Por que Jayme Vieira Lima ficou sem mandato mesmo com 115 mil votos? Entenda a conta que faltou ao MDB Por Política Livre

A derrota de Jayme Vieira Lima (MDB) na disputa pela Câmara dos Deputados, apesar dos 115.292 votos recebidos nas eleições do último dia 4, tem uma explicação matemática. O partido precisaria de apenas 10.192 votos a mais para conquistar uma segunda cadeira e assegurar a eleição do primo dos irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima. O resultado chama ainda mais atenção quando comparado ao do deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT), que garantiu o quinto mandato com cerca de 60 mil votos, praticamente metade da votação de Jayme.

O que explica essa diferença é o sistema proporcional, no qual não basta o candidato receber uma votação expressiva. O desempenho coletivo do partido também determina quantas cadeiras serão conquistadas. E foi justamente nesse ponto que o MDB ficou para trás.

Segundo levantamento sobre o resultado eleitoral na Bahia, o MDB somou 365.965 votos, suficientes para assegurar uma cadeira pelo quociente eleitoral, ocupada pelo deputado federal Ricardo Maia, que recebeu 147.981 sufrágios. Jayme, segundo mais votado da legenda, acabou na primeira suplência.

Para entender o resultado, é preciso considerar que a Bahia tem direito a 39 deputados federais. Nas eleições deste ano, o quociente eleitoral foi de 212.354 votos. Isso significa que, para conquistar uma cadeira diretamente, cada partido ou federação precisava alcançar essa votação. O MDB ultrapassou o patamar uma vez, mas não conseguiu votos suficientes para garantir uma segunda vaga pelo mesmo critério.

Depois da distribuição das cadeiras pelo quociente eleitoral, restaram seis vagas, conhecidas como sobras eleitorais. Elas foram distribuídas por um sistema de médias que considera a votação total de cada partido e o número de cadeiras já conquistadas.

Como o MDB havia assegurado uma vaga, seus 365.965 votos foram divididos por dois, resultando em uma média de 182.982,5. O número ficou abaixo da média de 188.078 registrada na disputa pela última cadeira, conquistada pela Federação União Progressista.

Na prática, a diferença foi de pouco mais de cinco mil pontos na média. Como a votação do MDB era dividida por dois, seriam necessários aproximadamente 10,2 mil votos adicionais para superar a concorrente, conforme a simulação apresentada no levantamento.

Isso significa que um candidato adicional com votação próxima de 11 mil votos, ou um desempenho um pouco melhor dos demais integrantes da chapa, poderia ter mudado o resultado e assegurado a eleição de Jayme.

Comparação - A comparação com Félix Mendonça Júnior ajuda a compreender o funcionamento do sistema eleitoral. Embora o parlamentar do PDT tenha recebido cerca de 60 mil votos, seu partido somou 200.981, quantidade que permitiu disputar as sobras com uma média superior à do MDB.

A diferença é que o PDT não havia conquistado nenhuma cadeira pelo quociente eleitoral. Por isso, entrou na disputa das sobras com sua votação integral, enquanto o MDB, que já tinha uma vaga, precisou dividir seus votos por dois.

Assim, o PDT alcançou média de 200.981, superior aos 182.982,5 do MDB. O resultado garantiu a eleição de Félix, mesmo com votação individual bem inferior à de Jayme.

Há, no entanto, um detalhe importante: ao contrário do que uma comparação direta entre os dois candidatos poderia sugerir, não foi Félix quem tirou a vaga de Jayme. Pela simulação, se o MDB tivesse conseguido os votos necessários, a cadeira perdida seria a da Federação União Progressista, ocupada por Manuel Rocha (União), que recebeu 104.969 votos.

Chapa concentrada - Outro fator que ajuda a explicar o desempenho do MDB foi a concentração de votos em apenas dois candidatos. Ricardo Maia e Jayme Vieira Lima somaram 263.273 votos, o equivalente a quase 72% de toda a votação do partido.

O terceiro mais votado, Danilo Henrique, recebeu 38.136 votos. Nenhum dos demais candidatos conseguiu ultrapassar a marca de 14 mil votos. Nem mesmo a ex-prefeita de Lauro de Freitas Moema Gramacho, que recebeu pouco mais de 5 mil votos.

O desempenho contrasta com o do PDT, que teve uma distribuição menos concentrada de votos entre os integrantes da chapa. O partido também se beneficiou de uma votação expressiva na legenda, quando o eleitor digita apenas o número da sigla na urna.

Enquanto o MDB recebeu 5.943 votos de legenda, o PDT alcançou 23.818, praticamente quatro vezes mais. A diferença de 17.875 votos entre as duas siglas nesse quesito, sozinha, já supera a quantidade que faltou ao MDB para conquistar a segunda cadeira.

Os números mostram que, embora tenha conseguido reunir dois candidatos com votações expressivas, o MDB não obteve o desempenho coletivo necessário para ampliar sua representação na Câmara. A eleição proporcional acaba premiando não apenas os candidatos mais votados, mas também os partidos que conseguem distribuir melhor sua força eleitoral.
Por Política Livre

Chance de punição a Lula por pacotes de bondades no período eleitoral é remota, dizem especialistas

Presidente anunciou diversas medidas como aumento do Bolsa Família e perdão a MEIs; parte delas depende de aprovação do Congresso
Se por um lado divergem quanto a irregularidades no chamado pacote de bondade do presidente Lula (PT) durante o período eleitoral em que busca a reeleição, advogados entrevistados pela Folha concordam em um ponto: o comportamento não deve gerar punição pela Justiça Eleitoral a ponto de tornar o petista inelegível por uso da máquina administrativa.

Eles apontam que, na prática, a Justiça Eleitoral acaba sendo mais rigorosa com prefeitos do que com governadores e presidentes da República em ações que investigam possível abuso de poder.

Entre as medidas avaliadas do governo Lula estão o reajuste de 15% no Bolsa Família e a desoneração dos impostos sobre combustíveis. Além disso, o anúncio feito pelo presidente de que enviaria ao Congresso um projeto de lei prevendo o perdão integral das dívidas de 3,6 milhões de MEIs com a União e a ampliação do Pé-de-Meia para estudantes universitários —ambos dependem de aprovação do Congresso Nacional.

Opositores apontam também como medidas com potencial eleitoral a proibição das bets e o Desenrola 3.0, terceira fase do programa de renegociações de dívidas de pessoas físicas.

O advogado Alexandre Rollo, que já atuou como professor convidado da EJEP (Escola Judiciária Eleitoral Paulista) do TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo), considera que medidas apresentadas pelo governo durante o período eleitoral —como reajuste do Bolsa Família e suspensão de impostos federais sobre a gasolina— podem configurar irregularidades eleitorais passíveis de punições como a cassação da candidatura, a condenação a inelegibilidade e até um processo por improbidade administrativa.

Ele aponta que o estado de São Paulo deve ter três eleições municipais suplementares neste ano por causa de prefeitos que tiveram seus registros cassados. Nas cidades de Macedônia, Martinópolis e Narangiba, os mandatários eleitos foram condenados por abuso do poder econômico e, nos dois primeiros casos também político.

"A Justiça Eleitoral costuma ser muito mais rigorosa com prefeitos de cidades menores do que com os prefeitos de capitais, governadores e presidentes. Não se trata apenas da diferença de julgamento na primeira instância, porque depois o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mantém as condenações", afirma.

Ele acredita que a Justiça Eleitoral também acaba sendo mais rigorosa com prefeitos do que com governadores e presidentes da República.

Rollo cita como exemplo o caso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador Flávio Bolsonaro – adversário de Lula da eleição deste ano.

Em 2022, Bolsonaro conseguiu a aprovação no Congresso da chamada PEC Kamikaze, que decretou estado de emergência para driblar vedações da legislação eleitoral e liberar cerca de R$ 41,2 bilhões fora do teto de gastos.

Os recursos foram utilizados para dobrar o valor do Auxílio Gás, criar um voucher de R$ 1.000 para caminhoneiros autônomos, conceder auxílio financeiro para taxistas, além de prever recursos para compensar estados que reduzissem impostos (como o ICMS) sobre combustíveis e etanol e aumento do Auxílio Brasil (nome dado pelo governo Bolsonaro para o Bolsa Família) de R$ 400 para R$ 600.

Bolsonaro não foi punido por essas medidas e acabou inelegível na Justiça Eleitoral, depois de perder as eleições, por conta de outras ações como a que analisava reunião com embaixadores estrangeiros com denúncias falsas sobre as urnas eletrônicas. Atualmente, o ex-presidente está inelegível também em razão da condenação criminal pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na trama golpista.

Em agosto de 2024, a PEC Kamikaze foi declarada inconstitucional pelo STF.

Para o professor de direito público e eleitoral da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) Carlos Gonçalves Junior, medidas que podem ser enquadradas como parte de um pacote de bondades precisam ser analisadas separadamente a depender de alguns aspectos.

"Algo que depende ainda de uma aprovação dentro do Congresso pode ser considerado quase como uma intenção ou promessa de campanha, porque só será pago em 2027 e ainda assim depois da tramitação na Câmara e no Senado", exemplifica. Isso seria diferente de algo de benefício imediato.

Para ele, o sistema de reeleição facilita a manutenção no poder já que permite que os titulares do Poder Executivo permaneçam no cargo enquanto disputam as eleições. "É evidente que muitos prefeitos, governadores e presidentes deixam a ‘cereja do bolo’ de suas gestões para o último ano", diz.

Gonçalves acredita que a situação cria a dificuldade de diferenciar uma medida que tem um objetivo "único e exclusivamente eleitoral" de decisões que envolvem promessas de campanha e o exercício do ato de governar.

"Além do ponto de vista jurídico, as medidas são submetidas ao eleitor, que pode avaliar que aquelas medidas apenas para vencer a disputa eleitoral ou se elas fazem parte do programa de governo que elegeu aquele político na eleição anterior", afirma.

Membro da Abradep (Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Público), o advogado Guilherme Gonçalves afirma que as medidas anunciadas pelo governo não configuram abuso de poder político individualmente.

Ele cita como exemplo o reajuste do Bolsa Família, que segue as regras de recomposição de valor. E a nova edição do Desenrola, que é um programa já existente de renegociação de dívidas.

"Os ajustes e novas inclusões no Pé-de-Meia e o perdão das dívidas dos MEIs configuram promessas de campanha, porque tratam de benefícios que os eleitores só devem receber a partir do próximo ano, se forem aprovados pelo Congresso", diz.

Gonçalves aponta ainda que a proibição das bets não pode ser apontada como um benefício direto e o envio da PEC que acaba com a escala 6x1 não é uma medida concreta do governo, porque a aprovação é do Congresso.

"Acho que é possível discutir se o conjunto da obra configura um abuso do poder político, mas as medidas foram tomadas individualmente dentro do limiar da lei. De qualquer forma, não acredito que a Justiça Eleitoral deve decidir contra a candidatura do presidente em casos assim", analisa.

Por Leonardo Fuhrmann, Folhapress

Ibirataia: Caminhada do time de Futuca e Lula será realizada dia 23 de outubro

Imagem: Divulgação

A caminhada do grupo do prefeito Sandro Futuca, em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está anunciada para o dia 23 de outubro, em Ibirataia. A concentração será a partir das 17h, no Alto da Prefeitura. O evento terá a participação de lideranças políticas e a presença do vice-governador da Bahia, Geraldo Júnior.

“Quero convidar toda a população de Ibirataia para participar da nossa grande caminhada, no dia 23 de outubro, a partir das 17h, com concentração no Alto da Prefeitura. Vamos juntos mostrar a força do nosso grupo, ao lado do nosso time e do presidente Lula, fortalecendo essa parceria que tem contribuído para o desenvolvimento da nossa cidade. Contamos com a presença de cada um de vocês. Chame a família, convide os amigos e venha caminhar conosco! Espero vocês!” - Sandro Futuca

Lula faz declarações francas sobre Alexandre de Moraes

Em entrevista à TV Globo na quinta-feira, 15 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abordou as pressões sofridas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o chefe do Executivo, a oposição tenta transferir para ele a responsabilidade pela atual crise envolvendo integrantes da Corte e as investigações que apontam supostas irregularidades no Judiciário.

Lula afirmou que setores de extrema-direita querem “jogar a Suprema Corte nas minhas costas” e “caçar” Alexandre de Moraes, em retaliação à prisão do pai de Flávio Bolsonaro determinada pelo ministro. “Obviamente que a extrema-direita tenta me responsabilizar pelo que acontece lá dentro. Eles acusam o Moraes como se eu estivesse por trás de cada decisão judicial”, declarou o presidente, ao responder sobre os efeitos políticos da instabilidade no STF.

O caso também ganhou contornos envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, alvo de apurações na Corte. Nesse contexto, Lula foi questionado sobre o pedido de vista apresentado pelo ministro Flávio Dino, por ele indicado ao tribunal. O presidente ressaltou que o recurso de Dino interrompeu apenas temporariamente a análise de assuntos ligados às denúncias contra Moraes, mas defendeu o direito de cada ministro examinar com cuidado os processos que chegam ao plenário.

Lula também citou outros membros do Supremo supostamente envolvidos em investigações: “O Dias Toffoli também está implicado, o André Mendonça também está, o Kassio Nunes Marques também. Está todo mundo sob suspeita”. O petista enfatizou, porém, que não pode interferir nas decisões individuais: “Não tenho como intervir na decisão de um ministro. Ele faz o que é de direito. É normal que todo dia se apresente um pedido de vista em alguma questão.”

Ao falar sobre a necessidade de transparência, o presidente ressaltou que “não tem como imaginar que a sociedade brasileira aceite que tudo fique sem apuração”. Lula defendeu que as denúncias contra magistrados sejam investigadas e afirmou ser fundamental discutir “reformas no Judiciário” e estabelecer novos critérios para a escolha de seus integrantes. “Temos de debater quem pode ocupar esses cargos e quais requisitos são exigidos.”

Por fim, o presidente considerou que o episódio gerou um debate que será “irreversível” no próximo ano. Ele reforçou que “ninguém está acima da lei, nem mesmo os ministros da Suprema Corte” e que é preciso dar sequência às investigações: “Não é possível que apareçam tantas denúncias e que tudo fique engavetado. É um processo sério, que exige cuidado e espírito republicano.”
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FICCO Bahia e CIPE LESTE interceptam em Feira faccionada com arma, farta munição de fuzil e drogas

A traficante foi flagrada com os materiais ilícitos na Rodoviária da segunda maior cidade da Bahia. Em um imóvel apontado pela criminosa, um outro comparsa também acabou preso.

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) Bahia e a Polícia Militar (CIPE LESTE) interceptaram na noite de quinta-feira (15), na cidade de Feira de Santana, uma faccionada com arma, farta munição de fuzil e drogas.

A traficante foi flagrada com os materiais ilícitos na Rodoviária da segunda maior cidade da Bahia, quando tentava embarcar para a região Oeste do estado.

Em uma mala, os policiais apreenderam uma pistola, carregadores para submetralhadora, farta munição de fuzil, tabletes de cocaína e porções grandes de maconha.

A criminosa contou que escondia outros materiais ilícitos em um imóvel e levou as equipes até o local. Na casa, um outro integrante da facção acabou preso.

No imóvel, os policiais da FICCO Bahia e da CIPE LESTE encontraram mais drogas, um colete balístico, máquinas de débito e crédito para comércio dos entorpecentes e balanças.

A dupla foi apresentada na Delegacia Territorial (DT) da Polícia Civil de Feira de Santana.
Fonte
Alberto Maraux/Ascom SSP

Governo quer regulamentar escala 6x1 em 60 dias e tenta esvaziar críticas da oposição

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma regulamentação para tratar da situação de trabalhadores que não têm jornadas convencionais de trabalho, como os que atuam em plataformas de petróleo, motoristas do transporte rodoviário, aeronautas, serviços de saúde e segurança.

A base governista no Congresso Nacional defende que essa regulamentação seja discutida e aprovada nos próximos 60 dias, antes de a emenda constitucional que acaba com a jornada 6x1 entrar em vigor e ainda na atual gestão.

A expectativa da base do governo é que a construção de regras para tratar de categorias regulamentadas e profissões com jornadas especiais esvazie um dos discursos adotados pela oposição para criticar o fim da escala 6x1, o de que o texto ignora especificidades.

A PEC (proposta de emenda à Constituição) que reduz a jornada máxima semanal será promulgada em sessão solene nesta sexta-feira (16) com a presença do presidente Lula. O texto aprovado pelo Congresso prevê que a primeira etapa da redução da jornada semanal, de 44 horas para 42 horas, entre em vigor 60 dias após a promulgação. Com isso, os trabalhadores formais estarão com suas jornadas menores a dez dias do Natal.

Até agora, dois caminhos estão desenhados para essa regulamentação. Um deles, no Senado, seria feito por outra PEC que vem sendo elaborada pelo senador Eduardo Braga (AM), líder da bancada do MDB. A proposta não deve prever exceções à redução de jornada semanal, mas criará regras específicas que tratem dessas diferenças para certas categorias.

Braga tem defendido a necessidade de "reconhecer que existem setores com características muito específicas. Áreas que operam em regime ininterrupto de 24 horas por sete dias na semana".

O senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da PEC no Senado e, assim como Braga, um aliado de Lula, defendeu a necessidade dessa regulamentação durante a discussão da emenda na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e no plenário.

"É preciso notar que existem alguns setores que o Senado e a Câmara vão ter que tratar com a maior rapidez possível", disse.

Aziz citou os trabalhadores de plataformas de petróleo, que passam 15 dias trabalhando embarcados, e outros 15 dias em casa. "É impossível ele ter que ir [para casa] toda semana para passar dois dias [de folga]".

Na avaliação do senador, tanto Câmara quanto Senado têm disposição de discutir e aprovar uma nova PEC para tratar desses casos específicos.

A outra possibilidade de avançar com a regulamentação vem da Câmara, onde já tramita um projeto de lei do Executivo que propõe alterar a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e normas que regulam trabalhos de categorias específicas, como radialistas, mães sociais (que trabalham em casas de assistência), comerciários, atletas profissionais, aeronautas e seguranças privados de instituições financeiras.

A proposta do governo prevê que ainda serão possíveis as negociações de jornadas de 12 horas consecutivas, seguidas de 36 horas de descanso, a chamada escala 12x36, muito usada na saúde e na segurança, desde que a jornada semanal do trabalhador não ultrapasse as 40 horas.

Em atividades que exijam o trabalho aos sábados e domingos, o projeto define a necessidade de uma escala de revezamento que deverá ser organizada todos os meses. Só não estarão sujeitos a esse revezamento os elencos teatrais.

O presidente da Câmara, deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), chegou a se comprometer com Lula a colocar o texto em votação, mas o relatório do deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA) repetiu o texto da PEC do fim da 6x1, depois aprovado no plenário. Para que o projeto fosse viável, seria necessário um novo relatório.

"O mundo da PEC 6x1 começou hoje. Deixa ela ser promulgada e assim vamos nos debruçar sobre a regulamentação", disse a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE).

A oposição ao governo, apesar das críticas desde que a PEC começou a tramitar no Congresso, votou a favor da redução da jornada semanal. Na Câmara e no Senado, o PL, principal partido da oposição, defendeu uma emenda constitucional que criasse um regime de horas definido em acordos individuais.

A PEC da hora trabalhada, que no Senado foi assinada por Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, deve ficar em segundo plano. Agora, a oposição fala em ressuscitar a desoneração da folha de pagamento em um eventual governo Bolsonaro, sob a justificativa de compensar empregadores afetados pela mudança na jornada dos trabalhadores.

"O que a gente queria com a PEC do Marinho é dar alternativas para que alguns setores pudessem se adequar", disse nesta quinta o senador Carlos Portinho (RJ), líder do PL no Senado.

Para Portinho, porém, é improvável que a regulamentação seja definida nos próximos 60 dias. "Vocês acreditam que em dois meses, entre o segundo turno e o recesso de final de ano, vamos conseguir ouvir todos os setores, entender os impactos e fazer os ajustes?"

O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), chegou a dizer na quarta-feira (14) que se Flávio Bolsonaro for eleito presidente, a PEC da hora trabalhada será aprovada, mas o avanço da pauta na Casa é considerado improvável até mesmo por políticos da oposição. Também entre aliados do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), a regulamentação da 6x1 por lei é considerada mais provável.

Por Fernanda Brigatti/Folhapress

Datafolha: Flávio tem 59% dos votos válidos entre não alinhados, contra 41% de Lula

O senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 59% das intenções de votos válidos entre eleitores não alinhados ao petismo ou ao bolsonarismo, contra 41% do presidente Lula (PT), segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (15).

A margem de erro nesse recorte é de cinco pontos percentuais para mais ou para menos. A diferença de 18 pontos coloca o senador à frente, fora do empate técnico.

Na pesquisa divulgada no dia 8, Flávio tinha 58% dos votos válidos nesse grupo, e Lula, 42%. Desde então, o senador oscilou um ponto para cima, e o presidente, um para baixo.

Os percentuais de intenção de voto apresentados se referem aos votos válidos no segundo turno estimulado, em que os entrevistados recebem os nomes dos candidatos. Essa base exclui as respostas em branco, nulo ou nenhum e os indecisos.

Para classificar a identificação política dos entrevistados, o Datafolha usa uma escala de 1 a 5, em que 1 corresponde a bolsonarista e 5, a petista. São considerados não alinhados os que escolhem o ponto intermediário, 3, ou declaram não se identificar com a escala. A classificação não equivale à de eleitores indecisos sobre o voto.

Entre os classificados como bolsonaristas, Flávio tem 98% dos votos válidos, e Lula, 2%. Entre os petistas, o presidente marca 93%, contra 7% do senador. A margem de erro é de três pontos em cada um desses dois grupos.

No conjunto do eleitorado, Flávio oscilou de 52% para 51% dos votos válidos desde o levantamento divulgado no dia 8, enquanto Lula passou de 48% para 49%. Os dois estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro nacional, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Entre os evangélicos, Flávio passou de 73% para 68% dos votos válidos, enquanto Lula foi de 27% para 32%. O senador mantém a liderança no grupo, cuja margem de erro na pesquisa atual é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

Entre os católicos, o presidente lidera por 55% a 45%, com margem de três pontos. Na semana passada, Lula tinha 56%, e Flávio, 44%.

Flávio lidera entre eleitores de 35 a 44 anos, com 59% dos votos válidos, contra 41% de Lula. A margem de erro nesse segmento é de cinco pontos. Essa é a única das cinco faixas etárias em que há uma liderança fora do empate técnico na pesquisa atual.

Na rodada anterior, o senador tinha 53%, e o presidente, 47%, nesse grupo.

Entre os eleitores de 16 a 24 anos, Lula tem 54%, e Flávio, 46%. Os percentuais se inverteram numericamente em relação à semana passada, quando o senador marcava 54%, e o petista, 46%. A margem de erro atual de seis pontos mantém os dois em empate técnico.

Dos 25 aos 34 anos, Flávio tem 53%, ante 47% de Lula, com margem de cinco pontos. Entre quem tem de 45 a 59 anos, o senador marca 51%, e o presidente, 49%, com margem de quatro pontos. Há empate técnico nos dois grupos.

Na faixa de 60 anos ou mais, Lula tem 54%, contra 46% de Flávio. A diferença de oito pontos configura empate técnico no limite da margem de quatro pontos para cada candidato.

Lula lidera entre os eleitores com renda familiar mensal de até dois salários mínimos, com 58% dos votos válidos, contra 42% de Flávio. A margem de erro é de três pontos percentuais.

O senador tem vantagem nas duas faixas acima desse patamar. Entre aqueles com renda de mais de dois a cinco salários mínimos, marca 58%, ante 42% do presidente. Na faixa acima de cinco salários mínimos, tem 63%, contra 37% de Lula. As margens são de três e seis pontos, respectivamente.

No recorte por escolaridade, Lula lidera entre os eleitores com ensino fundamental, por 61% a 39%, com margem de quatro pontos.

Flávio está à frente entre aqueles com ensino médio, com 55%, ante 45% do presidente, e entre os que têm ensino superior, por 56% a 44%. As margens são de três e quatro pontos, respectivamente.

Entre as mulheres, Lula tem vantagem, com 55% dos votos válidos, ante 45% de Flávio. Entre os homens, o senador lidera por 56% a 44%. A margem de erro é de três pontos em cada grupo.

O petista lidera entre os eleitores que se autodeclaram pretos, com 60%, contra 40% do adversário. A margem de erro nesse segmento é de cinco pontos.

Entre os brancos, Flávio tem vantagem, por 59% a 41%. Entre os pardos, os dois marcam 50%. A margem de erro é de três pontos em cada um desses dois grupos.

Lula lidera no Nordeste, com 66% dos votos válidos, ante 34% de Flávio, com margem de erro de quatro pontos.

O senador está à frente nos outros três recortes regionais. No Sudeste, tem 56%, contra 44% de Lula, com margem de três pontos. No Sul, marca 62%, ante 38% do presidente, e, no agrupamento Centro-Oeste/Norte, 58% a 42%. A margem de erro é de cinco pontos em cada um desses dois grupos.

Nas regiões metropolitanas, Lula lidera por 54% a 46%. No interior, Flávio tem vantagem, por 54% a 46%. A margem de erro é de três pontos em cada recorte.

O Datafolha ouviu 2.520 eleitores de 16 anos ou mais em 153 municípios nos dias 13 e 14 de outubro. Desses, 2.330 indicaram voto em um dos dois candidatos e compõem a base de votos válidos. A margem de erro nacional é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi encomendada pela Folha e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-00466/2026.

Por Laura Intrieri/Folhapress

PF, PM e Guarda Municipal apreendem mais de 1 tonelada de maconha

Cascavel/PR. A Polícia Federal, em ação conjunta, apreendeu, nessa quinta-feira (15/10), mais de uma tonelada de maconha durante a fiscalização de um caminhão na BR-277.

Após perseguição policial, os suspeitos foram encaminhados ao hospital. Dentro do veículo, foram encontrados 1 tonelada e mais 300 kg de drogas empacotadas. Na cabine com os suspeitos, também havia maconha supostamente para uso pessoal.

Comunicação Social da Polícia Federal de Cascavel

PF e BPFron apreendem mais de 500 kg de maconha no Paraná

Nova Santa Rosa/PR. Nesta quinta-feira (15/10), a Polícia Federal e o Batalhão de Polícia de Fronteira da Polícia Militar do Paraná (BPFron/PMPR) apreenderam 505,5 kg de maconha em um imóvel utilizado para o armazenamento de entorpecentes, em Nova Santa Rosa.

A ação ocorreu durante diligências voltadas à identificação de locais utilizados para o armazenamento e o transporte de drogas na região. Durante o monitoramento, as equipes abordaram um veículo que havia saído do imóvel suspeito.
Na sequência, os policiais realizaram diligências no local e encontraram a droga, além de aparelhos celulares, munições e outros objetos. Dois veículos também foram apreendidos para subsidiar as investigações.

Os envolvidos e os materiais apreendidos foram encaminhados à Delegacia de Polícia Federal em Guaíra/PR para os procedimentos de polícia judiciária cabíveis.

Comunicação Social da Polícia Federal em Guaíra

Imóvel de suspeito de sequestrar bebê é incendiada em Vitória da Conquista

Uma residência pertencente a um dos suspeitos de envolvimento no sequestro do bebê Noah, de 11 meses, foi incendiada na noite desta quinta-feira (15), em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia.

O imóvel está localizado na Rua Guilherme Aguiar, no bairro Guarani. Há suspeitas de que o incêndio tenha sido criminoso, motivado por uma possível retaliação ao sequestro da criança, ocorrido na noite de terça-feira (13), no distrito de Astério, município de Firmino Alves. Noah, de 11 meses, foi encontrado na manhã seguinte, em uma cabana na Praia do Sul, em Ilhéus, e já está com a família.

Dois homens suspeitos de participação no sequestro foram presos na noite de quarta-feira (14), nas proximidades de Ibicuí. Conforme as informações divulgadas, ambos são moradores de Vitória da Conquista.

O Corpo de Bombeiros foi acionado para combater o incêndio e conseguiu controlar as chamas. Não houve registro de feridos. A Polícia Civil deverá investigar as circunstâncias do incêndio, incluindo a suspeita de que o imóvel tenha sido alvo de represália pelo envolvimento de seu proprietário no caso do sequestro. Por Giro Ipiaú

Delegada que namora líder do PCC Gordão ficará em cela especial

A delegada Maria Virgínia Grimwood Pinto, da Polícia Civil do Pará, detida sob suspeita de repassar informações sigilosas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), permanecerá em uma cela especial da Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP) da Polícia Civil do Distrito Federal. Essa decisão foi tomada após a audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (16/10).

Inicialmente, a delegada ficará na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE). Essa medida é respaldada pela Lei Orgânica da corporação, garantindo que ela permaneça sob custódia da própria Polícia Civil do DF, evitando sua transferência imediata para o sistema penitenciário feminino comum. Nos próximos dias, ela deve ser transferida para Pernambuco, onde o mandado foi expedido e o inquérito está sediado.

As apurações indicam que a delegada teria recebido R$ 50 mil em propina para fornecer informações confidenciais, garantir proteção institucional e permitir acesso indevido a sistemas restritos de segurança pública para membros da facção criminosa.

A Operação Sinalagma, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco, visa desmantelar uma rede interestadual envolvida em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e ocultação de bens. O esquema financeiro do grupo teria movimentado mais de R$ 14 milhões.

O nome da operação, Sinalagma, refere-se ao conceito jurídico de reciprocidade de obrigações, simbolizando a troca de propina por facilidades oferecidas por agentes públicos.

A investigação revelou o uso de empresas de fachada, laranjas e documentos falsos no esquema. A perícia telemática do celular apreendido do suspeito e dados do Coaf foram cruciais para identificar crimes como corrupção ativa e passiva, violação de sigilo e organização criminosa.

A análise do celular de “Gordão”, apreendido em sua primeira prisão e periciado com autorização judicial, foi fundamental para expor as ligações com a delegada e identificar outros membros do grupo criminoso.

Com a custódia consolidada na DCCP e a conclusão dos procedimentos no Distrito Federal, as autoridades locais e de Pernambuco finalizam os trâmites para a transferência interestadual.

Ação conjunta erradica 2 mil pés de maconha em ilha no Rio São Francisco

Operação em Muquém do São Francisco contou com equipes das Polícias Civil e Militar e do Departamento de Polícia Técnica (DPT)

Uma ação conjunta entre três forças de segurança da Bahia erradicou 2 mil pés de maconha cultivados em uma ilha no Rio São Francisco, nas proximidades do povoado de Riacho de Serra Branca, no município de Muquém do São Francisco, nesta quinta-feira (15). A operação contou com a participação de equipes das Polícias Civil e Militar e do Departamento de Polícia Técnica (DPT).

As diligências tiveram início após policiais militares receberem informações sobre a existência da plantação na localidade. Ao chegarem ao local, os servidores foram recebidos a tiros por um grupo de homens. Durante o confronto, um dos suspeitos, identificado como Márcio Rodrigues Santos, de 55 anos, foi atingido e socorrido para uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos.
A Polícia Civil solicitou as perícias cabíveis e, nesta quinta-feira, realizou, em conjunto com as demais forças de segurança, a destruição da plantação. Participaram da ação policiais civis da Delegacia Territorial (DT/Ibotirama), policiais militares das Rondas Especiais (Rondesp/Meio Oeste) e peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT).

Diligências são realizadas para identificar e localizar outros integrantes do grupo criminoso que atua na região.

Fonte
Guilherme Santos/Ascom-PCBA

Contratados pela Fundação José Silveira denunciam atraso salarial de trabalhadores no HGI

Profissionais que atuam no Hospital Geral de Ipiaú (HGI), contratados pela Fundação José Silveira, voltam a reclamar de atrasos no pagamento dos salários. A situação tem provocado dificuldades financeiras entre os trabalhadores, que relatam falta de respostas sobre a regularização dos vencimentos.

Nesta quinta-feira (15), alguns funcionários procuraram a reportagem do GIRO para denunciar o problema. Segundo a denúncia, alguns colaboradores estão há mais de um mês sem receber salários, situação que compromete o pagamento de despesas básicas e afeta principalmente aqueles que dependem exclusivamente da remuneração do hospital.

“Já temos quase um mês e meio sem receber salário. Tem funcionários que moram fora, colegas que pagam aluguel, tudo atrasado, contas sem pagar. Tem colegas passando necessidades porque não têm outro vínculo”, relatou uma das denunciantes.

Outra profissional também reclama da falta de informações sobre quando os pagamentos serão regularizados. Segundo ela, as tentativas de obter esclarecimentos não têm apresentado resultados. “Não temos respostas de ninguém. Quando ligamos para lá, dizem que ainda não têm uma resposta. Está muito complicada nossa situação aqui no HGI em relação aos salários. Todo mês é a mesma luta”, desabafou.

As reclamações envolvendo atrasos salariais de profissionais de saúde contratados pela Fundação José Silveira são recorrentes e não se restringem a Ipiaú. Queixas semelhantes já foram registradas em outras ocasiões por trabalhadores vinculados à instituição em demais localidades da Bahia.

Direção do HGI se manifesta

Procurada pela reportagem do GIRO, a diretora do Hospital Geral de Ipiaú, Thais Cardoso, se manifestou sobre as denúncias. Em nota, a direção da unidade afirmou que reconhece os transtornos enfrentados pelos profissionais e que já adotou as providências cabíveis junto à Fundação José Silveira e à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).

“A Direção do Hospital Geral de Ipiaú se solidariza com os profissionais diante dos transtornos enfrentados e informa que, no exercício de sua responsabilidade pela fiscalização do cumprimento contratual, já adotou todas as providências cabíveis junto à Fundação José Silveira e à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB). Reiteramos nosso compromisso em acompanhar de perto a situação, mantendo o diálogo constante com as instituições responsáveis para que a regularização dos pagamentos ocorra o mais breve possível.”

A reportagem do GIRO também não conseguiu contato com a Fundação José Silveira para obter esclarecimentos sobre as denúncias. O espaço permanece aberto para manifestação da instituição.

Por: Giro Ipiaú

Vorcaro promoveu festa com garotas de programa para Kassio, diz revista

Ministro diz que nunca pediu nada ao ex-banqueiro e não pode se responsabilizar por conversas de terceiros

Foto: Victor Piemonte/STF/Arquivo

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro custeou e promoveu em seu tríplex no Itaim Bibi, na zona oeste de São Paulo, uma festa com garotas de programa para o ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), no dia 28 de fevereiro de 2025, segundo reportagem da revista piauí publicada nesta quinta-feira (15).

As mensagens não deixam claro se o dono do Banco Master participou do evento. Segundo mensagens obtidas pela PF (Polícia Federal) no celular do ex-banqueiro, ele cuidou de todos os detalhes e envolveu sete pessoas —dois motoristas, um chef de cozinha, um mordomo, uma faxineira, um arquiteto e uma agenciadora de garotas de programa— na organização do encontro entre o magistrado e as mulheres.

As despesas com a festa para 15 convidados somaram R$ 27 mil, sendo cerca de R$ 21,1 mil em carnes e caviar. No mesmo dia da festa, Vorcaro conversava com um interlocutor que seria Paulo Sergio Souza, ex-diretor do Banco Central, sobre o uso do depósito compulsório, verba que as instituições financeiras devem destinar a uma conta no BC, para garantir o funcionamento do Master, descumprindo as regras para operar no país.

Conforme diálogo entre Vorcaro e o mordomo contratado, cujo nome estava salvo como "Michael" nos contatos do ex-banqueiro, um quarto do tríplex foi emprestado ao presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e a cinco mulheres por volta das 20h50. Mais tarde, às 22h08, Michael escreveu: "Pessoal tudo pelado na piscina. Uma passou mal vomitou mais tá bem já".

"Ministro tá sem pressa nenhuma de ir embora acabou de falar que está renovando para começar tudo novamente", acrescentou o mordomo. Segundo ele, Nunes Marques teria ido embora por volta das 23h15. Depois, Michael enviou a Vorcaro fotos que mostravam três preservativos usados sobre um tapete e uma calcinha de renda preta encontrada embaixo de um travesseiro.

Questionado sobre a festa e o impacto do evento sobre sua atuação como relator do caso Master, o magistrado enviou nota ao jornal Folha de São Paulo afirmando que nunca autorizou ninguém a falar em seu nome e não pode se responsabilizar por conversas ou ações de terceiros.

"O ministro Kassio Nunes Marques nunca votou a favor de Daniel Vorcaro (inclusive deu voto pela manutenção da prisão), nunca trocou mensagens com ele e nem pediu nada ao banqueiro", diz a nota.

Na terça-feira (13), reportagem do site UOL revelou que Vorcaro financiava uma rede de prostituição de alcance internacional desde 2023, na qual aplicou ao menos R$ 4,3 milhões e envolveu intermediários, uma casa noturna em São Paulo e mulheres russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas —que eram chamadas pelo ex-banqueiro e por um promotor de eventos de "escravas" e "kengas".

O dono do Master negou em nota o envolvimento com a exploração sexual de mulheres. "Nego veementemente que tenha, em algum momento, explorado ou desrespeitado mulheres. Isso não é da minha índole. Na verdade, a falsa narrativa criada é exatamente o oposto do que sou, o que pode ser confirmado por qualquer mulher que me conheceu ou com quem me relacionei", disse.
Por Marina Costa/Folhapress

PRF apreende mais de R$ 870 mil em espécie durante fiscalização na BR-381, em Minas Gerais

Na madrugada desta quarta-feira (14/10), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu mais de R$ 870 mil em espécie, durante uma fiscalização na BR-381, no município de Perdões/MG. A apreensão ocorreu após a equipe PRF receber uma solicitação da Central de Comando e Controle para abordar um veículo com placas de Belo Horizonte que trafegava no km 679 da rodovia.

No decorrer da fiscalização, os policiais localizaram uma mala com aproximadamente R$ 870.570 (oitocentos e setenta mil, quinhentos e setenta reais), no interior do porta-malas do veículo. Questionado a respeito da origem e da finalidade do dinheiro transportado, o motorista declarou que se tratava de dinheiro relacionado a política, sem fornecer maiores esclarecimentos sobre a procedência, a titularidade ou a destinação dos valores.

Informou também que seria remunerado para realizar o transporte do dinheiro de Ponta Porã/MS até um shopping na cidade de Belo Horizonte, onde deveria entregar a mala. Alegando receio de sofrer represálias, o homem não quis informar nomes ou outras informações relativas à identificação dos envolvidos responsáveis pela entrega e pelo recebimento da quantia.

Por conta das circunstâncias, a ocorrência foi apresentada à Polícia Judicíária em Varginha/MG, que é a autoridade competente para adoção das demais providências. No local, o motorista foi devidamente qualificado e liberado, assim como o veículo utilizado no transporte.
Categorias: Justiça e Segurança

“Não vejo hipótese”, diz Ademir Ismerim sobre revogação de título de Cidadão Soteropolitano de Flávio Bolsonaro

                            "O advogado especialista em direito eleitoral Ademir Ismerim"
Em entrevista exclusiva ao Política Livre nesta quinta-feira (15), o advogado especialista em direito eleitoral Ademir Ismerim afirmou que não acredita na possibilidade de revogação do título de Cidadão Soteropolitano concedido ao senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). Segundo ele, a concessão da honraria seguiu todos os trâmites legais na Câmara Municipal de Salvador (CMS).


“Eu não vejo hipótese de revogar o título, até porque quando a Câmara deu o título, inclusive por iniciativa da mesa, ela seguiu todo o procedimento que a lei exige. Então é um ato jurídico perfeito, que eu acho que não pode ser revogado. Ele só poderia ser revogado, no meu entendimento, quando você tem defeito processual. Não há defeito processual”, declarou.

No entanto, a homenagem provocou críticas de ativistas sociais, militantes e outros setores da população. Um abaixo-assinado online, criado por Magali de Jesus Domingos, circula nas redes sociais e já conta com quase 175 mil assinaturas. O documento pede a suspensão da homenagem, sob o argumento de que o parlamentar não representa adequadamente a população da capital baiana, além de questionar a concessão da honraria diante de acusações de corrupção e de posições políticas rejeitadas pelos signatários. Uma ação popular também foi ajuizada na Justiça baiana com pedido de revogação do título. Para o especialista, porém, essas manifestações têm motivação política.

“O que está acontecendo é uma questão de pura política, onde as pessoas, alguns que são contra Flávio Bolsonaro, querem revogar esse título para efeito político, que inclusive é uma coisa deselegante, na medida em que quem concedeu o título a ele foi a cidade de Salvador. A Câmara representa a cidade, então é deselegante isso, procurar essas medidas, só porque há uma divergência política”, acrescentou.

Para concluir, Ismerim reiterou que não acredita na revogação da honraria e ressaltou que, em sua avaliação, o Judiciário deverá analisar a legalidade da concessão, e não o mérito da homenagem.

“Inclusive a lei, a ação que propuseram também, uma ação popular, não tem, ao meu sentido, nenhuma viabilidade para que um juiz conceda uma liminar, porque também o que ele vai apreciar? Ele não vai apreciar a questão de mérito, se é bom ou ruim, ele vai apreciar a questão legal. E do ponto de vista legal eu não vejo nenhuma falha que possa ter ocorrido nessa concessão de título a Flávio Bolsonaro”, finalizou.

Por Reinaldo Oliveira, Política Livre

Lula aborta ideia de líder do PT sobre redução de maioridade penal e orienta acelerar PEC da Segurança

O senador e ex-ministro Camilo Santana (PT-CE), um dos coordenadores da campanha de Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou seus aliados a votarem a PEC (proposta da emenda à Constituição) da segurança pública sem emendas para acelerar a tramitação.

A determinação de Lula interrompe o movimento do líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE). O senador cearense articulava uma emenda à proposta que reduziria a maioridade penal em caso de crimes mais graves.

O chefe do governo comunicou sua decisão ao relator da PEC, o senador Rogério Carvalho (PT-SE). A ideia havia rachado a bancada do PT no Senado e alvoroçado a base social do partido, historicamente contrária a mudanças na maioridade penal.

Lula quer que a proposta seja aprovada e entre logo em vigor para poder sinalizar a criação do Ministério da Segurança Pública ainda antes do segundo turno, possivelmente por meio do envio de um projeto de lei. Se houver uma alteração na PEC, ela precisará de nova deliberação da Câmara, o que atrasaria o processo.


A discussão sobre maioridade penal, porém, não deve ser encerrada. Fontes do partido e do governo admitem a possibilidade de o tema ser retomado em uma nova PEC em um futuro próximo, ainda que não apoiem a proposta. Não deverá haver digitais do partido no projeto.

Camilo articulou uma emenda que baixaria a maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos. Seria uma forma de driblar a tentativa bolsonarista de emplacar, dentro da PEC, a redução total da maioridade, com agravante que poderia diminuir a idade para 14 anos.

Petistas afirmam que a manobra também tinha participação do presidente do partido, Edinho Silva, e do ministro Sidônio Palmeira (Secom). A lógica é que o movimento impediria que a oposição monopolizasse o discurso do endurecimento da segurança pública.

Camilo, Edinho e Sidônio são parte da cúpula da campanha de reeleição de Lula. O petista disputa a presidência com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o mais votado do primeiro turno.

Pegou especialmente mal na bancada petista o fato de Camilo Santana ser líder do partido, e não do governo. Isso caracterizaria a proposta como uma iniciativa do partido, não do governo. Ao mesmo tempo, a líder do governo, Teresa Leitão (PT-PE), era uma das principais vozes contrárias à ideia nas discussões internas.
Por Folhapress

Prefeitura de SP mantinha Credcesta, ligado ao Banco Master, até setembro Por Stéfanie Rigamonti, Folhapress

Ação protocolada na Justiça de São Paulo no mês passado acusa Master de práticas abusivas no cartão e cobranças recentes
Uma servidora aposentada moveu ação no mês passado na Justiça de São Paulo contra a prefeitura da capital paulista, o Banco Master e o Will Bank por venda casada de cartão consignado do Credcesta —um convênio que a instituição financeira de Daniel Vorcaro fez com estados e prefeituras, assim como com o INSS posteriormente, para a oferta de um cartão consignado a servidores públicos.

O processo começa destacando que o Credcesta vem sofrendo críticas, revisões e até auditorias, e lembra que seu operador, o Banco Master, é acusado de "corromper ativamente até mesmo as mais altas autoridades do país".

A servidora, que tem empréstimo consignado junto ao Credcesta desde 2022 e que ainda recebia cobranças até a ação ser protocolada na Justiça, em setembro deste ano, diz no processo ser vítima de uma série de práticas abusivas e falhas de prestação de serviços no Credcesta.

Consultada por e-mail, a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou. A Seges (Secretaria Municipal de Gestão), da Prefeitura de São Paulo, disse à coluna que a PKL One Participações S.A., instituição que já era responsável pela administração do Credcesta antes de o Banco Master ser liquidado, está descredenciada como consignatária da Prefeitura desde 24 de setembro deste ano, "por não atender aos requisitos normativos exigidos".

A secretaria, porém, não deu mais explicações sobre quais normas não foram cumpridas pela empresa. A Seges acrescentou que, por decisão administrativa, desde dezembro de 2025, ou seja, logo após a liquidação do Master, a instituição já estava impedida de realizar novas operações.

Afirmou também que a contratação de crédito consignado é uma relação direta entre o servidor e a instituição financeira cadastrada. "No caso em questão, não houve qualquer ação ou omissão que possa ser atribuída à Prefeitura", disse a secretaria em nota.

Na ação, protocalada na 3ª Vara do Juizado Especial da Fazenda Pública da Capital, a servidora aposentada afirma que, em 2022, ao notar a insistente oferta de cartões de crédito em seu portal de consignados, solicitou formalmente à Seges a remoção de tais ofertas, mas obteve como resposta que a disponibilização da margem para cartão era obrigatória, "ignorando o direito da servidora de não ser assediada com produtos não solicitados".

Após a insistência na oferta, ela diz no processo que acabou realizando saque vinculado ao cartão. Depois de quitar essa primeira operação sem maiores problemas, porém, ela efetuou nova contratação, mas ao tentar liquidar antecipadamente o segundo contrato acabou vivenciando "um calvário", segundo consta na ação.

O processo relata dificuldades de acesso ao Banco Master mesmo antes da liquidação e a um boleto para pagamento. Segundo consta no processo, a quitação exigia biometria facial por link de SMS. Sem encontrar respostas, a servidora tentou novamente contato com a Seges, mas diz que esta se isentou de resolver o problema e apenas a encaminhou o email do Master.

A servidora ficou sem resposta até maio de 2026, quando se dirigiu a uma agência do Banco Will em Pinheiros, sob a promessa de que haveria um posto de atendimento do Banco Central para resolver os problemas com o Banco Master. No local, foi surpreendida por uma funcionária que se apresentou como representante da instituição de Vorcaro e lhe entregou dois boletos de cobrança, um no valor de R$ 7.951,44 e outro de R$ 558,59, sem qualquer extrato ou explicação sobre a origem e evolução da dívida.

Na ação, a servidora pede uma indenização de R$ 8 mil, além da devolução em dobro de valores descontados em sua aposentadoria, somando um total de quase R$ 16 mil. Também pede a nulidade do cartão por venda casada ou, como alternativa, juros limitados à média do consignado. Por fim, quer a responsabilização solidária da prefeitura, por falha na escolha e na fiscalização do conveniado.

A ação se soma a diversas reclamações ao Credcesta por descontos não reconhecidos e ligações insistentes, já noticiados pela Folha.

Em março, o presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Gilberto Waller Júnior, afirmou à Folha que o Credcesta é um cartão de benefício consignado com operação irregular, sem amparo legal e com possibilidade de incidência de juros sobre juros nos contratos firmados.

Criado em 2018 por Augusto Lima, que depois se tornou sócio de Vorcaro, o produto se expandiu após ser operado pelo Master e foi um dos grandes motores de crescimento do banco.

O MPF (Ministério Público Federal) no DF, que investiga os consignados do Master por meio de um inquérito civil público, afirma que o salto exponencial do cartão consignado se deu "sem explicação econômica-empresarial evidente".

Por Stéfanie Rigamonti, Folhapress