto não deve ser tratado como um episódio isolado. A recuperação exige adesão aos medicamentos, controle da pressão arterial, do colesterol e do diabetes, além de mudanças sustentáveis no estilo de vida. Nosso objetivo não é apenas salvar o paciente na emergência, mas ajudá-lo a viver mais e melhor”, conclui Sérgio Câmara.

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Subúrbio Ferroviário recebe etapa nacional de skate em novo equipamento esportivo

Competição será realizada nos dias 7 e 8 de novembro, no Skatepark de Praia Grande, equipamento integrado às obras de urbanização do VLT de Salvador e Região Metropolitana
O Skatepark do Subúrbio, equipamento esportivo inaugurado pelo Governo do Estado da Bahia na orla de Praia Grande, será palco da terceira e última etapa de 2026 do Circuito Banco do Brasil de Skate, nos dias 7 e 8 de novembro. A competição reunirá atletas profissionais das modalidades Park e Street, nas categorias Feminino Pro e Masculino Pro, com premiação total de R$ 240 mil e pontuação válida para o ranking profissional da Confederação Brasileira de Skateboarding (CBSk). Na modalidade Street, a etapa também oferece oportunidades de projeção internacional para os competidores.
A realização da competição no Subúrbio Ferroviário evidencia a ampliação dos espaços públicos destinados ao esporte e ao lazer, além de estimular a prática esportiva e a ocupação desses equipamentos pela população. A iniciativa também contribui para a realização de grandes eventos na Bahia e para a movimentação econômica e cultural dos territórios.

O Circuito Banco do Brasil de Skate é um evento gratuito e foi estruturado para fortalecer o skateboarding profissional brasileiro por meio de uma competição que reúne, em um mesmo evento, as modalidades olímpicas Park e Street. Além da premiação, os resultados valem pontos para o ranking profissional da CBSk, contribuindo para a trajetória competitiva dos atletas.
O Skatepark do Subúrbio está localizado na orla de Praia Grande e integra as obras de urbanização vinculadas à implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador e Região Metropolitana, projeto do Governo do Estado da Bahia que prevê a requalificação urbana e a ampliação dos espaços públicos de esporte e lazer.
Com aproximadamente 5 mil metros quadrados, o complexo conta com pistas destinadas às modalidades olímpicas Park e Street. O equipamento amplia as opções de prática esportiva e convivência para a população do Subúrbio Ferroviário, além de oferecer estrutura para receber competições de alcance nacional.

Na modalidade Street, o circuito conta com o selo oficial SLS Select Series, plataforma da Street League Skateboarding (SLS) que conecta o cenário nacional ao internacional. Apresentado como o formato oficial de acesso ao SLS Championship Tour, o Select Series oferece aos skatistas a possibilidade de conquistar uma vaga em uma etapa do campeonato internacional no ano seguinte, conforme os critérios de classificação da competição.

Programação em Praia Grande

As atividades começam na quinta-feira (5), com o lançamento do evento, a exposição de fotografias de Thiago Aquino e um coquetel de recepção aos atletas na Estação Calçada. Na sexta-feira (6), estão previstos o reconhecimento das pistas pelos competidores, treinos e atividades com projetos sociais.

No sábado (7), serão realizadas as classificatórias das modalidades Street e Park. A programação também inclui shows na Praça da Amendoeira. No domingo (8), acontecem as finais de Park e as semifinais e finais de Street, encerrando a etapa de Salvador.

A programação também prevê a transmissão das disputas pelos canais oficiais da Skate Brasil e da Street League Skateboarding (SLS), conforme o calendário de cada modalidade.

Inscrições

As inscrições são gratuitas e exclusivas para skatistas profissionais pré-classificados e habilitados pela CBSk. O procedimento deve ser realizado pelo sistema SGI da Confederação, mediante cadastro regularizado, até 4 de novembro de 2026.

Calendário do Circuito
  • Curitiba (PR): de 4 a 6 de setembro, com disputas de Park e Street (Etapa concluída).
  • Barueri (SP): de 25 a 27 de setembro, com disputas de Park e Street (Etapa concluída).
  • Salvador (BA): de 6 a 8 de novembro, com disputas de Park e Street.
Secom - Secretaria de Comunicação Social - Governo da Bahia

Ibirataia: Prefeitura intensifica ações de manutenção e melhorias em diferentes pontos do município

A Prefeitura de Ibirataia, por meio das Secretarias de Infraestrutura e Serviços Públicos e de Agricultura, vem realizando uma série de ações de manutenção em diferentes localidades do município. Os serviços incluem recolhimento de entulhos, podas de árvores e limpeza do portal, recuperação de calçamentos, manutenção de canteiros públicos, entre outras intervenções voltadas à conservação dos espaços urbanos.
As atividades têm como objetivo melhorar a organização da cidade, preservar os espaços públicos e atender às demandas apresentadas pelos moradores dos bairros e de outras localidades. O prefeito Sandro Futuca destacou o compromisso da gestão com a melhoria da infraestrutura municipal e a qualidade dos serviços oferecidos à população. “Estamos trabalhando para manter Ibirataia organizada e oferecer serviços de qualidade à população, atendendo às demandas dos bairros e cuidando dos espaços públicos”, afirmou o gestor.

Ibirataia: Justiça Eleitoral reabre cadastro eleitoral

A Prefeitura de Ibirataia informa que a Justiça Eleitoral reabriu, nesta terça-feira (3), o cadastro eleitoral, restabelecendo o atendimento à população para diversos serviços relacionados ao título de eleitor. Os procedimentos podem ser realizados presencialmente nos cartórios e demais unidades de atendimento da Justiça Eleitoral, além do sistema de Autoatendimento Eleitoral, disponível pela internet.

Com a retomada dos serviços, os cidadãos podem solicitar a emissão do primeiro título de eleitor, a transferência de domicílio eleitoral para outro município, a revisão de dados cadastrais para atualização ou correção de informações e a regularização de inscrições eleitorais canceladas, conforme os critérios estabelecidos pela legislação eleitoral.

A Prefeitura de Ibirataia reforça a importância de manter a situação eleitoral regularizada, garantindo o pleno exercício da cidadania e o acesso aos direitos políticos. A administração municipal orienta os eleitores a procurarem os canais oficiais da Justiça Eleitoral para obter informações e realizar os procedimentos necessários dentro dos prazos previstos.

Kassab coloca baiano Antonio Brito entre presidenciáveis do PSD para 2030

O deputado federal baiano Antonio Brito entrou na lista de possíveis candidatos à Presidência da República em 2030 pelo PSD. O nome do parlamentar, atual líder da legenda na Câmara dos Deputados, foi citado pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, durante entrevista ao programa Canal Livre, da Band, exibida neste domingo (1º).

Ao avaliar os possíveis caminhos do PSD para a sucessão presidencial, Kassab destacou que a legenda possui diversos quadros com projeção nacional. Além de Antonio Brito, mencionou a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, os governadores Ratinho Júnior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

“Felizmente, o PSD tem muitos. Temos aí a Raquel Lyra, o Ratinho Júnior, o Eduardo Paes, o Eduardo Leite, o Antônio Brito”, afirmou.

A inclusão do deputado baiano na relação de presidenciáveis representa um reconhecimento de sua atuação no Congresso Nacional e de sua influência dentro do PSD. Antonio Brito, que conquistou mais um mandato nas eleições de outubro, é uma das principais lideranças da bancada federal da legenda e mantém interlocução com diferentes forças políticas em Brasília.

Na Bahia, o parlamentar integra o grupo comandado pelo senador Otto Alencar, presidente estadual do PSD, partido que compõe a base do governador reeleito Jerônimo Rodrigues (PT). A legenda também ocupa espaços importantes na política estadual, incluindo a presidência da Assembleia Legislativa, exercida pela deputada Ivana Bastos.

A sinalização de Kassab ocorre em um momento de fortalecimento do PSD no cenário nacional e amplia a projeção política de Antonio Brito, que já havia participado das articulações para a sucessão na presidência da Câmara dos Deputados.

Apesar da menção, não existe, por enquanto, qualquer definição sobre uma candidatura presidencial do deputado em 2030. A declaração de Kassab indica apenas que Brito está entre as alternativas consideradas pelo comando nacional do partido.

Durante a entrevista, Kassab também mencionou Antonio Brito e Otto Alencar como possíveis interlocutores do PSD com o quarto governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que terá início em janeiro de 2027.

A avaliação reforça o peso da representação baiana nas articulações nacionais da legenda, que deverá participar das negociações sobre a composição do novo governo federal.

Em 2026, o PSD teve como candidato à Presidência o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado.

Por Política Livre
Pulicidade:



ANP multa distribuidoras de combustíveis em mais de R$ 700 milhões por preços abusivos

Agência diz que aumentos 'imotivados' chegaram a até 4.000% entre o custo de aquisição e o valor de venda
A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) informou nesta terça-feira (3) que aplicou penalidades somadas de mais de R$ 700 milhões a distribuidoras de combustíveis em processos que apuram elevações abusivas de preços.

As apurações, conduzidas durante a vigência de duas medidas provisórias que permitiram à ANP fiscalizar e punir a prática, identificaram aumentos "imotivados" de até 4.000% na margem entre o custo de aquisição e o valor de venda dos produtos.

O regulador não divulgou nominalmente as empresas que foram multadas, mas apontou que as distribuidoras condenadas em primeira instância são responsáveis, em conjunto, por mais de 45% do volume total de combustíveis movimentado no mercado nacional em 2026.

A ANP observou que deixou de ter competência para autuar agentes econômicos especificamente pela prática de preços abusivos depois da perda de validade das medidas provisórias sobre o tema. Os casos remanescentes serão encaminhados, após análise preliminar das notas fiscais pela agência, à Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) e aos Procons estaduais e municipais parceiros.

A reguladora informou ainda que sua diretoria aprovou na semana passada o encaminhamento ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) de 11 processos administrativos sancionadores contra dez distribuidoras de combustíveis por elevação abusiva de preços.

O encaminhamento permitirá ao Cade avaliar, no âmbito de suas competências, a eventual existência de condutas anticoncorrenciais relacionadas às práticas identificadas pela ANP.

"A medida não significa que a Agência tenha constatado infrações à ordem econômica, que são de responsabilidade do Cade, mas que os elementos reunidos durante a fiscalização poderão subsidiar a análise do órgão responsável pela defesa da concorrência", disse a ANP.

Por Letícia Fucuchima, Folhapress

Com aval de Lula, presidente do PT atua para expulsar grupo apelidado de 'centrão' do partido

O presidente nacional do PT, Edinho Silva-Foto: Divulgação/Arquivo
O presidente do PT, Edinho Silva, está prestes a entrar em guerra com uma ala do partido internamente apelidada de "centrão petista". O embate pode culminar na tentativa de expulsão de integrantes considerados desalinhados com a proposta de renovação partidária defendida por Lula.

Com aval do presidente da República, Edinho tem pregado o que chama de divórcio com esses integrantes do partido, também acusados de omissão na campanha presidencial.

Na quinta-feira (29), durante reunião da Executiva Nacional do PT, Edinho propôs essa saída voluntária de dirigentes do partido que se omitiram na eleição, chegando a tirar férias no segundo turno, enquanto Lula precisava de uma virada inédita para derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial.

Em seu discurso de encerramento, Edinho falou em divórcio litigioso, ou seja: expulsão da sigla. Ao encerrar a reunião da Executiva, contou ter saído de um café com Lula, além de ter conversado na véspera com o presidente sobre o futuro do PT.

Repetindo uma avaliação atribuída a Lula, Edinho afirmou que o partido não deve ser instrumento de projeção e enriquecimento pessoais, mas um projeto coletivo. O presidente do PT citou ainda uma manifestação pública de Lula em agradecimento à sua atuação na coordenação da campanha e propôs a constituição de uma nova maioria dentro da sigla.

A partir desse recado, os participantes da reunião chegaram à conclusão de que Edinho recebeu de Lula a incumbência de expulsar seus opositores, sendo Washington Quaquá o primeiro alvo.

Ele é prefeito de Maricá (RJ), cidade onde Lula perdeu nos dois turnos das eleições. Presidente do PT do Rio, o filho de Quaquá, Diego Zeidan, viajou para a Bahia após o primeiro turno, o que exigiu uma intervenção na coordenação de campanha no estado do Rio.

Procurado, o prefeito de Maricá afirmou que toda a campanha de Lula no Rio foi feita por ele e que seu filho teve que se afastar por quatro dias seguindo orientação médica após um pico de pressão. Vice-presidente do PT, ele chamou Edinho de mentiroso, incompetente e fofoqueiro, um crítico do fascismo que não tolera a crítica e estaria com medo de disputar a sigla com ele.

"Eu tenho tanto ou mais tempo de PT que ele. Com a diferença que sou de favela. Se alguém tem que tem que sair do PT e ir para PSOL é ele. Eu sou PT raiz".

Por seus posicionamentos controversos —como a defesa de Domingos Brazão, apontado como mandante do assassinato de Marielle Franco, e de operação policial que deixou 120 mortos no Rio—, Quaquá já é alvo de pedidos de expulsão na comissão de ética do partido. Mas essas solicitações não avançaram.

Na quinta-feira, ele não assistiu ao discurso de Edinho, tendo boicotado a reunião da Executiva Nacional do PT, instância decisória mais restrita, sob o argumento de que aquele não era o fórum adequado para avaliação da campanha de Lula.

Em mensagens de grupo, Quaquá se opôs à reunião, na tentativa de abrir uma dissidência contra Edinho. Mas, segundo petistas, o prefeito de Maricá não é o único na mira de Lula. De acordo com relatos, o presidente mantém arquivados panfletos de campanha de petistas sem o seu nome e quer que esses correligionários sejam enquadrados.

Em setembro, Edinho cobrou a inclusão do nome do presidente e de candidatos majoritários apoiados pelo partido no material de campanha distribuído pelos petistas que concorreram a deputado.

Ele ameaçou exigir a devolução de dinheiro do fundo eleitoral, em caso de descumprimento da orientação partidária. A cobrança se deu em meio à troca de acusações de infidelidade em grupos de conversas compostos por petistas, nos quais foram reproduzidos panfletos sem o nome de candidatos a governos estaduais e ao Senado e, em alguns casos, até do próprio presidente.

Após a vitória impulsionada por forte mobilização popular, Lula tem repetido que o PT precisa responder ao recado das ruas. Do contrário, os jovens que se manifestaram em prol de sua reeleição fundarão outro partido, segundo ele.

Ainda de acordo com esses relatos, o presidente defende que a sigla esteja afinada com as propostas de campanha, que incluem a redução do papel das emendas parlamentares no Orçamento. No Congresso, petistas que se adaptaram a essas práticas e outras da dinâmica parlamentar foram apelidados pelos colegas de partido de "centrão do PT".

Por outro lado, a possibilidade de expulsão desses petistas pode reabrir o racha na própria corrente do presidente Lula, a CNB (Construindo um Novo Brasil). Maior força do partido, a CNB abriga Edinho e seus desafetos, sendo que os dois grupos compuseram na disputa pela presidência do partido. Após um acordo alinhavado por Lula, Quaquá apoiou Edinho para o comando do PT.

Por Catia Seabra, Folhapress
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Inadimplência chega a 84,2 milhões e atinge mais da metade dos adultos pela primeira vez

          Financeiras ultrapassam contas de água, luz e gás no ranking de maiores débitos
Foto: Marcelo Casa Jr./Agência Brasil/Arquivo
O Brasil chegou a 84,2 milhões de inadimplentes em setembro, o maior número da série histórica da Serasa, iniciada em 2016. O contingente equivale a 51,1% da população adulta, e é a primeira vez que o índice passa de metade, segundo o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas, divulgado pela empresa.

Os débitos em atraso totalizam R$ 597,4 bilhões, alta de 0,90% em relação a agosto. São 352,7 milhões de dívidas, o que dá uma média de 4,2 pendências por pessoa. Cada inadimplente deve, em média, R$ 7.093,83, e o valor médio de cada dívida é de R$ 1.693,68.

Em um ano, segundo a Serasa, o número de inadimplentes cresceu 6%, na comparação de setembro de 2025 com o mesmo mês de 2026. Desde 2020, a alta acumulada é de 34,17%.

A Serasa afirma que o ritmo de crescimento desacelerou desde abril, mas que a inadimplência segue em alta.

"A inadimplência cresceu 34,17% desde 2020 e aumentou 6% apenas de setembro de 2025 para o mesmo mês desse ano. É o maior índice da série histórica. Desde abril, observamos uma desaceleração no ritmo de crescimento, mas o número continua aumentando", disse Aline Maciel, diretora da Serasa, no material de divulgação dos dados.

A composição das dívidas também mudou. Bancos e cartões de crédito continuam na liderança, com 27,16% do total devido. Pela primeira vez, as financeiras ocupam o segundo lugar, com 20,66%, ante 20,14% no período anterior.

Com isso, superaram as contas básicas de água, luz e gás, que passaram de 20,71% para 20,32% do total. Para a Serasa, o movimento indica avanço do peso das dívidas com instituições financeiras no perfil da inadimplência.
Feirão Limpa Nome

A Serasa lança a partir desta terça-feira (3) a 36ª edição do Feirão Limpa Nome, o maior já realizado pela empresa. O mutirão reúne 3,3 mil empresas parceiras e mais de 750 milhões de ofertas de renegociação, volume 14% superior ao da edição do ano passado. Os descontos chegam a até 99%.

As negociações vão até o dia 6 de dezembro, pelo site e pelo aplicativo da Serasa. O atendimento presencial é feito nas mais de 7 mil agências dos Correios, sem taxa, mediante apresentação de documento oficial com foto.

Por Maeli Prado, Folhapress
03/11/2026 às 13:26
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PF vê pagamentos de 'folha paralela' a todos os conselheiros do Tribunal de Contas de MT

O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, preso na quinta-feira (2
Foto: Tony Ribeiro/Divulgação TCE-MT
A Polícia Federal apontou pagamentos oriundos de uma "folha paralela" a todos os sete conselheiros do TCE-MT (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso) em 2025, segundo o inquérito que levou à prisão do presidente da corte, Sérgio Ricardo de Almeida, na operação Tomada de Contas.

A diligência ocorreu na última quinta-feira (29). Conforme a corporação, entre janeiro e outubro do ano passado, os sete receberam R$ 48,5 milhões das contas do tribunal. A remuneração no Portal da Transparência, no entanto, registrava R$ 2,2 milhões no mesmo período.

Segundo a PF, os pagamentos saíram de ordens bancárias avulsas e pelo canal de pagamento a fornecedores do tribunal.

Nesses dez meses, Sérgio Ricardo recebeu do TCE R$ 15,4 milhões. O conselheiro Guilherme Maluf recebeu R$ 10,6 milhões, e José Carlos Novelli, R$ 8,9 milhões. Já Alisson de Carvalho Alencar, que à época das investigações era procurador de contas, recebeu R$ 8,1 milhões.

Maluf, Novelli e Alencar foram afastados pelo ministro Og Fernandes, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), responsável por autorizar a operação da corporação.

Procurada, a defesa de Sérgio Ricardo diz que "considera a prisão preventiva ilegal, por não estar amparada em elementos concretos que demonstrem a necessidade da privação de liberdade".

"O próprio Ministério Público Federal manifestou-se expressamente contra a prisão, por considerá-la desnecessária, o que reforça o questionamento da defesa quanto à legalidade da medida", dizem em nota os advogados Valber Melo e Saulo Gahyva.

"A relevância do cargo ocupado não justifica, por si só, a prisão. A apuração dos fatos deve observar o devido processo legal e a presunção de inocência, sem antecipação de pena."

As defesas de Maluf e Novelli não foram localizadas pela reportagem.

Em nota na quinta, o TCE-MT disse que "adotará todas as providências necessárias ao cumprimento das determinações da Justiça". Também cita a continuidade dos trabalhos e a regularidade das atividades institucionais.

Além do presidente preso e dos três afastados, os outros três integrantes do órgão que seguem no cargo também aparecem na folha de pagamentos paralela do Tribunal de Contas, mas eles não foram alvos de medidas cautelares.

A PF classifica a situação destes membros do TCE-MT como "limítrofe" e diz que é necessário aprofundamento da investigação, devido à "ordem de grandeza dos valores movimentados, e não necessariamente a ausência de atipicidades".

Os investigadores pretendem juntar mais provas "ainda que de forma menos invasiva ou com menor restrição de direitos". Embora não tenham sido alvo de medidas cautelares, o Ministério Público Federal pediu a quebra do sigilo bancário deles.

Segundo a investigação, Waldir Teis, que assumiu a presidência após a prisão de Sérgio Ricardo, recebeu R$ 1,5 milhão. Gonçalo Domingos de Campos Neto, R$ 3,1 milhões, e Antônio Joaquim Moraes Rodrigues Neto, R$ 2,3 milhões.

Teis e Antônio Joaquim chegaram a ser afastados em 2017 na Operação Ararath, mas a investigação acabou arquivada.

A reportagem procurou a assessoria de comunicação do TCE-MT às 18h20 de sábado (31) por mensagem e email e questionou se os conselheiros gostariam de comentar sobre as informações do inquérito, mas o órgão não se manifestou.

A operação da quinta começou com uma denúncia anônima que dizia que fornecedores do TCE só recebiam se devolvessem parte dos pagamentos ao grupo do presidente.

O inquérito que deu origem à apuração também aponta que o tribunal recebeu emendas parlamentares da Assembleia de Mato Grosso registradas como de "lideranças partidárias", sem autor definido. A PF levantou os dados no Portal da Transparência do estado.

Em 2025, foram R$ 50 milhões, dos quais R$ 39,1 milhões destinados a "indenizações", a mesma rubrica usada nos pagamentos sob suspeita. Em 2026, os repasses somam R$ 62,4 milhões, com R$ 33,1 milhões para essa finalidade.

Empresas contratadas pelo tribunal e citadas na investigação, como agências de publicidade e uma terceirizada, receberam a maior parte do dinheiro dessas emendas.

A corporação afirma que a forma como as emendas entram no orçamento do órgão de contas ainda precisa ser aprofundada. A polícia não atribui irregularidade a nenhum deputado específico.

Na quinta, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão, além de medidas de afastamento de sigilos e sequestros de bens. Segundo a polícia, os fatos investigados podem configurar crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Por José Marques/Folhapress

Hospital em Salvador tem suíte dentro de igreja para pacientes em fim de vida; idoso de 105 anos passou últimos dias lá

Foto: Divulgação
Um hospital de Salvador montou uma suíte dentro da própria igreja para receber pacientes religiosos em cuidados paliativos, tratamento voltado ao conforto e à qualidade de vida de quem tem doenças graves ou está no fim da vida. A estrutura fica no Hospital Casa de Retiro São Francisco, no Horto Florestal, que pertence à Rede Longevus de Saúde. Um dos pacientes que passaram por lá foi Crispiniano Reis, de 105 anos, frequentador antigo da igreja, que viveu ali seus últimos dias.

Segundo o hospital, a ideia é permitir que pessoas com forte ligação com a fé recebam atendimento médico e de outros profissionais de saúde em um ambiente religioso, perto da família. A instituição afirma que a estrutura é a única do tipo no mundo. O hospital funciona em um complexo histórico fundado em 1945, cercado de áreas verdes.

O presidente da Rede Longevus, o cardiologista Fábio Vilas-Boas, ex-secretário da Saúde da Bahia, defende que a espiritualidade faça parte do cuidado.

“Há pessoas para quem a fé representa o maior conforto nos momentos mais difíceis da existência. Se podemos oferecer a esses pacientes a possibilidade de permanecer em um ambiente sagrado, cercados pelo carinho de seus familiares e recebendo todos os cuidados necessários, estamos respeitando algo profundamente importante: a maneira como cada pessoa deseja ser cuidada até o fim da vida”, afirmou.

Para ele, os avanços da medicina não eliminam outras necessidades dos pacientes. “Em determinados momentos, o que uma pessoa mais necessita é de conforto, presença, dignidade e paz. A espiritualidade pode ter um papel muito importante nesse processo”, disse.

Morador de Brotas, Crispiniano estava em atendimento domiciliar quando a família decidiu que não queria que os últimos momentos dele fossem vividos em casa. Ele foi levado para a suíte, dentro de uma igreja que frequentava havia anos e que passou recentemente por restauração.

Lula rejeita fazer gesto ao mercado e antecipar nome para Fazenda

Foto: Ricardo Stuckert/Arquivo/Divulgação
O presidente Lula tem descartado, em conversas com aliados, antecipar a nomeação do ministro da Fazenda de seu quarto mandato para acalmar o mercado financeiro.

A tendência é que ele indique o chefe da equipe econômica apenas na volta de uma viagem internacional que iniciará daqui a uma semana.

O presidente deve ir à Turquia, para a COP31, e cogita emendar uma participação em encontro de países do Sudeste Asiático, nas Filipinas, retornando apenas no final de novembro.

Lula tem dito que antecipar o nome da Fazenda seria uma concessão indevida ao mercado, segmento que sempre lhe foi hostil. Os nomes mais cotados são os do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), mas não está descartada a permanência de Dario Durigan.

Os integrantes do ministério devem começar a ser anunciados em três a quatro semanas.

A fase atual é de consultas a dirigentes de partidos que poderão compor o governo, que vem sendo conduzida pelo presidente do PT, Edinho Silva, e outros membros da cúpula da legenda.

Por Fábio Zanini/Folhapress

Lula indicará seis diretores do Banco Central até o fim de 2027, e mercado teme mudança de perfil

Sede do Banco Central-Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Ag Brasil
O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá indicar mais seis nomes para a diretoria do Banco Central até o fim de 2027. Duas cadeiras estão desocupadas desde janeiro, e mais duas indicações poderão ser feitas até fevereiro do próximo ano. Outras duas vagas abrem em 31 de dezembro de 2027.

A possibilidade de mudança do perfil do BC e, portanto, do colegiado do Copom (Comitê de Política Monetária), que decide o rumo dos juros do país, entrou no radar de participantes do mercado financeiro após a vitória do petista nas eleições.

A principal preocupação é com a possibilidade de o BC passar a ser leniente no combate à inflação para acelerar a queda da taxa básica de juros, a Selic, em meio ao debate interno no governo sobre qual caminho adotar para a política econômica da gestão Lula 4.

Analistas já esperam a retomada com mais força do debate em torno da flexibilização da meta de inflação —hoje em 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

A partir de 2028, último ano de mandato do presidente Gabriel Galípolo, os seis novos indicados por Lula vão se tornar maioria no colegiado do BC. O grupo é formado por nove cadeiras, incluindo a do chefe da autoridade monetária.

Restariam do atual colegiado apenas os diretores Gilneu Vivan (Regulação) e Izabela Correa (Cidadania e Supervisão de Conduta), além do próprio Galípolo. Os mandatos destes três indicados por Lula terminam em 31 de dezembro de 2028.

A depender do perfil dos novos nomes, esse quadro poderia isolar Galípolo no último ano de sua gestão no BC. O chefe da autarquia tem sido alvo de críticas de integrantes do PT e do governo, inclusive da equipe econômica, que o culpam pela alta da dívida pública em decorrência dos juros elevados.

No terceiro mandato de Lula, houve um racha no Copom que gerou ruídos e levou a questionamentos sobre a credibilidade do BC.

Em 8 de maio de 2024, Galípolo e todos os outros indicados por Lula votaram por uma redução mais acelerada de juros de 0,50 ponto percentual. Pelo placar de 5 votos a 4, prevaleceu o corte menor na Selic, de 0,25 ponto percentual, para 10,5% ao ano.

Depois daquele episódio, todas as decisões do colegiado foram unânimes.

Na semana passada, Lula se reuniu com ministros e falou sobre as indicações de nomes que precisam ser feitas ao Senado para autarquias, o que inclui as duas vagas para o BC represadas há quase um ano.

O rumor envolvendo uma possível indicação ao BC do economista de perfil desenvolvimentista André Roncaglia, diretor-executivo do FMI (Fundo Monetário Internacional) e ex-colunista da Folha, mexeu com os preços do mercado financeiro.

Procurado, Roncaglia disse que ficou surpreso com as reportagens, pois não recebeu qualquer contato da equipe econômica neste sentido e não foi informado de nada. "Não me cabe comentar sobre algo que é prerrogativa do presidente Lula. O que posso dizer é que tenho mantido uma colaboração muito proveitosa com a Fazenda e o BC a partir de minhas atribuições no FMI."

Segundo ele, o fundo reconhece o valor das reformas econômicas empreendidas nos últimos anos e o papel do BC na manutenção da estabilidade da inflação e do sistema financeiro. "Trata-se de um momento excelente na relação do FMI com o Brasil."

Um ex-integrante do BC ouvido pela Folha sob condição de anonimato avalia que Roncaglia causaria turbulência devido ao histórico de ideias do economista. Na visão desse ex-dirigente, o diretor do FMI poderia abalar a credibilidade da autoridade monetária e passaria a mensagem de que Galípolo está enfraquecido.

A incerteza com relação à composição do Copom é vista por parte do mercado financeiro como uma fonte de volatilidade. Há temor de que o governo, crítico da atual política de juros, escolha nomes mais heterodoxos para o colegiado do BC, o que traria um risco significativo para o controle da inflação.

Para economistas ouvidos pela Folha, a escolha de diretores que se mostrem comprometidos com a meta de inflação seria uma sinalização importante para assegurar a credibilidade do BC.

O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, sócio da Tendências Consultoria, considera que a autoridade monetária pode virar uma espécie de bode expiatório no próximo ano, caso o governo não dê solução para a questão fiscal e veja sua popularidade cair já na largada da gestão Lula 4.

Nesse contexto, ele diz enxergar uma chance de o governo escolher pessoas que sejam mais maleáveis quanto à inflação. "Outra possibilidade sempre aventada nessa situação é aumentar a meta, que é uma jogada de toalha, a confissão de fracasso. Diria que esse vai ser um ponto de atenção nos próximos meses", diz.

Já Sérgio Werlang, ex-diretor do BC e professor de economia da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas, diz que Lula sabe que inflação alta significa "falta de popularidade na veia" e deve optar por pessoas com perfil moderadamente conservador, ao estilo de Galípolo e do diretor Paulo Picchetti (Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos).

"São pessoas que têm uma visão mais ampla [da economia], mas que entraram [no BC] com esse compromisso fixado de meta em 3%", diz. "Não vejo uma grande modificação no Banco Central. Eu vejo uma manutenção do perfil médio conservador, não ultraconservador como chegou a ser no início do governo, com Roberto Campos Neto [cujo mandato terminou em 31 de dezembro de 2024]."

DIVERSIDADE

A escolha das diretorias também será um teste para o governo na questão da diversidade de gênero. Atualmente, há apenas uma mulher na cúpula do BC, a diretora Izabela Correa. Segundo relatos, a chefe do departamento de Organização do Sistema Financeiro, Carolina Bohrer, conta com a simpatia de Galípolo para assumir um posto na diretoria.

Para Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, a decisão do presidente sobre os nomes para o BC tem de ser tomada o mais rapidamente possível diante da falta de dois diretores.

"São diretorias importantes. [Levar] quase um ano começa a fazer diferença no trabalho do BC, justamente porque ele é desenhado para ter as nove diretorias. Quando você começa a acumular diretorias, naturalmente começa a faltar braço", afirma Megale.

O diretor do BTG Pactual e ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia diz que a situação econômica no mundo hoje é diferente do que era há dez anos e, por isso, há a necessidade de ter um BC mais conservador, capaz de preservar sua autonomia na política monetária. "Eu não acho que ele [Lula] fará diferente nas próximas nomeações. O Lula é forjado na negociação."

Para a área de Fiscalização, que ficará desocupada a partir de março, dois ex-membros do BC apostam que a vaga será preenchida novamente com um servidor de carreira.

Não se descarta a recondução do atual diretor, Aílton de Aquino, mas há dúvidas com relação ao desgaste provocado pelo escândalo do Banco Master. O diretor do BC teve de prestar depoimento à Polícia Federal sobre as ações de fiscalização que levaram à liquidação da instituição de Daniel Vorcaro. Internamente há confiança no trabalho dele.

Por Adriana Fernandes e Nathalia Garcia/Folhapress

Piora na percepção de risco pós-eleição pressiona BC a interromper ciclo de cortes de juros

Gabriel Galípolo-Foto: Lula Marques/Arquivo/Agência Brasil
A piora na percepção de risco pelos investidores após a reeleição do presidente Lula (PT) deve pressionar o Copom (Comitê de Política Monetária) a interromper o ciclo de cortes de juros na quarta-feira (4), com a taxa básica (Selic) em 13,75% ao ano.

A depreciação da taxa de câmbio, a incerteza fiscal, o estresse gerado nos juros futuros e a alta do petróleo estão entre os fatores que tornaram o cenário mais desafiador para o controle da inflação nos próximos anos e abalaram as apostas do mercado financeiro.

A reviravolta pós-eleitoral levou uma parcela significativa dos agentes econômicos a abandonar a aposta de novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic –o sexto consecutivo– e a defender uma pausa na flexibilização dos juros frente à turbulência doméstica.

O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, sócio da Tendências Consultoria, se disse mais inclinado à manutenção dos juros e a uma atitude mais cautelosa do Copom depois da volatilidade gerada pelas eleições, embora não descarte totalmente a possibilidade de queda de 0,25 ponto percentual, para 13,5% ao ano.

Ele afirma que o BC tem poucos instrumentos para agir diante de variáveis que estão fora de seu alcance. Uma dessas variáveis é o cenário internacional menos favorável, em meio ao conflito no Oriente Médio.

Outro fator é a questão fiscal, com medidas expansionistas do governo que anulam o esforço da autoridade monetária para frear a demanda agregada.

"É uma situação muito ruim, porque o Banco Central gasta munição, afeta a economia como um todo e leva a um aumento da inadimplência muito grande das famílias e das empresas em vão", diz. "É como se estivesse dando um remédio que só tivesse efeito colateral, porque o paciente está tomando outro medicamento que anula os efeitos pretendidos."

Loyola diz que o cenário só vai melhorar quando o governo Lula emitir sinais que levem os economistas a acreditarem na possibilidade de ajuste fiscal nos próximos meses. "O Banco Central não tem muito o que fazer a não ser advertir, lembrar ao governo que é preciso endereçar uma solução estrutural para o crescimento da dívida pública."

Como a Folha mostrou, a expectativa de interrupção no ciclo de cortes também ocorre em meio à ofensiva de integrantes do governo e do PT contra a reação dos mercados financeiros à reeleição de Lula.

Após a desvalorização dos ativos na semana passada, aliados do presidente passaram a classificar como especulativa a pressão por ajuste fiscal e a defender que eventuais cortes de gastos preservem programas sociais.

A expectativa de Sérgio Werlang, ex-diretor do BC e professor de economia da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas, é que o Copom interrompa o ciclo de queda de juros para "ver o que vai acontecer".

A ideia seria ganhar tempo para observar se as mudanças no patamar do câmbio e das expectativas de inflação são permanentes ou transitórias. Essa resposta, segundo ele, não virá sem definição da política fiscal do próximo mandato de Lula.

"Se por acaso se confirmar que Lula 4 será igual a Lula 3, e acho que há uma probabilidade não baixa [de isso acontecer], o câmbio pode ir para muito mais de R$ 5,40", afirma. "Se o câmbio subir muito mais, ele [BC] pode ser forçado a dizer que vai subir o juro", acrescenta.

O dólar fechou a sexta-feira (30) cotado a R$ 5,447. Foi a maior alta semanal em 18 anos, desde a crise hipotecária nos Estados Unidos, com avanço de 9,18%.

"Eu morro de medo de nós, com isso, chegarmos na dominância fiscal. [...] A gente não sabe exatamente qual é o número, mas sabe que está se aproximando. Se o governo Lula fizer uma política fiscal igual à da [gestão] Lula 3, vai atingir esse valor de dominância fiscal logo, num futuro não muito distante", alerta.

O termo dominância fiscal é usado para expressar uma situação na qual a autoridade monetária perde o controle sobre a trajetória da inflação em razão de uma forte expansão dos gastos públicos.

"Nesse caso, é irrelevante o Banco Central aumentar o juro porque não vai ter efeito nenhum e nós vamos ter só mais inflação", diz Werlang.

Para Fernanda Guardado, ex-diretora do BC e economista-chefe para América Latina do BNP Paribas, o Copom não deve ignorar a deterioração do cenário inflacionário e adotará uma postura mais cautelosa, buscando preservar a credibilidade da política de juros.

Ela estima que a inflação projetada para 2027 no boletim Focus deve ultrapassar 5% –acima do teto da meta (4,5%)–, repercutindo nos anos seguintes. O BC tomará sua decisão com o segundo trimestre de 2028 na mira, devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia.

A ex-diretora do BC considera que a questão dos combustíveis é um risco para a inflação que vai se materializar em 2027, na medida em que os preços sejam reajustados e os subsídios, estendidos parcialmente diante do alto custo para o governo. Ela também cita os efeitos decorrentes do fim da escala 6x1 e da reforma tributária, com a alíquota de 11,3% para a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), acima do projetado para 2027.

Na visão dela, o Copom deveria pausar o ciclo de cortes para observar como os riscos vão se materializar nos próximos meses.

"Como cortar juros com um cenário que está piorando? O Banco Central arrisca ter um vetor extra de deterioração, que é as pessoas acreditarem menos na determinação dele em trazer a inflação para baixo", afirma.

Para Guardado, os juros deveriam ficar estacionados até março do próximo ano, quando o BC já terá mais informações sobre o impacto do fenômeno climático El Niño nos preços dos alimentos, a desaceleração da economia, os planos do governo para consolidação fiscal e a trajetória das expectativas de inflação.

"O Banco Central terá uma ideia melhor se o nível da taxa de juros vai ser suficiente ou não para trazer a inflação para a meta no horizonte relevante. Hoje, um nível de Selic mais baixo não vai ser compatível com um Banco Central que quer trazer a inflação para a meta de 3% ainda em meados de 2028", diz.

Alberto Ramos, diretor do grupo de pesquisas macroeconômicas para América Latina do Goldman Sachs, já não via espaço para reduzir juros mesmo antes das eleições. Agora, ele afirma que a situação ficou ainda mais delicada para a inflação.

Além da necessidade de absorver os impactos da nova legislação trabalhista e da reforma tributária, ele cita a nova estrutura de pesos do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), com base em uma nova pesquisa de orçamentos familiares do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que vai dar mais peso aos serviços.

Somado a isso, diz que a perspectiva de ter uma âncora fiscal –ou seja, um mecanismo que reforce o compromisso do governo com controle de gastos– no curto e no médio prazo diminuiu bastante e que o BC não pode arriscar mexer na política que sustenta hoje a credibilidade da macroeconomia brasileira.

"Tem muita pressão da inflação e sem perspectiva de ter uma âncora fiscal. Então, deixa uma pressão muito grande sobre o Banco Central, a ponto de o mercado já estar precificando aumento de juros. A gente acha que a fasquia [o sarrafo] para aumentar os juros é muito elevada. Mas não tem margem certamente para cortar", diz.

Para Ramos, seria mais prudente manter os juros parados nas próximas duas ou três reuniões para, depois, reavaliar a situação. "É uma pausa que, se for prudente hoje, até talvez possa fazer mais no futuro."

Entre quem aposta em um derradeiro corte de juros está Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter. Na visão dela, o Copom vai reduzir a Selic em mais 0,25 ponto percentual e comunicar uma pausa no ciclo de queda para a próxima reunião, em dezembro.

"Apesar da maior incerteza e aumento do prêmio de risco [rentabilidade adicional exigida pelos investidores para aplicar dinheiro no Brasil] na curva de juros futuros, a taxa Selic em 13,50% permanece restritiva o suficiente para amortecer os choques inflacionários esperados para o começo de 2027", afirmou em relatório.

Por Nathalia Garcia/Folhapress

Mulher morre e oito pessoas ficam feridas em acidente na BR-330, próximo ao trevo de Itagi

Um grave acidente envolvendo uma van e um carro de passeio deixou uma mulher morta e outras oito pessoas gravemente feridas na madrugada desta segunda-feira (2), na BR-330, em Jequié. A colisão frontal ocorreu por volta das 0h35, no km 810 da rodovia, nas proximidades do acesso ao município de Itagi, no sentido Jequié.

A vítima fatal foi identificada como Maria das Graças Santos Pereira, moradora de Itagi. Ela estava no carro modelo gol que colidiu com a van. Além da morte de Maria das Graças, outras oito pessoas sofreram ferimentos, algumas delas em estado grave.

Equipes da PRF foram acionadas e estiveram no local para atender à ocorrência e realizar os procedimentos de segurança na rodovia. O Departamento de Polícia Técnica (DPT) também foi acionado para a realização da perícia e remoção do corpo, que deverá ser encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

As circunstâncias que provocaram a colisão frontal ainda não foram esclarecidas. Até o momento, não foram divulgadas informações detalhadas sobre a identidade dos feridos nem sobre as unidades de saúde para onde foram encaminhados.

Trump admite indultos preventivos a aliados e promete vetos se democratas vencerem eleição

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 2, que poderá conceder ""indultos preventivos" a integrantes de seu governo se considerar necessário protegê-los de eventuais ações de democratas. Em entrevista ao podcast Pod Force One, ele também prometeu vetar propostas da oposição caso os republicanos percam o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato (midterms) desta terça-feira, 3.

Questionado sobre a possibilidade de perdoar antecipadamente aliados diante de ameaças de investigações, Trump citou o antecessor Joe Biden. "Foi o que Biden fez. Ele concedeu indultos a todo mundo", disse. Ao ser questionado se adotaria a mesma estratégia, respondeu: "Eu faria, se fosse necessário. Claro".

Sobre a possibilidade de estender a medida a todos que trabalharam para ele, Trump acrescentou: "Nem pensaria duas vezes. Eu faria. Fiz isso pelos envolvidos no 6 de janeiro", disse em referência à invasão do Capitólio em 2021.

Na véspera da votação que renovará a Câmara dos Representantes e parte do Senado, Trump pediu votos para preservar as maiorias republicanas. Pesquisas apontam risco de avanço democrata, sobretudo na Câmara.

Em outro momento da entrevista, o republicano afirmou que, diante de um Congresso sob comando democrata, se tornaria o "Sr. Veto". "Não vou deixar que eles governem. E, em algum momento, provavelmente faremos acordos", declarou. Na visão do presidente, uma sequência de vetos acabaria obrigando a oposição a negociar com a Casa Branca.

Ele mencionou o trilionário Elon Musk, alegando que democratas discutem prendê-lo, confiscar as suas fábricas ou nacionalizar a SpaceX. "Teremos de proteger essas pessoas", disse.

Por Pedro Lima / Estadão Conteúdo