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Vox Brasil: Lula lidera primeiro e segundo turno e amplia vantagem sobre Flávio Bolsonaro para 2026/ Por Redação

A pesquisa Vox Brasil divulgada nesta sexta-feira (5) aponta vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno das eleições de 2026. Lula aparece com 47,8% das intenções de voto, contra 41,3% do parlamentar do PL. Em comparação com maio, o petista registrou crescimento nas intenções de voto, enquanto Flávio apresentou recuo. A reportagem é do Metrópoles.

O levantamento mostra que a principal força eleitoral de Lula está no Nordeste, onde alcança 61,1% das preferências. Já Flávio Bolsonaro tem seu melhor desempenho na Região Sul, com 56,2%. Nas demais regiões, a disputa apresenta cenários mais equilibrados, com vantagem para Lula no Norte e para Flávio no Sudeste e Centro-Oeste.

No primeiro turno, Lula também lidera a corrida presidencial com 42,1% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33,6%. Na sequência aparecem Ronaldo Caiado, com 6,9%, e Romeu Zema, com 5,1%. Em cenários simulados de segundo turno contra Zema e Caiado, Lula mantém vantagem, embora dentro de margens mais apertadas.

A pesquisa também testou uma disputa entre Lula e Aécio Neves. Nesse cenário, o presidente registra 49,1% das intenções de voto, contra 24% do tucano. Os números reforçam a posição de Lula como líder nas simulações apresentadas pelo instituto para a eleição presidencial de 2026.
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PRF bate recordes no combate aos crimes ambientais com o Plano AMAS

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) comemora o Dia do Meio Ambiente de 2026 com recordes nos números de combate aos crimes ambientais em todo o Brasil, especialmente na Amazônia Legal. Desde o lançamento do Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Plano Amas), a PRF soma mais de 300 quilos de ouro apreendidos nos nove estados da Amazônia Legal, além de 107 toneladas de maconha e 32 de cocaína, 1.069 armas e 66 mil munições. Um total de 26.937 pessoas foram presas nas ações. Mais de 95 mil veículos e 126 mil pessoas foram fiscalizados no período.

Além da abordagem de pessoas e veículos, apreensões e prisões de criminosos – muitos com extensa ficha criminal – a PRF impôs enorme prejuízo ao crime organizado, com a inutilização de equipamentos utilizados no garimpo ilegal, como balsas, motores, tratores, escavadeiras, caminhões e até aviões e helicópteros.

Combate ao crime organizado

Recentemente incorporado ao programa “Território Seguro, Amazônia Soberana: Proteção da Amazônia e da Faixa de Fronteira”, no contexto da ação governamental Brasil contra o Crime Organizado: Amazônia, o Plano AMAS foi instituído pelo Presidente Lula em julho de 2023 para combater organizações criminosas nos nove estados da Amazônia Legal, composta por Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Sob o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Plano propõe a integração das forças federais e estaduais no enfrentamento ao crime organizado, investimentos pesados na capacitação e mobilização de profissionais da Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal e Força Nacional, além do reforço em ações de inteligência e fiscalização, bem como aquisição e aluguel de equipamentos para suporte às missões, como helicópteros, lanchas e viaturas.

Protagonismo

A PRF foi a primeira força a se integrar ao Plano AMAS, ao replanejar e alinhar suas ações de enfrentamento aos crimes ambientais nas rodovias federais com as diretrizes do plano. Dessa forma, sua força de trabalho nessa frente foi reforçada com policiais, viaturas e aeronaves, ampliando a presença da PRF e do Estado brasileiro na Amazônia Legal.

A estratégia de atuação da PRF consiste no reforço da fiscalização nas rodovias federais localizadas no entorno das áreas-alvo e em incursões previamente planejadas em áreas de proteção ambiental e terras indígenas. Nessas oportunidades, a PRF atua de forma integrada a órgãos como Ibama, Funai, ICMBio, Censipam, MPI, Abin, Forças Armadas, ANTT, PF e Força Nacional.
Categoria
Justiça e Segurança

PCC e CV ameaçam a soberania brasileira mais do que EUA, diz pesquisador Christian Vianna

Agente da PF por 25 anos e pesquisador da ONU, Christian Vianna afirma que facções exigem resposta coordenada do Estado

Parte da classe política brasileira acusa de ameaça à soberania nacional a reclassificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos de Donald Trump. Para o pesquisador de terrorismo Christian Vianna, no entanto, existe uma ameaça já instalada. E ela tem CEP brasileiro.

"Quando PCC e CV conquistam territórios onde o Estado não entra, eles usurpam a soberania do país. E isso vai para além do terrorismo. Ameaçam muito mais a soberania brasileira do que os EUA", afirma ele, que passou 25 anos na Polícia Federal atuando em áreas como inteligência, contrainteligência, combate ao crime organizado transnacional e antiterrorismo.

Vianna, que desde 2021 é subsecretário de Integração da Segurança Pública de Minas Gerais, enxerga a medida anunciada por Washington como uma decisão essencialmente política, mas capaz de produzir efeitos concretos, para o bem e para o mal.

Na sua avaliação, o principal aspecto positivo da reclassificação é o fato de os EUA assumirem publicamente o enfrentamento das duas maiores facções brasileiras como prioridade, ampliando possibilidades de cooperação internacional e de asfixia financeira de organizações que já operam muito além das fronteiras nacionais.

O principal risco, por outro lado, ele diz estar no impacto da medida sobre empresas e instituições financeiras que, mesmo sem saber, podem ter sido utilizadas por PCC ou CV em esquemas de lavagem de dinheiro.

Vianna reconhece a possibilidade sanções econômicas. E considera improvável qualquer tipo de intervenção operacional americana em território brasileiro, a despeito de temores diante tanto das recentes movimentações militares de Trump na região, incluindo a prisão de Nicolás Máduro na Venezuela, quanto pela memória nem tão distante do apoio dos EUA ao golpe de 1964.

Para ele, porém, a discussão central está em outro lugar. Mais do que decidir se PCC e CV são ou não terroristas, o desafio é reconhecer que as facções hoje presentes em quase todo o país já ultrapassaram há muito tempo os limites tradicionais da segurança pública e exigem uma resposta coordenada do Estado brasileiro.

"Não dá para colocar isso apenas na conta da polícia, do Ministério Público ou da Justiça. Debelar organizações como PCC e CV é um projeto multidimensional de longo prazo. Não é uma lei nem uma classificação que vai resolver o problema".

O que a nova classificação americana muda no combate ao crime organizado e ao terrorismo?

A classificação pelos Estados Unidos em si não muda nada do que a gente faz usualmente: enfrentamento ao PCC, ao CV, ações de polícia judiciária, processos criminais. Também não muda o que a gente faz em relação à investigação de terrorismo pela Polícia Federal e Ministério Público Federal sob o manto da lei antiterrorismo.

O que muda, olhando mais para frente, são as possibilidades de cooperação internacional. Com essa designação, os EUA mostram que têm interesse no enfrentamento dessas facções. E, agora, elas poderão ser enfrentadas num ambiente que o Brasil não controla, da extraterritorialidade, ou seja, enfrentar essas facções operando no exterior.

Ao apontar isso como prioridade, os EUA podem ser um parceiro internacional principalmente na asfixia financeira dessas organizações. O dinheiro que eles lavam no exterior, seja nos próprios EUA, Caribe, África ou Europa.

Se não existe definição consensual de grupo terrorista, a decisão de Trump em relação a PCC e CV é uma medida política?

Quando um país decide classificar um grupo como terrorista, geralmente não é uma decisão técnica, mas política acima de tudo. É uma forma de o país dizer: eu quero enfrentar esse tipo de organização por meio da classificação como terrorista.

Os americanos têm uma definição mais ampla de terrorismo. Organizações que tenham fins econômicos mas utilizem a disseminação do medo e do terror social podem ser classificadas como terroristas.

E faz sentido classificar PCC e CV como terroristas?

Para os EUA, dentro do arcabouço legal deles, faz sentido. Além disso, PCC e CV mantêm relações com cartéis mexicanos, com os quais triangulam operações para envio de cocaína para a África e Europa, e isso deve ter chamado a atenção dos EUA.

Agora, para nós, classificar como terrorista não tem um grande significado se não tratarmos essas organizações com a importância que elas têm. O mais relevante é entender qual é a ameaça que elas representam para o nosso país. Para mim, é nítido: elas são uma ameaça à nossa soberania.

Quando PCC e CV conquistam territórios onde o Estado não entra, eles usurpam a soberania do país. Vão além de uma organização criminosa e conseguem penetrar o serviço público, como revelaram as investigações do Ministério Público paulista em relação a prefeituras no estado. Conseguem cooptar e corromper agentes públicos, se articular nacional e internacionalmente, criar esquemas sofisticados de lavagem de dinheiro e disseminar o medo na população que querem dominar. São todas formas de erodir a soberania do Estado brasileiro.

Isso vai para além do terrorismo. PCC e CV ameaçam muito mais a soberania brasileira do que os EUA.

Quais são os problemas na forma como o Brasil tem combatido essas organizações?

A gente tem um caminho longo de integração doméstica e internacional para fazer. Essas organizações estão em quase todos os estados do Brasil. Não temos ainda um mecanismo uniforme de investigação nem de repressão. Cada estado conduz sua estratégia.

Falta coordenação e integração suficientes entre Receita Federal, inteligência, Polícia Federal, Banco Central, ministérios públicos, Justiça, polícias estaduais e sistemas prisionais. Todos caminhando na mesma direção. Falta compartilhamento de informações em nível nacional para que possamos ter uma percepção da ameaça desses grupos em termos de país.

Durante muito tempo, o PCC foi visto pelo Estado como grupo de ladrões de banco, e CV como bandido pé de chinelo. Para ambos, utilizaram a ferramenta de sempre: colocar a polícia atrás.

Não dá para colocar o enfrentamento a essas organizações só na conta da segurança pública e do sistema de Justiça porque eles não são suficientes para lidar com isso. A gente tem que envolver a sociedade, o governo, o Estado lato sensu, órgãos e concessionárias, cada um chamado à sua responsabilidade.

Debelar uma organização como um CV, um PCC, é um projeto multidimensional holístico de longo curso. Não é uma lei que vai resolver isso. Nem tomar o território para depois abandoná-lo novamente. Também não será uma designação como terrorismo que vai resolver o problema.

Existe algum nexo entre crime organizado e terrorismo?

Sim, e ele tem dois pilares. As organizações criminosas que se utilizam de táticas terroristas para conseguir os seus fins lucrativos. E as organizações terroristas que se utilizam de práticas criminosas ou de parcerias com organizações criminosas para atingir seus fins ideológicos.

Por exemplo, uma organização terrorista precisa obter passaportes falsos para deslocar seus integrantes de um país para o outro contrata os serviços de uma organização de contrabando de imigrantes.

Outro exemplo é o de organizações criminosas que usam grupos terroristas na África para fazer o translado e a guarda da droga da costa do Atlântico até o mar Mediterrâneo.

Marcola ficou preso com o terrorista chileno Maurício Hernandez Norambuena nos anos 2000, e a troca de informações e de práticas entre eles desaguou nos episódios em que o PCC instalou em São Paulo um carro bomba próximo ao fórum criminal da Barra Funda, em 2002, e planejou um ataque a bomba à Bolsa de Valores de São Paulo, em 2022, além dos ataques generalizados de 2006.

Alguns especialistas avaliam que essa designação pode prejudicar a cooperação entre Brasil e EUA no combate às facções. O Sr. concorda?

Não vejo dessa forma. Vou dar um exemplo: a PF tem uma divisão antiterrorismo e investiga Hezbollah, Al-Qaeda, ISIS e o que for considerado terrorismo no âmbito da nossa lei antiterrorismo. Nos EUA, a inteligência lida com isso, e o FBI conduz as investigações porque a CIA não pode fazer investigação policial. Isso nunca impediu que PF e FBI cooperassem em terrorismo. A investigação da Operação Trapiche, por exemplo, de 2023, partiu de uma informação compartilhada pelo FBI e identificou o recrutamento de brasileiros pelo grupo terrorista libanês Hezbollah.

Há risco de ações militares americanas no Brasil?

Pessoalmente, acho isso muito pouco provável. Brasil e EUA são parceiros, como México e EUA também são. Desde a designação dos cartéis mexicanos como terroristas pelos EUA, não houve nenhuma ação das forças americanas no México. O que houve foi cooperação de inteligência para localizar lideranças. E os cartéis representam uma ameaça aos EUA muito maior do que PCC e CV.

O caso da Venezuela é diferente porque não havia diálogo diplomático. E, com o Brasil, esse diálogo existe.

E se essa boa relação diplomática mudar?

Só se a relação diplomática descambasse e se tornasse muito ruim, o que é muito improvável. Temos uma herança cultural muito forte com os EUA, e presidentes brasileiros, seja à direita seja à esquerda, sempre prezaram essa relação.

A prerrogativa da CIA de realizar investigações internacionais secretas não é um problema?

Uma vez que esses grupos estão designados como terroristas, a inteligência americana vai colocá-los no radar. Mas não acredito que os EUA vão atuar em solo brasileiro. A CIA vai continuar fazendo o que sempre fez, independente de uma designação de o país ter organização terrorista ou não.

Se PCC e CV não têm os EUA como mercado prioritário, qual é a preocupação dos EUA quando estabelece essa classificação para elas?

Hoje a cocaína que abastece os EUA sai majoritariamente da Colômbia e do Peru e passa por Venezuela, Colômbia ou México.

O PCC tem como grande foco hoje o mercado europeu, que é o mercado que mais cresce. A África é um trampolim para a droga chegar à Europa.

Não tenho notícia de fluxo relevante saindo atualmente do Brasil para os EUA. Então, vejo como principal questão para os americanos a lavagem de dinheiro e a utilização de sistemas, empresas e estruturas americanas para isso.

Há uma preocupação de que a reclassificação vá prejudicar o sistema financeiro brasileiro porque permitirá aos EUA tomarem medidas de congelamento de ativos de empresas do Brasil que operam lá.

O PCC já tem suas próprias fintechs, seu próprio arcabouço financeiro internacional. E os EUA vão ter alcance a isso.

O congelamento de bens é feito, no Brasil, via judicial. E às vezes é um processo longo. A Lei Antifacção (15.538/2026) agilizou bastante, mas ainda tem que passar pelo crivo do Judiciário. Nos EUA, há um mecanismo célere que permite congelar ativos de forma administrativa.

Com isso, toda transação em dólar feita por um grupo do PCC, uma empresa do PCC ou uma pessoa física ligada ao PCC já pode ser congelada.

Desde 2021, o PCC é designado pelos EUA como organização criminosa transnacional. O Ministério Público de São Paulo já fez umas duas operações com o Tesouro americano em que conseguiram bloquear contas do PCC e de empresas ligadas a ele fora do Brasil.

Agora, com a designação extra de terrorismo, surge mais uma camada, e entra o CV, que não era designado como organização criminosa transnacional pelos EUA. Isso nos põe numa situação de fragilidade porque existem empresas e bancos que são utilizados pelo PCC e pelo CV de forma inadvertida ou involuntária. Essas empresas precisarão criar novas formas de conhecer melhor seus clientes.
Por Fernanda Mena/Folhapress

Fux diz que Congresso não quer pagar ‘preço social’ perante eleitor e empurra decisões para o STF

Durante evento em Curitiba, nesta quinta, 4, ministro afirmou que ‘a realidade é que o Parlamento está muito dividido, são ideologias completamente diferentes, não sai nada dali’ e tribunal acaba ‘efetivamente sendo invasivo’

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF)

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta quinta-feira, 4, que em muitas situações, o STF deveria deixar o Poder Legislativo decidir sobre temas.

“A crítica do ativismo judicial ela tem esse equívoco, porque o Judiciário é provocado, ele não age de ofício. Mas muitas vezes, o Supremo Tribunal Federal, no afã de solucionar uma questão, acaba sendo efetivamente invasivo. E, quando nada, ele deveria efetivamente devolver para o Parlamento aquilo que cabe ao Parlamento decidir”, declarou, na abertura do XVI Simpósio de Direito Constitucional, em Curitiba.

Fux tomou posse de uma das cadeiras da Academia Brasileira de Direito Constitucional (ABDConst) e participou do primeiro painel do evento, com o tema ‘Jurisdição Constitucional e Separação de Poderes’.

Ele rechaçou críticas frequentes ao Judiciário em relação ao ativismo judicial por parte dos ministros da Corte. Segundo Fux, o STF tem sido levado a decidir sempre quando é provocado.

O ministro disse expressamente que, em muitos casos, o parlamentar acaba ‘empurrando’ as decisões para os magistrados.

“A realidade é que hoje o Parlamento está muito dividido, são ideologias completamente diferentes, não sai nada dali, eles também não querem pagar o preço social das decisões perante o eleitorado”, seguiu o ministro. “Como os juízes não são eleitos, empurra para o Supremo Tribunal Federal e nós somos obrigados a decidir.”

O XVI Simpósio de Direito Constitucional segue até o próximo sábado, com a participação de juristas, magistrados, promotores e procuradores do Ministério Público, advogados, professores, pesquisadores e estudantes de diversas regiões do País.

Por Fausto Macedo/Felipe de Paula/Estadão

EUA oficializam classificação do PCC e CV como terroristas Por Isabella Menon/Folhapress

O governo dos Estados Unidos oficializou, nesta sexta-feira (5), a classificação das facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como terroristas. A decisão foi divulgada pelo Federal Register, o Diário Oficial dos EUA.

O documento foi assinado por Marco Rubio, secretário do Departamento de Estado. Pelas redes sociais, Rubio já tinha anunciado a decisão na semana passada e afirmado que as organizações criminosas "são as mais perigosas do Brasil".

"Seu alcance se estende por toda a nossa região e ao nosso país. A administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar o financiamento e recursos narcoterroristas."

A designação de um grupo como terrorista passa por um processo no Departamento do Estado no ano passado, mas aconteceu na mesma semana da visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Washington, onde se encontrou com o presidente Donald Trump, além de Rubio e o vice-presidente Donald Trump.

O governo Lula tentava evitar que esta designação fosse imposta pelos EUA, pelo receio de influenciar nas eleições e interferência americana no Brasil. Lula afirmou que, durante a conversa de mais de três horas que teve com Trump há cerca de 20 dias, o assunto não foi tratado, mas foi entregue a proposta de uma cooperação entre os dois países.

Após a decisão, o governo publicou uma nota em que diz que PCC e CV são tratados pelo Estado como organizações criminosas responsáveis por espalhar terror em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas, armas e atuação de milícias.

Sem citar nome, a gestão chamou de "deplorável" a intervenção da família Bolsonaro nos temas internacionais.

"A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros", diz o comunicado.

A partir dessa designação, é criminalizado qualquer tipo de apoio, bloqueio de recursos e isolamento destas organizações. De acordo com o departamento, integrantes destas organizações não podem entrar nos EUA e podem ser expulsos se já estiverem no país.

Além disso, bancos americanos com contas destes membros devem bloquear fundos ligados ao grupo e reportar ao governo. O Brasil, porém, discorda da denominação, uma vez que no território brasileiro a designação de terrorismo é aplicada para atos violentos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito para provocar terror social generalizado.

À Folha a porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirma que a decisão foi tomada por Trump e afirmou que, apesar do presidente ouvir pessoas do seu entorno, políticos e personalidade, toma decisões com base no que julga no que é melhor para os EUA.

Ela também afirma que as facções PCC e CV estão presentes em 12 estados nos EUA. Segundo Roberson, há um cálculo da presença de integrantes dos grupos em um em cada 4 estados americanos. Porém, nem todos foram divulgados, apenas Nova York, Nova Jersey, Massaschussets, Flórida e Tennessee.

EUA precisam contribuir com o Brasil prendendo foragidos e bloqueando patrimônios, diz chefe da PF

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, diz que a cooperação entre os Estados Unidos e o Brasil precisa ser uma via de mão dupla ao comentar a decisão do governo Donald Trump de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.

Em entrevista à Folha, ele afirma que a parceria entre Brasília e Washington é histórica e deve ser mantida e fortalecida. Para Andrei, diversas operações e apreensões realizadas pelos dois países são resultado da troca permanente de informações entre as agências de segurança.

O chefe da PF vê como necessária uma atuação ainda mais efetiva das autoridades americanas na prisão de foragidos, no bloqueio de patrimônios e na recuperação de ativos ilícitos. O novo entendimento dos EUA sobre PCC e CV entra em vigor nesta sexta-feira (5).

Andrei diz que há desafios enfrentados pelo Brasil com origem em atividades criminosas com conexões nos Estados Unidos, como o tráfico de armas e de drogas, e citou que a maior apreensão de armas da PF, realizada no Aeroporto do Galeão (RJ), era proveniente dos EUA. Também mencionou a entrada recorrente no Brasil de carregamentos de haxixe oriundos daquele país.

"Muitas dessas apreensões são fruto dessa troca de informações que nós temos com as agências americanas. Isso nos permitiu, muitas vezes, realizar flagrantes aqui no Brasil e, em outras ocasiões, repassar informações para os Estados Unidos, possibilitando a prisão de traficantes antes mesmo de a droga ser enviada", afirmou.

Segundo ele, a cooperação internacional é fundamental para identificar patrimônios ocultados no exterior, rastrear recursos ilícitos e desarticular estruturas financeiras ligadas ao crime organizado.

"Se de fato essa recíproca é verdadeira, os Estados Unidos precisam contribuir ainda mais com o Brasil, prendendo foragidos, bloqueando e congelando patrimônios, restituindo ao país recursos desviados. São várias ações que precisamos continuar realizando em conjunto", acrescentou.

Para o diretor-geral, a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos não altera a legislação brasileira, as competências de investigação nem os processos em andamento no país.

Atualmente, a Polícia Federal mantém parcerias consolidadas com órgãos americanos como a DEA (Agência de Combate às Drogas), o FBI (a PF americana), a CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras) e a HSI (serviço de segurança interna).

Segundo Andrei, ainda é cedo para avaliar se a nova diretriz do Departamento de Estado americano provocará mudanças na interlocução entre os órgãos de segurança dos dois países.

Um dos pontos que ainda não estão claros é se a CIA (a agência de inteligência e espionagem dos EUA) poderá assumir um papel mais relevante nesse diálogo, já que ela tem atribuições ligadas ao enfrentamento do terrorismo.

"Para nós, no eixo da segurança, não houve ainda nenhuma alteração. E, se não houver, vamos seguir cooperando sem nenhuma mudança", afirmou.

Andrei afirma ainda que a Polícia Federal mantém uma ampla rede de cooperação internacional, com presença em 36 países distribuídos pelos cinco continentes, além de participação ativa em organismos internacionais de polícia.

Ele diz que a corporação pretende ampliar os investimentos no combate ao crime organizado por meio do fortalecimento das 40 Ficcos (Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado) distribuídas pelas 27 unidades da federação.

As estruturas reúnem integrantes da própria Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Penal e de polícias Civis e Militares dos estados. Em alguns locais, também há presença das guardas municipais, para atuação conjunta contra facções criminosas e organizações criminosas.

O governo Trump decidiu classificar o CV e o PCC como organizações terroristas no dia 28.

A decisão aconteceu após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, a Trump e outros membros do gabinete americano, como Marco Rubio, do secretário de Estado (equivalente ao cargo de ministro de Relações Exteriores), e J. D. Vance, vice-presidente dos EUA.

Nos últimos meses, o governo Trump tem revisado as definições de narcoterrorismo e intensificado operações militares no exterior, sobretudo na América Latina, contra organizações assim classificadas.

Apesar disso, o governo Lula tentava evitar que esta designação fosse imposta pelos EUA, pelo receio de influenciar nas eleições e interferência americana no Brasil.

Lula afirmou que, durante a conversa de mais de três horas que teve com Trump há cerca de 20 dias, o assunto não foi tratado, mas foi entregue a proposta de uma cooperação entre os dois países.

A classificação do que é terrorismo varia em cada país. A versão mais aceita é a que o classifica como uma ação violenta deliberada contra civis que tem por objetivo intimidar a população ou o governo, normalmente em associação a uma causa política e/ou religiosa.

Por Raquel Lopes e José Marques/Folhapress

Caso da venda de decisões no STJ é esvaziado, mas fica no STF por suspeita sobre autoridades

A Polícia Federal e a PGR (Procuradoria-Geral da República) descartaram nos últimos meses suspeitas sobre autoridades com foro especial no STF (Supremo Tribunal Federal) em alguns dos principais inquéritos que tratam de vendas de decisões judiciais no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e em outras cortes do país.

O caso, porém, foi mantido no Supremo porque há apurações paralelas que podem envolver essas autoridades —como ministros de tribunais superiores e parlamentares—, embora os inquéritos mais avançados rejeitem essa possibilidade.

Uma parte dos inquéritos foi enviada pelo ministro Cristiano Zanin, relator do caso, a outros tribunais. Outra parte continua no Supremo, mas esvaziada e sem avançar em novas frentes.

Na dia 27 de maio, a PGR denunciou nove pessoas sob acusação de participarem de um esquema de acesso indevido e comercialização de decisões do STJ. Entre os acusados estão um lobista, um ex-chefe de gabinete e um ex-servidor da corte. Nenhum deles tem foro especial.

Essa é a primeira denúncia na investigação da Operação Sisamnes, iniciada em 2024 e que trata de suspeitas relacionadas ao segundo tribunal mais importante do país.

Essa organização, afirmou a Procuradoria, era "voltada a pagamento e obtenção de vantagens pecuniárias ilícitas, em troca de interferências no resultado de decisões judiciais proferidas no bojo de processos com tramitação no Superior Tribunal de Justiça, mediante o concurso de funcionário público, valendo-se a organização criminosa dessa condição para a prática de infração penal".

A denúncia do procurador-geral Paulo Gonet destaca que não há sinais de envolvimentos em irregularidades de duas ministras cujos gabinetes são investigados, Nancy Andrighi e Isabel Gallotti.

"O desenvolvimento das apurações afastou qualquer elemento de vinculação subjetiva das referidas autoridades aos fatos examinados", diz Gonet em manifestação que acompanha a denúncia. "Não há referência a seus nomes nos registros telemáticos coligidos nem indício de participação na dinâmica financeira relacionada à circulação de valores ilícitos", acrescenta.

Apesar dessa consideração, Gonet pede a Zanin que o caso continue no Supremo por "persistência do vínculo de conexão com investigações que envolvem autoridades detentoras de foro por prerrogativa de função".

Zanin acatou a solicitação e mantém o caso no STF. Inquéritos mais específicos sobre vendas de decisões em tribunais de Justiça foram enviados para análise de outras instâncias. Eles tratavam de eventuais irregularidades nas cortes estaduais de Mato Grosso, de Mato Grosso do Sul e do Tocantins.

As investigações foram remetidas para o STJ, onde desembargadores têm foro especial, e estão com diferentes relatores. A última delas, do Tocantins, foi enviada por Zanin em março.

Essa investigação havia chegado ao Supremo por dois motivos: 1) havia suspeitas de vazamento de informações sigilosas em gabinetes do STJ, mas não foram encontradas provas; 2) as investigações encontraram referências a senadores e a uma ex-ministra do governo Jair Bolsonaro (PL), embora não haja indícios de crimes ou de irregularidades nessas menções.

As outras duas investigações foram enviadas para o STJ há mais tempo. Elas estavam com Zanin por suspeita de conexões com o inquérito principal, mas o ministro entendeu que eles tratam de outros possíveis episódios de irregularidades.

A investigação sobre o TJ-MT foi enviada em julho do ano passado para o STJ. Elas envolviam trocas de mensagens entre os magistrados e o advogado Roberto Zampieri, assassinado no fim do ano de 2023, que levantaram suspeitas de que houve pagamentos em troca de decisões judiciais favoráveis.

O ministro entendeu que, no momento, não há indícios de que suspeitas sobre os desembargadores sejam as mesmas do esquema que envolveu decisões do STJ. Já o caso de MS foi enviado para o STJ em setembro do ano passado.

Ainda não há denúncias ou pedidos de arquivamento do Ministério Público Federal sobre esses inquéritos.

O caso que envolve o assassinato de Zampieri, que também estava com Zanin, foi enviado ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Em maio, o Ministério Público de MT apresentou denúncia contra suspeitos de serem mandantes e executores do crime.

Entenda o caso em 4 pontos

1. OPERAÇÃO SIAMNES

Deflagrada em 2024, é uma investigação da Polícia Federal, sob relatoria do ministro Cristiano Zanin, do STF, para apurar um esquema de venda de sentenças, envolvendo o STJ. Essa operação, que já teve ao menos nove fases, se iniciou em Cuiabá (MT), a partir do assassinato do advogado Roberto Zampieri, em 2023, por uma disputa de terras. A perícia de seu celular gerou suspeitas sobre a existência do esquema.

2. PRINCIPAIS ENVOLVIDOS

As diferentes fases da operação resultaram em dezenas de mandados de busca e apreensão e diversas prisões. Entre os principais envolvidos estão Andreson de Oliveira Gonçalves, conhecido como lobista dos tribunais, e sua mulher, Mirian Gonçalves. Andreson foi apontado pela PF como intermediário na venda de sentenças. Também integram o núcleo das investigações Márcio José Toledo Pinto, ex-servidor do STJ que trabalhou em diversos gabinetes, e Daimler Campos, ex-chefe de gabinete da ministra Isabel Gallotti.

3. DENÚNCIA DA PGR

São quatro das nove pessoas que foram denunciadas, em maio, pela PGR. Gonçalves chegou a ser um dos presos na operação, mas, no momento, cumpre prisão domiciliar. Campos está afastado de suas funções e foi alvo de mandados de busca e apreensão. Em março, Pinto foi preso preventivamente pela PF. Em sua denúncia, Paulo Gonet destacou não haver indícios de envolvimento de ministras, cujos gabinetes são investigados, Isabel Galotti e Nancy Andrighi. Gonet pediu que o caso ficasse no STF.

4. ESVAZIAMENTO DO CASO

Zanin acatou o pedido de Gonet e manteve o caso no STF. Contudo, enviou inquéritos mais específicos para análise de outras instâncias. Uma outra parte continua Supremo, mas esvaziada e sem avançar em novas frentes. Ainda não há denúncias ou pedidos de arquivamentos do Ministério Público sobre esses inquéritos.
Por José Marques/Folhapress

Morador de Ipiaú desaparece após sair de casa para negociar venda de fazenda de sua propriedade

Familiares do empresário Valdiney Fernandes Santos, de 51 anos, estão mobilizados na tentativa de localizar seu paradeiro após o desaparecimento ocorrido na última terça-feira (2). Morador da Rua Carlos Chagas, no centro de Ipiaú, ele não mantém contato com a família desde então.

Segundo informações repassadas ao GIRO por uma irmã de Valdiney, o último contato com o empresário aconteceu às 11h37 de terça-feira. Na ocasião, ele estava dirigindo uma picape fiat Strada, de cor prata, placa TGY3D22, e informou que seguiria para uma fazenda de sua propriedade, localizada na região da Jaguarana, zona rural do município de Itagi, onde mostraria o imóvel a uma pessoa interessada em comprá-lo.

Preocupados com a falta de notícias, familiares entraram em contato com um trabalhador da fazenda, que informou que Valdiney não chegou ao local naquele dia. Desde então, parentes e amigos iniciaram buscas e tentam obter informações que possam ajudar a esclarecer o desaparecimento do ex-proprietário de uma loja de materiais de construção na Avenida Lauro de Freitas, centro de Ipiaú. Ainda conforme as informações apuradas pela nossa reportagem, essa é a primeira vez que o Valdiney desaparece.

Um boletim de ocorrência já foi registrado na Delegacia, e o caso está sendo acompanhado pela Polícia Civil. A família pede que qualquer pessoa que tenha informações sobre o paradeiro de Valdiney Fernandes Santos entre em contato imediatamente com a polícia ou pelo telefone 73 98256-6294. *Redação / Giro Ipiaú

PGR pede para inquérito de respiradores de Rui Costa voltar ao STF: ‘Assinou contrato prejudicial’

PGR afirma que ocultação dos R$ 48 milhões desviados é crime permanente e que permaneceu em curso enquanto ele era ministro da Casa Civil do governo Lula.

O ex-ministro Rui Costa (PT)
A Procuradoria-Geral da República afirmou, em nova manifestação enviada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que as suspeitas de crimes na compra de respiradores pelo então governador da Bahia, Rui Costa (PT), podem ter envolvido também operações de lavagem de dinheiro e ocultação de recursos enquanto ele era ministro da Casa Civil do governo Lula. Por esse motivo, o Ministério Público sustenta que o caso deveria ser enviado novamente ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Procurado por meio de sua assessoria, Rui Costa não se manifestou.
Em 2020, no início da pandemia da covid-19, quando chefiava o Poder Executivo da Bahia e era presidente do consórcio dos governadores do Nordeste, Rui Costa assinou um contrato de R$ 48 milhões para compra de respiradores pulmonares com uma empresa que não tinha a documentação necessária para importar os aparelhos e autorizou o pagamento adiantado. Os respiradores nunca foram entregues e o dinheiro até hoje não foi recuperado. A PGR diz que o cenário é tão grave que, até hoje, os bloqueios judiciais determinados pela investigação conseguiram obter menos de 3,5% do total desviado.

A PGR informou que a Polícia Federal ainda está finalizando diligências para descobrir o destino do dinheiro desviado e apontou que os recursos podem ter se convertido em patrimônio dos alvos investigados, citando entre eles Rui Costa. Homem forte do governo Lula, ele deixou a Casa Civil no final de março para disputar eleição de senador pelo Estado da Bahia.

“A ocultação de valores em apuração reúne esses elementos. É crime permanente que, segundo os indícios coligidos, teve início no contexto da contratação assinada por Rui Costa como Governador e se manteve, sem solução de continuidade, durante o período em que ele ocupou o cargo de Ministro de Estado”, escreveu a PGR.

Prossegue a manifestação: “Enquanto o agente mantém os valores fora do alcance das autoridades, a conduta se renova a cada dia. Os recursos não desapareceram; foram convertidos em patrimônio que permanece oculto e que, segundo todos os indícios, persiste oculto no momento presente. Há diligências em curso justamente para identificar onde estão os valores e quem deles se beneficia”.

A manifestação da Procuradoria-Geral da República cita que Rui Costa foi implicado no acordo de delação premiada dos donos da empresa responsável por vender os respiradores. Eles afirmaram na delação que fizeram pagamentos a um lobista que se apresentou na época como amigo de Rui Costa e que teria sido responsável por intermediar a contratação da empresa.

“Rui Costa é investigado no núcleo político da contratação. Deliberou pela assinatura do contrato cuja redação era prejudicial ao interesse público e presidia o Consórcio Nordeste. Nos termos de colaboração premiada de CRISTIANA PRESTES TADDEO e LUIZ HENRIQUE RAMOS JOVINO, os colaboradores descreveram a possível atuação criminosa do núcleo público, nele incluído RUI COSTA. A contextualização da Procuradoria-Geral da República já apontava a possível existência de organização criminosa gestada durante a pandemia. A apuração não fixou ainda o momento de consumação dos atos de ocultação nem identificou o beneficiário final dos recursos desaparecidos”, diz a PGR.

A manifestação foi enviada ao ministro do STJ Og Fernandes, que é o relator do caso. Caberá a ele decidir se envia o processo ao STF, onde tramitou anteriormente sob relatoria de Flávio Dino.

Mudanças de foro travaram investigação
O inquérito sobre o caso foi aberto em 2020, pela Polícia Civil da Bahia. Após surgirem os primeiros indícios de envolvimento de Rui Costa na compra dos respiradores, a apuração foi enviada ao Superior Tribunal de Justiça e à Polícia Federal. Desde então, o caso se arrasta lentamente porque passou por diferentes instâncias e foi afetado por causa das sucessivas mudanças adotadas pelo STF na regra do foro privilegiado

Na petição, a PGR cita que o STF fixou recentemente um conjunto de regras para estabilizar as mudanças no foro privilegiado que apontam a prevalência do tribunal de maior graduação no caso de pessoas que ocuparam cargos sucessivos com prerrogativa de foro em diferentes tribunais.

Por isso, a PGR aponta que os fatos de ocultação dos recursos continuaram ocorrendo enquanto Rui Costa era ministro da Casa Civil e, por isso, deveriam atrair a competência do STF. Na petição, a PGR criticou as sucessivas mudanças de foro e disse que elas resultaram na paralisação de diligências.

“Em seis anos, a apuração foi declinada do juízo estadual ao STJ, deste ao STF, do Supremo à Justiça Federal da Bahia, desta novamente ao STJ, daqui ao Supremo, e do Supremo de volta a esta Corte. Cada deslocamento implicou translado, redistribuição e paralisação das diligências. A fixação da competência no Supremo Tribunal Federal, órgão de maior graduação, confere estabilidade à persecução e elimina a oscilação de competência”, escreveu.

Em agosto, a própria PGR tinha pedido ao STF que o caso fosse enviado ao Superior Tribunal de Justiça por entender que a regra do foro privilegiado se aplicava ao mandato de Rui Costa como governador. Diante do último julgamento do STF de um recurso sobre a regra do foro, a PGR entendeu que os fatos sob investigação também poderiam envolver o exercício do cargo de ministro da Casa Civil e justificavam o retorno ao STF.
Por Aguirre Talento/Estadão

Restrições da UE a aço e óleo de soja agravam atritos com Brasil

Governo Lula diz que aumento de tarifas para o aço pode esvaziar concessões feitas pela Europa no tratado
             O presidente Lula com a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen
A União Europeia adotou recentemente medidas que devem resultar em novas restrições a produtos exportados pelo Brasil ao bloco, num movimento que aprofunda atritos com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poucas semanas depois da entrada em vigor provisória do acordo de livre comércio com o Mercosul.

Na última reunião do GMC (Grupo Mercado Comum), braço executivo do Mercosul, as delegações de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai registraram queixas sobre medidas europeias que devem limitar exportações de aço e óleo de soja. Essas restrições, que se aplicam globalmente e não apenas ao Brasil e seus vizinhos, se somam ao recente veto da Europa à compra de carne brasileira pelo uso de antibióticos.

A UE diz que a medida contra o aço importado tem como objetivo mitigar os efeitos de uma sobrecapacidade global, enquanto no caso da soja o problema estaria ligado ao efeito indireto sobre perdas de florestas e degradação do solo.

No caso do aço, os representantes dos países do Mercosul disseram, durante o encontro, que as barreiras planejadas pela Europa podem representar um descumprimento do tratado de livre comércio. A avaliação foi confirmada pelo Itamaraty, que em resposta à Folha disse que as medidas, caso adotadas, "podem vir a restringir ou esvaziar concessões obtidas sob o acordo".

"Para o caso de identificação de descumprimento do acordo, há remédios no próprio acordo para lidar com eventual retirada de benefícios acordados, como no mecanismo de reequilíbrio presente no capítulo de solução de controvérsias", afirmou a pasta, em nota.

O Parlamento Europeu endureceu, em votação realizada em 19 de maio, as regras para a entrada de produtos siderúrgicos nos países da UE. Além de cortar pela metade o volume que pode ingressar livre de tarifas —para 18,3 milhões de toneladas métricas—, o bloco elevou de 25% para 50% o imposto sobre o aço extracota.

A decisão deve vigorar a partir de 1º de julho, com aplicação inclusive para sócios com os quais a União Europeia tem tratado comercial, caso do Mercosul.

A medida atinge diretamente os interesses da indústria brasileira, uma vez que o acordo entre a UE e o Mercosul previa tarifa zero para diversos produtos siderúrgicos.

O Instituto Aço Brasil disse à Folha que a limitação das importações prevista pela União Europeia "inevitavelmente impactará as exportações brasileiras de aço, mesmo que os volumes exportados pelo Brasil não configurem ameaça ao mercado europeu".

"O Aço Brasil entende que deveria prevalecer o que foi acordado no âmbito do [acordo] Mercosul-União Europeia. Num contexto em que países estão se fechando e em que o Brasil está perdendo mercado internamente devido às importações predatórias de aço, ter acesso restrito a mais um mercado é extremamente preocupante", declarou a entidade.

Segundo o Itamaraty, a média das importações europeias oriundas do Brasil dos produtos cujas tarifas estão sendo elevadas foi de cerca de 444 milhões de euros (R$ 2,7 bilhões) entre 2022 e 2024.

A justificativa da UE ao decidir aumentar sua proteção ao setor siderúrgico é enfrentar a sobrecapacidade global, fenômeno causado por uma produção massiva de aço na China para exportação a preços inferiores aos dos concorrentes domésticos.

O problema também afeta as siderúrgicas no Brasil, que classificam a prática chinesa como predatória.

O bloco europeu adota salvaguardas na siderurgia desde 2018, mas elas eram mais brandas do que as recém-aprovadas e expiram no final de junho. Havia ampla expectativa no Brasil de que os termos de tarifa zero negociados no acordo de livre comércio com o Mercosul prevaleceriam.

A Delegação da União Europeia no Brasil declarou que a medida, além de compatível com as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio), é "necessária tendo em conta o nível insustentável de sobrecapacidade global e o crescente número de medidas restritivas ao comércio em outros países, resultando no desvio de comércio para o mercado da UE".

A missão diplomática também declarou que a UE está discutindo as implicações de sua proposta com parceiros.

Por último, afirmou que ainda é cedo para saber o impacto sobre cada sócio comercial, mas destacou que o novo regulamento "estabelece que os parceiros que tenham um acordo de livre comércio com a UE poderão receber um tratamento especial e diferenciado".

ÓLEO DE SOJA

A renegociação tarifária do aço na OMC não é a única ação da União Europeia que é alvo de críticas no governo Lula.

Na mesma reunião do GMC, realizada nos dias 19 e 20 de maio, os delegados do Mercosul reclamaram de uma recente normativa europeia que classificou a soja como produto de alto risco de Mudança Indireta do Uso do Solo (ILUC, na sigla em inglês).

O ILUC é um conceito usado na União Europeia para estimar se o aumento da produção de determinadas culturas para biocombustíveis pode provocar, indiretamente, perda de florestas e outras mudanças no uso da terra.

Ao incluir a soja numa lista de alto risco de ILUC, os europeus colocam a cultura como uma espécie de vetor indireto de desmatamento. A consequência mais imediata é que o óleo de soja não mais poderá ser contabilizado para o cumprimento das metas europeias de uso de biocombustíveis, e precisará deixar de ser usado para essa finalidade até 2030.

A nova regra foi introduzida em 10 de abril pela Comissão Europeia e aguarda análise do Parlamento e do Conselho Europeu.

André Nassar, presidente-executivo da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), afirma que a medida "basicamente vai banir o óleo de soja como insumo para biocombustíveis" na Europa.

Embora o óleo de soja represente apenas 7% dos biocombustíveis usados na UE, Nassar prevê reflexos negativos para o consumo do produto também no setor de alimentos, uma vez que a soja recebeu uma espécie de selo de causadora indireta de desmatamento.

"Quando o óleo de palma foi classificado como de alto risco de ILUC, as importações europeias caíram drasticamente", declara. "A indústria de alimentos europeia também vai começar a consumir menos óleo de soja".

Segundo dados do Ministério da Agricultura, o Brasil exportou 6,2 milhões de toneladas de soja em grão —insumo do óleo tanto para biocombustíveis quanto para outras finalidades da indústria de alimentos— para a União Europeia em 2025.

Procurado, o Itamaraty disse que o Brasil "não concorda com a metodologia adotada pela União Europeia nem com as conclusões dela decorrentes". Afirmou ainda que a medida restringe-se aos biocombustíveis, mas que "eventuais restrições futuras, entretanto, podem produzir efeitos sobre a cadeia de exportação da soja".

Já a Delegação da UE no Brasil defendeu a diretiva no âmbito dos esforços de descarbonização do bloco, afirmando que, pela proposta, "os biocombustíveis de soja não serão elegíveis para as metas de descarbonização da UE após 2030".

"Existem soluções alternativas que podem ser disponibilizadas aos países do Mercosul para contrabalançar as implicações esperadas", disse.

Também destacou que os biocombustíveis apontados como de baixo risco de ILUC estão isentos da redução gradual e que a Comissão Europeia está em processo de revisão das regras de certificação, "o que poderia proporcionar uma abordagem mais matizada".

A delegação afirmou que a "UE continuará dependendo da soja como reserva alimentar essencial no setor agrícola, com uma procura constante por importações de soja".


Por Ricardo Della Coletta/Folhapress

Após pressão, três senadores retiram assinatura de PEC da oposição alternativa à 6x1

O senador Cleitinho (Republicanos-MG) durante audiência da Comissão de Segurança Pública sobre as prisões realizadas em virtude dos atos do dia 08 de janeiro
Foto: Roque de Sá/Agência Senado/Arquivo
Após muita pressão nas redes sociais e atuação dos sindicatos nos últimos dias, ao menos três senadores já retiraram as assinaturas de apoio à proposta da oposição que buscava ser uma alternativa à PEC do fim da escala 6x1 aprovada na Câmara.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) já tinha conseguido o apoio de metade dos senadores à proposta que previa flexibilizar a jornada de trabalho com o pagamento por hora trabalhada.

Parlamentares da esquerda, no entanto, iniciaram uma campanha nas redes contra a proposta sob o argumento de que ela instituía a jornada 7x0.

Em outra frente, as centrais sindicais começaram a atuar no corpo a corpo junto aos senadores em cada estado. Desde segunda-feira (1º), os dirigentes tem cobrado a retirada de assinaturas dos parlamentares.

Em um vídeo, o senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) disse ser a favor da proposta aprovada na Câmara. "Acabo de receber a informação de que a PEC (da oposição) retira a presença do sindicato das negociações e isso a gente não pode admitir", afirmou.

Em meio à pressão, até mesmo o bolsonarista Cleitinho (Republicanos-MG) tirou o apoio. No plenário, pediu prioridade à PEC da Câmara.

"Tem dois anos que tô falando aqui que quero acabar com o fim da escala. Então tô tirando minha assinatura", disse.

Nas redes, o senador Romário (PL-RJ) também voltou atrás. "Entendi que muita gente viu o texto como algo prejudicial ao trabalhador brasileiro. E, se o povo entende assim, não faz sentido eu continuar nela", disse. Por Gabriela Echenique, Folhpress

PC mira assaltantes de farmácias, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

A Polícia Civil da Bahia e a Polícia Militar deflagraram, nas primeiras horas desta quarta-feira (3), a Operação Dose Final, coordenada pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (DEIC), com o objetivo de cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes de uma organização criminosa investigada por roubos a estabelecimentos farmacêuticos, tráfico de drogas, tráfico de armas e lavagem de dinheiro.

As medidas judiciais são cumpridas nos municípios de Salvador e nas cidades de Mesquita, no Rio de Janeiro, e São Paulo, capital paulista. Também foi autorizado pela Justiça o bloqueio de bens e valores que somam R$ 12,5 milhões.

As investigações tiveram início a partir da apuração de roubos reiterados contra redes farmacêuticas da capital baiana, especialmente voltados à subtração de medicamentos de alto valor comercial, como Mounjaro, Ozempic e Wegovy.

No decorrer das diligências investigativas, os elementos reunidos apontaram que os crimes patrimoniais integravam uma estrutura criminosa organizada, com atuação concentrada na região do Nordeste de Amaralina, em Salvador. Segundo as investigações, além dos delitos, o grupo também é investigado por tráfico de drogas, tráfico de armas, execuções ligadas a disputas territoriais e associação criminosa, apresentando divisão estruturada de funções e elevado poder operacional.

A operação conta com equipes dos departamentos de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DRACO), de Polícia Metropolitana (DEPOM), de Inteligência Policial (DIP) e de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (DENARC), além da Coordenação de Polícia Interestadual (POLINTER) e da Coordenação de Operações e Recursos Especiais (CORE).

A ação também reúne a Superintendência de Inteligência da Secretaria da Segurança Pública (SI/SSP), a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SEAP), o Departamento de Polícia Técnica (DPT), Polícia Militar da Bahia e forças de segurança dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Mais informações serão divulgadas após a consolidação dos resultados da operação.
Fonte: Ascom PC

Messias cita Lula, diz que Marcha para Jesus não é comício e afirma esperar resposta de Deus

"O presidente Lula me enviou aqui, ele me pediu algumas coisas: me pediu pra levar o amor, a palavra de amor e de comunhão, e disse que aqui não é lugar pra comício", disse o ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias, nesta quinta-feira (4) de Corpus Christi, durante a Marcha para Jesus em São Paulo.

Estava ali como minoria de esquerda, representando um governo impopular entre evangélicos, e ficou no canto do trio elétrico principal enquanto o adversários políticos do governo Lula falavam.

O advogado-geral também comentou a possibilidade de ser indicado mais uma vez ao STF (Supremo Tribunal Federal), após o Senado barrar seu nome abril.

Disse ter aprendido a "colocar a vida nas mãos de Deus" e afirmou que aguardará os próximos acontecimentos com serenidade. "Eu vou esperar a resposta de Deus. Vou esperar a decisão do presidente." Lula já afirmou que pretende enviar de novo seu nome para o tribunal.

O ministro criticou a politização do debate em torno de sua candidatura. Segundo ele, o processo acabou sendo conduzido com foco excessivo na disputa política.

"Infelizmente, a condução da questão política foi colocada como uma forma de fazer a centralidade da discussão. Não acho que aquele processo representou o espírito da maioria do povo brasileiro", afirmou.

Apesar das críticas, Messias disse respeitar o resultado e reafirmou sua confiança nas instituições democráticas. "Eu acredito na democracia, acredito nas nossas instituições e acredito no poder do diálogo."

A fala ocorre num momento em que o governo busca ampliar o diálogo com lideranças evangélicas, grupo no qual Lula (PT) enfrenta índices de rejeição historicamente elevados. Questionado sobre como o presidente poderia melhorar sua imagem nas igrejas, o ministro afirmou que a estratégia passa por ações de governo, e não por discursos.

"O presidente já tem feito isso desde o primeiro dia do mandato, trabalhando para pacificar esta nação, cuidar das famílias, cuidar dos filhos das nossas famílias", disse. O diácono batista, raro quadro evangélico no primeiro escalão lulista, acrescentou que a política deve ser guiada por valores como "amor, justiça, verdade, comunhão e perdão".

Messias também falou sobre o período recente de incerteza política envolvendo sua indicação ao Supremo, que acabou não se concretizando. Ao longo da entrevista, o ministro recorreu repetidamente a referências religiosas para defender uma mensagem de reconciliação nacional. Segundo ele, o país precisa superar divisões e cultivar um ambiente de compreensão mútua.

"Eu aprendi a minha vida inteira a necessidade do perdão e da reconciliação", disse Messias, que participou pela primeira vez da Marcha em 2023, ano um do terceiro mandato de Lula, e foi vaiado na ocasião ao citar o presidente no microfone. "O que tenho feito é semear o bem, semear a paz, semear a verdade, a justiça e a bondade."

Ele afirmou ainda que passou os últimos meses em reflexão, "orando pela minha família, que é a coisa mais importante pra mim". "Estou aqui de pé, agradecendo e louvando a Deus por todas as coisas, as boas e as ruins, e pedindo que Ele conduza a minha vida nos próximos desígnios."
Por Anna Virginia Balloussier, Folhapress

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