Corpo é encontrado próximo ao local onde carro de mecânico desaparecido foi localizado na BR-330

Um corpo foi encontrado na tarde deste sábado, 04 de julho, às margens da BR-330, nas proximidades do trevo que dá acesso à BA-120. O local fica a poucos metros de onde foi encontrado o veículo do mecânico ubatense Alexssandro Oliveira Santos, de 44 anos, mais conhecido como Gazinho, desaparecido desde o último dia 27 de junho.
Segundo familiares, no local foram encontrados um par de sandálias e um relógio no braço do corpo, objetos que teriam sido reconhecidos como pertencentes ao mecânico. Apesar disso, a confirmação oficial da identidade dependerá de perícia. Ainda conforme relato de familiares, Gazinho, que atualmente residia e trabalhava numa oficina em Ipiaú, estaria na companhia de uma mulher no momento do desaparecimento. Ela teria informado que o mecânico apresentou um surto, parou o carro e saiu correndo. Desde então, ele vinha sendo procurado por parentes e também pelo Corpo de Bombeiros, que realizou buscas na região.
A Polícia Militar de Ubatã esteve no local e acionou o Departamento de Polícia Técnica, responsável pela remoção do corpo. Um laudo deverá confirmar oficialmente a identidade da vítima e apontar a causa da morte. *Com informações do Ubatã Notícias

De Cachorro Crente a sex shop gospel, marcas evangélicas disputam mercado bilionário

Impulsionado pela Geração Z, comércio cristão deixa a informalidade dos fundos dos templos

Loja Cachorro Crente, na zona norte do Rio, funde fé e negócios
Leandro Lima trabalhava com produção de shows, gente como Jorge Vercillo e Péricles, mas confessa que "já estava desanimado com o ego e a vaidade desse mercado". Foi aí que ele se voltou à sua fé. "Pedi a Deus que me desse um projeto fora da área".

Em 2019, saía de um culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, na zona norte do Rio, quando viu uma barraca de cachorro-quente do outro lado da rua. "Na hora pensei: cachorro crente." O trocadilho lhe pareceu inevitável: "A palavra ‘crente’ é muito falada na igreja, acaba sendo algo marcante".

Começou a Cachorro Crente com carrocinhas na rua. Em abril deste ano, inaugurou a 50 metros da igreja a primeira loja do que chama de "fast food cristão". Sob o lema "gostoso e abençoado", vende pão com salsicha e variações como cupim e costela, com preços a partir de R$ 17.

A receita em si não é diferente daquela de um cachorro-quente qualquer. O que muda é a atmosfera, como uma fachada que faz referência ao versículo 1 Coríntios 10:31: "Assim, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus".

A marca faz parte de uma onda de empreendimentos que incorporam referências do universo evangélico para disputar um mercado em expansão. Nos últimos anos, proliferaram negócios como a hamburgueria Gospel Burger, a marca de roupas Senhorita Moda Modesta e o transporte por aplicativo Com Deus (o bordão é "vá Com Deus").

A aposta é na identificação imediata com um público que cresce em número e relevância econômica: os evangélicos representavam, no Censo 2022, 26,9% dos brasileiros de dez anos ou mais e, segundo estimativas do setor, movimentam mais de R$ 20 bilhões anuais.

O que antes se concentrava em livrarias, gravadoras e editoras gospel passou a incluir todo tipo de investimento. Em comum, a promessa de um ambiente familiar para consumidores cristãos.

São frentes que filtram interesses seculares para o paladar evangélico. Caso da brasiliense Gospel Drinks, que se diz "o primeiro open bar gospel do Brasil", uma "diversão zero álcool" com releituras de drinques clássicos —sai a cachaça, por exemplo, e entra refrigerante de limão.

Vale até sex shop. A Bem Amada, de São Paulo, se propõe a ser um "lugar seguro onde ajudamos a acender o fogo no parquinho sem apagar os valores". Adriana Araujo abriu a partir das dúvidas que surgiram após se converter.

"Eu queria viver minha fé de forma íntegra, mas também entender como Deus enxergava a intimidade no casamento", afirma. "Estudei bastante e percebi que muitas mulheres cristãs tinham exatamente as mesmas inseguranças que eu havia vivido".

Ela diz que primeiro só aconselhava as fiéis. Depois, decidiu empreender. O propósito, segundo Adriana, é o mesmo: "Fortalecer casamentos e ajudar mulheres a viver sua sexualidade sem culpa, mas com responsabilidade, amor e respeito aos seus valores, sem vulgaridade e também sem vergonha".

Lubrificante e gel excitante, os itens mais populares, saem sobretudo nos sabores morango e menta.

Só não pode, diz a dona da Bem Amada, comercializar produtos "que entendemos não estarem alinhados com os princípios que defendemos para o casamento". Ficam de fora aqueles "voltados ao prazer individual ou que substituam o cônjuge na relação".

Presidente do Instituto Locomotiva, que pesquisa tendências de mercado e consumo, Renato Meirelles afirma que a multiplicação de grifes evangélicas traduz para a linguagem do varejo contemporâneo um fluxo econômico que já existia informalmente dentro das igrejas.

"Estão dando rótulo de marca a uma coisa que sempre rolou nos fundos do templo: o irmão que vendia churrasco depois do culto, a irmã que fazia bolo para a quermesse, o casal que tinha pizzaria e contratava só gente da congregação. Isso é antigo. O que mudou foi a escala, o canal e a geração que opera".

A transformação maior, para Meirelles, é estética e geracional. A geração Z crente não tem vergonha de sua identidade, ao contrário dos seus pais, que muitas vezes "escondiam o crachá evangélico no ambiente de trabalho para não sofrer estigma".

Hoje tem bem menos disso. "O jovem cristão posta o look pro culto, e o pai dele, 20 anos atrás, escondia a bíblia na mochila para não virar piada no escritório. É essa virada de pertencimento sem constrangimento que abre espaço comercial para a marca explícita."

Levantamento feito pelo instituto em março revela que 47% dos evangélicos transformam afinidade religiosa em consumo, isto é, compram mais de fornecedores que compartilham a mesma crença, enquanto 38% dos católicos fazem o mesmo.

Embute-se aí, também, a ideia de que empresários evangélicos não querem apenas lucrar, mas usar seu negócio como instrumento de evangelização.

Tom Dias encara seu Coletivo de Emaús como uma "ferramenta missionária". Na Bíblia, Emaús é um povoado próximo a Jerusalém, conhecido por ser o cenário de uma das aparições mais importantes de Jesus após sua ressurreição. No Brasil, dá o nome de uma marca de camisetas com estética moderna.

Um dos modelos, batizado Vila Nazaré Futebol Clube, custa R$ 188 e emula a seleção brasileira, mas é "um time com gente comum, gente simples, gente que talvez ninguém escolheria primeiro, mas que Ele chamaria pelo nome". O time "que Jesus montaria".

A antropóloga Livia Reis, do Iser (Instituto de Estudos da Religião), destaca que a segmentação religiosa do mercado não é um fenômeno isolado. Ela compara o movimento a outros direcionados a grupos sociais específicos, como o "black money" (voltado à comunidade negra) e o "pink money" (LGBTQIA+).

Daí a importância de não analisar essa circulação de bens e serviços apenas do ponto de vista moral. "A gente não pode esquecer que, no neoliberalismo, tudo vira produto, e o mercado gospel é muito bem estabelecido".

Esse nicho hoje abrange do turismo religioso ao condomínio temático —caso do Residencial Clube Manancial da Fé, previsto para Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Meirelles, do Locomotiva, traça o perfil médio desse consumidor: tem carteira assinada na maior parte do tempo da vida adulta, ensino médio completo, às vezes técnico, raramente superior, mas o filho está fazendo faculdade. Renda entre dois e cinco salários mínimos. Casa própria comprada com Minha Casa, Minha Vida ou financiada pelo banco. Moto na garagem, carro às vezes.

O consumo é regrado. "Aqui está um ponto que a Faria Lima e a esquerda acadêmica não enxergam: ele é regrado porque a igreja regulou. Não gasta com cerveja, cigarro, balada, jogo, prostituta, festa de empresa. Esse dinheiro que em outras casas evapora em consumo de impulso, na casa dele fica".

Sobra renda, portanto, e esse, segundo Meirelles, é "o segredo da força do consumo evangélico".
Por Anna Virginia Balloussier/Folhapress

Cidade de Caracas vive dividida entre normalidade e vidas arruinadas por terremotos

Vários setores da capital operam com regularidade; exceto pelos milhares de desalojados vivendo em parques

Hotel destruído por terremoto na Venezuela

À primeira vista, Caracas, a capital da Venezuela localizada entre as montanhas e transformada nos anos 1950 em uma metrópole, opera em normalidade. Não há desabastecimento. Transporte e comércios funcionam como antes. O sinal de internet foi restabelecido.

Mas há pontos onde o impacto brutal dos terremotos que atingiram o país no último dia 24 ficam visíveis, e as vidas impactadas pela tragédia ocupam a capital. Há milhares de pessoas desalojadas pelos tremores morando em parques e nas ruas.

A placa diz: camping. Mas o acampamento no extenso Parque del Este, com 82 hectares e projetado pelo artista e paisagista brasileiro Roberto Burle Marx, virou abrigo para os que perderam suas casas ou parte delas em Caracas.

Ainda na sexta (3), ao redor de 2.000 pessoas, entre elas 300 crianças e adolescentes, ainda moravam ali. Recebiam comida, roupas e atendimento de saúde. Há uma clínica móvel prestando atendimento e exames variados —entre eles, o oftalmológico, para os que perderam seus óculos nos terremotos.

O que não há é uma data para voltar à normalidade. "O que precisamos agora é uma casa", diz Kimberlly Paola Torres López, 19, da região caraquenha de El Junquito, enquanto nina a bebê Valentina, filha de uma mulher que está vivendo na barraca ao lado.

As paredes da casa de Kimberlly caíram. Ela, seu bebê de 8 meses e sua mãe conseguiram sair a tempo. "Já recolheram todos os nossos dados, mas ainda não sabemos de nada".

As famílias foram desalojadas pelo impacto dos terremotos em Caracas e correram para o parque, onde receberam barracas para morar. Muitas estão ali há nove dias. Outras demoraram a chegar e foram para o Parque del Este depois de ouvir no boca a boca que havia famílias morando ali.

A zona mais afetada da capital venezuelana foi a região de Chacao, especialmente os bairros de classe média alta de Los Palos Grandes e Altamira, zonas de maior atividade sísmica. Três edifícios colapsaram. Ao menos 62 pessoas morreram na região, e 28 foram resgatadas vivas, segundo as autoridades locais.

As brigadas de ajuda internacional enviadas ao país com socorristas (como as de Brasil, Chile, El Salvador, Costa Rica e de mais dezenas de países) não atuam na capital, onde os trabalhos são feitos por equipes locais, dado o menor volume de destruição. Essas equipes estão concentradas em La Guaira.

É um cenário de impacto, claro, mas muito distante do encontrado em La Guaira, a "praia dos caraquenhos", a região mais afetada pelos terremotos. Ali, a cifra de mortos é de milhares; a de desaparecidos, de dezenas de milhares. Os dados mais atualizados a nível nacional contabilizam 2.645 mortos.

Cartazes de desaparecidos, mesmo os de La Guaira, estampam algumas das paredes de Caracas. Familiares colam fotos com seus números de contato ou mesmo as cédulas de identidade dos desaparecidos, para o caso de eles serem identificados vivos em algum dos parques de Caracas.

As pessoas não param de chegar para fixar mais cartazes de busca no chamado "Muro da Esperança". Desde o dia após o terremoto, no entanto, nenhuma das pessoas buscadas naquele mural foi encontrada, diz a responsável por atender à imprensa no local.

Muitos ali no parque são crianças. E o tema da infância tem despertado preocupação. O regime liderado por Delcy Rodríguez não diz quantos dos desaparecidos são crianças, e tampouco diz à reportagem quantos menores de idade estão órfãos após os terremotos, ainda que diga que este é um número baixo.

A reportagem foi informada que, somente em Caracas, quatro menores de idade estariam sob custódia do Estado após terem perdido seus responsáveis diretos nos terremotos e ainda não terem sido reunidos com nenhum outro familiar. Esse número, porém, tende a ser muito superior em La Guaira, onde milhares ainda são buscados sob os escombros. Mas a cifra é desconhecida.

Na capital, orfanatos se organizam para acolher essas crianças, mesmo que ainda não tenham sido informados de quantas elas são e de onde estão.

Alguns foram reprimidos pela ditadura por estarem fazendo campanhas online para pedir doações que lhes permitissem comprar mais colchões e outros itens de necessidade dos órfãos. Outros foram reprimidos por terem feito campanhas para encontrar crianças que supostamente teriam sido resgatadas dos escombros, mas que nunca foram entregues a seus pais.

As estatísticas oficiais dizem que há 15 mil pessoas sem moradia no país; a ONU estimou que são mais de 50 mil. Além das que de fato viram suas casas ruirem, porém, há aquelas que tiveram a estrutura de seus lares comprometida, como com profundas rachaduras, e temem voltar aos imóveis.

Até aqui houve mais de 800 réplicas dos terremotos gêmeos do último dia 24, nenhuma delas com intensidade semelhante à daqueles tremores. Mas os tremores secundários assustam às pessoas. O impacto não somente físico e financeiro, mas também psicológico, ainda não tem prazo para acabar.

Por Mayara Paixão/Folhapress

Mais brasileiros preferem pagar menos impostos do que receber serviços públicos gratuitos

50% preferem pagar menos impostos e contratar serviços particulares de educação e saúde; 44% defendem pagar mais e receber serviços gratuitos

A preferência por pagar menos impostos e contratar serviços particulares de educação e saúde supera a opção por pagar mais impostos para receber serviços gratuitos, segundo a nova rodada da matriz ideológica do Datafolha.

A primeira alternativa foi escolhida por 50% dos entrevistados, ante 44% que optaram pela segunda. Outros 6% não souberam responder.

Em 2022, as duas posições estavam em empate técnico: 46% preferiam pagar menos impostos e contratar serviços particulares, enquanto 48% defendiam pagar mais impostos e receber serviços gratuitos de educação e saúde.

O recorte por gênero mostra diferença entre homens e mulheres. Entre homens, 56% preferem pagar menos impostos, ante 39% que defendem pagar mais. Entre mulheres, 44% optam por pagar menos impostos, e 50%, por pagar mais.

A divisão também aparece por religião. Entre evangélicos, 56% preferem pagar menos impostos, e 37%, pagar mais. Entre católicos, as duas alternativas aparecem empatadas, com 47% cada uma.

No recorte por intenção de voto presidencial no primeiro turno estimulado, a opção por pagar menos impostos é escolhida por 35% dos eleitores de Lula (PT) e por 65% dos eleitores de Flávio Bolsonaro (PL). A alternativa de pagar mais impostos e receber serviços gratuitos tem 59% entre os eleitores do petista e 29% entre os de Flávio.

A pergunta integra o eixo econômico da matriz ideológica do Datafolha. A escala inclui ainda questões sobre atuação do governo na economia, dependência de benefícios públicos, ajuda estatal a grandes empresas, leis trabalhistas e responsabilidade por investir no país.

O Datafolha ouviu presencialmente 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios, nos dias 17 e 18 de junho de 2026. A margem de erro máxima para o total da amostra é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. Nos estratos, a margem varia conforme a base. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-09956/2026.

Por Laura Intrieri/Folhapress
Vagas de empregos

Parcela de brasileiros que associa pobreza a preguiça quase dobra em quatro anos, diz Datafolha

                                   Prevalência da percepção entre empresários chega a 56%

Ao todo, 40% da população diz acreditar que pobreza ocorre porque 'as pessoas não querem trabalhar'


A parcela de brasileiros que associam a pobreza à "preguiça de pessoas que não querem trabalhar" foi de 22% em 2022 para 40% em 2026, segundo a matriz ideológica do Datafolha.

A alternativa de que a pobreza está ligada à falta de oportunidades iguais para que todos possam subir na vida ainda é majoritária, mas foi de 76% para 58%. Outros 3% não souberam responder.

O percentual dos que ligam pobreza à preguiça é o maior da série histórica da pergunta. Em 2013, eram 32%; em 2014, 37%; em 2017, 21%; e, em 2022, 22%.

A mudança é uma das mais expressivas entre as perguntas de comportamento que compõem a matriz ideológica.

O recorte de pessoas com renda familiar mensal de até dois salários mínimos espelha as mesmas porcentagens que o total da amostra. Para os que têm de dois a cinco salários mínimos, são 43% os que ligam a pobreza à preguiça, e 55% que acreditam no contrário. A maior parcela dos que acreditam que a pobreza está ligada à falta de oportunidades é a de pessoas com renda familiar superior a dez salários mínimos: 63%.

O Datafolha também coleta e classifica a ocupação econômica de seus entrevistados. Entre empresários, 56% acreditam que boa parte da pobreza está ligada à preguiça de pessoas que não querem trabalhar. O valor é o maior entre todas as ocupações. A menor fatia que acredita na mesma suposição é a de funcionários públicos, com 28%.

O recorte por eleitorado presidencial também mostra diferenças. Entre eleitores de Lula (PT) no primeiro turno estimulado, 28% ligam pobreza à preguiça, e 70%, à falta de oportunidades. Entre eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), os percentuais são 52% e 44%, respectivamente.

Há diferença também por idade. Entre os eleitores de 16 a 24 anos, 22% associam pobreza à preguiça, enquanto 74% citam falta de oportunidades. Entre os de 60 anos ou mais, os percentuais são de 49% e 48%, em empate técnico.

A pergunta faz parte do eixo de comportamento da matriz ideológica. Esse bloco reúne dez temas, entre eles armas, pobreza, migração de pessoas pobres, criminalidade, pena de morte, drogas, homossexualidade, crença em Deus, sindicatos e punição de adolescentes que cometem crimes.

O Datafolha ouviu presencialmente 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios, nos dias 17 e 18 de junho de 2026. A margem de erro máxima para o total da amostra é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. Nos estratos, a margem varia conforme a base. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-09956/2026.
Por Laura Intrieri/Folhapress
Vagas de empregos:

Trump e Lula levaram atual relação entre Brasil e EUA ao pior momento em 200 anos, dizem diplomatas

Depoimentos ao Museu da Pessoa mostram a perplexidade de embaixadores com o estado atual das relações do Planalto com a Casa Branca

Esse é o momento mais grave das relações entre o Brasil e os Estados Unidos em mais de 200 anos. O assombro e a perplexidade com a aparente falta de diálogo, a aposta no unilateralismo e as mudanças provocadas pela presidência de Donald Trump, além do comportamento do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, estão entre os ingredientes dessa situação e são descritos por diplomatas entrevistados para o projeto Memórias da Diplomacia da Brasileira, uma parceira do Museu da Pessoa e da Associação dos Diplomatas Brasileiros (ADB).

O jornal O Estado de São Paulo consultou uma dezena dessas entrevistas, feitas sob a curadoria do jornalista e historiador Mauro Malin. Os entrevistados, como o embaixador Rubens Ricupero, serviram nos EUA e contaram a sua experiência, bem como avaliaram a atual situação da relação entre os dois países após o tarifaço de Trump. “Em Washington, o êxito ou não do teu trabalho depende das condições do país que você representa e eu, quando era embaixador lá, já tinha começado no Brasil a investigação do impeachment do (presidente Fernando) Collor. E depois houve o agravamento da inflação; o Brasil estava muito mal”, disse Ricupero


Na época, segundo o diplomata, o país latino-americano mais festejado nos EUA era o México, em razão do acordo de livre comércio. “Depois, admiravam muito o Chile. A própria Argentina de (Carlos) Menem. O Brasil era visto como um país muito complicado”, contou. A solução para lidar com essa imagem foi procurar think tanks e organizar seminários na embaixada brasileira, em Washington.

“E foi uma experiência boa. Agora, eu acho que não, com esse presidente que eles têm hoje, o Trump, é o momento mais grave do relacionamento com o Brasil. Nunca vi nada parecido em 200 anos de relação”, afirmou. Para ele, não há nada que se assemelhe ao momento atual. “Porque mesmo no golpe de 1964, que eles participaram da conspiração, mas não eram ostensivos, eles faziam isso clandestinamente. Dessa vez, é público, notório, ostensivo, com declarações de apoio a (Jair) Bolsonaro. Se isso continuar, é muito grave, porque nós vamos chegar às eleições e eles vão querer influir sobre as eleições”, disse Ricupero.

Para ele, no entanto, o tiro vai sair pela culatra. “Porque vai ajudar mais o presidente Lula do que o Bolsonaro, mas é uma tensão muito grande na relação com o Brasil.” O embaixador lembrou outro momento grave das relações entre os dois países: os meses que antecederam o golpe de estado de 1964. Em dezembro de 1962, ele testemunhou a visita inesperada ao Brasil de Robert Kennedy. Irmão do presidente americano John Kennedy, Robert era o chefe do Departamento de Justiça.

“Ele veio para dar um aperto no (presidente João) Goulart, porque os americanos já estavam conspirando no Brasil contra o governo Goulart, que era um governo de esquerda.” Ricupero contou que já estava deitado, quando o ministrondas Relações Exteriores, Hermes Lima, que estava no Rio, telefonou e disse: “Olha, vai chegar o Robert Kennedy, você convoca aí os automóveis da garagem e vai recebê-lo na base militar (de Brasília)".

Ricupero disse: “Mas, ministro, como é que eu vou? Eu sou terceiro-secretário, é a função mais modesta da carreira”. Lima respondeu: “Não, você diz que é o representante do governo brasileiro. Porque eu não posso, estou no Rio de Janeiro e não vou chegar a tempo”. Ricupero foi lá. Robert Kennedy chegou às 2 horas. O embaixador americano em Brasília, Lincoln Gordon, estava ali. De manhã, às 11 horas, Robert foi recebido por Goulart no Palácio da Alvorada.

“Eu nunca soube, aliás nunca ninguém soube o que aconteceu. Apenas agora, 50 anos depois, os americanos publicaram um memorando de 11 páginas em que o Lincoln Gordon conta a conversa, porque na conversa só estava o João Goulart, do nosso lado não tinha ninguém, nem intérprete. E do lado americano tinha o Robert Kennedy, o Lincoln Gordon e o intérprete americano (José de Seabra), que eu conheci até por acaso. Então ele conta, é um aperto enorme, que ele vem dizer: ‘Olha, se isso continuar, você não conta com a nossa ajuda’. Ele diz claramente, ele só não diz que iam dar o golpe, mas é bem próximo disso. É uma entrevista dramática. Eu estava do lado de fora, eu não assisti”.

A dramaticidade dos eventos lembrados por Ricupero foi traduzida para o presente pelo também embaixador Paulo Sérgio Traballi Bozzi. “Estamos enfrentando o leão da montanha. O cara (Trump) é muito poderoso, um homem que tem um porta-aviões que leva 6 mil sujeitos embarcados, e tem 160 aviões de todo tipo e tamanho e sai de casa com uma força-tarefa, um submarino nuclear. Não se pode brincar com esse cara, não dá para brincar com esse cara. Não estou dizendo que temos que nos submeter à vontade dele. Não é isso”.

O papel de Lula e as Malvinas

Além do período que antecedeu a derrubada de Goulart, os diplomatas entrevistados para o registro da memória do Itamaraty lembraram outros momentos das relações entre o Brasil e os Estados Unidos e apontaram também o papel do Brasil nesses episódios. A embaixadora Débora Vainer Barenboim-Salej trabalhou em Washington no tempo em que a embaixador do Brasil na capital americana era Marcílio Marques Moreira. “A simpatia pelo Brasil era tanta que o diplomata do Departamento de Estado coava cafezinho, na mesa dele, para me servir um café quando eu chegava. Não é porque eu sou bonitinha, é porque o Brasil tinha um peso, que em algum momento deixou de ter nos EUA”.

Baremboim-Salej atribuiu essa situação ao que chamou de a “politização, a ‘petização’ da diplomacia, em particular da embaixada em Washington”. Para ela, houve muita “pisada de bola” do governo Lula, como o apoio à candidata democrata Kamala Harris nas eleições presidenciais de 2024, quando ela foi derrotada por Trump. Para ela, “não tinha nada que dizer que queria que a Kamala ganhasse as eleições". “Isso é um tipo de ingerência em outros países, que não faz parte da diplomacia brasileira, não podia ter falado e pesou; é um dos fatores que criou o começo do mal-estar com o atual governo Trump”.

O embaixador Sérgio Eduardo Moreira Lima trabalhava em Washington em outro momento importante da história do hemisfério: quando a Argentina decidiu invadir as Ilhas Malvinas, em 1982. “Essa questão do conflito das Malvinas foi muito importante, porque o Brasil tinha um acordo, que se chamava Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR). Isso significava que se você tivesse uma potência de fora do hemisfério, de fora das Américas, atacando algum país (das Américas), como aconteceu, todos os países das Américas deveriam se apoiar por esse tratado”, contou.

Mas os americanos não fizeram isso. Os EUA decidiram apoiar o Reino Unido e cederam a base da Ilha de Ascensão, no Atlântico Sul, para os britânicos. O Brasil não apoiou os argentinos, mas, de acordo com o diplomata, a decisão de Washington “abalou a confiança na própria liderança americana”. “E mostrou que nós teríamos que buscar um entendimento a respeito da segurança hemisférica”.

Moreira Lima conta que o episódio ajuda a “entender o funcionamento dos poderes, entender o jogo”. “Perceber que, de repente, existe um tratado, acredita-se naquilo e que os americanos iriam apoiar os países da região, mas eles concedem todo o apoio à Inglaterra. Foi interessante. Para o Brasil foi um enorme desafio”, concluiu.

Na época, o Itamaraty adotou uma postura equidistante e conseguiu se credenciar para cuidar dos interesses dos dois beligerantes. Quatro décadas depois, o diplomata se espanta com a situação atual da diplomacia. “Nunca imaginei que fosse viver esse momento, um momento em que estamos nos afastando de uma ordem que tinha seu fundamento no direito.” Segundo ele, de repente, o mundo entrou em um terreno do unilateralismo, que significa uma desconstrução de séculos de tudo que o Brasil contribuiu – até com ajuda dos americanos – para construir.

O real e o acordo nuclear

Mário Vilalva, que foi cônsul-geral em Boston (EUA) entre 1996 e 1999, realçou a importância da “facilidade de acesso” para o trabalho dos diplomatas. “Se você não tiver essa facilidade, não consegue nada. Veja hoje o que está se passando aí, que ninguém consegue conversar com o governo norte-americano no momento, não tem facilidade de acesso neste momento”, disse.

O embaixador comparou a crise a partir da chegada ao poder de Trump ao momento em que viveu nos Estados Unidos. Também, naquela época, era preciso levar aos atores políticos e econômicos dos EUA “o conhecimento sobre o que era o Brasil” com o objetivo de evitar que legislações americanas comprometessem as exportações brasileiras. “Hoje, passamos por uma situação muito parecida, em que há um presidente nos Estados Unidos (Trump) que conhece pouco o Brasil e, quando você conhece pouco, você se arrisca a tomar medidas que não são justas”.

O diálogo e a estratégia de levar conhecimento do Brasil aos EUA foi o que fez o embaixador Carlos Alberto Lazary Teixeira. “Fui diretor da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos da Flórida. Ali desenvolvemos um trabalho importante de projeção do Brasil, de participação em feiras, toda a área comercial”. Esse interesse depende não apenas da diplomacia, mas do momento do País.

Teixeira conta que, após o Plano Real (1994), o interesse dos americanos pelo Brasil cresceu. “Eu fazia oito palestras por ano. No momento em que houve o lançamento do Plano Real, eu fui convidado, no ano seguinte, a fazer mais de 50 palestras. O Brasil entrou no radar com o Plano Real.”

Além da economia, temas como a proliferação de armas atômicas no hemisfério também despertavam a atenção dos americanos. E foram motivo de atritos entre os países. O embaixador Paulo Roberto Almeida, que trabalhou entre 1999 e 2003 nos EUA, contou que, naquela época, o “grande inimigo do Brasil era John Bolton”, descrito por ele como o homem forte do Departamento de Estado. Era Bolton, segundo Almeida, quem proibia a exportação de qualquer material sensível ao Brasil.

“Não estou falando de materiais militares, mas sim de supercomputadores, por exemplo, que você usa para definir clima, ambiente. Você precisa de supercomputadores para fazer a previsão de chuvas. E o John Bolton achava que os supercomputadores seriam usados para simulações de explosões nucleares clandestinas. Então, vetava tudo.” Isso ocorrido, de acordo com Almeida, porque o Brasil não havia assinado o Tratado de Não Proliferação de armas nucleares.

A reação americana aos programas nuclear e aeroespacial brasileiros começou ainda nos anos 1970, quando, durante o regime militar, o País assinou um acordo de cooperação espacial com a França para o lançamento de foguetes, mas que, para os americanos, podia significar mísseis. A mesma oposição ocorreu quando o Brasil firmou o acordo nuclear com a Alemanha Federal, em 1975, para a construção de reatores nucleares, além das pesquisas sobre a tecnologia de enriquecimento de urânio.

“Os americanos fizeram enormes pressões sobre o Brasil em 1975, 1976 e 1977, sendo contrários a esse acordo Brasil e República Federal Alemã”, disse o diplomata. Essa foi uma das causas que levou o presidente Ernesto Geisel cancelar o acordo de cooperação militar que o Brasil mantinha com os Estados Unidos. “Era uma cooperação antiga, vinha da Segunda Guerra Mundial”, lembrou.

Para ele, é preciso que o Brasil se lembre que é uma potência média, que deveria manter uma posição “imparcial, neutra, autônoma, em relação aos conflitos entre grandes potências”. Mas, segundo ele, não é o que Lula fez. Primeiro com os Brics, quando se uniu à China e à Rússia. Depois, ao apoiar “todas as eleições dos seus colegas esquerdistas na América Latina, desde 2003″. “Ou seja, interferiu nos assuntos internos de outros Estados.”

Ele citou ainda a declaração de Lula de apoio à candidata democrata Kamala Harris. Tudo isso aumentaria os desafios da atual situação. “E o Brasil, como potência média, devia estar unido a outras potências médias contra as violações do direito internacional pelas grandes potências. Infelizmente, não é o que está acontecendo hoje”, afirmou.

Seu colega, Tadeu Nascimento Valadares, afirmou que os desafios estão além dos desencontros entre a gestão de Trump e a de Lula. “Os desafios são muito claros: o que nós estamos vivendo não é só um momento; estamos vivendo uma época de grandes riscos. E por quê? Simplificando a mais não poder, vivemos uma época que os historiadores da longa duração chamam de um momento de mudança de paradigmas ou de mudança de transição de hegemonias.”

E como esse processo atinge a América Latina? Para ele, a região continua sendo dominada pelos EUA na área militar, por meio da projeção de sua força, como ocorreu na Venezuela, mas, ao mesmo tempo a “hegemonia comercial de cooperação hoje, apesar das diferenças de regime, já é chinesa”. O diplomata lembrou que “transições de hegemonia foram sempre resultantes de enormes conflitos bélicos”. “Esse é o quadro geral dos grandes desafios da diplomacia brasileira”, concluiu.
Por Felipe Frazão/Marcelo Godoy/Estadão

Pacote de bondades do governo Lula em ano eleitoral mobiliza mais de R$ 180 bilhões

Governo fica vedado de fazer eventos para anunciar programas a partir deste sábado, devido à lei eleitoral

O pacote de bondades anunciado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste ano já supera R$ 180 bilhões e deverá produzir efeitos sobre a economia e as contas públicas que se estendem para o próximo mandato presidencial, a partir de 2027, segundo levantamento do jornal Folha de São Paulo.

Lula, que busca a reeleição este ano, acelerou os anúncios e as inaugurações nas últimas semanas. A partir deste sábado (4) tem início o chamado "defeso eleitoral", período de três meses antes das eleições em que o governo não pode fazer eventos, inaugurações ou campanhas de divulgação.

As medidas anunciadas têm como alvo principal os brasileiros de faixas intermediárias de renda, estratos sociais que representam cerca de um terço do eleitorado e nos quais Lula enfrenta resistência, segundo números do Datafolha.

O presidente está à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no cômputo geral, mas o congressista ganha fôlego entre os com renda familiar de 2 a 5 salários mínimos (entre R$ 3,2 mil e R$ 8,1 mil mensais).

O levantamento reúne 16 medidas anunciadas pelo governo e foi feito a partir da avaliação de economistas e especialistas em contas públicas. No começo de maio, elas somavam R$ 144 bilhões em recursos envolvidos. O aumento significativo em junho demonstra a corrida do governo Lula para colocar de pé todo o pacote de bondades antes do início do calendário eleitoral.

Das 16 medidas, seis podem ter impactos primários, seja por renúncia de receitas ou por despesas diretas da União — neste caso, o governo tentou buscar fontes de compensação, com aumento de tributos ou remanejamentos orçamentários. As outras dez se referem majoritariamente a linhas de crédito com juros mais baixos do que os de mercado, usando como instrumento fundos estatais de garantia ao sistema bancário.

Uma das primeiras medidas do ano foi o aporte de até R$ 15 bilhões no FGO (Fundo de Garantia de Operações), operado pelo Banco do Brasil, para o programa Desenrola 2.0. O FGO é administrado pelo Banco do Brasil que garante o pagamento das dívidas renegociadas pelos bancos em caso de calote.

Depois, em abril, o governo anunciou uma linha de crédito de R$ 21,2 bilhões para o financiamento da compra de caminhões e ônibus, como também uma linha de R$ 10 bilhões para compra de máquinas agrícolas aos produtores rurais.

A nova linha de crédito para aquisição de motos por entregadores de apps deve prever cerca de R$ 4 bilhões em novos empréstimos. Recentemente, o governo também anunciou uma linha de R$ 30 bilhões voltada à renovação de frota para taxistas e motoristas de apps.

Nesta semana, quando anunciou uma redução no subsídio para o diesel, o governo informou que desembolsou até R$ 16 bilhões nessa etapa para conter os impactos da guerra do Irã no preço dos combustíveis.

O governo também enviou ao Congresso Nacional o projeto de lei que amplia o teto de faturamento para quem é (MEI) Microempreendedor individual para até R$ 140 mil em 2028, de forma faseada. Caso a proposta seja aprovada nos moldes enviados, o Executivo estima uma renúncia de receita de R$ 4 bilhões — R$ 2 bilhões anuais entre 2027 e 2028. Ainda sobre os MEIs, o governo também prevê um programa de renegociação de dívidas para os microempreendedores, com descontos que chegam a até 70%.

Outras medidas também foram tomadas pelo governo este ano, mas não são listadas no levantamento por falta de estimativa de impacto fiscal. Um exemplo é a revogação da tributação sobre as compras de até US$ 50, a chamada "taxa das blusinhas", medida tomada no início de maio. Para todo o ano de 2026, a equipe econômica previa uma arrecadação de R$ 1,2 bilhão com a tributação.

Procurado, o Ministério da Fazenda enviou nota listando o número de projetos de perfil econômico aprovados desde o início do mandato de Lula, afirmou que "o governo trabalha e produz de forma consistente desde o primeiro dia" e disse que os projetos têm "impacto direto sobre o cotidiano de milhões de brasileiros".

A magnitude do pacote provoca comentários críticos de especialistas e do próprio Banco Central sobre os possíveis impactos inflacionários que elas podem gerar. Entre os desafios estão a dificuldade de reduzir a taxa básica de juros, alvo de reclamações do presidente Lula.

No mais recente Relatório de Política Monetária, divulgado na semana passada, o BC avaliou que o pacote de medidas do governo Lula representa um fator de risco para o cenário prospectivo e informou que seus efeitos serão monitorados ao longo dos próximos meses. A instituição ressaltou ainda que o comportamento da demanda doméstica continuará sendo um dos elementos considerados nas decisões sobre os juros.

À reportagem o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, negou que o pacote de bondades tenha potencial para pressionar a inflação ou dificultar a condução da política monetária. Segundo ele, a avaliação da equipe econômica é a de que as iniciativas terão efeito "neutro" ou "levemente positivo" sobre a atividade e não representam um estímulo suficiente para gerar pressões sobre os preços.

Para Jeferson Bittencourt, ex-secretário do Tesouro Nacional e head de macroeconomia do ASA Investments, o conjunto de medidas de estímulo ao crédito anunciado pelo governo tende a produzir efeitos tanto sobre a atividade econômica quanto sobre a percepção de risco fiscal.

Bittencourt afirma ainda que o BC já reconheceu esse risco, na última decisão do Copom. Este cenário, diz ele, deve levar a autoridade monetária a interromper em breve o ciclo de flexibilização da política monetária, reforçando a dinâmica de expansão da dívida pública.

Alexandre Andrade, economista da Instituição Fiscal Independente (IFI), compartilha desta visão e avalia que o principal efeito macroeconômico do pacote será exigir uma Selic mais alta do que seria necessário na ausência dessas medidas.

Na perspectiva dele, parte das medidas também compromete a eficiência da política monetária ao ampliar o peso do crédito direcionado, cujas taxas não seguem as condições de mercado.

Já para Felipe Salto, ex-diretor-executivo da IFI (Instituição Fiscal Independente) e sócio da corretora de investimentos Warren Rena, há exagero nas críticas ao pacote do governo. Segundo ele, embora o conjunto de medidas tenha uma motivação eleitoral e represente um impulso à demanda em um momento de juros elevados, isso não o torna comparável às iniciativas adotadas em governos anteriores.

O economista afirma que, no caso das medidas relacionadas aos combustíveis, "qualquer governo teria feito algo em resposta a uma guerra" e avalia que o fato de o governo ter apresentado compensações fiscais para esse pacote é um mérito da equipe econômica.

Salto pondera, porém, que o estímulo à demanda ocorre justamente quando o BC mantém a política monetária restritiva, o que contribui para pressionar os juros futuros e aumentar o custo da dívida pública. Ele lembra ainda que o governo não conseguiu cumprir o objetivo traçado com a aprovação do arcabouço fiscal de encerrar o mandato com superávit primário, mas ressalta que isso não configura uma crise das contas públicas. "Não acho que há descontrole nem crise fiscal", afirmou.
Por Guilherme Pimenta/Folhapress

Governo da Bahia entrega novas estruturas de segurança, proteção às mulheres e trânsito em municípios do interior

Equipamentos inaugurados em Licínio de Almeida, Banzaê e Bom Jesus da Lapa ampliam o acesso da população aos serviços públicos
O Governo do Estado realizou, nesta sexta-feira (3), mais uma rodada de entregas no interior da Bahia, com novas estruturas nas áreas de segurança pública, proteção às mulheres e trânsito. As ações contemplaram Licínio de Almeida, Banzaê e Bom Jesus da Lapa, ampliando a oferta de serviços estaduais nos municípios e em suas regiões.

Nas unidades de segurança e do Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA), os investimentos superam R$ 4,3 milhões. As entregas fortalecem a interiorização dos serviços públicos e melhoram as condições de atendimento à população.

Segurança reforçada em Licínio de Almeida
Em Licínio de Almeida, foram inaugurados uma Delegacia Territorial da Polícia Civil e um Pelotão da Polícia Militar. Localizadas na Rua Sebastião dos Santos Pereira, na região do Conjunto Habitacional, as unidades vão ampliar as ações ostensivas e investigativas na região.

Mais de R$ 2,8 milhões foram investidos na construção das estruturas, que contam com áreas administrativas e operacionais.

O secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner, explicou que os novos espaços vão garantir um serviço ainda melhor para a população da cidade, além de melhores condições para os policiais militares e civis.

Atendimento especializado às mulheres em Banzaê
Em Banzaê, foi inaugurada a Sala Elas à Frente, equipamento destinado ao acolhimento de mulheres em situação de violência. O espaço funciona na sede do Centro de Referência Especializado de Assistência
Social (Creas), na Avenida Abílio Bitencourt, nº 215, no Centro.

Implantada pela Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado (SPM), em parceria com a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades), a sala oferece escuta qualificada, acolhimento e encaminhamento à rede de proteção.

A estrutura também está preparada para atender mulheres indígenas, com atenção às especificidades socioculturais dos povos originários. A iniciativa amplia a rede de enfrentamento à violência e fortalece a interiorização das políticas públicas para as mulheres.

Nova sede do Detran em Bom Jesus da Lapa

Em Bom Jesus da Lapa, no território de identidade do Velho Chico, foi inaugurada a nova sede do Detran-BA. Localizada na Avenida Agenor Magalhães, no bairro Amaralina, a unidade recebeu investimento superior a R$ 1,5 milhão em mobiliário e informatização do atendimento.

O espaço atenderá moradores do município e de cidades vizinhas, com serviços de habilitação, como primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e adição e mudança de categoria. Na área de veículos, serão oferecidos procedimentos como emissão de documentos, transferência de propriedade e vistoria.
A nova sede integra o processo de descentralização dos serviços do Detran-BA, aproximando o atendimento da população.

Créditos das fotos nas imagens.

Secom - Secretaria de Comunicação Social - Governo da Bahia

Após recuo registrado em 2022, direita volta a superar a esquerda no Brasil, mostra Datafolha

Matriz ideológica classifica 44% dos entrevistados à direita e 39% à esquerda; em 2022, eram 34% e 49%

Foto: Agência Brasil/Arquivo

Bolsonaristas fazem manifestação em São Paulo

A identificação dos brasileiros com a direita voltou a ficar à frente da identificação com a esquerda na matriz ideológica calculada pelo Datafolha. Em nova rodada de pesquisa realizada pelo instituto, 44% dos brasileiros com 16 anos ou mais foram classificados à direita ou centro-direita, ante 39% à esquerda ou centro-esquerda. Outros 17% ficaram no centro.

A diferença de cinco pontos percentuais fica fora da margem de erro geral, de dois pontos para mais ou para menos. O resultado, apurado durante gestão do presidente Lula (PT), inverte o quadro de 2022, quando a esquerda somava 49%, e a direita, 34%, sob governo de Jair Bolsonaro (PL).

Esta é a primeira vez desde 2014 que a direita aparece à frente na série. Naquele ano, com Dilma Rousseff (PT) na Presidência, a direita reunia 45%, contra 35% da esquerda. Houve empate técnico nas edições de 2013, com 39% à direita e 41% à esquerda, e de 2017, com 40% e 41%, respectivamente.

Na divisão em cinco grupos, 15% estão à direita, 29% na centro-direita, 17% no centro, 26% na centro-esquerda e 13% à esquerda. Em 2022, os percentuais eram, na mesma ordem, 9%, 24%, 17%, 32% e 17%.

A classificação não resulta de uma pergunta direta sobre como o entrevistado se define. Para chegar ao resultado, o instituto consulta os entrevistados sobre uma série de questões envolvendo valores sociais, políticos, culturais e econômicos. A partir daí, posiciona-os em escalas de comportamento e pensamento econômico.

São dez questões de comportamento, sobre temas como armas, pobreza, criminalidade, homossexualidade e religião, e seis de economia, que tratam de impostos, leis trabalhistas e atuação do governo. Embora tenham quantidades diferentes de perguntas, os dois eixos recebem o mesmo peso na composição da matriz geral.

A mudança em relação a 2022 se concentra no comportamento. Nesse eixo, a direita soma agora 52%, ante 29% da esquerda e 20% do centro. Há quatro anos, direita e esquerda estavam em empate técnico, com 39% e 42%, respectivamente.

A maior alteração entre as perguntas comportamentais ocorreu na visão sobre a pobreza. A parcela que a associa à "preguiça de pessoas que não querem trabalhar" foi de 22% para 40%. Já os que atribuem a pobreza à falta de oportunidades iguais passaram de 76% para 58%, posição que ainda é majoritária.

Também houve deslocamentos em temas de segurança e costumes. O apoio ao direito de possuir uma arma legalizada foi de 35% para 41%, enquanto a defesa da proibição da posse passou de 63% para 55%.

A fatia que afirma que a homossexualidade deve ser aceita pela sociedade foi de 79% para 72%. Já 70% defendem que adolescentes que cometem crimes sejam punidos como adultos, ante 65% em 2022.

Na economia, a concordância com bandeiras da esquerda continua à frente. Ela reúne 46%, contra 28% da direita e 26% do centro. Em 2022, os percentuais eram de 50%, 25% e 25%, respectivamente.

As respostas na área econômica, porém, não seguem direção única. A parcela que diz que depender menos do governo melhora a vida chegou a 65%, maior valor da série, e 50% preferem pagar menos impostos e contratar serviços particulares de saúde e educação. A alternativa de pagar mais impostos para receber serviços públicos gratuitos tem 44%.

Ao mesmo tempo, 71% afirmam que o governo deve ser o maior responsável por investir no país e fazer a economia crescer. Outros 56% dizem que as leis trabalhistas protegem mais os trabalhadores do que atrapalham as empresas e que parte de seus benefícios deveria ser ampliada.

O perfil também varia entre grupos da população. Entre homens, 50% são classificados à direita, e 33%, à esquerda. Entre mulheres, a esquerda fica à frente, com 44%, ante 37% da direita.

A diferença é mais acentuada entre evangélicos —52% ficam à direita, 30% à esquerda e 18% no centro— do que entre católicos. Neste último segmento, direita e esquerda estão em empate técnico, com 43% e 39%, respectivamente, dada a margem de erro de três pontos para o segmento, e 18% aparecem no centro.

No eixo de comportamento, a direita chega a 61% entre evangélicos e a 52% entre católicos. Na economia, a esquerda reúne 47% entre católicos. Entre evangélicos, os 39% da esquerda e os 33% da direita configuram empate técnico, considerada a margem de cinco pontos do estrato.

A pesquisa foi feita presencialmente nos dias 17 e 18 de junho com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios. A margem de erro máxima para o total da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. As margens são maiores nos recortes da população.

O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-09956/2026.
Por Laura Intrieri/Folhapress

TRE-BA testará mais de mil urnas no 18º Simulado Nacional de Hardware Por Redação

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) participa, de 7 a 9 e de 13 a 15 de julho, do 18º Simulado Nacional de Hardware, procedimento que testa o funcionamento das urnas eletrônicas. Coordenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a ação será realizada na sede do Tribunal, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), e vai analisar 1.089 equipamentos de votação.

Servidores efetivos e requisitados do Regional participarão da iniciativa, que consiste em uma votação simulada nas urnas modelos 2013, 2015, 2020 e 2022 a serem usadas no pleito deste ano. O procedimento avaliará o desempenho, a estabilidade e a conformidade técnica dos equipamentos e sistemas de votação para garantir a segurança, eficácia e eficiência ao processo eleitoral.

O simulado acontece de forma simultânea em todos os TREs do país e integra as medidas de segurança e transparência da Justiça Eleitoral para as Eleições Gerais de 2026.

Vá para os EUA para ver se você tem isso [saúde gratuita] e ambulância de graça, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 3, que o Sistema Único de Saúde (SUS) é um exemplo para os Estados Unidos. Ao citar o caso do filho de um jornalista americano que teve um acidente e que teve o atendimento gratuito fornecido, Lula questionou se isso ocorreria no país governado por Donald Trump.

"Nenhum país do mundo tem um programa como o SUS. (...) Vá nos Estados Unidos ver se você pega ambulância de graça", afirmou o presidente.

Nesta sexta, Lula inaugurou 10 novos campi de institutos federais, além de anunciar investimentos de R$ 464,8 milhões para fortalecer o Sistema Único de Saúde. O presidente também entregou simultaneamente 1.619 moradias do Minha Casa, Minha Vida em seis Estados, que vão beneficiar 6.476 pessoas.

O evento desta sexta-feira, realizado no Palácio do Planalto, foi o último de entregas do governo federal antes das eleições, o que motivou a consolidação de diversos temas por parte do Executivo. A partir deste sábado, 4, entra em vigor o defeso eleitoral, que impede Lula de inaugurar obras ou programas para não causar disparidade ante outros candidatos à Presidência da República.

Por Gabriel de Sousa e Gabriel Hirabahasi, Estadão Conteúdo

PF faz operação em 4 estados sobre suspeita de desvio de recursos de emendas Pix em Roraima

A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (3), a Operação Acesso Negado para apurar suspeitas de desvios na aplicação de recursos federais enviados aos municípios de Iracema e São Luiz do Anauá, em Roraima, por meio das emendas Pix.

Ao todo, são cumpridos 41 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo STF (Supremo Tribunal Federal), nos estados de Roraima, Bahia, São Paulo e Tocantins.

A investigação teve início após auditorias realizadas pela CGU (Controladoria-Geral da União, determinadas pelo STF.

As auditorias apontaram indícios de irregularidades no planejamento, na execução, na fiscalização e na transparência da aplicação dos recursos federais repassados aos dois municípios.

Segundo a PF, são apurados possíveis crimes contra a administração pública, fraude em licitações e contratos administrativos, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro, além de outros delitos que possam ser identificados no decorrer das investigações.

Por Raquel Lopes/Folhapress

Ipiaú: Família procura por comerciante desaparecida e pede ajuda da população

Familiares da comerciante Maritânia, moradora de Ipiaú, estão em busca de informações que possam ajudar a localizar seu paradeiro. De acordo com o esposo dela, Rodrigo, a mulher enfrenta problemas emocionais e saiu de casa no início da manhã desta sexta-feira (3).

Ainda segundo a família, antes de deixar a residência, Maritânia escreveu uma carta de despedida, o que aumentou a preocupação dos parentes e amigos. Desde então, ela não foi mais vista. Imagens de uma câmera de segurança registraram o momento em que Maritânia deixa a residência por volta das 7h. Nas imagens, ela aparece vestindo um blusão preto e calça preta.

Os familiares fazem um apelo à população para que qualquer informação que possa contribuir com as buscas seja comunicada imediatamente pelos telefones (73) 98190-8927, (73) 99825-1003 ou (73) 99100-8525. A família pede que, caso alguém tenha visto Maritânia ou saiba de seu paradeiro, entre em contato o mais rápido possível. Qualquer informação pode ser fundamental para ajudar a localizá-la.
Por: Giro Ipiaú

PF deflagra operação Acesso Negado para apurar irregularidades na aplicação de emendas PIX

                 A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (3) a Operação Exchange
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (3) a Operação Exchange para desarticular uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos nesta semana por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como líder do esquema, segue foragido. A informação é do jornal O Globo.

Ao todo, a PF cumpriu 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão em São Paulo. Além de Stella, outras seis pessoas foram presas. A Justiça também determinou o bloqueio de bens, valores e criptoativos dos investigados até o limite de R$ 10,4 bilhões. Segundo a corporação, o grupo utilizava um sistema estruturado de movimentação financeira, com transferências de criptomoedas, transporte de dinheiro em espécie e operações bancárias, que teriam movimentado mais de R$ 10 bilhões.

De acordo com o governo dos Estados Unidos, Shimada teria atuado como operador financeiro ligado ao PCC, intermediando a lavagem de mais de US$ 30 milhões obtidos com o tráfico de drogas. Stella é apontada como colaboradora próxima do empresário, responsável por prestar apoio logístico às operações. As sanções americanas bloquearam bens dos investigados sob jurisdição dos EUA e proibiram cidadãos e empresas do país de realizar transações com eles.

PF deflagra operação Acesso Negado para apurar irregularidades na aplicação de emendas PIX

Policiais federais cumprem, com o apoio da CGU, 41 mandados de busca e apreensão em quatro estados
Brasília/DF. A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (3/7), a Operação Acesso Negado para apurar possíveis irregularidades na aplicação de recursos públicos federais transferidos aos municípios de Iracema/RR e São Luiz do Anauá/RR, por meio de emendas parlamentares individuais na modalidade transferência especial, conhecidas como “emendas PIX”.

Policiais federais cumprem 41 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados de Roraima, Bahia, São Paulo e Tocantins.

As apurações tiveram origem em auditorias realizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU), determinadas pelo STF no âmbito da ADI nº 7.688/DF, as quais identificaram indícios de irregularidades relacionadas ao planejamento, à execução, à fiscalização e à transparência na aplicação dos recursos públicos recebidos pelos municípios investigados.

Estão sendo investigados crimes contra a Administração Pública, fraude em licitações e contratos administrativos, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e outros delitos que venham a ser identificados ao longo da investigação.

Coordenação-Geral de Comunicação Social

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