Consulta pública para criação do Refúgio de Vida Silvestre Serra da Chapadinha é aberta à participação da sociedade

A iniciativa marca uma nova etapa do processo de criação da unidade e amplia a participação da sociedade na construção da proposta
A Secretaria do Meio Ambiente (Sema) abriu, nesta segunda-feira (1), a consulta pública para a proposta de criação do Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) Serra da Chapadinha, Unidade de Conservação (UC) de Proteção Integral planejada para uma área localizada nos municípios de Itaetê, Ibicoara e Mucugê, na Chapada Diamantina/BA. A iniciativa marca uma nova etapa do processo de criação da unidade e amplia a participação da sociedade na construção da proposta.

A consulta pública permite que cidadãos, comunidades locais, proprietários rurais, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e demais interessados conheçam os estudos técnicos elaborados para a área e apresentem sugestões, manifestações e contribuições. Os documentos da proposta estão disponíveis em ambiente virtual específico, onde também podem ser enviadas as contribuições da população.

A área proposta para o REVIS Serra da Chapadinha reúne atributos ambientais de elevada relevância ecológica, incluindo remanescentes de vegetação nativa, recursos hídricos estratégicos para a região e habitats importantes para a conservação da fauna e da flora. A criação da unidade busca fortalecer a proteção desses ecossistemas e contribuir para a manutenção dos serviços ambientais prestados à sociedade.

Segundo o secretário do Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Sodré Martins, a abertura da consulta pública do Refúgio de Vida Silvestre Serra da Chapadinha representa um marco muito aguardado dentro desse processo de construção coletiva.

"A abertura desta consulta pública representa um momento muito significativo para a política ambiental da Bahia. Estamos falando de uma área extraordinária da Chapada Diamantina, que reúne biodiversidade, recursos hídricos, paisagens únicas e um patrimônio natural que precisa ser preservado para as atuais e futuras gerações. Essa é uma discussão que vem sendo construída há bastante tempo, com estudos, diálogo técnico e escuta dos diferentes atores do território, e que agora chega a uma etapa fundamental: ouvir a sociedade", destacou.

O secretário ressalta que a participação social é fundamental para assegurar transparência e legitimidade ao processo. “Nenhuma Unidade de Conservação se sustenta apenas por um decreto. Ela se fortalece quando nasce do diálogo, da participação e do entendimento coletivo sobre a importância daquele patrimônio natural”, acrescentou.

A proposta de criação do REVIS Serra da Chapadinha foi construída a partir de estudos ambientais, diagnósticos socioeconômicos e levantamentos territoriais realizados pela equipe técnica responsável. Esses trabalhos subsidiaram a definição preliminar da categoria da unidade e da área proposta para conservação.

Para o superintendente de Políticas e Planejamento Ambiental da Sema, Luiz Araújo, a etapa de consulta pública fortalece o diálogo entre o poder público e a sociedade na construção da proposta.

“Trata-se de uma etapa fundamental para que a proposta de criação do Refúgio de Vida Silvestre Serra da Chapadinha incorpore as contribuições das comunidades locais e dos diversos segmentos que vivem e atuam na região. Mesmo depois de ir tantas vezes no território e de conhecer um pouco a realidade local, é extremamente importante ampliar a possibilidade de ouvir as pessoas que estejam no território e até fora dele contribuírem no processo de criação da unidade de conservação. Nesse momento, a gente, enquanto Sema, estabelece a categoria, e as contribuições da consulta pública têm o objetivo de ajudar a definir os limites. Por isso, queremos que moradores, produtores, pesquisadores, representantes do turismo, lideranças comunitárias e todos aqueles que possuem vínculo com a região participem desse processo”, afirmou Luiz.

O superintendente explica que os próximos passos incluem a análise das contribuições recebidas por meio da plataforma digital. A consulta pública permanecerá aberta para recebimento de contribuições da sociedade até o dia 30 de maio de 2026. Após essa etapa, as manifestações serão analisadas pela equipe técnica responsável e poderão subsidiar ajustes e aperfeiçoamentos na proposta antes do encaminhamento das próximas fases do processo de criação da Unidade de Conservação.

O documento técnico, mapa, parecer e demais informações relacionadas à proposta estão disponíveis na página da consulta pública, onde também pode ser realizado o envio das contribuições.

Sobre a Serra da Chapadinha

Localizada na Chapada Diamantina, a Serra da Chapadinha abrange áreas dos municípios de Itaetê, Ibicoara e Mucugê e se destaca por sua riqueza ambiental, paisagística e hídrica. A região reúne ecossistemas associados à Caatinga, Mata Atlântica e campos rupestres, formando um mosaico de habitats que abriga espécies da fauna e da flora de grande importância para a conservação.

Além da biodiversidade, a área possui papel estratégico para a segurança hídrica da Bahia. A serra contribui para a proteção de nascentes e áreas de recarga que alimentam importantes cursos d’água ligados às bacias hidrográficas da região, auxiliando na manutenção dos recursos hídricos utilizados por comunidades locais e por diversos municípios baianos.

A paisagem é marcada por formações geológicas singulares, escarpas, paredões rochosos, cachoeiras e vales que conferem elevado valor cênico, científico e turístico ao território. Essas características fazem da Serra da Chapadinha uma das áreas mais relevantes da Chapada Diamantina para a conservação da natureza e para o desenvolvimento de atividades de pesquisa, educação ambiental e uso público sustentável.
Por Redação

Polícia Civil apreende 37 kg de cocaína em Feira de Santana

Em ação da Polícia Civil, 37 kg de cocaína com elevado teor de pureza foram apreendidos, nesta segunda-feira (1º), em um imóvel no bairro Novo Horizonte, em Feira de Santana. A ação teve início após uma denúncia anônima apontar intensa movimentação de pessoas e veículos em horários atípicos no local.

Diante das informações, equipes da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR/Feira de Santana) realizaram diligências e constataram que o imóvel era utilizado para armazenar o entorpecente. No momento da diligência, não havia ninguém no local, mas foram apreendidos 37 quilos de cocaína armazenados em embalagens lacradas revestidas por papel laminado. No imóvel, também foram apreendidos documentos e grande quantidade de substância branca em pó.

De acordo com o delegado José Marcos Lima, titular da DRFR, a forma de acondicionamento da droga é típica de organizações criminosas que atuam no armazenamento e distribuição de entorpecentes em grande escala.

“A elevada pureza da cocaína apreendida, aliada à forma de acondicionamento e à presença do pó branco utilizado para a mistura, indica que a droga possivelmente seria destinada ao abastecimento de pontos de distribuição e revenda em larga escala. Esse processo aumenta significativamente o volume do entorpecente que seria colocado no mercado ilícito. Os 37 quilos de cocaína confiscados estão avaliados em cerca de um milhão e quatrocentos mil reais”, afirmou o delegado.

Todo o material apreendido foi encaminhado à unidade policial para adoção das medidas legais cabíveis. As investigações seguem com o objetivo de identificar o responsável pelo imóvel e pela droga.
Fonte: Rose Amorim / Ascom-PCBA

Eleições 2026: União já disponibilizou ao TSE recursos do Fundo Eleitoral

Os recursos, no valor de R$ 4,9 bilhões, serão distribuídos aos partidos conforme os critérios previstos na legislação eleitoral
A União cumpriu o prazo previsto na legislação eleitoral (1º de junho) e já disponibilizou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) os R$ 4,9 bilhões destinados ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para as Eleições Gerais de 2026. Os recursos serão distribuídos aos partidos conforme os critérios legais. Confira fotos do TSE no Flickr.

Previsto na Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997), o FEFC foi criado em 2017, após a proibição de doações eleitorais por empresas, e passou a ser uma das principais fontes de custeio das campanhas eleitorais no país. O fundo é abastecido com recursos públicos previstos no Orçamento da União e distribuído às legendas conforme parâmetros estabelecidos em lei.

Entre os critérios de divisão dos valores, estão o desempenho dos partidos nas últimas eleições para a Câmara dos Deputados e o número de representantes eleitos no Congresso Nacional. Após o recebimento dos recursos, cabe às direções partidárias definir como será feita a distribuição interna entre candidaturas e federações.

Renúncia

A legislação também garante aos partidos o direito de renunciar ao recebimento do FEFC. Nesses casos, a decisão deve ser comunicada formalmente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 1º de junho, conforme prevê a Resolução TSE nº 23.605/2019.

Uso dos recursos

O uso dos recursos do Fundo Eleitoral deve observar regras específicas de transparência e prestação de contas. Os valores podem ser utilizados para despesas relacionadas à campanha, como produção de material gráfico, impulsionamento de conteúdo na internet, contratação de pessoal, aluguel de espaços para eventos, transporte e serviços de comunicação.

Além disso, a Justiça Eleitoral fiscaliza a aplicação dos recursos e analisa posteriormente as prestações de contas apresentadas por candidatas, candidatos e partidos políticos. O descumprimento das normas pode resultar em devolução de valores ao Tesouro Nacional, desaprovação das contas e outras sanções previstas na legislação eleitoral.

Calendário eleitoral

Os marcos do calendário eleitoral funcionam como etapas preparatórias para a organização das eleições e ajudam a garantir previsibilidade, transparência e segurança no processo eleitoral brasileiro.

Prefeitura de Ibirataia conclui treinamento para implantação do Programa Ovitrampas no combate ao Aedes aegypti

A Prefeitura de Ibirataia, por meio da Secretaria Municipal de Saúde e da equipe da Vigilância Epidemiológica, realizou o treinamento final para a implantação do Programa Ovitrampas no município. A capacitação preparou os profissionais para a utilização da estratégia de monitoramento e controle do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. A iniciativa representa mais um avanço nas ações de saúde preventiva desenvolvidas pela gestão municipal.
O Programa Ovitrampas é uma importante ferramenta de vigilância entomológica que permite identificar a presença e a densidade do mosquito por meio da coleta e análise de ovos do vetor. Com os dados obtidos, a equipe técnica poderá direcionar ações mais eficazes de combate às arboviroses, concentrando esforços em áreas consideradas prioritárias e fortalecendo o planejamento das medidas preventivas.
O prefeito Sandro Futuca destacou a importância do investimento contínuo em saúde pública. “Estamos trabalhando para fortalecer cada vez mais as ações de prevenção e proteção da nossa população. A implantação do Programa Ovitrampas demonstra o compromisso da gestão municipal com o monitoramento eficiente e o combate às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti”, afirmou. A iniciativa reforça o empenho da Prefeitura de Ibirataia em promover mais qualidade de vida e segurança para os cidadãos.

FICCO/SE realiza prisão e apreensão de cerca de 52 kg de maconha

Aracaju/SE. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Sergipe (FICCO/SE) prendeu em flagrante, nesta terça-feira (2/6), um homem que transportava cerca de 52 kg de maconha prensada na capital sergipana.

O veículo suspeito foi localizado e abordado na região central de Aracaju. Durante vistoria, os policiais encontraram a droga escondida em compartimento oculto.

O suspeito foi conduzido à Superintendência Regional da Polícia Federal em Sergipe, onde foi autuado em flagrante pelo crime de tráfico de drogas. Após os procedimentos de polícia judiciária, ele foi encaminhado à 4ª Delegacia Metropolitana, onde permanecerá à disposição da Justiça.

A ação foi realizada de forma conjunta, com apoio da Polícia Militar de Sergipe. Troca de informações possibilitou a prisão, a qual contou com a participação de equipes do BPATI, do BPCaatinga, do BPRv, do GETAM e do 13º BPM.

A FICCO/SE é composta por integrantes da Polícia Federal, da Polícia Civil, da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Militar, da Polícia Penal e da Secretaria Nacional de Políticas Penais.

Comunicação Social da Polícia Federal em Sergipe

Secretário de Trump diz que Brasil não é um país amigável aos EUA, assim como Cuba e Venezuela

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira (2), durante uma audiência no Senado, que o Brasil não faz parte do grupo de nações consideradas amigáveis aos interesses dos EUA no hemisfério ocidental e destaca que o país está "no meio de um ciclo eleitoral".

A declaração ocorre um dia após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil e poucos dias depois de Rubio anunciar a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Durante a audiência, Rubio afirmou que o Ocidente conta atualmente com uma coalizão de países alinhados aos Estados Unidos, que trabalham em conjunto não apenas em questões de segurança, mas também na promoção da prosperidade econômica.

O secretário não detalhou quais países integrariam essa coalizão. Neste ano, porém, o governo Donald Trump lançou a iniciativa Escudo das Américas, voltada ao combate ao crime organizado transnacional. Diversos líderes da região foram convidados a participar, mas países considerados desalinhados politicamente de Washington, como Brasil, Colômbia e México, ficaram de fora do encontro.

O Departamento de Estado também promoveu, em Washington, um evento voltado à cooperação em minerais críticos, reunindo governos da região para discutir acordos estratégicos com os EUA.

Ao descrever o cenário político regional, Rubio afirmou que, "com exceção da Nicarágua, de Cuba, obviamente da Venezuela, que ainda enfrenta alguns desafios, e do Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em certa medida, também do atual governo da Colômbia —ou pelo menos de seu presidente, que tem sido problemático—, de modo geral trata-se agora de uma região repleta de aliados dos Estados Unidos, de líderes amistosos aos Estados Unidos e de uma direção favorável aos interesses americanos".

O secretário acrescentou que Washington precisa transformar esse alinhamento em ações concretas após "20 anos de negligência", período em que, segundo ele, China e outras potências ampliaram sua influência na região, prejudicando não apenas os interesses americanos, mas também os próprios países latino-americanos.

A sugestão de novas tarifas contrastam com a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou a nova proposta contra produtos brasileiros e acusou Rubio de hostilidade à América Latina durante evento também nesta terça-feira.

"Ele é anti-América Latina. É inimigo mortal de Cuba e de vários países latino-americanos", afirmou Lula. O presidente também disse já ter manifestado a Donald Trump a percepção de que o republicano não gosta do Brasil. "Eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil. Ele não estava na reunião que eu fiz com o Trump", declarou.

Por Isabella Menon, Folhapress

FICCO/Ilhéus realiza ações contra tráfico de drogas

lhéus/BA. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Ilhéus (FICCO/Ilhéus) realizou, nessa quinta-feira (28/5), diligência em um imóvel vinculado a um dos presos da Operação Midas II.

No local, houve apreensão de drogas, munições e materiais utilizados no cultivo de entorpecentes, que foram apreendidos em Itacaré/BA. A apreensão aconteceu no âmbito da operação deflagrada no dia 20/5/2026.

Segundo a apuração, o local estaria abandonado e com sinais de arrombamento. Também foram constatados indícios de funcionamento recente de uma estufa utilizada para o cultivo de entorpecentes. Durante as buscas, foram apreendidos haxixe, 15 munições calibre 9 mm e materiais relacionados à atividade investigada.
No local, os policiais encontraram uma estrutura utilizada para o cultivo de maconha, além de equipamentos utilizados em estufas e materiais destinados ao acondicionamento de entorpecentes. Todo o material apreendido foi encaminhado para a Delegacia da Polícia Civil em Itacaré.

Em outra ação, nessa sexta-feira (29/5), a FICCO/Ilhéus, em execução da Operação de Combate aos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), recebeu informações de que indivíduos estariam em uma área às margens do Rio Cachoeira, em Itabuna. Durante as buscas, foram localizados 2 kg de cocaína, 2 mil comprimidos de ecstasy, 200 g de maconha e embalagens para acondicionar drogas, materiais destinados ao suporte do tráfico ilícito.

Ao perceberem a movimentação policial, os suspeitos adentraram as águas do rio e não foram identificados nem localizados. Todo o material apreendido foi apresentado à 6ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior em Itabuna para as medidas legais cabíveis.

As ações foram realizadas de forma conjunta, com apoio da Polícia Civil em Itacaré (equipes da 72ª CIPM) e de policiais militares do 15º BPM Itabuna, respectivamente.

A FICCO/Ilhéus é composta pela Polícia Federal, pela Polícia Militar, pela Polícia Civil, pela Polícia Penal da Bahia e pela Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia.

Comunicação Social da Polícia Federal na Bahia

Indicação de novo embaixador dos EUA no Brasil amplia tensão entre Lula e Trump e anima direita brasileira- Por Redação

A indicação do republicano Daniel Perez para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil aumentou a tensão diplomática entre os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, além de fortalecer o discurso da direita brasileira no cenário pré-eleitoral de 2026.

Segundo reportagem publicada pela revista Veja, Daniel Perez é aliado político do secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, ligado ao movimento conservador MAGA (“Make America Great Again”) e conhecido por posições anticomunistas e conservadoras em pautas políticas e comportamentais.

Filho de cubanos e ex-deputado estadual da Flórida, Perez ganhou espaço dentro do Partido Republicano e chegou à presidência da Câmara estadual da Flórida em 2024. A indicação é vista como um movimento estratégico do governo Trump em meio ao acirramento das relações diplomáticas entre Brasília e Washington.

A publicação destaca que o novo embaixador pode influenciar diretamente o ambiente político brasileiro, especialmente por sua proximidade ideológica com o bolsonarismo. A medida é considerada positiva por setores da direita ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), que vem intensificando interlocuções com o governo norte-americano.

A tensão entre os dois países aumentou após o governo Trump anunciar a classificação das facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, decisão criticada por integrantes do governo Lula. O tema foi incorporado ao discurso político da direita brasileira, especialmente após Flávio Bolsonaro relatar ter solicitado pessoalmente a Trump a adoção da medida durante encontro na Casa Branca.

Outro ponto de desgaste citado pela reportagem envolve o anúncio de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. A medida ampliou o desconforto diplomático entre os dois governos e passou a ter impacto também no debate eleitoral brasileiro.

O nome de Perez ainda precisa ser aprovado pelo Senado dos EUA e pelo próprio presidente Lula.

EUA citam decisão de Toffoli que anulou provas da Odebrecht para justificar tarifaço

A decisão do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), que anulou todas as provas oriundas do acordo de leniência da Odebrecht, de setembro de 2023, foi citada pelo governo Donald Trump como exemplo de que o Brasil falha no combate à corrupção.

O caso de Toffoli é uma das justificativas do USTR, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA, para propor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Além da corrupção, o governo Trump cita queixas sobre o Pix, tarifas consideradas injustas e desmatamento, entre outros.

O documento do governo Trump aponta ainda para uma decisão posterior de Toffoli, que suspendeu o pagamento de multas da empreiteira, e critica a falta de transparência na renegociação do acordo.

O texto afirma que o Brasil "falhou e continua falhando em tomar medidas de aplicação da lei para combater o suborno e a corrupção", e usa como referência um relatório da OCDE que manifesta preocupação com as decisões de Toffoli.

Procurado por meio da assessoria de imprensa do STF, o ministro ainda não se manifestou sobre as afirmações do governo americano.

"Essa decisão, proferida em setembro de 2023 pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, tratou do maior esquema de corrupção transnacional da história e levou à anulação de mais de uma centena de casos no Brasil", diz o documento.

"Em 2024, penalidades impostas pela Operação Lava Jato a empresas que haviam confessado corrupção em larga escala foram suspensas e autorizadas a serem renegociadas. A renegociação desses acordos de leniência tem sido criticada por avançar sem transparência e em meio a graves conflitos de interesse."

A renegociação dos acordos com a União foi concluída em 2025 e validada pelo ministro do STF André Mendonça, mas ainda não foi pautada para apreciação do plenário da corte.

"Sobre essas renegociações, a Organização dos Estados Americanos concluiu que as ações do Brasil 'correm o risco de minar a confiança pública no uso desses acordos e podem contribuir para uma sensação de insegurança jurídica para as pessoas jurídicas', além de levantar questionamentos sobre a equidade desses acordos", afirma o texto dos Estados Unidos.

"Em 2025, a Transparência Internacional caracterizou a anulação desses casos como a mais grave violação do Brasil à Convenção Antissuborno da OCDE."

De acordo com o escritório comercial de Trump, os atos "irrazoáveis" e "insuficientes" do Brasil na área de anticocorrupção "oneram ou restringem o comércio dos Estados Unidos porque permitem que empresas corruptas operem no Brasil com impunidade, enquanto empresas americanas, sujeitas a exigências significativas e à possibilidade de responsabilização por práticas corruptas no exterior, ficam em desvantagem".

A tarifa de 25% é apontada como uma medida corretiva para diversas práticas comerciais brasileiras. A investigação comercial conduzida com base na Seção 301 abrange temas como comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas consideradas "injustas ou preferenciais", leis anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

Os alvos da investigação vão desde antigas reclamações de Washington, como as tarifas brasileiras sobre a importação de etanol, até o Pix. Empresas americanas de cartão de crédito alegam que o Banco Central concede tratamento preferencial ao sistema de pagamento instantâneo, o que o governo Lula nega.

A decisão de Toffoli de 2023 determinava que as provas oriundas tanto do acordo quanto dos sistemas Drousys e MyWebDay —respectivamente de comunicação interna e de contabilidade e controle de pagamentos de vantagens indevidas— são imprestáveis em qualquer âmbito ou grau de jurisdição.

Na decisão, o ministro disse que a Lava Jato foi "uma armação fruto de um projeto de poder de determinados agentes públicos em seu objetivo de conquista do Estado por meios aparentemente legais, mas com métodos e ações contra legem [a lei]".

"Digo sem medo de errar, foi o verdadeiro ovo da serpente dos ataques à democracia e às instituições que já se prenunciavam em ações e vozes desses agentes contra as instituições e ao próprio STF. Ovo esse chocado por autoridades que fizeram desvio de função, agindo em conluio para atingir instituições, autoridades, empresas e alvos específicos", disse o ministro na ocasião.

Em fevereiro de 2024, o ministro suspendeu os pagamentos da multa da Odebrecht referentes ao acordo feito com o Ministério Público Federal.

Em uma série de decisões, o ministro também vem anulando nos últimos anos os atos de integrantes da Lava Jato contra alvos da operação, como o doleiro Alberto Youssef, o ex-ministro Antonio Palocci e o executivo Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira.

As decisões têm acontecido sob a justificativa de que houve conluio entre o ex-juiz Sergio Moro e a acusação.

Por José Marques e Ricardo Della Coletta/Folhapress

Governo Trump conclui investigação contra o Brasil e propõe novo tarifaço de 25%

O governo Trump concluiu a investigação da seção 301 contra o Brasil e propôs novo tarifaço de 25% sobre bens importados do país. A investigação acontece por meio do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que fez a sugestão de um novo tarifaço como resposta ao que vê como práticas comerciais injustas do Brasil. A decisão sobre aplicação ou não cabe ao presidente dos EUA, Donald Trump.

Agora, o USTR vai abrir uma consulta para que o setor privado comente os resultados antes da elaboração do relatório definitivo, que precisa ser publicado até 15 de julho.

Mesmo que preliminar, a decisão negativa para o Brasil acontece na esteira da decisão dos EUA de designar CV e PCC como terroristas e reforça a pressão do governo republicano sob o governo Lula.

Por meio de comunicado, o USTR, que é comandado pelo embaixador Jamieson Greer, afirma que propôs medidas de resposta para consulta pública, enquanto os "Estados Unidos continuam a manter negociações intensas com o Brasil em busca de uma solução para as preocupações americanas".

"Lancei esta investigação sob a Seção 301 por determinação do presidente Trump para tratar de preocupações antigas e persistentes dos Estados Unidos em relação a determinadas políticas e práticas comerciais do Brasil. Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus ministros, que se intensificaram nas últimas semanas", afirma Greer.

Segundo o embaixador, os países continuam "tendo divergências substanciais sobre a resolução dos temas identificados nesta investigação. Espero continuar o diálogo com o governo brasileiro antes do prazo legal de 15 de julho de 2026 para a adoção de medidas de resposta."

A sugestão prevê 25% de tarifas sob os produtos brasileiros, mas exclui uma ampla lista de bens considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos ou cuja oferta doméstica é insuficiente. Entre eles estão diversos alimentos e produtos agropecuários, como carne bovina, castanha-do-pará, castanha de caju, coco, banana, manga, mamão, abacaxi, laranja, limão e outras frutas tropicais.

O anexo também preserva matérias-primas e produtos que poderiam causar problemas de abastecimento ou aumento de preços caso fossem taxados. O próprio USTR afirma que as isenções abrangem itens cuja tributação poderia provocar interrupções econômicas mais amplas, além de produtos que não podem ser produzidos nos EUA em quantidade suficiente ou obtidos facilmente de outros fornecedores.

Outro destaque é a exclusão da indústria aeronáutica. O documento poupa aeronaves civis, motores, peças, componentes e simuladores de voo, preservando um dos setores mais integrados entre Brasil e Estados Unidos. Também ficam fora da medida materiais informativos, doações, bagagens acompanhadas e produtos já sujeitos às tarifas impostas por outras legislações comerciais americanas.

Entre os resultados da investigação, o USTR acusa o Brasil de impor restrições a empresas americanas de tecnologia por meio de decisões judiciais que ordenam a remoção de conteúdos, a suspensão de perfis e o sigilo dessas determinações. Também criticam multas e outras punições aplicadas às plataformas que não cumprem essas ordens. Além disso, alegam que políticas brasileiras favorecem empresas nacionais de pagamento eletrônico em detrimento de concorrentes americanas.

O governo americano afirma que o Brasil concede tarifas mais baixas para centenas de produtos vindos do México e da Índia por meio de acordos comerciais preferenciais, sem oferecer tratamento equivalente aos produtos dos Estados Unidos.

Segundo o USTR, o Brasil não faz esforços suficientes para investigar, punir e prevenir casos de suborno e corrupção, o que prejudicaria a concorrência justa e os interesses comerciais americanos.

Por fim, os EUA argumentam que o Brasil falha no combate à falsificação e à pirataria, demora excessivamente para analisar pedidos de patente — especialmente no setor farmacêutico — e não mantém ações consistentes para proteger direitos de propriedade intelectual.

Assim, o escritório diz que, para garantir que seus pedidos sejam considerados, os interessados devem apresentar solicitações para participar da audiência pública, junto com um resumo de seus depoimentos, até 22 de junho de 2026. Comentários por escrito devem ser enviados até 1º de julho de 2026. Uma nova audiência sobre as medidas propostas acontecerão em 6 de julho de 2026.

Greer foi a autoridade que, na reunião entre Lula e Trump no início de maio, mais se queixou da forma como o Brasil conduz seu comércio com os Estados Unidos.

Esta investigação foi instaurada em julho de 2025, como uma das medidas anunciadas por Trump em reação ao que o republicano classificou como uma "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O governo americano incluiu no processo a análise de práticas em diferentes frentes: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas consideradas "injustas ou preferenciais"; leis anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal.

Os alvos vão desde queixas antigas de Washington, como as tarifas brasileiras sobre a importação de etanol, até o Pix. Empresas americanas de cartão de crédito alegam que o Banco Central concede tratamento preferencial ao sistema de pagamento instantâneo, o que o governo Lula nega.

Após o encontro entre os presidentes, foi instaurado um grupo de trabalho com integrantes dos dois países para trabalharem juntos em meio à investigação. A expectativa era de que os países trabalhariam por 30 dias —o prazo se encerraria na próxima segunda (7), porém a decisão da Seção 301 veio antes.

No dia 19 de maio, Greer teve uma primeira reunião virtual com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa e, pelos dois lados, foi vista como positiva. Apesar disso, os brasileiros saíram frustrados com a falta de clareza sobre o prazo de um mês que Lula e Trump teriam dado a seus auxiliares para resolver divergências comerciais

Também sob a justificativa de perseguição política a Bolsonaro, o Brasil foi atingido no ano passado por um tarifaço de Trump que elevou a sobretaxa para até 50% sobre uma série de produtos.

Impactos inflacionários nos Estados Unidos e a gradual aproximação entre as gestões Lula e Trump —que culminou em dois encontros entre os presidentes no fim de 2025— levaram à ampliação de exceções ao tarifaço.

Em fevereiro, a Suprema Corte americana considerou ilegal o uso da IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional) para justificar tarifas abrangentes contra parceiros comerciais dos Estados Unidos. Como reação à determinação judicial, o republicano impôs uma tarifa global de 10%, que expira no final de julho.

Além da apuração aberta em 2025, o Brasil entrou na mira de outra ação do USTR, iniciada neste ano, para analisar se produtos fabricados com trabalho forçado estão entrando no mercado americano.

Esse processo avalia práticas em cerca de 60 países e foi lançado poucas semanas após a decisão da Suprema Corte que derrubou o tarifaço. Segundo especialistas, o objetivo dos EUA é mirar o comércio de parceiros com a China.

O plano do governo Trump é que essa segunda investigação tenha tramitação acelerada e as conclusões do USTR sejam publicadas em prazo mais curto do que o tradicional.
Por Isabella Menon e Ricardo Della Coletta/Folhapress

Projeto aumenta poderes da AGU e permite que Messias atue até em matérias do BC

Um projeto de lei proposto pelo governo que avançou na Câmara dos Deputados pode aumentar os poderes da Advocacia-Geral da União, ao incluir procuradorias de outros órgãos na AGU e permitir que o atual chefe da pasta, Jorge Messias, atue em qualquer matéria de interesse deles na justiça.

O texto relatado pelo deputado Lafayette de Andrada (PL-MG) foi aprovado em maio na Comissão de Constituição e Justiça da Casa e altera a Lei Orgânica da AGU ao incluir no órgão os cargos de procuradores federais e também do Banco Central.

Os procuradores federais são aqueles que atuam junto às agências, como a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a CVM (Comissão de Valores Imobiliários) e até o INSS.

Um trecho do projeto diz que o advogado-geral da União poderá avocar quaisquer matérias de interesse do órgão, dando plenos poderes ao chefe da pasta. O temor é que o poderio dado ao AGU possa ferir a autonomia desses órgãos.

A proposta é discutida no momento em que o Senado Federal se debruça sobre a PEC que dá mais autonomia ao Banco Central, projeto que enfrenta resistência dentro do governo.

A Associação Nacional dos Advogados da União teme impactos negativos com a proposta e diz que mudanças na autonomia das agências deveria ser concretizada por meio de emenda à Constituição.

"É imprescindível que essas entidades sejam chamadas pelo Parlamento para opinarem sobre a conveniência, para o interesse público, da ruptura do modelo atual", disse o presidente da entidade, Niomar Nogueira.

A principal crítica é que o novo modelo abre brecha para que os órgãos que hoje são vinculados à AGU passem a ter uma subordinação hierárquica direta ao titular da pasta.

O texto do governo também não delimita as funções de cada procuradoria. O receio é que sem uma definição clara de atuação cada órgão atue de forma discricionária e haja disputa entre as demandas.

A AGU negou que a proposta retire autonomia das entidades e disse que o texto é uma reivindicação histórica dos membros dessas carreiras porque moderniza a estrutura da instituição.

"Embora possuam autonomia administrativa, técnica e financeira em relação às suas entidades de origem, têm vinculação jurídica na relação com a Advocacia-Geral. Ambas estão sujeitas, portanto, à direção superior, supervisão jurídica e orientação normativa do advogado-geral da União", diz a nota.
Por Gabriela Echenique/Folhapress

Governo brasileiro considera injustificada proposta de tarifa dos EUA sobre produtos nacionais/ Por Redação

O governo federal classificou como sem fundamento técnico a proposta apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para aplicar uma tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras. Integrantes da equipe econômica argumentam que a medida não se justifica, já que o Brasil registra déficit comercial com os EUA e não adota barreiras que sustentem a aplicação de sanções desse porte.

Entre os pontos que mais geraram críticas por parte do governo brasileiro está a inclusão do Pix no relatório americano. O documento questiona a atuação do Banco Central como regulador e operador do sistema de pagamentos instantâneos, alegando possível favorecimento da plataforma em relação a concorrentes estrangeiros. A avaliação brasileira, no entanto, é de que o sistema ampliou a inclusão financeira e a competitividade no setor.

Apesar da insatisfação com a proposta, integrantes do governo consideram que o cenário poderia ser mais severo, já que havia expectativa de tarifas ainda maiores. O Brasil também vê de forma positiva a possibilidade de negociação aberta pelos Estados Unidos e a criação de um grupo de trabalho bilateral, acordada durante encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, para discutir as relações comerciais entre os dois países.

Pacote de bondades do governo Lula prevê ao menos R$ 27 bi em subsídios ao crédito

O pacote de medidas de estímulo lançadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prevê ao menos R$ 27,25 bilhões em subsídios a linhas de crédito para socorrer setores econômicos, facilitar a compra da casa própria e incentivar a aquisição de carros e caminhões. O custo recairá sobre os contribuintes, por meio do aumento da dívida pública.

O valor representa o chamado subsídio implícito, resultado da diferença entre o que o Tesouro paga para se financiar no mercado e a taxa menor recebida ao ceder recursos para linhas incentivadas. O cálculo é feito pelo próprio Ministério da Fazenda e indica o custo das políticas durante o período dos contratos.

O montante equivale a quatro vezes o orçamento destinado ao Farmácia Popular (R$ 6,5 bilhões) e quase seis vezes o programa Gás do Povo (R$ 4,7 bilhões). A fatura total de subsídios pode ser até maior, pois a pasta ainda não divulgou o impacto de algumas das medidas já anunciadas.

A Folha procurou o ministério desde a noite de 20 de maio para solicitar as estimativas restantes. Nos últimos dias, a pasta informou parte delas, mas disse que a publicação dos documentos que detalham os demais custos segue rito próprio. Por isso, alguns impactos seguem desconhecidos.

Em valor presente, os subsídios já divulgados somam R$ 20,1 bilhões. Esse número reflete o montante que seria absorvido pela União caso todas as obrigações ligadas aos contratos fossem honradas hoje.

Nos anúncios, a equipe econômica tem batido na tecla de que os repasses não afetam as regras fiscais. A avaliação é tecnicamente correta, por se tratarem de despesas financeiras, enquanto o arcabouço fiscal e a meta só consideram gastos não financeiros.

Esse, no entanto, também é o motivo que colocou a estratégia na mira do TCU (Tribunal de Contas da União), que vê nas linhas de crédito uma tentativa de drible às normas.

A ausência de impacto nas regras não significa custo nulo para a sociedade. O subsídio não aparece no Orçamento, mas tem impacto na dívida líquida do setor público, um importante indicador de solvência do país.

Em abril, a dívida líquida alcançou 67,4% do PIB (Produto Interno Bruto), o maior patamar da série histórica, iniciada em 2001. O indicador vem batendo sucessivos recordes desde junho de 2025, influenciado também por outros fatores, como o efeito do câmbio sobre as reservas internacionais. Seu crescimento obriga o governo a buscar um superávit ainda maior para estabilizar a trajetória.

Em nota, a Fazenda disse que "a transparência e o monitoramento dos custos fiscais associados às políticas de crédito e aos subsídios constituem uma agenda permanente do governo federal". Segundo a pasta, as informações são consolidadas em divulgações como o Orçamento de Subsídios da União.

Um integrante da equipe econômica afirma que as linhas de crédito estão sendo calibradas para que os subsídios sejam proporcionais ao retorno esperado em termos de sustentação da atividade econômica e apoio a públicos considerados vulneráveis. Esse interlocutor também pondera que algumas ações usam recursos já vinculados às áreas beneficiadas.

Especialistas e órgãos de controle, porém, questionam o uso crescente do expediente, dada a ausência de travas, a menor transparência e o impacto na dívida.

"O governo não paga o custo político de ter que escolher entre duas políticas, só socializa o custo para a sociedade inteira via taxa de juros", afirma Jeferson Bittencourt, chefe de macroeconomia do ASA e ex-secretário do Tesouro Nacional.

Uma das medidas de maior custo é a linha de R$ 30 bilhões para financiar a compra de carro para motoristas de aplicativo e taxistas. O Tesouro vai receber uma remuneração de 2,5% ao ano, ou 1,5% ao ano nas aquisições feitas por mulheres, bem abaixo do custo de financiamento da União (algo próximo à Selic, hoje em 14,5% ao ano).

A regulamentação foi aprovada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) em 20 de maio, e a exposição de motivos (onde o custo é detalhado) ainda não é pública. Mas a reportagem apurou que o subsídio implícito foi estimado em até R$ 8,46 bilhões em cifras nominais, ou R$ 6,9 bilhões em valor presente. A conta pressupõe que todos os financiamentos saiam à taxa mais baixa.

Outra medida com impacto relevante é a injeção de mais R$ 20 bilhões do Fundo Social do pré-sal para financiar moradias do Minha Casa, Minha Vida. A Fazenda informou à Folha que o subsídio implícito é calculado em até R$ 10,2 bilhões em valores nominais, considerando a taxa de juros reduzida para trabalhadores cotistas do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e o uso de todos os recursos disponíveis.

Ainda na habitação, o governo também ampliou o prazo para pagamento no programa Reforma Casa Brasil, que concede financiamento para melhorias habitacionais. A mudança vai impor um subsídio de R$ 850 milhões, adicional aos R$ 7,3 bilhões já estimados no lançamento da linha de crédito.

A segunda fase do programa Move Brasil, que vai disponibilizar R$ 14,5 bilhões da União para a compra subsidiada de caminhões, teve o custo implícito calculado em R$ 6,32 bilhões.

O governo ainda prevê um impacto de R$ 1,45 bilhão com os empréstimos às companhias aéreas, com recursos do FNAC (Fundo Nacional de Aviação Civil). A linha conta com R$ 8 bilhões disponíveis.

No caso dos R$ 10 bilhões extras do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) direcionados a projetos de indústria 4.0 e bens de capital verde, a Fazenda indicou apenas o valor presente do subsídio, calculado em R$ 1,69 bilhão. O impacto nominal, diluído ao longo dos contratos, tende a ser maior que isso.

O ministério afirmou ainda que, como os recursos do FAT já são destinados a financiamentos por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a medida não tem impacto adicional na dívida bruta do governo, embora a diferença de taxas resulte na elevação da DLSP.

Por outro lado, o governo ainda não divulgou o custo implícito do Plano Brasil Soberano 2.0, que prevê mais R$ 15 bilhões em recursos para empresas exportadoras afetadas pelo tarifaço dos Estados Unidos e pela guerra no Irã.

Tampouco informou o custo ligado à linha de R$ 10 bilhões para financiar a compra de máquinas agrícolas a taxas subsidiadas —nesse caso, as condições da linha ainda não foram regulamentadas.

Em entrevista recente à Folha, a secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire, reconheceu que as medidas carregam um subsídio implícito, mas ponderou que há também um estímulo ao crescimento, o que contribui para reduzir a relação dívida/PIB. Não há, no entanto, estimativas desse efeito.

Para Jeferson Bittencourt, os empréstimos podem ser um instrumento adequado e mais funcional para determinadas políticas públicas, mas o modelo impõe maior dificuldade de controle —daí a importância da estimativa de subsídio implícito.

Bittencourt integrou a equipe técnica da Fazenda que desenvolveu a primeira metodologia desse cálculo em 2013, num momento em que o alto volume de empréstimos da União ao BNDES passou a ter impacto relevante na dívida. A norma nasceu após uma batalha interna na pasta e uma determinação do TCU.

"Num país que não tem recursos sobrando, precisamos conseguir comparar as políticas", diz. Ele observa que só o crédito para motoristas de app pode custar mais do que o Farmácia Popular e o programa Gás do Povo.

Uma auditoria recente do TCU criticou o que classificou de "estruturas paralelas" para executar políticas fora do Orçamento e determinou a adoção de mecanismos de transparência. Segundo um integrante da equipe econômica, o governo pode vir a detalhar mais essas informações, inclusive com um novo anexo no PLOA (projeto de Lei Orçamentária Anual).
Por Idiana Tomazelli/Folhapress

Comércio de Ipiaú funcionará normalmente no dia de Corpus Christi, informa CDL

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Ipiaú informou que o comércio local funcionará normalmente na próxima quinta-feira, 4 de junho, data em que é celebrado o Corpus Christi. 
O esclarecimento foi divulgado por meio de comunicado oficial nas redes sociais da entidade.

De acordo com a CDL, o Decreto Municipal nº 8.090/2026 estabelece ponto facultativo apenas para as repartições públicas municipais. Dessa forma, lojas, estabelecimentos comerciais e demais empresas da iniciativa privada poderão manter suas atividades normalmente, seguindo os horários habituais de atendimento.

Embora seja uma das celebrações religiosas mais tradicionais do país, o Corpus Christi não é considerado feriado nacional. A data é tratada pelo Governo Federal como ponto facultativo, cabendo aos estados e municípios definir, por meio de legislação própria, se haverá ou não feriado local.

Na iniciativa privada, a legislação não obriga o empregador a conceder folga aos funcionários em datas classificadas como ponto facultativo. A dispensa do trabalho só é obrigatória quando houver lei municipal ou estadual decretando feriado na localidade.

Já para os servidores públicos, a situação costuma ser diferente. O Governo Federal e a maioria das prefeituras adotam o Corpus Christi como ponto facultativo ou feriado administrativo, garantindo a suspensão do expediente para o funcionalismo público. Por: Giro Ipiaú

Trump nomeia Daniel Perez, deputado da Flórida, como novo embaixador dos EUA no Brasil

                 Daniel Perez é presidente da Câmara de Representantes da Flórida

O presidente dos EUA, Donald Trump
O presidente Donald Trump nomeou nesta segunda-feira (1º) Daniel Perez como o novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil.

Republicano, Perez é o presidente da Câmara de Representantes da Flórida. A designação será encaminhada para confirmação do Senado americano.

Com a chegada de Perez, os EUA voltarão a ter um embaixador no país desde que Elizabeth Bagley —indicada por Joe Biden— deixou o posto após o fim do mandato do democrata. A missão americana no Brasil é atualmente comandada pelo encarregado de negócios, Gabriel Escobar.

De acordo com seu site oficial, Perez é cubano-americano de primeira geração. Ele foi eleito para a legislatura estadual pela primeira vez em 2017. Ele nasceu em Nova York e se mudou para a Flórida com a família em 1993.

Segundo a imprensa americana, Perez é conhecido por, apesar de republicano, ter travado diversas discussões com o governador Ron DeSantins.

No ano passado, discordaram por diferentes temas, como imigração, ensino superior, perfuração de petróleo em alto-mar e até normas de segurança para condomínios.

De acordo com o site Governing, Perez acusou o governador de mentir, agir de forma emocional e ter acessos de raiva. "Ameaçar os outros para conseguir o que você quer não é liderança, é imaturidade", disse o parlamentar no ano passado.
Por Ricardo Della Coletta/Isabella Menon/Folhapress

PF erradica plantação ilegal de maconha no Piauí

Teresina/PI. A Polícia Federal realizou, nesta segunda-feira (1º/6), a erradicação de uma plantação de maconha no município de Juazeiro do Piauí, em ação de combate ao tráfico de drogas.
Durante a operação, equipes policiais localizaram, em uma propriedade rural da região, uma roça com milhares de pés de maconha. No local, também foram encontrados e inutilizados equipamentos utilizados no plantio, na irrigação, no beneficiamento, no preparo e na compactação da droga.

Os levantamentos preliminares indicam que o local havia sido abandonado há alguns dias pelos responsáveis pelo cultivo ilícito, circunstância que impossibilitou a realização de prisões em flagrante.

Comunicação Social da Polícia Federal no Piauí

PF e PM/SP apreendem 33 pistolas e carregadores em Porto Feliz/SP

Armas e carregadores são provenientes do Paraguai e tinham como destino comunidades do Rio de Janeiro dominadas por facções criminosas; suspeito foi preso em flagrante
Rio de Janeiro/RJ. No domingo (31/5), a Polícia Federal prendeu um suspeito de nacionalidade paraguaia com 33 pistolas e carregadores (15 para fuzil e 28 para pistolas) na Rodovia Castelo Branco, altura do município paulista de Porto Feliz. A ação contou com o apoio da Polícia Militar de São Paulo (PM/SP).

A investigação, desenvolvida no contexto da Força-Tarefa Missão Redentor II, apurou que as armas eram oriundas do Paraguai e tinham como destino comunidades do Rio dominadas por facções criminosas.

A ação está alinhada às diretrizes estabelecidas no âmbito da ADPF 635 (STF), com foco na desarticulação logística e financeira de organizações criminosas.

O investigado, o armamento apreendido e os demais elementos de prova foram encaminhados à Delegacia de Polícia Federal em Sorocaba, para lavratura do auto de prisão em flagrante pelo crime de tráfico internacional de armas de fogo.

Após os procedimentos de polícia judiciária, o suspeito será encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.

Comunicação Social da Polícia Federal no Rio de Janeiro

Tarcísio diz que Jair Bolsonaro conversou com ele algumas vezes sobre concorrer à Presidência

O governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos)
O governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta segunda-feira, 1º, que o ex-presidente Jair Bolsonaro discutiu com ele, em algumas ocasiões, a possibilidade de lançá-lo como candidato do bolsonarismo à Presidência da República neste ano. Segundo Tarcísio, porém, a resposta foi de que preferia permanecer à frente da gestão estadual.

As declarações foram feitas em entrevista ao programa Pânico, da rádio Jovem Pan FM. O chefe do Executivo paulista foi questionado sobre se aceitaria a missão caso tivesse sido indicado pelo capitão reformado.

"Olha, ele não indicou. E, desde o início, ele conversou comigo algumas vezes sobre isso. Eu falei: 'Presidente, a minha intenção é ficar em São Paulo, porque é o maior colégio eleitoral do Brasil'", disse Tarcísio. "Imagina hoje se eu saísse de São Paulo, quem seria o candidato? Olha o risco que a gente ia ter de, inclusive, perder São Paulo."

O governador afirmou ainda que, dentro de uma lógica de grupo político, era preciso compreender qual papel cabia a cada integrante. Ele afirmou que tinha uma função de "contenção" a cumprir em no território paulista e avaliou que deixar esse posto poderia prejudicar até mesmo a eleição nacional.

Tarcísio também disse estar "muito feliz" no governo paulista e afirmou ter recebido um "grande voto de confiança" da população de São Paulo, que pretende honrar. Segundo ele, há satisfação com o trabalho realizado pela gestão estadual.

"Meu candidato [à presidência] é o Flávio"

Durante a entrevista ao programa Pânico, Tarcísio de Freitas reiterou que seu candidato à Presidência da República é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Sem comentar a possível relação entre Flávio e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o governador ressaltou sua lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem atribuiu sua entrada no cenário nacional e a oportunidade de ter sido ministro.

Segundo o chefe do Executivo paulista, desde o início ele deixou claro que apoiaria Bolsonaro ou o nome indicado pelo ex-presidente. Como Bolsonaro indicou Flávio, afirmou o governador, seu candidato é o senador, cuja campanha em São Paulo deverá coordenar.

Tarcísio fez elogios aos demais pré-candidatos de direita Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, mas salientou não acreditar que espaço para tais lideranças, que classificou como "regionais".

"Eu entendo que também há pouco espaço para a terceira via, há pouco espaço para outras candidaturas", afirmou. "Está muito polarizado, então não tem espaço para essas lideranças regionais emergirem como uma liderança nacional. Então a disputa vai ser entre (o presidente) Lula e o Flávio, não há dúvida disso."

"Jair Bolsonaro fora do jogo político"

Tarcísio de Freitas voltou a criticar a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, durante a entrevista na rádio Jovem Pan FM. Segundo o governador, houve "grande maldade" ao tirar Bolsonaro do jogo político e impedir que ele se pronunciasse, diante do "peso" que o ex-presidente tem, de sua capacidade de "mover o ponteiro" e de mobilizar apoiadores.

Segundo Tarcísio, Bolsonaro é uma "liderança incontestável". O governador afirmou que não tem falado recentemente com o ex-presidente por causa da agenda extensa, mas disse que pretende procurá-lo. Ele ressaltou ter com Bolsonaro uma relação de amizade, consideração e proximidade.

"Extremamente injustiçado. Se a gente pegar o processo dele, a gente vai ver uma série de fragilidades", continuou. "A gente não pode concordar com tudo que aconteceu. E eu imagino que, num futuro próximo, a gente vai ver a Justiça também prevalecendo."

Uma das principais promessas do pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, para o caso de vitória nas eleições presidenciais deste ano é levar Jair Bolsonaro para subir a rampa do Palácio do Planalto na cerimônia de posse, em janeiro de 2027.
Por Geovani Bucci, Estadão Conteúdo

Destaques