Indicação de novo embaixador dos EUA no Brasil amplia tensão entre Lula e Trump e anima direita brasileira- Por Redação
A indicação do republicano Daniel Perez para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil aumentou a tensão diplomática entre os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, além de fortalecer o discurso da direita brasileira no cenário pré-eleitoral de 2026.
Segundo reportagem publicada pela revista Veja, Daniel Perez é aliado político do secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, ligado ao movimento conservador MAGA (“Make America Great Again”) e conhecido por posições anticomunistas e conservadoras em pautas políticas e comportamentais.
Filho de cubanos e ex-deputado estadual da Flórida, Perez ganhou espaço dentro do Partido Republicano e chegou à presidência da Câmara estadual da Flórida em 2024. A indicação é vista como um movimento estratégico do governo Trump em meio ao acirramento das relações diplomáticas entre Brasília e Washington.
A publicação destaca que o novo embaixador pode influenciar diretamente o ambiente político brasileiro, especialmente por sua proximidade ideológica com o bolsonarismo. A medida é considerada positiva por setores da direita ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), que vem intensificando interlocuções com o governo norte-americano.
A tensão entre os dois países aumentou após o governo Trump anunciar a classificação das facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, decisão criticada por integrantes do governo Lula. O tema foi incorporado ao discurso político da direita brasileira, especialmente após Flávio Bolsonaro relatar ter solicitado pessoalmente a Trump a adoção da medida durante encontro na Casa Branca.
Outro ponto de desgaste citado pela reportagem envolve o anúncio de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. A medida ampliou o desconforto diplomático entre os dois governos e passou a ter impacto também no debate eleitoral brasileiro.
O nome de Perez ainda precisa ser aprovado pelo Senado dos EUA e pelo próprio presidente Lula.
EUA citam decisão de Toffoli que anulou provas da Odebrecht para justificar tarifaço
A decisão do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), que anulou todas as provas oriundas do acordo de leniência da Odebrecht, de setembro de 2023, foi citada pelo governo Donald Trump como exemplo de que o Brasil falha no combate à corrupção.
O caso de Toffoli é uma das justificativas do USTR, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA, para propor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Além da corrupção, o governo Trump cita queixas sobre o Pix, tarifas consideradas injustas e desmatamento, entre outros.
O documento do governo Trump aponta ainda para uma decisão posterior de Toffoli, que suspendeu o pagamento de multas da empreiteira, e critica a falta de transparência na renegociação do acordo.
O texto afirma que o Brasil "falhou e continua falhando em tomar medidas de aplicação da lei para combater o suborno e a corrupção", e usa como referência um relatório da OCDE que manifesta preocupação com as decisões de Toffoli.
Procurado por meio da assessoria de imprensa do STF, o ministro ainda não se manifestou sobre as afirmações do governo americano.
"Essa decisão, proferida em setembro de 2023 pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, tratou do maior esquema de corrupção transnacional da história e levou à anulação de mais de uma centena de casos no Brasil", diz o documento.
"Em 2024, penalidades impostas pela Operação Lava Jato a empresas que haviam confessado corrupção em larga escala foram suspensas e autorizadas a serem renegociadas. A renegociação desses acordos de leniência tem sido criticada por avançar sem transparência e em meio a graves conflitos de interesse."
A renegociação dos acordos com a União foi concluída em 2025 e validada pelo ministro do STF André Mendonça, mas ainda não foi pautada para apreciação do plenário da corte.
"Sobre essas renegociações, a Organização dos Estados Americanos concluiu que as ações do Brasil 'correm o risco de minar a confiança pública no uso desses acordos e podem contribuir para uma sensação de insegurança jurídica para as pessoas jurídicas', além de levantar questionamentos sobre a equidade desses acordos", afirma o texto dos Estados Unidos.
"Em 2025, a Transparência Internacional caracterizou a anulação desses casos como a mais grave violação do Brasil à Convenção Antissuborno da OCDE."
De acordo com o escritório comercial de Trump, os atos "irrazoáveis" e "insuficientes" do Brasil na área de anticocorrupção "oneram ou restringem o comércio dos Estados Unidos porque permitem que empresas corruptas operem no Brasil com impunidade, enquanto empresas americanas, sujeitas a exigências significativas e à possibilidade de responsabilização por práticas corruptas no exterior, ficam em desvantagem".
A tarifa de 25% é apontada como uma medida corretiva para diversas práticas comerciais brasileiras. A investigação comercial conduzida com base na Seção 301 abrange temas como comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas consideradas "injustas ou preferenciais", leis anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Os alvos da investigação vão desde antigas reclamações de Washington, como as tarifas brasileiras sobre a importação de etanol, até o Pix. Empresas americanas de cartão de crédito alegam que o Banco Central concede tratamento preferencial ao sistema de pagamento instantâneo, o que o governo Lula nega.
A decisão de Toffoli de 2023 determinava que as provas oriundas tanto do acordo quanto dos sistemas Drousys e MyWebDay —respectivamente de comunicação interna e de contabilidade e controle de pagamentos de vantagens indevidas— são imprestáveis em qualquer âmbito ou grau de jurisdição.
Na decisão, o ministro disse que a Lava Jato foi "uma armação fruto de um projeto de poder de determinados agentes públicos em seu objetivo de conquista do Estado por meios aparentemente legais, mas com métodos e ações contra legem [a lei]".
"Digo sem medo de errar, foi o verdadeiro ovo da serpente dos ataques à democracia e às instituições que já se prenunciavam em ações e vozes desses agentes contra as instituições e ao próprio STF. Ovo esse chocado por autoridades que fizeram desvio de função, agindo em conluio para atingir instituições, autoridades, empresas e alvos específicos", disse o ministro na ocasião.
Em fevereiro de 2024, o ministro suspendeu os pagamentos da multa da Odebrecht referentes ao acordo feito com o Ministério Público Federal.
Em uma série de decisões, o ministro também vem anulando nos últimos anos os atos de integrantes da Lava Jato contra alvos da operação, como o doleiro Alberto Youssef, o ex-ministro Antonio Palocci e o executivo Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira.
As decisões têm acontecido sob a justificativa de que houve conluio entre o ex-juiz Sergio Moro e a acusação.
Por José Marques e Ricardo Della Coletta/Folhapress
Governo Trump conclui investigação contra o Brasil e propõe novo tarifaço de 25%
O governo Trump concluiu a investigação da seção 301 contra o Brasil e propôs novo tarifaço de 25% sobre bens importados do país. A investigação acontece por meio do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que fez a sugestão de um novo tarifaço como resposta ao que vê como práticas comerciais injustas do Brasil. A decisão sobre aplicação ou não cabe ao presidente dos EUA, Donald Trump.
Agora, o USTR vai abrir uma consulta para que o setor privado comente os resultados antes da elaboração do relatório definitivo, que precisa ser publicado até 15 de julho.
Mesmo que preliminar, a decisão negativa para o Brasil acontece na esteira da decisão dos EUA de designar CV e PCC como terroristas e reforça a pressão do governo republicano sob o governo Lula.
Por meio de comunicado, o USTR, que é comandado pelo embaixador Jamieson Greer, afirma que propôs medidas de resposta para consulta pública, enquanto os "Estados Unidos continuam a manter negociações intensas com o Brasil em busca de uma solução para as preocupações americanas".
"Lancei esta investigação sob a Seção 301 por determinação do presidente Trump para tratar de preocupações antigas e persistentes dos Estados Unidos em relação a determinadas políticas e práticas comerciais do Brasil. Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus ministros, que se intensificaram nas últimas semanas", afirma Greer.
Segundo o embaixador, os países continuam "tendo divergências substanciais sobre a resolução dos temas identificados nesta investigação. Espero continuar o diálogo com o governo brasileiro antes do prazo legal de 15 de julho de 2026 para a adoção de medidas de resposta."
A sugestão prevê 25% de tarifas sob os produtos brasileiros, mas exclui uma ampla lista de bens considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos ou cuja oferta doméstica é insuficiente. Entre eles estão diversos alimentos e produtos agropecuários, como carne bovina, castanha-do-pará, castanha de caju, coco, banana, manga, mamão, abacaxi, laranja, limão e outras frutas tropicais.
O anexo também preserva matérias-primas e produtos que poderiam causar problemas de abastecimento ou aumento de preços caso fossem taxados. O próprio USTR afirma que as isenções abrangem itens cuja tributação poderia provocar interrupções econômicas mais amplas, além de produtos que não podem ser produzidos nos EUA em quantidade suficiente ou obtidos facilmente de outros fornecedores.
Outro destaque é a exclusão da indústria aeronáutica. O documento poupa aeronaves civis, motores, peças, componentes e simuladores de voo, preservando um dos setores mais integrados entre Brasil e Estados Unidos. Também ficam fora da medida materiais informativos, doações, bagagens acompanhadas e produtos já sujeitos às tarifas impostas por outras legislações comerciais americanas.
Entre os resultados da investigação, o USTR acusa o Brasil de impor restrições a empresas americanas de tecnologia por meio de decisões judiciais que ordenam a remoção de conteúdos, a suspensão de perfis e o sigilo dessas determinações. Também criticam multas e outras punições aplicadas às plataformas que não cumprem essas ordens. Além disso, alegam que políticas brasileiras favorecem empresas nacionais de pagamento eletrônico em detrimento de concorrentes americanas.
O governo americano afirma que o Brasil concede tarifas mais baixas para centenas de produtos vindos do México e da Índia por meio de acordos comerciais preferenciais, sem oferecer tratamento equivalente aos produtos dos Estados Unidos.
Segundo o USTR, o Brasil não faz esforços suficientes para investigar, punir e prevenir casos de suborno e corrupção, o que prejudicaria a concorrência justa e os interesses comerciais americanos.
Por fim, os EUA argumentam que o Brasil falha no combate à falsificação e à pirataria, demora excessivamente para analisar pedidos de patente — especialmente no setor farmacêutico — e não mantém ações consistentes para proteger direitos de propriedade intelectual.
Assim, o escritório diz que, para garantir que seus pedidos sejam considerados, os interessados devem apresentar solicitações para participar da audiência pública, junto com um resumo de seus depoimentos, até 22 de junho de 2026. Comentários por escrito devem ser enviados até 1º de julho de 2026. Uma nova audiência sobre as medidas propostas acontecerão em 6 de julho de 2026.
Greer foi a autoridade que, na reunião entre Lula e Trump no início de maio, mais se queixou da forma como o Brasil conduz seu comércio com os Estados Unidos.
Esta investigação foi instaurada em julho de 2025, como uma das medidas anunciadas por Trump em reação ao que o republicano classificou como uma "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O governo americano incluiu no processo a análise de práticas em diferentes frentes: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas consideradas "injustas ou preferenciais"; leis anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal.
Os alvos vão desde queixas antigas de Washington, como as tarifas brasileiras sobre a importação de etanol, até o Pix. Empresas americanas de cartão de crédito alegam que o Banco Central concede tratamento preferencial ao sistema de pagamento instantâneo, o que o governo Lula nega.
Após o encontro entre os presidentes, foi instaurado um grupo de trabalho com integrantes dos dois países para trabalharem juntos em meio à investigação. A expectativa era de que os países trabalhariam por 30 dias —o prazo se encerraria na próxima segunda (7), porém a decisão da Seção 301 veio antes.
No dia 19 de maio, Greer teve uma primeira reunião virtual com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa e, pelos dois lados, foi vista como positiva. Apesar disso, os brasileiros saíram frustrados com a falta de clareza sobre o prazo de um mês que Lula e Trump teriam dado a seus auxiliares para resolver divergências comerciais
Também sob a justificativa de perseguição política a Bolsonaro, o Brasil foi atingido no ano passado por um tarifaço de Trump que elevou a sobretaxa para até 50% sobre uma série de produtos.
Impactos inflacionários nos Estados Unidos e a gradual aproximação entre as gestões Lula e Trump —que culminou em dois encontros entre os presidentes no fim de 2025— levaram à ampliação de exceções ao tarifaço.
Em fevereiro, a Suprema Corte americana considerou ilegal o uso da IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional) para justificar tarifas abrangentes contra parceiros comerciais dos Estados Unidos. Como reação à determinação judicial, o republicano impôs uma tarifa global de 10%, que expira no final de julho.
Além da apuração aberta em 2025, o Brasil entrou na mira de outra ação do USTR, iniciada neste ano, para analisar se produtos fabricados com trabalho forçado estão entrando no mercado americano.
Esse processo avalia práticas em cerca de 60 países e foi lançado poucas semanas após a decisão da Suprema Corte que derrubou o tarifaço. Segundo especialistas, o objetivo dos EUA é mirar o comércio de parceiros com a China.
O plano do governo Trump é que essa segunda investigação tenha tramitação acelerada e as conclusões do USTR sejam publicadas em prazo mais curto do que o tradicional.
Por Isabella Menon e Ricardo Della Coletta/Folhapress
Projeto aumenta poderes da AGU e permite que Messias atue até em matérias do BC
Um projeto de lei proposto pelo governo que avançou na Câmara dos Deputados pode aumentar os poderes da Advocacia-Geral da União, ao incluir procuradorias de outros órgãos na AGU e permitir que o atual chefe da pasta, Jorge Messias, atue em qualquer matéria de interesse deles na justiça.
O texto relatado pelo deputado Lafayette de Andrada (PL-MG) foi aprovado em maio na Comissão de Constituição e Justiça da Casa e altera a Lei Orgânica da AGU ao incluir no órgão os cargos de procuradores federais e também do Banco Central.
Os procuradores federais são aqueles que atuam junto às agências, como a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a CVM (Comissão de Valores Imobiliários) e até o INSS.
Um trecho do projeto diz que o advogado-geral da União poderá avocar quaisquer matérias de interesse do órgão, dando plenos poderes ao chefe da pasta. O temor é que o poderio dado ao AGU possa ferir a autonomia desses órgãos.
A proposta é discutida no momento em que o Senado Federal se debruça sobre a PEC que dá mais autonomia ao Banco Central, projeto que enfrenta resistência dentro do governo.
A Associação Nacional dos Advogados da União teme impactos negativos com a proposta e diz que mudanças na autonomia das agências deveria ser concretizada por meio de emenda à Constituição.
"É imprescindível que essas entidades sejam chamadas pelo Parlamento para opinarem sobre a conveniência, para o interesse público, da ruptura do modelo atual", disse o presidente da entidade, Niomar Nogueira.
A principal crítica é que o novo modelo abre brecha para que os órgãos que hoje são vinculados à AGU passem a ter uma subordinação hierárquica direta ao titular da pasta.
O texto do governo também não delimita as funções de cada procuradoria. O receio é que sem uma definição clara de atuação cada órgão atue de forma discricionária e haja disputa entre as demandas.
A AGU negou que a proposta retire autonomia das entidades e disse que o texto é uma reivindicação histórica dos membros dessas carreiras porque moderniza a estrutura da instituição.
"Embora possuam autonomia administrativa, técnica e financeira em relação às suas entidades de origem, têm vinculação jurídica na relação com a Advocacia-Geral. Ambas estão sujeitas, portanto, à direção superior, supervisão jurídica e orientação normativa do advogado-geral da União", diz a nota.
Por Gabriela Echenique/Folhapress
Governo brasileiro considera injustificada proposta de tarifa dos EUA sobre produtos nacionais/ Por Redação
O governo federal classificou como sem fundamento técnico a proposta apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para aplicar uma tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras. Integrantes da equipe econômica argumentam que a medida não se justifica, já que o Brasil registra déficit comercial com os EUA e não adota barreiras que sustentem a aplicação de sanções desse porte.
Entre os pontos que mais geraram críticas por parte do governo brasileiro está a inclusão do Pix no relatório americano. O documento questiona a atuação do Banco Central como regulador e operador do sistema de pagamentos instantâneos, alegando possível favorecimento da plataforma em relação a concorrentes estrangeiros. A avaliação brasileira, no entanto, é de que o sistema ampliou a inclusão financeira e a competitividade no setor.
Apesar da insatisfação com a proposta, integrantes do governo consideram que o cenário poderia ser mais severo, já que havia expectativa de tarifas ainda maiores. O Brasil também vê de forma positiva a possibilidade de negociação aberta pelos Estados Unidos e a criação de um grupo de trabalho bilateral, acordada durante encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, para discutir as relações comerciais entre os dois países.
Pacote de bondades do governo Lula prevê ao menos R$ 27 bi em subsídios ao crédito
O pacote de medidas de estímulo lançadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prevê ao menos R$ 27,25 bilhões em subsídios a linhas de crédito para socorrer setores econômicos, facilitar a compra da casa própria e incentivar a aquisição de carros e caminhões. O custo recairá sobre os contribuintes, por meio do aumento da dívida pública.
O valor representa o chamado subsídio implícito, resultado da diferença entre o que o Tesouro paga para se financiar no mercado e a taxa menor recebida ao ceder recursos para linhas incentivadas. O cálculo é feito pelo próprio Ministério da Fazenda e indica o custo das políticas durante o período dos contratos.
O montante equivale a quatro vezes o orçamento destinado ao Farmácia Popular (R$ 6,5 bilhões) e quase seis vezes o programa Gás do Povo (R$ 4,7 bilhões). A fatura total de subsídios pode ser até maior, pois a pasta ainda não divulgou o impacto de algumas das medidas já anunciadas.
A Folha procurou o ministério desde a noite de 20 de maio para solicitar as estimativas restantes. Nos últimos dias, a pasta informou parte delas, mas disse que a publicação dos documentos que detalham os demais custos segue rito próprio. Por isso, alguns impactos seguem desconhecidos.
Em valor presente, os subsídios já divulgados somam R$ 20,1 bilhões. Esse número reflete o montante que seria absorvido pela União caso todas as obrigações ligadas aos contratos fossem honradas hoje.
Nos anúncios, a equipe econômica tem batido na tecla de que os repasses não afetam as regras fiscais. A avaliação é tecnicamente correta, por se tratarem de despesas financeiras, enquanto o arcabouço fiscal e a meta só consideram gastos não financeiros.
Esse, no entanto, também é o motivo que colocou a estratégia na mira do TCU (Tribunal de Contas da União), que vê nas linhas de crédito uma tentativa de drible às normas.
A ausência de impacto nas regras não significa custo nulo para a sociedade. O subsídio não aparece no Orçamento, mas tem impacto na dívida líquida do setor público, um importante indicador de solvência do país.
Em abril, a dívida líquida alcançou 67,4% do PIB (Produto Interno Bruto), o maior patamar da série histórica, iniciada em 2001. O indicador vem batendo sucessivos recordes desde junho de 2025, influenciado também por outros fatores, como o efeito do câmbio sobre as reservas internacionais. Seu crescimento obriga o governo a buscar um superávit ainda maior para estabilizar a trajetória.
Em nota, a Fazenda disse que "a transparência e o monitoramento dos custos fiscais associados às políticas de crédito e aos subsídios constituem uma agenda permanente do governo federal". Segundo a pasta, as informações são consolidadas em divulgações como o Orçamento de Subsídios da União.
Um integrante da equipe econômica afirma que as linhas de crédito estão sendo calibradas para que os subsídios sejam proporcionais ao retorno esperado em termos de sustentação da atividade econômica e apoio a públicos considerados vulneráveis. Esse interlocutor também pondera que algumas ações usam recursos já vinculados às áreas beneficiadas.
Especialistas e órgãos de controle, porém, questionam o uso crescente do expediente, dada a ausência de travas, a menor transparência e o impacto na dívida.
"O governo não paga o custo político de ter que escolher entre duas políticas, só socializa o custo para a sociedade inteira via taxa de juros", afirma Jeferson Bittencourt, chefe de macroeconomia do ASA e ex-secretário do Tesouro Nacional.
Uma das medidas de maior custo é a linha de R$ 30 bilhões para financiar a compra de carro para motoristas de aplicativo e taxistas. O Tesouro vai receber uma remuneração de 2,5% ao ano, ou 1,5% ao ano nas aquisições feitas por mulheres, bem abaixo do custo de financiamento da União (algo próximo à Selic, hoje em 14,5% ao ano).
A regulamentação foi aprovada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) em 20 de maio, e a exposição de motivos (onde o custo é detalhado) ainda não é pública. Mas a reportagem apurou que o subsídio implícito foi estimado em até R$ 8,46 bilhões em cifras nominais, ou R$ 6,9 bilhões em valor presente. A conta pressupõe que todos os financiamentos saiam à taxa mais baixa.
Outra medida com impacto relevante é a injeção de mais R$ 20 bilhões do Fundo Social do pré-sal para financiar moradias do Minha Casa, Minha Vida. A Fazenda informou à Folha que o subsídio implícito é calculado em até R$ 10,2 bilhões em valores nominais, considerando a taxa de juros reduzida para trabalhadores cotistas do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e o uso de todos os recursos disponíveis.
Ainda na habitação, o governo também ampliou o prazo para pagamento no programa Reforma Casa Brasil, que concede financiamento para melhorias habitacionais. A mudança vai impor um subsídio de R$ 850 milhões, adicional aos R$ 7,3 bilhões já estimados no lançamento da linha de crédito.
A segunda fase do programa Move Brasil, que vai disponibilizar R$ 14,5 bilhões da União para a compra subsidiada de caminhões, teve o custo implícito calculado em R$ 6,32 bilhões.
O governo ainda prevê um impacto de R$ 1,45 bilhão com os empréstimos às companhias aéreas, com recursos do FNAC (Fundo Nacional de Aviação Civil). A linha conta com R$ 8 bilhões disponíveis.
No caso dos R$ 10 bilhões extras do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) direcionados a projetos de indústria 4.0 e bens de capital verde, a Fazenda indicou apenas o valor presente do subsídio, calculado em R$ 1,69 bilhão. O impacto nominal, diluído ao longo dos contratos, tende a ser maior que isso.
O ministério afirmou ainda que, como os recursos do FAT já são destinados a financiamentos por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a medida não tem impacto adicional na dívida bruta do governo, embora a diferença de taxas resulte na elevação da DLSP.
Por outro lado, o governo ainda não divulgou o custo implícito do Plano Brasil Soberano 2.0, que prevê mais R$ 15 bilhões em recursos para empresas exportadoras afetadas pelo tarifaço dos Estados Unidos e pela guerra no Irã.
Tampouco informou o custo ligado à linha de R$ 10 bilhões para financiar a compra de máquinas agrícolas a taxas subsidiadas —nesse caso, as condições da linha ainda não foram regulamentadas.
Em entrevista recente à Folha, a secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire, reconheceu que as medidas carregam um subsídio implícito, mas ponderou que há também um estímulo ao crescimento, o que contribui para reduzir a relação dívida/PIB. Não há, no entanto, estimativas desse efeito.
Para Jeferson Bittencourt, os empréstimos podem ser um instrumento adequado e mais funcional para determinadas políticas públicas, mas o modelo impõe maior dificuldade de controle —daí a importância da estimativa de subsídio implícito.
Bittencourt integrou a equipe técnica da Fazenda que desenvolveu a primeira metodologia desse cálculo em 2013, num momento em que o alto volume de empréstimos da União ao BNDES passou a ter impacto relevante na dívida. A norma nasceu após uma batalha interna na pasta e uma determinação do TCU.
"Num país que não tem recursos sobrando, precisamos conseguir comparar as políticas", diz. Ele observa que só o crédito para motoristas de app pode custar mais do que o Farmácia Popular e o programa Gás do Povo.
Uma auditoria recente do TCU criticou o que classificou de "estruturas paralelas" para executar políticas fora do Orçamento e determinou a adoção de mecanismos de transparência. Segundo um integrante da equipe econômica, o governo pode vir a detalhar mais essas informações, inclusive com um novo anexo no PLOA (projeto de Lei Orçamentária Anual).
Por Idiana Tomazelli/Folhapress
Comércio de Ipiaú funcionará normalmente no dia de Corpus Christi, informa CDL
A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Ipiaú informou que o comércio local funcionará normalmente na próxima quinta-feira, 4 de junho, data em que é celebrado o Corpus Christi.
O esclarecimento foi divulgado por meio de comunicado oficial nas redes sociais da entidade.
De acordo com a CDL, o Decreto Municipal nº 8.090/2026 estabelece ponto facultativo apenas para as repartições públicas municipais. Dessa forma, lojas, estabelecimentos comerciais e demais empresas da iniciativa privada poderão manter suas atividades normalmente, seguindo os horários habituais de atendimento.
Embora seja uma das celebrações religiosas mais tradicionais do país, o Corpus Christi não é considerado feriado nacional. A data é tratada pelo Governo Federal como ponto facultativo, cabendo aos estados e municípios definir, por meio de legislação própria, se haverá ou não feriado local.
Na iniciativa privada, a legislação não obriga o empregador a conceder folga aos funcionários em datas classificadas como ponto facultativo. A dispensa do trabalho só é obrigatória quando houver lei municipal ou estadual decretando feriado na localidade.
Já para os servidores públicos, a situação costuma ser diferente. O Governo Federal e a maioria das prefeituras adotam o Corpus Christi como ponto facultativo ou feriado administrativo, garantindo a suspensão do expediente para o funcionalismo público. Por: Giro Ipiaú
Trump nomeia Daniel Perez, deputado da Flórida, como novo embaixador dos EUA no Brasil
Daniel Perez é presidente da Câmara de Representantes da Flórida
O presidente dos EUA, Donald Trump
O presidente Donald Trump nomeou nesta segunda-feira (1º) Daniel Perez como o novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil.
Republicano, Perez é o presidente da Câmara de Representantes da Flórida. A designação será encaminhada para confirmação do Senado americano.
Com a chegada de Perez, os EUA voltarão a ter um embaixador no país desde que Elizabeth Bagley —indicada por Joe Biden— deixou o posto após o fim do mandato do democrata. A missão americana no Brasil é atualmente comandada pelo encarregado de negócios, Gabriel Escobar.
De acordo com seu site oficial, Perez é cubano-americano de primeira geração. Ele foi eleito para a legislatura estadual pela primeira vez em 2017. Ele nasceu em Nova York e se mudou para a Flórida com a família em 1993.
Segundo a imprensa americana, Perez é conhecido por, apesar de republicano, ter travado diversas discussões com o governador Ron DeSantins.
No ano passado, discordaram por diferentes temas, como imigração, ensino superior, perfuração de petróleo em alto-mar e até normas de segurança para condomínios.
De acordo com o site Governing, Perez acusou o governador de mentir, agir de forma emocional e ter acessos de raiva. "Ameaçar os outros para conseguir o que você quer não é liderança, é imaturidade", disse o parlamentar no ano passado.
Por Ricardo Della Coletta/Isabella Menon/Folhapress
PF erradica plantação ilegal de maconha no Piauí
Durante a operação, equipes policiais localizaram, em uma propriedade rural da região, uma roça com milhares de pés de maconha. No local, também foram encontrados e inutilizados equipamentos utilizados no plantio, na irrigação, no beneficiamento, no preparo e na compactação da droga.
Os levantamentos preliminares indicam que o local havia sido abandonado há alguns dias pelos responsáveis pelo cultivo ilícito, circunstância que impossibilitou a realização de prisões em flagrante.
PF e PM/SP apreendem 33 pistolas e carregadores em Porto Feliz/SP
Armas e carregadores são provenientes do Paraguai e tinham como destino comunidades do Rio de Janeiro dominadas por facções criminosas; suspeito foi preso em flagrante
Rio de Janeiro/RJ. No domingo (31/5), a Polícia Federal prendeu um suspeito de nacionalidade paraguaia com 33 pistolas e carregadores (15 para fuzil e 28 para pistolas) na Rodovia Castelo Branco, altura do município paulista de Porto Feliz. A ação contou com o apoio da Polícia Militar de São Paulo (PM/SP).
A investigação, desenvolvida no contexto da Força-Tarefa Missão Redentor II, apurou que as armas eram oriundas do Paraguai e tinham como destino comunidades do Rio dominadas por facções criminosas.
A ação está alinhada às diretrizes estabelecidas no âmbito da ADPF 635 (STF), com foco na desarticulação logística e financeira de organizações criminosas.
O investigado, o armamento apreendido e os demais elementos de prova foram encaminhados à Delegacia de Polícia Federal em Sorocaba, para lavratura do auto de prisão em flagrante pelo crime de tráfico internacional de armas de fogo.
Após os procedimentos de polícia judiciária, o suspeito será encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.
Comunicação Social da Polícia Federal no Rio de Janeiro
Tarcísio diz que Jair Bolsonaro conversou com ele algumas vezes sobre concorrer à Presidência
O governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos)
O governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta segunda-feira, 1º, que o ex-presidente Jair Bolsonaro discutiu com ele, em algumas ocasiões, a possibilidade de lançá-lo como candidato do bolsonarismo à Presidência da República neste ano. Segundo Tarcísio, porém, a resposta foi de que preferia permanecer à frente da gestão estadual.
As declarações foram feitas em entrevista ao programa Pânico, da rádio Jovem Pan FM. O chefe do Executivo paulista foi questionado sobre se aceitaria a missão caso tivesse sido indicado pelo capitão reformado.
"Olha, ele não indicou. E, desde o início, ele conversou comigo algumas vezes sobre isso. Eu falei: 'Presidente, a minha intenção é ficar em São Paulo, porque é o maior colégio eleitoral do Brasil'", disse Tarcísio. "Imagina hoje se eu saísse de São Paulo, quem seria o candidato? Olha o risco que a gente ia ter de, inclusive, perder São Paulo."
O governador afirmou ainda que, dentro de uma lógica de grupo político, era preciso compreender qual papel cabia a cada integrante. Ele afirmou que tinha uma função de "contenção" a cumprir em no território paulista e avaliou que deixar esse posto poderia prejudicar até mesmo a eleição nacional.
Tarcísio também disse estar "muito feliz" no governo paulista e afirmou ter recebido um "grande voto de confiança" da população de São Paulo, que pretende honrar. Segundo ele, há satisfação com o trabalho realizado pela gestão estadual.
"Meu candidato [à presidência] é o Flávio"
Durante a entrevista ao programa Pânico, Tarcísio de Freitas reiterou que seu candidato à Presidência da República é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Sem comentar a possível relação entre Flávio e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o governador ressaltou sua lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem atribuiu sua entrada no cenário nacional e a oportunidade de ter sido ministro.
Segundo o chefe do Executivo paulista, desde o início ele deixou claro que apoiaria Bolsonaro ou o nome indicado pelo ex-presidente. Como Bolsonaro indicou Flávio, afirmou o governador, seu candidato é o senador, cuja campanha em São Paulo deverá coordenar.
Tarcísio fez elogios aos demais pré-candidatos de direita Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, mas salientou não acreditar que espaço para tais lideranças, que classificou como "regionais".
"Eu entendo que também há pouco espaço para a terceira via, há pouco espaço para outras candidaturas", afirmou. "Está muito polarizado, então não tem espaço para essas lideranças regionais emergirem como uma liderança nacional. Então a disputa vai ser entre (o presidente) Lula e o Flávio, não há dúvida disso."
"Jair Bolsonaro fora do jogo político"
Tarcísio de Freitas voltou a criticar a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, durante a entrevista na rádio Jovem Pan FM. Segundo o governador, houve "grande maldade" ao tirar Bolsonaro do jogo político e impedir que ele se pronunciasse, diante do "peso" que o ex-presidente tem, de sua capacidade de "mover o ponteiro" e de mobilizar apoiadores.
Segundo Tarcísio, Bolsonaro é uma "liderança incontestável". O governador afirmou que não tem falado recentemente com o ex-presidente por causa da agenda extensa, mas disse que pretende procurá-lo. Ele ressaltou ter com Bolsonaro uma relação de amizade, consideração e proximidade.
"Extremamente injustiçado. Se a gente pegar o processo dele, a gente vai ver uma série de fragilidades", continuou. "A gente não pode concordar com tudo que aconteceu. E eu imagino que, num futuro próximo, a gente vai ver a Justiça também prevalecendo."
Uma das principais promessas do pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, para o caso de vitória nas eleições presidenciais deste ano é levar Jair Bolsonaro para subir a rampa do Palácio do Planalto na cerimônia de posse, em janeiro de 2027.
Por Geovani Bucci, Estadão Conteúdo
Dona de produtora do 'Dark Horse' expandiu negócios depois de conhecer Mario Frias
Karina Gama, dona da produtora de 'Dark Horse', filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)
Moradora da Brasilândia, na periferia norte de São Paulo, Karina Gama, 47, dona da produtora de "Dark Horse", costuma sair cedo de casa e enfrentar o trânsito até a rua Haddock Lobo, na região nobre dos Jardins, onde administra suas empresas.
Ela está na direção de ao menos seis empreendimentos, que não se restringem mais à esfera cultural nem à cidade onde vive. Neste ano, começou uma holding de instituições não-financeiras, a Gama Participações Ltda, em Aracaju (SE), e virou sócia da Upcon Serviços Especializados Ltda, voltada à construção de edifícios, com sede em Salvador (BA).
Sua ascensão profissional coincide com o momento em que conheceu o deputado federal Mario Frias (PL-SP). Os dois foram apresentados quando o ex-ator-global assumiu a secretaria de Cultura no governo Bolsonaro, em 2020, e se conectaram por afinidade ideológica, segundo fontes ouvidas pela reportagem.
A amizade abriu as portas para que Karina ganhasse projetos do campo político conservador. A partir de 2020, suas empresas passaram a receber dinheiro para trabalhar em campanhas do PL, inclusive a de deputado federal de Mario Frias, e verbas de emendas, como mostrou a Folha.
Um dos maiores contratos veio do chamamento público de R$ 108 milhões, da Prefeitura de São Paulo, para fornecer wi-fi a comunidades carentes. O acordo está sob investigação do Ministério Público e da Polícia Civil, que realizou operação em endereços ligados a Karina nesta segunda-feira (1º).
Nem Frias nem a empresária responderam à Folha sobre a ascensão dos negócios de Karina desde que ela conheceu o parlamentar.
Apesar de administrar valores milionários, Karina não tem imóveis registrados em seu nome, segundo pesquisa em cartórios do estado de São Paulo. Ela requereu a concessão de uso da casa da família na Brasilândia, por meio de um programa para pessoas de baixa renda, mas o pedido foi indeferido por não preencher os requisitos previstos em lei.
Com Wemerson Marinho, de quem está se divorciando, firmou contrato em 2023 para comprar uma casa de mais de R$ 2 milhões em Santana de Parnaíba (SP), mas deixou de pagar as parcelas no ano passado. O caso está na Justiça.
Mãe de dois filhos, Karina é evangélica desde os 16 anos e frequentadora do Templo de Salomão na Igreja Universal. É descrita como de trato cordial, mas com "rolos nos negócios" que afastaram antigos parceiros.
Ela diz que o seu interesse por projetos sociais veio da religião, o que a levou a atuar, a partir de 2014, no Instituto Conhecer Brasil, do qual é presidente. O instituto é uma associação privada, sem fins lucrativos, que recebeu dinheiro de emendas de Frias para projetos envolvendo letramento digital e esportes, além do contrato com a prefeitura de São Paulo.
Karina tinha, antes de 2020, a K F da Gama Produções, empresa individual aberta em 2005, com capital de R$ 1 mil, voltada a atividades culturais e de marketing.
Formada em jornalismo pela Unip (Universidade Paulista), ela lista nas redes sociais sua experiência na presidência de associações privadas, atuação no Conselho Municipal do Direito da Criança e do Adolescente na cidade de São Paulo e trabalhos como secretária-executiva. Segundo fontes, Karina vivia, até 2019, uma vida de assalariada cuja remuneração não ultrapassava R$ 25 mil.
A partir de 2020, já sob o governo Bolsonaro, ela mudou o tipo jurídico da K F da Gama Produções, que viraria a Conhecer Brasil Assessoria Produção e MKT Cultural, com indícios de aumento da capacidade econômica operacional da empresa.
No mesmo ano, fundou a Academia Nacional de Cultura, associação privada que também recebeu emendas de parlamentares bolsonaristas para uma série sobre heróis nacionais, valor ainda não pago em razão de pendências no projeto, segundo o governo do Estado de São Paulo.
Um ano depois, fundou a Go Up, produtora de "Dark Horse" que não tem filmes registrados na Ancine (Agência Nacional do Cinema). É sócia-administradora da empresa nos Estados Unidos, ao lado de Michael Brian Davis.
As quatro empresas e associações —o ICB, a ANC, a Conhecer Brasil e a Go Up— têm na Receita Federal o endereço de um escritório virtual, na avenida Paulista, onde há serviço de recebimento de correspondência simples.
Já o endereço no qual Karina trabalha, na Haddock Lobo, tem placa do Instituto Conhecer Brasil no prédio e recebeu a visita, segundo fontes ouvidas pela reportagem, de Mario Frias e de Eduardo Bolsonaro. Frias, que fez a ponte entre Karina e a família Bolsonaro, incluindo o senador Flávio (PL-RJ), nega qualquer irregularidade com dinheiro público nas transações feitas para as empresas de Karina.
No ano passado, Karina deu um novo passo nos empreendimentos. Pela ANC (Academia Nacional de Cultura), lançou a Connect Faith, uma feira de fé e tecnologia adiada duas vezes antes de estrear com os corredores vazios, registrados em vídeos acessados pela reportagem.
Inicialmente programada para ocorrer em outubro de 2024, ela foi adiada para novembro e depois remarcada para junho do ano seguinte, sob justificativas de "acontecimentos ocasionados por força maior" e em "virtude da proximidade das eleições".
O evento aconteceu na Expo Center Norte, em São Paulo, e teve como apresentação principal show do cantor gospel estadunidense Kirk Franklin, com ingressos de R$ 300 a R$ 500.
A prefeitura de São Paulo cobriu R$ 3,5 milhões de despesas da feira, via Secretaria Municipal de Turismo. Os gastos envolvem itens e serviços como agentes de limpeza, bombeiro, água mineral, café, produtor executivo e recepcionista. À Folha a pasta informou que o apoio foi destinado à infraestrutura do evento, que tinha público estimado em 60 mil pessoas.
Em fevereiro de 2026, a empresária expandiu o território de atuação e área de negócio, até então restrita à cultura, abrindo a Gama Participações Ltda, em Aracaju (SE), com atividades de holding de instituições não-financeiras, compra, venda e aluguel de imóveis próprios. O capital social é de R$ 100 mil, e Karina é a única sócia.
No mesmo mês, ela entrou como sócia da Upcon Serviços Especializados Ltda, quando Ademar de Sena Sampaio, naquele momento o único sócio, transferiu gratuitamente quase metade das cotas para Karina, e ela passou a exercer de maneira isolada a administração da sociedade, voltada à construção de edifícios. A empresa foi criada em 2016 e teve sede inicial em Brasília, mas agora está em Salvador (BA). A Folha tentou falar com Sampaio, que não respondeu.
Karina Gama não respondeu os contatos da reportagem. Em entrevista anterior, por escrito, ela elogiou o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. Segundo Karina, "Dark Horse" merece seis Oscars.
"Posso dizer que o Mario Frias é um homem da cultura e das artes cênicas, um gênio do audiovisual e que, efetivamente, trabalhou muito para o sucesso do nosso filme, que ficou magnífico, formidável mesmo. Quando ganharmos o Oscar, ele estará comigo em Hollywood levantando a estatueta de melhor filme", afirmou.
Evolução das empresas e associações de Karina Gama
2005 - Abre a K F da Gama Produções, empreendimento na área de eventos com capital social de R$ 1 mil, em São Paulo
2014 - Entra no Instituto Conhecer Brasil, associação privada sem fins lucrativos da qual é presidente, em São Paulo
2020 - K F da Gama, que vira a Conhecer Brasil Assessoria Produção e MKT Cultural, muda tipo jurídico e apresenta indício de aumento da capacidade econômica operacional
2020 - Funda, em São Paulo, a ANC (Academia Nacional de Cultura), associação privada ligada a atividades culturais
2021 - Abre em São Paulo a Go Up, produtora do filme "Dark Horse", que também opera nos Estados Unidos
2026 - Abre a Gama Participações Ltda, com atividades de holding de instituições não-financeiras, compra, venda e aluguel de imóveis próprios e sede em Aracaju (SE)
2026 - Entra como sócia da Upcon Serviços Especializados Ltda, voltada à construção de edifício e com sede em Salvador (BA).
Por Ana Gabriela Oliveira Lima, Folhapress
Prefeitura de Ipiaú lança REFIS 2026 com até 100% de desconto em juros e multas
Objetivando promover a regularização de dívidas tributárias e não tributárias de pessoas físicas e jurídicas, a Prefeitura Municipal de Ipiaú lançou oficialmente o Programa de Recuperação Fiscal- REFIS 2026-. A iniciativa oferece condições especiais que vão desde descontos de 100%, sobre juros e multas, para os contribuintes que optarem pelo pagamento à vista.
O pagamento à prazo não tem excedente de grandes multas, podendo ser feito com os descontos chegando a 90% no caso o contribuinte optar pelo parcelamento em até 12 meses. Aqueles que preferirem parcelar o pagamento entre 13 a 20 meses terão 80% de desconto , enquanto os que optarem pelo parcelamento de 21 a 24 vezes terão 70% de desconto.
Confira:
Pagamento à vista: 100% de desconto em juros, multas e honorários advocatícios;
Parcelamento em até 12 vezes: 90% de desconto;
Parcelamento de 13 a 20 vezes: 80% de desconto;
Parcelamento de 21 a 24 vezes: 70% de desconto.
O programa contempla débitos municipais de diferentes naturezas, incluindo aqueles já inscritos em dívida ativa ou que estejam em processo judicial até 2025. A adesão ao REFIS 2026 estende-se até o dia 30 de novembro.
FORTALECIMENTO DA ARRECADAÇÃO
Além de facilitar a negociação das dívidas, proporcionando aos cidadãos e empresas a oportunidade de ficarem em dia com o município, o REFIS permitirá o fortalecimento da arrecadação e ampliação dos investimentos públicos. A arrecadação do REFIS é reinvestida em áreas prioritárias determinadas pela administração municipal , a exemplo de serviços essenciais , saúde, educação , infraestrutura e melhorias urbanas, conforme as metas estabelecidas na Lei Orçamentária Anual(LOA) e aprovadas pela Câmara Municipal.
“Nosso objetivo é proporcionar aos cidadãos a oportunidade de quitar seus débitos de forma acessível, promovendo justiça fiscal e fortalecendo a capacidade de investimento do município em áreas essenciais para a população”, destacou um representante da gestão municipal. A Prefeitura orienta os contribuintes a não deixarem para a última hora e aproveitarem os benefícios oferecidos pelo programa.
ONDE ADERIR
A adesão ao REFIS 2026 poderá ser feita diretamente no Departamento Municipal de Arrecadação e Execução Tributária, localizado na Praça Ruy Barbosa, prédio do SAC, no período das 8 às 12 e das 14 às 17 horas. Mais informações poderão ser obtidas pelo WhatsApp do Departamento de Tributos, com o número (73) 3531-4185.
Vítimas de acidente com 16 mortos na Bahia eram da mesma família e retornavam de festa de aniversário
Batida aconteceu no domingo (31), na BR-116, em trecho de Santa Terezinha. Elas moravam em Salvador e retornavam à capital baiana depois de passar o fim de semana em Amargosa, no interior baiano.
As dezesseis pessoas que morreram após uma batida frontal entre um caminhão e uma van, na tarde de domingo (31), na BR-116, em um trecho de Santa Terezinha, a 109 km de Feira de Santana, eram da mesma família. Elas moravam em Salvador e retornavam à capital baiana após participarem de uma festa de aniversário na cidade de Amargosa, no interior do estado.
Segundo informações apuradas pela TV Bahia, as vítimas moravam no bairro de Fazenda Coutos, no subúrbio ferroviário de Salvador. Os nomes delas não foram divulgados.
Outras quatro pessoas ficaram gravemente feridas e estão internadas. Uma delas precisou passar por cirurgia.
O motorista do caminhão foi socorrido para o Hospital Municipal de Itatim e, posteriormente, transferido para o Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus, onde permanece custodiado. Ele foi autuado por homicídio doloso na condução do veículo.
Ainda não há informações sobre a causa do acidente. Segundo a polícia, há indícios de que a colisão aconteceu depois que o caminhão invadiu a contramão.
1 de 3 Colisão entre van e caminhão deixa mortos na BR-116, na Bahia — Foto: Blog do ValenteSete corpos foram encaminhados para o Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Santo Antônio de Jesus, enquanto outros nove foram levados para a unidade de Feira de Santana.
Por causa do acidente, o trecho da BR-116 ficou interditado nos dois sentidos por cerca de 12 horas. O tráfego foi totalmente liberado por volta das 4h desta segunda-feira (1º).
2 de 3 Batida entre van e caminhão ocorreu em trecho de Santa Terezinha, na Bahia — Foto: Blog do Valente
Após a tragédia, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), decretou luto oficial de três dias no estado.
"Recebi com tristeza a notícia do acidente ocorrido na BR-116. Estamos acompanhando a situação e prestando todo o apoio necessário às vítimas e suas famílias neste momento. Que Deus conforte o coração de todos", escreveu nas redes sociais.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a colisão foi registrada por volta das 16h40, no km 506 da rodovia. A TV Subaé, afiliada da TV Bahia na região, apurou que o trecho onde ocorreu a batida é de pista simples.
Por g1 Feira de Santana e região e TV Subaé
01/06/2026 06h51 Atualizado 01/06/2026
Ipiaú: Carro com grupo armado capota na BR-330 e deixa ao menos 04 feridos
Um grave acidente foi registrado por volta das 10h20 deste domingo (31), em um trecho da BR-330, nas proximidades da Fábrica de Polpas de Frutas Doce Mel, em Ipiaú. De acordo com informações apuradas pela reportagem do GIRO no local, um veículo modelo Ford Ecosport, que seguia no sentido Ipiaú, saiu da pista após o motorista perder o controle da direção. O automóvel desceu um barranco, capotou diversas vezes e parou sobre uma cerca às margens do Rio de Contas.
O carro era ocupado por seis homens. Conforme as informações preliminares, dois dos ocupantes são moradores de Ipiaú. Pelo menos quatro pessoas sofreram escoriações em decorrência do acidente e foram socorridos pelo Samu. Outros dois ocupantes não foram encontrados no local após a ocorrência. Um dos feridos, residente no município de Wenceslau Guimarães, foi detido pela Polícia Militar após ser constatado que estava armado. Guarnições da PM foram acionadas e iniciaram os procedimentos de averiguação. Agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que estavam em uma área próxima ao local do acidente, também foram mobilizados para prestar apoio à ocorrência.
Ainda segundo as informações obtidas pela reportagem, os ocupantes do veículo com placa de Ipiaú serão conduzidos para averiguação. As forças de segurança apuram as circunstâncias da presença do grupo armado na região e buscam esclarecer qual seria o objetivo da viagem. O caso segue em investigação e a polícia deverá divulgar mais detalhes da ocorrência nas próximas horas. *Informações do site Giro Ipiaú
Crime custa ao menos R$ 107 bi à indústria brasileira, mostra CNI
O crime custa ao menos R$ 107 bilhões por ano para a indústria brasileira, entre prejuízos diretamente causados pelo mercado ilícito e gastos associados à prevenção e segurança.
É o que mostra uma sondagem da CNI (Confederação Nacional da Indústria). O levantamento ouviu 1.398 empresas de 32 setores industriais de pequeno, médio e grande porte de todo o país, entre os dias 3 e 12 de novembro do ano passado.
Dos R$ 107 bilhões, R$ 68,8 bilhões são só em gastos com prevenção contra crimes. Nesse pacote, entram, por exemplo, despesas com vigilância patrimonial, monitoramento eletrônico, segurança cibernética e proteção pessoal.
Os outros R$ 39,1 bilhões são resultado direto de atos criminosos na receita líquida das empresas. Aqui, entram desde roubo de carga e furto de matéria-prima até pirataria, contrabando e "gatos" de energia elétrica.
"São recursos que poderiam ser revertidos em novos investimentos, emprego e melhoria na produção", afirma o superintendente de política industrial da CNI, Fabrício Silveira, responsável pela sondagem.
A CNI afirma que parte dos prejuízos pode estar associada à atuação do crime organizado, embora a sondagem não permita mensurar esse impacto. Segundo Silveira, setores como combustíveis e bebidas já registraram casos com indícios relevantes de participação de organizações criminosas.
"Tanto no caso do metanol [contaminação de bebidas no ano passado] quanto nas operações no setor de combustíveis havia vínculos bastante fortes com esse tipo de atuação criminosa", afirma.
Silveira ressalta, contudo, que é difícil quantificar quanto do custo total estimado pela pesquisa está relacionado às facções. Segundo ele, as empresas consultadas não identificam quem está por trás dos crimes, mas apenas os prejuízos sofridos. "Elas conseguem mensurar as perdas, mas não necessariamente apontar quem está por trás delas", diz.
Segundo o levantamento, as perdas pelo crime afetam mais de um terço das empresas industriais do país, e os efeitos são mais acentuados nas de pequeno e médio porte. Em números, o impacto negativo médio nas companhias menores é de 0,6% da receita líquida anual. Em médias e grandes, é de 0,8% e 0,4%, respectivamente.
Essa análise segmentada por porte das companhias é, segundo o estudo, especialmente relevante por considerar o papel que desempenham na economia.
As micro e pequenas empresas são quase a metade (44%) de toda a indústria brasileira, segundo dados de 2024 do Sebrae. "Quando pressionadas por ilícitos, elas reduzem investimentos, postergam projetos e tornam-se mais avessas ao risco, o que pode comprometer a renovação produtiva e o crescimento de longo prazo da economia", diz Silveira.
Entre os tipos de crimes que mais afetam a indústria, a CNI aponta que o roubo de carga é líder em ocorrências (32%).
Para Silveira, o perfil dos crimes varia conforme o porte da empresa. "As menores, por exemplo, enfrentam mais problemas com crimes patrimoniais dentro das próprias instalações, como roubos e furtos. Já o roubo de cargas é mais comum entre médias e grandes empresas."
Somente no estado do Rio de Janeiro, segundo a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), essa categoria de ilícito impõe um ônus pesado à economia logística: em 2025, foram registrados mais de 3.000 casos –o equivalente médio a oito caminhões atacados por dia apenas no estado. Em valores, o prejuízo estimado ficou em cerca de R$ 314 milhões para as empresas da região.
A não conformidade de produtos com regulamentações técnicas ficou em segundo lugar entre os ilícitos mais reportados.Isto é, quando empresas são afetadas pelo comércio ilegal de produtos que não atendem normas técnicas, regulatórias ou de segurança exigidas pela lei. Como exemplo, o estudo cita a ausência de certificações obrigatórias, rótulos inadequados ou qualidade aquém dos padrões predeterminados.
Nesse ponto, a pirataria e a falsificação também são discriminadas pelas empresas, em quinto lugar entre os ilícitos mais citados.
Além de riscos à saúde do consumidor, diz a CNI, essas práticas geram concorrência desleal, já que custa menos produzir e o produto, em si, costuma ser mais barato do que o feito em total conformidade com as normas.
A perda de participação de mercado –decorrente tanto da concorrência desleal quanto do roubo de cargas– é apontada como um dos principais efeitos negativos do crime na indústria por 30% das empresas impactadas, atrás apenas de perda de receita bruta (50%)
"Enquanto o roubo de cargas compromete a receita ao impedir a entrega e venda dos produtos, a falta de conformidade na produção ou venda implica perda de receitas por meio desleal, que reduz o mercado das empresas que operam dentro da legalidade", diz o levantamento.
O aumento de custos com segurança (28%) e custos jurídicos adicionais (10%) são os outros efeitos mais citados.
As empresas também foram questionadas sobre como enfrentam essas ilegalidades. Medidas de fiscalização e controle lideram com 77%, seguidas por ações de inteligência (46%). Um terço das companhias (36%) também citam o endurecimento da legislação como uma das formas de combater o crime na indústria.
Segundo a CNI, a ênfase à fiscalização e ao controle reflete a percepção de que, para reduzir a incidência desses crimes, o poder público deve atuar de forma mais contundente em pontos de comercialização e circulação de produtos irregulares.
Por Tamara Nassif e Matheus dos Santos/Folhapress
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