Lula e Flávio Bolsonaro fazem o primeiro debate do 2º turno

Encontro promovido pela Band ocorre uma semana antes da votação, marcada para 25 de outubro, em cenário de empate técnico nas pesquisas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, participam na noite deste domingo (18) do primeiro debate do segundo turno das eleições de 2026.

O debate estava previsto para começar às 20h, mas começou por volta das 20h15.

O encontro r, a uma semana da votação que vai definir o próximo presidente da República, marcada para 25 de outubro.

É o primeiro confronto direto entre Lula e Flávio nesta etapa da campanha (veja temas debatidos abaixo).

Os dois não participaram do primeiro debate presidencial promovido pela Band, em 23 de agosto, ainda durante o primeiro turno.

Primeiro bloco

No primeiro bloco, Lula e Flávio responderam a perguntas dos apresentadores e, na sequência, participaram de um confronto direto.

Pelas regras apresentadas pela Band, cada candidato tem um banco de 15 minutos no confronto para administrar como preferir.

1) Segurança pública

A primeira pergunta do debate foi sobre segurança pública. Os candidatos foram questionados sobre o avanço do crime organizado, o domínio de territórios por facções e milícias e a redução da maioridade penal.

Primeiro a responder, Flávio Bolsonaro afirmou que, se eleito, vai declarar “guerra ao narcoterrorismo” e classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho e as milícias como organizações narcoterroristas. A classificação faz parte do plano de governo do candidato.

O candidato disse ainda que pretende recuperar territórios dominados pelas organizações criminosas e endurecer o tratamento contra integrantes de facções. Citou a lei antifacção e afirmou que líderes dessas organizações poderão ficar até 80 anos presos.

“Eu vou recuperar cada metro. Eu vou recuperar cada rua. Eu vou recuperar cada bairro. Eu vou recuperar cada cidade. Eu vou recuperar cada território que foi tomado do povo brasileiro”, afirmou Flávio Bolsonaro.

O senador disse ainda que criminosos serão “presos ou neutralizados pelas nossas polícias” e acusou o atual governo de adotar uma política de desencarceramento.

Lula foi o segundo a falar. Ele afirmou que a segurança pública é responsabilidade dos estados pela Constituição de 1988 e disse que a PEC da Segurança Pública ampliará a participação da União na área.

O presidente afirmou que, se a proposta for aprovada pelo Senado, criará o Ministério da Segurança Pública.

Lula também citou a Lei Antifacção e disse que seu governo pretende combater o crime organizado tanto nos territórios dominados pelas facções quanto entre integrantes de maior poder econômico.

A lei contra facções foi sancionada por Lula em março e ampliou penas e instrumentos de investigação.

O presidente defendeu ainda uma atuação conjunta de União, estados e municípios para recuperar territórios dominados por organizações criminosas e milícias.

“Para o trabalhador e para a comunidade, proteção. Para o bandido, prisão”, afirmou Lula.

Ele encerrou a resposta afirmando que seu governo fez, nos últimos quatro anos, “muito mais” no combate ao crime organizado do que havia sido feito anteriormente no país.

2) Economia

Na segunda pergunta do primeiro bloco, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro foram questionados sobre o baixo crescimento da economia brasileira, a dívida pública, os juros, a carga tributária e a recuperação do grau de investimento.

Primeiro a responder, Lula disse que o país precisa estimular o crescimento por meio da circulação de renda e do incentivo aos pequenos negócios.

O presidente citou políticas voltadas aos Microempreendedores Individuais (MEIs) e afirmou que pretende ampliar os incentivos ao setor para gerar emprego e desenvolvimento. O governo anunciou recentemente um pacote de medidas voltadas aos MEIs.

Lula também afirmou que o país está próximo de recuperar o grau de investimento e defendeu investimentos nas economias digital, verde e criativa.

Na sequência, Flávio Bolsonaro questionou a situação econômica das famílias e citou os preços dos alimentos.

“A sua vida melhorou ou piorou? A comida está mais cara ou está mais barata?”, perguntou Flávio Bolsonaro.

O candidato afirmou que o resultado do primeiro turno, no qual terminou à frente de Lula, provocou queda nas taxas de juros futuros.

Flávio Bolsonaro também criticou o crescimento da dívida pública e atribuiu o aumento do endividamento ao que chamou de “gastança” do atual governo.

Ele afirmou que pretende controlar os gastos para abrir espaço no Orçamento e disse que usaria os recursos tanto para reduzir a dívida pública quanto para ajudar famílias endividadas.

O plano econômico do candidato prevê um ajuste fiscal com cortes de gastos, embora parte das medidas ainda não tenha sido detalhada.

“Eu vou ajudar você a pagar a sua dívida. Eu vou ajudar o governo a pagar a própria dívida”, afirmou.

O candidato encerrou a resposta dizendo que pretende combater a corrupção e afirmou que tirar Lula da Presidência seria “o primeiro passo” para controlar o Orçamento.

Confronto direto

No primeiro confronto direto, Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre um voto dado pelo então deputado estadual, em 2009, contra a ampliação da licença-maternidade de servidoras.

Flávio afirmou que não tem “absolutamente nada contra as mulheres”, mas não explicou o voto.

Em seguida, questionou Lula sobre a empresária e lobista Roberta Luchsinger e sobre investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.

Roberta e Fábio Luís são investigados pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência; ambos negam irregularidades.

O embate passou então para acusações de corrupção.

Flávio citou o esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS e acusou o governo Lula de não proteger os aposentados.

Lula afirmou que o esquema foi descoberto e combatido em seu governo. A Polícia Federal indiciou 48 pessoas na primeira investigação sobre as fraudes.

Lula também cobrou explicações de Flávio sobre os R$ 134 milhões negociados com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

Flávio afirmou que já havia explicado o caso e negou irregularidades. A Polícia Federal investiga o financiamento da produção.

Na sequência, Flávio Bolsonaro voltou à economia, criticou os juros e acusou o presidente de usar o Bolsa Família com objetivo eleitoral.

Lula, por sua vez, retomou a segurança pública e questionou o adversário sobre posições relacionadas à política de armas e a casos de violência no Rio de Janeiro.

Lula também questionou Flávio sobre o fim da escala 6x1 e perguntou se o adversário pretendia propor mudanças na medida. Flávio afirmou que não. O candidato do PL votou a favor do fim da escala 6x1 no Senado, depois de ter se posicionado contra a proposta.

Na reta final do confronto, Lula questionou Flávio sobre sua proximidade com o presidente da Argentina, Javier Milei, e perguntou se pretendia adotar no Brasil o modelo econômico argentino. Flávio não respondeu diretamente e afirmou que governos de direita precisam “consertar” problemas deixados por governos de esquerda.

Flávio afirmou ainda que pretende fazer um “tesouraço” na corrupção do governo Lula.

➡️Segundo bloco

1) Saúde

O segundo bloco começou com uma pergunta sobre saúde. Os candidatos foram questionados sobre as filas para consultas com especialistas, exames e cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS), além do financiamento necessário para ampliar o atendimento.

Primeiro a responder, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende criar um prontuário eletrônico único, com informações das redes municipal, estadual, federal e privada integradas pelo CPF.

O candidato também defendeu o uso de telemedicina, tecnologia e inteligência artificial para agilizar o atendimento.

Flávio disse ainda que pretende levar ao SUS o que chamou de “padrão Einstein” e voltou a afirmar que, se eleito, escolherá o médico Claudio Luiz Lottenberg para comandar o Ministério da Saúde.

Na sequência, Lula criticou a gestão da saúde no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid e questionou se a proposta de Flávio significaria privatizar o SUS.

O presidente afirmou que seu governo trabalha para recuperar o sistema público de saúde e criticou a escolha de Claudio Luiz Lottenberg.

Lula disse que o adversário não conhece a saúde pública e cobrou a escolha de pessoas com experiência no setor.

2) Saída temporária de presos

No confronto direto do segundo bloco, Flávio Bolsonaro questionou Lula sobre a saída temporária de presos.

O candidato citou dois crimes cometidos por detentos beneficiados pela medida e perguntou se Lula era favorável à manutenção do benefício.

Lula defendeu a saída temporária para presos com bom comportamento como instrumento de ressocialização, mas afirmou que pessoas que cometeram crimes violentos não devem receber o benefício. O presidente disse que o sistema prisional deve buscar recuperar os presos.

Na sequência, Flávio voltou ao tema da escala 6x1 e afirmou que mudou de posição após ouvir trabalhadores durante a campanha.

Lula respondeu com críticas ao histórico profissional do adversário e disse que pretende continuar aumentando o salário mínimo acima da inflação.

3) Saúde volta ao confronto

Na segunda pergunta do confronto, Lula voltou ao tema da saúde e criticou novamente a gestão do governo Bolsonaro durante a pandemia.

O presidente defendeu o SUS e citou a ampliação do número de médicos e medidas para reduzir o tempo entre diagnóstico e tratamento de câncer.

Flávio reconheceu que a saúde não foi uma área em que o governo de Jair Bolsonaro teve “o melhor resultado”, atribuiu parte das dificuldades à pandemia e afirmou que o ex-presidente “deu o seu melhor”.

Em seguida, voltou a falar de economia e apresentou uma proposta para renegociação de dívidas de pessoas e empresas.

➡️Terceiro bloco

1) Produtividade

O terceiro bloco começou com uma pergunta sobre a baixa produtividade da economia brasileira e as medidas que os candidatos pretendem adotar para aumentar a produção e a renda no país.

Primeiro a responder, Lula afirmou que o aumento da produtividade depende de investimentos das empresas em inovação.

O presidente citou a Nova Indústria Brasil e defendeu investimentos em economia digital, data centers, economia criativa e economia verde, além da formação de profissionais em áreas como engenharia e matemática.

Flávio afirmou que pretende tratar a internet como infraestrutura e conectar escolas, hospitais e aldeias indígenas.

Disse ainda que pretende criar uma plataforma que conecte trabalhadores às áreas de recursos humanos de empresas, além de oferecer capacitação e financiamento por meio da Caixa para pessoas que queiram abrir o próprio negócio.

2) Estados Unidos e terras raras

No confronto direto, Lula questionou Flávio sobre sua relação com os Estados Unidos e perguntou se, em um eventual governo, o candidato entregaria a exploração de terras raras brasileiras aos americanos.

Flávio negou ter atuado para que empresas brasileiras fossem atingidas por tarifas americanas e afirmou que foi aos Estados Unidos para defender empresas e produtos brasileiros.

Lula insistiu no tema e acusou a família Bolsonaro de subordinação aos interesses americanos. Na sequência, propôs que os dois candidatos abram suas contas bancárias e seus sigilos telefônicos para análise antes da eleição.

Flávio afirmou não ter “absolutamente nada a esconder” e defendeu cooperação entre países das Américas contra organizações criminosas e maior atuação das Forças Armadas nas fronteiras.

3) Maioridade penal e segurança pública

Na última rodada do confronto, Flávio defendeu a castração química de estupradores, a redução da maioridade penal e o endurecimento das penas para crimes como roubo de celular.

Flávio afirmou que defende a redução para 14 anos em casos de crimes graves e hediondos. Na reta final da campanha, Lula também passou a defender a redução da maioridade penal, mas para 16 anos e somente em crimes hediondos. Essa posição do presidente foi apresentada em entrevista à Globo antes do debate.

Lula respondeu citando medidas de seu governo relacionadas a celulares roubados e voltou à economia. O presidente defendeu políticas de crédito e renegociação de dívidas e afirmou que o crescimento econômico é a melhor maneira de reduzir o peso da dívida pública.

Ao final da rodada, Lula repetiu o desafio para que Flávio abra suas contas bancárias e o conteúdo de seu celular.

Considerações finais

Lula foi o primeiro a fazer as considerações finais. No início, houve interrupções, e os mediadores pediram a Flávio e à plateia que permitissem que o presidente falasse.

Lula agradeceu aos apoiadores e defendeu a continuidade de seu governo. Disse que o Brasil está preparado para crescer mais e citou como prioridades a recuperação da indústria. Também criticou privatizações e defendeu estatais “fortes e produtivas”.

Flávio afirmou, nas considerações finais, que não fará promessas que não puder cumprir e voltou a defender a criação do Ministério da Prosperidade e suas propostas para a segurança pública. Disse que pretende colocar o cidadão no “centro do governo” e pediu votos para o segundo turno.

Após as duas falas, os mediadores encerraram o primeiro debate do segundo turno.

Disputa apertada

O debate ocorre em meio a uma disputa apertada pela Presidência. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta (15) mostrou Flávio Bolsonaro com 47% das intenções de voto e Lula com 45%.

Já levantamento Quaest divulgado na quarta (14) apontou Flávio com 46% e Lula com 44%. Nos dois casos, os candidatos estão tecnicamente empatados.

No primeiro turno, Flávio terminou à frente, com cerca de 2,2 milhões de votos a mais que Lula, uma diferença de 1,87 ponto percentual.

Na reta final da campanha, as duas candidaturas apostam nos debates e na mobilização nas ruas para conquistar votos.

A campanha de Lula pretende destacar medidas de apelo popular, enquanto aliados de Flávio planejam intensificar as respostas aos ataques do presidente e dar mais espaço às propostas do senador.

Por Redação g1 — Brasília

Vantagem de Lula sobre os Bolsonaro cai em 98% das cidades do Nordeste

Lula mantém força, mas militância de direita ganha ruas e reforça campanha no interior
Na rodovia que leva ao centro de Dom Macedo Costa, município de 4.407 habitantes do Recôncavo Baiano, bandeiras verde e amarelas estão penduradas nas portas das casas. Um comitê instalado na praça central, junto à prefeitura, distribui adesivos a apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL).

A cena era inimaginável em 2022, quando Lula (PT) chegou a 71,5% dos votos na cidade contra 23,5% de Jair Bolsonaro (PL). Mas o cenário eleitoral local foi reconfigurado: Lula ainda ganhou em 2026, com 59,3% dos votos, mas Flávio chegou a 35%. Uma diferença que era de 48 pontos caiu para 23,7.

O cenário se repetiu em outras cidades nordestinas. Levantamento da Folha aponta que a diferença de votos entre Lula e os candidatos da família Bolsonaro caiu em 98% dos municípios do Nordeste, comparando os primeiros turnos das eleições de 2022 e 2026.

A região segue como principal reduto do petista, que teve 21,5 milhões de votos nos nove estados nordestinos. Mas Flávio cresceu comparado a Jair e chegou a 10,4 milhões de votos, um avanço de 18,3%.

A diferença de Lula frente aos Bolsonaro teve uma queda maior em cidades pequenas e médias com influência do agronegócio. A queda de Lula e ascensão de Flávio também aconteceram em municípios que passaram a ser comandados por prefeitos de oposição do PT.

Foi o caso de Caldeirão Grande, de 13 mil habitantes, no sertão baiano, onde o prefeito Pedro Henrique Bezerra (PP) apoiou Flávio Bolsonaro e o ajudou a ampliar sua votação comparada à do pai.

Há quatro anos, Lula teve quase 79,5% na cidade, ante 15,5% de Jair Bolsonaro. Agora, o petista teve 68%, contra 28,5% de Flávio. Assim, a vantagem que era de 64 pontos percentuais caiu para 39.

O cenário foi parecido em localidades com a influência do agronegócio. A vantagem petista caiu em municípios como Formosa do Rio Perto e Baianópolis, produtoras de grãos no oeste do estado, e em Barra da Estiva, cidade da Chapada Diamantina conhecida pela produção de morangos.

Em Dom Macedo Costa, no Recôncavo, o prefeito Tote Fróes (União Brasil) apoiou Flávio no primeiro turno e agora trabalha para ampliar o percentual de votos do aliado na cidade.

"Graças a Deus a gente fez um bom trabalho. E também tem o desgaste do PT, são 20 anos no poder e tudo tem um limite, né? Agora está na hora de mudar", afirmou o prefeito. Ele foi eleito para a prefeitura em 2024 após um ciclo de oito anos de gestão do PT na cidade.

Prefeito de 2017 a 2024, o agente comunitário de saúde Guito (PT) afirma que o crescimento de Flávio na cidade foi impulsionado pelo poder econômico do adversário. "Esse grupo político tem muito dinheiro. A gente não tem recurso e fez uma campanha de porta em porta, conversando com as pessoas", afirma.

Dom Macedo Costa é uma cidade com as contas públicas fortemente dependentes de transferências governamentais. Em 2025, a prefeitura teve receita de R$ 35,1 milhões, sendo R$ 1,1 milhão com a arrecadação com impostos e taxas municipais.

A base da economia é a pecuária, a agricultura de subsistência. Ao todo, 850 famílias da cidade são atendidas pelo programa Bolsa Família.

Na zona urbana, o eleitorado é mais conservador. O mecânico Manuel Fróes, 40, que trabalha com venda de autopeças, votou no PT até 2006, quando passou a se alinhar com candidatos da direita. Era uma minoria entre os eleitores de Dom Macedo Costa, mas agora vê uma cidade mais dividida.

"O que falta é gente com peito dizer assim: ‘minha posição é essa’. Porque o petista tem a posição dele, bota a bandeira dele, a estrela, e sai. A direita também tem que botar a sua bandeira", avalia.

Na comunidade Pinga Fogo, na zona rural da cidade, eleitores do PT têm adesivos do partido colados na parede de suas casas. A lavradora Jacilene Oliveira dos Santos, 38, diz que o voto em Lula é uma escolha consolidada na família, associada à redução da pobreza.

Ela demonstra preocupação com eventuais cortes de benefícios sociais e diz que os mais jovens não compreendem os efeitos de um possível retorno da família Bolsonaro à Presidência: "Essa mocidade é inocente, não sabe nem o que é a vida ainda. Temos que olhar pelos nossos filhos."

No mesmo povoado, a dona de casa Eliete Bahia, 45, votou em Flávio Bolsonaro por desejar mudanças nas políticas de segurança pública. Beneficiária do Bolsa Família, ela diz não temer que o programa seja interrompido caso Lula deixe a Presidência: "Quem entrar, continua tudo a mesma coisa".

Na casa vizinha, Mércia Pires Oliveira, 40, tem uma bandeira do PT hasteada na porta de sua casa, mas votou em Flávio Bolsonaro no primeiro turno —o petista da família é o marido dela. Agora, diz que vai votar em branco. "Não quero me responsabilizar por nada que aconteça", afirma.

No centro da cidade, o comitê do União Brasil que fez campanha para o candidato ao governo ACM Neto foi transformado no quartel-general de Flávio Bolsonaro. Na quarta-feira (14), o prefeito recebeu deputados aliados e prometeu engajamento na campanha.

Ao todo, somente 9 dos 417 prefeitos da Bahia apoiaram Flávio no primeiro turno. Agora, o número de gestores municipais aliados passa de 40, aponta o presidente estadual do PL, João Roma, ex-ministro de Bolsonaro.

Por João Pedro Pitombo, Marina Pinhoni e Nicholas Pretto, Folhapress

Com 5.606 armas apreendidas em 2026, Forças de Segurança da Bahia superam número de 2025

A retirada dos armamentos garantiu, no mês de setembro, o registro do menor número de mortes violentas dos últimos 14 anos.

Com 5.606 armas apreendidas em 2026, as Forças de Segurança Pública da Bahia superaram o número contabilizado no mesmo período de 2025. Os armamentos ilícitos foram localizados em ações das Polícias Militar e Civil, além das operações integradas com a Polícia Federal, a FICCO Bahia e a Polícia Rodoviária Federal.

A retirada dos armamentos garantiu, no mês de setembro, o registro do menor número de mortes violentas dos últimos 14 anos. No acumulado do ano, a Polícia registra redução de 20% das ocorrências de homicídio, latrocínio e lesão dolosa seguida de morte.

Em números percentuais, na comparação entre os meses janeiro e setembro, o aumento das apreensões de armas de fogo é de aproximadamente 1%. No ano passado foram encontradas 5.566 armas de fogo no mesmo período.

"A implantação da doutrina do Policiamento Orientado pela Inteligência (POI) e a integração entre as Forças Estaduais, Federais e Municipais proporcionaram esse aumento de produtividade e, consequentemente, a redução das mortes violentas na Bahia”, destacou o secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner.

O delegado federal acrescentou ainda que o combate às facções continuará intensificado em todo o território baiano, com ações também em outros estados e países. “O nosso trabalho é incansável. Estamos atentos e operando diuturnamente", enfatizou Werner.
Fonte
Alberto Maraux

Capitais têm atos pró-Lula uma semana antes do segundo turno

                     "Ato pró-Lula ocorre no Largo da Batata, em São Paulo, neste domingo (18)"
Apoiadores da reeleição do presidente Lula (PT) promovem atos a favor do candidato em cidades brasileiras e, neste domingo (18), dezenas de mobilizações estão previstas no país.

Em Brasília, Maceió e Rio de Janeiro, as manifestações já começaram pela manhã. Apoiadores em Salvador e Curitiba começam a se reunir no início desta tarde.

O cantor e compositor Chico Buarque participou do ato a favor de Lula no centro do Rio de Janeiro. O público ocupa um quarteirão da avenida Presidente Vargas, na altura da igreja da Candelária. O artista foi saudado pelo público no local.

"Estamos aqui contra a truculência e contra a subserviência. Viva os estudantes, viva a democracia e viva o presidente Lula", afirmou.

O ato é organizado pela UNE (União Nacional dos Estudantes) e tem apoio de partidos como PT e PDT.

No Rio, um segundo ato acontece às 16h na zona sul da cidade. A mobilização está sendo chamada de "ato musical em defesa da democracia" e foi convocada pelo cantor Caetano Veloso em Copacabana.

Na capital federal, manifestantes se concentraram na Esplanada dos Ministérios. A aglomeração de apoiadores ocorre em frente ao Museu da República, que fica próximo da rodoviária central e da catedral de Brasília.

Por volta das 12h, o grupo passou a seguir em caminhada até o Congresso Nacional, em meio ao forte calor.

A mobilização ocorre uma semana antes do segundo turno, marcado para o próximo domingo (25), e integra uma sequência de manifestações populares em apoio ao petista pelo país.

Na última terça-feira (13), milhares de pessoas já haviam ocupado a Esplanada em um ato convocado pelo DCE (Diretório Central dos Estudantes) da UnB (Universidade de Brasília), com apoio da UNE.

A Secretaria de Segurança Pública disse à Folha que não realiza estimativas de público nestes atos.

Atos também estão marcados em cidades de outros estados, como Acre, Amapá, Pará, Tocantins, Piauí, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Minas Gerais.

Em Salvador, os cantores Gilberto Gil e Daniela Mercury, além de outros artistas, também participarão de um ato em apoio a Lula, no Clube Espanhol. A mobilização já começou neste início de tarde.

Outras duas capitais, Curitiba e Porto Alegre, também fazem atos pró-Lula. Na capital do Paraná, a concentração começou às 13h na praça 19 de Dezembro.

Na capital do Rio Grande do Sul, o ato está marcado para as 14h, na Redenção, e também terá apresentações de artistas.

Mobilizações semelhantes, nas ruas, estão acontecendo em diferentes cidades do país desde o resultado das urnas em 4 de outubro, quando o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) obteve mais votos do que Lula.

O eleitorado do petista começou a se organizar pelas redes sociais —parte expressiva da iniciativa veio de grupos de estudantes— e surpreendeu o meio político.

Um dos principais atos foi na avenida Paulista, dia 11 de outubro, e contou com a presença de Lula. A via chegou a ser ocupada por 12 quarteirões, na maior parte de seus 2,8 km.

Em São Paulo, grupos petistas devem se concentrar em atos nas periferias da cidade, a partir das 15h. O mote é "Botar pra virar! Domingo é nas periferias!".

Por Catarina Scortecci e André Borges Yuri Eiras, Folhapress

Vídeo: Mau tempo impede viagem de ACM Neto e vice de Flávio Bolsonaro para carreata em Jequié Por Política Livre

ACM Neto explicou que as condições climáticas desfavoráveis inviabilizaram o deslocamento aéreo
O mau tempo impediu, neste domingo (18), a viagem de ACM Neto (União), do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), e de outras lideranças políticas para Jequié, no sudoeste baiano, onde participariam de uma carreata em apoio ao presidenciável.

Em vídeo gravado ao lado de Alfredo Gaspar, João Roma (PL), do senador Angelo Coronel (Republicanos) e do deputado federal Leur Lomanto Júnior (União), ACM Neto explicou que as condições climáticas desfavoráveis, com o tempo fechado em Salvador, inviabilizaram o deslocamento aéreo. Segundo ele, não havia teto suficiente para o pouso da aeronave em Jequié.

Apesar da ausência do grupo, a carreata foi realizada, sob a liderança do ex-prefeito e candidato a vice da oposição Zé Cocá (PP), que mobilizou apoiadores de Flávio Bolsonaro na cidade.

Veja vídeo:

Por Política Livre

Relação com Lula nunca foi comercial, e sim institucional, afirma lobista a 8 dias do 2º turno

                                           A empresária e lobista Roberta Luchsinger
A oito dias da eleição de segundo turno no Brasil, a empresária e lobista Roberta Luchsinger - investigada por corrupção e tráfico de influência em conjunto com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha - afirmou à CNN Brasil que sua relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nunca foi profissional nem comercial, e sim institucional.

Ainda assim, criticou Lula repetidas vezes e disse que "um presidente da República que não sabe o que está acontecendo na antessala dele ou é mentiroso, ou senil". Isso após dizer que Lulinha se encontrou com diversos ministros do governo federal e que até viajou para a casa do ex-ministro da Educação Camilo Santana, no Ceará.

Luchsinger, que chegou a se descrever como "melhor amiga" de Lulinha, encerrou a entrevista dizendo que a partir do momento em que Lulinha se cala e não a defende do próprio pai, ela que é a vítima da situação e eles, cúmplices.

A lobista fez referência às vezes em que Lula a chamou de "pilantra" no Podcast Flow e em entrevista à TV Globo, o que, segundo ela, ocasionou em ameaças de morte para ela e para as filhas.

Relação com Antônio Carlos Camilo Antunes

A lobista afirmou que conheceu o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", para prestar um serviço de revisão de Resoluções da Diretoria Colegiada (RDCs) da Anvisa, focando em melhorias para a área de saúde, e o apresentou para Lulinha. Depois disso, Luchsinger alega que só soube da relação entre ambos a partir da mídia, de que teriam ficado amigos e viajado.

Em relação às fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Luchsinger disse que rompeu contrato do serviço com Antônio Camilo assim que soube do esquema. Acrescentou que seu inquérito da PF é público e que, nele, fica claro que ela não teria relação com o escândalo do INSS.

Por Caroline Aragaki, Estadão Conteúdo

Seleção de Ibirataia empata com Jequié na Copa Inter Vale Master

Confronto pela Copa Intervale Master foi marcado por equilíbrio e emoção até o apito final.

A Seleção de Ibirataia empatou com a Seleção de Jequié em um confronto equilibrado pela 3ª edição da Copa Intervale Master, realizado neste domingo (18), no Estádio O Tesourão, em Ibirataia.

Diante da torcida, a equipe ibirataense protagonizou uma partida disputada do início ao fim, com chances para os dois lados e emoção até o apito final.
Com o resultado, a definição continua ainda com outros jogos na fase de grupos. O duelo reforçou o equilíbrio da competição e a importância do apoio da torcida ao futebol regional.
Fonte: DECOM-PMI

Flávio Bolsonaro reúne apoiadores na Paulista para manifestação "Videos Mostram a multidão na Paulista"

                Apoiadores de Flávio Bolsonaro se reúnem na Avenida Paulista neste domingo (18)
Apoiadores do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) se reúnem na avenida Paulista na manhã deste domingo (18) para um comício do candidato.

O ato foi convocado após a manifestação da esquerda, a favor do presidente Lula (PT), no mesmo local no domingo passado (11). O evento, na ocasião, ocupou 12 quarteirões da avenida.

Flávio chegou ao evento por volta das 11h15 e fará seu discurso sobre um dos carros de som que está no local. O trio elétrico do candidato percorre um trecho da avenida nas proximidades do Masp.

Na noite deste domingo, ele vai comparecer a debate promovido pela Band e outros veículos de imprensa, também em São Paulo.

Por volta das 11h, a avenida Paulista tinha mais manifestantes concentrados em trecho perto da rua Augusta. O ponto da principal concentração, no restaurante McDonald's, é quase intransitável para pedestres com a aglomeração.

Bloqueios nas proximidades do parque Mario Covas impedem as pessoas de chegar perto, provocando um vaivém.

O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também comparece. Estão no carro de som aliados como os senadores eleitos Deltan Dallagnol (Novo-PR), Marcel van Hattem (Novo-RS) e André do Prado (PL-SP). Um dos organizadores é o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), também presente.

Funk e palavras de ordem animam o público, composto por muitas pessoas de meia-idade, idosos e também famílias.

"Quem ficar parado é petista disfarçado" é o refrão mais cantado, um tipo de sinal ao qual os manifestantes respondem com pulinhos e acenos.
Por Clayton Castelani e Jullia Gouveia, Folhapress

Paris registra protestos e confrontos; brasileiros relatam clima de tensão na capital francesa Por Política Livre

                          As autoridades também registraram aproximadamente 1.800 detenções.
Paris amanheceu neste domingo (18) após um sábado marcado por protestos e confrontos na França. As manifestações contra o alto custo de vida, a inflação e os cortes nos serviços públicos terminaram com registros de depredações e saques.

Brasileiros que moram na capital francesa encaminharam ao Política Livre fotos e vídeos exclusivos que mostram a situação nas ruas da cidade.

“Dia tenso hoje em Paris, muito quebra-quebra e sinal de guerra”, relatou um dos leitores ao site.

Segundo o Ministério do Interior francês, cerca de 550 mil pessoas participaram dos protestos realizados no sábado (17). Os organizadores estimaram a presença de 800 mil manifestantes. As autoridades também registraram aproximadamente 1.800 detenções.

Em Paris, houve registros de veículos incendiados, lojas saqueadas e confrontos com a polícia. O presidente Emmanuel Macron condenou os atos de violência e afirmou que os responsáveis pelas depredações serão punidos.

Veja vídeos abaixo:
Por Política Livre

De olho em 2028, Ana Paula Matos e Léo Prates ficam fora de ato de Flávio Bolsonaro em Salvador- Por Política Livre

       A vice-prefeita Ana Paula Matos (PDT) e o deputado federal Léo Prates (Republicanos)
Dois nomes que disputam espaço no grupo político de ACM Neto (União) e do prefeito Bruno Reis (União) de olho na Prefeitura de Salvador em 2028 não foram vistos no ato de campanha de Flávio Bolsonaro (PL), realizado neste sábado (17), na Barra. O deputado federal Léo Prates (Republicanos) e a vice-prefeita Ana Paula Matos (PDT) ficaram de fora dos registros públicos da mobilização, diferentemente dos seus liderados, respectivamente o antecessor e o atual gestor, de secretários municipais e de dirigentes ligados à administração da capital.

A ausência dos dois chama atenção pelo contexto eleitoral. Tanto Ana Paula quanto Léo alimentam o desejo de disputar a sucessão de Bruno Reis, mas precisam considerar o perfil do eleitorado soteropolitano, que deu maioria dos votos ao presidente Lula (PT). Nesse cenário, uma associação direta à campanha de Flávio Bolsonaro poderia representar um desgaste junto a setores do eleitorado que poderão ser decisivos na eleição municipal de 2028.

No caso de Ana Paula, a situação é ainda mais delicada por ocupar a vice-prefeitura e integrar diretamente a administração de Bruno Reis. Embora faça parte do mesmo grupo político de ACM Neto, a pedetista não acompanhou publicamente o movimento de aproximação com o candidato do PL. A ausência no evento permite a interpretação de que ela busca preservar sua identidade política e evitar uma vinculação mais explícita ao bolsonarismo.

Léo Prates também adotou uma postura diferente da de seu principal líder político. Enquanto ACM Neto declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno e participou ativamente da organização do ato, o deputado do Republicanos não anunciou adesão pública à candidatura presidencial. O silêncio pode ser interpretado como uma tentativa de manter abertas diferentes possibilidades políticas para 2028, sem comprometer sua relação com eleitores que não se identificam com o bolsonarismo. Valeu lembrar que o presidente da sigla, deputado federal Márcio Marinho, esteve no evento.

Léo, aliás, não esconde a disposição de disputar a Prefeitura de Salvador, mesmo que isso signifique contrariar os planos de ACM Neto e Bruno Reis. Em diferentes momentos, ele já sinalizou que poderia seguir um caminho próprio caso não fosse escolhido pelo grupo. Até agora, entretanto, nunca levou essa possibilidade às últimas consequências, preferindo tensionar a relação com seus padrinhos políticos sem efetivamente romper com eles.

A rivalidade entre Léo e Ana Paula voltou a aparecer nas eleições deste ano. A vice-prefeita apoiou a candidatura de Cacá Leão (PP) à Câmara dos Deputados, deixando de caminhar com Léo Prates, que também disputou e conquistou a reeleição. O episódio reforçou a existência de projetos políticos distintos dentro de um mesmo grupo, apesar da aliança administrativa na Prefeitura.

A ausência dos dois no ato deste sábado, portanto, pode ter ido além de uma simples questão de agenda. Enquanto ACM Neto e Bruno Reis assumiram publicamente a campanha de Flávio Bolsonaro, Ana Paula e Léo evitaram, ao menos naquele evento, uma exposição que poderia cobrar seu preço político daqui a dois anos. Resta saber até quando conseguirão manter essa distância sem provocar novos atritos com as principais lideranças do grupo.
Por Política Livre

Moraes ignorou aviso da PF sobre risco de quebrar sigilo da fonte em caso de blogueiro do Maranhão

O jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, que assina um blog com seu nome e foi alvo de busca e apreensão em investigação por suspeita de perseguição após publicações contrárias a Flávio Dino
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), ignorou um alerta da PF (Polícia Federal) de que a quebra do sigilo da fonte de um jornalista investigado iria ferir uma garantia constitucional. Em um inquérito sob sua relatoria, o ministro determinou que informações resguardadas por tal proteção fossem juntadas aos autos.

Trata-se da investigação sobre suposta perseguição contra o também ministro do STF Flávio Dino. Moraes determinou a apreensão de celulares e notebook do jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, que publicou em seu blog reportagens sobre o uso de veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Dino.

Em agosto, cinco meses após a PF apreender os equipamentos de Luís Pablo, Moraes determinou operação de busca e apreensão contra informantes do jornalista. Ou seja, permitiu que fosse quebrado o sigilo da fonte, cláusula pétrea da Constituição Federal.

As decisões motivaram críticas de entidades do jornalismo e do direito, além de preocupações e dúvidas entre estudiosos do assunto.

Depois da apreensão do material do jornalista —mas antes da busca e apreensão sobre seus informantes—, o delegado Antônio Carlos Knoll de Carvalho, da Polícia Federal, enviou, em 8 de abril, um ofício a Moraes informando que não havia juntado aos autos diálogos que revelariam as fontes do jornalista.

"Da análise das mensagens pode-se identificar o provável fornecedor de informações para o investigado, tendo sido tal pessoa responsável por encaminhar ao jornalista as fotografias, filmagens e os dados dos veículos que foram publicadas por Luís Pablo nas reportagens em seu blog", escreveu o delegado.

"Tendo em vista o disposto no Art. 5º, inciso XIV, da Constituição Federal, que resguarda o sigilo da fonte, e havendo a possibilidade, em tese, de as conversas acima mencionadas estarem resguardadas por tal preceito, a IPJ [Informação de Polícia Judiciária] nº 1466253/2006 não foi, neste momento, juntada aos autos."

Em um despacho no mesmo dia, Moraes não compartilhou da preocupação do delegado. O ministro reconheceu que a "Constituição Federal, ao proclamar a inviolabilidade do sigilo da fonte, tem por finalidade garantir a toda a sociedade a ampla e total divulgação dos fatos e notícias de interesse público".

Mas considerou que aquela situação configurava uma exceção. "No caso dos autos, entretanto, há indícios relevantes de que o investigado Luís Pablo Conceição Almeida incorreu na prática de crime previsto no Art. 147-A do Código Penal [crime de perseguição] sem prejuízo de outras condutas eventualmente relacionadas, a partir de publicações realizadas na internet e em redes sociais, atentando contra ministro do Supremo Tribunal Federal", escreveu o magistrado.

"Desse modo", acrescentou Moraes, "é indispensável a juntada das provas aos autos, de modo que seja regularmente analisada a sua licitude pelo Poder Judiciário no contexto da existência de indícios de crimes."

Diante disso, o ministro determinou que a PF juntasse as provas nos autos no prazo de 48 horas.

Um dos alvos de busca e apreensão da operação determinada em agosto por Moraes foi o delegado da PF aposentado Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança do Maranhão e que era secretário extraordinário de Assuntos Legislativos do governo Carlos Brandão (MDB). Ele ocupou o cargo até ser afastado e ter prisão domiciliar decretada por uma decisão de julho do ministro Flávio Dino em outro inquérito que corre no STF, sobre os desdobramentos de um assassinato à luz do dia num centro comercial de São Luís.

Segundo a PF, Cutrim conseguiu informações sobre o uso do carro oficial por familiares de Dino em sistemas de acesso restrito e as repassou para Luís Pablo.

Com base em dados obtidos na operação de março contra o jornalista, a PF concluiu que Cutrim era informante dele, a partir de conversas entre os dois pelo WhatsApp.

Três meses após o ministro determinar a juntada dos diálogos aos autos, em 15 de julho, o mesmo delegado Antonio Knoll solicitou a Moraes a expedição do mandado de busca e apreensão contra Cutrim.

Nessa mesma busca, Moraes autorizou medidas contra o advogado Diogo Diniz Lima, também apontado como informante e que, segundo a investigação, fez pagamentos de R$ 100 mil a Luís Pablo para a quitação de um imóvel. A PF, porém, informou a Moraes não ser possível afirmar que o jornalista recebeu pagamento para fazer reportagens contra Dino

Luís Pablo, que é réu num processo de 2017 acusado de integrar uma rede de extorsão a políticos e empresários do estado, nega ter monitorado Dino e seus familiares.

O advogado de Cutrim, José Berilo de Freitas Leite Filho, chamou de "aberração jurídica, que contraria entendimento do próprio STF" a quebra de sigilo da fonte do jornalista que permitiu a busca e apreensão contra seu cliente. Também disse que Moraes cometeu um "erro grotesco" ao quebrar uma cláusula pétrea da Constituição por meio de um despacho.

Quando o caso veio à tona, Moraes, acossado por críticas, afirmou que defende a liberdade de imprensa, mas que o sigilo da fonte para jornalistas não deve servir como escudo para práticas criminosas.

"Sigilo de fonte é uma garantia constitucional consagrada por essa Suprema Corte, mas que nunca se confundiu e nunca jamais se confundirá com escudo protetivo para a prática de atividades ilícitas. Sigilo da fonte é uma garantia essencial para a defesa da democracia, e não um instrumento oculto para associações criminosas praticarem impunemente diversas infrações penais."

Procurado pela Folha, Moraes não se manifestou. A assessoria do ministro disse que ele já havia tratado do tema.

A assessoria de Dino negou irregularidades no uso dos veículos do TJ-MA, afirmando que o STF solicitou ao tribunal maranhense aparato de segurança para o ministro e seus familiares quando estivessem no estado. Afirmou que Dino é alvo de agressões e ameaças, que ele e parentes foram monitorados e seguidos e que a investigação mostrou o "acesso ilegal, por funcionário público, a informações sigilosas de segurança, que foram utilizadas em um monitoramento clandestino e ilegal".

Os inquéritos envolvendo Luís Pablo e Raimundo Cutrim tiveram desdobramentos importantes em meio à campanha eleitoral e à guerra entre o grupo do governador Carlos Brandão (de quem Cutrim é aliado) e os chamados "dinistas", que trabalharam no governo Dino (do qual Brandão foi vice) e depois romperam com a atual gestão.

Algumas das ações relativas ao Maranhão no STF estão sob a relatoria de Dino e têm entre os investigados Brandão e aliados. O governador se queixa de não ter tido acesso aos autos de um dos casos e acusa Dino de usar a toga para perseguir adversários.

Dino afirmou, via sua assessoria, que está afastado da política desde que tomou posse no STF e que não tem motivos para se declarar impedido de julgar os processos.

Por Fabio Victor, Folhapress