PF cumpre buscas contra desembargador suspeito de venda de decisões em MT

A Polícia Federal cumpriu medidas de busca e apreensão nesta segunda-feira (8) em endereços de um desembargador afastado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, suspeito de participar de um esquema de venda de decisões judiciais.

Os mandados foram expedidos pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). A operção, de acordo com a PF, tem o objetivo de aprofundar "investigações relacionadas à suposta comercialização de decisões judiciais e à prática de lavagem de dinheiro" no TJ-MT.

O magistrado que é alvo da medida é Dirceu dos Santos, que foi afastado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) do cargo em março. Também foi alvo o deputado estadual Faissal Calil (PL). A reportagem tenta localizar as defesas de ambos.

As apurações tentam identificar se há suspeitas de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.

A investigação foi iniciada após a extração de dados em aparelhos celulares de investigados e em compartilhamento de informações com o CNJ, que apontaram a possibilidade de que o desembargador usava o parlamentar como o seu operador financeiro para recebimento de valores de forma indevida.

A PF diz que há suspeitas de "quitação de passivos familiares e triangulações imobiliárias simuladas com terceiros ("laranjas"). As condutas buscavam conferir aparência de licitude ao proveito dos crimes".

"O avanço da análise bancária descortinou uma vultosa movimentação marginal e paralela, incluindo o trânsito de valores em espécie que superam os R$ 3,2 milhões em depósitos e saques", diz a PF, em nota.

"A investigação ainda apontou repasses sem lastro negocial justificado, oriundos de empresas do agronegócio que possuíam litígios agrários em trâmite no tribunal. "

Em março, Dirceu foi afastado pelo CNJ, que apontava que ele movimentou mais de R$ 14,6 milhões nos últimos cinco anos.

Segundo o conselho, a quebra dos sigilos bancário e fiscal do magistrado mostrou uma variação patrimonial "em patamar incompatível" com os rendimentos do juiz.

Na ocasião, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso afirmou, por email, que colabora com as investigações.

Por José Marques/Folhapress

Pataxós bloqueiam estrada no Extremo Sul baiano contra desocupação de área

Indígenas da comunidade Pataxó Aldeia Velha voltaram a interditar a Estrada da Balsa, em Arraial d’Ajuda, distrito de Porto Seguro. O fato ocorre desde as 5h da manhã desta segunda-feira (8).

Segundo o Radar News, parceiro do Bahia Notícias, o bloqueio ocorre em um trecho próximo ao parque aquático, após a Ladeira da Santa, e, até a última atualização, não havia previsão para a liberação da via.

 

Ao site, o cacique Reinaldo Pataxó declarou que a manifestação foi organizada em protesto contra uma decisão da Justiça Federal que determinou a desocupação da Fazenda Santo Amaro, área atualmente ocupada pela comunidade indígena.

 

O líder indígena afirmou ainda que o grupo considera a medida judicial injusta e defende que o território pertence historicamente ao povo Pataxó


“Estamos fechando a Estrada da Balsa em protesto contra a liminar concedida pela Justiça que determina a desocupação da nossa terra, a Aldeia Velha. Consideramos essa decisão injusta, porque a área pertence ao nosso povo. É preciso respeitar os direitos dos indígenas”, declarou.

 

A decisão foi proferida pelo juiz federal Pablo Baldivieso, da Subseção Judiciária de Eunápolis, no âmbito de uma ação movida pela empresa Cosvar Agropecuária Ltda. A área objeto da disputa tem quase 1,2 mil hectares e está localizada no distrito de Arraial d’Ajuda.

 

SEGUNDA OCUPAÇÃO
Esta é a segunda interdição promovida pela comunidade indígena em menos de uma semana em razão do mesmo conflito fundiário. Na noite do último dia 2 de junho, integrantes da Aldeia Velha também bloquearam a Estrada da Balsa em protesto contra a decisão judicial que determinou a desocupação da área.

 

Na ocasião, os manifestantes informaram que o ato tinha como objetivo chamar a atenção para a disputa territorial envolvendo a área reivindicada pelos Pataxó e contestar a ordem de reintegração de posse.

Por: Bahia noticias

Salvador, Feira, Juazeiro, Camaçari, Eunápolis e Jequié estão no top 30 de cidades com maiores reduções de mortes em 2026

As cidades de Salvador, Feira de Santana, Jauzeiro, Camaçari, Eunápolis e Jequié estão no top 30 das cidades baianas com maiores reduções de mortes violentas em 2026.

Entre janeiro e maio, a Polícia registrou uma queda de 20,3% dos crimes graves contra a vida (homicídio, latrocínio e lesão dolosa seguida de morte) em toda a Bahia.

A capital baiana apresentou diminuição de 30,7%, Camaçari contabilizou queda de 41,8%, Feira de Santana fechou com redução de 12,9 e, em Juazeiro, as mortes violentas recuaram 49%.

No Extremo Sul da Bahia, a Polícia registrou redução de 58,6% em Eunápolis e, na região do Médio Rio de Contas, diminuição de 28,6% no município de Jequié.

“A integração entre as Forças Policiais, atuando orientadas pela inteligência, garantido um combate permanente contra as facções, além das ações transversais do Programa Bahia Pela Paz foram fundamentais neste processo contínuo de diminuição das mortes violentas”, destacou o secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner.

REDUÇÕES DE 100%

As cidades de Senhor do Bonfim, São Sebastião do Passé, Acajutiba, Nova Soure e Igrapiúna apresentaram reduções de 100% das mortes violentas entre janeiro e maio de 2026.

Ações integradas das Forças Estaduais e Federais da Segurança Pública resultaram em zero crime letal nos municípios.

OUTRAS CIDADES

Completam a lista das 30 cidades baianas com maiores quedas de mortes violentas em 2026, Dias D’Ávila, Paulo Afonso, Santo Amaro, Luís Eduardo Magalhães, Barreiras, Ibotirama, Camamu, Valença, Ilhéus, Candeias, Alcobaça, Cachoeira, Iaçu, São Félix do Coribe, Serra do Ramalho, Capim Grosso, Coaraci, Correntina e Serrinha.

Esta é uma ação do Bahia pela Paz, Programa estratégico do Governo da Estado para prevenção e redução da violência letal, voltado a crianças., adolescentes e jovens, em situação de alta vulnerabilidade social, e suas famílias.
Fonte: ASCOM SSP

FICCOs apreendem mais de 2,6 toneladas de drogas e efetuam 43 prisões pelo país

Balanço reúne ações realizadas em diferentes estados, com prisões, com apreensões de drogas e com cumprimento de mandados

Brasília/DF. Entre 1º e 7/6, as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), compostas pela Polícia Federal e por forças de segurança estaduais, realizaram ações de enfrentamento ao crime organizado em diferentes regiões do país. Confira o resumo das principais ações no período.

Combate ao tráfico de drogas
Em Foz do Iguaçu/PR, a FICCO/PR apreendeu 1.035,2 kg de maconha em um estacionamento. A droga estava dividida em fardos, que seriam colocados no compartimento de carga de um veículo.

Já a FICCO/TO localizou e apreendeu aproximadamente 490 kg de substância análoga à cocaína enterrados em uma área rural. Nas proximidades, também foi encontrada uma aeronave com indícios de adulteração estrutural, que será submetida à perícia. Duas pessoas foram presas em flagrante.

Em Rondônia, a FICCO/RO e a Polícia Militar apreenderam 276,1 kg de drogas e prenderam quatro pessoas, em Ji-Paraná/RO. Também foram apreendidos quatro veículos, balanças de precisão, aparelhos celulares, joias e documentos. Outra ação da FICCO/RO apreendeu aproximadamente 64 kg de entorpecentes e realizou outras quatro prisões em flagrante.

A FICCO/Ilhéus realizou duas ações marcadas pela apreensão de drogas, munições e materiais utilizados no cultivo de entorpecentes, em Itacaré/BA e Itabuna/BA. Ao todo, foram localizados 2 kg de cocaína, 2 mil comprimidos de ecstasy, 200 g de maconha e embalagens para acondicionar drogas, além de 15 munições calibre 9 mm.

Já a FICCO/SE prendeu em flagrante um homem que transportava cerca de 52 kg de maconha prensada. A abordagem foi realizada em Aracaju/SE após policiais avistarem e abordarem um veículo suspeito.

Em São Roque/SP, a FICCO/SP apreendeu 257,5 kg de cocaína e um fuzil durante abordagem a um veículo. As diligências eram voltadas justamente à repressão ao tráfico de drogas na região.

Ainda no estado de São Paulo, a FICCO/MG apreendeu 458,8 kg de drogas na Rodovia Washington Luís, em São José do Rio Preto/SP. O condutor do veículo foi preso em flagrante e encaminhado à unidade da Polícia Federal para os procedimentos de polícia judiciária.

Prisões e cumprimento de mandados
A FICCO/DF cumpriu 19 mandados de prisão preventiva expedidos pelo Poder Judiciário do Distrito Federal. As medidas decorrem da conclusão de investigação que apurou a atuação de integrantes de organização criminosa com atuação no Distrito Federal e região.

A FICCO/PA, por sua vez, realizou a prisão de duas integrantes de organização criminosa no estado, em Santa Izabel do Pará e em Ananindeua. Elas exerciam função de orientação dentro da organização criminosa, investigada por envolvimento com tráfico de drogas, extorsões e atentados contra agentes de segurança pública.

Já a FICCO/RR prendeu três pessoas em flagrante por tráfico de drogas. As prisões foram realizadas na capital Boa Vista, onde também foram apreendidos drogas, dinheiro e materiais utilizados na atividade criminosa.

Na fronteira com o Paraguai, a FICCO/MS realizou a captura de um integrante de uma organização criminosa. Ele possuía mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça do Distrito Federal e apresentou documentos falsificados na tentativa de ocultar sua identidade no momento da abordagem.

A FICCO/PR e a FICCO/SP, em ação conjunta, prenderam em flagrante um homem com 252 ampolas de medicamentos em um veículo no município de São José do Rio Preto/SP. O veículo era proveniente de Foz do Iguaçu/PR e seguia para o estado de Minas Gerais.

Coordenação-Geral de Comunicação Social da Polícia Federal

Lula demonstra incômodo com Moraes e aliados buscam reaproximação /Por Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém insatisfação com o ministro Alexandre de Moraes, especialmente por conta dos bastidores que envolveram a tentativa de indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Segundo interlocutores do governo, o episódio ainda gera desconforto no Palácio do Planalto e contribuiu para o afastamento entre os dois. A reportagem é do jornal O Globo.

Em uma conversa reservada com os ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques, Lula teria manifestado críticas a Moraes relacionadas ao caso envolvendo o Banco Master. O presidente avaliou que o ministro deveria esclarecer publicamente questões ligadas ao contrato firmado entre o banco e o escritório de advocacia de sua esposa, demonstrando surpresa com os valores divulgados.

Apesar das divergências, integrantes do Judiciário, do governo e do Congresso articulam uma aproximação entre Lula e Moraes. A avaliação é de que uma relação institucional harmoniosa é importante para ambos os lados, especialmente diante da futura presidência de Moraes no STF. Nos bastidores, a expectativa é de que a tensão seja reduzida nos próximos meses.

Plano da China por autossuficiência alimentar ameaça o agro brasileiro

O agronegócio brasileiro, um dos pilares da estabilidade econômica do país, enfrenta hoje uma ameaça estrutural inédita, algo que pode redesenhar o comércio global nas próximas décadas.

O Brasil tem uma dependência crítica e concentrada do mercado chinês, que é o destino de 71% das exportações nacionais de soja e 54% da carne bovina. Sozinho, o país fornece mais de 60% de toda a oleaginosa importada por Pequim e cerca de 40% de sua carne.

No entanto, a China decidiu que essa dependência é um risco intolerável para sua segurança nacional e acionou um plano para reduzir suas compras externas. As medidas estão delineadas no recém-publicado 15º Plano Quinquenal chinês 2026-2030.

A projeção central é que a demanda chinesa por importação de soja caia 25% até 2030, o que representa um corte de 23,5 milhões de toneladas. O volume equivale a quase um terço de tudo o que o Brasil exportou para a China em 2024.

Sem outros compradores globais com escala suficiente para absorver tamanha oferta, o Brasil enfrenta o risco real de uma queda simultânea nos volumes e nos preços das commodities. Isso pode desvalorizar terras recém-convertidas e infraestruturas logísticas, que perderiam viabilidade econômica.

Uma mudança profunda na estratégia chinesa impulsiona essa transformação: o país passou a aplicar no campo o mesmo "manual industrial" que lhe garantiu a liderança global em painéis solares e veículos elétricos.

No 15º Plano Quinquenal, a segurança alimentar foi elevada à classificação de prioridade estratégica, equiparada à segurança energética e financeira.

O objetivo de Pequim é reverter também um déficit comercial agrícola de US$ 124,5 bilhões (R$ 631,2 bilhões) mediante uma doutrina de "Alimentação Expandida", com foco em resiliência soberana e autonomia tecnológica.

A China reconhece que a autossuficiência absoluta é impossível pela escassez de terra e água —possuindo apenas 8% das terras aráveis do mundo para 15% da população—, mas busca uma "dependência segura" por meio da diversificação agressiva e inovação.

"Negar o tamanho dessas transformações pode ser muito nocivo, e não vemos um sentido de urgência no Brasil para enfrentar as novas diretrizes", afirma Patricia Ellen, sócia e CEO no Brasil da Systemiq, consultoria internacional presente em países como Reino Unido, Alemanha e Indonésia que esmiuçou em recente relatório ("China’s Food Future") os impactos dessas mudanças.

Para Ricardo Abramovay, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, embora a propriedade de terras na China seja estatal, há forte estímulo a investimentos privados e inovadores —como cultivos e produção de proteína animal em estruturas verticais e próximas às cidades.

O plano prevê acesso a capital de baixo custo de bancos estatais. Inclui também subsídios direcionados e financiamento contínuo em pesquisa e desenvolvimento. Esse conjunto de medidas reduziria o risco nos estágios iniciais e o custo de fracassos.

Além disso, permitiria que as empresas investissem em escala antes que a viabilidade comercial fosse comprovada —acelerando curvas de aprendizado e viabilizando a expansão da capacidade produtiva.

"Os líderes chineses têm convicção, pelo passado do país, de que um bom governo é o que garante boa alimentação. Querem replicar na área, agora que os chineses têm mais renda para comer melhor, o que realizaram no setor industrial", afirma Abramovay.

De 1959 a 1961, a China enfrentou a chamada Grande Fome, causada pela combinação de fatores climáticos com as políticas econômicas e agrícolas fracassadas do programa "Grande Salto Adiante", de Mao Tsé-Tung (1893-1976). Dezenas de milhões de pessoas morreram por inanição, em uma das maiores crises de fome da história mundial.

"As metas são concretas: produção de 725 milhões de toneladas de grãos por ano, mais que o dobro da produção brasileira; expansão de terras de alto padrão com irrigação e mecanização; sementes soberanas com biotecnologia em larga escala; mais seguro e crédito, e melhor infraestrutura no campo", analisa Marcos Jank, coordenador do Núcleo Insper Agro Global.

Ele afirma, no entanto, que as projeções da Systemiq com base nos planos chineses podem ser vistas com ceticismo. "Sistemas agroalimentares são governados por biologia, agronomia e cultura, e são muito mais resistentes à transformação rápida do que painéis solares, baterias e veículos elétricos, setor em que o sucesso chinês foi enorme."

Jank pondera que, enquanto o potencial de crescimento da oferta agrícola brasileira é enorme, o da China é limitado pela escassez de terras férteis e pelas restrições severas no uso de água. "Mas a prudência nos recomenda buscar outros mercados", diz.

Procurado, o Ministério da Agricultura e Pecuária não comentou as novas diretrizes chinesas. A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso, estado líder na produção de grãos, também não se manifestou.

Os avanços tecnológicos que sustentam a guinada chinesa são acompanhados de números rigorosos. O governo acionou o plano "Ação de Capacidade de 50 Milhões de Toneladas", que impõe metas de produtividade estritas às províncias para aumentar a produção doméstica de grãos até 2030.

Na área de biotecnologia, a China trata a segurança de sementes com a mesma importância estratégica dos semicondutores, aprovando a comercialização de variedades de milho e soja geneticamente modificados locais para elevar o rendimento por hectare entre 6% e 13%.

Outra frente decisiva é a reestruturação das fórmulas de ração animal. O governo determinou que a inclusão de farelo de soja caia de 14,5% para menos de 10% até 2030. A eficácia dessa medida já é visível em escala industrial: a gigante Muyuan Foods, maior produtora de suínos do mundo, reduziu sua inclusão de soja para apenas 5,7% em 2023, economizando 31 kg do grão por animal produzido.

Segundo Eduardo Martins, ex-presidente do Ibama e diretor-executivo do Grupo Associado de Agricultura Sustentável, a China tem primazia na produção de aminoácidos ("tijolos" que constroem proteínas). "Isso permite aumentar o valor proteico de suas rações, e os chineses estão em pleno processo de escalar os volumes para tornar seu uso economicamente viável", afirma.

A longo prazo, a China planeja deixar de ser o maior importador para se tornar um competidor global. Até 2040, o país projeta ser um exportador líquido de aves, laticínios, ovos e produtos aquáticos, forçando produtores tradicionais a enfrentar a concorrência chinesa.

Além disso, Pequim investe em biomanufatura, com bionegócios e proteínas alternativas (vegetais, fermentadas e cultivadas em laboratório) projetadas para atender de 35% a 55% da demanda doméstica por carne até 2050.

Nesse novo tabuleiro geopolítico, o agronegócio brasileiro ainda é considerado pela China como uma "garantia de subsistência real" a curto prazo, enquanto o agro dos EUA serve como "moeda de troca política".

No entanto, com o aumento da autossuficiência tecnológica, a China terá o poder de elevar exigências ambientais, demandando produtos livres de desmatamento e com rastreabilidade total, alinhando-se a padrões similares aos da União Europeia.

Por Fernando Canzian/Folhapress

Governo Lula quer evitar desgaste com fila do INSS e prevê zerar pedidos represados antes das eleições

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prevê zerar os pedidos represados no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) até o fim de setembro, às vésperas das eleições presidenciais. É neste prazo que o Executivo calcula eliminar o estoque de requerimentos à espera de análise há mais de 45 dias.

Embora um integrante do governo afirme que não há motivação eleitoral na redução da fila, o mesmo interlocutor reconhece que existe a preocupação de evitar que esse tema seja explorado pela oposição para desgastar a imagem do petista.

A expectativa de auxiliares de Lula é que o escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões seja resgatado por seus adversários na tentativa de minar a reeleição, ainda que o governo já tenha desembolsado R$ 3,3 bilhões para ressarcir os beneficiários prejudicados.

Por isso, consideram importante e estratégico ter a situação da fila resolvida, numa tentativa de apresentar isso como contraponto durante a campanha.

A fila encerrou o mês de maio com 2,2 milhões de pedidos, dos quais 926 mil estavam dentro do prazo de 45 dias para avaliação do INSS. Outros 500 mil dependiam de informações complementares do segurado.

Os requerimentos atrasados estavam em 765 mil —são esses que o governo, de fato, considera fila e pretende zerar em quatro meses.

Em janeiro, quando a fila total alcançou 3,1 milhões de segurados, 1,9 milhão dos pedidos aguardavam resposta havia mais de 45 dias. De lá para cá, o estoque atrasado caiu a uma média de 280 mil por mês.

Mantendo esse ritmo, o governo acredita ser capaz de zerar a fila de espera até o fim de setembro. A quantidade restante seria equivalente ao fluxo de pedidos que entram todo mês e que são analisados pelos servidores do INSS, sem gerar atraso na resposta aos segurados.

A redução da fila virou uma prioridade do governo no início deste ano, após o estoque acumulado de pedidos renovar recordes mês a mês, acima até mesmo dos patamares observados na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quando alcançou 2 milhões.

Esse quadro acendeu um alerta no Executivo, diante do risco de se tornar um problema para a campanha de Lula, que assumiu o terceiro mandato fazendo fortes críticas à gestão anterior e sob a promessa de zerar a fila.

Em abril, o petista decidiu demitir o então presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior. Ele havia assumido o órgão no fim de abril de 2025, após a deflagração da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes nos descontos associativos.

Com o término da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) sobre o esquema, no fim de março, o governo entendeu ser o momento de "virar a página" do escândalo, mudar a gestão e concentrar esforços na redução da fila. Essa é a principal missão da nova presidente do INSS, Ana Cristina Viana Silveira, servidora da carreira de analista do seguro social.

Após a troca de comando, o governo abriu o cofre e reforçou os recursos para o pagamento do bônus para servidores do INSS e da perícia médica. Eles recebem remuneração extra a cada análise adicional realizada. A medida vem contribuindo para acelerar as concessões de benefícios e reduzir o estoque de pedidos.

Em entrevista coletiva em maio, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse que o governo vai reservar R$ 300 milhões para o pagamento do bônus até o fim deste ano.

Com a aceleração das análises, as concessões de benefícios também aumentaram. Em março, o INSS aprovou 886 mil novos benefícios, uma alta de 54% em relação ao observado em igual mês de 2025. Em abril, foram mais 739 mil, aumento de 5,7% na mesma base de comparação.

Se por um lado a redução da fila pode ajudar Lula no campo político, em termos fiscais isso representa uma pressão adicional no Orçamento.

Em maio, a equipe econômica precisou anunciar um bloqueio de R$ 22,1 bilhões nas despesas com custeio e investimentos, para compensar justamente a expectativa de maiores gastos com a Previdência Social e o BPC (Benefício de Prestação Continuada), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda.

A medida atingiu ministérios como Defesa, Cidades e Educação, além de travar R$ 4,6 bilhões em emendas parlamentares, verbas usadas pelos congressistas para irrigar ações em seus redutos eleitorais.

Por Idiana Tomazelli/Folhapress

Resultado da rodada do Campeonato Supermaster da AABB Ipiaú

Neste domingo (07/06) aconteceu mais uma rodada do Campeonato Supermaster de Futebol, com dois grandes jogos no campo A.

No primeiro jogo um único gol deu números finais a partida, e a Ita Telecom venceu por 1x0 e ocupa a vice liderança da competição.

Dancau 0x1 Ita Telecom, Gol: Ita Telecom: Bobo

Na segunda partida do dia, a líder da competição Hortifruti São Luiz venceu mais uma vez e está na liderança isolada.

Consulcred 1x2 Hortifruti São Luiz

Gols: Consulcred: Sidcley (01); Hortifruti São Luiz: Paulo Souza (01) e Valdir (01)

Artilharia: Givaldo:  (03) Gols; Genésio (02); Valdir (02); Paulo Souza (02); Lindomar (02); Caboquinho: (02)

Próximo domingo (14/06): 07:00 - Consulcred x Coxinha Real; 08:15 - Hortifruti São Luiz x Ita Telecom

Fonte: Ascom/AABB-Ipiaú

https://youtube.com/live/UgGiy-2rfe8?feature=share

Governo Lula impõe sigilos de até 100 anos em processos de autorização para funcionamento de bets

Fazenda tem negado acesso a documentos que embasaram autorização para casas de apostas; pasta alega que processos têm dados pessoais e que não tem mão de obra para analisar um a um

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) impôs sigilo a processos que tratam da autorização para funcionamento de casas de apostas no Brasil. Em alguns casos, o Ministério da Fazenda aplicou a regra que proíbe o acesso público aos documentos por até 100 anos.

Ao negar acesso aos processos com documentos apresentados pelas empresas de apostas, o governo também impede o acesso a pareceres e notas técnicas elaborados pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda.

Com isso, os cidadãos não podem saber como se deu a tramitação dos processos, as eventuais inadequações na papelada das empresas, nem como elas foram corrigidas. Também fica sob sigilo o meio de pagamento das outorgas de R$ 30 milhões e quem são os beneficiários finais de cada empresa de apostas.

A reportagem pediu, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), a íntegra do processo que autorizou a casa de apostas 1xBet, empresa de origem russa banida em vários países e que ganhou o aval do governo Lula, em julho, para funcionar no Brasil. O pedido de acesso às informações foi negado.

Essa bet operava ilegalmente no País enquanto aguardava o aval da Fazenda. Além disso, não funciona mais no endereço que informou à Receita Federal e ao governo, segundo processos judiciais.

Na resposta negativa, a Fazenda informou que os documentos solicitados estão resguardados por sigilo conforme prevê a LAI. A pasta alegou que a legislação determina a proteção de dados pessoais dos sócios e de administradores e beneficiários finais das bets.

Por serem classificadas como informações pessoais, a Fazenda invocou o dispositivo da LAI que determina o sigilo dessas informações por até um século. A Fazenda não aceitou dar acesso ao processo da 1xBet nem omitindo apenas dados pessoais dos documentos. A LAI assegura o acesso à parte não sigilosa de documentos, quando o envio integral não é autorizado.

A justificativa foi a de que analisar cada documento exigiria “um esforço administrativo desproporcional”, o que causaria uma “limitação operacional agravada pela severa restrição de força de trabalho” SPA.

A SPA já usou outro argumento para negar pedidos da reportagem de acesso à parte não sigilosa de processos de autorização de outras empresas.

Em uma solicitação anterior, a pasta alegou que seu sistema “não possui mecanismos de anonimato ou anonimização” de trechos de documentos, portanto haveria “sério risco” de comprometimento da proteção pretendida pela legislação.

Lula assume discurso contra casas de apostas

O presidente Lula tem repetido declarações contra o funcionamento de empresas de apostas e já disse que é favorável a proibição delas. Foi ele quem sancionou a nova lei das bets, após aprovação no Congresso, e seu governo elaborou toda a regulação do setor.

Ele voltou ao tema durante entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, no último dia 22. Lula disse que pretende colocar o fim das bets como pauta de sua campanha à reeleição.

“Se depender da vontade do presidente da República, eu vou dizer durante a campanha: eu sou favorável a acabar com todas aquelas bets que não estão prestando nenhum serviço de utilidade a este País”, afirmou.

Ele disse ainda que só não proibiu todas as empresas de apostas porque não pode fazer isso de ofício.

“Eu proibiria todas. Por que não proibi? Eu não sou dono do Brasil. Da mesma forma que eu falo que o Trump (presidente dos Estados Unidos) não é dono do mundo, eu não sou dono do Brasil. Eu sou o presidente da República. Eu faço parte de um tripé de instituições que governam o país”, disse.

As associações representantes das bets criticam o discurso de Lula dizendo que a proibição não acabaria com a demanda por jogos de azar e jogaria milhões de apostadores para um mercado não regulado. Por Vinícius Valfré/Estadão

Petistas e bolsonaristas trocam de posição após fala de Lula sobre enforcamento de traidores

Pré-campanha de Flávio acusa presidente de ameaça e incitação, assim como PT fez com Jair Bolsonaro em 2018

A fala do presidente Lula (PT) na qual mencionou o enforcamento na Inconfidência Mineira após citar conduta de Flávio Bolsonaro (PL) fez petistas e bolsonaristas inverterem posições sobre a liberdade de expressão em ano eleitoral.

Se em 2018, o PT foi ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra a declaração sobre "fuzilar a petralhada" feita pelo então pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro, agora a pré-campanha de Flávio é quem aponta incitação e ameaça. Para especialistas em direito ouvidos pelo jornal Folha de São Paulo, nem Lula e nem Bolsonaro praticaram tais crimes.

A menção feita por Lula foi feita no contexto em que o petista lamentava proposta do governo Donald Trump de um novo tarifaço de 25% sobre bens importados do Brasil. O USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) justifica a medida sob a alegação de que o Brasil adota práticas comerciais injustas.

O anúncio foi feito após a abertura de uma investigação no órgão e uma semana depois de visita de Flávio à Casa Branca.

Durante evento em Catalão (GO), Lula afirmou que o anúncio veio dias depois do encontro entre Flávio e Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, acusou os filhos Bolsonaro de atuar contra interesses nacionais e perguntou o que mereceriam o senador e seus aliados.

"São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria, que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, pensem, meditem", declarou.

Lula, na verdade, se confundiu na frase, uma vez que o enforcado não foi Reis, mas o próprio Tiradentes, o mártir da Inconfidência Mineira.

Segundo a coluna Painel, da Folha, a pré-campanha de Flávio decidiu entrar com uma ação no Supremo Tribunal Federal contra o petista, acusando-o de ter cometido crimes de ameaça e incitação ao crime.

Na mesma data, o senador sugeriu que a fala de Lula pode ter sido uma espécie de "apito de cachorro" para que as facções criminosas cometam um atentado contra ele. O termo faz referência ao apito canino inaudível para humanos e usado para adestrar cães e costuma ser utilizado quando tenta-se passar uma mensagem codificada a um grupo específico.

"Eu espero que não seja verdade. Bastou eu atuar contra PCC e CV que ele [Lula] faz uma espécie de apito de cachorro para as facções me executarem. Peço a Deus que não tenha sido essa intenção, porque, se foi, ele deveria estar preso", disse.

A frase de Bolsonaro, por sua vez, foi dita em evento da campanha eleitoral em 2018. "Vamos fuzilar a petralhada toda aqui do Acre. Vamos botar esses picaretas para correr do Acre. Já que eles gostam tanto da Venezuela, essa turma tem que ir para lá. Só que lá não tem nem mortadela galera, vão ter que comer é capim mesmo", disse o então candidato a presidente em 2018.

À época, o PT reagiu e entrou com uma queixa-crime no STF por injúria eleitoral e incitação, que foi suspensa após Bolsonaro assumir o mandato. Em 2023, o ministro Cristiano Zanin acolheu pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) e enviou o caso para a Justiça Eleitoral do Acre, tendo como justificativa o fim do mandato de Bolsonaro.

Em 2024, o juiz eleitoral responsável pelo caso entendeu que episódio não se enquadrava nos crimes apontados e ordenou que o processo fosse arquivado.

Do ponto de vista técnico, a consultora e professora de direito penal da FGV Direito SP Raquel Scalcon afirma que o contexto em que a fala de Lula foi feita não permite classificá-la como incitação ou ameaça.

"Incitação ao crime é um convite concreto à ação, em que há um risco real de que as pessoas de fato sejam motivadas e atuem por causa disso. Por exemplo, em um contexto de uma multidão em que tem alguém com microfone dizendo ‘vamos sair daqui e quebrar tudo'", diz.

"São discursos com um tom de agressividade que têm sido uma pauta e uma característica das campanhas políticas. Me parece desnecessário e uma perda de oportunidade de fazer uma discussão eleitoral mais racional", conclui.

Ivar Hartmann, professor associado de direito do Insper, também avalia que as manifestações de Lula e Bolsonaro não deveriam ser restringidas e afirma que ambas estão protegidas pela liberdade de expressão.

Sobre o discurso de Lula, ele considera que o mais reprovável é o fato de a declaração ter sido feita no exercício do cargo e por se referir a Flávio.

"O Lula é presidente e se espera um cuidado muito maior em relação a manifestações que estão aludindo a violência contra oponentes políticos de alguém que tem manejo do poder do Executivo federal. O Bolsonaro não tinha, na época que fez a manifestação, nem de perto o poder que o Lula tem hoje", afirma.

Ao mesmo tempo, Hartmann diz que a fala de Bolsonaro é mais reprovável no aspecto de fazer uma chamada à ação, diferentemente de Lula.

"Lula não está dizendo para as pessoas: Flávio Bolsonaro deveria ser enforcado ou vamos enforcar ou eu vou enforcar. Ele está dizendo: pensem vocês. É muito diferente e menos reprovável do que o Bolsonaro falando ‘vamos fuzilar a petralhada", diz, adicionando que o sentido empregado por ele foi de expulsar e não de matar.

Por Géssica Brandino/Folhapress

Congresso da Bolívia autoriza presidente a usar militares para desbloquear vias no país

Rodrigo Paz avalia declarar estado de exceção, o que permitiria uso maior da força militar e restrição de liberdade de mobilização

O Congresso da Bolívia aprovou, neste domingo (7), uma lei que autoriza o presidente Rodrigo Paz, de centro-direita, a recorrer a militares para desobstruir as vias controladas há mais de um mês por manifestantes que pedem sua renúncia.

Após 15 horas de sessão ininterrupta, que terminou de madrugada, a Câmara dos Deputados aprovou o texto, já antes aprovado pelo Senado. "Fica sancionada a presente lei, remeta-se ao Poder Executivo para fins constitucionais", disse o presidente da Câmara, Roberto Castro.

Paz avalia declarar o estado de exceção, o que lhe permitirá um uso maior da força militar e restringir liberdades de reunião e mobilização, essenciais para as manifestações. Até agora, a participação dos militares tem sido limitada, com a tropa de choque da polícia na linha de frente nas operações de desbloqueio.

Camponeses, mineiros, profissionais dos transportes e outros trabalhadores realizam protestos com bloqueios viários em todo o país em meio à pior crise econômica que a Bolívia enfrenta em quatro décadas. Em reação, o líder anunciou o corte de seu próprio salário e de ministros de governo para lidar com a crise.

Os bloqueios provocaram forte escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis em La Paz, El Alto e outras cidades. De acordo com a Defensoria Pública, dez pessoas morreram em decorrência dos protestos, incluindo algumas por falta de atendimento médico causada pelas obstruções.

No sábado (6), policiais da tropa de choque enfrentaram manifestantes no povoado de San Julián, na próspera região de Santa Cruz (leste), em operação para desbloquear uma via estratégica para o abastecimento do país. Agentes lançaram bombas de gás lacrimogêneo, e os manifestantes responderam com paus, pedras e pneus em chamas.

O confronto deixou mais de 20 feridos, entre eles seis policiais, quatro deles baleados. Horas depois, a delegacia local foi invadida e incendiada. A via foi parcialmente desobstruída por algumas horas, mas os manifestantes voltaram a bloqueá-la.

Um dos artigos da lei aprovada indica que os militares, durante o estado de exceção, "gozarão de presunção de legalidade" e que o governo deverá assumir sua defesa legal —medida que visa dissipar o temor de julgamentos pelo uso da força em situações de conflito.

O antecedente mais recente é o de vários comandantes militares da ex-presidente de direita Jeanine Añez (2019-2020), julgados e presos por confrontos com civis após a saída do ex-presidente Evo Morales —episódios que deixaram mais de 30 mortos.

Paz, cuja vitória nas urnas em outubro de 2025 pôs fim a décadas de domínio da esquerda na política boliviana, enfrenta pressão em múltiplas frentes. Três ministros —das pastas do Trabalho, da Defesa e da Educação— deixaram o cargo desde o início dos protestos. Ao mesmo tempo, tentativas de diálogo mediadas pela Igreja Católica, pela Defensoria Pública e pelo vice-presidente Edmand Lara Montaño fracassaram até agora.

O governo responsabiliza o ex-presidente Evo Morales (2006-2019) pelas manifestações. Morales, refugiado em seu reduto cocaleiro no Chapare para evitar uma ordem de captura por acusação de suposto tráfico de uma menor —o que nega—, afirmou à AFP que os protestos são uma "rebelião" contra um governo "subordinado" aos Estados Unidos

Por Folhapress

Comissão da Câmara vai debater rombo bilionário deixado por empresa coreana aos cofres públicos

Audiência quer discutir impacto de rombo de R$ 1 bilhão deixado após construção da Companhia Siderúrgica do Pecém, no Ceará
O rombo bilionário deixado pelos cofres públicos pela siderúrgica coreana Posco vai ser alvo de debates na Câmara dos Deputados nesta semana. A audiência pública está marcada para terça-feira (9) na Comissão de Desenvolvimento Econômico.

O assunto passou a preocupar o Itamaraty após a justiça determinar que a empresa pague uma dívida de R$ 1 bilhão deixada após a construção da Companhia Siderúrgica do Pecém, no Ceará.

Só a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional tem direito a receber cerca de R$ 40 milhões. O ministro de relações exteriores, Mauro Vieira, quer conseguir um acordo pelo diálogo e tem mantido conversas com os credores da empresa.

Para a audiência na Câmara, foram convidados integrantes do governo brasileiro, empresas, entidades e a Associação Internacional dos Credores da Posco (IAPC).

A associação e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços já confirmaram presença. A reunião foi pedida pelos deputados Luiz Gastão (PSDB-CE) e Moses Rodrigues (União-CE).

O objetivo do encontro é debater o impacto fiscal ao estado do Ceará e à União, além do prejuízo às empresas brasileiras.

No requerimento, Gastão afirmou que a audiência pode proporcionar fiscalizações e possíveis iniciativas legislativas.

"Além dos impactos fiscais, dezenas de empresas brasileiras foram prejudicadas, algumas levando ao fechamento de atividades. Há ainda questionamentos sobre a lisura do pedido de autofalência, a movimentação financeira da empresa no Brasil e a eventual responsabilidade da empresa contratante original", diz o documento.

Os novos capítulos do escândalo ocorrem em meio à aproximação comercial do Brasil com a Coreia do Sul. Em fevereiro, os países assinaram acordos e tentam reabrir tratativas para um acordo comercial amplo.

Por Gabriela Echenique/Folhapress

Jerônimo indica Camila Negromonte para vaga de conselheira no TCM; sabatina deve ocorrer nesta semana/ Por Política Livre

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) decidiu indicar a procuradora do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) Camila Vasquez Negromonte, esposa do deputado federal Mário Negromonte Júnior (PSD), para a vaga de conselheira da Corte. A expectativa é que a mensagem do Executivo seja publicada pela presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputada Ivana Bastos (PSD), nesta segunda (8) ou terça-feira (9), dando início à tramitação da indicação no Legislativo.

A sabatina da indicada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia deve ocorrer já na terça-feira. Em seguida, o nome será submetido à apreciação do plenário da Casa, em votação secreta.

A escolha de Camila encerra uma espera de quase um ano desde a formação da lista tríplice encaminhada ao governador, após a aposentadoria do conselheiro Mário Negromonte, pai de Mário Júnior. Procuradora de carreira do Ministério Público de Contas (MPC), ela disputava a indicação com os colegas Guilherme Costa Macêdo e Aline Paim Monteiro do Rego.

A lista tríplice com os candidatos aptos a ocupar a cadeira no TCM havia sido entregue ao chefe do Executivo estadual em agosto de 2025. Desde então, a definição do nome vinha sendo aguardada tanto por integrantes do Ministério Público de Contas quanto por lideranças políticas do Estado.

Imposto do pecado: bebidas alcoólicas, refrigerantes e cigarros; governo diz que tributação começa em 2027 para reduzir consumo

Objetivo é desestimular a compra de produtos que causam danos à saúde ou ao meio ambiente. Alíquotas precisarão ser definidas pelo Congresso Nacional até o final deste ano.

Aprovado no âmbito da reforma tributária sobre o consumo, o imposto seletivo, conhecido como imposto do pecado, começa em 2027 e tem o objetivo de encarecer produtos ou atividades que causam danos à saúde ou ao meio ambiente.

A lista inclui bebidas alcoólicas, refrigerantes e cigarros. O novo imposto também vai incidir sobre alguns veículos, conforme o nível de poluição, sobre a extração de bens minerais, e sobre loterias, apostas e jogos de fantasy sports.

Ao g1, o Ministério da Fazenda reafirmou o "interesse na implementação do Imposto Seletivo para o ano que vem, principalmente pelo seu efeito regulatório de reduzir o consumo de produtos danosos à saúde e ao meio ambiente".

Para começar a valer efetivamente, o Congresso Nacional precisa aprovar a regulamentação do imposto, mas a proposta do governo federal ainda não foi enviada. O Executivo diz que isso será feito até o fim deste ano.

➡️Levantamento da Fiocruz, citado pelo Ministério da Saúde, diz que, em 2019, o consumo de álcool custou R$ 18,8 bilhões, dos quais R$ 1,1 bilhão relativo a custos federais diretos com hospitalizações e procedimentos ambulatoriais no SUS, e R$ 17,7 bilhões à perda de produtividade pela mortalidade prematura, licenças e aposentadorias precoces decorrentes de doenças associadas ao consumo de álcool, perda de dias de trabalho por internação hospitalar e licença médica previdenciária.

➡️No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, as doenças relacionadas ao tabagismo geram um custo indireto de R$ 86,3 bilhões por ano, o que resulta em um gasto total anual de R$ 153,5 bilhões para o governo, o equivalente a 1,6% do PIB. "Em contrapartida, a arrecadação de tributos federais na venda de cigarros é de apenas R$ 8 bilhões por ano, o que evidencia desequilíbrio entre os gastos com a saúde e a arrecadação gerada pela comercialização do produto", diz.

➡️Considerando as bebidas ultraprocessadas, como refrigerantes, isotônicos e refrescos, o governo estimou, em estudo para embasar o uso do imposto seletivo, que os custos contabilizados para o Sistema Único de Saúde (SUS) com o tratamento de doenças associadas ao consumo desses produtos são estimados em quase R$ 3 bilhões ao ano.
Valor do imposto a ser cobrado

➡️O valor do imposto a ser cobrado de cada produto ainda não está definido. Na regulamentação, que terá de ser feita até o fim deste ano, para valer a partir de 2027, a área econômica irá propor, e o Legislativo definirá, quais serão as alíquotas.

"O projeto está em desenvolvimento interno em nível técnico de governo e depende de ajustes e definições finais, antes de sua divulgação. Apenas após a definição das alíquotas será possível estimar os eventuais impactos econômicos", comunicou o Ministério da Fazenda.

➡️Produtores nacionais dizem que as bebidas alcoólicas, por exemplo, já têm taxação alta no Brasil, com carga tributária variando de 40% a mais de 80% do preço do produto, e avaliam que um eventual aumento dos impostos cobrados pressionará as margens de lucro, podendo gerar repasses aos preços, demissões e estímulo ao mercado ilegal (veja mais abaixo).

Como vai funcionar?

Pela sistemática da reforma tributária, o imposto seletivo será um tributo extra, ou seja, além da CBS e do IBS (impostos do governo federal, estados e municípios sobre o consumo). Ao contrário desses impostos, será vedado qualquer aproveitamento de crédito do imposto do pecado nas etapas anteriores ou posteriores da cadeia.

De acordo com o texto aprovado da reforma tributária, o imposto sobre o pecado substituirá o atual Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), que permanecerá, a partir de 2027, apenas para itens da Zona Franca de Manaus (ZFM) produzidos em outras regiões do país.

"Embora restrito a poucos bens e serviços, o imposto seletivo é um complemento à regulamentação da Reforma Tributária, tendo em vista que uma significativa quantidade de produtos terá suas alíquotas de IPI zeradas em 2027", informou o Ministério da Fazenda.

O imposto seletivo incidirá sobre os seguintes produtos:
  • bebidas alcoólicas;
  • cigarros e produtos fumígenos;
  • bebidas açucaradas (refrigerantes e similares);
  • veículos (conforme o nível de poluição), embarcações e aeronaves;
  • extração de bens minerais, como minério de ferro, petróleo e gás natural;
  • loterias, apostas e jogos de fantasy sports.
➡️Para bebidas alcoólicas de acordo com regra aprovada na reforma tributária, o imposto será uma combinação de:  

Uma alíquota específica: valor fixo, em reais (R$), de acordo com a graduação alcoólica, ou seja, bebidas com maior teor alcoólico terão imposto mais alto.
Uma alíquota ad valorem: percentual sobre o valor do produto, de acordo com o tipo de bebida.

O que dizem representantes dos setores

Jones Valduga, o presidente da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), afirmou que o setor vê com "grande preocupação" a determinação da alíquota que incidirá sobre os vinhos. Ele lembra que o setor emprega mais de 90 mil pessoas diretamente, está presente em 17 estados e recebe três milhões de turistas por ano no enoturismo.

"A determinação da alíquota está nas mãos do Congresso Nacional, e o setor dispõe de subsídios técnicos qualificados para contribuir com esse debate. Nossa posição é clara: uma alíquota equilibrada protege a arrecadação, combate o mercado ilegal e preserva um patrimônio econômico, cultural e social que o Brasil levou mais de 150 anos para construir", avaliou o executivo da Uvibra.

Segundo Eduardo Cidade, presidente Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD), como as alíquotas do imposto seletivo ainda não foram definidas pelo governo, isso torna qualquer projeção de impacto no setor prematura. Ele observou que o peso dos tributos sobre destilados, atualmente, já supera o das cervejas no Brasil.

"O que a ABBD defende não é aumento de carga sobre nenhuma categoria — é a correção de uma assimetria. Um modelo que tribute a molécula de álcool [somente a quantidade em cada garrafa], não o rótulo [tipo de cada bebida] Com uma alíquota única por litro de álcool puro e uma alíquota única sobre o preço, a conta é proporcional: quem tem mais álcool paga mais, quem custa mais paga mais. Sem privilégios de categoria", diz Eduardo Cidade.

Márcio Maciel, presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), informou que estimativas do setor apontam para uma carga tributária atual de 56% sobre a cerveja, ou seja, a proporção de impostos no preço final, e que um possível aumento poderá ocasionar em alta de preços ao consumidor.

"A questão de preço é algo muito específico das empresas. Se aumenta imposto, se reflete no mercado. A margem da cerveja é menor do que vinhos e destilados, a cerveja é muito competitiva. Qualquer aumento de imposto é algo que aperta muito, até porque a inflação da cerveja está acima do IPCA [inflação oficial] nos últimos anos", disse Márcio Maciel, do Sindicerv.

Carlos Lima, presidente da diretoria executiva do Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC), informou que o peso dos impostos já é alto no produto, respondendo por mais de 80% do seu preço final. Por isso, o executivo avalia que o setor não teria como repassar potenciais aumentos de imposto aos preços. O setor engloba mais de 600 mil empregos diretos e indiretos.

"Qualquer aumento nessa tributação, a gente vai começar a sentir os efeitos negativos, como uma grande migração para o mercado informal, o fechamento de fabricas e a demissão de funcionários. A tributação do setor da cachaça hoje está muito acima do que consegue segurar. Não é uma questão do momento do imposto seletivo. Qualquer movimento do governo tributar mais, arrecada menos e mercado ilegal cresce", declarou Carlos Lima, do IBRAC.

Em posicionamento formal, Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (Abir) informou que o setor contempla mais de dois milhões de empregos diretos e indiretos. A entidade diz não concordar com o imposto seletivo para bebidas açucaradas, que, em sua visão, "traz uma série de inconsistências quanto ao seu objetivo".

"O argumento do aumento da obesidade pelas bebidas açucaradas também não se sustenta, conforme dados do próprio Ministério da Saúde, que apontam crescimento exponencial do índice no Brasil e queda pela metade na frequência de consumo", diz a Abir, em nota.

Já a Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) avaliou, por meio de nota, que a eventual definição de alíquota excessiva para cigarros no imposto do pecado poderá gerar perda perda de competitividade da produção nacional frente ao mercado ilegal "criando um ambiente favorável à expansão de organizações criminosas".

Em posicionamento na internet, o presidente da Abifumo, Edimilson Alves, disse que o cigarro oriundo do contrabando é uma das principais fontes de financiamento de facções criminosas envolvidas com o tráfico de drogas e armas, justamente por oferecer alto lucro e baixo risco de prisão. Segundo a associação, o tabaco já figura entre os segmentos mais tributados do país.

Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

PF e PM apreendem mais de 880 quilos de maconha no Lago de Itaipu

Santa Helena/PR. Uma ação conjunta da Polícia Federal e da Polícia Militar resultou na apreensão de 881,9 quilos de maconha prensada na noite desta sexta-feira (5/6), na região rural de Santa Helena/PR.

Durante patrulhamento no Lago de Itaipu, as equipes policiais identificaram uma embarcação proveniente da margem paraguaia transportando volumes suspeitos em direção ao território brasileiro.

Na abordagem, os policiais localizaram diversos fardos contendo tabletes de maconha prensada no interior da embarcação, totalizando 881,9 quilos da droga.

A embarcação e o entorpecente apreendidos foram encaminhados à Delegacia da Polícia Federal em Foz do Iguaçu/PR para os procedimentos de polícia judiciária.

Comunicação Social da Polícia Federal em Foz do Iguaçu/PR

Fadiga eleitoral é desafio para Lula, 80, o terceiro governante há mais tempo no poder no Brasil

Com 12 anos na presidência, petista só perde para Dom Pedro 2º e Getúlio Vargas
A corridinha virou marca registrada da comunicação do presidente Lula (PT), 80. Em agendas oficiais, ele aperta o passo para ser flagrado pelas lentes de sua equipe, que logo posta a cena nas redes sociais. O petista também se deixa filmar quando faz exercícios, tática que tem sido usada para mostrar disposição e afastar as críticas à sua idade avançada.

Foi o que ocorreu, na semana passada, quando a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, postou imagens do marido malhando sem camisa às 6h da manhã. "Feriadão nesse pique", dizia a legenda. Mas a questão etária é só parte do desafio. A longevidade de Lula reflete-se em uma extensa vida pública, o que agora provoca um fenômeno de fadiga de material, na avaliação de especialistas.

Lula é o terceiro governante que mais tempo permaneceu no poder, no Brasil. Até o fim de 2026, ele completará 12 anos na presidência, tempo equivalente a três mandatos. Considerando o Brasil Império, Lula perde para Dom Pedro 2º (49 anos) e Getúlio Vargas (18 anos). Aparecem depois do petista Dom Pedro 1º (10 anos) e Fernando Henrique Cardoso (8 anos).

Lula está no panorama político desde os anos 1980. Participou de sete das nove eleições presidenciais desde a redemocratização, em 1989. As exceções foram 2010 e 2014, quando emplacou Dilma Rousseff (PT) no Planalto; em 2018, não chegou a ter o nome nas urnas, porque estava preso e teve a candidatura barrada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Em 2025, tornou-se o primeiro octogenário na Presidência da República. Já o PT governou o Brasil em 17 anos deste século 21. "O tempo por si só não é fator determinante para o desgaste, mas crises acumuladas pelo PT, como o mensalão e a Lava Jato, além do trabalho muito bem estruturado da oposição", diz Paulo Loiola, consultor de marketing eleitoral, especializado no campo progressista.

Loiola avalia que a esquerda tem tido dificuldade de ampliar a comunicação digital, mesmo com ideias bem recebidas pela sociedade, como defesa da soberania nacional e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000.

No marketing, fadiga de material é uma expressão que designa o esgotamento da força de determinado partido ou figura política. Segundo Lucas Pimenta, também consultor de comunicação eleitoral, a fadiga de Lula relaciona-se, sobretudo, a uma visão anacrônica das relações de trabalho.

"Lula não se comunica com um novo trabalhador brasileiro. Ele tenta trazer medidas populistas, mas isso não se reflete nos números de aprovação do governo, porque está desconectado dos novos anseios da população", diz Pimenta.

Pesquisa Datafolha mostra que 38% avaliam o governo Lula negativamente, e 32%, positivamente. Ele é visto como o mais experiente pela maioria dos entrevistados, e o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 45, é visto como o mais moderno e inovador. Neste ano eleitoral, o petista anunciou um pacote de bondades, incluindo o Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas, o Gás do Povo e o Luz do Povo, para ampliar a oferta de luz e gás.

Agora tenta elevar à marca de seu terceiro mandato a aprovação do fim da escala 6x1 no Congresso. A maioria da população aprova a medida, que beneficiaria 37 milhões de brasileiros, segundo o governo.

Contudo, o especialista avalia que Lula não deu respostas aos segmentos que valorizam a autonomia e o empreendedorismo. Segundo Pimenta, a ausência de novidade se reflete, antes de tudo, no discurso do presidente, que tenta, desde a campanha de 2022, reavivar a lembrança dos dois primeiros mandatos.

Em outra frente, a imagem do petista se desgasta com as gafes que se acumulam e denotam certa inadequação com os novos tempos. Muitas delas têm como alvo o público feminino, a maior parcela do eleitorado. Há dois anos, Lula disse, em um evento, que mulher com formação não depende do pai para comprar batom e calcinha.

Também em 2024 afirmou ser inacreditável que os casos de violência contra a mulher aumentem depois de jogos de futebol. Em seguida, emendou: "Se o cara é corinthiano, tudo bem". Pimenta identifica uma mudança arquetípica na imagem de Lula. Se nos dois primeiros mandatos notabilizou-se como pai dos pobres, agora tenta ser um herói, digladiando-se com o bolsonarismo. Segundo o especialista, a guerra ideológica pode cansar o eleitorado.

"O que marca o governo Lula 3 é uma guerra ideológica permanente. No lugar de se preocupar em criar marcas, ele se preocupa com a construção do arquétipo do herói", afirma Pimenta. "Nos primeiros mandatos, ele dialogava com o Congresso, que agora é visto como inimigo do povo pela esquerda".

Leonardo Belinelli, professor de ciência política da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), pondera que, se Lula está na vida pública há quatro décadas e tem a imagem desgastada, isso indica o sucesso de suas políticas de inclusão do subproletariado. Ele diz, porém, que a repetição de um mesmo discurso vira uma armadilha com o tempo.

"O mundo do trabalho mudou muito, hoje tem influenciador, home office e padrões de consumo que não existiam antes. O jovem não quer só picanha e cervejinha, ele quer um videogame que custa R$ 5.000. E não basta somente fazer universidade, a concorrência é alta para conseguir um bom emprego".

O cientista político analisa a fadiga de material do petista a partir da alternância de poder, fundamento da democracia. Na visão dele, o cansaço é uma tônica em toda a América Latina, com políticos que não conseguem se reeleger ou emplacar um sucessor.

"Isso tem a ver com um certo esgotamento de um ciclo com políticos genericamente chamados de populistas à esquerda", diz, acrescentando que alternância de poder não afere a qualidade da democracia. Uma sequência de impeachments, como aconteceu no Peru, provaria o contrário.

Para Belinelli, a longevidade política de Lula se aproxima e se distancia daquela de Vargas. Para ficar 18 anos no poder, Vargas instituiu uma ditadura no país, o Estado Novo, de 1937 a 1945. O petista sempre foi eleito democraticamente. Ao mesmo tempo, as duas figuras políticas são longevas, diz o professor, porque ampliaram a cidadania para as classes baixas sem confrontar a burguesia.

Em outubro, Lula enfrentará nas urnas um candidato que tem quase metade da sua idade. De acordo com o cientista político, não seria sagaz o senador atacar a idade do presidente. "Flávio não é exatamente jovem, ele não é Renan Santos, e está associado à imagem do pai. Pelo que estamos vendo, será uma eleição de lulistas contra não lulistas", afirma.
Por Gustavo Zeitel/Folhapress

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