MPBA recomenda à Câmara de Vereadores de Correntina que impeça utilização de veículos para fins particulares

O Ministério Público do Estado da Bahia expediu recomendação à Câmara Municipal de Vereadores de Correntina para que não autorize ou tolere a utilização dos veículos locados para fins particulares, pessoais ou alheios ao exercício do mandato parlamentar ou às funções administrativas do Legislativo. Segundo a promotora de Justiça Suelim Braga, o MPBA recebeu denúncia e apura suposta utilização irregular dos 13 veículos locados pela Câmara para fins particulares, em desvio de finalidade.

Documentação apresentada pelo Legislativo Municipal à Promotoria de Justiça revela que, em 2025, houve um gasto mensal com combustível que, em alguns meses, supera R$ 55.000,00. Isso, explica a promotora de Justiça, sem que fosse feito um controle sistematizado da utilização dos veículos para fins de verificação de legalidade dos deslocamentos realizados. Suelim Braga ressalta que a ausência de regulamentação interna específica para o uso da frota veicular locada constitui fator de risco para a ocorrência e reiteração de irregularidades, sendo necessária a adoção de medidas preventivas e de controle por parte da Câmara Municipal.

A promotora de Justiça também recomendou à Câmara que elabore e implemente, no prazo máximo de 60 dias, regulamento interno específico para disciplinar o uso da frota veicular locada. O regulamente deve prever as finalidades exclusivamente institucionais autorizadas para utilização dos veículos, vedar o uso dos veículos para fins particulares e destacar a obrigatoriedade de registro prévio e documentado de cada deslocamento, com indicação de data, horário de saída e retorno, origem, destino, finalidade institucional da viagem.

Dino põe fim à aposentadoria compulsória como punição disciplinar mais grave a juízes

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF)
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu que a aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço não pode mais ser aplicada como punição disciplinar a magistrados. Ele determinou que infrações graves cometidas por juízes devem resultar na perda do cargo.

"Não faz mais sentido que os magistrados fiquem imunes a um sistema efetivo de responsabilidade disciplinar, com a repudiada e já revogada 'aposentadoria compulsória punitiva'", pontuou Dino na decisão.

A decisão foi tomada enquanto estão em curso procedimentos administrativos contra o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por assédio sexual supostamente cometido contra duas mulheres. Buzzi enfrenta processos no próprio tribunal e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A aposentadoria compulsória dos juízes é a pena mais severa prevista em decorrência de um processo administrativo disciplinar. Ela está prevista no artigo 42 da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), que entrou em vigor durante a ditadura militar, em 1979.

A punição é aplicada hoje em casos de corrupção, desvios de conduta e venda de sentenças. Magistrados que recebem a pena continuam recebendo vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. A decisão de Dino encerra esse privilégio.

Na percepção do ministro, "a aposentadoria é um benefício previdenciário que tem por finalidade garantir ao trabalhador condições dignas de vida quando não mais for possível o desenvolvimento de atividade laboral em virtude de idade-limite, incapacidade permanente para o trabalho ou pela conjugação dos critérios idade mínima e tempo de contribuição".

A decisão foi tomada no julgamento de uma ação apresentada em 2024 por um juiz afastado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Ele recorreu das punições disciplinares impostas, que foram confirmadas pelo CNJ.

O juiz atuava em Mangaratiba (RJ) e foi punido com censura, remoção compulsória e duas aposentadorias compulsórias após uma inspeção realizada pela corregedoria por irregularidades - como morosidade processual deliberada, liberação de bens bloqueados sem manifestação do Ministério Público e decisões que beneficiariam policiais militares.

Dino explicou na decisão que, depois de promulgada a Emenda Constitucional 103, de 2019, a possibilidade de aposentadoria compulsória como punição administrativa foi extinta. Embora a decisão tomada por Dino valha apenas para o caso específico do juiz de Mangaratiba, o entendimento deve ser aplicado a outros magistrados daqui para frente - inclusive Buzzi.

De acordo com a decisão, o Conselho Nacional de Justiça passa a ter três alternativas em casos de infrações na magistratura. Poderá absolver o juiz, aplicar outra sanção administrativa ou encaminhar o caso à Advocacia-Geral da União para que seja proposta ação de perda do cargo do magistrado. A aposentadoria compulsória, portanto, deixa de ser uma forma de punição.

Antes da decisão de Dino, magistrados condenados criminalmente já não tinham direito à aposentadoria compulsória. Nesses casos, a legislação previa a perda do cargo como efeito da condenação, o que na prática resultava na expulsão do juiz da magistratura.

Na avaliação do ministro, a perda do cargo como maior penalidade aplicável a magistrados se justifica pela "impossibilidade de se manter a relação jurídica com servidor a quem tenha sido atribuída conduta que implica alto grau de desmoralização do serviço público e perda da confiança nas instituições públicas".

Por Carolina Brígido e Felipe de Paula, Folhapress

'Campo de guerra' em Caraíva: o instagramável vilarejo da Bahia que sofre com avanço de facções

Assassinatos, toques de recolher, operações policiais foram registrados com grande número de mortos e apreensão de dezenas de armas
Apreensões realizadas pela polícia em Caraíva em julho de 2025

"Sorria você está em Caraíva": a casinha verde com porta e janela vermelhas talvez seja uma das mais fotografadas por blogueiros e influencers de viagem no litoral do Brasil.

É mesmo difícil não sorrir quando se está em um pequeno vilarejo praiano no município de Porto Seguro (BA), no encontro do rio com o mar, onde não entram carros, não há asfalto, o clima é ensolarado e os coqueirais se estendem com a faixa de areia.

Mas esse cenário paradisíaco de uma das praias mais desejadas (e caras) do Brasil, que até 2007 não tinha nem luz elétrica regular, tem sido ofuscado por uma violência até pouco tempo inimaginável por ali.

Em 2025, Caraíva viveu situações que expõem o avanço de facções criminosas pelo Brasil para longe dos centros urbanos, com assassinatos, toques de recolher, operações policiais com grande número de mortos e apreensão de dezenas de armas, como fuzis.

Por trás desse cenário, há uma disputa entre um grupo criminoso que cresceu na região nos últimos anos junto ao avanço do turismo e novos faccionados que tentam ocupar a área, segundo moradores e fonte policial ouvidos pela BBC News Brasil.

"Isso aqui virou um campo de guerra", resume um morador. Os nomes dos entrevistados não serão revelados por questão de segurança.

É um cenário que se repete em outros destinos turísticos badalados no Nordeste brasileiro, como a BBC News Brasil mostrou em relação a Porto de Galinhas (PE), Pipa (RN) e Jericoacoara (CE).

Circulação de turistas com alto poder aquisitivo, festas com consumo de drogas e pouca presença do poder público fazem desses paraísos uma mina de ouro para os grupos criminosos.

"É uma região com o turismo de um poder aquisitivo muito alto, e aí você vê uma disputa para dominar a terra, o espaço e, sobretudo, para poder vender drogas", comenta o delegado Diego Gordilho, da Polícia Federal em Porto Seguro.

Mas em Caraíva ainda há um outro componente: a vila turística é vizinha a uma aldeia indígena, a Xandó, parte da terra indígena Barra Velha, dentro do Parque Nacional do Monte Pascoal, ponto avistado por Pedro Álvares Cabral ao chegar ao Brasil.

Onde há uma terra indígena, há certas limitações de fiscalização e presença policial do Estado, já que a competência é da Polícia Federal ou das forças armadas. E grupos criminosos têm tentado se aproveitar disso, segundo o delegado Gordilho.

Em toda a região, o extremo sul do litoral baiano, os conflitos entre fazendeiros e indígenas pela posse da terra também são históricos e muitas vezes acabam em tiros e morte.

No fim de fevereiro, por exemplo, duas turistas do Rio Grande do Sul foram baleadas ao passar de carro por um local de disputa de terras entre indígenas e fazendeiros em Prado, cidade vizinha a Porto Seguro.

Agora, além da histórica pressão fundiária, a comunidade de Caraíva também vive a ameaça e presença das facções.

"A violência das facções em Caraíva também está cercada dessa outra violência, a de fazendeiros contra nativos e o povo pataxó", explica o professor Paulo Dimas Menezes, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em Porto Seguro, que pesquisa gentrificação causada pelo turismo na região.

De forma geral, Caraíva e os outros destinos nordestinos continuam desejados, movimentados, e grande parte dos turistas irá curtir suas férias sem nem perceber a presença de facções, como relatado por moradores de todas as praias. A não ser que a situação saia do controle.

Só em três operações policiais letais conduzidas pela Polícia Federal junto à Polícia da Bahia em 2025 foram 12 mortos em Caraíva - um número que coloca a praia com mais mortes decorrentes de operações da polícia do que o Estado inteiro do Acre ou de Roraima, segundo dados do Ministério da Justiça.

Segundo o censo 2022 do IBGE, o distrito de Caraíva tem 13.214 habitantes. Esse número abrange áreas que vão além da região da praia, que, na prática, tem bem menos pessoas morando.

A Polícia da Bahia é hoje a que mais mata em operações no Brasil, segundo dados do Ministério da Justiça. Foram 1.569 mortes em 2025, muito à frente de São Paulo (835), Estado mais populoso do país, e do Rio de Janeiro (798), onde ocorreu a megaoperação contra o Comando Vermelho em outubro.

Em 2024, Porto Seguro foi a 6ª cidade com a maior taxa de mortes decorrentes de operações policiais no Brasil, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Pela taxa geral de homicídios, a cidade é a 14ª mais violenta do país, junto a outras oito cidades baianas no top 20.

Em uma dessas operações na Bahia, em maio de 2025, a morte de Victor Cerqueira, conhecido como Vitinho, abalou a comunidade de Caraíva e revelou na imprensa a violência e conflitos na praia.

"Todo mundo conhecia ele aqui", diz um outro morador.

As redes sociais foram inundadas por fotos pedindo justiça. A família sempre acusou a polícia de confundir Vitinho, que trabalhava como guia turístico, com um segurança de um traficante.

O inquérito do caso foi concluído no fim de janeiro e remetido à Justiça baiana. Ele corre em sigilo.

Em nota a Polícia Civil da Bahia disse que as investigações não apontaram erro na conduta dos policiais envolvidos na morte de Vitinho.

Na mesma operação, a Polícia matou em confronto o líder do tráfico local, conhecido como Alongado. A ação levou a um toque de recolher e apreensão de armas que, até então, moradores nem sabiam que havia ali.

"Foi um divisor de águas", diz um morador.

'Antes, a gente sabia quem eles eram'

Segundo os moradores, não é de hoje que se convive com facções na região de Caraíva. Há relatos de quase uma década de um grupo organizado atuando no tráfico de drogas ali, mas nos últimos anos foram chegando novos criminosos de grupos distintos.

"Até pouco tempo atrás, todo mundo sabia quem eram os membros do 'corre', cumprimentava na rua. Eles também sabiam quem era a gente", diz um morador.

"Agora ninguém sabe quem é quem. E isso gera muita insegurança".

Esse primeiro grupo formou uma facção local conhecida como Anjos da Morte (ADM), que acabou se aliando à facção carioca Comando Vermelho.

Hoje, segundo moradores, os ADM disputam a região com outra facção aliada ao PCC.

Para o delegado Diego Gordilho, que comandou operações da PF junto à Polícia da Bahia em Caraíva, a aliança entre os grupos locais e nacionais fica evidente com o tipo de armamento apreendido, como armas de grosso calibre e granadas, além de roupas camufladas para fuga em mata.

Entre maio e dezembro de 2025, foram apreendidos 27 fuzis só em Caraíva, segundo a PF.

"São objetos típicos de membros de organizações criminosas que não atuam somente aqui, mas fora da Bahia e até fora do Brasil. Demonstra realmente uma interlocução entre as facções locais com as de outros estados", diz Gordilho.

A Bahia tem sido território bastante disputado, com presença de 21 organizações criminosas, segundo números divulgados pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) com base em dados divulgados pelos Estados. É o maior número do país, que tem 88 grupos mapeados pelo governo em 2024.

Esse cenário de fragmentação na Bahia teve início em 2004, explica o professor Misael França, doutor em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e especialista em segurança pública.

Naquele ano, a principal liderança do tráfico na periferia de Salvador, conhecido como Raimundo Ravengar, foi preso, abrindo uma disputa para ocupar seu espaço.

"Nós não víamos a pluralidade de facções criminosas, inclusive que rivalizam entre si, justamente por conta de uma liderança concentrada em uma única pessoa", diz França.

A partir daí, "diversos grupos começaram disputar territórios e o controle desse comércio", continua o professor.

"Várias ramificações foram surgindo, muitas delas a facções de outros estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, que viram aqui na Bahia um campo fértil."

Essa pulverização de grupos estimulou justamente a briga por territórios com mortes e tiroteios em várias regiões do Estado, de Salvador a Porto Seguro.

Uma turista mineira que conversou com a BBC News Brasil contou que passou horas sob um toque de recolher em Caraíva, no fim de 2024, trancada em um quarto de pousada com amigas.

Depois de muita expectativa pela viagem, ela chegou a Caraíva às 15h, achando "tudo lindo e cenográfico", até que às 16h, quando se dirigia à praia, escutou um tiroteio.

"Ninguém explicava o que estava acontecendo, mas tudo começou a fechar as portas. Na nossa pousada, o gerente deu orientação para ninguém sair", conta.

Naquele dia, uma operação da polícia terminou em troca de tiros entre policiais e suspeitos. Um foragido da Justiça acabou preso.

O grupo de amigas ficou trancado no quarto, sem alimentação, das 16h30 às 23h, quando elas foram orientadas que podiam sair.

"A gente não acreditava que isso estava acontecendo naquele lugar. No outro dia, estava tudo normal, ninguém falava sobre o assunto. Quando a gente perguntava, se esquivavam", relata.

Nos dias que se seguiram, diz a turista, nada aconteceu e foi possível aproveitar a beleza da região sem preocupação.

Segundo moradores, a violência chegar aos olhos e ouvidos dos turistas ainda é uma exceção.

"Não é interessante para eles que a situação saia do controle, porque afasta turistas", relata um morador.

Outro conta que, em época de alta temporada de verão, há "acordos" para não haver conflitos, já que a vila estará cheia de turistas.

Nos grupos de WhatsApp, é comum o compartilhamento de mensagens supostamente repassadas pela facção orientando o comportamento de moradores.

A BBC News Brasil teve acesso a duas delas, assinadas pelo Comando Vermelho e Anjos da Morte. Em uma direcionada a donos de pousadas, há um alerta para quem aceitar alugar casas para membros de facções de praias vizinhas, como Arraial D'Ajuda.

"Se nois descobrir, vai sofrer as consequências e ser colocado para fora da nossa área", diz a ameaça.

"Vamos fazer visitinhas a qualquer momento e n vai ser legal", continua.

Em outra mensagem, o grupo supostamente diz que é "proibido desrespeito aos moradores e roubos".

"O morador que sofrer qualquer tipo de ameaça pode estar chegando em nois."

Segundo um morador, de fato, na vila "não tem assalto, não tem roubo, não entra ninguém nas casas".

Ao mesmo tempo, conta ele, "não sabemos mais quando está de boa para sair de casa".

Os momentos mais tensos são quando há operações da polícia.

Em maio de 2025, a facção criminosa impôs toque de recolher após a morte de um dos líderes. Em julho, cinco suspeitos foram mortos em outra ação.

Já em novembro, foram apreendidos fuzis, pistolas, submetralhadora e granada em outra operação com mais cinco mortos.

O delegado Diego Gordilho defende que as operações surgiram da necessidade de "proteger os povos originários de criminosos que estavam por ali atuando", além de ser uma resposta a "toques de recolher mandando fechar estabelecimentos".

"Há uma tentativa de criminosos de se esconderem dentro desses territórios indígenas para dificultar a presença do Estado", diz.

Gordilho defende que as operações realizadas em Caraíva foram letais porque os membros da facção atuaram de "forma beligerante" contra os policiais.

"A gente precisa ser mais forte que esses mesmos criminosos", justifica.

Questionada sobre a alta letalidade de suas operações junto à PF, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia disse apenas que ampliou o combate às facções no Extremo Sul da Bahia, com a criação de novo comando regional da Polícia Militar e instalação de uma base de inteligência,

"A doutrina do Policiamento Orientado pela Inteligência continuará norteando o trabalho de combate ao crime organizado, com ações firmes e pautadas na legalidade", diz a nota.

O interesse pelo sul da Bahia

A presença ostensiva das facções se concentra especialmente nas áreas imediatamente vizinhas à área mais turística, como a aldeia Xandó e a Nova Caraíva, do outro lado do rio.

"A velha Caraíva é onde atuam, mas não moram", explica um morador.

Essa dinâmica tem a ver com o próprio histórico de ocupação dessa região.

Os indígenas pataxó, originários desse território, sofreram diversas tentativas de expulsão. A mais emblemática é a chamada "Fogo de 51", quando houve repressão armada contra os indígenas e casas da aldeia foram incendiadas.

"O resultado foi a dispersão de várias famílias pataxó", explica o professor Paulo Dimas Menezes, da UFSB.

A disputa aconteceu diante do processo de criação do Parque Nacional do Monte Pascoal, uma área de conservação, mas sem controle indígena.

Em 1991, após muitos anos de pressão, foi homologada a Terra Indígena Barra Velha em parte do parque nacional. Na demarcação, ficou acordado que a ponta de Caraíva, já habitada por pescadores e descendentes que não mais se identificavam como indígenas, ficasse de fora, explica o professor Menezes.

A homologação de 1991, porém, não contemplou toda a reivindicação indígena. Em 2009, uma demarcação revisada, maior, recebeu o nome de TI Barra Velha do Monte Pascoal, hoje um dos territórios marcados por conflitos e que aguarda a definição do Supremo Tribunal Federal (STF) diante da aprovação do marco temporal.

Em Caraíva, a ponta que não faz parte da terra indígena não comporta mais a especulação imobiliária, que avançou sobre a aldeia Xandó com arrendamentos e venda de terrenos de forma irregular.

"Há um racha no povo Pataxó entre esses que fazem venda e os que não querem, que querem a integridade do território", diz o professor Menezes.

A pressão imobiliária, explica o pesquisador, veio com a expansão do turismo, especialmente nos anos 2010, quando turistas de alto poder aquisitivo acabaram descobrindo a região.

"Eles viram um paraíso naquele terreno de difícil acesso, nessa busca de exclusividade", diz o professor. Até hoje, o trajeto desde o centro de Porto Seguro leva mais de 2h em estrada, em boa parte de terra.

Segundo reportagens da imprensa local, lideranças pataxó seguem relatando mortes, venda ilegal de suas terras e, agora, ação de narcotraficantes.

Como diz o professor Misael França, da UFBA, é uma região que hoje convive "com atuação de latifundiários e particulares pela conquista desses territórios para dar vazão aos seus interesses ao agronegócio", além da presença de "grupos criminosos para o controle do tráfico de entorpecentes e de armas de fogo".

A associação local de indígenas não quis conversar com a reportagem.

Além da alta circulação de pessoas, a distância geográfica e do poder público e a disputa por terra, o delegado Diego Gordilho explica que o território também se tornou atrativo a facções por ficar perto da "tríplice fronteira" entre Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo.

"É uma rota rodoviária que serve para escoamento de ilícitos e que também tem saída pela parte marítima", diz o delegado.

Um morador resume que o cenário complexo da região hoje virou como "a guerra entre Rússia e Ucrânia": ninguém sabe o que vai acontecer.

Ele disse esperar um acordo definitivo entre as facções ou que um grupo acabe vencendo o outro de vez.

"Porque acabar com isso [facções], sabemos que não vai acabar nunca".

Por Folhapress

Pesquisa Realtime/Bigdata: Flávio Bolsonaro tem 38% e Lula tem 33% dos votos no Espírito Santo

Pesquisa Realtime/Bigdata realizada com eleitores do Estado do Espírito Santo, sobre a disputa presidencial de outubro deste ano, mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na liderança das intenções de voto, com 38%, contra 33% presidente e pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ratinho Jr. (PSD) pontua 6% e Romeu Zema (Novo) 6%. Brancos e nulos somam 7% e não sabem ou não responderam 8%.

No cenário com Eduardo Leite (PSD), que aparece com 3% das intenções de votos, Flávio pontua 40% e Lula 34% no Estado do Espírito Santo; Romeu Zema soma 6%. Quando o candidato do PSD é Ronaldo Caiado, que aparece com 2% das intenções de voto, Flávio registra 40%, Lula 34% e Zema 6%.

A pesquisa está registrada sob número BR-09011/2026, foram realizadas 2.000 entrevistas com eleitores do Estado do Espírito Santo, entre os dias 13 e 14 de março. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos e o índice de confiança é de 95%.
Por Folhapress

Prefeitura de Ibirataia realiza patrolamento em estrada rural entre Santa Rita e Dois Tanques

Ação da Secretaria de Infraestrutura aproveita período de estiagem para melhorar condições de tráfego após semanas de chuvas na região
A Prefeitura de Ibirataia, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, realizou no último fim de semana serviços de patrolamento na estrada vicinal que liga a região da Santa Rita à localidade conhecida como Dois Tanques, importante via de acesso utilizada por moradores e produtores rurais.

A ação foi coordenada pela pasta comandada pelo secretário Weligton Sobrinho e teve como objetivo melhorar as condições de tráfego na estrada, que havia sido bastante afetada pelo longo período de chuvas registrado recentemente no município e em toda a região sul da Bahia. Com o solo encharcado durante várias semanas, trechos da via apresentavam irregularidades, dificultando o deslocamento de veículos e o escoamento da produção agrícola.

Aproveitando o período de estiagem registrado nos últimos dias, a equipe da Secretaria de Infraestrutura mobilizou máquinas e trabalhadores para realizar o patrolamento, serviço essencial para nivelar a estrada, corrigir imperfeições e garantir mais segurança para quem utiliza o trajeto

De acordo com o prefeito Sandro Futuca, a iniciativa busca atender às demandas das comunidades rurais, garantindo melhores condições de mobilidade para moradores, estudantes que utilizam transporte escolar e produtores que dependem da estrada para transportar seus produtos até a sede do município e cidades vizinhas.

O secretário Weligton Sobrinho destacou a importância de aproveitar os períodos de clima favorável para realizar esse tipo de manutenção nas estradas vicinais. Segundo ele, a recuperação das vias rurais é uma das prioridades da pasta, especialmente após o período chuvoso, quando muitas estradas acabam sofrendo desgaste natural.

A Prefeitura reforçou ainda que outras estradas da zona rural também devem receber serviços de manutenção gradativamente, conforme as condições climáticas permitirem a continuidade dos trabalhos. O objetivo é garantir que as comunidades do campo tenham acesso mais seguro e eficiente às principais rotas de ligação com a cidade.

Moradores das localidades beneficiadas destacaram a importância da intervenção, ressaltando que a melhoria na estrada facilita o transporte diário e contribui diretamente para a qualidade de vida das famílias que vivem e trabalham na zona rural de Ibirataia.

Clica e Confirma ressalta lançamento da página das Eleições 2026

Programa também fala sobre as palestras da ministra Cármen Lúcia no TCU e no UDF, além de abordar o projeto “Ecocidadania”
O Clica e Confirma desta semana destaca o lançamento da página das  Eleições de 2026. A página oferece diversas informações oficiais voltadas ao eleitorado, aos partidos políticos, aos postulantes a candidatas e candidatos, entre outros interessados.  Áudios e vídeos produzidos pela Secretaria de Comunicação e Multimídia (Secom) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) compõem o conteúdo específico.


O programa informa ainda como foi a primeira edição do projeto “Ecocidadania”, uma ação com catadores de materiais recicláveis, que contou com atendimento do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO). Por meio do programa, o Regional prestou serviços eleitorais como revisão de dados cadastrais, emissão do primeiro título de eleitor, transferência de domicílio, regularização e coleta de biometria.

O podcast também destaca duas palestras da presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia: uma durante o evento “Todas e Todos contra o Feminicídio”, no Tribunal de Contas da União (TCU), e outra no Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), em Brasília (DF). Entre os assuntos, foram discutidas inteligência artificial (IA), democracia e desigualdade de gênero. A magistrada falou sobre a urgência em se combater a violência contra as mulheres.
Clica e Confirma em vídeo

Os episódios do Clica e Confirma estão disponíveis em áudio e vídeo no canal do TSE no YouTube. Com apresentação dos jornalistas Rimack  Souto e Jane Costa, o programa traz as principais notícias, dicas e curiosidades da Justiça Eleitoral em todo o país.  
O programa 

Além de assistir, é possível ouvir e baixar o Clica e Confirma na seçãoRádio do TSE ou em plataformas de áudio, como  Spotify  e  Apple Podcasts. Além disso, você pode acessar o programa no canal da Justiça Eleitoral no YouTube.       

Produzido pela Secretaria de Comunicação e Multimídia do TSE, o programa também é veiculado pela Rádio Justiça e por outras emissoras parceiras da Justiça Eleitoral em todo o país.

LB/EM/DB

Opinião: Lodo do Banco Master também atinge muita gente na Bahia

O escândalo do Banco Master tem abalado estruturas da República, especialmente nos altos círculos do poder em Brasília. Os sucessivos vazamentos ampliam as especulações de quem pode ser atingido pelo lodo revolvido por Daniel Vorcaro e a trupe dele. Todavia, na Bahia, o alerta vem de ativos adquiridos e posteriormente vendidos pelo Banco Master, ligados ao CredCesta, que serviram de catapulta para que o banco escalonasse o acesso a movimentações financeiras milionárias.

Apesar da tendência a demonizar as relações criadas entre as elites políticas e econômicas, é preciso ter cuidado para não colocar tudo em um mesmo balaio. Há promiscuidade nessas relações – dada as especificidades das informações que circularam relacionadas a Vorcaro. Todavia, nem todo contato resultou em conexões sombrias para enriquecimento ilícito e/ou desvios de recursos públicos. Por essa razão, a investigação formal, feita pelas autoridades competentes, é fundamental para que os desdobramentos não afetem os rumos do Brasil – e da Bahia, já que uma parte importante do escândalo registra o nascedouro aqui.

Até aqui, políticos baianos das mais diversas matizes foram citados, direta ou indiretamente, por proximidade com um coadjuvante no episódio do Master, o empresário Augusto Lima. A começar pela venda da Cesta do Povo para ele, durante a gestão do então governador Rui Costa e sob influência do então secretário do Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner. Depois, já durante o governo de Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, os laços se estenderam ao então ministro da Cidadania, João Roma.

Na última semana, foi a vez de ACM Neto aparecer na tela, com o recebimento de R$ 3,6 milhões do Banco Master, identificados por notas fiscais emitidas por uma empresa da qual ele é sócio. Ou seja, da mesma forma que os tentáculos de Vorcaro se espraiam em Brasília, o caminho é similar na Bahia. No caso de ACM Neto, entretanto, foi a primeira vez em que apareceram cifras ao lado de um nome da cena política baiana, ainda que tudo registrado e, pelas justificativas dadas, lícito.

A lógica do uso das folhas de pagamento funcional para crédito consignado, criticada após a publicação de que a prefeitura de Salvador concedeu exclusividade ao CredCesta, se repete entre o funcionalismo estadual e não houve o mesmo alarde. E, no caso do governo da Bahia, os limites para consignado junto a esse ente bancário é maior do que para outros similares. Prefeituras da Bahia, como Alagoinhas e Ilhéus, também usaram o mesmo expediente para “garantir” acesso a crédito aos servidores públicos utilizando o modelo criado a partir da venda da Cesta do Povo para a iniciativa privada. À época da assinatura dos convênios, os gestores eram do PSD, o que acaba por confirmar que a teia de relações políticas e econômicas não obedece a ideologia – e não necessariamente são ilegais ou imorais.

É óbvio que ilicitudes devem ser investigadas e punidas. Contudo, a partir de vazamentos seletivos e limitados, é preciso tomar muito cuidado para não criminalizar ainda mais a atividade política que, por vezes, é problemática. Para Vorcaro e companhia chegarem aonde chegaram foi necessário desenvolver habilidades que incluem o trânsito com atores do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. E com todos os espectros políticos possíveis. Sob o risco de vivermos um vórtex parecido com a Operação Lava Jato que, ao fim e ao cabo, nos legou bem menos do que prometeu.
Por: Bahia noticia

Israel anuncia 'operações terrestres limitadas' no Líbano contra o Hezbollah; VÍDEO

Israel e Hezbollah retomaram guerra entre eles logo nos primeiros dias de outro conflito, entre EUA, Israel e Irã. O grupo rebelde libanês é aliado do regime iraniano e financiado por Teerã.
Tanque e blindados israelenses posicionados do lado israelense da fronteira entre Israel e o Líbano em meio a escalada bélica contra o grupo rebelde Hezbollah em 10 de março de 2026

O Exército de Israel anunciou nesta segunda-feira (16) o início de "operações terrestres limitadas" no sul do Líbano contra o grupo rebelde libanês Hezbollah. A ação, na prática, é uma invasão de território.

Em comunicado, a pasta afirmou que a operação terrestre tem como objetivo "estabelecer e fortalecer uma postura defensiva avançada" com a destruição de infraestrutura do Hezbollah na região.

                                     
"Tropas das Forças de Defesa de Israel (IDF) iniciaram operações terrestres limitadas e direcionadas contra importantes redutos do Hezbollah no sul do Líbano, com o objetivo de reforçar a área avançada de defesa. Essa atividade faz parte de esforços defensivos mais amplos para estabelecer e fortalecer uma postura defensiva avançada, que inclui o desmantelamento de infraestrutura terrorista e a eliminação de terroristas que operam na região, a fim de criar uma camada adicional de segurança para os moradores do norte de Israel", afirmou o Exército.

Junto com o anúncio, o Exército de Israel divulgou um vídeo que mostra uma movimentação de tropas e tanques de guerra durante a madrugada, com a câmera habilitada para visão noturna. (Veja no vídeo acima)

O termo "operação limitada" também foi utilizado por Israel da última vez que tropas do país invadiram o território do Líbano, em outubro de 2024. À época, o professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard Vitelio Brustolin explicou ao g1 que o termo significa uma incursão pontual, que não inclui uma ocupação completa do território que está sendo invadido.

A operação ocorre dias após o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, ter ameaçado "tomar territórios" no Líbano caso o Hezbollah não parasse com os ataques contra Israel. Na semana passada, Katz também disse que ordenou que o Exército se preparasse para "expandir" as operações no país vizinho. O governo israelense vinha acumulando tropas ao longo da fronteira com o Líbano nas últimas semanas.

Ao mesmo tempo, Katz também disse ter ordenado que o Exército se prepare para “expandir” as operações no Líbano, onde soldados israelenses já operam ao longo da fronteira entre os dois países. Israel vem acumulando tropas e tanques de guerra no local, segundo agências de notícias, e há relatos de presença de ataques terrestres em cidades libanesas no extremo sul do país.

Israel e Hezbollah retomaram no início de março a guerra entre eles, que estava sob cessar-fogo desde novembro de 2024. A nova escalada ocorreu por conta de outro conflito, entre EUA, Israel e Irã, que eclodiu dia 28 de fevereiro. O grupo libanês é aliado do regime iraniano.

Desde então, além das investidas terrestres, Israel realiza bombardeios diários contra Líbano, principalmente na capital Beirute. O Exército israelense afirma já ter realizado ataques aéreos contra mais de 1.000 alvos do Hezbollah em território libanês. Já o grupo rebelde tem realizado bombardeios coordenados com o Irã contra o território israelense.

A guerra entre Israel e Hezbollah já deixou quase 800 mortos no Líbano, e mais de 800 mil pessoas foram deslocadas à força, segundo o governo libanês.

O anúncio desta segunda-feira ocorre após relatos de combates entre forças israelenses e do Hezbollah em cidades no extremo sul do Líbano, porém Israel ainda não havia admitido que suas tropas estavam dentro do país vizinho. Por Redação g1

PF prende mulher em flagrante com diversas cápsulas de cocaína engolidas

Rio de Janeiro/RJ. No domingo, 15/3, a Polícia Federal prendeu em flagrante uma mulher que transportava diversas cápsulas de cocaínas ingeridas. A ação ocorreu no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. A mulher foi presa ao tentar embarcar em um voo com destino a Paris, capital da França.

Durante fiscalização de rotina, policiais federais lotados na Delegacia Especial da Polícia Federal no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro efetuaram a prisão em flagrante após constatarem a ingestão das cápsulas.

A mulher foi encaminhada ao hospital, onde permanece sob acompanhamento médico em decorrência da ingestão dos entorpecentes.

A presa permanecerá hospitalizada até a completa eliminação do material. Em seguida, será encaminhada ao sistema prisional do estado, onde ficará à disposição da Justiça. Ela responderá pelo crime de tráfico internacional de drogas.

Comunicação Social da Polícia Federal no Rio de Janeiro

PF e PC/MG capturam traficante brasileiro em Santa Cruz de La Sierra

Belo Horizonte/MG – A Polícia Federal, em ação conjunta com a Polícia Civil de Minas Gerais, localizou e prendeu, nesse domingo (15/3), em Santa Cruz de La Sierra/Bolívia, uma das maiores lideranças de facção criminosa atuante em Minas Gerais.

O nome do foragido constava na lista de procurados do Programa Captura do MJSP. Ele possuía mandado de prisão em aberto, expedido pela Justiça Estadual de Minas Gerais.

O investigado, que responde processo por tráfico internacional de drogas, tráfico interestadual, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa, será encaminhado a uma unidade prisional de Minas Gerais, onde permanecerá preso e a disposição da Justiça.

Comunicação Social da Polícia Federal em Minas Gerais

A Polícia Militar da Bahia, por meio da 55ª CIPM, apreendeu arma de fogo, drogas e materiais utilizados para o tráfico durante ação da Operação Vigília no município de Ipiaú.

Durante rondas no bairro Pau D’Arco, guarnições identificaram indivíduos em atitude suspeita. Um dos suspeitos tentou fugir ao perceber a aproximação policial, sendo alcançado e abordado. Com ele foram encontrados um revólver calibre .32 municiado, entorpecentes e outros materiais relacionados ao tráfico de drogas. O indivíduo foi conduzido ao Plantão Central da Polícia Civil em Jequié, juntamente com o material apreendido, para adoção das medidas legais cabíveis.

Fonte: ASCOM/55ªCIPM/PMBA, uma Força a serviço do cidadão!

VÍDEO: Avião de pequeno porte sai da pista e colide em barranco durante pouso no interior de São Paulo

Um avião de pequeno porte saiu da pista e colidiu com um barranco enquanto realizava o pouso no Aeroporto Comandante Rolim Adolfo Amaro, em Jundiaí, no interior de São Paulo, na manhã deste domingo (15).

Segundo a Rede Voa, concessionária responsável pelo terminal, ninguém ficou ferido. Ainda de acordo com a empresa, o piloto conseguiu deixar a aeronave sem complicações.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento do acidente. Nas imagens, a aeronave sai da pista poucos segundos após o pouso, atinge um barranco e uma fumaça branca se espalha pelo local. Em outros registros, o jato aparece atravessado na pista do aeroporto.

 A aeronave é um jato modelo Cessna Citation 550. O avião teria decolado do Aeroporto de Bragança Paulista com destino a Jundiaí.


De acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a matrícula do avião está em situação regular para voos até março de 2027. O modelo tem capacidade para até nove passageiros.

Segundo a concessionária, o Seripa IV, órgão de investigação do Cenipa responsável pela região, foi acionado e se deslocou até o aeroporto. O Centro de Controle Operacional (CCO) da Rede Voa também prestou apoio inicial com a equipe de bombeiros do terminal

Lula demonstra incômodo com Alexandre de Moraes nos bastidores do Planalto

Nos bastidores do Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem manifestado incômodo com o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes em conversas reservadas com aliados. Segundo relatos, Lula avalia que as controvérsias envolvendo o magistrado acabam respingando politicamente no governo. A informação é de Lauro Jardim, do jornal O Globo.

De acordo com interlocutores, o presidente tem afirmado que não possui relação com contratos ou contatos atribuídos ao ministro e a familiares. Ainda assim, teme que a repercussão pública desses episódios acabe sendo associada ao Palácio do Planalto.

O desconforto ocorre em meio ao aumento das tensões políticas em Brasília e ao avanço de investigações e polêmicas que envolvem diferentes atores do cenário institucional. Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que o tema exige cautela para evitar novos desgastes na relação entre Executivo e Judiciário.

Angelo Coronel deve assumir comando do Republicanos na Bahia

O senador Angelo Coronel (PSD) mantém negociações avançadas com a direção do Republicanos para assumir a presidência da sigla na Bahia. A movimentação ocorre paralelamente às tratativas para que o parlamentar se filie ao partido e dispute a reeleição ao Senado na nova legenda.

O acordo é tratado como praticamente fechado entre aliados do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União). A mudança partidária vai envolver também os herdeiros políticos do senador. O deputado federal Diego Coronel (PSD) e o deputado estadual Angelo Coronel Filho (PSD) pretendem acompanhar o pai e se filiar ao Republicanos.

Impacto na bancada

A eventual chegada da família Coronel pode provocar mudanças na atual composição da bancada do Republicanos na Assembleia Legislativa. Hoje, o partido conta com três deputados estaduais: Jurailton Santos, Samuel Júnior e José de Arimatéia.

Entre parlamentares da Assembleia, a avaliação é que, caso a legenda mantenha o número de três cadeiras na próxima legislatura, Coronel Filho ficaria com a vaga de Arimatéia, que teria mais dificuldade para se reeleger.

Na Câmara Federal, o Republicanos também possui três representantes baianos: Márcio Marinho, atual presidente estadual do partido, além de Alex Santana e Rogéria Santos. Nesse caso, a entrada de Diego Coronel tende a não provocar perdas internas, já que Alex Santana já anunciou que não pretende disputar a reeleição - ele vai apoiar a candidatura do pastor de Lauro de Freitas Abraão Reis, pela mesma sigla.

Além da própria família, Angelo Coronel trabalha para levar outros aliados do PSD ao Republicanos, o que pode ampliar o número de candidatos competitivos da legenda tanto para a Assembleia Legislativa quanto para a Câmara Federal.

Entre os nomes citados nas articulações está o do prefeito de Conceição da Feira, João de Furão (PSD), que pretende disputar uma vaga de deputado estadual.

Antes de avançar nas negociações com o Republicanos, Angelo Coronel também chegou a dialogar com outras legendas sobre seu futuro partidário, entre elas o Podemos e o Progressistas. O nome do senador também foi citado em conversas com o União Brasil.

Por Política Livre

Exército gasta R$ 1,3 bi em novos mísseis e blindados e cita experiências na Ucrânia e Palestina

Os dados foram fornecidos à Folha pelo Exército com base num pedido via LAI (Lei de Acesso à Informação)
O Exército gastou, durante o governo Lula (PT), R$ 1,27 bilhão na compra de mísseis que combatem carros e na aquisição de tanques blindados com capacidade anfíbia e canhões de maior alcance, com o propósito de que "as forças terrestres estejam preparadas para enfrentar ameaças contemporâneas e futuras".

Os dados foram fornecidos à Folha pelo Exército com base num pedido via LAI (Lei de Acesso à Informação).

As compras de 220 mísseis anticarros, a um custo de R$ 153,8 milhões, ocorreram em 2025. Envolveram dois lotes: um de 100 mísseis Javelin FGM-148F, a partir de um acordo da Comissão do Exército em Washington com o governo dos Estados Unidos, e outro de 120 mísseis 1.2 AC Max, resultado de um contrato para fabricação por uma empresa em São José dos Campos (SP).

A reportagem questionou, no pedido via LAI, a motivação para as compras desse novo armamento. O objetivo, no caso dos mísseis, é "aprimorar a capacidade de dissuasão do Exército brasileiro". "A obtenção de um armamento coletivo anticarro é crucial para fortalecer a linha de defesa em operações de combate terrestre", disse a Força.

O Exército citou ainda a guerra territorial entre Rússia e Ucrânia, que já dura mais de quatro anos, e os conflitos na Palestina, alvo de ofensivas de Israel.

"As recentes experiências observadas na guerra da Ucrânia têm demonstrado a importância de sistemas anticarros eficazes na defesa contra avanços blindados", disse. "As forças ucranianas, utilizando mísseis anticarro portáteis, conseguiram deter e neutralizar colunas blindadas, causando significativas baixas aos agressores."

No pedido via LAI, a reportagem questionou se mísseis e tanques blindados com especificações semelhantes haviam sido adquiridos antes de 2023. O Exército informou uma única compra, feita em 2021, de 100 mísseis portáteis anticarro Spike LR2, de fabricação israelense.

"Em conflitos na Palestina, a utilização de armamento anticarro tem sido uma tática eficaz para resistir a forças mecanizadas superiores, demonstrando a importância de tais armas para forças que operam em ambientes urbanos e irregulares", afirmou o Exército.

No caso dos tanques blindados, houve a aquisição de 163 carros entre 2023 e 2026, sendo a grande maioria do modelo VBTP (viatura blindada de transporte pessoal) MSR 6x6 Guarani. Os gastos somaram R$ 1,12 bilhão, conforme os dados do Exército.

Militares que acompanharam de perto a tomada de decisões sobre essas compras, dentro do programa chamado Forças Blindadas, afirmam que o principal motivador para a iniciativa foi a ofensiva da Venezuela sobre a Guiana.

No fim de 2023, o ditador Nicolás Maduro se movimentou para tomar parte da Guiana –a região de Essequibo. As ofensivas prosseguiram em 2024, e uma ação do tipo implicaria invasão de tropas venezuelanas em território brasileiro. Setores de inteligência brasileiros chegaram a detectar a possibilidade de Maduro comandar uma invasão à Guiana por terra.

Isso levou as Forças Armadas brasileiras a mobilizar aviões, tropas, carros blindados e mísseis para Roraima, região de fronteira com a Venezuela.

A partir daquele momento, o entendimento entre militares com poder de decisão era de que o Brasil precisava de equipamentos mais potentes, especialmente para ofensivas terrestres, em razão da força militar dos venezuelanos, que operavam carros russos, segundo essa leitura.

Desde a crise de Essequibo, o cenário mudou radicalmente. Nos primeiros dias deste ano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou um ataque militar em Caracas –numa intervenção sem precedentes contra a América do Sul– e a captura de Maduro, levado a Nova York para ser julgado por supostos crimes relacionados a tráfico de drogas.

Diante da ofensiva, Lula manifestou preocupação sobre o que ocorrera no país vizinho e pediu aos militares uma leitura de cenários sobre as vulnerabilidades do Brasil diante de um ataque do tipo, como a Folha mostrou em reportagem publicada em fevereiro.

Na segunda-feira (9), durante visita do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, a Brasília, Lula exteriorizou a preocupação com uma invasão aos moldes da que ocorreu na Venezuela.

"Aqui, na América do Sul, nós nos colocamos como uma região de paz, aqui ninguém tem bomba nuclear", disse o brasileiro. "Não sei se o companheiro Ramaphosa percebe que se a gente não se preparar em questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente."

Na quinta (12), o governo Lula se manifestou de forma contrária a uma visita de um conselheiro de Trump ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na prisão. Segundo manifestação de Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, ao STF (Supremo Tribunal Federal), a visita de Darren Beattie a Bolsonaro significaria "ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro".

A crise escalou e, na sexta (13), o Itamaraty comunicou que revogou o visto de Beattie por "omissão e falseamento de informações" sobre o motivo da visita.

No pedido de informações ao Exército, feito por meio da LAI, a reportagem solicitou a distribuição geográfica, por batalhão e estado, do armamento adquirido. A Força negou fornecer os dados, mesmo após um recurso contra a decisão. "A solicitação busca informações de defesa nacional, comprometendo a proteção que se deve garantir ao sigilo de Estado", afirmou.

A informação poderia colocar em risco a defesa e a soberania nacionais e prejudicar operações estratégicas das Forças Armadas, conforme a resposta do Exército.

O próprio Exército já divulgou que parte dos equipamentos foi enviada a unidades em Roraima e à 1ª Companhia Anticarro Mecanizada, em Osasco (SP). Testes com mísseis já foram feitos no Rio, e brigadas no Paraná receberam tanques blindados.

O fornecimento dos mísseis 1.2 AC Max é feito pela empresa SIATT Engenharia, Indústria e Comércio, sediada em São José dos Campos. Há contratos assinados com o Exército entre 2019 e 2025.

Já a fabricação dos blindados Guarani, na configuração nova definida pelo Exército, está a cargo da IDV Brasil, que fica em Sete Lagoas (MG). Um único contrato tem valor de R$ 7,5 bilhões, referente à aquisição de centenas de veículos blindados pela Força até 2040.

O míssil fabricado no Brasil é de médio alcance e é composto por munição e unidade de tiro. Essa unidade emite um laser invisível codificado, harmonizado com a mira, o que guia o míssil durante o voo.

Já o blindado Guarani 6x6 pode se mover em diferentes terrenos e na água. Pesa 18 toneladas e atinge 110 km/h, com autonomia de 600 km.

Por Vinicius Sassine/Folhapress

“Pode vir quente”: reação de ACM Neto a relatório do Coaf já seria influência de João Santana; veja

Uma publicação feita nas redes sociais do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), um dia após seu nome ser relacionado ao Banco Master, despertou atenção pelo tom e pelo timing. Em letras garrafais, o post dizia “Pode vir quente que eu estou fervendo”, acompanhado da legenda “Quando o povo quer nada segura! #MudaBahia”.

Esta semana informações obtidas a partir de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelaram que uma empresa da qual Neto é sócio recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora Reag Investimentos.

Em nota, ele afirmou que os valores são referentes a serviços de consultoria prestados quando ele não exercia mais cargo público, com contratos formais, emissão de notas fiscais e recolhimento de impostos. Disse ainda estar à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e pediu a apuração de eventuais vazamentos do relatório.

Nos bastidores, a avaliação de aliados é que a reação já teve influência do publicitário João Santana, que será o marqueteiro da sua campanha ao governo do Estado, com uma linha mais direta e de enfrentamento ao tema, sem “ficar nas cordas”, como pontuou um interlocutor.
Por Política Livre

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