Valdemar aposta em apoio de Neto a Flávio e diz que caso Banco Master ainda terá impacto político no PT da Bahia

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou acreditar que o ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto, deverá apoiar o candidato da legenda na disputa presidencial de 2026, apesar da proximidade política do líder baiano com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

A declaração foi dada durante entrevista à Rádio Morena FM, de Itabuna, quando Valdemar comentou o cenário político baiano e as articulações para as eleições do próximo ano. Segundo o dirigente partidário, a parceria construída entre o PL e ACM Neto na Bahia tende a ser mantida, independentemente das definições nacionais.

“Eu tenho uma aproximação muito grande com o ACM Neto. Ele tem um candidato, o Caiado é um candidato, um bom candidato, não tenha dúvida. Mas eu acho que ele vai caminhar, no final, a apoiar o candidato do PL”, afirmou.

Valdemar destacou ainda o peso eleitoral da sigla e a importância da aliança para o projeto oposicionista na Bahia. Segundo ele, a presença do PL ao lado de ACM Neto fortalece a pré-candidatura ao Palácio de Ondina.

“Nós estamos junto com ele e estamos torcendo pela eleição dele. Acho que vai ser muito bom para a Bahia”, declarou.

Durante a entrevista, o presidente do PL também voltou a comentar o caso envolvendo o Banco Master e afirmou que o episódio ainda deverá produzir repercussões políticas no estado.

Segundo Valdemar, o tema não foi suficientemente esclarecido devido à não instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado Federal. Ele afirmou que a legenda chegou a reunir assinaturas para a criação da comissão, mas que o processo não avançou.

“O Banco Master começou aí no governo da Bahia. E isso ainda vai dar uma discussão muito grande no Brasil”, disse.

O dirigente também argumentou que uma eventual CPI permitiria esclarecimentos públicos sobre o caso e afirmou acreditar que informações contidas em aparelhos eletrônicos apreendidos do empresário envolvido nas investigações ainda poderão gerar novos desdobramentos políticos.

“Esse negócio do Banco Master vai pesar muito ainda para o PT da Bahia, porque ele começou aí”, declarou.

Valdemar acrescentou que somente uma investigação aprofundada ou uma eventual comissão parlamentar poderia trazer à tona novos elementos relacionados ao caso.

Por Política Livre

Novo Marco do Transporte Público é sancionado por Lula; saiba o que muda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, com vetos, o Projeto de Lei nº 3.278/2021, que institui o novo Marco Legal do Transporte Público Coletivo Urbano no Brasil, aprovado pelo Congresso Nacional em maio. A medida foi publicada na edição extra do Diário Oficial da União, neste domingo (14).

A nova legislação tem como objetivo modernizar a política de transporte público no país, diversificando as fontes de financiamento, aprimorando a regulação e fortalecendo a gestão dos sistemas urbanos de mobilidade. O texto busca ainda reduzir a dependência da tarifa paga pelos passageiros como principal fonte de custeio dos sistemas de transporte coletivo.

Entre os principais do novo marco está a possibilidade de usar receitas provenientes de publicidade, exploração comercial de espaços públicos e recursos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide-Combustíveis) para subsidiar tarifas e financiar a operação dos sistemas. A Cide é um tributo federal, criado em 2001, incidente sobre a importação e comercialização de petróleo, gás natural, álcool combustível e seus derivados.
 
O Marco Legal do Transporte Público Coletivo Urbano também abre espaço para o debate sobre a implementação da tarifa zero em municípios que possuam condições financeiras para adotar o modelo.

O texto estabelece diretrizes para a organização, planejamento, regulação, financiamento e prestação dos serviços de transporte público coletivo urbano e de caráter urbano. Além disso, promove mudanças na Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU) e no Estatuto da Cidade, fortalecendo a integração entre planejamento urbano e sistemas de transporte.

Vetos presidenciais

Ao sancionar a lei, o presidente Lula vetou dispositivos considerados pelo governo potencialmente prejudiciais à sustentabilidade fiscal e à autonomia dos entes federativos.

Um dos trechos retirados estão os que obrigavam estados e municípios a custear integralmente gratuidades e descontos tarifários com recursos próprios, além de dispositivos que vinculavam subsídios públicos à remuneração das operadoras. Para o governo federal, essas exigências poderiam gerar despesas sem previsão orçamentária e comprometer benefícios já existentes.

Também foram vetadas propostas relacionadas às competências dos entes federativos, como a obrigatoriedade de isenção de pedágio para ônibus em rodovias estaduais e municipais e a previsão de subsídios federais para tarifas de transporte local. A justificativa apresentada foi a preservação da autonomia administrativa de estados e municípios e a prevenção da criação de novas despesas obrigatórias para a União.
Daniel Serrano

MP do frete emperra no Congresso sob pressão do agro e da indústria, e caminhoneiros ameaçam parar

Nesta semana, caminhoneiros autônomos articulam mobilização da categoria em Brasília, para pressionar o Congresso pela tramitação do texto
A fiscalização eletrônica da tabela do frete dos caminhoneiros, implantada recentemente pelo governo para ampliar o controle sobre os valores mínimos pagos no transporte de carga, se converteu em uma intensa disputa política no Congresso envolvendo agronegócio, indústria e caminhoneiros, além de abrir um flanco de batalha no STF (Supremo Tribunal Federal).

No alvo está a medida provisória (1.343/2026) editada em março pelo governo Lula para endurecer a fiscalização da tabela do frete, uma antiga reivindicação dos caminhoneiros autônomos. Com a MP, o governo conseguiu afastar as ameaças de paralisação da categoria em pleno ano eleitoral, turbinada pela alta no preço do diesel. O problema é que essa MP corre sério risco de caducar.

Nesta semana, caminhoneiros autônomos articulam mobilização da categoria em Brasília, para pressionar o Congresso pela tramitação do texto.

A medida foi publicada em 19 de março, quando passou a valer imediatamente. Como toda MP, ela precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado para se transformar em lei. Ocorre que o texto segue até agora sem nenhuma deliberação.

A validade inicial de 60 dias acabou e a medida foi prorrogada por mais 60 dias. Com vigência até 16 de julho, o texto nem sequer teve instalada a comissão mista responsável por analisar a medida, apesar de já ser alvo de 427 emendas parlamentares. Ainda assim, não há presidente, vice-presidente nem relator nomeados.

Lideranças dos caminhoneiros acusam lobistas e parlamentares ligados ao agronegócio e à indústria de atuarem para impedir o avanço da proposta, com o objetivo de evitar que os valores pagos aos caminhoneiros autônomos subam.

"Estão fazendo um boicote à MP, para atingir diretamente os transportadores autônomos. Esquecem que representamos 62% do transporte rodoviário de cargas do país. Já estamos mobilizados. Se o texto não virar lei, vamos parar em todo o país", diz Wallace Landim, o Chorão, presidente da CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos).

A MP nasceu em meio às pressões dos caminhoneiros para fortalecer a política do piso do frete, criada após a greve nacional da categoria, em 2018. A tabela estabelece valores mínimos para o transporte rodoviário de cargas e tem como objetivo impedir que caminhoneiros aceitem fretes muito baixos, precarizando o trabalho da categoria.

O foco da tabela do frete são os autônomos, que têm menor poder de negociação do que grandes transportadoras. Enquanto empresas do setor contam com frotas, contratos permanentes e estrutura comercial para negociar preços, os autônomos geralmente dependem de um único caminhão e do negócio fechado em cada viagem.

A categoria argumenta que, sem um piso mínimo, fica vulnerável ao poder econômico de grandes embarcadores, como tradings, indústrias e frigoríficos. Por isso, vê a tabela como uma forma de proteção econômica e de equilíbrio nas negociações.

O que a MP fez foi transformar a fiscalização dessa tabela em um processo praticamente digital. A medida ampliou o uso do Ciot (Código Identificador da Operação de Transporte), e do MDF-e (Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais), documentos que permitem à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) cruzar automaticamente informações sobre transportadores, rotas, cargas e valores pagos.

Com isso, a estrutura de monitoramento passou a ser capaz de identificar em larga escala operações realizadas abaixo dos valores mínimos da tabela. A ANTT afirma que não existe multa automática e que os sistemas apenas geram indícios de irregularidade, posteriormente analisados por fiscais. Para o agro e a indústria, porém, o modelo se tornou um "radar eletrônico do frete".

No STF, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) e a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) puxam uma ofensiva contra a MP e a tabela do frete, sob alegação de que o governo criou uma indústria eletrônica de multas baseada no cruzamento automático de dados.

Dados da CNI apontam que a fiscalização eletrônica já gerou, até março, mais de 192 mil autuações, com potencial de R$ 2 bilhões em multas. A projeção apresentada pela entidade indica que o volume pode chegar a 390 mil autuações até o fim do ano, com R$ 4,1 bilhões em arrecadação.

Por meio de nota, a FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), que representa a bancada ruralista no Congresso, declarou que "defende o cumprimento da legislação e a valorização do transporte rodoviário de cargas" mas que "a preocupação apresentada por entidades do setor produtivo está relacionada à metodologia adotada para o cálculo da tabela e, principalmente, ao modelo de fiscalização eletrônica implementado pela ANTT, que tem gerado elevado volume de autuações automáticas e insegurança jurídica para contratantes e transportadores".

A FPA diz que entende que a fiscalização é necessária, mas cobra uma revisão da metodologia da tabela, "considerando fatores como diferenças regionais, frete de retorno, perfil das cargas e características da frota nacional".

O deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da FPA, diz que não há revanchismo. "A discussão nunca foi contra os caminhoneiros. O que está sendo questionado é uma metodologia que não reflete a realidade do transporte e um modelo de fiscalização eletrônica que pode gerar bilhões em multas automáticas sem a transparência necessária", comentou.

Segundo o deputado, a FPA não atua no tema e nem participou da sua elaboração. "O que fizemos foi alertar formalmente o governo, desde 2025, sobre os problemas na metodologia da tabela e nos mecanismos de fiscalização. O debate não é agro contra caminhoneiro, mas a construção de um modelo que garanta remuneração adequada ao transportador sem gerar insegurança jurídica e distorções para toda a cadeia logística do país."

Parte das críticas do agro e da indústria se concentra nas punições previstas pela MP. O texto permite multas que podem variar de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões em casos de reincidência, além de outras sanções administrativas. Para os setores empresariais, as medidas criam insegurança jurídica, elevam custos logísticos e aumentam a intervenção estatal sobre relações privadas entre contratantes e transportadores.

Procuradas pela reportagem, CNI e CNA não comentaram o assunto. A Folha também questionou a ANTT, o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Ministério dos Transportes sobre o tema. Não houve resposta até a publicação deste texto.

Segundo Wallace Landim, representante dos caminhoneiros, tradings agrícolas passaram a boicotar caminhoneiros autônomos, contratando serviços de grandes transportadoras.

"Estão criando esse monopólio, esse boicote na categoria. Recebi muita ligação da região do Centro-Oeste, de pessoal que não está trabalhando. Por isso, a mobilização é nossa única forma de reagir", disse.
Por André Borges/Folhapress

Trump anuncia acordo com o Irã e reabertura do Estreito de Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo a conclusão de um acordo com o Irã para encerrar o conflito iniciado no fim de fevereiro. Segundo o republicano, o entendimento prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo, além do fim do bloqueio naval americano aos portos iranianos. A assinatura oficial do memorando está prevista para a próxima semana, na Suíça, com mediação do Paquistão e do Catar. A reportagem é do jornal O Globo.

O governo iraniano confirmou avanços nas negociações e afirmou que o documento contempla pontos considerados essenciais por Teerã, incluindo questões ligadas ao programa nuclear, ao desbloqueio de recursos financeiros e à situação de segurança regional. Apesar disso, autoridades iranianas ressaltaram que ainda analisam os termos finais do acordo e que acompanharão de perto o cumprimento dos compromissos assumidos por Washington.

O anúncio ocorreu em meio a um cenário de forte tensão no Oriente Médio. Horas antes, Israel realizou ataques contra alvos ligados ao Hezbollah em Beirute, provocando críticas de Trump, que afirmou que a ação colocou em risco as negociações. Caso seja formalizado, o acordo poderá representar um passo importante para reduzir os confrontos na região, incluindo possíveis avanços em relação à guerra no Líbano e às disputas envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos.

Seis pessoas morrem após colisão de 2 helicópteros no Rio de Janeiro

Uma colisão entre dois helicópteros causou a morte de seis pessoas neste domingo (14) no Rio de Janeiro
Uma colisão entre dois helicópteros causou a morte de seis pessoas neste domingo (14) no Rio de Janeiro. O acidente ocorreu na avenida das Américas, na altura do Recreio dos Bandeirantes, zona sudoeste da cidade, de acordo com o Corpo de Bombeiros.

As duas aeronaves caíram em um pátio de estacionamento de uma concessionária da BYD, de carros elétricos.

Todas as vítimas eram tripulantes das aeronaves. Cinco delas estavam no helicóptero que ia em direção a Angra dos Reis e havia acabado de decolar.

No outro, que tinha saído do aeroporto Santos Dumont para abastecimento, havia apenas o piloto, que também morreu.

Em entrevista à GloboNews, o porta-voz dos bombeiros, Fábio Contreiras, disse que uma aeronave não explodiu e está a cerca de cem metros da outra no pátio. A outra, ainda segundo ele, atingiu em torno de 20 veículos no local.

Contreiras acrescentou que algumas peças foram encontradas a centenas de metros do local, sugerindo que o incêndio resultante da queda teve uma energia muito alta.

A identidade das vítimas ainda não foi informada pelas autoridades, mas o delegado Alan Luxardo, da Polícia Civil, afirmou que, inicialmente, todos são homens.

"Houve uma colisão no ar e as aeronaves vieram ao chão", afirmou ele em entrevista à GloboNews. "Estamos apurando a causa, a princípio parece que houve uma falha humana."

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), disse em entrevista ao canal de TV que os pilotos envolvidos no acidente eram experientes e que conhecia um deles pessoalmente. Ainda segundo ele, as famílias das vítimas já foram avisadas.

O governador em exercício do Rio, desembargador Ricardo Couto, afirmou em nota que acompanha a atuação dos órgãos estaduais mobilizados para o atendimento.

"Neste momento de dor, expresso minha solidariedade aos familiares e amigos das vítimas da tragédia", disse o governador.

A FAB (Força Aérea Brasileira) declarou que investigadores do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) foram acionados para a ação inicial de ocorrência. O órgão será o responsável por investigar as causas do acidente.

Os helicópteros envolvidos no acidente têm as matrículas PP-MAC e PR-DJJ, segundo a FAB. As duas têm situação normal de aeronavegabilidade e não estão autorizadas a operar com táxi aéreo.

A aeronave de prefixo PP-MAC é um Bell 206B, de 1999.

A outra, PR-DJJ, é um modelo AS 350 B2, de 2012.

Os bombeiros foram acionados às 8h59 e atuam no local com apoio de equipes especializadas do Grupo de Operações Aéreas e Especiais (GOEsp). Cerca de 45 militares e 15 viaturas foram empenhados na ocorrência.

Moradores relataram ter ouvido uma explosão e visto na sequência algo caindo do céu, seguido do surgimento de fumaça.
Atualização: 
Polícia identifica seis vítimas de colisão entre helicópteros no Rio de Janeiro
Oliver Tree
A Polícia Civil identificou as seis vítimas fatais do acidente envolvendo dois helicópteros ocorrido neste domingo no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Entre os mortos estão os pilotos Alexandre Souza e Charles Marsillac, além dos passageiros Lucas Brito Chaves, Nickel Oliver Tree, Lucas Vignale e Gaspar Prim Díaz. As aeronaves colidiram no ar e caíram sobre um pátio de veículos, provocando um incêndio que atingiu diversos carros. A reportagem é do jornal O Globo.

Entre as vítimas estavam personalidades conhecidas das redes sociais e da indústria do entretenimento. O norte-americano Oliver Tree, cantor e produtor musical com milhões de seguidores nas plataformas digitais, estava no Brasil acompanhado dos argentinos Gaspar Prim Díaz, conhecido como Gaspi, influenciador e youtuber, e Lucas Vignale, diretor audiovisual que havia participado recentemente do Festival de Berlim com seu primeiro longa-metragem.

As investigações sobre as causas do acidente serão conduzidas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Segundo informações preliminares, os dois helicópteros estavam com a documentação e as condições de aeronavegabilidade regulares. Equipes do Corpo de Bombeiros atuaram no combate às chamas e na remoção dos destroços, enquanto peritos recolheram objetos pessoais das vítimas, incluindo equipamentos de fotografia e filmagem encontrados no local.

Por Italo Nogueira e Artur Búrigo/Folhapress

Ibirataia: Esquenta Junino movimenta município e reúne grande público na Praça Basílio Miguel de Souza

Evento abriu a programação oficial do São João 2026 com shows, cultura nordestina e transmissão da estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo

A Prefeitura de Ibirataia realizou, neste sábado (13), o primeiro Esquenta Junino na Praça Basílio Miguel de Souza, marcando o início da programação oficial do São João 2026. O evento reuniu moradores, visitantes e lideranças políticas em uma grande celebração da cultura nordestina. Além das atrações musicais, a gestão municipal instalou um telão para que a comunidade acompanhasse a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, promovendo um momento de integração e confraternização.
A programação contou com apresentações de Arriba Saia, Pagodão das Antigas, Cupim de Ferro e Mara Magalhães, além da participação de bandas locais que animaram o público durante toda a noite. A diversidade musical foi planejada para valorizar os artistas e fortalecer as tradições juninas do município. O evento também contou com a presença do presidente da CERB, Jayme Vieira, da primeira-dama Luanna Figueiredo, vereadores, secretários municipais, lideranças políticas e representantes da comunidade.

Presente no evento, o prefeito Sandro Futuca destacou a importância de investir na cultura e na valorização das tradições locais. “O Esquenta Junino foi preparado com muito carinho para nossa população. Além de celebrar a força da cultura nordestina, proporcionamos um espaço de lazer, entretenimento e união para as famílias de Ibirataia. Esse é apenas o começo de uma programação especial que estamos realizando para fortalecer nossas tradições e movimentar a economia local”, afirmou o gestor. A iniciativa reforça o compromisso da administração municipal com a promoção da cultura, do turismo e do desenvolvimento econômico do município.

Fadiga, perda de aliados e falta de renovação desafiam novo ciclo eleitoral de Lula e do PT na Bahia

Depois de 20 anos ininterruptos governando o Estado, o PT da Bahia caminha para as urnas em 2026 acompanhado do mesmo fenômeno que ronda e desafia a pretensão de reeleição do presidente Lula (PT): a fadiga política.

A tarefa de convencer o eleitorado a renovar o contrato social do voto por mais quatro anos com o governador Jerônimo Rodrigues (PT) encontra resistência tanto na dificuldade de apresentar um horizonte efetivamente novo para o futuro do Estado quanto no desgaste acumulado em temas que lideram as preocupações dos baianos, como segurança pública e saúde.

Este ano, mais uma vez o Atlas da Violência mostrou que a Bahia manteve a posição inglória de líder nacional em número absoluto de homicídios, com 6.061 mortes violentas. Na saúde, o drama da famigerada fila da regulação se acentuou, elevando em 213% o tempo de espera por atendimento, segundo relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA).

Ancorada por Lula, a vitória de Jerônimo em 2022 se deu, todavia, em bases atípicas para um grupo que nutria até então uma sensação de hegemonia serena constituída com quatro disputas anteriores liquidadas em primeiro turno por Jaques Wagner e Rui Costa de 2006 a 2018.
Naquele pleito a soma dos votos de Neto e João Roma (PL) - agora unidos numa única chapa - foi maior que o total recebido por Jerônimo no primeiro turno. Foi justamente a fragmentação da oposição que levou a disputa para o segundo turno, o que tende a não se repetir.

Nos últimos anos, o arco de alianças que sustentou a longevidade do projeto petista começou a apresentar fissuras relevantes. Em 22, o então vice-governador João Leão rompeu uma parceria de mais de uma década e levou o PP para a oposição. Agora, em 2026, foi a vez do senador Angelo Coronel (ex-PSD, atualmente no Republicanos) ser excluído da chapa majoritária diante da decisão do PT de lançar uma composição puro-sangue, com Jerônimo disputando a reeleição e os ex-governadores Rui e Wagner concorrendo às duas vagas ao Senado.

Para o professor e cientista político Paulo Fábio Dantas, esse processo reflete o esgotamento de um modelo político que marcou a ascensão do PT ao poder no Estado.

“Na Bahia há um arranjo de poder que evidentemente se desgastou e caducou. O que não quer dizer que ele não tenha sido importante”, assinala o professor e cientista político Paulo Fábio Dantas em entrevista ao Política Livre.

Segundo ele, o modelo político erguido por Wagner em 2007 tinha potencial para proporcionar ao grupo uma longevidade semelhante à experimentada pelo carlismo, mas deixou de ser renovado a partir da chegada de Rui Costa ao governo.

“Eu acho que Rui cumpriu muito bem a tarefa de manter o esquema que estava ali dentro do possível. O que ele não foi capaz foi de encontrar um Rui Costa para ele, como Wagner encontrou ele. Ele tinha que preparar alguém que pudesse renovar, e não foi feito. Jerônimo foi um improviso. Porque justamente a visão da política de Rui foi a visão da política imediata, da política pequena. Da obra, da correria, de responder à conjuntura. Não houve ali uma visão larga de montagem de um esquema político que pudesse apontar a perspectiva de futuro. Então, eu acho que o arranjo político perdeu densidade, perdeu discurso, perdeu efetividade. Ele está, de fato, desgastado”, observa.

Sequelas nacionais

Na avaliação do cientista político, esse desgaste também dialoga com mudanças ocorridas no cenário nacional desde o segundo governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), quando o ambiente político brasileiro passou a deslocar-se para a centro-direita, ainda que o PT baiano tenha conseguido preservar alianças locais com partidos que se tornaram adversários em Brasília.

“Na eleição de Rui Costa em 2014, você passa a ter esse arranjo já na defensiva. Eles estão há 12 anos na defensiva, tentando se manter […] No momento da eleição de 2018, quando o Rui se reelegeu, já era um momento do PT começar a pensar num outro arranjo político porque aquele já tinha feito água no país”.

Mas diferente disso, Rui passou a criar arestas e “entrou num processo até de emulação, de competição com a figura do Wagner, e isso reduziu as possibilidades. Esse grupo, em vez de se ampliar, ele começa a diminuir”.

“Portanto, você tem já desde 2018, a meu ver, mas principalmente a partir de 2022, que esse sistema governista baiano precisa se renovar no sentido de voltar a jogar expectativas de renovação, de futuro, de horizonte para o Estado. Isso não está acontecendo”, prossegue Paulo Fábio.

Se por um lado o desgaste acumulado ao longo de duas décadas cria dificuldades para o PT renovar seu mandato junto ao eleitorado, por outro abre uma janela de oportunidade para a oposição voltar a disputar o governo em condições mais competitivas, desde que não cometa o pecado de se abraçar às querelas nacionais do bolsonarismo.

“Acho que o grande desafio para ele [ACM Neto] é conseguir fazer isso sem ceder à polarização nacional e não se enganchar com Flávio Bolsonaro. Porque se ele fizer isso num estado como a Bahia é um presente que o PT pediu aos céus para a ganhar a eleição”, afirma Paulo Fábio.

“Se aproximar do bolsonarismo na Bahia é um suicídio eleitoral”, frisa.

Embora não tenha anunciado oficialmente seu presidenciável, ACM Neto já afirmou que não ficará no “tanto faz” do qual foi acusado na eleição passada. A tendência mais provável é apoiar o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que chegou a lançar sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto em Salvador ao lado de Neto e Bruno Reis, quando ainda estava no União Brasil.

Fadiga e interdependência de Lula

Lula e o PT da Bahia nutrem uma relação de interdependência de voto no Estado de modo mais marcante a partir de 2007 com a eleição de Wagner, fazendo do solo baiano um dos principais redutos petistas do país, garantindo votações expressivas nas eleições presidenciais, enquanto Lula, por sua vez, demonstrou elevada capacidade de transferência de votos para candidatos aliados nas disputas locais, como ocorreu com a eleição de Jerônimo.

Essa conexão ajuda a explicar por que o desempenho do presidente em 2026 será decisivo para as pretensões do PT baiano de permanecer no Palácio de Ondina.

Mas a despeito do passivo temporal que também desafia o Lula 3, o cientista Paulo Fábio diz que o principal problema enfrentado por ele decorre do distanciamento entre as expectativas criadas durante a campanha de 2022 e a forma como conduziu seu terceiro mandato.

Com 12 anos na presidência, Lula é o terceiro governante com mais tempo no poder no Brasil, atrás apenas de Dom Pedro II (49 anos) e Getúlio Vargas (18).

“Eu duvido é que isso tenha o peso decisivo, como o pessoal da área de marketing costuma atribuir. Claro que existe a fadiga, eu não vou negar o óbvio. Mas na minha interpretação, o que está fazendo o governo Lula e a própria reeleição dele patinar é o fato dele ter tido na mão um mandato para pacificar o país […] e ele não conseguiu realizar a missão para a qual foi eleito, que era a de virar a página daquilo que tinha acontecido no Brasil do impeachment até 2022. Ele não conseguiu fazer isso, ficou no pântano”, destaca o professor.

Nesse sentido, abre-se espaço para a hipótese de que o próprio Lula teria procedido de tal forma a fim de que seu adversário fosse novamente o bolsonarismo, sob pena de dar de ombros de pacificar o país.

“É uma promessa não cumprida. E isso tem um custo eleitoral”, salienta Dantas.

“A verdade é que Lula não governou o país nesses três anos e meio como um presidente de uma grande frente cívica nacional para tentar pacificar o país. Ele governou o país como um petista em luta contra o bolsonarismo, como alguém do campo da esquerda enfrentando uma luta contra a direita. Evidentemente que isso entra em colisão com uma expectativa geral que foi criada numa parte do eleitorado que o elegeu. Quer dizer que ele vai perder a eleição? Não, ele pode se reeleger dentro daquele jogo das rejeições”, completa.

Por Política Livre

PRF apreende Haxixe “Ice” escondido dentro de para-choque de veículo na BR-381 em Betim (MG)

Droga apreendida durante Operação Cerco Fechado seguia para região central de BH (MG)
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) prendeu um homem por tráfico de drogas, na madrugada deste sábado (13), após localizar cerca de 16,8 quilos de haxixe do tipo “Ice” escondidos em um veículo na BR-381, em Betim (MG).

A ocorrência foi registrada durante patrulhamento tático realizado pela PRF na altura do km 499 da rodovia, quando os policiais deram ordem de parada a um automóvel VW Nivus.

Durante a abordagem, o condutor apresentou nervosismo excessivo e forneceu informações contraditórias sobre a viagem, o que motivou uma fiscalização mais detalhada do veículo.

Utilizando técnicas avançadas de fiscalização, os policiais localizaram aproximadamente 16,8 quilos de Haxixe na modalidade conhecida como “Ice”, um derivado concentrado da cannabis com elevado valor no mercado ilícito. A droga estava escondida no interior do para-choque do automóvel.

Questionado sobre o transporte do entorpecente, o homem, de 44 anos, afirmou que iria entregar o veículo na região central de Belo Horizonte (MG).

Diante dos fatos, ele foi preso em flagrante pelo crime de tráfico de drogas e encaminhado à Central Estadual do Plantão Digital da Polícia Judiciária em Betim (MG), juntamente com o veículo e a droga apreendida.
Categoria
Justiça e Segurança

Lula no G7 gera expectativa por tarifa dos EUA e veto à carne pela UE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (13) para a cidade de Évian-les-Bains
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (13) para a cidade de Évian-les-Bains, na França, onde participará, como convidado, da Cúpula do G7, o fórum que reúne sete das maiores economias industrializadas do planeta.

É a 10ª vez que Lula participa deste encontro, ao longo de seus três mandatos. São membros plenos do grupo: Canadá, Estados Unidos (EUA), Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão. A União Europeia (UE) também participa como membro institucional.

A ida de Lula acende a expectativa para possíveis interações com o presidente dos EUA, Donald Trump, em um momento de novo tensionamento entre os dois países, duas semanas após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) indicar a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras.

O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano pelo governo de Trump contra supostas "práticas desleais" do Brasil no comércio com os EUA. Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar "injustamente" empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o WhatsApp Pay.

Até o momento, não houve confirmação sobre uma possível reunião bilateral entre Lula e Trump. Se algum encontro entre os dois líderes ocorrer na França, será pouco mais de um mês da última reunião de ambos, na Casa Branca, em Washington, no início de maio.

Na ocasião, segundo Lula, equipes dos dois governos foram orientadas a apresentar uma proposta para resolver o impasse sobre tarifas de exportação e da investigação comercial do USTR, o que efetivamente ainda não aconteceu.

"Isso [encontro entre Lula e Trump] não está definido. Com os Estados Unidos os contatos seguem, por enquanto é o que eu posso dizer, e que estão em andamento de uma forma intensa, desde sempre, e isso continua acontecendo", afirmou o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), em entrevista a jornalistas nesta quarta-feira (10).

Este também vai ser o primeiro contato entre Lula e Trump após o governo norte-americano passar a designar formalmente as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).

O governo brasileiro vinha tentando, nos últimos meses, evitar essa designação por avaliar que isso poderia abrir caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil ou para a aplicação de sanções severas em setores econômicos e financeiros.

Veto à carne brasileira
Outro foco de atenção na viagem de Lula ao G7 passa pela relação com a União Europeia. Há uma semana, o bloco oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial do dia 5 de junho.

Também não há definição sobre um possível encontro de Lula com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

"Obviamente que eu acho que o recado principal que nós queremos passar aos europeus é que ficamos assim um pouco surpresos da maneira como foi. Nós estamos vendo algumas medidas da União Europeia que nos causam alguma preocupação. E o tom da discussão, se houver, ou em outros momentos, não necessariamente no G7, vai ser esse, com uma certa preocupação por esses últimos desdobramentos e ver o que a gente pode fazer para resolver as questões", apontou o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, que acompanha diretamente as tratativas.

Brasil e Japão
Enquanto não se confirmam as reuniões bilaterais de Lula durante a cúpula do G7, um encontro que já está certo na agenda será com a primeira-ministra do Japão é Sanae Takaichi. Ela fez história ao se tornar a primeira mulher a assumir o principal cargo do Executivo no país asiático, tomando posse em outubro de 2025.

Este será o primeiro encontro oficial entre ambos e há uma expectativa de se abrir negociações em torno de um futuro acordo do Japão com o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai).

A cúpula do G7 deste ano, presidida pela França, ocorre de 15 a 17 de junho. Além do Brasil, o grupo convidou líderes de outros países importantes, como Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito. Outra provável reunião bilateral de Lula deverá ser com o anfitrião do evento, o presidente francês Emmanuel Macron.

Sessões deliberativas
O Itamaraty confirmou que Lula participará de três eventos durante o G7.

O primeiro, no dia 16, é uma sessão de líderes em que o presidente brasileiro discursará sobre parcerias internacionais para o desenvolvimento. A expectativa é que Lula cobre a ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD). A chamada AOD, que no inglês é Official Development Assistance (ODA), refere-se a repasses financeiros realizados pelos países mais industrializados do mundo para promover o bem-estar e o desenvolvimento econômico de países em situação de mais vulnerabilidade.

No dia 17, em outra sessão de líderes, Lula vai abordar o tema do crescimento econômico equilibrado, ocasião em que falará com ênfase sobre a necessidade de reforma da governança global, especialmente instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a própria Organização das Nações Unidas (ONU).

Ainda no dia 17, a comitiva brasileira participará de um almoço que terá como tema central a Inteligência Artificial (IA).

Por Pedro Rafael Vilela/Agência Brasil

Ibirataia Prefeito Sandro Futuca participa de procissão em homenagem ao padroeiro do Distrito de Algodão

Presença da gestão municipal reforça apoio às tradições religiosas e culturais de Ibirataia
No último sábado (13), o prefeito Sandro Futuca participou da tradicional procissão em homenagem a Santo Antônio, padroeiro do Distrito de Algodão, em Ibirataia. O evento reuniu fiéis, autoridades e lideranças locais em um momento de fé, devoção e valorização das tradições religiosas que fazem parte da história do município.
Também estiveram presentes o presidente da Cerb, Jayme Vieira, a primeira-dama Luanna Figueiredo, o presidente da Câmara Municipal, Peruca, vereadores da base governista, secretários municipais e diversas lideranças políticas. A participação das autoridades reforçou o compromisso da administração municipal com o fortalecimento dos laços entre o poder público e a população, valorizando eventos que preservam os costumes e a memória da comunidade.
O prefeito Sandro Futuca ressaltou a relevância de manter vivas as tradições que unem as famílias e fortalecem os valores culturais do povo ibirataense. “Participar deste momento é reafirmar nosso respeito pela fé do nosso povo e pelas tradições que unem as famílias e fortalecem nossa identidade cultural. Seguiremos presentes e trabalhando sempre ao lado da população”, afirmou. A presença da Prefeitura de Ibirataia na festividade reafirma o incentivo às manifestações culturais e religiosas, reconhecendo seu papel na preservação da história, dos costumes e dos valores da comunidade.

Passageiro é detido em terminal de Salvador após praticar importunação sexual dentro de ônibus

Episódio ocorreu na noite de sexta-feira e teve a confirmação oficial divulgada pela Polícia Civil na tarde deste sábado

Um homem de 54 anos foi preso em flagrante sob a acusação de importunação sexual após constranger e assediar um passageiro no interior de um ônibus do sistema de transporte público de Salvador. O episódio ocorreu na noite de sexta-feira (12) e teve a confirmação oficial divulgada pela Polícia Civil na tarde deste sábado (13).

Segundo o registro da ocorrência policial, o suspeito abordou a vítima de forma agressiva durante a viagem, passando a exibir vídeos com conteúdo pornográfico explícito em um aparelho celular e exigindo que o passageiro retirasse a roupa no meio do coletivo.

Diante da investida e do constrangimento imposto no veículo, a vítima conseguiu se desvencilhar assim que o ônibus se aproximou de uma área de integração e buscou o auxílio imediato das equipes de vigilância patrimonial que atuam no terminal de transbordo localizado na região do Acesso Norte.

Os funcionários de segurança privada do terminal agiram prontamente, interceptando e contendo o suspeito dentro do complexo até a chegada de guarnições da Polícia Militar da Bahia que realizavam o patrulhamento na área. Os policiais efetuaram a prisão do indivíduo e o conduziram para a Central de Flagrantes.

Na unidade da Polícia Civil, após a coleta dos depoimentos da vítima, das testemunhas e dos agentes envolvidos na captura, a autoridade policial ratificou a prisão em flagrante com base na legislação que criminaliza a importunação sexual.

O homem passou pelos exames periciais de praxe, permaneceu custodiado nas carceragens da instituição e agora se encontra formalmente à disposição da audiência de custódia do Poder Judiciário baiano.

Justiça converte em preventiva prisão de homem suspeito de importunação sexual no metrô

O suspeito de ejacular em uma passageira no metrô de Salvador teve a sua prisão em flagrante convertida em prisão preventiva durante audiência de custódia realizada pelo Poder Judiciário da Bahia. O homem, identificado formalmente nos autos do processo como Swan Tales de Assis Santos, foi autuado pelo crime de importunação sexual e permanecerá custodiado preventivamente no sistema prisional do estado, sem prazo determinado para responder aos desdobramentos da ação penal.

De acordo com as informações e documentos processuais acessados pela reportagem, a defesa do acusado ingressou com um pedido de relaxamento da prisão em flagrante, sob a alegação de supostas irregularidades no ato da detenção. Contudo, o juiz Marcus Vinícius da Costa Paiva rejeitou a tese defensiva.

O magistrado fundamentou que o auto de prisão preencheu todos os requisitos formais de legalidade exigidos pelo Código de Processo Penal e atestou que não houve qualquer indício de tortura, maus-tratos ou emprego de violência ilegal por parte dos agentes estatais encarregados da captura e da custódia do preso, chancelando a higidez do procedimento policial.

Ao decretar a prisão preventiva como forma de resguardar a ordem pública e garantir a instrução do processo, o magistrado também fixou diretrizes rígidas no mandado para assegurar a dignidade humana do interno no ambiente prisional. O juiz determinou que a direção da unidade penitenciária adote um conjunto de precauções especiais destinadas a salvaguardar a vida e a integridade de Swan Tales, de modo a evitar possíveis retaliações ou agressões por parte de outros detentos devido à natureza do crime imputado.
Por: Otávio Queiroz

Brasil sofre, e gol de Vinicius Junior impede derrota para Marrocos em estreia na Copa; veja melhores lances

A promessa de uma estreia difícil para o Brasil na Copa do Mundo de 2026 se concretizou na tarde de sábado (13) em East Rutherford, nos arredores de Nova York. A seleção teve pela frente um adversário duro no MetLife Stadium e sofreu para conseguir um empate por 1 a 1 com Marrocos.

Após um péssimo início, no qual levou bonito gol de Saibari e poderia ter levado mais, a equipe dirigida por Carlo Ancelotti conseguiu equilibrar as ações e igualou o marcador ainda no primeiro tempo, em jogada característica de Vinicius Junior pela esquerda.

A formação marroquina diminuiu o ritmo depois do intervalo, e a seleção brasileira melhorou um pouco com algumas de suas substituições –entraram Danilo e Fabinho, depois Luiz Henrique, Matheus Cunha e Danilo Santos. Mas o placar não voltou a ser movimentado.

Cada um dos times, assim, largou com um ponto no Grupo C. A chave é liderada pela Escócia, que conquistou na noite de sábado sua primeira vitória em Copas em 36 anos, fazendo 1 a 0 no Haiti, em Foxborough, nos arredores de Boston.

"Acho que não começamos bem o jogo. A equipe estava um pouco preocupada, perdemos muitos duelos, muitas bolas. A primeira parte não foi boa. Foi uma partida difícil porque Marrocos é uma boa equipe. Agora, é olhar para o próximo jogo", afirmou Ancelotti.

O confronto em East Rutherford foi acompanhado pelo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Ele gravou um vídeo antes do duelo recordando Sócrates e a Democracia Corinthiana, porém não viu em campo nada parecido com o Doutor.

Foi desastroso o início da partida do Brasil, dominado por um adversário que parecia ter mais jogadores em campo. Carlo Ancelotti optou por utilizar Ibañez na lateral direita, colocou Douglas Santos na esquerda e surpreendeu ao escalar Igor Thiago como centroavante. Não funcionou.

Marrocos pressionava no campo de ataque, roubava a bola e enfileirava oportunidades. El Aynaoui e Bouaddi trocavam passes com facilidade na região da intermediária. Na ponta esquerda, El Khannouss levava ampla vantagem sobre Ibañez. Em sete minutos a formação africana já havia tido duas oportunidades de finalizar dentro da área.

A seleção verde-amarela teve sua primeira escapada aos 14 minutos, quando Raphinha fez a bola chegar a Vinicius Junior na ponta esquerda. Igor Thiago, na entrada da pequena área, desperdiçou a grande chance e mal encostou na bola no cabeceio.

O lance não mudou o panorama da disputa, e o gol que o time de vermelho já fazia por merecer saiu aos 21 minutos. Paquetá teve dificuldade para dominar um passe forte de Ibañez e permitiu o contra-ataque. Brahim Díaz recebeu de Mazraoui e achou Saibari nas costas de Marquinhos e Gabriel Magalhães. Na cara de Alisson, o camisa 11 o encobriu.

Veio a calhar para Ancelotti a pausa para hidratação, na qual fez um ajuste: abriu Raphinha na direita, tirando dali Paquetá. Não mudou da água para o vinho, porém o Brasil conseguiu equilibrar as ações e ter mais o domínio da bola no meio-campo.

Disposto a encarar repetidamente a marcação, Vinicius Junior teve sucesso aos 32. Tocou para Bruno Guimarães, recebeu de volta dentro da área e soube iludir El Aynaoui antes de acertar um bom chute no canto esquerdo de Bounou, para empatar.

Foi só a partir daí que explodiram os primeiros gritos de Brasil. Surpresa e impaciente até então, a torcida da equipe pentacampeã ainda viu dois bons momentos antes do intervalo, um voleio de Paquetá e um cabeceio de Marquinhos.

A essa altura, o técnico já havia pedido que Danilo, Fabinho e Matheus Cunha iniciassem o trabalho de aquecimento. No intervalo, acionou os dois primeiros, que substituíram Ibañez e Casemiro –estes dois, muito mal na etapa inicial, estavam pendurados com cartão amarelo.

A partida teve um ritmo mais lento na etapa final, mas os principais lances de ataque foram do Brasil. Após o início avassalador, Marrocos diminuiu a marcha e começou a dar mostras de que estava satisfeito com o empate –o goleiro Bounou pediu atendimento médico mais de uma vez.

Para dar maior mobilidade ao ataque, Ancelotti chamou Luiz Henrique e Matheus Cunha, que substituíram Igor Thiago e Paquetá. Houve rapidamente alguns bons lances com a participação do habilidoso Luiz Henrique.

A melhor oportunidade surgiu aos 33 minutos, quando Vinicius Junior recebeu pela esquerda em contra-ataque e deixou Raphinha em ótima posição para finalizar. O camisa 11 pegou mal na bola, porém, e a partida terminou mesmo empatada.

"A estreia é sempre muito difícil. A gente tem que melhorar, continuar evoluindo, porque a competição está só começando. Isto é Copa do Mundo, não vai ter jogo fácil", disse Vinicius, que deseja ver um maior controle da posse nas próximas partidas.

"A gente tem que segurar mais a bola, ficar mais com ela, mover o jogo de um lado para o outro. Muitas vezes, os adversários vão se defender e sair no contra-ataque. Mas agora não tem muito o que falar. É trabalhar porque o segundo jogo está muito perto", acrescentou.

A partida de estreia mostrou que não era descabido tratá-la previamente como equilibrada. Pode soar estranho àqueles habituados a uma ordem anterior do futebol, mas o confronto da tarde opunha o sexto ao sétimo colocado do ranking da Fifa (Federação Internacional de Futebol).

Após ter alcançado a melhor campanha de um time africano na história do Mundial, com as semifinais de 2022, Marrocos teve um ciclo de bons resultados no caminho para 2026. Conquistou o Campeonato Africano de Nações e a Copa Árabe. Nas Eliminatórias para a Copa, teve oito vitórias em oito jogos, com 22 gols marcados e dois sofridos.

A equipe chegou também à conturbada decisão do mais importante torneio de seu continente, a Copa Africana de Nações. Perdeu em campo para o Senegal, mas, porque o adversário chegou a abandonar o campo em protesto contra a arbitragem, foi declarada campeã.

A derrota nas quatro linhas custou o emprego do técnico Walid Regragui. Mas, como o resultado registrado foi um triunfo por WO, a equipe desembarcou nos Estados Unidos com um retrospecto oficial de 29 partidas de invencibilidade.

O técnico desde março é Mohamed Ouahbi, que assumiu o grupo principal após um ótimo desempenho na formação marroquina sub-20, campeã mundial no ano passado. A troca foi em cima da hora, porém Ouahbi recebeu uma base mais sólida do que a encontrada por Ancelotti no Brasil, há pouco mais de um ano.

O italiano é o quarto comandante da seleção desde o Mundial de 2022. Sucedeu Ramon Menezes –derrotado por Marrocos em amistoso realizado em março de 2023–, Fernando Diniz e Dorival Júnior, com apenas 12 jogos para tentar dar nova cara ao time na preparação para a Copa.

Não foi suficiente para uma vitória na difícil estreia. Agora, ele trabalha por triunfos contra adversários teoricamente mais frágeis na sequência do Grupo C: o Haiti, na próxima sexta (19), na Filadélfia, e a Escócia, na quarta seguinte (24), em Miami Gardens.

Brasil 1 x 1 Marrocos (Copa do Mundo - Grupo C)

Brasil: Alisson, Ibañez (Danilo), Gabriel Magalhães, Marquinhos, Douglas Santos, Casemiro (Fabinho), Bruno Guimarães (Danilo Santos), Lucas Paquetá (Matheus Cunha), Raphinha, Igor Thiago (Luiz Henrique) e Vinicius Junior. Técnico: Carlo Ancelotti

Marrocos: Bono; Hakimi, Diop, Riad e Mazraoui (Salah-Eddine); El Aynaoui, Bouaddi, Brahim Díaz (Talbi), Ounahi (El Mourabet) e El Khannouss (Amaimouni); Saibari (Rahimi). Técnico: Mohammed Ouahbi

Gols: Saibari (21min do 1º tempo, Marrocos) e Vinicius Junior (32min do 1º tempo, Brasil)

Cartões amarelos: Casemiro e Ibañez

Público: 80.663 espectadores

Árbitro: Slavko Vincic (Eslovênia)

Assistentes: Tomaz Klancnik (Eslovênia), Andraz Kovacic (Eslovênia ), Sandro Schaerer (Suíça)

VAR: Bastian Dankert (Alemanha)

Local: estádio MetLife, em East Rutherford, nos Estados Unidos

Por Marcos Guedes, Mayara Paixão e Luciano Trindade/Folhapress

Prefeito de Nova York exalta ex-jogador Sócrates e Democracia Corinthiana

O prefeito democrata de Nova York, Zohran Mamdani, falou sobre o Brasil na Copa do Mundo em vídeo publicado neste sábado (13), dia da estreia da seleção contra Marrocos, às 19h (horário de Brasília). O político exaltou o ex-jogador Sócrates, ídolo do Corinthians e que disputou a Copa de 1982.

"Enquanto aguardamos Brasil contra Marrocos, tenho pensado ultimamente em Sócrates, não o filósofo grego antigo, mas o maestro do meio-campo brasileiro. Sócrates jogou tanto no Brasil quanto na Seleção nas décadas de 1970 e 1980. Incluindo a Copa do Mundo de 1982, onde foi capitão da seleção. Foram anos difíceis no Brasil", disse.

O prefeito, opositor do presidente americano Donald Trump, citou ainda a ditadura no Brasil e a Democracia Corinthiana –um movimento histórico no futebol brasileiro onde jogadores corintianos assumiram o controle das decisões do clube.

"Uma junta militar repressiva governava o país, impondo seu domínio pela força. No Corinthians, o clube que ele capitaneava, Sócrates e seus companheiros de equipe participaram daquilo com que os brasileiros comuns sonhavam: democracia", acrescentou.

Mamdani ainda brincou com as torcidas brasileira e marroquina. "Se você está torcendo pelo Brasil, aproveite uma coxinha no Bar Goiano, e se você está apoiando os Leões do Atlas, vá ao Tatara Kitchen para um prato delicioso".

A seleção brasileira, comandada pelo técnico Carlo Ancelotti, estreia neste sábado em East Rutherford, Nova Jersey. Globo, SBT, SporTV, CazéTV, ge tv e N Sports transmitem a partida.
Por Jorge Abreu/Folhapress

Partidos chegam às eleições sem filtros para barrar candidato de facção criminosa

Urna eletrônica
Apesar de alertas de autoridades de todo o país sobre o avanço do crime organizado na política brasileira, a maioria dos grandes partidos se prepara para as próximas convenções sem ter adotado medidas específicas para evitar que integrantes de facções criminosas cheguem às urnas.

Segundo o calendário do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), os partidos tiveram até 4 de abril para filiar quem pretende disputar as eleições e, entre 20 de julho e 5 de agosto, precisam realizar as convenções para definição de chapas, que serão registradas até 15 de agosto.

Levantamento feito pela Folha nos registros atualizados no TSE dos oito partidos com mais assentos na Câmara dos Deputados (PL, PT, União Brasil, PSD, PP, Republicanos, MDB e Podemos), que representam 80% da Casa, aponta que apenas um, o MDB, oficializou uma norma complementar específica, válida para 2026, para coibir a filiação de membros de organizações criminosas.

No documento, publicado em março, o partido veda a filiação e a candidatura de "pessoas vinculadas a facções criminosas, milícias, grupos paramilitares ou organizações criminosas congêneres", atribuindo à própria sigla a checagem de antecedentes, origem de recursos e vínculos de filiados e pré-candidatos.

Entre os sete partidos restantes, há possibilidades de desligamento de filiados, mas nenhum prevê triagem antes da filiação —que já dá acesso à estrutura partidária.

PT e Republicanos preveem expulsão automática ou discricionária após condenação criminal com trânsito em julgado. Podemos e PP punem casos de improbidade administrativa. PSD e União Brasil limitam-se a reproduzir a legislação eleitoral. O PL prevê impugnação da filiação de quem "assumir conduta pessoal reprovável", sem critérios objetivos.

Em dezembro passado, em um relatório em que traçou os riscos ao Estado brasileiro para 2026, a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) afirmou que "a crescente simbiose entre a criminalização da política e a politização do crime evidencia a capacidade de milícias e de facções de influenciar o processo eleitoral".

O Rio de Janeiro foi um dos principais exemplos de infiltração das facções. Uma investigação da Polícia Federal apontou que, em setembro de 2025, o então presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Rodrigo Bacellar (União Brasil), avisou o então deputado estadual TH Joias (hoje sem partido, na época MDB), suspeito de ligações com o CV (Comando Vermelho), sobre uma operação policial.

TH Joias já tinha uma pena de 14 anos e 11 meses de prisão por tráfico de drogas e associação para o tráfico, condenação da qual ainda recorria quando se candidatou pelo MDB. Segundo dados do TSE, o partido repassou R$ 300 mil para sua campanha, em 2022.

As defesas de Bacellar e TH Joias negam as acusações.

O MDB afirma que a norma não tem relação com o caso TH Joias, e sim com o aumento dos alertas sobre o tema. Ele foi expulso da sigla.

O cenário não é restrito ao Rio. Em São Paulo, a Polícia Civil e o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) deflagraram ao menos quatro operações (Munditia, Decurio, Contaminatio e TAC) entre 2024 e 2026 contra crimes como fraude em licitação, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. Sete políticos, de cidades da Grande São Paulo e da Baixada Santista, dos partidos MDB, PSD e Podemos, foram presos ou receberam medidas restritivas em meio a acusações de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Os esquemas envolveram principalmente prefeituras.

Uma diferença apontada por especialistas ouvidos pela reportagem é que deputados e senadores têm acesso a emendas parlamentares —recursos que podem ser pagos até sem projetos prévios para organizações sociais contratadas com dispensa de licitação, com sistemas de rastreamento frágeis, questionados pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Crime organizado e mercados ilícitos

Nas operações de São Paulo, o MP-SP encontrou uma série de indícios de que os grupos sob investigação já se valiam de emendas federais. Segundo a Folha apurou, o material foi enviado à Procuradoria-Geral da República e segue sob investigação.

O professor da Fundação Getulio Vargas Rafael Alcadipani, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, critica a passividade dos partidos em lidar com a questão, destacando que as legendas são financiadas por recursos públicos e teriam verba suficiente para investigar a vida pregressa dos candidatos.

Alcadipani, que há 20 anos pesquisa o crime organizado e o trabalho das polícias, supõe que as siglas desviam do assunto diante do poder econômico do crime organizado. "Não vejo interesse dos partidos em afastar essas pessoas, muitas delas capazes de trazer recursos financeiros", afirma.

Membros dos partidos procurados pela reportagem destacam que, nas definições das chapas, as siglas adotam medidas para checar a vida pregressa dos eventuais candidatos, citando estruturas jurídicas e áreas de compliance dedicadas à função, e afirmam que, em casos de suspeitas, os diretórios podem rejeitar candidatos.

Essa busca, contudo, prioriza o cumprimento de requisitos da Lei da Ficha Lima, que não impede a eleição de uma pessoa condenada em primeira instância.

A advogada eleitoral Tailaine Costa destaca os limites objetivos. "Como classificar a pessoa como integrante de facção sem uma condenação prévia?", questiona, alertando que uma ferramenta sem critérios objetivos poderia até ser utilizada por candidatos que queiram barrar rivais.

Outra advogada da área, Leticia Maestra destaca que, em um acórdão do ano passado, o TSE referendou uma decisão da Justiça Eleitoral do Rio que indeferiu a candidatura de um vereador de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, por envolvimento com uma milícia, mesmo sem uma condenação em segunda instância.

A advogada avalia que "essa decisão seria pelo menos um indicativo de como o TSE abordaria essa questão caso os partidos viessem a criar esse tipo de regra". O TSE já teve outras duas decisões similares.

Sob reserva, um dos promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de São Paulo, encarregado das investigações, disse que, desde que os Estados Unidos passaram a se mover para classificar PCC e CV como organizações terroristas, instituições financeiras começaram a pedir orientações sobre o assunto e a solicitar a elaboração de listas de integrantes de facções —para indicar pessoas de quem deveriam manter distância.

O promotor ressaltou que os partidos nunca procuraram o grupo para tratar de tema parecido.

A criação de um Cadastro Nacional de Indivíduos Afiliados a Facções Criminosas é discutida no Conselho Nacional do Ministério Público desde o ano passado, mas esbarra em questões como a presunção de inocência de indivíduos sem condenação criminal.

A Folha procurou o TSE, que não se manifestou. Todos os partidos citados foram procurados e questionados se algum filiado foi barrado neste ano por suspeita de ligação com facções e sobre quais medidas preventivas adotam.

O PSD afirmou adotar "todas as medidas ao seu alcance" para apresentar candidatos idôneos e disse que seu diretório de São Paulo analisa previamente os pré-candidatos com base nas certidões exigidas para o registro. Em caso de denúncias, diz tomar providências.

O Podemos afirmou que tem "um programa de compliance estruturado e com canais disponíveis para comunicação de qualquer irregularidade em relação aos seus filiados" e que pode expulsar o eventual denunciado a depender da gravidade dos fatos comprovados.

Os dois partidos, que tiveram membros presos nas operações de São Paulo, não informaram em suas notas por que os instrumentos internos não levantaram alertas em relação a esses filiados.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse à Folha que o partido nunca discutiu medidas para evitar a contaminação por facções.

"Nunca discutimos esse assunto no partido e fico curioso de ver matérias dessas facções, que não imagino tão grandes como parecem. O que existe é muito bandido. Por que nunca discutimos esse assunto? Porque bandido só convive com bandido", disse.

Os demais partidos não responderam ao pedido de contato da reportagem.

Por Bruno Ribeiro/Folhapress

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