ARTIGO SOBRE PAI QUE MATOU FILHOS – Não foi amor. Foi controle.
Por Danda Coelho – bacharel em Direito.
Um homem, alegando traição, matou os dois próprios filhos e depois tirou a própria vida. Deixou uma carta. Pediu perdão. Tentou explicar. Tentou justificar o injustificável.
Eu li sobre o caso. Li trechos da carta. Li comentários que se espalharam nas redes como se fossem sentenças. E, como mulher, como mãe de dois filhos e como fundadora do Movimento Mulheres Cuidando de Mulheres, eu não consigo, e não vou, ficar em silêncio.
Não foi uma fatalidade.
Não foi uma tragédia inexplicável.
Não foi excesso de amor.
Foi um crime brutal. Foi uma decisão. Foi um ato de violência com intenção.
O que mais me atravessa, além da dor do fato em si, é o tribunal digital que se instala logo depois. Sempre há uma plateia pronta para julgar a mulher. Sempre há alguém perguntando por que ela não saiu antes. Como se a responsabilidade pela violência masculina fosse, de alguma forma, compartilhada.
Enquanto essa mãe segurava a alça de dois caixões, dois seres que ela gerou, amou profundamente e colocou no mundo, havia gente discutindo sua vida íntima. Enquanto ela enterrava os próprios filhos, havia quem tentasse encontrar nela a origem do crime.
Essa lógica é cruel.
Quando um homem não aceita o fim de um relacionamento e transforma frustração em violência, eu não vejo amor. Eu vejo necessidade de domínio. Vejo incapacidade de lidar com a autonomia feminina. Vejo a recusa em aceitar que uma mulher pode escolher ir embora.
O feminicídio não começa no último ato. Ele começa no controle. Começa quando a autonomia da mulher passa a ser vista como ameaça.
A violência contra a mulher não termina no ato físico. Ela se manifesta em manipulações emocionais, em chantagens, em tentativas de desmoralização pública e, nos cenários mais perversos, no uso dos próprios filhos como instrumento para atingir e punir.
Quando um homem utiliza uma criança como arma emocional, quando a coloca no centro de um conflito para ferir a mãe, ele ultrapassa qualquer limite moral. Crianças não são extensão do ego masculino. Não são propriedade. Não são escudo. Não são instrumento de vingança.
Neste caso, o que vemos é ainda mais brutal: diante da frustração e da perda de controle, ele utilizou aquilo que sabia ser mais valioso para ela, os filhos, como forma de punição definitiva. Não é sobre desespero. É sobre poder. É sobre causar uma dor que ele sabia que seria eterna.
Quando alguém transforma dor em violência, isso não é ausência de razão. É escolha. E quando envolve outras vidas, não é descontrole… é responsabilidade.
A carta deixada por ele não pode ser lida como um gesto romântico ou desesperado. É uma tentativa de controlar a narrativa. É uma estratégia para deslocar a culpa do próprio ato. É a tentativa de transformar sua violência em consequência da ação dela.
Mas não há explicação legítima.
E eu faço questão de afirmar, com toda a clareza que esse momento exige:
“A mãe não é causa, gatilho ou corresponsável.
Ela não provocou o crime.
Ela perdeu seus filhos. Ela é vítima.
Nomear essa crueldade é um dever ético.
Silenciá-la é conivência.
O que ocorreu foi violência extrema com finalidade punitiva, expressão de narcisismo patológico e profundo desequilíbrio emocional.
A responsabilidade é única, exclusiva e intransferível.”
Eu sou mãe de dois filhos. Dois tesouros que sustentam meu mundo. E é impossível não fazer o paralelo. É impossível não imaginar, ainda que por um segundo, o vazio absoluto que seria viver sem eles. Nenhuma mãe deveria conhecer essa dor. Nenhuma.
Essa mulher não apertou o gatilho.
Ela não escreveu a carta.
Ela não tirou a vida dos filhos.
O que ela fez foi sobreviver ao inimaginável. O que ela fez foi sepultar dois pedaços do próprio coração.
E, ainda assim, há quem aponte o dedo.
Se toda mulher traída, espancada, humilhada resolvesse matar os filhos como resposta à dor, não ia ficar quase ninguém na Terra. A dor não é privilégio masculino. O que diferencia não é intensidade de sofrimento, é escolha diante dele.
Sofrimento não é autorização para destruir.
Que a gente nunca confunda sofrimento com permissão para ferir.
Quando a sociedade minimiza sinais de controle, quando naturaliza o ciúme excessivo, quando relativiza ameaças sob o argumento de “ele ama demais”, ela participa da construção de tragédias anunciadas. Cada vez que alguém diz que a mulher deveria ter saído antes, mas não pergunta por que o agressor não respeitou limites, reforça-se o ciclo.
Nenhuma mulher deve ser punida por existir. Nenhuma mulher deve pagar com a própria vida, ou com a vida dos filhos, por exercer sua autonomia. E nenhuma criança deve ser arrastada para guerras que não são suas.
Eu termino reafirmando, porque isso precisa ficar registrado sem ambiguidade:
Usar os filhos como último ato de controle sobre uma mulher não é prova de amor, é prova de posse. E crueldade. É machismo. É a face mais brutal do feminicídio. Não culpem a mulher.
A responsabilidade é de quem escolheu ferir, dominar e destruir.
Isso não era amor. Era controle. Era violência!
A essa mãe, que agora carrega uma ausência irreparável, eu ofereço minha solidariedade mais profunda. Como ativista. Como mulher. Como mãe.
O Movimento Mulheres Cuidando de Mulheres está ao lado dela. Para que ela não carregue, além do luto, a culpa que não lhe pertence. Para que o julgamento não se some à dor.
Ela já carrega o peso mais devastador que alguém pode suportar.
Ela não precisa carregar também a crueldade da sociedade.
Sobre Danda Coelho
Danda Coelho é bacharel em Direito, professora, doutora, jornalista, palestrante, dedicada a estudar vínculos, emoções, estruturas sociais que atravessam os relacionamentos e caminhos de superação, inclusive após rupturas afetivas.
Seu projeto @mulherescuidandodemulheres surgiu da necessidade de criar um espaço seguro onde mulheres pudessem dividir suas dores sem julgamento e, a partir disso, receber orientação baseada em pesquisa, prática e empatia.
Em casos de violência, mulheres podem buscar ajuda pelo Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher), pelo 190 em situações de emergência, pelas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e pela rede de proteção social e de saúde.
PF apreende 199 kg de cocaína e pasta base em abordagem na Região Metropolitana de Curitiba
Curitiba/PR. A Polícia Federal, em ação conjunta com a Polícia Militar (PM), realizou a apreensão de aproximadamente 199 kg de cocaína e pasta base na tarde deste feriado de Carnaval. A droga estava oculta na estrutura de um caminhão que transportava uma carga lícita de sucata.
A abordagem ocorreu em fiscalização de rotina na Região Metropolitana de Curitiba. Durante a diligência, as equipes identificaram inconsistências entre o comportamento do ocupante do veículo e a carga declarada, o que motivou uma busca minuciosa. Com o auxílio do canil especializado da Polícia Militar, os policiais localizaram compartimentos falsos na estrutura do caminhão, onde os entorpecentes estavam armazenados.
Os envolvidos poderão responder pelos crimes de tráfico de drogas e, dependendo do curso das investigações, por associação para o tráfico. O material apreendido e os detidos foram encaminhados à Superintendência Regional da Polícia Federal em Curitiba, onde permanecem à disposição da Justiça Federal.
Comunicação Social da Polícia Federal em Curitiba/PR
Nove ministros do STF e 12 parentes próximos são sócios de ao menos 31 empresas
Total de empresas vinculadas a ministros e parentes pode ser maior, pois não contempla sócios ocultos, como Toffoli em resort
Nove ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e 12 parentes diretos são sócios de pelo menos 31 empresas. Treze são escritórios de advocacia ou institutos de direito, e seis atuam com gestão, compra, venda e aluguel de imóveis próprios.
O total de empresas pode ser maior, já que sócios ocultos podem ser omitidos de registros públicos. É o caso da participação do ministro Dias Toffoli na empresa Maridt, uma das donas do resort Tayayá, que foi vendido a fundo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O jornal Folha de São Paulo mapeou as empresas ativas em nome dos ministros e de filhos e cônjuges. A conta inclui ainda três empresas nas quais os nomes dos ministros não aparecem no quadro societário, mas em que há indícios de ligação com os magistrados.
Além desses registros, foram encontradas outras três empresas em nome de ex-cônjuges de ministros com separação recente.
A Lei Orgânica da Magistratura permite que juízes integrem o quadro societário de empresas e recebam dividendos, só proíbe que exerçam cargos de administração. Não há essa vedação legal no caso de filhos e cônjuges de ministros.
Em sessão no STF no último dia 5, Alexandre de Moraes defendeu que magistrados sejam sócios de companhias e chamou as críticas de "má-fé".
Toffoli ironizou: "Teria que doar sua herança a alguma entidade de caridade, se ele [juiz] tem um pai ou uma mãe que é acionista de uma empresa ou fazenda". "Vários magistrados são fazendeiros, são donos de empresas", completou.
A reportagem contatou os ministros por meio da assessoria do STF, mas eles não responderam. A reportagem procurou filhos e esposas de ministros por email ou telefone, mas só dois comentaram, além de uma ex-cônjuge.
A participação de ministros em empresas privadas, embora permitida, pode ensejar questionamentos sobre suspeição ou conflitos de interesses dos magistrados. A ligação de Toffoli com o resort Tayayá e o Master foi decisiva para o afastamento do ministro da relatoria do caso.
O fato de ele ter recebido dinheiro de um fundo ligado a Vorcaro levou a PF (Polícia Federal) a apontar elementos de suspeição do ministro.
Toffoli não tem empresas com registros acessíveis publicamente, mas ele admitiu na quinta-feira (12) ser sócio da Maridt, holding que tinha participação no Tayayá.
A advogada Roberta Rangel, sua ex-esposa, tem duas sociedades: a Rangel Advocacia, aberta em 2005, antes da chegada do ministro ao tribunal, e o Ibed (Instituto Brasiliense de Estudos em Direito). Juntas, as empresas somam R$ 20.000 de capital social.
O ministro com o maior número de empresas é Gilmar Mendes. Ele é sócio de seis empresas, direta ou indiretamente.
Uma delas é a Roxel Participações, que tem capital social de R$ 9,8 milhões. A Roxel é sócia de três empresas que integram o grupo do IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), além da empresa agropecuária GMF, com capital social de R$ 2,2 milhões, e da Mt Crops, de venda de insumos agrícolas, com capital social de R$ 500 mil.
Seus dois filhos, Laura e Francisco Schertel, também têm empresas. Francisco é sócio do IDP e da Schertel Ferreira Mendes Advogados. Laura tem uma sociedade individual de advocacia.
Além disso, Guiomar Lima, advogada e ex-esposa do ministro, é sócia do escritório Sergio Bermudes. Ao jornal Folha de São Paulo ela disse que decidiu trabalhar no escritório após ter se aposentado com 32 anos de serviço público, quando trabalhou em vários tribunais superiores. Disse que seus três casos na corte vieram de outras instâncias.
"Nunca atuei no Supremo. Não porque eu tenha algum impedimento legal, mas por respeito à instituição", afirmou. Entretanto, ela não considera errado que parentes atuem no tribunal. "Essa regra é interna minha", justificou. Guiomar e Gilmar se separaram em dezembro.
Alexandre de Moraes não tem empresas em seu nome, mas sua esposa, Viviane Barci, é sócia de três companhias.
Aberto em 2004, o escritório Barci de Moraes tem capital social de R$ 500 mil e conta com dois filhos do casal como sócios.
Outra empresa de Viviane, o Barci e Barci Sociedade de Advogados, foi aberta no dia em que ela foi incluída nas sanções da Lei Magnitsky, 22 de setembro de 2025, e tem capital social de R$ 100 mil.
Viviane e os três filhos também são sócios do Lex - Instituto de Estudos Jurídicos, que promove cursos e tem capital social de R$ 5 milhões. Ao todo, as empresas somam capital social de R$ 5,6 milhões.
O ministro Cristiano Zanin e sua esposa são sócios de duas empresas: a Attma Participações, de gerenciamento de patrimônio, e o Instituto Lawfare, de cursos. Apesar de seguir com o registro ativo, o instituto está com o site e os perfis nas redes sociais desatualizados desde 2022. A Attma tem R$ 260 mil de capital social.
Valeska Zanin, advogada e esposa do ministro, é sócia de outras três empresas ativas, das quais duas são de incorporação imobiliária: Triza Participações e Mito Participações, que somam R$ 1,2 milhão de capital social.
Valeska também é sócia da Zanin Martins Advogados, aberta em 2022. De acordo com o site, o escritório se destaca na "defesa em crimes financeiros".
Kassio Nunes Marques é sócio de duas empresas, a Nunes & Marques Administradora de Imóveis e a Educacional e Capacitação Ltda. As duas são administradas por familiares do ministro e somam capital social de R$ 130 mil.
O filho do ministro, Kevin de Carvalho, tem um escritório de advocacia que leva seu nome, aberto em 2024; e é sócio do IPGT (Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária). As empresas somam R$ 150 mil de capital social. Em nota, a assessoria de Kevin afirmou que "não há nenhuma relação [das empresas] com o ministro".
O ministro André Mendonça e sua esposa são sócios da Integre Cursos e Pesquisa em Estado de Direito e Governança Global. A companhia foi aberta em maio de 2022, depois de Mendonça ter assumido a cadeira no STF.
Janey Mendonça, esposa do magistrado, já foi sócia do Instituto Iter, que tem participação na Editora Iter. Apesar de o nome dela não constar entre os sócios acessíveis publicamente, o instituto segue comercializando cursos do ministro. O jornal O Estado de S. Paulo noticiou em 2025 que o instituto faturou R$ 4,8 milhões em contratos públicos em pouco mais de um ano.
O ministro Flávio Dino é sócio do Idej (Instituto de Estudos Jurídicos), que foi aberto no Maranhão em 2003, com capital social de R$ 10 mil.
Já os ministros Luiz Fux e o presidente do tribunal, Edson Fachin, não têm empresas em seus nomes, mas seus parentes são sócios ou proprietários de companhias.
Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, tem dois registros para o mesmo escritório, o Fux Advogados, que soma R$ 82 mil de capital social. A assessoria do advogado afirmou que ele é o único membro da família que atua no escritório.
Já Melina Fachin, filha do presidente da corte, Edson Fachin, é advogada e tem duas sociedades de empresas. Trata-se da Mahalta Participações, de gestão de imóveis, que tem R$ 720 mil de capital social; e o escritório Fachin Advogados Associados, que foi fundado pelo ministro. Apesar de estar com registro ativo, o site do escritório informa que os sócios "decidiram seguir caminhos próprios".
A outra filha do presidente do tribunal, a médica Camila Fachin, tem duas empresas ligadas à saúde no estado do Paraná: a Anfabi Servicos Medicos e a Empresa Paranaense de Locação de Equipamentos Médicos Para Cirurgia Fetal. As duas somam capital social de R$ 11 mil.
Empresas de ministros do STF e seus parentes
ALEXANDRE DE MORAES
- Barci de Moraes Sociedade De Advogados - Esposa e dois filhos
- Lex - Instituto de Estudos Jurídicos Ltda - Esposa e três filhos
- Barci e Barci Sociedade de Advogados - Esposa e filha
ANDRÉ MENDONÇA
Empresas ligadas ao ministro
1.Integre Cursos e Pesquisa Em Estado De Direito E Governança Global Ltda - Sócio
Empresas de parentes
1.Instituto Iter - Esposa foi sócia, e segue vendendo cursos do ministro
2.Editora Iter - Instituto Iter é sócio
CRISTIANO ZANIN
Empresas ligadas ao ministro
1.Attma Participacoes Ltda - Sócio
2. Instituto Lawfare - Sócio
Empresas de parentes
1.Triza Participacoes Ltda - Esposa
2.Zanin Martins Advogados - Esposa
3.Mito Participacoes Ltda - Esposa
DIAS TOFFOLI
Empresas ligadas ao ministro
1.Maridt Participações S.A - Sócio oculto
EDSON FACHIN
Empresas de parentes
1.Anfabi Servicos Medicos Ltda - Filha
2.Empresa Paranaense de Locação de Equipamentos Médicos Para Cirurgia Fetal Ltda - Filha
3.Mahalta Participacoes Ltda - Filha
4.Fachin Advogados Associados - Filha
FLÁVIO DINO
Empresas ligadas ao ministro
1.IDEJ (Instituto de Estudos Jurídicos) - Dinamo Educacional - Sócio
GILMAR MENDES
Empresas ligadas ao ministro
1.Roxel Participacoes Ltda - Sócio
2.M&F Armazens Ltda (Mt Crops) - Roxel é sócia
3.Gmf Agropecuária - Roxel é sócia
4.Instituto Brasileiro De Ensino, Desenvolvimento E Pesquisa Idp - Ltda - Roxel é sócia
5.Loja Idp Ltda - IDP é sócio
6.Idp Cursos E Projetos Ltda - Roxel é sócia
Empresas de parentes
1.Schertel Ferreira Mendes Advogados - Filho
2.Laura Schertel Mendes - Sociedade Individual De Advocacia - Filha
LUIZ FUX
Empresas de parentes
1.Fux Advogados - Filho
2.Rodrigo Fux Advogados Associados - Filho
NUNES MARQUES
Empresas ligadas ao ministro
1.Ifs Patrimonial Ltda (Nunes & Marques Administradora De Imóveis) - Sócio
2.Educacional e Capacitação Ltda - Sócio
Empresas de parentes
1.Kevin De Carvalho Marques Sociedade Individual De Advocacia - Filho
1.Iptg - Instituto De Pesquisa E Gestao Tributaria Ltda - Filho
Por Laura Scofield/Folhapress
Extratos comprovam repasses milionários de Daniel Vorcaro para empresa de ministro Dias Toffoli
Documentos obtidos pelo jornal O Estado de São Paulo mostram que aportes em fundo que comprou fatia do Tayayá batem com mensagens de dono do Master obtidas pela PF
O fundo de investimentos usado pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para comprar parte da participação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, no resort Tayayá movimentou R$ 35 milhões, segundo extratos obtidos pelo jornal O Estado de São Paulo.
As datas dos aportes, feitos pelo cunhado do banqueiro, o pastor Fabiano Zettel, são simultâneas à costura da sociedade entre o fundo e a empresa do ministro. Também batem com mensagens obtidas pela Polícia Federal em que Vorcaro pediu a Zettel que fizesse aplicações milionárias no empreendimento e ainda disse que estava sendo cobrado pelos repasses.
Em nota divulgada anteriormente, o ministro negou ter recebido pagamentos de Vorcaro ou ter relação de amizade com o banqueiro (leia ao final). Procurado neste sábado, 14, ele não se manifestou. A defesa de Vorcaro também não respondeu aos questionamentos. Os advogados de Fabiano Zettel disseram que não irão se manifestar. O espaço segue aberto.
O cruzamento entre as mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro e os extratos ajudam a reconstruir a linha do tempo das transações financeiras entre o fundo ligado ao banqueiro e o resort de luxo que teve o ministro como sócio.
O pastor da igreja Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, era o único cotista do fundo de investimentos Leal, administrado pela Reag Investimentos - também investigada pela PF no caso Master. O Leal, por sua vez, é o único cotista do fundo Arleen, usado para comprar a participação da família Toffoli no resort no Paraná.
No dia 27 de setembro de 2021, o Arleen passou a ser sócio das empresas Tayaya Administração e DGEP Empreendimentos, que são a gestora e a incorporadora dos terrenos onde foi construído o Tayayá em Ribeirão Claro, no Paraná.
Nessa data, o fundo adquiriu metade da participação de R$ 6,6 milhões em capital social da Maridt S.A. - empresa de Toffoli - nessas duas companhias, ou seja, no resort.
Porém, os R$ 3,3 milhões em capital social comprado pelo fundo não representam, nem de longe, o tamanho real do negócio com os irmãos Dias Toffoli. Esse é o dinheiro que o fundo usou para adquirir sua parte do controle da empresa junto a outros sócios. São apenas recursos que sócios colocam à disposição da empresa para eventuais necessidades e também para simbolizar o tamanho de sua fatia na companhia.
Ao comprar essa participação, o Arleen adquiriu também uma parte do empreendimento, que é avaliado em mais de R$ 200 milhões. No total, documentos mostram que o fundo investiu R$ 35 milhões no resort - no qual a Maridt, empresa de Toffoli, possuía participação societária.
Segundo os extratos obtidos pela reportagem, nos dias 28 de outubro de 2021 e 3 de novembro do mesmo ano, Fabiano Zettel fez aportes de R$ 15 milhões e de R$ 5 milhões no fundo Leal. Nas mesmas datas, o Leal aplicou R$ 14.810.038,35 e R$ 4.936.679,35 no FIP Arleen.
Em janeiro, o pastor afirmou ter deixado o fundo em 2022. Os papéis do próprio Leal e as mensagens com Vorcaro mostram que, na verdade, ele continuou como cotista e manteve aportes no Tayayá por meio do fundo.
Em maio de 2024, Vorcaro perguntou por mensagem de WhatsApp a Zettel sobre a situação dos repasses ao resort do ministro. “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, escreveu o banqueiro. O cunhado respondeu: “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim”.
Depois disso, Zettel apresentou a lista de pagamentos para Vorcaro aprovar. Nessa lista, constava em uma das linhas: “Tayaya - 15″. Para a PF, tratava-se do repasse de R$ 15 milhões ao empreendimento. Vorcaro respondeu: “Paga tudo hoje”.
Em agosto de 2024, Vorcaro novamente relatou ao cunhado as cobranças pelos pagamentos. “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”, perguntou o banqueiro. Zettel respondeu que já tinha transferido o recurso para o intermediário responsável por efetivar o pagamento, mas que o aporte final dependeria dessa pessoa.
Por causa disso, Vorcaro se irritou. “Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?”, perguntou ao cunhado. Zettel respondeu: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”.
Para prestar contas diante das cobranças, Vorcaro pediu a Zettel que levantasse todos os aportes realizados no Tayayá. “Me fala tudo que já foi feito até hoje”. Zettel, então, respondeu: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”. Nas conversas, Vorcaro não explica quem era o responsável pelas cobranças feitas a ele pelos repasses.
Os extratos obtidos pelo jornal O Estado de São Paulo mostram que Zettel aportou R$ 15 milhões no dia 8 de julho de 2024 no fundo Leal. No entanto, de fato, o Arleen não recebeu o mesmo aporte do Leal na mesma época. Somente no dia 10 de fevereiro de 2025 o fundo Leal aportaria exatos R$ 14.521.851,17 no Arleen.
No dia 21 do mesmo mês, a Maridt S.A., do ministro Dias Toffoli, vendeu o restante de sua participação na incorporadora e na administradora do Tayayá à PHB Holding, empresa do advogado Paulo Humberto Barbosa, que já prestou serviços para a JBS.
Na quinta-feira, 12, um dia após vir à tona a existência de um relatório da PF com conversas e menções a Toffoli no celular de Vorcaro, o ministro deixou a relatoria do caso Master no Supremo. O inquérito foi redistribuído e agora está nas mãos do ministro André Mendonça.
Toffoli nega recebimento de Vorcaro
Em nota divulgada após a PF ter apresentado o relatório ao STF, Toffoli admitiu ter recebido dividendos da empresa Maridt, que tinha participação nos resorts, mas negou ter recebido pagamentos de Vorcaro. Leia a íntegra da manifestação:
“A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.
O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.
Leia também: Vorcaro diz que foi cobrado por aportes em resort de Toffoli: 'Me deu um puta problema'
Por Luiz Vassallo/Aguirre Talento/Pedro Augusto Figueiredo/Jenne Andrade/Estadão
Parceria entre CBMBA e Samu garante equipe médica 24h na base aérea durante o Carnaval 2026
Durante todos os dias do Carnaval 2026, uma equipe composta por médico e enfermeiro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) vai estar de prontidão, 24 horas por dia, na base do Grupamento de Operações Aéreas (GOA) do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMBA), em Simões Filho, durante à noite e, na nova base avançada do GOA, no período da folia, em Ondina.
A iniciativa tem como objetivo garantir maior celeridade nos atendimentos aeromédicos realizados durante a Folia de Momo, período em que há aumento significativo no número de ocorrências e na circulação de pessoas nos circuitos da festa.
Com a equipe médica posicionada diretamente na base aérea, o tempo-resposta das missões que demandam transporte aeromédico será reduzido, já que não vai ser necessário o deslocamento da aeronave para embarque dos profissionais de saúde em outro ponto da cidade.
“Essa iniciativa é fundamental para que consigamos atender as ocorrências que necessitem do emprego da aeronave com maior rapidez, permitindo melhores condições de sobrevida para a vítima. A aeronave não precisa se deslocar para o embarque da equipe médica do Samu, o que vai acontecer na nossa base mesmo. Todo transporte deve ter o acompanhamento da equipe médica”, explicou o major BM Murilo Rocha.
A ação reforça a integração entre o CBMBA e o Samu, fortalecendo o atendimento pré-hospitalar e ampliando a capacidade de resposta das forças de emergência durante o Carnaval. A parceria garante mais eficiência nas operações aéreas e maior segurança para foliões, trabalhadores e turistas que participam da maior festa popular do mundo.
Fonte: Ascom/CBMBA
Fotos: SD BM Lucinda Souto/CBMBA
Governo da Bahia garante segurança alimentar para trabalhadores do Carnaval
Durante o Carnaval da Bahia 2026, 42 mil kits lanche para ambulantes e cordeiros, além de 21 mil refeições destinadas a catadores de materiais recicláveis serão distribuídos pelo Governo do Estado.
A ação é realizada por meio das secretarias estaduais de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades), do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) e de Políticas para as Mulheres, em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar da Bahia e as Voluntárias Sociais da Bahia.
Segundo a nutricionista Iasmim Oliveira, da Seades, responsável pela coordenação do espaço de distribuição de alimentos em Ondina, a iniciativa busca garantir refeições equilibradas e seguras para os trabalhadores durante o período carnavalesco.
“Estamos intensificando o trabalho para oferecer alimentação saudável e adequada, assegurando qualidade tanto na preparação quanto no transporte dos alimentos destinados a catadores, ambulantes e cordeiros”, explicou.
A oferta dos alimentos atende às demandas nutricionais de trabalhadores que exercem funções essenciais para a realização da festa, contribuindo para melhores condições de trabalho e bem-estar.
Entre os beneficiados, a trabalhadora de serviços gerais Mirian Miranda destacou a importância do projeto. “Esse espaço é muito importante para nós. Aqui temos local para tomar banho, fazer as refeições e cuidar da saúde”, afirmou.
Alexsandro Souza, que atua como reciclador no Carnaval de Salvador, também ressaltou a iniciativa. “O apoio é fundamental e a alimentação oferecida tem ajudado bastante durante o trabalho”, relatou.
De acordo com a nutricionista Iasmim Oliveira, a ação reconhece o papel desses profissionais na realização da festa e contribui para a proteção social dos trabalhadores.
“O Carnaval vai além do entretenimento. Catadores, ambulantes e cordeiros desempenham funções essenciais e precisam de acolhimento e apoio, especialmente aqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade social”, concluiu.
Repórter: Pamela Simplício/GOVBA
Espaço de descompressão amplia cuidado e segurança para condutores de trios no Carnaval da Bahia 2026
Mais uma ação voltada ao cuidado com trabalhadores do Carnaval da Bahia 2026 está disponível em pontos estratégicos de Salvador: o Espaço de Descompressão destinado a condutores de trios elétricos e carros de apoio. Implantadas pelo Governo da Bahia, as estruturas funcionam na Barra, ao lado do Hospital 2 de Julho, e no Passeio Público, no Campo Grande. A proposta é garantir melhores condições de descanso e recuperação física, contribuindo para que os condutores retornem aos circuitos com mais atenção e capacidade de reação.
Segundo o diretor-geral do Detran-BA, Max Passos, a iniciativa foi estruturada para garantir acolhimento, suporte e mais segurança aos profissionais que enfrentam longas jornadas ao volante. “O espaço oferece ambiente confortável para descanso, estrutura para higiene pessoal e alimentação, além de orientações de saúde com conteúdos de fisioterapia e psicologia voltados ao bem-estar e à prevenção de riscos durante a condução dos veículos”, explicou.
Para quem vive a rotina intensa do período carnavalesco, a estrutura representa melhores condições de trabalho e mais dignidade. O motorista Cláudio Fontes, que conduz trio elétrico há mais de sete anos, destacou a importância da iniciativa. “Ajuda bastante. Antes desse espaço, não havia kit alimentação e, muitas vezes, precisávamos tomar banho em carros de apoio ou na parte traseira do trio”, relatou.
O espaço funciona das 10h às 22h, com tempo médio de permanência de 1h30 por condutor. A expectativa é atender 80 motoristas em cada posto, totalizando cerca de 160 profissionais por dia. A presidente da Comissão do Carnaval do Detran-BA, Benildes Melo, ressaltou que a iniciativa contribui diretamente para a segurança dos profissionais e do público. “A relevância do projeto está ligada à preparação dos condutores para jornadas prolongadas, em um contexto que exige atenção constante e boas condições físicas e emocionais para conduzir veículos em meio a grandes concentrações de pessoas”, afirmou.
Repórter: Monique Adorno/GOVBA
Fotos: Tom Rodrigues/GOVBA
Carnaval no Hospital 2 de Julho promove bem-estar e humanização do cuidado
O clima de Carnaval também tomou conta do Hospital Estadual 2 de Julho, unidade da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) gerida pela Fabamed. Em meio à rotina assistencial, pacientes e profissionais participaram de uma oficina de zumba que transformou corredores e espaços de convivência em um ambiente de leveza e acolhimento.
Conduzida pela bailarina e instrutora Priscila Azevedo, a atividade incentivou o movimento corporal e a interação entre equipes e pacientes, reforçando a importância das práticas integrativas e do cuidado humanizado no processo terapêutico. Ao som de hits carnavalescos, os participantes compartilharam um momento de descontração que contribui para a saúde física e emocional.
A ação integra as estratégias da unidade voltadas à promoção do bem-estar durante o período festivo, reduzindo o estresse da hospitalização, fortalecendo vínculos e estimulando a autoestima dos pacientes.
Sobre a unidade
Com 258 leitos ativos, sendo 89 de UTI (60 adulto e 29 pediátrica), o 2 de Julho tem perfil voltado para clínica médica e pediatria, recebendo pacientes exclusivamente via Central Estadual de Regulação. A unidade foi estruturada para absorver um grande volume de casos que necessitam de estabilização rápida e leito intensivo.
Recentemente, o HE2J deu início a um novo capítulo na trajetória do cuidado. A unidade passou a oferecer o Serviço de Vascular, voltado ao atendimento de pacientes que necessitam de acompanhamento e tratamento especializado nessa área. Com 22 leitos dedicados à especialidade, o serviço chega para fortalecer a assistência e ampliar as possibilidades de recuperação de pacientes com doenças vasculares.
Divulgação/HE2J
FICCO/GO e PMGO capturam casal foragido investigado por gerir finanças de facção criminosa
Contra ambos havia ordens judiciais em aberto no âmbito da Operação Cifra Vermelha, que apurou a atuação do casal como liderança do núcleo financeiro da facção criminosa.
Goiânia/GO. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Goiás (FICCO/GO) e a Polícia Militar do Estado de Goiás (PMGO), por meio do COD, BOPE e CPE de Águas Lindas, Goianésia e Aparecida de Goiânia, prenderam na madrugada desta sexta‑feira (14/2), dois foragidos da Justiça, procurados por integrar e atuar na gestão financeira de uma facção criminosa.
Os investigados, um homem e uma mulher, eram alvos foragidos da Operação Cifra Vermelha, deflagrada pelo GAECO/GO, e foram interceptados enquanto trafegavam pela BR‑414, no município de Cocalzinho de Goiás/GO, em um veículo do tipo SUV locado. No momento da abordagem, tentaram se identificar mediante a apresentação de documentos de identidade falsos, motivo pelo qual receberam voz de prisão.
Contra ambos havia ordens judiciais em aberto no âmbito da Operação Cifra Vermelha, que apurou a atuação do casal como liderança do núcleo financeiro da facção criminosa. As investigações indicaram que os suspeitos utilizavam, inclusive, contas bancárias abertas em nome dos próprios filhos para movimentar e ocultar valores oriundos do tráfico de drogas, vinculados a uma facção. Com a deflagração da operação, foram sequestrados mais de R$ 28 milhões de reais, além da apreensão de diversos veículos.
Durante a ação policial, os mandados de prisão foram devidamente cumpridos e, em razão da apresentação de documentos falsos no momento da abordagem, o casal também foi autuado em flagrante pelo crime de uso de documento falso, sendo posteriormente encaminhado à unidade policial competente, onde permanece à disposição do Poder Judiciário.
A FICCO/GO é composta pela Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e pela Secretaria Nacional de Políticas Penais, atuando de forma integrada no enfrentamento ao crime organizado no Estado de Goiás.
Comunicação Social da Polícia Federal em Goiás
Fundador do PT, José Álvaro Moisés morre afogado em São Paulo
O professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP) e um dos fundadores do PT (Partido dos Trabalhadores), José Alvaro Moisés, de 81 anos, morreu afogado na praia de Itamambuca, em Ubatuba, nesta sexta-feira (13).
Segundo o G1, identidade da vítima foi confirmada na manhã deste sábado (14) pelo Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) e pela Polícia Civil.
De acordo com o boletim de ocorrência, o caso foi registrado como morte suspeita e morte acidental. Consta no documento que uma amiga de José Álvaro relatou à Polícia Civil que estava na praia com o professor aposentado e outros amigos na tarde de sexta-feira (13).
Segundo o registro, o grupo chegou ao local por volta das 17h30. Em determinado momento, os amigos perceberam a ausência do professor. Pouco depois, foram informados de que uma pessoa havia se afogado e sido socorrida por uma unidade do Samu.
Governador vistoria acoplamento do terceiro trem do VLT de Salvador
Na manhã deste sábado (14), o governador Jerônimo Rodrigues vistoriou o acoplamento do terceiro trem do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador, durante visita técnica à Estação Calçada. A atividade integra as etapas finais de preparação do novo sistema de transporte, atualmente em implantação na capital e na Região Metropolitana.
O evento aconteceu em clima de Carnaval, destacando o compromisso do Governo da Bahia com o avanço das obras de mobilidade urbana mesmo em datas festivas, reforçando a importância da entrega de um sistema moderno que beneficiará milhares de usuários no dia a dia. “A equipe aqui não para. As obras do VLT, assim como a montagem e os testes dos trens, continuam mesmo durante o carnaval”, comentou Jerônimo Rodrigues.
O presidente da Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), Eracy Lafuente, destacou o andamento do cronograma. “Estamos bem otimistas com o cronograma. Já temos três trens aqui e até o final do primeiro semestre teremos oito trens. Estamos cada vez mais eficazes para realizar o que a população da região deseja: um sistema de trem extremamente moderno, confortável e seguro”, ressaltou.
O engenheiro de manutenção do VLT, José Raimundo dos Santos, também destacou o avanço técnico. “O acoplamento mecânico foi concluído e o trem já foi encaminhado para a oficina. A expectativa é disponibilizar a composição para a equipe responsável pelos testes técnicos, com participação de profissionais do Brasil e da Espanha, até a segunda quinzena de março”, explicou.
O VLT de Salvador é um sistema ferroviário urbano em construção, com aproximadamente 40 quilômetros de extensão e cerca de 42 paradas distribuídas em três trechos, conectando áreas estratégicas da capital e da Região Metropolitana de Salvador (RMS).
O modal foi projetado para integrar-se ao metrô e a outros sistemas de transporte público, ampliando as alternativas de deslocamento e contribuindo para a mobilidade urbana. A previsão é que a operação assistida tenha início no segundo semestre de 2026.
Repórter: Joci Santana/GOVBA
Toffoli ganhou R$ 8 milhões como servidor em 20 anos, mas foi sócio de resort de luxo
Ministro está no serviço público desde 2007, ficando sujeito ao teto constitucional, atualmente de R$ 46 mil; estimativa não considera verbas extra-teto
De onde veio o dinheiro do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), para investir em resorts avaliados em mais de R$ 400 milhões, com um irmão padre e um irmão engenheiro, após ter ficado as últimas duas décadas sujeito ao teto constitucional, atualmente de R$ 46 mil? A indagação é feita País afora e reforçada pelo advogado Edgard Hermelino Leite Junior, com experiência em grandes processos do setor financeiro. Desde 2007, Toffoli auferiu cerca de R$ 8 milhões, da remuneração oficial com base no limite fixado na Constituição.
“Quando um empreendimento imobiliário-hoteleiro de grande porte surge formalmente vinculado a uma empresa de capital modesto, composta por sócios sem histórico empresarial compatível com investimentos milionários, a pergunta não é política, nem ideológica. De onde veio o dinheiro?”, indagou o advogado à Coluna do Estadão. E acrescentou:
“A pergunta não ofende. O que ofende é fingir que ela não existe. Quanto maior o cargo de uma autoridade, maior o dever de prestar contas. A Constituição é clara: todos são iguais perante a lei. Não há cláusula de exceção para ministros. Quem julga deve aceitar ser escrutinado com o mesmo rigor que aplica aos demais”.
De 2007 a 2009, Toffoli foi advogado-geral da União. Desde então, ocupa o cargo de ministro do Supremo. Nessas duas décadas, Toffoli tem salários submetidos ao teto constitucional. Esse montante somado no período, que considera apenas o pagamento do teto, equivale a cerca de R$ 8 milhões de remuneração, em valores nominais, segundo um levantamento da Coluna do Estadão em dados públicos.
Na prática, o ministro pode ter recebido um pouco mais, porque nesse período houve pagamentos de verbas extra-teto, como férias e outros auxílios. Mas nada que signifique cifras milionárias.
Em 2007, o teto era de R$ 24,5 mil mensais, ou R$ 294 mil por ano. O valor foi subindo ao longo dos anos. Passou, por exemplo, para R$ 33,7 mil em 2015 (R$ 404 mil anuais) e R$ 46,3 mil em 2025 (R$ 555 mil anuais), quantia ainda em vigor.
Resorts ligados a Toffoli são avaliados em mais de R$ 400 milhões
Os dois resorts da rede Tayayá, localizados no Paraná, que tinham entre os sócios uma empresa do ministro de Toffoli, são avaliados em mais de R$ 400 milhões.
A relação financeira entre Toffoli e Vorcaro passa pelo resort Tayayá. A Maridt, empresa do ministro, vendeu metade de sua participação societária de R$ 6,6 milhões na incorporadora e na administradora do hotel para o fundo Arleen que tinha o pastor Fabiano Zettel, cunhado do dono do Master, Daniel Vorcaro, como único sócio.
Essa cifra de R$ 3,3 milhões foi usada pelo fundo para comprar sua parte do controle da empresa junto a outros sócios. Mas o Arleen não comprou só essa participação. Adquiriu também uma parte do empreendimento. E declarou em suas demonstrações financeiras ter investido R$ 20 milhões no Tayayá.
Ministro admitiu ser sócio anônimo de empresa
Na quinta-feira, 12, o magistrado deixou a relatoria do caso Master na Corte, horas após ter admitido ser sócio anônimo da Maridt. O fundo e a família Toffoli foram sócios das duas empresas até 2025. Nos bastidores, tem dito aos pares que acumulou renda quando foi advogado, na iniciativa privada.
Entre os meses de fevereiro e julho do ano passado, os irmãos e o primo do ministro e o fundo de investimentos se retiraram da sociedade para vender suas participações nas empresas ao advogado Paulo Humberto Barbosa. Hoje, ele é o único sócio e dono do empreendimento. Mesmo sem participação direta no resort, o ministro ainda frequenta o Tayayá.
A sede da Maridt é a residência do engenheiro José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro. Uma casa de 130 metros quadrados cuja pintura e o piso estão desgastados pelo tempo sem manutenção.
Foi lá que a mulher de José Eugênio, Cássia Pires Toffoli, recebeu a reportagem do jornal O Estado de São Paulo e disse: “Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa!”. Ela negou saber qualquer informação da Maridt.
Delegados da PF querem mudar lei para poder pedir suspeição de autoridades e citam caso Master
Associações enviaram ofício a Hugo Motta pedindo autonomia na condução de investigações
Em meio aos embates com o ministro Dias Toffoli no caso Master, delegados da Polícia Federal pediram apoio ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para aprovar mudanças na lei que permitam à PF pedir a suspeição ou impedimento de autoridades à frente do caso.
O pedido é feito dias depois de a Polícia Federal encontrar citações a Toffoli no celular de Daniel Vorcaro, o que forçou o ministro a deixar a relatoria do caso.
Mesmo depois de Toffoli se afastar, ministros da corte criticaram o avanço da PF sobre a atuação do colega. Isso porque hoje a corporação não tem o poder de pedir a suspeição de autoridades, já que não é parte no processo. Os delegados dizem que a medida é possível.
No ofício enviado à presidência da Câmara, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) e a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenapol) citam, por várias vezes, o caso Master.
Em um trecho, as entidades reforçam que, de fato, o delegado não é parte, é isento e que a atuação é estritamente técnica. "Restringir tal capacidade do delegado é ferir a independência de quem investiga casos extremamente complexos e relevantes. É burocratizar o combate à criminalidade e criar um entrave que favorece apenas a impunidade", diz o ofício.
O pedido dos delegados é uma resposta às críticas, mas diretamente a Toffoli.
No dia em que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou o relatório com citações a Toffoli ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, o gabinete do ministro afirmou que o pedido da Polícia Federal se baseava em "ilações" e não era previsto em lei.
Toffoli citou o trecho do Código de Processo Civil que não dá legitimidade à corporação para formular esse tipo de requerimento.
Além de ter poder para pedir a suspeição de autoridades, entre elas, ministros do STF, as entidades também querem que o delegado que comanda a investigação possa recorrer de eventuais indeferimentos da autoridade à frente do caso.
No caso Master, por exemplo, Dias Toffoli negou o acesso a documentos e objetos apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero. Chegou a determinar que tudo ficasse guardado na sede do STF —depois, transferiu para a Procuradoria-Geral da República. Os delegados recorreram à AGU (Advocacia Geral da União), mas não tiveram êxito.
As entidades querem mudanças em duas leis: a de organização criminosa e a "Lei do Delegado". E até sugerem que as alterações sejam incluídas no Marco Legal do Crime Organizado, que ficou conhecido como PL antifacção e que já passou pelo Senado e está na Câmara.
Os delegados afirmam que as mudanças vão garantir expressamente "ferramentas desburocratizadoras à investigação criminal, assegurando a celeridade e a eficiência que a sociedade brasileira exige no combate à criminalidade e na garantia da Segurança Pública".
Por Gabriela Echenique/Folhapress
Ligado ao Master, Credcesta chegou a 2,7 mi de contratos de consignado e tem padrão de falhas, aponta INSS
Banco diz ter seguido normas, e Pleno, de criador do cartão de benefícios, afirma que liquidantes do Master devem tratar do assunto"O dono do banco Master, Daniel Vorcaro (à direita), e o então sócio e responsável pelo varejo, Augusto Lima"
Documentos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) apontam uma explosão do benefício consignado do Banco Master, que era distribuído pelo Credcesta –um cartão especializado nessa modalidade que, antes de chegar à esfera federal, já havia se espalhado por estados e municípios.
As operações, conforme os registros do INSS, saltaram de 104,8 mil contratos em 2022 para 2,75 milhões de contratos em 2024, um aumento de mais de 2.500% num intervalo de dois anos.
Os números foram consolidados pelo Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social), e o INSS apura se as contratações são regulares.
Segundo os documentos a que o jornal Folha de São Paulo teve acesso, o órgão identificou um padrão reiterado de "desconformidades nas operações de crédito consignado associadas ao produto Credcesta", o que eleva risco de danos aos beneficiários e demanda uma "intervenção preventiva" até que se conclua uma apuração completa sobre os contratos assinados.
Os dados descritos nos documentos, referentes ao Credcesta, não especificam se a abrangência dos contratos se refere a servidores e aposentados em níveis federal, estaduais e municipais. No entanto, especialistas consultados pela reportagem afirmam que não há como o INSS acessar as bases de dados de estados e municípios.
O INSS também diz que não é possível confirmar nem se a bandeira do Credcesta era exclusiva do Master ou se havia outros bancos operando essa bandeira. Pessoas próximas ao banco afirmam que o Credcesta sempre foi um produto exclusivo da instituição.
Segundo dois executivos muito experientes do setor de consignado, ouvidos com a condição de não terem os nomes citados, o Master, por meio do Credcesta, teve uma participação pequena nos produtos do INSS.
Sem agência e dependente de correspondentes bancários, não tinha musculatura para concorrer com grandes bancos, que atuam no segmento, e gerar quase 3 milhões de contratos dentro da modalidade de benefício consignado.
À reportagem o INSS disse que o Master encerrou o ano de 2025 com 324.849 contratos ativos relacionados a crédito e benefício consignado, sem ser possível especificar o valor total dos descontos, uma vez que isso varia conforme os valores contratados.
O INSS afirmou ainda que não trabalha com o Credcesta e não deu explicações para a discrepância das quantidades de contratos do benefício consignado ao longo dos anos no Master.
Os dados foram extraídos pela Dataprev e utilizados pela Divisão de Consignação em Benefícios do INSS. Para que exista mais clareza sobre os contratos, novos dados foram solicitados à Dataprev pelo instituto.
O consignado do Credcesta passou a ser um assunto dos liquidantes do Master, segundo a assessoria do banco. É a mesma posição do banco Pleno, antigo Voiter, instituição que Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, assumiu e passou a abrigar o Credcesta, focado em estados e municípios.
"As questões relativas aos consignados do banco Master durante o período mencionado são tratadas pelo liquidante da instituição", disse o Pleno, em nota.
"O Master sempre atuou em estrita observância às normas e aos procedimentos estabelecidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado, incluindo os requisitos de formalização, identificação do contratante e comprovação de consentimento", afirmou a defesa de Vorcaro, em nota.
O Banco Central, que conduz a liquidação do Master, decretada em novembro, não respondeu aos questionamentos da reportagem.
O INSS permite três modalidades de crédito que podem ser descontadas nas aposentadorias.
O mais antigo é o empréstimo consignado tradicional, que tem valor e prazo definidos, com descontos de parcelas fixas. Também autoriza o cartão de crédito consignado, em que o cliente pode fazer saques em dinheiro, e o valor mínimo é descontado mensalmente da aposentadoria, mas o restante da dívida cai no rotativo, e aumenta, se não for quitado.
Benefício consignado, a opção mais recente, vai além. Permite os saques, cai no rotativo, mas prevê taxas de juros menores e conta com serviços adicionais, como cartão de compras, desconto em farmácia e auxílio-funeral, por exemplo.
O benefício consignado foi criado por meio do Credcesta, em 2018, por Augusto Lima. A partir de um contrato de exclusividade de 15 anos, firmado com o Governo da Bahia na gestão de Rui Costa (PT), estabeleceu parceria com o Master, de Vorcaro, e se expandiu pelo país, chegando a 24 estados e 176 municípios no final de 2024.
O produto, no entanto, era acessível apenas a servidores de estados e municípios. Em 2022, Lima apresentou o modelo ao INSS, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), e emplacou a ideia em nível federal.
Foi feita toda uma nova legislação, por meio de MP (medida Provisória), levando a modalidade para aposentados e pensionistas do INSS, e em alguns casos, beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada).
Entre setembro de 2020 e setembro de 2025, o Master operou em todas as linhas de consignados do INSS, por meio de um acordo de cooperação técnica com o órgão federal.
Quando surgiram as denúncias de que havia uma quadrilha simulando consignados no INSS, o Master foi uma das primeiras instituições a ter o registro suspenso.
Em 17 de novembro, Daniel Vorcaro e Augusto Lima foram presos pela PF (Polícia Federal) dentro da investigação que apura fraudes na venda de carteiras de crédito para o BRB (Banco Regional de Brasília). A suspeita é que haviam organizado um esquema para simular a criação de carteiras sem lastro.
No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Master. O acordo de cooperação para consignados com o INSS já havia deixado de ser renovado, em setembro. Foi, na prática, um descredenciamento do Master.
A Diretoria de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão do instituto considerou, em outubro, existir um "ponto de atenção" na operação do Credcesta pelo Master. "Em dois anos houve acréscimo significativo em relação ao referido cartão", afirmou, num documento, a diretora Márcia Eliza de Souza.
"Não é possível aferir, com base nas informações apresentadas pela instituição financeira, se há efetiva observância a limites normativos", cita o documento, em referência a limite do benefício, taxa de juros e cobranças abusivas.
Também não é possível saber, segundo o INSS, se há efetivação de benefícios como seguro de vida e auxílio-funeral, além de vedação a custos adicionais.
Entre 2020 e 2024, conforme dados compilados pelo instituto, houve 3.378 reclamações de beneficiários contra o Master, registradas pela Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
"As manifestações de ouvidoria, dados da Senacon e registros em plataformas públicas indicam padrão reiterado de dificuldades na quitação por parte dos aposentados e pensionistas, na solicitação de cancelamento de produtos contratados, cobranças indevidas e reclamações sobre empréstimos não reconhecidos, sugerindo falhas estruturais no cumprimento de normas", afirmou o INSS.
O quadro exige "cautela e ampla apuração" em relação à concessão de crédito consignado, em especial o Credcesta, conforme o instituto.
Há um descompasso entre práticas adotadas e os parâmetros previstos em normas relacionadas à autorização expressa do beneficiário, autenticação biométrica e guarda de documentos, segundo o instituto.
No começo deste mês, o MPF (Ministério Público Federal) recomendou, em documentos enviados aos liquidantes do Master e ao INSS, que eles priorizem, no pagamento de recursos, aposentados e pensionistas vítimas de descontos indevidos em crédito consignado. Um inquérito civil público, instaurado pela Procuradoria da República no DF, investiga supostas fraudes nesse crédito.
Leia também:
Por Vinicius Sassine/Alexa Salomão/Folhapress
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