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Toxina botulínica amplia tratamento da enxaqueca crônica
Terapia pode reduzir a frequência e a intensidade das cris

Conhecida principalmente pelo uso estético, a toxina botulínica tipo A também é utilizada no tratamento preventivo da enxaqueca crônica, doença neurológica que pode comprometer o trabalho, a convivência familiar e a qualidade de vida. O problema atinge aproximadamente 15% da população mundial e ocorre com maior frequência entre as mulheres, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estudos utilizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estimam prevalência de 15,8%.
“A enxaqueca é uma doença neurológica, e não apenas uma dor de cabeça mais intensa. Além da dor, as crises normalmente vem acompanhada de náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e aos sons, alterações visuais e grande limitação para as atividades cotidianas”, explica o neurologista Ricardo Alvim, coordenador da Equipe de Neurologia do Hospital Mater Dei Salvador.
De acordo com a Classificação Internacional das Cefaleias, a enxaqueca é considerada crônica quando o paciente apresenta dor de cabeça em 15 ou mais dias por mês, durante mais de três meses, sendo pelo menos oito deles com características de migrânea. “Nos casos crônicos, o paciente pode passar metade do mês ou até mais convivendo com dor e outros sintomas. Isso repercute na produtividade, nas relações familiares, na vida social e na saúde emocional”, ressalta Alvim.
Aplicações seguem protocolo - A toxina botulínica não interrompe uma crise que já começou. Seu objetivo é reduzir a frequência, a intensidade e o impacto dos episódios. A substância interfere na liberação de neurotransmissores envolvidos na transmissão da dor, diminuindo a sensibilização das terminações nervosas.
“A aplicação para enxaqueca segue um protocolo médico específico, com doses e pontos definidos na cabeça e no pescoço. Não se trata de um procedimento estético e a dose utilizada em cada ponto é menor. O objetivo é atuar nos mecanismos da dor e diminuir o número de dias em que o paciente sofre com as crises”, esclarece o neurologista.
As aplicações são realizadas, geralmente, a cada 12 semanas. Algumas pessoas percebem melhora após o primeiro ciclo, enquanto outras precisam de mais aplicações para que o resultado seja avaliado.
Estudos demonstram benefícios - Os principais estudos sobre o tratamento, conhecidos como PREEMPT 1 e PREEMPT 2, reuniram 1.384 adultos com enxaqueca crônica. Na análise conjunta, os pacientes tratados com toxina botulínica apresentaram redução média de 8,4 dias de dor de cabeça a cada quatro semanas, ante 6,6 dias no grupo que recebeu placebo.
“É importante alinhar as expectativas. A toxina botulínica não cura a enxaqueca nem necessariamente elimina todas as crises. O benefício pode aparecer na redução dos dias de dor, na menor intensidade dos episódios e na diminuição da necessidade de medicamentos para alívio imediato”, pontua Alvim.
Em julho de 2026, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) analisou o uso da toxina botulínica A em adultos com enxaqueca crônica que não responderam, não toleraram ou apresentam contraindicação a pelo menos três medicamentos preventivos. O relatório preliminar concluiu que a terapia provavelmente reduz os dias mensais de dor de cabeça e de enxaqueca.
Indicação exige avaliação - A indicação deve considerar a frequência das crises, as doenças associadas, os tratamentos já utilizados e os possíveis efeitos adversos, como dor no local da aplicação, desconforto cervical, fraqueza muscular temporária e queda da pálpebra.
“Quando corretamente indicada e aplicada por profissional capacitado, a toxina botulínica apresenta um perfil de segurança conhecido. O tratamento deve ser personalizado e realizado por um médico. Quem apresenta crises frequentes ou prejuízo das atividades cotidianas deve procurar avaliação neurológica e evitar a automedicação. Reforçamos que o tratamento não farmacológico é vital para o controle das crises de enxaqueca, como atividade física, controle do estresse, alimentação, entre outros”, conclui Ricardo Alvim.
Assessoria de Imprensa: Cinthya Brandão – (71) 99964-5552
Carla Santana – (71) 99926-6899
SUS reforça rede de atendimento ao AVC, mas acesso ainda é desigual
Integração entre SAMU, UPAs e hospitais, telemedicina e expansão de centros especializados estãoentre as estratégias para acelerar o tratamento e reduzir sequelas
Entre os principais eixos estão a integração entre o SAMU, as Unidades de Pronto Atendimento e as emergências hospitalares; a consolidação das linhas de cuidado para AVC, infarto e trauma; a estruturação de unidades especializadas; a implementação da telemedicina; e a ampliação da habilitação e da acreditação de centros de AVC.
Quando surgem sinais como boca torta, perda repentina de força em um lado do corpo ou dificuldade para falar, começa uma corrida contra o relógio. No Acidente Vascular Cerebral, o AVC, cada minuto sem atendimento pode aumentar o risco de morte e de sequelas. Por isso, o SUS vem reforçando a organização de uma rede capaz de reconhecer, transportar, diagnosticar e tratar o paciente com mais rapidez.
Para o neurologista Jamary Oliveira Filho, chefe da UTI Neurológica do Hospital Mater Dei Salvador e médico e pesquisador do Hospital Universitário Professor Edgard Santos, o HUPES-UFBA, o maior desafio é fazer com que os diferentes serviços funcionem como partes de uma mesma estratégia.
“O AVC não permite que a rede trabalhe em ilhas. O SAMU precisa reconhecer a suspeita, comunicar previamente ao hospital e transportar o paciente para o serviço adequado. A emergência, por sua vez, deve estar preparada para realizar os exames e iniciar o tratamento imediatamente”, afirma.
A linha de cuidado define previamente o percurso do paciente, desde o reconhecimento dos sintomas até o hospital de referência, a internação em unidade especializada e o encaminhamento para a reabilitação. O objetivo é evitar que pessoas com suspeita de AVC sejam levadas a unidades sem tomografia, equipe capacitada ou acesso aos tratamentos necessários.
“Uma rede bem organizada precisa saber onde estão os serviços que realizam tomografia, trombólise e trombectomia. Não se pode começar a definir essa trajetória somente depois que o paciente já chegou à emergência”, explica Jamary.
A telemedicina também pode ajudar a reduzir desigualdades regionais. Por meio dela, profissionais de unidades do interior podem compartilhar exames e discutir os casos com neurologistas de centros de referência, agilizando decisões sobre o tratamento e a necessidade de transferência.
“A telemedicina amplia o alcance da neurologia vascular e dá mais segurança às equipes. Em localidades distantes dos grandes centros, pode representar a diferença entre tratar o paciente dentro da janela adequada ou perder essa oportunidade”, destaca.
Apesar dos avanços, o acesso ainda é desigual. Em áreas remotas, longas distâncias, dificuldades de transporte e ausência de tomografia ou de equipes treinadas atrasam o atendimento. Outro gargalo é a oferta de trombectomia mecânica durante 24 horas por dia, sete dias por semana. O procedimento, realizado por cateter para retirar o coágulo de uma grande artéria cerebral, exige estrutura hospitalar avançada e profissionais especializados.
Segundo Jamary, parte das estruturas que o SUS busca ampliar já faz parte, há anos, da rotina de hospitais privados de alta complexidade, como o Mater Dei Salvador. “Em centros privados de ponta, já trabalhamos com protocolos integrados, acionamento rápido das equipes, neuroimagem avançada e terapia intensiva especializada. O desafio é fazer com que esse padrão seja acessível e reproduzível em diferentes regiões da rede pública”, observa.
A ampliação da acreditação dos centros também é considerada estratégica. Mais do que conceder um selo, o processo avalia se o hospital possui equipe, infraestrutura, protocolos e indicadores compatíveis com as boas práticas no atendimento ao AVC.
O neurologista ressalta ainda que o cuidado não termina na alta hospitalar. Muitos pacientes precisam de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, acompanhamento médico e apoio psicológico para recuperar movimentos, fala, deglutição e autonomia.
“Salvar a vida é o primeiro objetivo, mas não pode ser o último. A assistência ao AVC só é completa quando inclui prevenção de novos eventos, reabilitação e apoio ao paciente e à família”, conclui.
Vá de SAMU: aprenda a reconhecer os sinais
Para facilitar a identificação dos sintomas do AVC, a população pode memorizar o mnemônico “Vá De SAMU”:
V — Visão: alteração repentina da visão.
D — Desequilíbrio: dificuldade súbita para manter o equilíbrio ou caminhar.
S — Sorriso: boca torta ao sorrir.
A — Abraço: fraqueza em um dos braços ao tentar levantar os dois.
M — Música: dificuldade para repetir uma frase simples, como se estivesse acompanhando uma música.
U — Urgente: diante de qualquer um desses sinais, é urgente ligar para o SAMU pelo número 192.
Quanto mais rápido o paciente chegar a uma unidade preparada, maiores serão as possibilidades de tratamento e menores os riscos de morte ou de sequelas permanentes.
Assessoria de Imprensa: Cinthya Brandão – (71) 99964-5552
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Mercado da saúde impulsiona empresas de gestão especializada na Bahia
Expansão de clínicas, consultórios e serviços médicos abre espaço para novo nicho econômico no estado
O crescimento do mercado da saúde na Bahia tem movimentado não apenas hospitais, clínicas, laboratórios e consultórios, mas também um novo segmento de apoio empresarial: o de empresas especializadas em gestão para profissionais e empreendimentos da área. Com a expansão dos serviços, a maior formalização de médicos e outros profissionais como pessoas jurídicas e a complexidade das exigências fiscais, contábeis, trabalhistas e regulatórias, a gestão especializada passou a ocupar espaço estratégico na cadeia da saúde.
Os dados mais recentes reforçam a força desse movimento. O Caderno Setorial Etene, do Banco do Nordeste, aponta que, em dezembro de 2025, as admissões de empregados CLT nas atividades da cadeia produtiva da saúde cresceram 4,7% na Bahia, no acumulado dos últimos 12 meses. O mesmo estudo projeta gastos públicos e privados com saúde no Brasil de US$ 98 bilhões e US$ 122,3 bilhões em 2026, respectivamente, valores que confirmam a relevância econômica do setor.
É nesse ambiente de expansão que muitos profissionais de saúde passam a atuar como pessoas jurídicas para prestar serviços a clínicas, hospitais, operadoras, empresas e consultórios próprios. A realidade envolve médicos, dentistas, psicólogos, terapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, enfermeiros, biomédicos e outros trabalhadores da área, que precisam lidar com abertura de empresa, regularização documental, emissão de notas fiscais, folha de pagamento, contratos, credenciamento, planejamento tributário e acompanhamento de obrigações específicas do setor.
“O profissional de saúde foi preparado para cuidar de pessoas, mas muitas vezes passa a enfrentar, sozinho, uma rotina empresarial complexa. Ele se beneficia quando consegue se concentrar no cuidado com seus pacientes e deixar a parte burocrática e estratégica da gestão do negócio com quem entende do assunto”, afirma Catarina Lima, CEO da Referência Gestão de Saúde.
O próprio enquadramento econômico mostra que essa atividade já tem contornos definidos. A Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), mantida pela Concla/IBGE, reconhece a subclasse 8660-7/00, de atividades de apoio à gestão de saúde, que compreende, entre outros pontos, serviços de assessoria e consultoria na área de saúde. Na prática, isso reflete uma demanda cada vez mais evidente: transformar consultórios, clínicas e serviços médicos em negócios sustentáveis, com processos claros, segurança jurídica e capacidade de crescimento.
Na Bahia, a Referência Gestão de Saúde é um exemplo desse novo nicho por reunir mais de 16 anos de atuação no mercado, mais de 150 empresas de saúde administradas e mais de dois mil profissionais de saúde assistidos, segundo dados da própria empresa. Para Catarina Lima, a profissionalização da gestão tende a avançar também no interior, acompanhando a expansão dos serviços de saúde. “A saúde é um mercado em crescimento, mas não comporta mais improviso. Uma clínica pode ter excelentes profissionais e, ainda assim, enfrentar dificuldades por falhas de gestão, ausência de planejamento ou desconhecimento das exigências legais. A gestão especializada dá segurança para crescer”, pontua.
O cenário econômico de 2026 também favorece esse tipo de atividade. Dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), com base no Novo Caged, mostram que o estado gerou 7.159 postos formais de trabalho em maio e chegou a 45.294 novas vagas no acumulado de janeiro a maio. O setor de serviços foi o que mais puxou o resultado, tanto no mês, com 2.828 vagas, quanto no acumulado do ano, com 26.565 novos postos. Nesse contexto, a gestão especializada passa a integrar a engrenagem da economia da saúde: não substitui o cuidado, mas ajuda a sustentar a estrutura necessária para que ele aconteça com eficiência, regularidade e segurança.
Assessoria de Imprensa: (71) 9 9926-6898
Maioria dos usuários de plano de saúde fica fora do reajuste de 5,11%
Percentual definido pela ANS beneficia apenas contratos individuais e familiares
O anúncio do reajuste máximo de 5,11% para planos de saúde individuais e familiares, divulgado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), trouxe alívio para parte dos consumidores. No entanto, a medida está longe de representar a realidade da maioria dos beneficiários da saúde suplementar no país. Isso porque o índice vale apenas para contratos individuais e familiares, que atualmente correspondem a uma parcela minoritária do mercado.
Na prática, milhões de brasileiros vinculados a planos coletivos por adesão ou empresariais poderão enfrentar aumentos superiores ao percentual anunciado, uma vez que essas modalidades não estão sujeitas ao teto de reajuste definido anualmente pela agência reguladora.
Mercado mudou - Dados da ANS mostram que os planos coletivos concentram a maior parte dos beneficiários da saúde suplementar. Ao longo dos últimos anos, a oferta de planos individuais diminuiu significativamente, levando consumidores a migrarem para contratos coletivos, que seguem regras distintas para definição dos reajustes.
Para a advogada especialista em Direito da Saúde, Marina Basile, a divulgação do percentual pode gerar uma falsa sensação de proteção para grande parte da população. “Muitas pessoas acreditam que seus contratos estarão protegidos pelo limite de 5,11%, quando, na verdade, estão vinculadas a modalidades que seguem regras diferentes e podem sofrer reajustes muito superiores”, afirma.
Aumentos maiores - Segundo a especialista, a redução gradual da oferta de planos individuais ampliou a exposição dos consumidores a reajustes mais elevados. “Nos últimos anos, observamos uma redução significativa da oferta de planos individuais. Como consequência, milhões de consumidores migraram para contratos coletivos, que possuem regras distintas e frequentemente apresentam reajustes muito acima da inflação e da capacidade financeira das famílias”, destaca.
O cenário ocorre em um momento de aumento dos custos assistenciais, incorporação de novas tecnologias e envelhecimento da população, fatores que têm pressionado as despesas do setor de saúde suplementar.
Direitos do consumidor - Embora o reajuste de 5,11% seja aplicado exclusivamente aos contratos individuais e familiares, Marina Basile ressalta que os beneficiários de todas as modalidades contam com mecanismos legais para questionar cobranças consideradas abusivas. “Para os consumidores que possuem planos individuais e familiares, o índice anunciado pela ANS também representa um importante parâmetro de proteção. Dependendo da análise do contrato e do histórico de reajustes aplicados, é possível discutir judicialmente a adequação dos percentuais cobrados quando houver indícios de abusividade”, explica.
A especialista destaca que a discussão judicial pode envolver não apenas a revisão dos reajustes futuros, mas também a recuperação de valores pagos indevidamente. “Em muitos casos, além da revisão dos reajustes, o consumidor pode buscar a restituição dos valores pagos indevidamente nos últimos três anos, devidamente corrigidos. É um direito pouco conhecido, mas que pode representar uma recuperação financeira significativa para famílias que suportaram aumentos excessivos ao longo do tempo”, afirma.
Efeito em cadeia - Os reajustes sucessivos dos planos de saúde produzem impactos que vão além do orçamento doméstico. O aumento das mensalidades tem levado parte dos consumidores a cancelar seus contratos, pressionando ainda mais a rede pública de saúde. “Quando os reajustes se tornam incompatíveis com a renda dos consumidores, muitos acabam cancelando seus planos de saúde. Isso gera um efeito em cadeia: aumenta a pressão sobre o SUS, amplia a judicialização da saúde e reduz o acesso da população à assistência privada”, observa Marina Basile.
Para a advogada, a discussão sobre os reajustes dos planos de saúde precisa avançar para além do percentual divulgado anualmente pela ANS. “Estamos diante de uma discussão sobre sustentabilidade, transparência e acesso à saúde. O consumidor precisa compreender que os 5,11% não refletem a realidade da maioria dos contratos existentes no mercado. É fundamental ampliar o debate sobre os reajustes dos planos coletivos e garantir mecanismos mais efetivos de proteção aos usuários”, conclui.
Assessoria de Imprensa: Cinthya Brandão (71) 99964-5552
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Infarto exige corrida contra o tempo para salvar o coração
Protocolo “porta-balão” reduz mortes, mas demora para chegar ao hospital ainda compromete tratamento
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Dor forte no peito, suor frio, falta de ar e mal-estar súbito podem marcar o início de uma corrida contra o tempo. Nos casos de infarto agudo do miocárdio, cada minuto de demora até o atendimento aumenta o risco de morte e de sequelas permanentes no coração. Para tentar reduzir esse impacto, hospitais de emergência adotam o chamado protocolo “porta-balão”, estratégia considerada padrão-ouro no tratamento dos infartos mais graves e que tem como objetivo desobstruir rapidamente a artéria coronária entupida por meio de uma angioplastia de emergência.
O protocolo é acionado principalmente nos casos de infarto com supradesnivelamento do segmento ST (IAM com supra), considerado o tipo mais grave da doença. Nessa situação, o ideal é que o tempo entre a chegada do paciente ao hospital e a abertura da artéria na hemodinâmica — o chamado “tempo porta-balão” — seja inferior a 90 minutos, conforme diretrizes cardiológicas nacionais e internacionais.
“Não adianta ter hemodinâmica moderna e equipes treinadas se o paciente chega tarde. O sucesso do tratamento começa no reconhecimento rápido dos sintomas pela população”, alerta o cardiologista intervencionista baiano Sérgio Câmara.
Segundo o Ministério da Saúde, o infarto agudo do miocárdio é a principal causa de mortes no Brasil. A estimativa é de que ocorram entre 300 mil e 400 mil casos por ano no país, com um óbito a cada cinco a sete ocorrências. Dados do Cardiômetro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apontam que as doenças cardiovasculares seguem como as que mais matam no país, com mais de mil mortes por dia.
Operação de guerra - Na prática, o protocolo “porta-balão” funciona como uma operação de guerra dentro do hospital. Assim que o paciente chega à emergência com suspeita de infarto, a equipe realiza rapidamente eletrocardiograma, exames laboratoriais e avaliação clínica. Confirmado o diagnóstico, o setor de hemodinâmica é acionado para a realização imediata da angioplastia coronariana primária — procedimento minimamente invasivo em que um cateter é introduzido pela artéria do braço ou da virilha até alcançar a coronária obstruída.
Na ponta do cateter, um pequeno balão é inflado para reabrir o vaso sanguíneo e restabelecer a circulação do coração. Em muitos casos, também é implantado um stent, espécie de mola metálica que ajuda a manter a artéria aberta.
Tempo é músculo - “O infarto é uma emergência absoluta. Existe uma frase clássica na cardiologia que resume bem isso: t’empo é músculo’. Quanto mais tempo o coração fica sem circulação adequada, maior é a área de necrose e maior também o risco de insuficiência cardíaca, arritmias graves e morte”, explica Sérgio Câmara.
O especialista chama atenção para um comportamento comum e perigoso: pacientes que recorrem primeiro à automedicação ou tentam dirigir até o hospital por conta própria. “Ao menor sinal de suspeita de infarto, a recomendação é acionar imediatamente o SAMU ou outro serviço de emergência com estrutura cardiológica. O transporte adequado também salva vidas”, reforça.
Além da dor intensa no peito, que pode irradiar para braço esquerdo, mandíbula ou costas, o infarto também pode provocar sintomas menos clássicos, especialmente em mulheres, idosos e diabéticos. Náuseas, tontura, sensação de indigestão, cansaço extremo e suor excessivo também podem indicar emergência cardíaca.
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Endometriose silenciosa pode comprometer fertilidade
Especialistas alertam para diagnóstico tardio e defendem atenção aos sinais da doença
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| Foto: Divulgação/Assessoria de Imprensa: |
Na semana em que se celebra o Dia Internacional da Luta contra a Endometriose (7 de maio), especialistas fazem um alerta: a doença continua sendo silenciosa em milhares de mulheres e, muitas vezes, só é descoberta após anos de tentativas frustradas de engravidar ou durante investigação de infertilidade. Considerada uma condição crônica e inflamatória, a endometriose afeta cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Embora os sintomas clássicos incluam cólicas intensas, dor pélvica, dor durante as relações sexuais e alterações intestinais, especialistas alertam que nem todas as pacientes apresentam sinais evidentes da doença. Em alguns casos, a endometriose evolui de forma silenciosa.
Foi o que aconteceu com a professora Denise Gonçalves Dias. Ela descobriu a doença aos 35 anos, durante o processo de investigação para engravidar. “O diagnóstico para mim foi uma surpresa. Até então eu desconhecia. Não sentia sintomas fortes e descobri pelo fato de querer engravidar”, relata.
Investigação tardia- A paciente afirma que decidiu mudar completamente os hábitos de vida após a confirmação do diagnóstico. “Fiz tratamento natural com suplementos e uma mudança radical de estilo de vida. Optei pela cirurgia robótica por ser uma técnica nova e avançada, com resultados satisfatórios principalmente ao que eu desejava. A cirurgia foi tranquila”, conta.
De acordo com o cirurgião Marcos Travessa, coordenador do Núcleo de Ginecologia do Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica (IBCR), um dos principais desafios ainda é o atraso no diagnóstico. “Muitas mulheres passam anos convivendo com dores incapacitantes acreditando que isso é normal. Em outros casos, a doença praticamente não apresenta sintomas e só é descoberta na investigação da infertilidade. Isso reforça a importância do acompanhamento ginecológico regular e da escuta atenta às queixas femininas”, afirma.
Segundo o especialista, a endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio — camada que reveste o útero — cresce fora da cavidade uterina, podendo atingir ovários, trompas, intestino, bexiga e outros órgãos da pelve.
“Trata-se de uma doença inflamatória que pode comprometer qualidade de vida, fertilidade, saúde emocional e relações sociais. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores são as chances de controle adequado e preservação da fertilidade”, acrescenta Travessa.
Cirurgia robótica - A médica ginecologista Gabrielli Tigre, também do IBCR, destaca que a cirurgia robótica tem ampliado as possibilidades de tratamento em casos mais complexos da doença. “A cirurgia robótica permite movimentos mais precisos, visão ampliada e maior delicadeza na retirada dos focos de endometriose, especialmente em regiões profundas e de difícil acesso. Isso contribui para recuperação mais rápida, menos dor pós-operatória e melhores resultados funcionais”, explica.
Ela ressalta que a escolha do tratamento depende do estágio da doença, dos sintomas e dos objetivos da paciente. “Cada mulher deve ser avaliada de forma individualizada. Nem toda endometriose exige cirurgia, mas os casos avançados frequentemente precisam de abordagem especializada”, pontua.
Especialistas reforçam que sintomas menstruais incapacitantes não devem ser normalizados. Dor intensa, dificuldade para engravidar, desconforto nas relações sexuais e alterações intestinais cíclicas estão entre os principais sinais de alerta. “A mulher não precisa aceitar a dor como algo natural. Sofrimento intenso durante o período menstrual merece investigação”, conclui Marcos Travessa.
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Exame de sangue amplia chance de detectar câncer de pâncreas em estágios mais precoces
Um exame de sangue em fase de pesquisa inicial pode mudar o rumo de um dos cânceres mais silenciosos e agressivos da atualidade. Cientistas internacionais desenvolveram um painel com quatro biomarcadores capazes de identificar o câncer de pâncreas ainda em estágios iniciais — momento em que as chances de tratamento são significativamente maiores.
No Brasil, o câncer de pâncreas ainda figura entre os mais desafiadores. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que a taxa de sobrevida em cinco anos é baixa — gira em torno de 10%. Isso ocorre, sobretudo, porque a maioria dos casos é diagnosticada tardiamente.
Para a oncologista do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), Pamela Almeida, o principal obstáculo ainda está no diagnóstico tardio. “O câncer de pâncreas costuma evoluir de forma silenciosa. Quando conseguimos diagnosticar cedo, ampliamos de forma significativa as possibilidades de tratamento curativo”, afirma.
Detecção precoce - O novo teste combina quatro marcadores sanguíneos: dois já conhecidos — CA19-9 e trombospondina 2 (THBS2) — e outros dois identificados recentemente pelos pesquisadores: ANPEP e PIGR. Juntos, eles demonstraram alta capacidade de distinguir pacientes com câncer de pâncreas de pessoas saudáveis ou com doenças benignas.
Em resultados iniciais, o painel alcançou cerca de 91,9% de acerto na identificação geral da doença e 87,5% nos casos em estágio inicial, com baixa taxa de falsos positivos — um avanço relevante diante da ausência de métodos eficazes de rastreamento.
Limitações atuais - Os marcadores tradicionais, como o CA19-9, já são utilizados na prática clínica, mas apresentam limitações. Eles podem estar elevados em condições benignas e não são produzidos por todos os pacientes.
Segundo Pamela Almeida, a combinação de biomarcadores representa um salto importante. “Nenhum marcador isolado consegue oferecer segurança suficiente para rastreamento. A associação entre eles aumenta a precisão e pode ajudar a identificar tumores em fases mais iniciais”, explica.
Impacto clínico - A dificuldade no diagnóstico também está ligada à ausência de sintomas específicos nas fases iniciais. Quando surgem, sinais como perda de peso, dor abdominal e icterícia geralmente indicam doença mais avançada.
Dados do INCA mostram que, embora não esteja entre os cânceres mais incidentes, o de pâncreas apresenta alta letalidade. Fatores de risco incluem tabagismo, obesidade, histórico familiar e doenças como a pancreatite crônica.
Olhar para o futuro - Apesar dos resultados promissores, o exame ainda está em fase de validação. “São achados muito relevantes, mas ainda precisamos de estudos maiores antes de incorporar esse teste à prática clínica”, pondera Pamela Almeida.
Na última semana, a comunidade científica tomou conhecimento dos dados de fase III de um novo fármaco, o Daraxonrasibe, que bloqueia a via RAS e dobra as chances de sobrevida em segunda linha. “Como 90% dos cânceres de pâncreas possuem essa mutação, é um grande avanço para nós, oncologistas gastrointestinais”, pontua a oncologista.
Ela destaca que o foco até a conclusão da pesquisa deve seguir na vigilância de grupos de risco. “Ainda não temos rastreamento populacional, mas podemos avançar muito com acompanhamento direcionado e diagnóstico mais atento”, conclui.
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Cegueira pode ser evitada em 80% dos casos, alertam especialistas
Perder a visão raramente acontece de forma repentina. Na maioria das vezes, a cegueira se instala aos poucos, silenciosa, quase imperceptível, até o momento em que enxergar já não é mais tão simples. É esse o alerta central do Abril Marrom, campanha nacional dedicada à prevenção, combate e reabilitação das diversas formas de deficiência visual.
Realizado ao longo de todo o mês de abril, o movimento reforça um dado que chama atenção: cerca de 80% dos casos de deficiência visual poderiam ser evitados ou tratados com diagnóstico precoce, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ainda assim, milhões de pessoas convivem com limitações que poderiam ter sido prevenidas com cuidados básicos.
No mundo, estima-se que mais de 2,2 bilhões de pessoas tenham algum tipo de deficiência visual, sendo que pelo menos 1 bilhão desses casos poderiam ter sido evitados ou ainda não foram tratados, de acordo com a própria OMS. No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que cerca de 6,5 milhões de pessoas possuem algum grau de deficiência visual, incluindo mais de 500 mil cegos.
Doenças comuns - Entre as principais causas de cegueira evitável estão catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular relacionada à idade. “Muitas dessas doenças evoluem de forma silenciosa, sem sintomas nas fases iniciais, ou com poucos sintomas como as doenças reumáticas e acometimento ocular. Quando o paciente percebe a perda visual, muitas vezes a doença já está em estágio avançado. Por isso, o acompanhamento regular com um especialista é fundamental, mesmo na ausência de sintomas”, explica o oftalmologista César Sampaio, coordenador do serviço de oftalmologia do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS).
Ele destaca que a catarata, por exemplo, continua sendo a principal causa de cegueira reversível no mundo. “É uma condição com tratamento eficaz e seguro, mas ainda vemos pacientes que chegam tardiamente ao serviço de saúde, o que impacta diretamente na qualidade de vida”, afirma.
Diagnóstico precoce e prevenção - Outro ponto de atenção é o glaucoma, doença que pode levar à cegueira irreversível se não for controlada. Conhecido como “ladrão silencioso da visão”, ele costuma não apresentar sinais no início. “Exames simples conseguem identificar alterações precoces e evitar a progressão da doença. O problema é que muitas pessoas só procuram atendimento quando já estão com dificuldade para enxergar. A prevenção do glaucoma deve iniciar aos 40 anos, em especial quem tem história da doença na família”, ressalta Sampaio.
A retinopatia diabética também preocupa, especialmente diante do aumento dos casos de diabetes no mundo. Segundo o Ministério da Saúde do Brasil, a doença já atinge milhões de brasileiros e pode comprometer a visão quando não há controle adequado.
Para César Sampaio, campanhas como o Abril Marrom cumprem um papel essencial ao ampliar a conscientização. “A informação é uma ferramenta poderosa. Quando a população entende a importância dos exames regulares, conseguimos reduzir significativamente os casos de cegueira evitável”, pontua o oftalmologista. Além das consultas periódicas, medidas simples fazem a diferença: controlar doenças crônicas; evitar a automedicação; manter hábitos saudáveis e, em relação aos olhos, evitar colírios à base de corticosteróides e usar óculos com proteção UV.
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Anvisa vai à China conhecer hospitais com IA e quer acelerar regulação no Brasil
Pacientes internados no hospital da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) quer acelerar o regramento de hospitais inteligentes, aqueles integrados a uma rede de serviços de IA (inteligência artificial), após o governo federal negociar aporte para a construção da primeira instituição do tipo na rede pública na Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).
Representantes da agência e do Ministério da Saúde viajaram para cidades chinesas com o objetivo de conhecer hospitais que usam inteligência artificial e utilizá-los como referência de boas práticas.
Para a construção da instituição, o ministério negociou investimento de US$ 300 milhões (R$ 1,57 bilhão, na cotação atual) no Novo Banco de Desenvolvimento, a instituição financeira dos Brics da qual a ex-presidente Dilma Rousseff está à frente, para a criação de uma Rede Nacional de Hospitais Inteligentes.
O chefe da pasta, ministro Alexandre Padilha, estima que o hospital seja finalizado até 2029 e não vê risco de prejuízo na entrega caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não seja reeleito neste ano. Padilha afirma que o projeto já está em andamento e que compromissos que garantem a conclusão foram assinados. Além do hospital inteligente, um financiamento do governo federal prevê o funcionamento de 14 UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo).
"O nosso foco era conhecer e fazer parcerias, assinar parcerias de compromisso, troca de informações, formação de equipe, poder fazer visitas técnicas e receber visitas técnicas e parcerias com diferentes tipos de hospitais inteligentes", disse Padilha à Folha.
O regime chinês coloca em suas prioridades a integração entre serviços médicos e IA, privilegiando, assim, o desenvolvimento de instituições inteligentes. Também faz parte da política de Estado o incentivo ao uso da IA na saúde, em áreas como diagnóstico clínico, tratamentos, monitoramento, equipamentos e acesso a especialistas.
Hospitais em Shenzen, uma das cidades visitadas pela comitiva da Saúde, são pioneiros no uso de inteligência artificial para laudos de exames, por exemplo. A comissão local de saúde afirma que a tecnologia diminui o tempo de espera de resultados e aumenta a precisão dos diagnósticos.
A integração entre rede digital, inteligência artificial e serviços de saúde tem como objetivo, segundo Padilha, acelerar o diagnóstico de casos graves, reduzir o tempo de internação, facilitar o monitoramento de pacientes, permitir o intercâmbio entre profissionais de diferentes instituições e agilizar a realização de exames, entre outros.
Para acelerar a regulamentação de hospitais inteligentes, a Anvisa decidiu incluir o tema no Comitê de Inovação, que tem como objetivo aumentar a celeridade de processos regulatórios que correspondam a pré-requisitos como iniciativas brasileiras e de grande interesse público, entre outras. O comitê foi o responsável, por exemplo, pela aprovação do início da fase 1 dos estudos da polilaminina.
Leandro Safatle, diretor-presidente da Anvisa, afirma que a regulamentação servirá como base para o uso da IA em hospitais públicos e privados.
"A questão é onde temos as melhores experiências e de onde podemos trazer para o Brasil as melhores práticas para a instalação de hospitais inteligentes. Há experiências interessantes acontecendo", disse à reportagem.
O diretor afirma que a agência também pretende inserir a inteligência artificial no dia a dia dos funcionários para acelerar processos, como de avaliação e liberação de novas drogas. "Ela não substitui o técnico", diz. "Mas pode entrar em diversas etapas do nosso processo."
Hoje, o regramento para a aplicação da IA na saúde é fragmentado entre as instituições competentes, como o CFM (Conselho Federal de Medicina), o Ministério da Saúde e a Anvisa.
A visita à China faz parte de um giro feito pela agência e pelo ministério em busca de países de referência que já possuam a IA integrada a instituições de saúde. Padilha e Safatle, por exemplo, fizeram parte das viagens de Lula para a Coreia do Sul e a Índia, onde também se informaram a respeito do funcionamento de hospitais do tipo.
Por Victoria Damasceno / Folha de São Paulo
Perda muscular avança após os 50 e exige reação
Proteína, treino de força e sono ajudam a preservar autonomia
A partir dos 50 anos, o corpo inicia um processo natural de perda progressiva de massa e força muscular, conhecido como sarcopenia, condição que pode comprometer a autonomia, aumentar o risco de quedas e impactar diretamente a qualidade de vida. A boa notícia é que há formas de reação. Maior ingestão de proteínas ao longo do dia, prática regular de treino de força e sono reparador são hoje apontados como os principais pilares para frear esse declínio e preservar a funcionalidade no envelhecimento.
Sem intervenção, a perda pode chegar a 1% a 2% de massa muscular por ano, enquanto a força diminui até 3% ao ano. “Preservar massa muscular é essencial para manter independência e qualidade de vida. E isso é possível com medidas relativamente simples, quando bem orientadas”, afirma a geriatra do Hospital Mater Dei Emec (HMDE), Lívia Cedraz.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 30% das pessoas acima de 60 anos apresentam algum grau de sarcopenia, percentual que pode ultrapassar 50% após os 80, tornando o tema uma prioridade crescente em saúde pública.
Declínio - Biologicamente, a sarcopenia resulta de uma combinação de fatores. Há redução da síntese proteica muscular, alterações hormonais — como queda de testosterona e hormônio do crescimento — e um estado de inflamação crônica de baixo grau associado ao envelhecimento.
Esse conjunto leva à chamada resistência anabólica, quando o organismo passa a responder menos aos estímulos de construção muscular. “O corpo envelhece, mas não perde a capacidade de resposta. Ele apenas precisa de estímulos mais adequados e consistentes”, explica Lívia Cedraz.
Impacto - A perda de massa muscular vai além da força física. Está associada à perda de autonomia, maior dependência de cuidadores, piora metabólica e aumento do risco de doenças como diabetes tipo 2.
Também compromete a recuperação após cirurgias e infecções. “O músculo é um órgão metabólico importante. Quando ele diminui, o corpo inteiro perde capacidade de reagir a agressões”, afirma a geriatra do Mater Dei Emec.
Proteína - Diante da resistência anabólica, a ingestão de proteína torna-se estratégica. Evidências atuais sugerem entre 25 g e 40 g por refeição para estimular a síntese muscular em pessoas acima dos 50 anos.
Mais do que a quantidade total diária, a distribuição ao longo do dia é determinante. “Não adianta concentrar toda a proteína em uma única refeição. O estímulo precisa ser constante”, orienta Cedraz.
Treino - A musculação é considerada o estímulo mais potente para preservar e aumentar massa muscular no envelhecimento. Além do ganho de força, promove melhora do equilíbrio, redução de quedas, aumento da densidade óssea e benefícios metabólicos e cognitivos.
“O músculo continua altamente adaptável, mesmo em idades avançadas. Já vemos pacientes com mais de 80 anos evoluindo com treino adequado”, destaca a especialista. Para iniciantes, a recomendação é avaliação médica, supervisão profissional e progressão gradual, com frequência de duas a três vezes por semana.
Suplementos - Whey protein e creatina podem ser aliados, mas não são obrigatórios. O whey pode ajudar quando há dificuldade de atingir a ingestão proteica pela alimentação.
Já a creatina tem evidências consistentes de benefício em força e funcionalidade. “Mas o uso deve ser individualizado, principalmente em pessoas com doença renal ou múltiplas medicações”, alerta Cedraz.
Hábitos - O sono e o controle do estresse também desempenham papel fundamental. Durante o sono profundo ocorre liberação de hormônios importantes para recuperação muscular.
Já o estresse crônico eleva o cortisol, favorecendo a perda de massa magra. “Sem sono adequado e controle do estresse, o corpo não consegue responder bem aos estímulos”, resume a médica.
Mitos - No consultório, ainda persistem equívocos comuns: a ideia de que idosos não podem fazer musculação, de que caminhar é suficiente para manter músculos ou de que proteína prejudica os rins em pessoas saudáveis.
“Na prática, o que vemos é o oposto. O treino de força é essencial, e a ingestão adequada de proteína é segura quando bem indicada”, afirma Cedraz. “A sarcopenia pode avançar com o tempo, mas a velocidade e o impacto desse processo dependem, cada vez mais, das escolhas feitas ao longo do envelhecimento”, conclui a geriatra.
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Hemodinâmica amplia cuidado com o coração idoso
Procedimentos seguros ajudam a preservar autonomia e qualidade de vida
O envelhecimento traz mudanças naturais ao coração, como o endurecimento das artérias, maior risco de obstruções coronarianas e alterações no funcionamento das válvulas cardíacas. Com o avanço da idade média da população brasileira, essas condições se tornaram cada vez mais frequentes, mantendo as doenças cardiovasculares como a principal causa de morte entre idosos. Nesse contexto, a hemodinâmica tem assumido papel central no cuidado com o coração na terceira idade, oferecendo diagnóstico preciso e tratamentos menos invasivos, mais seguros e com impacto direto na qualidade de vida.
Dados do Ministério da Saúde indicam que mais de 70% das mortes por doenças cardiovasculares no Brasil ocorrem em pessoas com 60 anos ou mais, reflexo direto do envelhecimento populacional. A boa notícia é que os avanços tecnológicos permitiram que procedimentos antes considerados de alto risco em pacientes idosos hoje sejam realizados com segurança crescente, muitas vezes sem necessidade de cirurgia aberta.
Mais segurança - A hemodinâmica reúne exames e procedimentos minimamente invasivos, realizados por meio de cateteres introduzidos pelas artérias, que permitem diagnosticar e tratar obstruções coronarianas, doenças valvares e alterações vasculares. Para o cardiologista intervencionista Sérgio Câmara, a idade cronológica deixou de ser um fator limitante isolado. “Hoje, avaliamos muito mais a condição clínica do paciente do que apenas a idade. Com planejamento adequado e tecnologia, é possível tratar idosos com alto grau de segurança”, afirma.
Segundo o especialista, técnicas modernas reduziram significativamente complicações e tempo de recuperação. “São procedimentos menos agressivos, o que diminui o risco de infecções, sangramentos e longas internações — fatores especialmente relevantes para pacientes mais velhos”, explica.
Diagnóstico preciso - Além do tratamento, a hemodinâmica se destaca pela capacidade de oferecer diagnósticos detalhados. Exames como o cateterismo permitem identificar com precisão o grau de obstrução das artérias e orientar a melhor estratégia terapêutica. “Um diagnóstico bem feito evita intervenções desnecessárias e direciona o tratamento que realmente trará benefício ao paciente”, destaca Sérgio Câmara.
Em muitos casos, a colocação de stents ou procedimentos valvares por cateter substituem cirurgias de grande porte. “Conseguimos aliviar sintomas como dor no peito, falta de ar e cansaço intenso, que limitam o cotidiano do idoso, com recuperação mais rápida e confortável”, pontua.
Mais qualidade de vida - Os benefícios vão além da sobrevida. Os procedimentos hemodinâmicos têm impacto direto na funcionalidade e na autonomia do paciente idoso. “O nosso foco é devolver qualidade de vida. Permitir que o paciente volte a caminhar, viajar, conviver com a família e manter sua independência”, ressalta o cardiologista.
Estudos internacionais mostram que idosos submetidos a intervenções minimamente invasivas apresentam melhora significativa dos sintomas e redução de internações por eventos cardiovasculares. Para Sérgio Câmara, o principal desafio ainda é vencer o medo. “Muitos pacientes convivem com limitações por receio do tratamento. Informação e avaliação adequada ajudam a mudar essa realidade”, afirma.
Cuidar é envelhecer melhor - Com a expectativa de vida do brasileiro ultrapassando os 75 anos, especialistas defendem um cuidado cardiovascular contínuo e individualizado. A hemodinâmica surge como aliada nesse processo. “Envelhecer não significa aceitar limitações impostas pelo coração. Hoje, temos recursos para tratar com segurança e proporcionar mais qualidade de vida mesmo em idades avançadas”, conclui Sérgio Câmara.
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Carnaval eleva risco de intoxicação alimentar
Comida mal armazenada pode acabar com a folia
O Carnaval movimenta multidões, longas horas de festa e altas temperaturas, combinação que acende um alerta importante para a saúde: o aumento dos casos de intoxicação alimentar. Em meio à maratona de blocos, trios elétricos e festas de rua, muitos foliões recorrem a refeições improvisadas, alimentos de procedência duvidosa e bebidas mal armazenadas, o que pode transformar a alegria da folia em mal-estar e atendimento de emergência.
Em eventos de grande porte, como o Carnaval de Salvador, que em 2025 registrou mais de 11 milhões de acessos aos circuitos, a atenção com a alimentação torna-se ainda mais necessária. O calor intenso favorece a proliferação de bactérias, vírus e toxinas, especialmente quando os alimentos ficam expostos por longos períodos sem refrigeração adequada.
Segundo o gastroenterologista Luiz Almeida, coordenador do serviço de Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva do Hospital Mater Dei Emec (HMDE), as altas temperaturas são um dos principais fatores de risco para a contaminação alimentar. “O calor facilita a multiplicação de microrganismos quando os alimentos não são armazenados corretamente ou permanecem muito tempo fora da refrigeração. Isso é comum em festas de rua, onde o controle sanitário é mais difícil”, explica.
Carnes mal cozidas, maioneses caseiras, frutos do mar, laticínios, gelo contaminado e água de procedência duvidosa estão entre as causas mais frequentes de intoxicação alimentar. De acordo com o especialista, muitas ocorrências não estão relacionadas ao alimento em si, mas à forma como ele é manipulado, conservado ou reaproveitado ao longo do dia.
Sintomas, diagnóstico e tratamento
Os sintomas costumam surgir poucas horas após a ingestão do alimento contaminado e incluem náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal, febre e mal-estar geral. Em quadros mais graves, o paciente pode apresentar sinais de desidratação, tontura e queda da pressão arterial. “Quando os sintomas persistem por mais de 24 horas, há febre alta, sangue nas fezes ou sinais claros de desidratação, é fundamental procurar atendimento médico”, orienta Luiz Almeida. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas formam o grupo mais vulnerável às complicações.
O diagnóstico da intoxicação alimentar é essencialmente clínico, baseado na avaliação dos sintomas e no histórico recente de alimentação. Em situações específicas, exames laboratoriais podem ser solicitados para identificar o agente causador.
O tratamento, na maioria dos casos, consiste em hidratação adequada, repouso e dieta leve, com acompanhamento médico quando necessário. O gastroenterologista alerta que a automedicação pode agravar o quadro, especialmente com o uso inadequado de antibióticos ou antidiarreicos.
A prevenção, segundo os especialistas, continua sendo a melhor forma de evitar problemas durante a folia. Priorizar alimentos preparados na hora e bem cozidos, evitar comidas expostas ao sol ou sem refrigeração, observar a higiene do local e dos manipuladores, consumir apenas água mineral lacrada ou filtrada e manter as mãos limpas são medidas simples que reduzem significativamente o risco de intoxicação alimentar.
“Na dúvida, é melhor não consumir. Uma escolha errada pode interromper a festa e gerar complicações que duram dias”, reforça o gastro Luiz Almeida. Ele lembra que os mesmos cuidados devem ser adotados em outros grandes eventos populares ao longo do ano, como micaretas e festas de rua. “Comer com atenção é uma forma de garantir que a festa termine bem”, conclui o especialista do Hospital Mater Dei Emec.
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Senador Otto Alencar passa por cirurgia para implantação de marca-passo em Salvador
O senador baiano Otto Alencar (PSD) encontra-se internado no Hospital Aliança, em Salvador, após ser submetido a uma cirurgia cardíaca para a implantação de um marca-passo. De acordo com um boletim médico oficial divulgado por sua assessoria, o procedimento foi realizado de forma preventiva e transcorreu com sucesso. O parlamentar está clinicamente estável, mas permanece em observação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Cardíaca da instituição de saúde.
As informações detalhadas no comunicado à imprensa revelam que o problema de saúde teve início após o retorno do senador de uma agenda política no município de Lapão, no interior da Bahia. Ao se sentir mal, ele procurou atendimento médico. Os exames realizados diagnosticaram um quadro de bradicardia, condição caracterizada pela baixa frequência dos batimentos cardíacos, o que pode comprometer o bombeamento de sangue e oxigênio para o corpo.
Diante do diagnóstico, a equipe médica indicou a intervenção para a colocação do dispositivo. A assessoria do senador enfatizou que a medida foi preventiva, visando a correção do ritmo cardíaco e a garantia de sua estabilidade fisiológica. O texto afirma que todos os protocolos médicos recomendados estão sendo seguidos rigorosamente durante a fase de recuperação.
Veja nota na íntegra:
A assessoria de comunicação e imprensa do senador Otto Alencar (PSD/BA) informa que, após se sentir mal no retorno de uma agenda política realizada no município de Lapão, o senador foi submetido a exames médicos que diagnosticaram um quadro de bradicardia.
Diante do diagnóstico, foi indicado e realizado um procedimento cardíaco para implantação de um marca-passo, de forma preventiva, no Hospital Aliança, em Salvador (BA).
O procedimento transcorreu com sucesso. O senador encontra-se bem, clinicamente estável, em observação na UTI Cardíaca, seguindo todos os protocolos médicos recomendados.
Hemoba reforça serviços de doação de sangue durante o Carnaval
Durante o período do Carnaval, entre os dias 12 e 18 de fevereiro, a Fundação Hemoba manterá o atendimento na capital e no interior do estado com o objetivo de garantir a manutenção dos estoques de sangue e salvar vidas. Tradicionalmente, o período carnavalesco é marcado por uma queda no número de doações de sangue, em decorrência das férias, viagens e festas.
Ao mesmo tempo, a demanda por hemocomponentes nas unidades de saúde permanece elevada, especialmente nos serviços de urgência e emergência. Como parte das ações que antecedem o Carnaval, no dia 10 de fevereiro (terça-feira), a sede da Hemoba receberá, às 9h, o Rei Momo eleito em 2025, o influenciador digital Hudson Marcello, além da banda Paroano Sai Milhó, que há 58 anos reúne amigos para cantar músicas clássicas e atuais do carnaval de rua.
Horário de funcionamento - Em Salvador, no dia 12 de fevereiro (quinta-feira), todas as unidades da Hemoba funcionarão em horário normal. Já na sexta-feira, 13 de fevereiro, o atendimento ocorrerá no Hemocentro Coordenador, das 7h30 às 18h, no posto temporário do Shopping Bela Vista, das 9h às 18h, e na unidade móvel de coleta (hemóvel), no Salvador Shopping, das 8h às 17h, enquanto as demais unidades da capital permanecerão fechadas. No sábado, 14 de fevereiro, o Hemocentro Coordenador seguirá aberto das 7h30 às 16h30, o posto do Shopping Bela Vista manterá atendimento das 9h às 18h, e o hemóvel no Salvador Shopping funcionará das 8h às 17h, permanecendo fechadas as demais unidades da capital. No domingo de Carnaval, dia 15, todas as unidades da Hemoba em Salvador estarão fechadas.
Na segunda-feira, 16 de fevereiro, o Hemocentro Coordenador retoma o atendimento das 7h30 às 18h e o posto do Shopping Bela Vista funciona das 9h às 18h, enquanto as demais unidades seguem fechadas. Na terça-feira, 17 de fevereiro, o Hemocentro Coordenador atende das 7h30 às 16h30, com suspensão das atividades nas demais unidades. Na Quarta-feira de Cinzas, 18 de fevereiro, as unidades retomam o atendimento a partir das 12h, com exceção daquelas localizadas no Hospital Ana Nery e no Hospital Irmã Dulce (OSID), que não funcionarão nesse dia. O Centro de Referência às Pessoas com Doença Falciforme Rilza Valentim terá suas atividades suspensas entre os dias 12 e 17 de fevereiro, com retorno no dia 18, a partir das 13h.
No interior do estado, as unidades da Hemoba funcionarão em horário normal nos dias 12 e 13 de fevereiro. No sábado (14/02), abrirão apenas as unidades que tradicionalmente operam nesse dia, localizadas em Vitória da Conquista, Feira de Santana e Santo Antônio de Jesus. As unidades permanecerão fechadas nos dias 15 e 17 de fevereiro. Na segunda-feira (16/02), não haverá funcionamento das unidades de Alagoinhas, Ribeira do Pombal, Itapetinga e Seabra, enquanto as demais operarão normalmente. No dia 18 de fevereiro, o atendimento no interior será retomado a partir das 14h.
Critérios para doação – Para doar sangue, é necessário estar em boas condições de saúde, pesar acima de 50 kg e ter idade entre 16 e 69 anos. Menores de 18 anos devem estar acompanhados dos pais ou responsável legal, e pessoas acima de 60 anos só podem doar se já tiverem doado anteriormente. No dia da doação, o voluntário não deve estar em jejum, nem ter ingerido bebida alcoólica nas 12 horas anteriores, além de não fumar por pelo menos duas horas antes do procedimento. É necessário ter dormido, no mínimo, seis horas na noite anterior e evitar alimentos gordurosos nas quatro horas que antecedem a doação. Também é obrigatória a apresentação de documento oficial com foto, válido em todo o território nacional.
| Assessoria de comunicação - Saude <jornalismo@saude.ba.gov.br> |
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