PF vê pagamentos de 'folha paralela' a todos os conselheiros do Tribunal de Contas de MT

O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, preso na quinta-feira (2
Foto: Tony Ribeiro/Divulgação TCE-MT
A Polícia Federal apontou pagamentos oriundos de uma "folha paralela" a todos os sete conselheiros do TCE-MT (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso) em 2025, segundo o inquérito que levou à prisão do presidente da corte, Sérgio Ricardo de Almeida, na operação Tomada de Contas.

A diligência ocorreu na última quinta-feira (29). Conforme a corporação, entre janeiro e outubro do ano passado, os sete receberam R$ 48,5 milhões das contas do tribunal. A remuneração no Portal da Transparência, no entanto, registrava R$ 2,2 milhões no mesmo período.

Segundo a PF, os pagamentos saíram de ordens bancárias avulsas e pelo canal de pagamento a fornecedores do tribunal.

Nesses dez meses, Sérgio Ricardo recebeu do TCE R$ 15,4 milhões. O conselheiro Guilherme Maluf recebeu R$ 10,6 milhões, e José Carlos Novelli, R$ 8,9 milhões. Já Alisson de Carvalho Alencar, que à época das investigações era procurador de contas, recebeu R$ 8,1 milhões.

Maluf, Novelli e Alencar foram afastados pelo ministro Og Fernandes, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), responsável por autorizar a operação da corporação.

Procurada, a defesa de Sérgio Ricardo diz que "considera a prisão preventiva ilegal, por não estar amparada em elementos concretos que demonstrem a necessidade da privação de liberdade".

"O próprio Ministério Público Federal manifestou-se expressamente contra a prisão, por considerá-la desnecessária, o que reforça o questionamento da defesa quanto à legalidade da medida", dizem em nota os advogados Valber Melo e Saulo Gahyva.

"A relevância do cargo ocupado não justifica, por si só, a prisão. A apuração dos fatos deve observar o devido processo legal e a presunção de inocência, sem antecipação de pena."

As defesas de Maluf e Novelli não foram localizadas pela reportagem.

Em nota na quinta, o TCE-MT disse que "adotará todas as providências necessárias ao cumprimento das determinações da Justiça". Também cita a continuidade dos trabalhos e a regularidade das atividades institucionais.

Além do presidente preso e dos três afastados, os outros três integrantes do órgão que seguem no cargo também aparecem na folha de pagamentos paralela do Tribunal de Contas, mas eles não foram alvos de medidas cautelares.

A PF classifica a situação destes membros do TCE-MT como "limítrofe" e diz que é necessário aprofundamento da investigação, devido à "ordem de grandeza dos valores movimentados, e não necessariamente a ausência de atipicidades".

Os investigadores pretendem juntar mais provas "ainda que de forma menos invasiva ou com menor restrição de direitos". Embora não tenham sido alvo de medidas cautelares, o Ministério Público Federal pediu a quebra do sigilo bancário deles.

Segundo a investigação, Waldir Teis, que assumiu a presidência após a prisão de Sérgio Ricardo, recebeu R$ 1,5 milhão. Gonçalo Domingos de Campos Neto, R$ 3,1 milhões, e Antônio Joaquim Moraes Rodrigues Neto, R$ 2,3 milhões.

Teis e Antônio Joaquim chegaram a ser afastados em 2017 na Operação Ararath, mas a investigação acabou arquivada.

A reportagem procurou a assessoria de comunicação do TCE-MT às 18h20 de sábado (31) por mensagem e email e questionou se os conselheiros gostariam de comentar sobre as informações do inquérito, mas o órgão não se manifestou.

A operação da quinta começou com uma denúncia anônima que dizia que fornecedores do TCE só recebiam se devolvessem parte dos pagamentos ao grupo do presidente.

O inquérito que deu origem à apuração também aponta que o tribunal recebeu emendas parlamentares da Assembleia de Mato Grosso registradas como de "lideranças partidárias", sem autor definido. A PF levantou os dados no Portal da Transparência do estado.

Em 2025, foram R$ 50 milhões, dos quais R$ 39,1 milhões destinados a "indenizações", a mesma rubrica usada nos pagamentos sob suspeita. Em 2026, os repasses somam R$ 62,4 milhões, com R$ 33,1 milhões para essa finalidade.

Empresas contratadas pelo tribunal e citadas na investigação, como agências de publicidade e uma terceirizada, receberam a maior parte do dinheiro dessas emendas.

A corporação afirma que a forma como as emendas entram no orçamento do órgão de contas ainda precisa ser aprofundada. A polícia não atribui irregularidade a nenhum deputado específico.

Na quinta, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão, além de medidas de afastamento de sigilos e sequestros de bens. Segundo a polícia, os fatos investigados podem configurar crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Por José Marques/Folhapress

Hospital em Salvador tem suíte dentro de igreja para pacientes em fim de vida; idoso de 105 anos passou últimos dias lá

Foto: Divulgação
Um hospital de Salvador montou uma suíte dentro da própria igreja para receber pacientes religiosos em cuidados paliativos, tratamento voltado ao conforto e à qualidade de vida de quem tem doenças graves ou está no fim da vida. A estrutura fica no Hospital Casa de Retiro São Francisco, no Horto Florestal, que pertence à Rede Longevus de Saúde. Um dos pacientes que passaram por lá foi Crispiniano Reis, de 105 anos, frequentador antigo da igreja, que viveu ali seus últimos dias.

Segundo o hospital, a ideia é permitir que pessoas com forte ligação com a fé recebam atendimento médico e de outros profissionais de saúde em um ambiente religioso, perto da família. A instituição afirma que a estrutura é a única do tipo no mundo. O hospital funciona em um complexo histórico fundado em 1945, cercado de áreas verdes.

O presidente da Rede Longevus, o cardiologista Fábio Vilas-Boas, ex-secretário da Saúde da Bahia, defende que a espiritualidade faça parte do cuidado.

“Há pessoas para quem a fé representa o maior conforto nos momentos mais difíceis da existência. Se podemos oferecer a esses pacientes a possibilidade de permanecer em um ambiente sagrado, cercados pelo carinho de seus familiares e recebendo todos os cuidados necessários, estamos respeitando algo profundamente importante: a maneira como cada pessoa deseja ser cuidada até o fim da vida”, afirmou.

Para ele, os avanços da medicina não eliminam outras necessidades dos pacientes. “Em determinados momentos, o que uma pessoa mais necessita é de conforto, presença, dignidade e paz. A espiritualidade pode ter um papel muito importante nesse processo”, disse.

Morador de Brotas, Crispiniano estava em atendimento domiciliar quando a família decidiu que não queria que os últimos momentos dele fossem vividos em casa. Ele foi levado para a suíte, dentro de uma igreja que frequentava havia anos e que passou recentemente por restauração.

Lula rejeita fazer gesto ao mercado e antecipar nome para Fazenda

Foto: Ricardo Stuckert/Arquivo/Divulgação
O presidente Lula tem descartado, em conversas com aliados, antecipar a nomeação do ministro da Fazenda de seu quarto mandato para acalmar o mercado financeiro.

A tendência é que ele indique o chefe da equipe econômica apenas na volta de uma viagem internacional que iniciará daqui a uma semana.

O presidente deve ir à Turquia, para a COP31, e cogita emendar uma participação em encontro de países do Sudeste Asiático, nas Filipinas, retornando apenas no final de novembro.

Lula tem dito que antecipar o nome da Fazenda seria uma concessão indevida ao mercado, segmento que sempre lhe foi hostil. Os nomes mais cotados são os do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), mas não está descartada a permanência de Dario Durigan.

Os integrantes do ministério devem começar a ser anunciados em três a quatro semanas.

A fase atual é de consultas a dirigentes de partidos que poderão compor o governo, que vem sendo conduzida pelo presidente do PT, Edinho Silva, e outros membros da cúpula da legenda.

Por Fábio Zanini/Folhapress

Lula indicará seis diretores do Banco Central até o fim de 2027, e mercado teme mudança de perfil

Sede do Banco Central-Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Ag Brasil
O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá indicar mais seis nomes para a diretoria do Banco Central até o fim de 2027. Duas cadeiras estão desocupadas desde janeiro, e mais duas indicações poderão ser feitas até fevereiro do próximo ano. Outras duas vagas abrem em 31 de dezembro de 2027.

A possibilidade de mudança do perfil do BC e, portanto, do colegiado do Copom (Comitê de Política Monetária), que decide o rumo dos juros do país, entrou no radar de participantes do mercado financeiro após a vitória do petista nas eleições.

A principal preocupação é com a possibilidade de o BC passar a ser leniente no combate à inflação para acelerar a queda da taxa básica de juros, a Selic, em meio ao debate interno no governo sobre qual caminho adotar para a política econômica da gestão Lula 4.

Analistas já esperam a retomada com mais força do debate em torno da flexibilização da meta de inflação —hoje em 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

A partir de 2028, último ano de mandato do presidente Gabriel Galípolo, os seis novos indicados por Lula vão se tornar maioria no colegiado do BC. O grupo é formado por nove cadeiras, incluindo a do chefe da autoridade monetária.

Restariam do atual colegiado apenas os diretores Gilneu Vivan (Regulação) e Izabela Correa (Cidadania e Supervisão de Conduta), além do próprio Galípolo. Os mandatos destes três indicados por Lula terminam em 31 de dezembro de 2028.

A depender do perfil dos novos nomes, esse quadro poderia isolar Galípolo no último ano de sua gestão no BC. O chefe da autarquia tem sido alvo de críticas de integrantes do PT e do governo, inclusive da equipe econômica, que o culpam pela alta da dívida pública em decorrência dos juros elevados.

No terceiro mandato de Lula, houve um racha no Copom que gerou ruídos e levou a questionamentos sobre a credibilidade do BC.

Em 8 de maio de 2024, Galípolo e todos os outros indicados por Lula votaram por uma redução mais acelerada de juros de 0,50 ponto percentual. Pelo placar de 5 votos a 4, prevaleceu o corte menor na Selic, de 0,25 ponto percentual, para 10,5% ao ano.

Depois daquele episódio, todas as decisões do colegiado foram unânimes.

Na semana passada, Lula se reuniu com ministros e falou sobre as indicações de nomes que precisam ser feitas ao Senado para autarquias, o que inclui as duas vagas para o BC represadas há quase um ano.

O rumor envolvendo uma possível indicação ao BC do economista de perfil desenvolvimentista André Roncaglia, diretor-executivo do FMI (Fundo Monetário Internacional) e ex-colunista da Folha, mexeu com os preços do mercado financeiro.

Procurado, Roncaglia disse que ficou surpreso com as reportagens, pois não recebeu qualquer contato da equipe econômica neste sentido e não foi informado de nada. "Não me cabe comentar sobre algo que é prerrogativa do presidente Lula. O que posso dizer é que tenho mantido uma colaboração muito proveitosa com a Fazenda e o BC a partir de minhas atribuições no FMI."

Segundo ele, o fundo reconhece o valor das reformas econômicas empreendidas nos últimos anos e o papel do BC na manutenção da estabilidade da inflação e do sistema financeiro. "Trata-se de um momento excelente na relação do FMI com o Brasil."

Um ex-integrante do BC ouvido pela Folha sob condição de anonimato avalia que Roncaglia causaria turbulência devido ao histórico de ideias do economista. Na visão desse ex-dirigente, o diretor do FMI poderia abalar a credibilidade da autoridade monetária e passaria a mensagem de que Galípolo está enfraquecido.

A incerteza com relação à composição do Copom é vista por parte do mercado financeiro como uma fonte de volatilidade. Há temor de que o governo, crítico da atual política de juros, escolha nomes mais heterodoxos para o colegiado do BC, o que traria um risco significativo para o controle da inflação.

Para economistas ouvidos pela Folha, a escolha de diretores que se mostrem comprometidos com a meta de inflação seria uma sinalização importante para assegurar a credibilidade do BC.

O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, sócio da Tendências Consultoria, considera que a autoridade monetária pode virar uma espécie de bode expiatório no próximo ano, caso o governo não dê solução para a questão fiscal e veja sua popularidade cair já na largada da gestão Lula 4.

Nesse contexto, ele diz enxergar uma chance de o governo escolher pessoas que sejam mais maleáveis quanto à inflação. "Outra possibilidade sempre aventada nessa situação é aumentar a meta, que é uma jogada de toalha, a confissão de fracasso. Diria que esse vai ser um ponto de atenção nos próximos meses", diz.

Já Sérgio Werlang, ex-diretor do BC e professor de economia da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas, diz que Lula sabe que inflação alta significa "falta de popularidade na veia" e deve optar por pessoas com perfil moderadamente conservador, ao estilo de Galípolo e do diretor Paulo Picchetti (Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos).

"São pessoas que têm uma visão mais ampla [da economia], mas que entraram [no BC] com esse compromisso fixado de meta em 3%", diz. "Não vejo uma grande modificação no Banco Central. Eu vejo uma manutenção do perfil médio conservador, não ultraconservador como chegou a ser no início do governo, com Roberto Campos Neto [cujo mandato terminou em 31 de dezembro de 2024]."

DIVERSIDADE

A escolha das diretorias também será um teste para o governo na questão da diversidade de gênero. Atualmente, há apenas uma mulher na cúpula do BC, a diretora Izabela Correa. Segundo relatos, a chefe do departamento de Organização do Sistema Financeiro, Carolina Bohrer, conta com a simpatia de Galípolo para assumir um posto na diretoria.

Para Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, a decisão do presidente sobre os nomes para o BC tem de ser tomada o mais rapidamente possível diante da falta de dois diretores.

"São diretorias importantes. [Levar] quase um ano começa a fazer diferença no trabalho do BC, justamente porque ele é desenhado para ter as nove diretorias. Quando você começa a acumular diretorias, naturalmente começa a faltar braço", afirma Megale.

O diretor do BTG Pactual e ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia diz que a situação econômica no mundo hoje é diferente do que era há dez anos e, por isso, há a necessidade de ter um BC mais conservador, capaz de preservar sua autonomia na política monetária. "Eu não acho que ele [Lula] fará diferente nas próximas nomeações. O Lula é forjado na negociação."

Para a área de Fiscalização, que ficará desocupada a partir de março, dois ex-membros do BC apostam que a vaga será preenchida novamente com um servidor de carreira.

Não se descarta a recondução do atual diretor, Aílton de Aquino, mas há dúvidas com relação ao desgaste provocado pelo escândalo do Banco Master. O diretor do BC teve de prestar depoimento à Polícia Federal sobre as ações de fiscalização que levaram à liquidação da instituição de Daniel Vorcaro. Internamente há confiança no trabalho dele.

Por Adriana Fernandes e Nathalia Garcia/Folhapress

Piora na percepção de risco pós-eleição pressiona BC a interromper ciclo de cortes de juros

Gabriel Galípolo-Foto: Lula Marques/Arquivo/Agência Brasil
A piora na percepção de risco pelos investidores após a reeleição do presidente Lula (PT) deve pressionar o Copom (Comitê de Política Monetária) a interromper o ciclo de cortes de juros na quarta-feira (4), com a taxa básica (Selic) em 13,75% ao ano.

A depreciação da taxa de câmbio, a incerteza fiscal, o estresse gerado nos juros futuros e a alta do petróleo estão entre os fatores que tornaram o cenário mais desafiador para o controle da inflação nos próximos anos e abalaram as apostas do mercado financeiro.

A reviravolta pós-eleitoral levou uma parcela significativa dos agentes econômicos a abandonar a aposta de novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic –o sexto consecutivo– e a defender uma pausa na flexibilização dos juros frente à turbulência doméstica.

O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, sócio da Tendências Consultoria, se disse mais inclinado à manutenção dos juros e a uma atitude mais cautelosa do Copom depois da volatilidade gerada pelas eleições, embora não descarte totalmente a possibilidade de queda de 0,25 ponto percentual, para 13,5% ao ano.

Ele afirma que o BC tem poucos instrumentos para agir diante de variáveis que estão fora de seu alcance. Uma dessas variáveis é o cenário internacional menos favorável, em meio ao conflito no Oriente Médio.

Outro fator é a questão fiscal, com medidas expansionistas do governo que anulam o esforço da autoridade monetária para frear a demanda agregada.

"É uma situação muito ruim, porque o Banco Central gasta munição, afeta a economia como um todo e leva a um aumento da inadimplência muito grande das famílias e das empresas em vão", diz. "É como se estivesse dando um remédio que só tivesse efeito colateral, porque o paciente está tomando outro medicamento que anula os efeitos pretendidos."

Loyola diz que o cenário só vai melhorar quando o governo Lula emitir sinais que levem os economistas a acreditarem na possibilidade de ajuste fiscal nos próximos meses. "O Banco Central não tem muito o que fazer a não ser advertir, lembrar ao governo que é preciso endereçar uma solução estrutural para o crescimento da dívida pública."

Como a Folha mostrou, a expectativa de interrupção no ciclo de cortes também ocorre em meio à ofensiva de integrantes do governo e do PT contra a reação dos mercados financeiros à reeleição de Lula.

Após a desvalorização dos ativos na semana passada, aliados do presidente passaram a classificar como especulativa a pressão por ajuste fiscal e a defender que eventuais cortes de gastos preservem programas sociais.

A expectativa de Sérgio Werlang, ex-diretor do BC e professor de economia da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas, é que o Copom interrompa o ciclo de queda de juros para "ver o que vai acontecer".

A ideia seria ganhar tempo para observar se as mudanças no patamar do câmbio e das expectativas de inflação são permanentes ou transitórias. Essa resposta, segundo ele, não virá sem definição da política fiscal do próximo mandato de Lula.

"Se por acaso se confirmar que Lula 4 será igual a Lula 3, e acho que há uma probabilidade não baixa [de isso acontecer], o câmbio pode ir para muito mais de R$ 5,40", afirma. "Se o câmbio subir muito mais, ele [BC] pode ser forçado a dizer que vai subir o juro", acrescenta.

O dólar fechou a sexta-feira (30) cotado a R$ 5,447. Foi a maior alta semanal em 18 anos, desde a crise hipotecária nos Estados Unidos, com avanço de 9,18%.

"Eu morro de medo de nós, com isso, chegarmos na dominância fiscal. [...] A gente não sabe exatamente qual é o número, mas sabe que está se aproximando. Se o governo Lula fizer uma política fiscal igual à da [gestão] Lula 3, vai atingir esse valor de dominância fiscal logo, num futuro não muito distante", alerta.

O termo dominância fiscal é usado para expressar uma situação na qual a autoridade monetária perde o controle sobre a trajetória da inflação em razão de uma forte expansão dos gastos públicos.

"Nesse caso, é irrelevante o Banco Central aumentar o juro porque não vai ter efeito nenhum e nós vamos ter só mais inflação", diz Werlang.

Para Fernanda Guardado, ex-diretora do BC e economista-chefe para América Latina do BNP Paribas, o Copom não deve ignorar a deterioração do cenário inflacionário e adotará uma postura mais cautelosa, buscando preservar a credibilidade da política de juros.

Ela estima que a inflação projetada para 2027 no boletim Focus deve ultrapassar 5% –acima do teto da meta (4,5%)–, repercutindo nos anos seguintes. O BC tomará sua decisão com o segundo trimestre de 2028 na mira, devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia.

A ex-diretora do BC considera que a questão dos combustíveis é um risco para a inflação que vai se materializar em 2027, na medida em que os preços sejam reajustados e os subsídios, estendidos parcialmente diante do alto custo para o governo. Ela também cita os efeitos decorrentes do fim da escala 6x1 e da reforma tributária, com a alíquota de 11,3% para a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), acima do projetado para 2027.

Na visão dela, o Copom deveria pausar o ciclo de cortes para observar como os riscos vão se materializar nos próximos meses.

"Como cortar juros com um cenário que está piorando? O Banco Central arrisca ter um vetor extra de deterioração, que é as pessoas acreditarem menos na determinação dele em trazer a inflação para baixo", afirma.

Para Guardado, os juros deveriam ficar estacionados até março do próximo ano, quando o BC já terá mais informações sobre o impacto do fenômeno climático El Niño nos preços dos alimentos, a desaceleração da economia, os planos do governo para consolidação fiscal e a trajetória das expectativas de inflação.

"O Banco Central terá uma ideia melhor se o nível da taxa de juros vai ser suficiente ou não para trazer a inflação para a meta no horizonte relevante. Hoje, um nível de Selic mais baixo não vai ser compatível com um Banco Central que quer trazer a inflação para a meta de 3% ainda em meados de 2028", diz.

Alberto Ramos, diretor do grupo de pesquisas macroeconômicas para América Latina do Goldman Sachs, já não via espaço para reduzir juros mesmo antes das eleições. Agora, ele afirma que a situação ficou ainda mais delicada para a inflação.

Além da necessidade de absorver os impactos da nova legislação trabalhista e da reforma tributária, ele cita a nova estrutura de pesos do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), com base em uma nova pesquisa de orçamentos familiares do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que vai dar mais peso aos serviços.

Somado a isso, diz que a perspectiva de ter uma âncora fiscal –ou seja, um mecanismo que reforce o compromisso do governo com controle de gastos– no curto e no médio prazo diminuiu bastante e que o BC não pode arriscar mexer na política que sustenta hoje a credibilidade da macroeconomia brasileira.

"Tem muita pressão da inflação e sem perspectiva de ter uma âncora fiscal. Então, deixa uma pressão muito grande sobre o Banco Central, a ponto de o mercado já estar precificando aumento de juros. A gente acha que a fasquia [o sarrafo] para aumentar os juros é muito elevada. Mas não tem margem certamente para cortar", diz.

Para Ramos, seria mais prudente manter os juros parados nas próximas duas ou três reuniões para, depois, reavaliar a situação. "É uma pausa que, se for prudente hoje, até talvez possa fazer mais no futuro."

Entre quem aposta em um derradeiro corte de juros está Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter. Na visão dela, o Copom vai reduzir a Selic em mais 0,25 ponto percentual e comunicar uma pausa no ciclo de queda para a próxima reunião, em dezembro.

"Apesar da maior incerteza e aumento do prêmio de risco [rentabilidade adicional exigida pelos investidores para aplicar dinheiro no Brasil] na curva de juros futuros, a taxa Selic em 13,50% permanece restritiva o suficiente para amortecer os choques inflacionários esperados para o começo de 2027", afirmou em relatório.

Por Nathalia Garcia/Folhapress

Mulher morre e oito pessoas ficam feridas em acidente na BR-330, próximo ao trevo de Itagi

Um grave acidente envolvendo uma van e um carro de passeio deixou uma mulher morta e outras oito pessoas gravemente feridas na madrugada desta segunda-feira (2), na BR-330, em Jequié. A colisão frontal ocorreu por volta das 0h35, no km 810 da rodovia, nas proximidades do acesso ao município de Itagi, no sentido Jequié.

A vítima fatal foi identificada como Maria das Graças Santos Pereira, moradora de Itagi. Ela estava no carro modelo gol que colidiu com a van. Além da morte de Maria das Graças, outras oito pessoas sofreram ferimentos, algumas delas em estado grave.

Equipes da PRF foram acionadas e estiveram no local para atender à ocorrência e realizar os procedimentos de segurança na rodovia. O Departamento de Polícia Técnica (DPT) também foi acionado para a realização da perícia e remoção do corpo, que deverá ser encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

As circunstâncias que provocaram a colisão frontal ainda não foram esclarecidas. Até o momento, não foram divulgadas informações detalhadas sobre a identidade dos feridos nem sobre as unidades de saúde para onde foram encaminhados.

Trump admite indultos preventivos a aliados e promete vetos se democratas vencerem eleição

Foto: Reprodução
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 2, que poderá conceder ""indultos preventivos" a integrantes de seu governo se considerar necessário protegê-los de eventuais ações de democratas. Em entrevista ao podcast Pod Force One, ele também prometeu vetar propostas da oposição caso os republicanos percam o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato (midterms) desta terça-feira, 3.

Questionado sobre a possibilidade de perdoar antecipadamente aliados diante de ameaças de investigações, Trump citou o antecessor Joe Biden. "Foi o que Biden fez. Ele concedeu indultos a todo mundo", disse. Ao ser questionado se adotaria a mesma estratégia, respondeu: "Eu faria, se fosse necessário. Claro".

Sobre a possibilidade de estender a medida a todos que trabalharam para ele, Trump acrescentou: "Nem pensaria duas vezes. Eu faria. Fiz isso pelos envolvidos no 6 de janeiro", disse em referência à invasão do Capitólio em 2021.

Na véspera da votação que renovará a Câmara dos Representantes e parte do Senado, Trump pediu votos para preservar as maiorias republicanas. Pesquisas apontam risco de avanço democrata, sobretudo na Câmara.

Em outro momento da entrevista, o republicano afirmou que, diante de um Congresso sob comando democrata, se tornaria o "Sr. Veto". "Não vou deixar que eles governem. E, em algum momento, provavelmente faremos acordos", declarou. Na visão do presidente, uma sequência de vetos acabaria obrigando a oposição a negociar com a Casa Branca.

Ele mencionou o trilionário Elon Musk, alegando que democratas discutem prendê-lo, confiscar as suas fábricas ou nacionalizar a SpaceX. "Teremos de proteger essas pessoas", disse.

Por Pedro Lima / Estadão Conteúdo

Internada, Márcia Goldschmidt preocupa fãs após receber resultados inesperados de exames

Foto: Reprodução / Instagram @marcia.golds
A apresentadora Márcia Goldschmidt deixou seguidores preocupados ao compartilhar atualizações sobre seu estado de saúde durante o fim de semana.

Internada, ela publicou um vídeo neste domingo (1º) em que contou que provavelmente precisará permanecer no hospital após receber resultados de exames diferentes do que esperava.

Aos 64 anos, Márcia apareceu na gravação deitada em uma cama hospitalar e aproveitou para agradecer às pessoas que têm acompanhado sua situação. Apesar de demonstrar preocupação com os resultados, ela destacou o carinho recebido dos seguidores e disse se sentir amparada pelas mensagens de apoio.

"Gente, ainda estou aqui e, pelo jeito, vou ficar. Só queria agradecer a vocês. Estou aqui no hospital, mas me sentindo tão acompanhada por vocês. Muito obrigada. Os resultados não são lá o que eu gostaria que fossem, mas obrigada. Estou sentindo que vocês estão torcendo por mim", afirmou.

A publicação provocou uma série de perguntas sobre o que teria levado à internação. Alguns seguidores quiseram saber se a apresentadora enfrentava uma doença grave, enquanto outros preferiram deixar mensagens de incentivo e desejar uma recuperação rápida. Márcia curtiu um dos comentários, mas não esclareceu publicamente o motivo de sua hospitalização.

Entre as manifestações de carinho, a atriz Erika Januza escreveu uma mensagem desejando saúde à apresentadora. Astrid Fontenelle também deixou um recado breve: "Melhoras". Outros internautas demonstraram preocupação e pediram notícias sobre a evolução do quadro.

Na madrugada desta segunda-feira (2), Márcia voltou a usar as redes sociais para atualizar o público. Por meio dos stories, contou que atravessava um momento difícil e agradeceu novamente pelas mensagens e pela torcida dos seguidores.

A apresentadora não informou qual problema de saúde motivou a internação nem divulgou detalhes sobre os exames realizados. Procurada pela reportagem para comentar a situação, ela não havia respondido até a publicação do texto.
Por Folhapress

Fuga de Flávio Bolsonaro aos EUA após derrota leva militares a abraçarem Tarcísio

Foto: Divulgação
Quando Jair Bolsonaro (PL) partiu para os Estados Unidos sem reconhecer a derrota após a eleição de 2022, muitos militares criticaram o gesto. Essa fatia da sociedade vinha votando em peso nele desde 2018, e alguns dos seus integrantes participaram da trama golpista para tentar impedir a posse de Lula (PT).

Quatro anos depois, mesmo os que criticavam Bolsonaro voltaram a apertar 22, com adesão maciça da chamada "família militar" -integrantes ativos e inativos das Forças Armadas e seus parentes, incluindo pensionistas- à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), até porque do outro lado estava Lula, e o antipetismo segue inabalável na caserna.

O desfecho da campanha de 2026, com outra fuga de um Bolsonaro para os EUA após ser derrotado, nova contestação do resultado eleitoral e uma carta golpista e fantasiosa, provocou uma onda ainda maior de críticas entre seus apoiadores fardados.

Ao mesmo tempo, o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que já era o nome favorito dos militares para uma candidatura presidencial, começou a se descolar do bolsonarismo e admitiu, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, que considera tentar o Planalto ao final de seu novo mandato, em 2030.

Os dois movimentos bastaram para instalar entre militares uma adesão entusiasmada e campanha antecipada pelo governador de São Paulo, capitão da reserva do Exército que trocou a farda pelo serviço público em 2008 e entrou para a política em 2018, para ser ministro de Bolsonaro.

A reportagem ouviu integrantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, incluindo ex-comandantes de Forças e oficiais que trabalharam em diferentes governos nas duas últimas décadas. Eles falaram sob anonimato, alegando que o momento político continua instável e que suas manifestações poderiam provocar ruídos.

Um oficial-general que atuou no Congresso e em diferentes governos sintetizou a revolta com a fuga de Flávio, criticada por todos os entrevistados: deixar o país sem reconhecer a derrota nem dar satisfação aos milhões que votaram nele corresponde ao gesto do comandante que abandona sua tropa, atitude imperdoável para um militar.

Para outro oficial, a indignação com a atitude do candidato derrotado não é uma questão de política ou ideologia, mas de valores como caráter, honra, lealdade e gratidão. Uma terceira fonte disse que a decepção é maior do que o suposto heroísmo que ele tentou imprimir ao alegar que era perseguido político.

Um ex-comandante de Força declarou esperar que Lula tenha a "sabedoria de tentar pacificar o país" e cunhou uma boutade que resume o sentimento pós-eleitoral na caserna: "Menos Janja, mais Alckmin. Menos Bolsonaro, mais Tarcísio".

O governador de São Paulo é apontado pelos entrevistados como o político mais alinhado aos valores conservadores da "família militar" e ao mesmo tempo o mais preparado para um voo presidencial, por ter servido a três diferentes governos (Dilma, Temer e Bolsonaro) e comandar o estado mais rico e populoso do país.

Mas, num meio tão corporativo e endógeno, o que sobressai na adesão a Tarcísio é seu passado militar. Como lembra um coronel recém-transferido à reserva, enquanto Bolsonaro deixou o Exército como persona non grata (livrou-se por um triz de ser expulso) e "saiu pela porta dos fundos, o Tarcísio saiu pela porta da frente, passando em concurso público".

Para esse mesmo oficial, a formação de Tarcísio no IME (Instituto Militar de Engenharia) após concluir a Aman (Academia Militar das Agulhas Negras) e a atuação numa companhia de engenharia na Minustah (a missão de paz da ONU no Haiti liderada militarmente pelo Brasil) tornam o governador de São Paulo mais ligado ao Exército do que Bolsonaro e seus filhos.

Apesar de Tarcísio ter sido ungido por Bolsonaro e até hoje ter evitado confrontar seu padrinho político, militares apostam que o rompimento se dará no próximo ciclo eleitoral.

Na caserna vigora a avaliação de que, como em todos os estratos do bolsonarismo, os integrantes mais radicais da "família militar" optarão por continuar abraçados aos Bolsonaros, seja qual for seu líder. Mas a aposta é que, concretizada uma cisão com Tarcísio, a maioria deve aderir ao governador de São Paulo.

Mesmo oficiais que reconhecem os dois primeiros mandatos de Lula como o melhor momento das Forças Armadas no passado recente -dada a situação orçamentária que permitiu investimentos em projetos estratégicos de Exército, Marinha e Aeronáutica- optaram por Flávio na eleição recém-encerrada.

Ao antipetismo atávico se somou a revolta dos militares com o STF (Supremo Tribunal Federal), cuja atuação no julgamento da trama golpista foi considerada enviesada e alinhada ao governo Lula. Uma queixa recorrente é de que o 8 de Janeiro não teria sido um movimento golpista, mas uma "baderna" como a que movimentos sociais de esquerda já promoveram em Brasília sem consequências semelhantes.

Outra é em relação à dosimetria. Mesmo os oficiais que concordam que deveria ter havido punição aos colegas envolvidos com ruptura institucional consideram que as penas aplicadas foram excessivas.

Tarcísio também faz seus acenos aos ex-colegas de farda. Na entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o governador elogiou o trabalho do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, benquisto entre os militares e louvado na caserna por atuar pela pacificação das relações civis-militares mesmo após a trama golpista ter tido o envolvimento de integrantes das Forças Armadas.

Dos 29 condenados pelo STF no processo principal da trama golpista, 21 são militares das Forças Armadas (dois deles tiveram as penas substituídas por multas), e a maioria dos restantes era oriunda das Polícias Federal, Civil e Rodoviária Federal -isso sem contar os cinco coronéis da cúpula da PM-DF (Polícia Militar do Distrito Federal) condenados e presos por omissão nos ataques do 8 de Janeiro.

O dano à imagem das Forças Armadas decorrente desse processo levou Múcio e os atuais comandantes a trabalhar para coibir manifestações políticas e candidatura de militares da ativa, que diminuíram em relação às últimas eleições.

De toda forma, a militarização da política, crescente desde a ascensão do bolsonarismo, segue uma realidade. Como mostrou a Folha, o número de militares e policiais de forças de segurança eleitos (incluindo da reserva e reformados) cresceu em 2026 e retomou o nível recorde atingido com Bolsonaro.

Enquanto isso, continua parada no Congresso a PEC que tenta evitar que militares da ativa das Forças Armadas sejam candidatos, forçando que, ao registrarem a candidatura, sejam automaticamente transferidos para a reserva. A proposta tem forte resistência na caserna.

Por Fabio Victor / Folhapress

Filha de brasileiros era copilota de avião que caiu na Flórida e deixou 9 mortos

 Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, ganhou destaque na imprensa americana em 2023, quando conquistou sua licença de piloto aos 17 anos. Jovem sonhava em trabalhar na aviação comercial.

A jovem iniciou seus estudos teóricos sobre pilotagem em 2020, quando estava prestes a entrar no segundo ano do ensino médio. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, filha de brasileiros, era copilota do avião particular que caiu no domingo (1º) em Palm Beach, na Flórida, nos Estados Unidos, matando as nove pessoas que estavam a bordo. A informação foi confirmada ao g1 por familiares da jovem.

A aeronave, um Learjet 60, havia decolado de Austin, no Texas, com destino às Bahamas. O avião caiu em uma área residencial e explodiu após atingir o solo. Todas as nove pessoas que estavam a bordo morreram, segundo o secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy.

Nathalia ganhou destaque na imprensa americana em 2023, quando conquistou sua licença de piloto particular aos 17 anos, antes mesmo de obter a habilitação para dirigir.

Na época, ela cursava o último ano do ensino médio na West Boca Raton High School, na Flórida, e foi entrevistada pela emissora americana CBS12 News sobre sua trajetória na aviação.
Filha de brasileiros, a jovem começou a estudar aviação em 2020 e tinha o sonho de trabalhar como piloto de aviões comerciais ou jatos particulares. — Foto: Reprodução/Redes sociais
Segundo a reportagem, enquanto outros adolescentes de sua idade praticavam esportes ou aproveitavam os fins de semana com amigos, Nathalia dedicava boa parte do tempo a pilotar aviões.

“Eu até me gabo disso, porque as pessoas dizem: ‘Ah, você não sabe dirigir’, e eu respondo: ‘É, mas sei pilotar’”, contou à emissora.

O interesse pela aviação começou cedo. Segundo a reportagem, Nathalia iniciou seus estudos teóricos sobre pilotagem em 2020, quando estava prestes a entrar no segundo ano do ensino médio.

Ela também foi influenciada pelo pai, que havia começado a pilotar por lazer em 2018 e compartilhava seus conhecimentos sobre aviação com a filha.

A formação incluiu aulas teóricas, simuladores de voo, exercícios práticos e provas de conhecimentos técnicos. Em setembro de 2023, Nathalia conquistou sua licença de piloto particular.
Nathalia Filgueiras aparece nos controles de uma aeronave durante voo, em imagem compartilhada nas redes sociais. — Foto: Reprodução/Redes sociais
Na época da entrevista, já havia acumulado 88 horas de voo e podia pilotar aeronaves particulares sozinha ou transportar passageiros, desde que não recebesse pagamento pelo serviço.

A formação foi custeada pelo distrito escolar de Palm Beach County, por meio de sua academia de aviação, que oferecia aulas e treinamentos a estudantes do ensino médio.

Em entrevista à CBS12 News, Nathalia contou que gostava de fazer algo diferente dos colegas e considerava mais interessante pilotar um avião do que dirigir um carro.

“Algumas pessoas acham estranho que eu consiga pilotar aviões, mas não saiba dirigir um carro. Acho engraçado e agora quero muito tirar minha carteira de motorista”, disse.

Na ocasião, ela tinha previsão de obter a habilitação para dirigir em novembro daquele ano.
Nathalia Filgueiras aparece na cabine de um avião Learjet 60, em foto compartilhada nas redes sociais em março de 2026 — Foto: Reprodução/Threads
🔎 Nos EUA, a idade mínima para obter uma licença de piloto particular é de 17 anos, segundo a Administração Federal de Aviação (FAA). Para isso, o candidato precisa cumprir os requisitos de treinamento, acumular pelo menos 40 horas de voo na modalidade regular de formação e ser aprovado em exames teóricos e práticos.

Já a licença de piloto comercial pode ser obtida a partir dos 18 anos e exige, em regra, pelo menos 250 horas de voo.

Para atuar como copilota de jatos executivos, também são necessárias habilitações e qualificações específicas, que variam conforme a aeronave e o tipo de operação.

Segundo Nathalia, seu objetivo profissional era se tornar piloto de uma companhia aérea comercial ou trabalhar na aviação executiva, pilotando jatos particulares.

Nas redes sociais, Nathalia também compartilhava momentos de sua rotina na aviação e comemorava conquistas profissionais.

Em uma publicação de março de 2026, a jovem apareceu na cabine de comando de uma aeronave, segurando um documento.


“Piloto em comando do Learjet 60! Toda a glória a Deus! Amém!”, escreveu na legenda.
Por Redação g1 — São Paulo

Rogério Marinho vai defender que direita divulgue voto em estratégia para derrotar Alcolumbre

Foto: Andressa Anholete / Agência Senado
Líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que defenderá que os senadores de direita divulguem seus votos publicamente na eleição para a presidência da Casa em 1º de fevereiro de 2027, numa estratégia para evitar que integrantes do grupo votem secretamente pela reeleição do presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

"Vou defender. É difícil justificar em público o voto no Alcolumbre, né?", disse à reportagem.
A intenção de Marinho é garantir que os votos dos senadores eleitos pela direita sejam de fato direcionados para a candidatura de oposição. Além dele, Tereza Cristina, do PP, quer concorrer. O voto é secreto e Alcolumbre aposta neste sigilo para obter o apoio de parte da direita.

Os senadores do PL vão se reunir na quarta-feira (4) para definir a estratégia contra Alcolumbre e devem lançar a candidatura de Marinho à Presidência.

Parte da sigla argumenta que é melhor abrir negociações com o atual presidente após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para evitar que a legenda fique sem espaços no Senado. Outro grupo prefere desafiá-lo, com a tese de que há votos suficientes para vencer.

A direita cresceu no Senado e será maioria na Casa. A oposição somará 29 senadores do PL e mais três do partido Novo. Além disso, Republicanos, PP, Podemos e PSDB terão mais 15 parlamentares, a maioria eleita com apoio do bolsonarismo. Para eleger o presidente do Senado, é preciso o voto de 41 dos 81 senadores.

Alcolumbre e Marinho dizem ter 48 votos cada, o que significa que as duas contagens incluem alguns dos mesmos senadores. O presidente do Senado tem uma extensa lista de favores e relação de amizade com os atuais parlamentares, e aposta nisso para obter o apoio de parte da direita.

O voto aberto, na visão de bolsonaristas, pode ajudar a evitar traições e garantir a vitória. Os eleitos pela direita disputaram a eleição com discurso baseado em críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal), e Alcolumbre é contrário ao impeachment de ministros, o que o tornou alvo de ataques.

O próprio presidente do Senado apostou nessa estratégia do voto aberto quando foi eleito pela primeira vez, em 2019, com apoio do então presidente Jair Bolsonaro (PL). À época, ele tentava se aproveitar do desgaste de Renan Calheiros (MDB-AL) e da chegada de novos senadores eleitos na onda contrária à política tradicional.

A manobra de Alcolumbre para que o voto fosse aberto daquela vez foi derrubada pelo STF, numa liminar do ministro Dias Toffoli proferida no meio da madrugada, mas senadores declararam seus votos de forma voluntária e mostraram a cédula de votação antes de levá-la à urna.

Parte dos aliados de Alcolumbre nos partidos de direita deve enfrentar agora o mesmo problema que outros políticos sofreram naquela ocasião. Esses parlamentares admitem que, publicamente, é difícil declarar voto no atual presidente do Senado devido à pressão dos eleitores.

Na última terça-feira (27), a federação formada por União Brasil -partido de Alcolumbre- e PP lançou sua candidatura à reeleição, mas a maioria dos senadores ou senadores eleitos desses partidos não se manifestou. Alguns, como Tereza e Guilherme Derrite (PP-SP), criticaram o anúncio nas redes sociais.

Em 2023, Marinho foi candidato e acabou derrotado pelo então presidente Rodrigo Pacheco (PSB-MG). O vencedor obteve 49 votos contra 32 do candidato de oposição. Com isso, o PL ficou sem a presidência de comissões relevantes e sem cargos na mesa diretora por dois anos. Em 2025, a sigla decidiu apoiar Alcolumbre em troca de postos mais relevantes, como a vice-presidência do Senado.

No entanto, os bolsonaristas afirmam que Alcolumbre atendeu mais ao governo Lula (PT) do que à oposição em sua gestão. Eles o criticam especialmente por atenuar as articulações por uma anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro de 2023, trocando-a por uma redução de penas que até hoje não se efetivou.

Outro motivo de críticas da direita ao presidente do Senado é por travar a abertura de impeachment de ministros do Supremo, o que se transformou numa das principais bandeiras do grupo na eleição.

Durante a campanha, Alcolumbre ainda ajudou Lula ao colocar em votação a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acabou com a jornada de seis dias de trabalho para um de folga, a jornada 6x1. A pauta foi uma das principais bandeiras do petista e deu fôlego a ele no segundo turno.
Por Raphael Di Cunto / Folhapress

Flávio Bolsonaro participa de culto evangélico nos EUA em primeira aparição pública após deixar o Brasil

      O senador Flávio Bolsonaro (PL) participou de um culto evangélico neste domingo
Foto: Reprodução
O senador Flávio Bolsonaro (PL) participou de um culto evangélico neste domingo (1º), na Flórida, em sua primeira aparição pública desde que deixou o Brasil. Ele estava acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, do irmão Eduardo Bolsonaro e da cunhada, Heloísa. O parlamentar também posou ao lado dos pastores Alice Fernandes, conhecida como Mãezona, e José Maurício Fernandes, o Paizão, responsáveis pela igreja.

Durante a celebração, o pastor José Maurício fez uma referência à derrota eleitoral do senador, sem mencionar diretamente a disputa. “Não ganhou ou perdeu porque com Jesus você não perde. E se perder, você está ganhando”, afirmou. A igreja integra o Ministério Celeiro, fundado no Brasil pelo pastor André Fernandes, que deixou a liderança da Igreja Lagoinha Alphaville em 2025, após desentendimentos com André Valadão.

Flávio deixou o Brasil na quarta-feira (28), após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega de seus passaportes. Segundo a reportagem de O Globo, o senador passou pela Argentina e pelo Equador antes de seguir para os Estados Unidos. A viagem teria sido feita em uma aeronave fretada por Jason Miller, assessor do presidente americano Donald Trump, conforme informações publicadas pelos jornais The New York Times e The Wall Street Journal. O parlamentar é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

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