Grupo da Bahia tenta salvar a Unigel junto à Petrobras
Após o cancelamento de um contrato de quase R$ 800 milhões com a Unigel devido a irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a Petrobras trabalha em um novo acordo com a empresa baiana, que está em recuperação judicial. A informação é de Malu Gaspar, do jornal “O Globo”.
O novo contrato prevê que a Petrobras desista de um pleito judicial de R$ 1,4 bilhão contra a Unigel e ainda pague R$ 200 milhões para que a empresa volte a operar suas plantas de ureia e amônia. A proposta chegou a ser incluída na pauta do conselho de administração da estatal na sexta-feira (28), mas foi retirada na noite anterior devido a resistências internas.
Na prática, o acordo representaria um resgate financeiro da Unigel, que arrendou as fábricas da Petrobras em 2020 e as desativou em 2023, após enfrentar prejuízos devido à alta no preço do gás natural e à queda nos valores da ureia e da amônia. O novo modelo prevê que a Petrobras contrate a Unigel como prestadora de serviços, em contraste com o modelo anterior, rejeitado pelo TCU, que envolvia fornecimento de gás em troca do produto final — o chamado *tolling* — e que poderia gerar um prejuízo de R$ 500 milhões à estatal.
Apesar da reformulação, o acordo enfrenta críticas dentro da Petrobras. Entre as principais objeções está a desistência da arbitragem de R$ 1,4 bilhão, mesmo diante de pareceres internos que indicam boas chances de vitória, embora a recuperação judicial da Unigel dificulte a execução do pagamento. Além disso, há preocupações com o fato de o contrato ser firmado sem licitação e com uma empresa financeiramente instável, além da duração prevista de cinco anos.
A resistência ao acordo levou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a adiar a votação no conselho, mas fontes internas indicam que a CEO mantém a intenção de aprová-lo. Nos bastidores, atribui-se essa insistência à influência do chamado “Clube da Bahia”, grupo de políticos baianos que busca viabilizar a recuperação da Unigel. Entre os principais articuladores estariam o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), o senador Otto Alencar (PSD-BA) e seu filho, o deputado Otto Alencar Filho (PSD-BA), além do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
A Unigel, controlada pelo grupo Cigel Participações, tem histórico de doações para campanhas do PT. Em 2022, o dono da empresa, Henri Armand Slezynger, doou R$ 200 mil para a campanha do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT). No mesmo ano, recebeu do então governador Rui Costa o título de cidadão baiano e mantém proximidade com Jaques Wagner.
Dentro da Petrobras, há desconfiança em relação aos cálculos que embasam o novo acordo. Foram analisados três cenários para o futuro das fábricas: manter o impasse na arbitragem (prejuízo de R$ 22 milhões), contratar diretamente a Unigel sem licitação por até cinco anos (lucro de R$ 342 milhões) ou realizar uma licitação para definir um novo operador (lucro de R$ 271 milhões). Apesar da apresentação de mais de 40 anexos justificando a viabilidade do negócio, persistem dúvidas sobre os reais benefícios da proposta.
Forte terremoto atinge Mianmar e Tailândia e deixa mortos (VÍDEO: Veja momento em que arranha-céu desaba )
Um forte terremoto atingiu o centro de Mianmar nesta sexta-feira (28), e vários edifícios desabaram em Mandalay, a segunda maior cidade do país, disseram testemunhas.
Edifícios também tremeram em Bancoc, a capital da Tailândia, a cerca de 1.000 km ao sul, e centenas de pessoas saíram correndo em pânico. As negociações na Bolsa local foram interrompidas.
Pelo menos uma pessoa morreu e dezenas de trabalhadores foram resgatados dos escombros do arranha-céu, informou o Instituto Nacional de Medicina de Emergência da Tailândia.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou que o terremoto teve magnitude de 7,7 e uma profundidade de 10 km. Foi seguido por um forte tremor secundário.
O epicentro estava a cerca de 17,2 km da cidade de Mandalay, que tem uma população de cerca de 1,5 milhão de pessoas.
Não houve informações imediatas das autoridades de Mianmar sobre danos.
“Começamos as buscas e estamos percorrendo Rangoon para verificar vítimas e danos. Até agora, ainda não temos informações”, disse um funcionário do Departamento de Serviços de Incêndio de Mianmar à Reuters. Rangoon é a maior cidade e a antiga capital de Mianmar ( a atual é Naypyitaw).
Postagens nas redes sociais de Mandalay, a antiga capital real de Mianmar que está no centro de sua região budista, mostram edifícios desmoronados e destroços espalhados pelas ruas da cidade.
Folhapress
Secretário de Estado americano diz que haverá consequências se a Venezuela atacar a Guiana
O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, alertou, nesta quinta-feira (27), a Venezuela que um ataque contra sua vizinha Guiana no contexto de sua disputa territorial por uma região rica em petróleo “não terminaria bem” e insinuou o uso de força militar.
Rubio, em viagem pelo Caribe, visita Georgetown para dar apoio à Guiana diante das reivindicações da Venezuela sobre o Essequibo, área de 160 mil km² que representa dois terços do território guianês. A centenária disputa fronteiriça se intensificou quando o gigante americano ExxonMobil descobriu há uma década vastos depósitos de petróleo em suas águas.
“Se atacassem a Guiana ou a ExxonMobil seria um dia muito ruim, uma semana muito ruim, para eles. Não terminaria bem”, afirmou o americano em uma entrevista coletiva. “Tenho plena confiança em dizer isso como secretário de Estado: haverá consequências pelo aventurismo, haverá consequências por ações agressivas”.
Com os projetos lançados pela ExxonMobil na Guiana, este pequeno país sul-americano de 800 mil habitantes e de língua inglesa está prestes a se tornar o maior produtor de petróleo per capita, superando Qatar e Kuwait.
Embora tenha evitado sugerir uma resposta militar dos EUA, Rubio advertiu: “Temos uma Marinha grande e ela pode chegar praticamente a qualquer lugar”.
O secretário assinou um memorando de entendimento para impulsionar a cooperação em questões de segurança entre EUA e Guiana. Os dois países concordaram anteriormente em realizar patrulhas marítimas conjuntas. O presidente da Guiana, Irfaan Ali, comemorou o apoio de Rubio: “Estou muito satisfeito com a garantia dos EUA de salvaguardar nossa integridade territorial e soberania”.
As afirmações do americano tensionam ainda mais a relação dos EUA com a Venezuela. O chanceler venezuelano, Yván Gil, chamou de bravatas as advertências de Rubio. “Marco Rubio não nos surpreende. Conhecemos esse velho roteiro de ameaças e bravatas com o qual um complexado pretende assustar povos soberanos”, disse, em mensagem divulgada pelo aplicativo Telegram. “Não precisamos, nem procuramos conflitos, mas tampouco vamos permitir que interesses externos tentem reescrever a realidade sobre o nosso Essequibo. Tire seu nariz dessa controvérsia!”, acrescentou o chanceler.
Ainda do lado americano, nesta semana, o enviado especial dos EUA para a América Latina, Mauricio Claver-Carone, havia adiantado: “Queremos trabalhar com a Guiana”. “Vemos as ameaças da Venezuela”, ressaltou.
Clever-Carone afirmou que o governo de Trump considera estabelecer com a Guiana uma relação semelhante à que mantém com nações do Golfo Pérsico que abrigam tropas americanas como muro de contenção frente ao Irã.
Na Venezuela, o regime do ditador Nicolás Maduro tachou de hipócritas as declarações de Claver-Carone e acusou os EUA de serem a “verdadeira ameaça” e de planejar se “estabelecer na Guiana como ocupante” para agredir seu país.
Rubio, que esteve na Jamaica na quarta-feira com a grave crise do Haiti na agenda, propõe reduzir a dependência dos países caribenhos do petróleo venezuelano. Trump revogou a licença da petrolífera Chevron para operar na Venezuela e ameaçou aplicar novas tarifas a partir de 2 de abril às nações que comprarem petróleo venezuelano. Washington não reconhece a reeleição de Maduro, denunciada como fraude pela oposição venezuelana.
Com esse contexto, a disputa fronteiriça entre Guiana e Venezuela vem se agravando. No início deste mês, Georgetown denunciou uma incursão de um navio militar venezuelano em suas águas, o que Caracas negou. Maduro propôs uma reunião com Ali, que rejeitou a oferta.
O regime da Venezuela anunciou que incluirá na votação para eleger governadores e deputados do Parlamento em 25 de maio, pela primeira vez, a escolha de autoridades venezuelanas para o Essequibo, embora não tenha informado como será esse processo.
A Guiana sustenta que as fronteiras atuais foram estabelecidas em 1899 em um laudo arbitral em Paris. Por sua vez, a Venezuela defende o Acordo de Genebra, que assinou em 1966 com o Reino Unido antes da independência da Guiana e que anulava o laudo de Paris e propunha uma solução negociada para o conflito.
Folhapress
SSP reforça atuação da PM com investimento de R$ 4 milhões em nova unidade e viaturas
Entregas aconteceram nesta quinta-feira (27), durante o evento ‘São Salvador 476 anos’, que celebra o aniversário da capital baiana.
Sessenta e quatro viaturas e uma nova unidade foram entregues para a Polícia Militar, na manhã desta quinta-feira (27), no bairro do IAPI, durante o evento ‘São Salvador 476 anos’, que celebra o aniversário da capital baiana. Os novos equipamentos representam investimento de R$ 4 milhões do Governo do Estado.
Os moradores dos bairros da Liberdade, Curuzu, IAPI, Baixa de Quintas, Caixa d’Água, Cidade Nova, Lapinha, Pau Miúdo, Pero Vaz e Santa Mônica passam a contar com um reforço no policiamento ostensivo e preventivo, com a inauguração da nova sede da 37ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Liberdade).
Unidade faz parte do Programa de Modernização das Estruturas da Segurança Pública e teve o investimento de R$ 800 mil reais do Governo do Estado. Após reforma, a unidade localizada na Avenida Odilon Machado, n° 120, está com o design mais moderno, padronizada com as novas cores da corporação.
“Nos últimos dois anos, investimos na contratação de seis mil novos policiais e bombeiros, entregamos 150 unidades modernas para as Forças da Segurança e ampliamos o trabalho de inteligência, com a aquisição de novos equipamentos. Na capital baiana, alcançamos a redução dos principais índices criminais. Seguiremos trabalhando de forma incansável na proteção do povo baiano”, enfatizou o secretário da SSP, Marcelo Werner.
Cerca de R$ 3,1 milhões foram investidos em 41 motocicletas, 17 caminhonetes, quatro bases móveis e dois quadriciclos, que chegam com foco no reforço das ações ostensivas da corporação.
Serão beneficiadas as unidades dos Comandos de Policiamento Regional da Capital (CPR-Cs) Atlântico, Baía de Todos os Santos e Central, Especializado (CPE), em Missões Especiais (CPME), de Apoio Operacional (CPAp), de Operações Policiais Militares (Coppm) e Especializado de Policiamento Rodoviário (CEPRv).
Texto: Rafael Rodrigues
Prefeita Laryssa solicita à Câmara reajuste de salário de servidores públicos e retira aumento do próprio salário, vice-prefeito e secretários
A Prefeita de Ipiaú, Laryssa Dias, solicitou nesta quinta-feira, 27, através de requerimento enviado a casa legislativa e citado pelo líder do governo durante sessão na Câmara, vereador Cláudio Nascimento (PT), a retirada do reajuste do próprio salário, do vice-prefeito e de secretários para garantir a economicidade e a saúde financeira do município.
A medida decorre de emenda que pede a exclusão do segundo parágrafo do Projeto de Lei nº 04, de 25 de março de 2025, em decorrência de impactos orçamentários que inviabilizam sua execução, dada a realidade financeira do município, garantindo a implementação de disposições importantes, como o reajuste nos salários de servidores administrativos e agentes comunitários e de endemias.
A decisão reforça a transparência, a seriedade e o compromisso da gestão com a administração do recurso público e o respeito para com a população.
Governo Lula barra divulgação de dados de alfabetização da principal avaliação do país
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Foto: Pedro França/Agência Senado/Arquivo |
O governo Lula (PT) vai engavetar a divulgação dos resultados de alfabetização da principal avaliação da qualidade da educação básica do país. O MEC (Ministério da Educação) já havia escondido os dados no ano passado, mas prometia divulga-los.
Agora, excluir essas informações é uma decisão. Esses dados de alfabetização são da última edição, de 2023, do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica). O Saeb contempla as provas de português e matemática que compõem o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).
Um ofício obtido pela Folha, assinado pelo presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos Educacionais, órgão do MEC responsável por avaliações), Manuel Palácios, indica que haja somente a “publicação dos microdados das avaliações do Saeb 2023 do 5º e 9º ano do Ensino Fundamental e do 3º ano do Ensino médio de Língua Portuguesa e Matemática”.
A decisão de esconder resultados de uma avaliação já aplicada, com uso de recursos públicos é inédita. Segundo técnicos do Inep, o principal motivo para o engavetamento seria o fato de que há diferenças entre os resultados do Saeb e de outro instrumento criado pelo atual governo para mensurar a qualidade da alfabetização —divulgado com pompa no ano passado pelo ministro da Educação, Camilo Santana.
Questionado, o Inep afirmou que trabalha desde 2024 para qualificar a análise dos dados e permitir melhores compreensões. “A avaliação amostral do 2º ano do Ensino Fundamental do Saeb não produz dados no âmbito das escolas e dos municípios, mas é um elemento fundamental de aproximação entre a avaliação realizada pelos estados e o Saeb”, afirma o órgão.
O instituto não respondeu por que recuou sobre a promessa de divulgar os dados. O MEC foi procurado mas não respondeu.
Em agosto, Camilo divulgou o Ideb 2023 dos 5º e 9º anos do ensino fundamental e do 3º do ensino médio, incluindo as médias do Saeb. O governo não deu acesso, entretanto, aos resultados das provas aplicadas para alunos do 2º ano do fundamental.
As provas dessa fase, feitas por crianças de 7 ou 8 anos, avaliam níveis de alfabetização e são aplicadas a uma amostra de escolas, permitindo medir o desempenho por estado e para o país todo. Nas outras séries, diferentemente, todas as escolas públicas participam.
Antes de divulgar o Ideb, o governo soltou resultados de avaliações de alfabetização feitas em 2023 pelas redes estaduais (com tratamento de dados realizado pelo Inep). A Folha mostrou, na época, que técnicos do Inep questionavam a confiabilidade dos números, sobretudo em comparação ao Saeb.
Relatos colhidos pela reportagem após o ofício de Palácios é de que há, de fato, diferenças nos resultados, sendo mais consideráveis em alguns estados.
No ano passado, o próprio ministro Camilo disse que “são metodologias diferentes”. Já Palácios afirmou que a divulgação dos dados de alfabetização do Saeb era uma questão política, mas prometeu divulgação.
O mesmo ofício determina que o Inep produza uma base de dados única com as informações das avaliações dos estados, o que o órgão também confirmou em nota.
O Saeb é a avaliação educacional de maior confiança em termos técnicos. O sistema foi instituído em 1990, antes mesmo do início do Ideb (calculado a partir de 2007). A aplicação de 2023 custou R$ 121,7 milhões.
No caso do 2º ano, os resultados por amostras permitem comparação entre escolas públicas e privadas —o que o instrumento lançado por Camilo não contempla. Além disso, as questões da amostra estão alinhadas à Base Nacional Comum Curricular, o que não ocorre com o restante do Saeb.
O ofício do Inep, de 20 de fevereiro, é endereçado à diretora de Avaliação da Educação Básica do instituo, Hilda Aparecida Linhares da Silva. A diretora, indicada por Palácios, já sinalizou a servidores que vai cumprir o determinado.
O presidente do Inep menciona no ofício que pesquisas internas sobre as avaliações por amostra do Saeb “deverão ser aprofundadas”. Com isso, também não devem vir à luz os resultados de provas de ciências da natureza e ciências humanas realizadas também, por amostra, em escolas de 5º e 9º anos.
Servidores afirmam, sob a condição de anonimato, que a presidência do Inep busca desacreditar as as amostragens para vetar os dados do 2º ano. Apesar disso, não há notas técnicas dentro do Inep apontando falhas, ainda segundo técnicos.
O Inep não respondeu sobre quais problemas haveriam nas amostras. Essas aplicações ocorrem desde 2019.
Segundo o Ernesto Faria, diretor do Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), a não divulgação “gera insegurança sobre a precisão dos diagnósticos” feitos a partir das avaliações estaduais.
“Os dados de alfabetização municipais divulgados pelo Inep são bem estimados e comparáveis entre localidades de diferentes estados? Hoje, os melhores dados que possuímos para ajudar a termos essa resposta são os resultados amostrais do Saeb”, diz ele.
Causa estranhamento dentro do Inep que a presidência questione os dados amostrais, mas as equipes continuem a trabalhar na formulação do Saeb e Ideb a ser aplicado neste ano mantendo essa previsão.
O Saeb é aplicado a cada dois anos, assim como o cálculo do Ideb. O indicador deveria ter sido reformulado, uma vez que as metas para escolas e governos só foram calculadas até 2021. Mas isso não ocorreu.
A edição de 2023, já sob o governo Lula, foi divulgada sem metas. O governo até agora não finalizou um novo modelo, e a edição deste ano deve ocorrer também sem metas para 2025. “É importante pontuar também a urgência das redes de ensino por um norte”, ressalta Ernesto Faria. “Adentramos em 2025 sem a definição de como será o novo Ideb.”
João Gabriel e Paulo Saldaña, Folhapress
Agora, excluir essas informações é uma decisão. Esses dados de alfabetização são da última edição, de 2023, do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica). O Saeb contempla as provas de português e matemática que compõem o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).
Um ofício obtido pela Folha, assinado pelo presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos Educacionais, órgão do MEC responsável por avaliações), Manuel Palácios, indica que haja somente a “publicação dos microdados das avaliações do Saeb 2023 do 5º e 9º ano do Ensino Fundamental e do 3º ano do Ensino médio de Língua Portuguesa e Matemática”.
A decisão de esconder resultados de uma avaliação já aplicada, com uso de recursos públicos é inédita. Segundo técnicos do Inep, o principal motivo para o engavetamento seria o fato de que há diferenças entre os resultados do Saeb e de outro instrumento criado pelo atual governo para mensurar a qualidade da alfabetização —divulgado com pompa no ano passado pelo ministro da Educação, Camilo Santana.
Questionado, o Inep afirmou que trabalha desde 2024 para qualificar a análise dos dados e permitir melhores compreensões. “A avaliação amostral do 2º ano do Ensino Fundamental do Saeb não produz dados no âmbito das escolas e dos municípios, mas é um elemento fundamental de aproximação entre a avaliação realizada pelos estados e o Saeb”, afirma o órgão.
O instituto não respondeu por que recuou sobre a promessa de divulgar os dados. O MEC foi procurado mas não respondeu.
Em agosto, Camilo divulgou o Ideb 2023 dos 5º e 9º anos do ensino fundamental e do 3º do ensino médio, incluindo as médias do Saeb. O governo não deu acesso, entretanto, aos resultados das provas aplicadas para alunos do 2º ano do fundamental.
As provas dessa fase, feitas por crianças de 7 ou 8 anos, avaliam níveis de alfabetização e são aplicadas a uma amostra de escolas, permitindo medir o desempenho por estado e para o país todo. Nas outras séries, diferentemente, todas as escolas públicas participam.
Antes de divulgar o Ideb, o governo soltou resultados de avaliações de alfabetização feitas em 2023 pelas redes estaduais (com tratamento de dados realizado pelo Inep). A Folha mostrou, na época, que técnicos do Inep questionavam a confiabilidade dos números, sobretudo em comparação ao Saeb.
Relatos colhidos pela reportagem após o ofício de Palácios é de que há, de fato, diferenças nos resultados, sendo mais consideráveis em alguns estados.
No ano passado, o próprio ministro Camilo disse que “são metodologias diferentes”. Já Palácios afirmou que a divulgação dos dados de alfabetização do Saeb era uma questão política, mas prometeu divulgação.
O mesmo ofício determina que o Inep produza uma base de dados única com as informações das avaliações dos estados, o que o órgão também confirmou em nota.
O Saeb é a avaliação educacional de maior confiança em termos técnicos. O sistema foi instituído em 1990, antes mesmo do início do Ideb (calculado a partir de 2007). A aplicação de 2023 custou R$ 121,7 milhões.
No caso do 2º ano, os resultados por amostras permitem comparação entre escolas públicas e privadas —o que o instrumento lançado por Camilo não contempla. Além disso, as questões da amostra estão alinhadas à Base Nacional Comum Curricular, o que não ocorre com o restante do Saeb.
O ofício do Inep, de 20 de fevereiro, é endereçado à diretora de Avaliação da Educação Básica do instituo, Hilda Aparecida Linhares da Silva. A diretora, indicada por Palácios, já sinalizou a servidores que vai cumprir o determinado.
O presidente do Inep menciona no ofício que pesquisas internas sobre as avaliações por amostra do Saeb “deverão ser aprofundadas”. Com isso, também não devem vir à luz os resultados de provas de ciências da natureza e ciências humanas realizadas também, por amostra, em escolas de 5º e 9º anos.
Servidores afirmam, sob a condição de anonimato, que a presidência do Inep busca desacreditar as as amostragens para vetar os dados do 2º ano. Apesar disso, não há notas técnicas dentro do Inep apontando falhas, ainda segundo técnicos.
O Inep não respondeu sobre quais problemas haveriam nas amostras. Essas aplicações ocorrem desde 2019.
Segundo o Ernesto Faria, diretor do Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), a não divulgação “gera insegurança sobre a precisão dos diagnósticos” feitos a partir das avaliações estaduais.
“Os dados de alfabetização municipais divulgados pelo Inep são bem estimados e comparáveis entre localidades de diferentes estados? Hoje, os melhores dados que possuímos para ajudar a termos essa resposta são os resultados amostrais do Saeb”, diz ele.
Causa estranhamento dentro do Inep que a presidência questione os dados amostrais, mas as equipes continuem a trabalhar na formulação do Saeb e Ideb a ser aplicado neste ano mantendo essa previsão.
O Saeb é aplicado a cada dois anos, assim como o cálculo do Ideb. O indicador deveria ter sido reformulado, uma vez que as metas para escolas e governos só foram calculadas até 2021. Mas isso não ocorreu.
A edição de 2023, já sob o governo Lula, foi divulgada sem metas. O governo até agora não finalizou um novo modelo, e a edição deste ano deve ocorrer também sem metas para 2025. “É importante pontuar também a urgência das redes de ensino por um norte”, ressalta Ernesto Faria. “Adentramos em 2025 sem a definição de como será o novo Ideb.”
João Gabriel e Paulo Saldaña, Folhapress
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