Trump bloqueia estreito de Hormuz; Irã desafia a medida

Donald Trump
A confusa ordem do presidente Donald Trump para o bloqueio naval do estreito de Hormuz fez cessar o tráfego que já era mínimo na via que, antes da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, escoava 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mercado.

O bloqueio começou às 11h desta segunda-feira (13), no horário de Brasília. Antes dele, segundo monitores de tráfego marítimo, apenas 2 navios ligados ao Irã tentaram fazer o trânsito na região, ante 4 na véspera e até 140 antes do conflito que vive um incerto cessar-fogo desde a terça passada (7).

No domingo (12), o presidente americano determinou a medida para qualquer navio que tenha pagado o pedágio imposto pelo Irã na semana passada. Em vez de reabrir a passagem como havia sido combinado na trégua, Teerã estabeleceu uma rota que diz evitar minas colocadas pela teocracia e passa por suas águas territoriais.

Com isso, um petroleiro precisa pagar em criptomoedas US$ 1 por barril de óleo transportado, por exemplo. Diante do fracasso da rodada de negociações diretas entre EUA e Irã no Paquistão no fim de semana, Trump então anunciou o bloqueio.

Já quem irá executá-lo, a Marinha sob o Comando Central das Forças Armadas dos EUA, disse que irá interceptar navios de quaisquer países que estejam vindo ou indo a portos iranianos, que é algo diferente de um hipotético petroleiro de bandeira panamenha com produto do Kuwait que tenha aceitado pagar a taxa do Irã.

Em uma segunda postagem sobre o tema nesta madrugada de segunda, Trump falou em bloqueio envolvendo portos iranianos. Nesta manhã, nota da Marinha a navegadores disse que "o bloqueio não vai impedir o trânsito neutro pelo estreito para ou de destinações não iranianas".

Segundo os EUA, navios neutros ora em portos iranianos poderão deixar a área "por um período limitado" sem serem importunados.

Na prática, navios de guerra dos EUA patrulham áreas de trânsito e avisam, por rádio, que estão interditadas. Se a embarcação comercial não parar ou der meia-volta, ela pode ser abordada por lanchas e helicópteros e apreendida. Em casos extremos, uso da força pode ocorrer.

Trump escreveu nesta manhã, sempre em sua rede Truth Social, que se alguma lancha de ataque iraniana que tenha sobrevivido às cinco semanas de combate tentar atacar um navio americano, será "eliminada".

Do ponto de vista legal, o bloqueio é previsto em caso de conflitos caso não puna a população civil. A questão é que os EUA estão em uma trégua com o Irã, o que torna nebulosa sua ação sob o direito internacional.

Em tempos de paz, cerca de 90% da produção de petróleo iraniana é destinada à China, que tem no país seu terceiro maior fornecedor por meio de esquemas para driblar sanções internacionais, intermediando as compras pela Malásia e outros. É incerto quanto óleo iraniano conseguiu deixar a região desde o início da guerra.

Trump disse que teria ajuda de outros países em seu bloqueio, sem os nominar. O Reino Unido e a França farão uma reunião para debater a situação, mas o premiê britânico, Keir Starmer, voltou a dizer "esta não é nossa guerra" e que não irá participar de missões ofensivas.

O republicano, que busca deixar a impopular guerra que iniciou em 28 de fevereiro, disse que o cessar-fogo está valendo, exceto que os iranianos ataquem algum navio "pacífico" ou americano. Ele disse que "não se importa" se haverá ou não novas negociações com o Irã, abrindo uma janela para deixar o conflito congelado.

Já a Marinha de Teerã disse, em comunicado, considerar o bloqueio ridículo e que manterá o esquema com sua rota ilegal com pedágio. A Força reafirmou que irá considerar qualquer movimentação militar em Hormuz uma violação do cessar-fogo.

E assim segue a disputa narrativa, com ambos os lados buscando dizer estar em vantagem. O controle de Hormuz é a principal ficha de barganha de Teerã no conflito, devido ao impacto nos preços globais de energia.

Na vizinhança imediata de Hormuz há pelo menos dois navios de guerra americanos, os destróieres USS Frank E. Peterson e o USS Michael Murphy.

No sábado, os EUA disseram que ambos os navios navegaram por Hormuz com apoio de drones subaquáticos, visando identificar e destruir minas. O Irã não comentou a afirmação, e o fato é que não se sabe quais as atuais capacidades costeiras do país após os intensos bombardeios a que foi submetido.

Há pelo menos outros seis navios deste tipo, armados com sistemas antimísseis, na região próxima do lado "de fora" de Hormuz, o golfo de Omã, que leva ao oceano Índico. A Marinha iraniana em si parece ter sido dizimada pelos EUA, que afirmaram ter destruído cerca de 160 de suas embarcações.

Mas o perigo para navios está nas minas e no emprego de drones e mísseis pelos iranianos. Os aviões robôs podem fazer grandes danos em petroleiros e cargueiros civis, mas são os modelos de cruzeiro antinavios que preocupam os rivais: eles mal foram vistos em ação na guerra, o que faz supor que Teerã os guardou.

O alcance máximo dos modelos iranianos do tipo é 700 km, e em médio atingem alvos a 300 km. Isso levou o grupo do porta-aviões USS Abraham Lincoln, operando na guerra, a se proteger mais ao sul da costa de Omã, por exemplo.

Enquanto a novela naval se desenrola, a guerra continua na frente libanesa, onde Israel não incluiu o combate ao Hezbollah no cessar-fogo. Nesta segunda, houve bombardeios que mataram ao menos nove pessoas no país vizinho, e as forças de Binyamin Netanyahu anunciaram que irão tomar controle da cidade de Bint Jbeil, perto da fronteira.

Por Igor Gielow/Folhapress

Governo Lula demite presidente do INSS e anuncia servidora no comando do órgão

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu demitir o presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Gilberto Waller Jr., que havia assumido o órgão no fim de abril de 2025, após a Operação Sem Desconto, voltada à investigação de fraudes nos descontos associativos de beneficiários.

A troca foi anunciada em nota pelo ministro Wolney Queiroz (Previdência) nesta segunda-feira (13). O INSS é formalmente ligado ao Ministério da Previdência, mas Queiroz e Waller Jr. mantiveram uma relação conturbada no tempo em que conviveram em seus respectivos cargos.

Para substituí-lo, o ministro anunciou Ana Cristina Viana Silveira. Segundo a pasta, "ela assume a presidência do órgão com a missão estratégica de acelerar a análise de benefícios e simplificar os processos internos do Instituto".
Por Idiana Tomazelli/Folhapress

PRF apreende fuzil, carregadores e centenas de munições no Sul Fluminense

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu um fuzil, carregadores e centenas de munições, na sexta-feira (10), em uma ação conjunta com a Guarda Civil Municipal de Resende, com apoio das polícias militar e civil. O caso aconteceu em Resende, no Sul Fluminense, e resultou na prisão de dois homens.

Por volta das 19h, policiais rodoviários federais da 7ª Delegacia (Resende) receberam informações da Guarda Civil sobre um carro furtado circulando na região. A equipe da PRF localizou o veículo e deu ordem de parada, na Dutra (BR-116), mas o condutor desobedeceu e iniciou uma fuga em alta velocidade na direção do bairro Nova Liberdade.

Os policiais viram os ocupantes do carro jogando objetos pela janela, enquanto fugiam, mas conseguiram abordá-los após colidirem com o veículo em um poste. Dois homens, de 19 e 35 anos, estavam no automóvel.

Com apoio de equipes da PM e da Polícia Civil, os policiais rodoviários federais localizaram os objetos jogados pelos fugitivos. Foram encontrados um fuzil - calibre 5,56mm -, dez carregadores e 263 munições do mesmo calibre. O carro também possuía registro de furto, ocorrido em 9 de fevereiro.

A ocorrência foi encaminhada para a Polícia Civil (89ª DP).

PRF na Paraíba autua responsáveis por posto de combustíveis após panes em viatura e em outro veículo na BR-230

Fiscalização identificou combustível adulterado com presença de água em estabelecimento às margens da rodovia.
Campina Grande/PB, 13/04/2026 - A Polícia Rodoviária Federal (PRF) na Paraíba identificou um crime contra as relações de consumo e a ordem econômica após uma viatura da instituição e um veículo particular apresentarem falhas mecânicas severas. A ação ocorreu após a viatura oficial ser abastecida com Diesel S10 em um posto local. Logo ao iniciar o deslocamento, o veículo sofreu pane total, com o sistema de diagnóstico de bordo acusando a presença de água no combustível.
A ação se desenvolveu no município de Campina Grande, por volta das 10h22 da manhã do último sábado (11), na BR-230. No decorrer da ação, um segundo veículo, um ônibus modelo VW/Neobus 8.180E, que abasteceu na mesma bomba de combustível que a viatura havia abastecido, também apresentou parada repentina de funcionamento menos de 100 metros após iniciar o deslocamento. Diante das evidências de vício de qualidade, a equipe policial retornou ao estabelecimento para realizar os testes de aferição conforme as normas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Os exames de comparação visual, temperatura e densidade confirmaram que o combustível estava em total desacordo com os padrões vigentes de limpidez e densidade estabelecidos pela agência reguladora.

As responsáveis pelo estabelecimento, duas mulheres de 41 e 45 anos (proprietária e gerente), foram identificadas como autoras da conduta tipificada na Lei 8.176/91, que trata de crimes contra a ordem econômica por revenda de combustíveis em desacordo com as normas legais, além de crime contra as relações de consumo. Diante dos fatos e da constatação técnica da irregularidade, foi lavrado o Boletim de Ocorrência e iniciados os procedimentos administrativos e legais cabíveis para o encaminhamento do caso às autoridades competentes.
Categoria
Justiça e Segurança

Operação Artemis da FICCO Bahia alcança 75 criminosos na sua 3ª fase

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado na Bahia (FICCO/BA), em conjunto com forças estaduais e federais da Bahia e de outros estados da Federação, deflagrou mais uma fase da Operação Artemis, resultando na captura de 75 (setenta e cinco) criminosos de alta periculosidade. Trata-se de uma ação continuada, com o objetivo estratégico de localizar e capturar foragidos da Justiça envolvidos em crimes violentos, especialmente aqueles vinculados a facções criminosas com atuação no estado da Bahia.

As ações operacionais e de inteligência foram desenvolvidas entre os meses de fevereiro e abril de 2026 e resultaram do trabalho integrado de inteligência, análise de dados e diligências operacionais, coordenadas entre as forças policiais que compõem a FICCO/BA, com apoio de FICCOs de outros estados. Esse modelo de atuação conjunta permitiu elevar a eficiência das operações e ampliar o alcance das ações de captura.

As prisões ocorreram em diversos municípios baianos, entre eles Salvador, Feira de Santana, Jequié, Camaçari, Vitória da Conquista, Guanambi, Itapetinga, Ipiaú, Cruz das Almas, Santo Amaro, Canavieiras, Sento Sé e Alagoinhas. Houve, ainda, ações bem-sucedidas em outros estados da Federação, com prisões realizadas em São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Ceará e Tocantins, evidenciando a capilaridade e a articulação interestadual da operação.

Observa-se que integrantes de facções criminosas, especialmente lideranças com elevado grau de periculosidade, frequentemente se evadem para outros estados na tentativa de frustrar a atuação policial. Mesmo à distância, continuam a ordenar crimes violentos e a exercer controle sobre o tráfico de drogas e armas. Diante desse cenário, foram desencadeadas ações específicas voltadas à localização e captura desses indivíduos fora do território baiano.

Destacam-se, ainda, prisões internacionais de foragidos da Justiça baiana. Criminosos de alta periculosidade que acreditavam estar fora do alcance da persecução penal foram localizados em outros países por meio de ações integradas realizadas fora do Brasil, especialmente na Bolívia. Essas operações demonstram o alcance da cooperação policial internacional e a capacidade de articulação das forças que integram a FICCO/BA.

As capturas tiveram como foco indivíduos procurados pela prática de crimes graves, como homicídios, latrocínios, roubos majorados, tráfico de drogas e organização criminosa, reforçando o compromisso permanente das instituições de segurança pública com a retirada de circulação de criminosos violentos e com a redução dos índices de criminalidade.

Cada mandado de prisão cumprido representa o resultado de uma investigação qualificada, devidamente instruída com elementos probatórios suficientes para o convencimento do Poder Judiciário e a consequente decretação da privação da liberdade do investigado, prevenindo a reiteração criminosa. A integração das forças policiais em ações operacionais, de inteligência e investigativas revela-se indispensável para a efetividade do enfrentamento ao crime violento e organizado.

A FICCO Bahia é atualmente composta pela Polícia Federal, Polícia Militar da Bahia, Polícia Civil da Bahia, Polícia Penal da Bahia, Secretaria Nacional de Políticas Penais e pela Secretaria da Segurança Pública do Estado da Bahia, constituindo um modelo exitoso de cooperação interinstitucional no combate ao crime organizado.
Fonte: Ascom PF

Lula enfrenta cenário de 1º turno mais apertado desde eleição de 2002

O presidente Lula (PT) enfrenta, neste momento, o cenário de 1º turno mais apertado de todas as eleições em que saiu vencedor. Dados de pesquisas Datafolha, feitas a cerca de seis meses do pleito, nos anos de 2002, 2006 e 2022, mostram que a diferença do petista em relação ao seu principal opositor nunca foi tão estreita.

Em 2002, primeira vez em que Lula foi eleito presidente da República, o político tinha, em 9 de abril, uma diferença de dez pontos percentuais do segundo colocado, o tucano José Serra.

No pleito seguinte, quando se reelegeu, o petista estava, segundo pesquisa de junho, 17 pontos à frente de Geraldo Alckmin, então seu principal opositor pelo PSDB.

Quando voltou para concorrer em 2022, em cenário já marcado pela polarização com o bolsonarismo, o petista tinha 48% das intenções de voto em maio daquele ano, frente a 27% de Jair Bolsonaro.

Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (11) mostra o político com 39% das intenções de voto no primeiro turno, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 35%. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.

"Esses dados são muito simbólicos porque mostram uma redução consistente da margem de liderança em comparação com os ciclos anteriores", analisa o cientista político Elias Tavares.

Segundo ele, o cenário é reflexo de um eleitorado mais dividido e um ambiente mais competitivo para o petista, que não conseguiu emplacar grandes marcas ou programas que o reconectassem com a população, como foi o "Fome Zero", de combate à insegurança alimentar, no início dos anos 2000.

"Em 2002, Lula vinha numa onda de mudança, com discurso novo e expectativa alta. Em 2006, mesmo com o desgaste do mensalão, ainda tinha uma liderança relativamente confortável. Em 2022, apesar da polarização, conseguiu sustentar uma vantagem consistente, muito também porque havia uma rejeição elevada ao Jair Bolsonaro, e o Lula soube ocupar esse espaço como principal contraponto a um governo que enfrentava insatisfação relevante naquele momento", analisa Tavares.

Segundo o especialista, a perda de folga obriga o pré-candidato, desgastado pelos longos anos na política, a "disputar o voto o tempo inteiro, sem margem para erro".

Pesa no cálculo também o fato de a oposição começar mais consolidada do que os adversários de anos anteriores, reflexo de uma "polarização mais imediata e com menos espaço para crescimento" para Lula, avalia Tavares.

Bruno Bolognesi, cientista político e professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná), também coloca na polarização parte da justificativa que gera cenário mais apertado para o petista, o que para o especialista torna o pleito imprevisível.

Nesse contexto, afirma, ganha peso a exploração do voto útil, usado no segundo turno pelo eleitor mais para evitar que o opositor vença o pleito do que para apoiar um candidato. "É uma eleição em que o voto útil deve imperar de novo, o que é comum em países polarizados como Brasil e Estados Unidos."

Lula e Flávio têm índices de rejeição similares. Segundo o último Datafolha, o petista tem 48% de rejeição, contra 46% de Flávio. Os ex-governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, têm 17% e 16% respectivamente, mas são menos conhecidos.

Em 2022, marcado também pela polarização entre Lula e o bolsonarismo, o petista tinha rejeição menor, de 33% a 40%, frente a uma variação de 51% a 55% de Jair Bolsonaro (PL), segundo pesquisas Datafolha de maio a outubro daquele ano.

Para Luis Gustavo Teixeira, doutor em ciência política e professor da Unipampa (Universidade Federal do Pampa), o cenário mais apertado para Lula reflete um governo marcado pelo desgaste e desidratação, além da "dificuldade de articular com uma base social e eleitoral mais ampla, para além das fronteiras do petismo".

Ainda assim, há espaço para movimentação a seu favor ao longo da corrida eleitoral, avalia Teixeira, sobretudo pela falta de experiência de Flávio Bolsonaro em um cargo no Executivo. "Enfrentar um processo eleitoral não é fácil, basta lembrar, por exemplo, o desmaio de Flávio no debate eleitoral para a prefeitura do Rio de Janeiro", diz Teixeira, para quem pode pesar também contra o pré-candidato o escrutínio relacionado a acusações de corrupção.

Flávio desmaiou durante um debate transmitido ao vivo na TV, em 2016, quando concorreu à Prefeitura do Rio. O vídeo foi recuperado nas redes sociais desde que o político anunciou ser pré-candidato à Presidência.

Também é preciso considerar, na comparação entre os pleitos analisados, o alto número de votos em branco e de indecisos, parcela que pode ser decisiva para definir o rumo das eleições, avalia Teixeira.

Para Antonio Lavareda, cientista político e sociólogo do Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas), o resultado da mais recente pesquisa aponta cenário em que Lula pode ser ultrapassado "caso a economia piore e a maré de escândalos ganhe maiores proporções".

Lavareda avalia que o maior problema do petista é no segundo turno, quando empata tecnicamente com os adversários em todos os cenários testados pelo Datafolha. Ele diz que Lula precisa de "uma gordura estatística de três ou quatro pontos de margem, por conta da abstenção diferenciada no seu caso, devido à concentração de seus votos na base da pirâmide social, onde está a maioria dos ausentes das urnas".

Para Luciana Chong, diretora-geral do Datafolha, a comparação entre as pesquisas aponta um cenário em que Lula tem menor vantagem mesmo sem dividir votos com outros nomes da esquerda. Ela compara com o quadro de 2002, que tinha mais candidatos considerados à época como alinhados ao campo, exemplo de Garotinho e Ciro Gomes.

No pleito atual, a dispersão está na direita, com Flávio, Caiado, Zema e outros políticos de menor expressão. "Vamos ter que observar o comportamento dos eleitores que hoje estão votando nos pré-candidatos de direita [fora Flávio Bolsonaro], que somados têm 13% das intenções de voto", afirma.

Já a favor de Lula pesaria o fato de ele estar na Presidência, uma vez que as pesquisas mostram que o candidato à reeleição tende a melhorar sua avaliação à medida que o pleito avança, diz Chong.

O resultado de abril de 2026 vem de pesquisa Datafolha feita com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 cidades, de terça (7) a quinta (9). Ela está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o código BR-03770/2026.

Por Ana Gabriela Oliveira Lima/Folhapress

Patrimônio declarado de Mansur, ex-dono da Reag, dobrou em 1 ano e chegou a R$ 1,49 bi

O patrimônio declarado de João Carlos Mansur, ex-dono da Reag, duplicou em um ano e chegou a R$ 1,49 bilhão em 2024, como mostram as declarações de Imposto de Renda do empresário, que teve o sigilo fiscal quebrado pela CPI do Crime Organizado no Senado.

Em 2023, os bens declarados à Receita Federal somavam R$ 748,7 milhões. Um ano depois, esse valor dobrou, principalmente em razão da evolução de ações em uma empresa chamada Lurix Participações.

Mansur declarou ao Fisco que, em 2023, tinha R$ 696,8 milhões em ações na Lurix, cuja principal atividade econômica é atuar como holding de instituições financeiras. Em 2024, essas ações declaradas somavam R$ 1,46 bilhão.

As declarações de Imposto de Renda de Mansur mostram a rápida evolução do patrimônio e dos rendimentos declarados do empresário em um curto espaço de tempo.

Em 2020, ele recebeu lucros e dividendos que somaram R$ 31,1 milhões, de três empresas, conforme a declaração à Receita: RPN Partners, Copaca Consultoria Imobiliária e Lumabe Participações. Quatro anos depois, os ganhos somaram R$ 773,8 milhões.

A mesma evolução expressiva se deu com bens e direitos declarados no Imposto de Renda: R$ 41,5 milhões em 2020 e R$ 1,49 bilhão em 2024.

Na lista de bens estão as ações da Lurix Participações; cotas da Lumabe, no valor de R$ 27,6 milhões; aplicações financeiras; e depósitos em conta, inclusive no Reag Bank, no valor de R$ 500,2 mil.

A Reag era uma gestora e administradora de fundos de investimento. A unidade de administração, responsável pela tesourraria, controle de ativos, escrituração de cotas e auditoria independente de fundos, acabou liquidada pelo Banco Central, em 15 de janeiro, quase dois meses depois da liquidação do Banco Master, de Daniel Vorcaro, em novembro do ano passado. O braço de gestão de recursos foi vendido antes da liquidação da Reag.

A liquidação se deu por "comprometimento da situação econômico-financeira da corretora, bem como por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [Sistema Financeiro Nacional]", conforme o Banco Central.

Com a liquidação, o BC tornou indisponíveis os bens de controladores da Reag. Na lista, o órgão incluiu a Lurix, a empresa que responde pela maior parte do patrimônio declarado de Mansur.

Pelos dados da Receita, a Lurix é uma sociedade anônima fechada, sediada na avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo. São sócios Mansur e familiares, e o capital social informado é de R$ 1,58 bilhão.

As ações na Lurix passaram a ser informadas na declaração de Imposto de Renda de 2023, ano em que foi constituída. O início das atividades se deu em 30 de novembro de 2023, conforme dados da Junta Comercial de São Paulo. Entre as atividades da empresa, conforme documentos da Junta Comercial, está a outorga de garantias fidejussórias a outras companhias.

Sem a empresa, o patrimônio de Mansur em 2022, por exemplo, foi de R$ 174,8 milhões.

No fim de 2025, a Reag tinha R$ 352 bilhões sob sua administração, na 11ª posição no país, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

A instituição foi decisiva na ciranda financeira organizada pelo Master para fraudes em carteiras de crédito, segundo investigações da PF (Polícia Federal) e do MPF (Ministério Público Federal). Ainda em 2024, fundos da Reag foram usados para aumento de capital do BRB (Banco de Brasília). As operações foram consideradas suspeitas pela PF.

A Reag é investigada também na Operação Carbono Oculto, que apura a atuação da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no mercado financeiro, inclusive na Faria Lima.

Segundo as investigações, a Reag é suspeita de participação em esquema de ocultação de lucros ilícitos por meio de investimentos feitos. Fundos teriam sido usados para esquentar dinheiro do crime organizado, conforme a PF.

Em janeiro, a polícia cumpriu mandado de busca e apreensão em endereços de Mansur, num desdobramento das investigações sobre o caso Master.

Em 11 de março, convocado pela CPI do Crime Organizado, o ex-dono da Reag compareceu ao Senado para um depoimento –embora tenha falado pouco. Mansur negocia uma delação premiada no âmbito da Carbono Oculto; as tratativas são feitas com o Ministério Público de São Paulo.

Questionada pela reportagem, a defesa do empresário disse que não irá se manifestar.

Na CPI, Mansur disse que a Reag não era de fachada, não tinha investidores ocultos e foi penalizada por ser "grande e independente". Ele negou ter relações com o crime organizado e disse que a Reag de fundos passou por um "rolo compressor".

Até agosto, a Reag tinha 800 funcionários e quase 700 fundos, distribuídos em cerca de 350 grupos empresariais, conforme Mansur afirmou na CPI.

"Nosso departamento de compliance era muito forte, tinha 12 pessoas, o que não é normal numa companhia do mesmo segmento, e 18 pessoas no departamento jurídico", afirmou.

Reportagem publicada pelo portal UOL, em 24 de fevereiro, mostrou a evolução do patrimônio declarado de Mansur entre 2019 e 2023 e uma análise da Receita sobre os bens do empresário.

Conforme a reportagem, Mansur pode ter sido laranja para operações criminosas. Existe ainda a suspeita de que ele tenha inflado o valor de lucros aferidos com suas empresas, que apresentaram ganhos presumidos bem inferiores, conforme as informações fiscais analisadas e reproduzidas na reportagem.

"O valor declarado como lucros e dividendos recebidos por João Carlos Mansur é uma fantasia, não possui origem nos rendimentos das suas empresas, supostas pagadoras dos rendimentos", diz o relatório de análise fiscal, conforme a reportagem do UOL.

Por Vinicius Sassine e Thaísa Oliveira/Folhapress

Empresário diz ter perdido R$ 60 milhões com promessas de Vorcaro e do ‘arquiteto’ do Master

O empresário Yan Hirano, de 51 anos, diz ter sido vítima de um golpe no que seria uma espécie de “laboratório inicial” das operações do Banco Master, oito anos antes de Daniel Vorcaro criar a instituição financeira. Segundo as alegações feitas pelo construtor em um processo judicial que corre no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, ao qual o Estadão teve acesso, a fraude teria envolvido uma dobradinha de Vorcaro com Benjamin Botelho, dono da gestora Sefer. Botelho é investigado pela Polícia Federal como um dos cérebros por trás da arquitetura de criação do Master.

De acordo com o processo judicial movido por Hirano, a operação envolve negócios em torno da obra do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro. Velha promessa de governo, o Arco é um cinturão viário na região da Baixada Fluminense. Em investigações paralelas, foi alvo de denúncias na Operação Lava Jato e hoje virou uma espécie de corredor fantasma, sem iluminação, pelo qual poucos se aventuram a passar à noite, por medo de assaltos.

Na ação movida na Justiça do Rio contra Botelho, Vorcaro, Master e Sefer, além de outras instituições que seriam do mesmo grupo econômico, Hirano diz que o negócio envolveu terrenos de cerca de 1,5 milhão de metros quadrados. Ele afirma que levou um calote estimado em R$ 60 milhões (o valor corrigido pela taxa CDI seria de R$ 180 milhões). E o modo de atuação seria muito parecido com o que se investiga hoje no Master.

Procurada, a Sefer, de Benjamim Botelho, afirmou que todas as operações que envolvem os fundos de investimento da empresa seguem rigorosamente a legislação do mercado de capitais e são lícitas. A defesa de Vorcaro não se manifestou.

A história contada por Hirano começa em 2008, quando os primeiros contratos da estrada foram fechados. Dono de uma construtora com empreendimentos por todo o Rio, Hirano costumava sobrevoar de helicóptero a região. Dessa forma, acabava tendo uma vista privilegiada do futuro traçado e conseguia achar pontos para investir em uma região sem ruas ou avenidas. “Era tudo mato”, disse ao Estadão. “Aquilo era uma área de desova de cadáver, ninguém pisava.”

Ainda segundo Hirano, Benjamin Botelho, dono da gestora Sefer, soube que ele havia comprado os terrenos e enviou emissários para se aproximar. As primeiras conversas aconteceram em 2010, quatro anos antes da inauguração do primeiro trecho da obra. Botelho fez então uma oferta: os terrenos de Hirano poderiam ser incorporados em fundos imobiliários da Sefer, como o Aquilla — ou seja, Hirano cederia os terrenos para virarem ativos do fundo e, em troca, viraria um cotista importante do fundo.

O ponto de partida do plano era que, na medida em que a obra avançasse, a região atrairia empresários interessados na construção de galpões para aproveitar a facilidade logística no entorno da cidade do Rio de Janeiro. Com a ocupação da região, os terrenos ficariam mais valorizados. Como cotista do fundo, Hirano seria beneficiado com a valorização de sua cota e com os pagamentos dos aluguéis dos galpões.

Segundo ele, após Botelho assumir a gestão dos ativos, os terrenos foram revendidos pelo fundo em uma série de operações que inflaram artificialmente seu valor. Ao final das operações, as áreas foram parar dentro do Banco Máxima, a instituição que deu origem ao Master, elevando artificialmente os resultados e o balanço financeiro do banco. Um terreno incorporado pelo Aquilla FII por R$ 3,1 milhões em 2013, por exemplo, foi repassado à empresa Queimados Negócios Imobiliários S/A, gerida por Botelho, e, em 2015, foi alienado ao Máxima por R$ 9,1 milhões, quantia três vezes maior.

Hirano cobrava o retorno prometido do investimento, mas diz que passou a ser ignorado, até ouvir a seguinte proposta: seria ressarcido via firmas ligadas a Vorcaro, como a Milo Investimentos S/A e a Vicking Participações Ltda.

A operação, entre outras coisas, previa o pagamento com unidades em empreendimentos que estavam em construção em Belo Horizonte. Entre eles estavam o hotel Royal Tulip e o complexo Bossa Nova Residence, todos relacionados com empreiteiras ligadas a Vorcaro. Posteriormente, essas empreiteiras tiveram as obras interrompidas por problemas diversos.

O processo judicial que trata da cobrança, ainda sem sentença, aponta que, em uma nova rodada de negociações, Botelho e Vorcaro ofereceram outros imóveis, desta vez, tirados de dentro do Banco Máxima. Tais unidades foram colocadas à disposição para o pagamento — embora, em tese, seja uma dívida anterior e pessoal dos devedores, sem relação com o banco. Pior: tais transferências geraram valores inferiores na suposta permuta, em um indício de que também estavam inflados dentro do balanço da instituição financeira.

Os advogados de Hirano apontam que tais elementos mostrariam que a prática “pode ter sido utilizada para ‘justificar’ ganhos ou investimentos irreais”. Dizem ainda que todo o patrimônio “se esfarelou sob comando de Benjamin Botelho de Almeida”, sendo que “aparentemente, os ativos imobiliários de Hirano foram diluídos e ‘misturados’ com ativos ruins (ou podres) para cobrir valores inexistentes de sociedades em situação de crise, que se encontravam precificadas a preços exorbitantes.”

Hirano se diz vítima de um golpe, mas foi enredado na Operação Fundo Fake, que investigou fraudes em institutos de previdência públicos em 2020, na origem do Master, porque o fundo Aquilla estava sob suspeita de fraudes contra fundos de pensão.

Segundo a investigação, que acabou sendo arquivada, institutos de previdência públicos investiram pelo menos R$ 60 milhões no fundo Aquilla entre 2010 e 2016, mas não tiveram retorno algum. Depois dos aportes, diz o inquérito, o fundo transferia parte dos recursos captados para empresas e pessoas físicas ligadas a Botelho - entre elas, Hirano, que teria recebido pelo menos R$ 1 milhão.

O empresário afirma que todo pagamento que recebeu do Aquilla foi referente a terrenos vendidos ao fundo. Contudo, em vez de dinheiro, ele teria recebido boa parte desses pagamentos em cotas, ou seja, em aumento de participação no fundo Aquilla. “É o valor dessas cotas que eu fui roubado”, diz o empresário.

Na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Hirano é citado em dois inquéritos relacionados ao Aquilla como um dos principais investidores envolvidos em transações imobiliárias com o fundo. Em uma dessas transações, segundo processos do órgão, ele e um espanhol, chamado Oliver Ortiz, teriam adquirido um terreno por R$ 610 mil e, posteriormente, feito a transferência do empreendimento para o fundo, mas sob a avaliação de R$ 12,4 milhões. A existência da participação de Ortiz no negócio foi revelada pelo portal ICL.

De acordo com documentos do setor de inteligência da Delegacia de Repressão a Entorpecentes do Rio de Janeiro, aos quais o Estadão teve acesso, o espanhol Ortiz se “passava por investidor” e tinha relação com o colombiano Alexander Pareja, apontado como narcotraficante e tido como homem forte no chamado cartel do Vale do Norte, considerado sucessor do grupo de Pablo Escobar. O Estadão entrou em contato com advogados elencados como defensores de Ortiz e Pareja em processos recentes, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.

“Na época em que essas transações foram feitas, em 2012, o Oliver conhecia o Rio de Janeiro inteiro, era dono de vários empreendimentos”, diz Hirano, que nunca foi acusado formalmente pela CVM por irregularidades. “Ele era visto como um empresário gringo rico, fazia parte do pool de investidores convidados pela (gestora) Foco DTVM (posteriormente rebatizada como Sefer) para aplicar nos fundos e detinha uma participação minoritária que correspondia a menos de 2% dos ativos administrados. Ninguém na cidade, nem a PF, sabia que ele fazia coisa errada. E a participação dele no negócio foi ínfima. Como ele estava aplicando no pool de investidores, as diligências sobre as origens do dinheiro dele eram de obrigação das instituições financeiras que o atendiam.”

Ele também afirma que toda a avaliação de terrenos, como a citada pela CVM na transação com Ortiz, era feita pela Foco DTVM e representava apenas valores contábeis, sem ganho real. “Eles diziam que eu avaliava por metro quadrado e que não sabia fazer o valuation (cálculo do valor do terreno levando em consideração, também, ganhos futuros), mas essa projeção de ganho nunca se materializou. No final das contas, entrei em um castelo de cartas. Achava que iria ficar rico e ainda fiquei sem o meu investimento inicial.”

Agora, Hirano terá de lidar com o caso novamente, porque foi convocado pela CPI do Crime Organizado em razão de sua relação com Botelho, também alvo da CPI, e com o narcotraficante espanhol.

Por Jenne Andrade, Luiz Vassallo e Arthur Guimarães/Estadão Conteúdo

Governo vai travar alta de gastos com pessoal e novos benefícios tributários em 2027

O governo Lula (PT) vai prever a implementação de uma trava no aumento de gastos com pessoal e na criação de novos benefícios tributários em 2027, primeiro ano do próximo mandato de presidente da República.

Os gatilhos são previstos no arcabouço fiscal, regra que disciplina a condução das contas públicas, e serão regulamentados pela primeira vez no PLDO (projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2027, a ser enviado ao Congresso Nacional na próxima quarta-feira (15).

O acionamento decorre do déficit apurado nas finanças públicas em 2025. Naquele ano, as contas do governo central, que reúne Tesouro Nacional, Previdência e Banco Central, tiveram saldo negativo de R$ 61,7 bilhões.

A lei prevê que, em caso de déficit, o governo precisará respeitar os dois gatilhos de contenção a partir do ano seguinte à apuração desse resultado. Como a divulgação dos números ocorreu em 2026, a restrição vale a partir de 2027 —e vai perdurar até que o governo volte a fazer superávit, isto é, arrecadar mais do que gasta.

Os gatilhos estão previstos em lei complementar e serão regulamentados na LDO, uma lei ordinária. Qualquer que seja o governo eleito, será preciso seguir essas regras —ou então assumir o desgaste de pedir ao Congresso uma flexibilização das restrições. A única hipótese já prevista de alívio é eventual situação de calamidade pública.

Pela regra, os gastos com a folha de pagamento em 2027 não poderão subir acima da inflação mais uma parcela real de 0,6%, equivalente ao piso de expansão de despesas do arcabouço. Na prática, a despesa com pessoal vai crescer menos do que o limite total de gastos, cuja correção máxima é de 2,5% em termos reais.

A trava vai funcionar como uma espécie de subteto, que precisará ser observado pelo Executivo e também pelos demais Poderes na discussão de eventuais reajustes salariais para as categorias do funcionalismo e na realização de novos concursos públicos.

Se houver risco de estouro desse limite, a SOF (Secretaria de Orçamento Federal), do Ministério do Planejamento, não poderá dar sinal verde aos pedidos que forem apresentados —inclusive pelos demais Poderes, como Judiciário, ou órgãos autônomos, como o Ministério Público Federal, protagonistas das discussões em torno dos penduricalhos que inflam as remunerações e a despesa com folha.

Na avaliação de um integrante da equipe econômica, a regra vai efetivamente impor uma restrição, dado o comportamento histórico dos gastos com pessoal nos últimos anos.

Em 2025, essa despesa fechou em R$ 412,1 bilhões, alta real de 4,3% em relação ao ano anterior, em números já corrigidos pela inflação. Para este ano, a previsão do governo é que essa obrigação alcance R$ 457,6 bilhões, em valores nominais.

O outro dispositivo veda a promulgação de lei que conceda novos incentivos ou benefícios de natureza tributária. A ampliação de políticas já existentes ou a prorrogação daquelas que eventualmente estejam para expirar também ficarão proibidas.

Os gatilhos de contenção de despesas com pessoal e benefícios tributários foram incluídos pelo governo Lula no arcabouço fiscal por meio de uma lei complementar aprovada no fim de 2024. Na ocasião, a equipe do então ministro Fernando Haddad (Fazenda) apresentou um pacote de medidas para segurar gastos e tentar restabelecer no mercado financeiro a confiança de que as contas públicas seguem uma trajetória sustentável.

Na época, o alcance do pacote frustrou as expectativas do mercado, que aguardava medidas mais potentes.

Os gatilhos foram aprovados, mas sua implementação virou alvo de controvérsia entre economistas, que entendiam que seu acionamento deveria se dar ainda em 2026, exercício imediatamente seguinte ao déficit e também ano eleitoral. A interpretação foi rejeitada pelo governo.

Um integrante da equipe econômica afirma que a regulamentação dos gatilhos vai impor limitações que ajudarão na gestão orçamentária de 2027. O primeiro ano de um mandato é quando um novo governo tenta aproveitar seu capital político e a maior distância em relação às eleições para aprovar ajustes, geralmente impopulares.

As medidas também devem ser usadas para tentar minimizar o ceticismo do mercado financeiro com a sustentabilidade do arcabouço fiscal e transmitir a mensagem de que a regra é viável ao longo do tempo.

A expectativa dos técnicos é que o limite ao crescimento de gastos com pessoal e à criação de novos benefícios tributários valha também para exercícios futuros. Embora as metas fiscais perseguidas pelo governo permitam descontar uma série de despesas, o resultado das contas que vale para o acionamento dos gatilhos é o consolidado, sem qualquer exclusão.

O Executivo persegue um superávit de 0,25% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano e de 0,5% no ano que vem, mas a própria equipe econômica prevê a continuidade de resultados efetivos negativos.

Em 2026, a projeção mais recente aponta um déficit de R$ 59,8 bilhões. Já o dado de 2027 será divulgado oficialmente no PLDO, mas o Tesouro Nacional já estimou um resultado negativo em R$ 28 bilhões. Se esses números se concretizarem, as restrições valerão também para 2028 e 2029.

Por Idiana Tomazelli/Folhapress

Moraes, Dino, Gilmar e Zanin formam aliança contra agenda de Edson Fachin no STF

Grupo tem cobrado de presidente da corte defesa mais enfática de colegas em meio à crise do Master
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin
Os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), formaram uma espécie de aliança para fazer frente à agenda de Edson Fachin na presidência da corte em meio às repercussões negativas da investigação sobre o Banco Master.

O quarteto tem se articulado para cobrar de Fachin uma defesa mais enfática dos colegas, para tentar emplacar pautas de grande repercussão —a exemplo das restrições aos penduricalhos— e para se contrapor às iniciativas do presidente do Supremo para lidar com a crise de imagem do tribunal, como a implementação de um código de conduta.

A união dessa ala se dá em torno da forma de agir de Fachin, embora os motivos de cada um sejam diferentes. Moraes tem reclamado de falta de apoio público, enquanto Gilmar lamenta que declarações do presidente do STF, como a de que "juízes precisam responder pelos seus erros", acabem alimentando a vulnerabilidade do tribunal.

Já Dino entende que os reais problemas éticos do Judiciário estão passando ao largo das decisões de Fachin, especialmente no CNJ (Conselho Nacional de Justiça). O ministro proferiu decisões que teriam forçado o presidente a enfrentar certos temas, como os limites das verbas pagas acima do teto a juízes e o fim da aposentadoria compulsória como punição para magistrados infratores.

Avesso a eventos públicos e a palestras remuneradas, Zanin avalia que as regras éticas de Fachin teriam pouco impacto no seu cotidiano. Ainda assim, está insatisfeito com a condução desse tema pelo presidente. A leitura é que a insistência no assunto está expondo a corte a críticas.

Os escândalos do Master reconfiguraram os grupos que atuam no tribunal. O quarteto de Moraes se contrapõe a outro, formado por Fachin e pelos ministros André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia, relatora do código de conduta. O ministro Kassio Nunes Marques atua como um pêndulo entre os dois núcleos.

O ministro Dias Toffoli não tem participado das interlocuções do grupo liderado por Moraes, embora esteja igualmente implicado nos desdobramentos do Master e também discorde da postura de Fachin à frente do STF. Hoje, Toffoli é considerado um magistrado isolado na engrenagem do tribunal.

Recai sobre Toffoli a desconfiança de que ele ou algum de seus auxiliares tenha vazado a reunião secreta de fevereiro em que ficou decidida a saída do magistrado da relatoria do caso Master e o arquivamento de uma suspeição levantada pela PF (Polícia Federal). Toffoli nega ter sido o responsável pela divulgação das conversas ocorridas naquela ocasião.

Moraes, Dino, Gilmar e Zanin entendem que Fachin, como presidente, deveria fazer uma defesa pública e irrestrita da integridade de seus ministros em meio às críticas que se acumulam na sociedade sobre negócios familiares, viagens de jatinho, contratos de parentes e menções no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.

A percepção do grupo é que Fachin aparenta não acreditar na palavra dos magistrados que negam irregularidades, o que gera uma fissura interna. Também há um incômodo com o fato de o presidente do STF ter defendido o fim do inquérito das fake news justo em um ano eleitoral, em que os ataques tendem a crescer.

Um dos quatro chegou a sugerir que Fachin fizesse pronunciamento em rede nacional de rádio e TV para afastar a percepção da sociedade de que o tribunal estaria sob suspeita. O presidente do Supremo não gostou da ideia. Ele entende que não pode se precipitar, pois não sabe o teor do que está sendo investigado.

Enquanto o inquérito sigiloso avança e Vorcaro negocia um acordo de delação premiada que pode atingir magistrados da corte, Fachin tem reiterado a importância do código de conduta para ministros e feito declarações que mostram um presidente do Supremo intransigente com eventuais desvios éticos.

Fachin disse a jornalistas que "quem age em desacordo com uma regra ética precisa se sentir constrangido a repensar o seu comportamento". Afirmou em evento no STF que juízes devem atuar com "distanciamento das partes e dos interesses em jogo". Também falou em palestra que "não há legitimidade" no Judiciário sem a confiança da população.

O presidente do STF afirma a auxiliares que nunca deixou de fazer a defesa institucional do tribunal e que discordâncias fazem parte da rotina de um colegiado. Fachin também diz manter diálogo periódico com todos os membros da corte para mapear os principais desafios, elaborar a pauta do plenário de forma igualitária entre os relatores e buscar soluções conjuntas para temas espinhosos, como o dos penduricalhos.
Por Luísa Martins/Folhapress

Caminhão transportando gado tomba na BA-120, entre Ibirataia e Algodão

Uma carreta que transportava gado se envolveu em um acidente na tarde deste domingo (12), na BA-120, no trecho entre Ibirataia e o distrito de Algodão. Segundo informações iniciais, o condutor teria tentado evitar uma colisão com uma motocicleta que seguia no sentido oposto da rodovia. Durante a manobra, acabou perdendo o controle da direção, fazendo com que o veículo tombasse às margens da pista, nas proximidades de um lago, em uma área conhecida por uma fazenda pertencente ao espólio de Júlio Sandes. Com o impacto, parte dos animais foi arremessada para fora da carreta, e alguns chegaram a cair dentro da água. Pessoas que estavam nas imediações prestaram auxílio imediato e ajudaram no resgate do gado, minimizando possíveis perdas. Segundo informou o Blog Tesouras Notícias, o motorista não sofreu ferimentos graves e passa bem.

Petróleo fica sob risco com fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã

Negociações fracassam, Trump ameaça Ormuz e fluxo global de petróleo volta a preocupar

O presidente dos EUA, Donald Trump
Os mercados globais devem iniciar a semana sob renovada cautela, após a piora do quadro entre Estados Unidos e Irã, que voltou a lançar dúvidas sobre o cessar-fogo e elevou os riscos no Estreito de Ormuz, ponto sensível para o fluxo global de energia.

O fim de semana foi marcado pelo fracasso das negociações em Islamabad, encerradas sem acordo após cerca de 21 horas. Enquanto o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que Teerã foi “inflexível” sobre seu programa nuclear, autoridades iranianas disseram que Washington não conseguiu “conquistar a confiança” da delegação. Na sequência, o presidente Donald Trump anunciou que pretende bloquear o Estreito e ameaçou interceptar embarcações, ao passo que a Guarda Revolucionária (IRGC) alertou para “redemoinhos mortais” na região, caso americanos e israelenses cometam “erros” na via marítima.

Dados de rastreamento divulgados pela Bloomberg mostram que petroleiros desistiram de atravessar Ormuz após o colapso das conversas, evidenciando o risco operacional na rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. O episódio ocorre em um momento em que a via já operava de forma limitada, com relatos de minas marítimas e presença ampliada de forças navais na região, incluindo embarcações americanas e de aliados.

A retomada de tensões contrasta com o alívio observado nos ativos ao longo da semana passada. Com o anúncio da trégua e a expectativa de avanço diplomático, o petróleo acumulou queda superior a 12% – de 13,4% no WTI e 12,7% no Brent -, enquanto as bolsas em Nova York subiram, com ganhos de até 4,7%, no caso do Nasdaq, em meio também ao suporte de resultados corporativos no setor de tecnologia. Aqui no Brasil, o Ibovespa renovou recordes históricos e o dólar à vista caiu ao menor nível em dois anos, a R$ 5,01.

Parte relevante desse rali esteve ligada à percepção de que o conflito permaneceria contido. Nesse contexto, moedas de países exportadores de commodities também ganharam tração. Para Robin Brooks, do Brookings Institution, o real brasileiro pode se beneficiar desse ambiente e, apesar de estar “muito depreciado”, tem espaço para se valorizar, com o dólar podendo cair abaixo de R$ 4,50 nos próximos meses.

Ainda assim, o pano de fundo permanece instável. Analistas do ING alertam que, mesmo com eventual reabertura de Ormuz, a normalização da oferta de energia pode levar “semanas, ou mais”, diante de danos já causados à produção e ao refino, além de gargalos logísticos. O impacto já se espalha por cadeias globais, com interrupções no transporte marítimo, na energia e em insumos industriais.

No campo macroeconômico, o CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, afirmou, em carta a investidores, que a guerra pode reacender a inflação global e manter juros elevados por mais tempo, ao pressionar custos de energia e cadeias de suprimento. O próprio Trump reconheceu a dificuldade de leitura recente dos mercados, ao afirmar que o petróleo “não subiu tanto quanto esperava”, nem as bolsas caíram de forma mais intensa durante o conflito.
Por Pedro Lima/Estadão

Governo do Estado realiza entrega unidade de beneficiamento de frutas e autoriza pavimentação de estrada em Gongogi

Dando sequência a série de agendas no interior do estado, o governador Jerônimo Rodrigues chegou até o município de Gongogi, na manhã deste domingo (12). Na cidade, que celebrou 64 anos de emancipação, o chefe do Executivo baiano inaugurou a requalificação da unidade de beneficiamento de frutas e realizou entregas de ambulância e carro administrativo. Na ocasião, o governador ainda assinou ordem de serviço de pavimentação de um trecho da BA-120.

Durante o ato, Jerônimo destacou a importância dos investimentos para a população. “A proximidade com o povo permite que a população expresse suas necessidades e cobranças. A celebração dos 64 anos é uma oportunidade para refletir sobre essa evolução e reafirmar meu compromisso com o progresso e o bem-estar de todos”, afirmou o governador.

Um dos principais momentos da agenda foi inauguração da requalificação da unidade de beneficiamento de frutas do Assentamento Santa Irene. A iniciativa fortalece a produção local e amplia as condições de trabalho das famílias da comunidade, contribuindo para o desenvolvimento da agricultura familiar, como explica a secretária de Desenvolvimento Rural, Elisabete Costa. "São 32 famílias que são beneficiadas com essa unidade de beneficiamento de frutas. Hoje elas já produzem frutas e entregam principalmente para os programas PAA e PNAE. Essa ação, além de gerar renda e trabalho para essas famílias, com certeza vai também beneficiar a comunidade”, afirmou.

Na área de infraestrutura, foi assinada a ordem de serviço para pavimentação em Tratamento Superficial Duplo (TSD) na rodovia BA-120, no trecho de acesso ao assentamento. A obra deve melhorar a mobilidade dos moradores e facilitar o deslocamento na região.

O prefeito da cidade, Adriano Mendonça, destacou também a importância dessas entregas para o município na data especial. "Hoje é um dia de celebração para o nosso município, com a entrega de importantes conquistas que fortalecem o atendimento à nossa gente", explicou o gestor.

O impacto positivo sai da teoria e se torna realidade quando modifica e melhora a vida da população, como exemplificou a moradora do município, Laiz Queiroz, que costuma utilizar bastante a via que será pavimentada. "Vai ter um grande benefício porque a comunidade necessita dessas entregas. Vai melhorar a vida dos alunos, a questão da produção e também tem a questão da ambulância. É um conjunto muito importante e tudo vai melhorar”, relatou a moradora.

Mais investimentos

Além das entregas, o governador ainda assinou a autorização para a entrega de um ônibus escolar e instrumentos musicais para a fanfarra do município e a reforma e ampliação do Estádio Municipal Osmar Fernando de Oliveira, o "Osmardão".

Repórter: Leo Moreira/GOVBA


Netanyahu diz ter evitado que Israel fosse invadido ao invadir o Líbano

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu
O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, cruzou a fronteira neste domingo (12) e visitou tropas israelenses que ocupam militarmente o Líbano desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã. Tel Aviv diz ter invadido o país vizinho para combater o Hezbollah, milícia libanesa aliada de Teerã, e o premiê afirmou que essa invasão evitou uma incursão do grupo armado.

"Nós evitamos uma invasão vinda do Líbano graças a essa zona de segurança", disse Netanyahu aos soldados. "Ainda há mais a ser feito, e estamos fazendo. Estamos repelindo o perigo das munições antitanque e estamos lidando com foguetes", afirmou o primeiro-ministro, que esteve no território libanês acompanhado do ministro da Defesa, Israel Katz, e de altos comandantes militares.

Desde que o Hezbollah reagiu ao início da guerra e lançou foguetes contra Israel, bombardeios israelenses já mataram mais de 2.000 pessoas no Líbano e feriram outras 6.000, de acordo com o Ministério da Saúde. Mais de 1 milhão de libaneses precisaram deixar suas casas. O governo em Beirute busca negociações diretas com Tel Aviv para interromper os ataques e discutir a retirada de soldados do sul do país.

Netanyahu, entretanto, já disse que não conversará com o Hezbollah, jogando incerteza na eficácia de discussões paralelas com Beirute. Especialistas afirmam que a estratégia israelense parece ser pressionar o governo libanês para que este declare guerra à milícia xiita —decisão que poderia causar uma nova guerra civil.

Também neste domingo, as tropas das Nações Unidas no Líbano disseram que um tanque israelense investiu contra veículos da força de paz no país. "Em duas ocasiões, soldados das Forças de Defesa de Israel atropelaram veículos da Unifil [Força Interina das Nações Unidas no Líbano] com um tanque Merkava, causando dano significativo", disse a ONU em nota.

A Unifil afirma ainda ter sido alvo de "tiros de alerta" na região —um desses tiros teria acertado um local a um metro de distância de um membro da Força da ONU— e que as tropas israelenses atuam para "restringir a liberdade de movimento" dos capacetes azuis. Três soldados da Unifil, de cidadania indonésia, já morreram desde o início da guerra, e uma investigação aponta que eles foram mortos por tiros israelenses e bombas do Hezbollah.

O papa Leão 14 voltou a pedir um cessar-fogo na região. O pontífice, que se prepara para uma viagem à África, disse neste domingo que se sente "mais próximo do que nunca do querido povo libanês nestes dias de dor, medo e esperança invencível em Deus".

"O princípio da humanidade, incrustado na consciência de cada pessoa e reconhecido no direito internacional, levanta a obrigação moral de proteger a população civil dos efeitos atrozes da guerra", afirmou o papa, sem citar Israel. "Insto as partes do conflito a cessar fogo e buscar urgentemente uma resolução pacífica". Por Folhapress

Jitaúna: Suspeito de tráfico morre após confronto com a PM e menor é apreendido

Uma ação policial registrada na madrugada deste domingo (12) terminou com um suspeito morto e um adolescente apreendido no município de Jitaúna. De acordo com informações da polícia, por volta das 4h, equipes do 19º Batalhão da Polícia Militar receberam denúncias de que indivíduos estariam circulando armados no bairro Adelino Henrique. Diante da situação, foi solicitado o apoio da RONDESP MRC.

Conforme as informações divulgadas, ao chegarem ao local indicado, os policiais teriam sido recebidos a tiros. Após o confronto, um dos suspeitos, identificado pelo apelido de Gabriel “GB”, foi encontrado ferido ao solo, portando uma pistola calibre .380. O homem foi socorrido e encaminhado ao Hospital Nossa Senhora de Fátima, mas não resistiu aos ferimentos e morreu após dar entrada na unidade de saúde. Durante a ação, um adolescente, que possuía mandado de busca e apreensão em aberto, foi detido e conduzido à 9ª COORPIN, em Jequié, onde foram adotadas as medidas cabíveis.

Com os suspeitos, os policiais apreenderam uma pistola calibre .380 com cinco cartuchos intactos, além de entorpecentes e dinheiro em espécie. Entre o material estavam 83 buchas de substância análoga à maconha, 23 trouxas semelhantes à cocaína, 25 porções aparentando ser crack e R$ 272 em dinheiro. Todo o material apreendido foi apresentado na delegacia responsável pelo caso, que seguirá com as investigações.
Inf: Giro Ipiaú

Delegado revisa inquérito e conclui pela segunda vez que não houve interferência de Bolsonaro na PF

Reabertura do caso havia sido determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, que agora encaminhou o processo à PGR

O ex-presidente Jair Bolsonaro
A atual gestão da Polícia Federal revisou a conclusão do inquérito que tinha apurado interferências indevidas do então presidente da República Jair Bolsonaro na corporação e concluiu, pela segunda vez, que não há provas do cometimento de crimes no caso.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes havia determinado a reabertura do caso, que tinha sido instaurado após o pedido de demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça, quando ele disse ter sofrido pressão do presidente para trocar cargos de comando da corporação. Um dos motivos seria um receio de Bolsonaro com o avanço do inquérito das fake news contra seus aliados. A PF sob Bolsonaro concluiu que não houve interferência indevida e o então procurador-geral da República Augusto Aras havia pedido o arquivamento da investigação.

Agora, sob o governo Lula, a PF fez uma revisão das provas colhidas e reiterou a conclusão de que não há provas para justificar uma imputação penal no inquérito.

“Merece ser mencionado que o IPL 2021.0031208 –CCINT/CGCINT/DIP/PF apurou objeto específico, que, sob a ótica das diligências tomadas em contemporaneidade com os fatos, não revelou informações capazes de justificar imputações penais", escreveu o delegado Carlos Henrique Pinheiro de Melo, vinculado à Diretoria de Inteligência Policial (DIP).

O delegado cita, por exemplo, que a PF solicitou compartilhamento de provas do inquérito das fake news com o ministro Alexandre de Moraes que indicassem a ocorrência de interferências indevidas, mas que o ministro havia respondido que não havia provas disso naquele inquérito.

A conclusão diz ainda que eventuais atos de interferência detectados nos inquéritos de relatoria do ministro Alexandre de Moraes podem ser apurados diretamente nesses procedimentos de investigação.

Após receber esse relatório complementar, Moraes enviou o processo para análise do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Ele pode indicar novas diligências a ser tomadas ou requisitar o arquivamento definitivo do caso.
Por Aguirre Talento/Estadão

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